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1 As origens da agricultura nem sempre foram entendidas da mesma forma pelo próprio arqueólogo. A este respeito recomendamos a leitura atenta de um artigo que estabelece a ponte entre aquilo que era conhecido e que se defendia em 1995 e o que hoje se conhece e defende sobre o mesmo tema: ZEDER, Melinda A. – The Origins of Agriculture in the Near East, in The Origins of Agriculture: New Data, New Ideas dir. by Leslie C. Aiello, The Wenner-Gren Foundation for Anthropological Research, Current Anthropology, vol. 52, Supplement 4, October 2011, págs. 221-236.

2 Se é certo que há autores que refutam por completo a tese ambiental, outros há que não só a aceitam como consideram válido o seu papel no aparecimento da agricultura e do sedentarismo (Binford 1968, 328-337). Além destas correntes, saliente-se também que dentro da corrente ambientalista há diferentes perspetivas sobre o problema. Uma delas dá particular ênfase às mudanças climáticas, facto que terá levado segundo estes à especialização de certas espécies de plantas, nomeadamente ao nível do trigo e do centeio, culturas de Inverno e de Primavera (McCorriston 2000b, 162).

3 Sobre a temática das alterações climáticas no mundo antigo, sobretudo no Médio Oriente e na Ásia vide BAR-YOSEF, Ofer – Climatic Fluctuations and Early Farming in West and East Asia, in The Origins of Agriculture: New Data, New Ideas, dir. by Leslie C. Aiello, The Wenner-Gren Foundation for Anthropological Research, Current Anthropology, vol. 52, Supplement 4, October 2011, págs. 175-195.

4 A ideia de que o sedentarismo desempenhou um papel importante no processo de domesticação das espécies e no aparecimento da agricultura é contestada por vários arqueólogos. Segundo estes, no sudeste asiático o sedentarismo é anterior ao aparecimento da agricultura e como tal tendem a diminuir a importância que outros, nomeadamente Binford e Braidwood, lhe querem dar (Henry 1989, 38 - 39; Moore 1985, 231).

5 Uma das maiores criticas a estas correntes reside na área espacial de estudo. Segundo muitos especialistas o que se passou no Médio Oriente não corresponde propriamente ao ocorrido noutras áreas do globo. Veja-se por exemplo o que se passou no sudeste asiático em que o fenómeno do sedentarismo parece ser anterior à descoberta da própria agricultura (Henry 1989, 38 - 39; Moore 1985, 231).

6 Sobre o aparecimento da agricultura em diversos pontos do globo e continentes, vide AIELLO, Leslie C. (dir) – The Origins of Agriculture: New Data, New Ideas, in Wenner-Gren Symposium, Current Antropology, vol. 52, Suplement 4, 2011.

7 Sobre a importância e actividade destes autores e investigadores no concelho de Viana do Castelo vide ALMEIDA CAB – Sítios que fazem História, Arqueologia do Concelho de Viana do Castelo - Da Pré-História à Romanização, Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2008ª, págs. 13-28.

8 Sobre o contributo destas ciências vide: AIRA RODRIGUEZ, M.J.; RAMIL REGO, P. – Datos Paleobotanicos del Norte de Portugal (Baixo Minho), Estudio Polínico y Paleocarpológico, in Lagascalia 18(1), Santiago de Compostela, 1995. FIGUEIRAL, Isabel; SANCHES, Maria de Jesus – A Contribuição da Antracologia no estudo dos recursos florestais de Trás-os-Montes e Alto Douro durante a Pré-História Recente, in Portugalia, Nova Série, vol. XIX-XX, 1998-1999. BETTENCOURT, Ana; FIGUEIRAL, Isabel – Estratégias de exploração do espaço no Entre Douro e Minho desde os finais do IV aos meados do I milénio a.C., in Actas do IV Congresso de Arqueologia Peninsular, Faro, 2004b. SÁEZ, J.A; LÓPES MERINO, L. – Precisiones metodológicas acerca de los indicios paleopalinológicos de agricultura en la Prehistoria de la Península Iberica, in Portugália, Nova Série, vol. XXVI, 2005. TERESO, João – Introdução ao estudo de macro-restos vegetais em sítios arqueológicos, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, 2008. TERESO, João – Environmental change agricultural development and social trends in NW Iberia from the late Prehistory to the late Antiquity, Programa Doutoral de Biologia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, 2012.

9 Os vestígios mais antigos na Península Ibérica parecem advir de Cova de Oro, em Espanha. Esses datam do 7000 a.C. (Toussaint-Samat 2009, 120 - 121).

10 Os vestígios mais antigos de práticas agrícolas em Portugal estão localizados no Sul do país e datam sensivelmente de 7000 (datas não calibradas e passíveis de alteração). Entre outros, destacam-se sítios como Cisterna (7400), Caldeirão (7300), Castelo Belinho (6900) e São Pedro de Canaferim (7000). Sobre o assunto, entre outros artigos destacamos o de RONLEY-CONWY, Peter – Westward Ho! The Spread of Agricultural from Central Europe to the Atlantic, in The Origins of Agriculture: New Data, New Ideas, dir. by Leslie C. Aiello, The Wenner-Gren Foundation for Anthropological Research, Current Anthropology, vol. 52, Supplement 4, October 2011, págs. 431-451.

11 Sobre a datação e paralelismo com outros monumentos megalíticos vide JORGE, Vítor Oliveira – Novas datas de C14 para as mamoas da serra da Aboboreira, in Arqueologia, vol. 18, Porto, 1988, págs. 95-99.

12 Aqui sabemos também que existe um menir (Marques 2012, 147).

13 Aqui encontrou Abel Viana uma laje antropomórfica, alguns artefactos de pedra polida e uma foicinha com nervura central o que muito nos diz já sobre os hábitos e os costumes agrícolas neste período (Almeida CAB 2008b, 71).

14 Sobre as mamoas da Portela do Pau, em Castro Laboreiro vide JORGE, Vítor Oliveira; BAPTISTA, António Martinho; SILVA, Eduardo Jorge Lopes; JORGE, Susana Oliveira – As Mamoas do Alto da Portela do Pau, Castro Laboreiro, Melgaço, Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, Porto, 1987.

15 Este menir foi encontrado recentemente por mim e pelo Doutor Brochado de Almeida no início deste ano, aquando da realização de um trabalho sobre alminhas e cruzeiros no concelho de Ponte de Lima. A este menir juntamos contudo um outro, no Soajo, recentemente descoberto por nós também em meados deste ano.

16 É importante a este nível ter em conta que a região do Lima sofreu ao longo dos tempos alterações na configuração da sua paisagem. A este respeito, não serão de minimizar a importância e os reflexos da mineração romana e da introdução do milho-maís.

17 Sobre esta mamoa vide SILVA, Eduardo Jorge; MARQUES, José Augusto Maia – Escavação da Mamoa de Chafé - Viana do Castelo (notícia preliminar), in Arqueologia, vol. 13, 1986.

18 No contexto arqueobotânico documenta-se para este período uma intensa desflorestação o que poderá muito bem sugerir o arroteamento e a preparação de solos para o cultivo de cereais (Marques 2012, 246-247).

19 No Entre-Douro-e-Minho os pouco povoados deste período não apresentam indícios de terem utilizado a pedra como matéria-prima na construção das suas habitações. Tal parece pois verificar-se mais na região de Trás-os-Montes.

20 Além do cultivo dos cereais em Bitarados documenta-se arqueologicamente o consumo de certos animais, nomeadamente de ovinos e caprinos, o que indicia a prática de atividades ligadas ao pastoreio (Bettencourt et alii 2008, 79-86).

21 Digno também de referência é o achado no castro da Alvora de um molde de foice, tipo Rocanes, semelhante aos que se encontraram no Coto da Pena (Caminha) e em Santa Tecla. Sobre o assunto em concreto vide BETTENCOURT, Ana – O molde de foice de talão do Castro de Álvora, In Cadernos de Arqueologia, 2ª Série, 5, Braga, 1988, 155-162.

22 Deste mesmo período – Bronze – são também muito conhecidas algumas necrópoles de inumação. Na Ribeira Lima ou junto a ela, entre outras, destacamos por exemplo a da Chã das Arcas (São Paio d`Antas), Monte da Ola (Vila Fria), Sarrosa (Carreço). Fora da região em estudo, destacam-se algumas necrópoles de cremação, como é o caso da que se encontra no povoado da Sola (Braga), Santinha (Amares) ou, entre outros, São Julião, em Vila Verde (Almeida CAB et alii 2008a, 12).

23 Esta situação parece verificar-se também por cá. Segundo Armando Coelho da Silva na Idade do Bronze já se observa “…uma presença de gramíneas, como o trigo (…), o milho-miúdo (…), o painço (…), o centeio (…) e a cevada …” (Silva ACF, 1998, 57).

24 Não é intenção nossa fazer aqui a história da agricultura no Lima, longe disso. No essencial o que se pretende é dar ênfase a um processo que do ponto de vista arqueológico começa por ser percetível ao nível do sítio e que com o seu próprio desenvolvimento se torna visível ao nível da paisagem.

25 Sobre o problema das cronologias em torno da Idade do Bronze e do Ferro vide JORGE, Susana Oliveira – Diversidade Regional na Idade do Bronze da Península Ibérica, Visibilidade e opacidade do «registo arqueológico», in Portugalia, Nova Série, Vols. XVII-XVIII, 1997, 77-89. BETTENCOURT, Ana – O que aconteceu às populações do Bronze Final do Noroeste de Portugal, no segundo quartel do I. milénio a.C., e quando começou, afinal, a Idade do Ferro, in Cadernos do Museu, Museu Municipal de Penafiel, Penafiel, 2005, págs. 25-40.


26 Entre outros, na Ribeira Lima, a cividade de Vila Mou e de Lanheses. Fora da Ribeira Lima, mas não muito longe dela o Alto do Cresto, em Amonde (Almeida CAB 2008b, 157, 178, 197-198).

27 São várias as alfaias agrícolas da Idade do Bronze e sobretudo do Ferro encontradas na região. Entre as muitas que aqui poderíamos evidenciar, mais até picaretas e machados, indicamos o molde de uma foice que se encontrou no castro da Álvora, em Arcos de Valdevez (Bettencourt 1988, 155-157)

28 São inúmeros os casos de leiras e jeiras localizadas a altitude. Em todo o caso, como exemplo indicamos aqui as encostas de Santa Leocádia de Geraz do Lima, nomeadamente Perpescoço, Coutada, Argos, Baltar e Mondim. Em todas elas abundam vestígios cerâmicos da Época Romana e Medieval (Almeida CAB 2003, 294-298)

29 Importante a este nível é o facto de nas zonas onde abunda este tipo de nevoeiro ter predominado no passado sobretudo a cultura do centeio.

30 Esta situação não visível no entanto em todo o Lima. O menor pendor e inclinação dos rios e ribeiros verifica-se sobretudo nas zonas mais próximas do rio Lima, sobretudo depois de se ultrapassar Ponte da Barca, onde o vale e as zonas planas se expandem com maior frequência para o seu interior (Almeida CAB 2003, 35).

31 Na Ribeira Lima, na freguesia de Calheiros, existe um topónimo relacionado com o termo Caldas (Caldelas), contudo no local não se vislumbram vestígios de tal atividade (Baptista 2001, 74).

32 Trataremos os sistemas tradicionais de captação, condução e aprovisionamento da água sob uma perspetiva intemporal uma vez que se trata de um sistema alcandorado em práticas verdadeiramente ancestrais.

33 A este respeito, no sentido de não nos prestarmos a confusões, diga-se que muitas vezes a mesma levada alimenta tanto as culturas agrícolas como os sistemas de moagem.

34 Estes poços, servidos hoje por motor movido a eletricidade ou a combustível fóssil, são de conceção recente e relacionam-se na maioria dos casos com a expansão da área de cultivo do milho maís. No passado, o sistema de rega nas zonas baixas do Lima baseou-se fundamentalmente no sistema de levadas e canalizações aéreas, situação que difere de outras áreas do Entre-Douro-e-Minho. Em Penafiel, por exemplo, nos poços mais antigos utilizava-se a picota como forma de elevar a água (Soeiro 1993, 751; Dias et alii 1986, 133).

35 De acordo com a documentação que se encontra no Arquivo Distrital de Viana do Castelo e no Arquivo Municipal de Ponte de Lima pode dizer-se que boa parte destas minas foram construídas a partir do momento em que aqui se introduziu o milho-maís. O maior incremento da sua construção, a julgar pelos processos e pedidos, terá ocorrido na segunda metade do século XIX. Tal de resto não é exclusivo da região, pois que no concelho de Penafiel por exemplo se verifica o mesmo (Soeiro 1993, 751; Araújo 1991)

36 Embora verídica esta situação, na região abundam também pequenas poças cavadas no solo e as mesmas são totalmente em terra.

37 No local além da azenha e do açude evidencia-se também na paisagem a estrutura de duas velhas pesqueiras.

38 Veja-se a este respeito a seguinte inquirição de 1258: “… levada velia do moyno dos frades…” (PMH, Inquirições de 1258, 385).

39 De referir que quando a água de uma levada alimenta os campos e o moinho a mesma apresenta os respetivos sistemas de abertura e desvio de águas. Pelo contrário, se a levada alimenta apenas o moinho estes sistemas tornam-se pois desnecessários pelo que em geral os mesmos tornam-se ausentes.

40 Campo Limento e Campo Limão referem-se em geral a água de limar, prática muito frequente no Alto Minho. Este topónimo pode ser encontrado por exemplo em Mazarefes, Santa Marta de Portuzelo e São Lourenço da Montaria (Fernandes 2008, 277).

41 Este topónimo pode ser encontrado na freguesia da Areosa e da Meadela, ambas em Viana do Castelo. Segundo Almeida Fernandes refere-se à irrigação dos campos, mas pode também ser sinónimo de nascente. Diferente é a designação Torna que é uma fração de terreno num campo dividido em tornas para a irrigação ser mais fácil. A fração aqui seria delimitada pela existência de um rego. Em suma, mais do que um nome, refere uma prática de rega (Fernandes 2008, 320).

42 Cale: conduta de água para usos domésticos, agrícolas e moagens quase sempre em pedra mas que podia ser também em madeira como o atesta uma passagem das inquirições de 1258 onde se refere a expressão de “… caal podre” (Fernandes 2008, 307)

43 De acordo com Almeida Fernandes muitos topónimos Rio, abundantes de resto no Alto Minho, não dizem respeito a rio tal qual o concebemos, mas sim a simples regos de água. Na sua opinião trata-se de divergência do termo latino Rigu (Fernandes 2008, 317).

44 Já antes outros autores, entre os quais Jorge Dias, afirmavam o mesmo. A novidade no estudo de João Tereso, que temos vindo a citar amiúdes vezes, está no facto das suas afirmações se basearem nos estudos carpológicos e polímnicos realizados em algumas estações arqueológicas sediadas no Entre-Douro-e-Minho.

45 Existem algumas exceções. Em Santa Maria de Geraz do Lima, Viana do Castelo, no aro da igreja paroquial não só abundam vestígios romanos e medievais, como também alicerces de uma casa castreja.

46 Foi precisamente isto que Brochado de Almeida encontrou em Carlão, Alijó, e que passamos a citar: “Os vestígios, neste tipo de estruturas, reduzem-se a um número variável de buracos circulares (…) e no seu interior, o lageado, natural ou intencionalmente preparado está mais ou menos aplanado. A função de tais buracos (…) seria a de receber postes de madeira destinados a servirem de apoio a uma vedação feita em madeira ou arbustos (…). A ser como acabamos de descrever, estaremos perante um tipo de eira cuja a cercadura, ao contrário daquelas que usam as fiadas de pedra, era feita com os materiais perecíveis. Tal função, apesar de discutível, em face dos parcos elementos conservados, terá uma certa lógica, apesar de não resolver o problema cronológico” (Almeida CAB, 1992-1993, 237-239).

47 Tidas normalmente como comunitárias, o melhor conceito que se poderá aplicar é contudo o de espaço público. Na verdade, trata-se sobretudo de uma reunião de arquiteturas privadas que têm em comum a partilha de um espaço público, a eira propriamente dita.

48 De referir que embora associadas a um carácter individualista também as há coletivas. É o que se passa na pequena e rustica aldeia da Parada, junto a Lindoso, em Ponte da Barca. Aqui, a eira, situada à entrada da aldeia, é constituída por lajes de granito e o seu espaço – retangular – é delimitado por pequenos muretes de pedra. A circundar a eira encontram-se os respetivos espigueiros, alguns dos quais datáveis do século XVIII.

49 Agradecemos as informações prestadas pelo senhor Albano, hoje o proprietário. No que respeita à dita eira, a mesma não é hoje utilizada.

50 Igual tipo de eira encontramos em Fornelos, freguesia do concelho de Cinfães.

51 Segundo Jorge Dias, que estudou o tema a fundo, havia eiras térreas temporárias que depois de algum tempo de utilização eram pura e simplesmente abandonadas. Assim, com o advento da eira formada por lajes de pedra pode dizer-se que estas tornam-se doravante permanentes (Dias et alii 1961, 24).

52 Reservamo-nos aqui ao direito de não descrevermos todas estas tipologias com o intuito de não tornar o tema demasiado longo. Nesse sentido remetemos o aprofundamento do tema para obras especializada, sobretudo para as que foram assinadas por Jorge Dias e Armando Reis Moura, as quais constam da nossa bibliografia geral.

53 Na região o espigueiro de frestas horizontais é bastante raro. A exceção encontra-se em Cidadelhe e Parada, ambas em Ponte da Barca, onde de facto pontuam alguns espigueiros deste género. (Dias et alii 1961, 67).

54 Em geral, podem ser encontrados na faixa litoral do concelho de Viana do Castelo, sobretudo a sul do Lima, assim como em algumas zonas interiores da Ribeira Lima. Em Ponte da Barca por exemplo podemo-lo ver em Paço Vedro de Magalhães.

55 Estes espigueiros aqui, em Santo Adrão, eram em pedra e apresentavam nas fachadas ripados de madeira, porém, nos dias de hoje o ripado de madeira foi substituído por pequenos tijolos de formato retangular com orifícios circulares pequenos.

56 São várias as teorias sobre as origens do espigueiro. Entre outras, releve-se a posição assumida por Frankowski que vê a sua origem na cultura palafítica local, bem como a tese preconizada por Juan Lopes Soler e que grosso modo relaciona o seu aparecimento apenas com o momento em que o milho americano foi introduzido na Europa. Balbas por sua vez coloca as origens do espigueiro nos tempos pré-romanos, relacionando-o com a casa regional asturiana enquanto para Walter Carlé o seu desenvolvimento deverá ter-se dado a partir da existência de um modelo primitivo de varas entrelaçadas, redondo ou quadrangular (Carlé 1948, 275-293; Dias et alii 1961, 203-204; Moura 1995, 26). Por sua vez, Bustamante Álvarez coloca as suas origens mais elementares no século V a.C., as quais evoluíram depois para a forma romana (Bustamante Álvarez 2013, 4).

57 Jorge Dias defende que o espigueiro galaico-português, comum no Minho e na Galiza, é anterior à introdução do milho-maís baseando-se fundamentalmente em duas evidências. A primeira diz respeito ao códice escurialense datado do século XIII e que representa iconograficamente dois espigueiros do género. A segunda tem a ver com uma pequena urna funerária da Idade do Bronze que foi encontrada na Alemanha, precisamente onde viviam os Suevos. Por estes factos, Jorge Dias coloca a hipótese do espigueiro galaico-português ser anterior à Fundação da Nacionalidade e ter sido introduzido pelos Suevos (Dias et alii 1961, 209). Ainda a este respeito, uma nota mais. A Arqueologia tem encontrado no espaço Ibérico, nomeadamente na parte sul do nosso país, alguns horreum de Época Romana (Bustamante Álvarez 2013, 4). Mais próximo da região do Lima documenta-se um horreum romano na Agra do Relógio, em São Paio D` Antas, Esposende.

58 Além desta localidade, merece igualmente destaque os caniços de Entre-Ambos-os-Rios, Vila Chã de Santiago e São João Baptista. Estes são aqui em geral formas domésticas de armazenamento e a sua construção rápida conferia-lhes um carácter sazonal (Marques, 2013).

59 De acordo com Jorge Dias a duração média destas estruturas feitas a partir de materiais perecíveis era aproximadamente de quatro anos e as mesmas serviam fundamentalmente as camadas mais pobres da população (Dias et alii 1961, 54).

60 As dimensões são em geral variáveis. Jorge Dias, que os estudou com profundidade, encontrou um exemplar que media cerca de 1, 40 de diâmetro e 1, 75 de altura (Dias et alii 1961, 46).

61 No caso dos caniços do Soajo há algumas diferenças. A mesa é aqui feita com pedras de ladeira nas quais se abrem buracos onde entram varas verticais. Outro aspeto de relevo é a forma do cesto que geometricamente é troncocónico (Dias et alii 1961, 47).

62 Ao contrário do que se passava noutros pontos da região do Lima onde existiam estruturas do mesmo género, no Soajo o carucho era suportado por quatro forqueiras e no alto, do lado de fora, era costume colocar-se um ramo de oliveira (Dias et alii 1961, 47).

63 Em Viana do Castelo havia também canastros de varas os quais estavam voltados sobretudo para o vale do Lima (Fig. 55). De dimensões semelhantes a tantos outros, apresentavam contudo algumas diferenças significativas. A descarga fazia-se por meio de um pequeno postigo colocado junto à base e para a capucha, assim denominada aqui, empregava-se palha milha coberta com colmo (Dias et alii 1961, 54).

64 Segundo Jorge Dias não é verosímil pensar-se que antes da introdução do milho grosso existisse o costume de se guardar e secar o milho-miúdo em edifícios especializados, elevados e arejados. De acordo com este estudioso, a partir da observação de casos semelhantes existentes em vários pontos do globo, nomeadamente em Macondes, Moçambique, o tratamento dado ao milho-miúdo é muito semelhante ao do sorgo. Em Macondes, do que pode observar, as espigas de sorgo são guardadas em sequeiras de bambu estacadas no terreno (Dias et alii 1961, 208).

65 De acordo com Oliveira Marques, na sua obra Introdução à História da Agricultura em Portugal, com exceção dos grandes aglomerados populacionais, nomeadamente Guimarães, Ponte de Lima e Prado, todos os demais celeiros se situavam em aldeias insignificantes (Marques 1978, 113).

66 Mesmo assim continuam-se a documentar fossas de silagem na Idade do Ferro. Entre outros casos é o que se passa no castro do Senhor dos Desamparados, em Esposende.

67 É possível que este tipo de estruturas documentadas por Brochado de Almeida se enquadrem no princípio dos celeiros e armazéns romanos do Alto Império, nomeadamente com aquele que a Arqueologia encontrou em Braga e que tinha como finalidade armazenar e conservar a curto prazo o cereal (Bustamante Álvarez 2013, 17).

68 Boa parte destes povoados apresenta ocupações de transição da Idade do Bronze para a do Ferro. De destacar ainda o facto de em estações do Ferro Inicial surgiram também fossas de armazenamento o que indicia claramente a prevalência desta prática no tempo. Entre outros casos é o que se releva por exemplo de uma intervenção arqueológica realizada no Castroeiro, em Mondim de Bastos (Bettencourt 2005, 38).

69 Na região em estudo abundam fundamentalmente os povoados da Idade do Ferro, sendo que estes, em muitos casos, como acontece por exemplo em Santo Estevão (Facha) ou em Santo Ovídio, ambos em Ponte de Lima, conheceram ocupações durante a Idade do Bronze. A antropização da paisagem nestes casos, posterior à Idade do Bronze, derruiu os vestígios de estruturas deste período. Noutros casos porém, subsistem alguns povoados da Idade do Bronze mas que nunca foram intervencionados, pelo que pouco ou nada se sabe sobre as suas características. Entre outros é o que se passa por exemplo no alto de Rendufe, onde abundam cerâmicas típicas deste período e uma muralha, ou em São Lourenço da Armada (Almeida CAB 2007, 37-40).

70 Em concreto desconhecemos na região a existência deste tipo de estrutura na Idade do Ferro o que não quer dizer que as mesmas não tenham existido. De acordo com Oliveira Marques o silo, a que chama tulhas ou covas subterrâneas, foi costume que persistiu em Espanha até ao século XX (Marques 1978, 111).

71 Agradecemos aqui a informação que nos foi facultada pelo Doutor Brochado de Almeida a respeito desta escavação.

72 Entre outros, segundo Oliveira Marques que estudou o tema do ponto de vista documental com alguma profundidade, no período medieval havia, para além das tulhas, outros sistemas de armazenamento como por exemplo caves e paióis (Marques 1978, 117). Para a nossa área em estudo na produção documental histórica pode-se relevar o caso de Diogo Dias Colaço que em 1552 faz Prazo de uns terrenos pertencentes ao mosteiro de Vitorino no lugar do Castelo (Santa Leocádia de Geraz do Lima). No Prazo entre outras indicações diz-se que a habitação é “casa terrea telhada ha metade e a metade colmaça”, serve de moradia e de celeiro e por detrás da mesma uma eira cerrada (ADB, Fundo Monástico-Conventual, Salvador de Braga, Livro 32 – Tombo de Vitorinho das Donas, 1595, fl. 255; Araújo 2013)

73 Para épocas mais recentes, ao nível das estruturas de armazenamento de cereais, mormente aqui já moído, destacam-se entre outros as arcas de madeira, as quais serão porventura antigas também (Dias et alii 1961, 19).

74 Tal está documentado nas mamoas do Alto da Portela do Pau, em Castro Laboreiro, Melgaço.

75 Em termos concretos, Nelson Borges defende que a moagem primitiva passava pela combinação de dois atos, o esfregar e o triturar. Com o evoluir dos tempos estas duas práticas separaram-se e deram origem a dois instrumentos distintos: as mós de rebolo e vaivém e os almofarizes. Segundo Nelson Borges, baseando-se nos resultados de algumas estações arqueológicas do Médio Oriente, o almofariz é o sistema mais antigo pois o mesmo é quem aparece em primeiro na cultura Natufense (Borges 1981a, 37-43).

76 Bom exemplo disso, pelo menos para os primórdios da agricultura na região, são os povoados Calcolíticos e da Idade do Bronze, os quais, pelos vestígios da cultura material, sobretudo silos, parecem restringir-se a um número muito diminuto de habitantes.

77 Neste povoado da Idade do Bronze releva-se o facto de apenas se ter encontrado durante a intervenção arqueológica mós de rebolo e vaivém. O almofariz parece estar aqui ausente.

78 Se tivermos em conta a capela da Senhora da Rocha e as habitações nas proximidades então termos de dizer que a ocupação do espaço vem até aos dias de hoje.

79 Carlos Alberto Ferreira de Almeida coloca a possibilidade destas mós se relacionarem mais com a moagem de pedra mineral do que com a trituração de grãos farináceos (Almeida CAF et alii 1981, 4). Ainda que tal seja verdade, pois na região existem indícios de mineração, é de admitir que as mesmas foram utilizadas na moagem de cereais tanto mais que no povoado surgiram várias sementes, sobretudo de milhos-miúdos.

80 Informação gentilmente cedida pelo Professor Brochado de Almeida a quem desde já agradecemos. Com respeito ao almofariz propriamente dito, é certo que o mesmo não se destinava à moagem de cereais, contudo o seu aparecimento arqueológico por aqui demonstra de forma clara e inequívoca que o processo era conhecido.

81 A colocação do volante na parte superior ou lateral do movente corresponde a duas tipologias de moinhos manuais rotativos, a saber: moinho de punho horizontal e moinho de punho vertical (Oliveira et alii 1983, 27). Nas estações arqueológicas da Ribeira Lima o modelo que subsiste é o primeiro, contudo sabemos que o segundo vingou em algumas partes da Península Ibérica pois conhecemos pelo menos um exemplar desse tipo e que se encontra exposto no Museu Municipal de Ávila, Espanha.

82 Nelson Borges considera que este sistema, baseado no movimento rotativo, pode ter origens no movimento de vaivém ou no almofariz. Neste último caso, segundo o mesmo autor o almofariz ter-se-ia transformado numa espécie de prato e o pilão num disco. Ernesto Veiga de Oliveira, tendo como ponto de análise os argumentos preconizados por Nelson Borges, considera mais aceitável a primeira solução isto é, o movimento rotativo teria derivado das mós de rebolo (Borges 1981b, 63; Oliveira et alii 1983, 25).

83 Sobre estes e outros locais arqueológicos, sobretudo os respeitantes ao concelho de Viana do Castelo, vide:
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