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DIAS, Jorge; OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO, Fernando – Sistemas primitivos de secagem e armazenamento de produtos agrícolas – os espigueiros portugueses, Instituto de Alta Cultura – Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, 1961. MOURA, Armando Reis – Espigueiros de Portugal, Parque Natural da Ria Formosa, Instituto da Conservação da Natureza, Portimão, 1995.

153 Além do processo da peneiração, na qualidade das farinhas influía também o tipo de mó. Para o trigo usavam-se as mós alveiras, também apelidadas de trigueiras e que eram em quartzito. Os restantes cereais eram moídos nas mós segundeiras e que eram em granito (Rodrigues, 2007, 77). Dentro desta perspetiva diremos ainda que o pão moído em almofarizes, mós oblongas de vaivém e em moinhos manuais rotativos não deveria ser certamente o da melhor qualidade.

154 A respeito da cor branca do pão de trigo candial diz-nos Flandrini que a mesma se prendia com o grau da peneiração (Flandrini 2008, 191).

155 São escassos os indícios arqueológicos medievais relativos a lareiras. O mais conhecido na região encontra-se no castro Santo Estevão e o mesmo não deverá ter sido muito diferente do de outros casos. Em geral, a lareira situar-se-ia pois ao nível do chão de terra batida ou quanto muito um pouco a cima dele, sendo nesse caso muito provavelmente lajeada e delimitada por pequenas pedras avulsas dispostas em cutelo.

156 São várias as referências a fornos na região do Lima, mas pouco sabemos sobre os mesmos para a Época Medieval. Em todo o caso, julgamos que os mesmos não deverão ter sido muito diferentes daqueles que demos conta para o período da romanização.

157 Em geral estas designações e distinções usaram-se até há bem pouco tempo no nosso país, sobretudo nos meios rurais.

158 Nem sempre a capacidade económica determina o acesso ao tipo de pão. Na leitura que fazemos das Inquirições de 1258 perceciona-se com facilidade a preferência por um determinado tipo de pão por questões de tradição e popularidade. É o caso da boroa, muito comum como se sabe em todo o Entre-Douro-e-Minho. Por outro lado, torna-se também importante referir que o consumo de pão de melhor ou pior qualidade se prende com os recursos cerealíferos existentes em cada área. Por fim, uma ideia mais. A preferência por pães de menor qualidade, sobretudo nos meios rurais, prende-se, na ótica de Flandrini, pelo facto do pão branco, o pão de trigo portanto, ser “…demasiado leve e insuficientemente alimentício para os trabalhadores braçais” (Flandrini 2008, 190-193).

159 ADB, Fundo Monástico-Conventual, Salvador de Braga, Livro 17 - Index ou mostrador das propriedades e bens e rendas e pensões, desde 1604, fl. 3v.

160 É por exemplo o caso das propriedades que João Dias Colaço possuía. Por elas sabemos que pagava 11 alqueires, sendo 9 de milho e 2 de centeio, 2 galinhas “boas de receber”, 1 carro de lenha com o peso de uma pipa de vinho, sendo obrigado também ao pagamento de 1 carneiro por lutuosa, ou seja, por falecimento de cada uma das vidas do contrato (ADB, Fundo Monástico-Conventual, Salvador de Braga, Livro 32A – Trelado do Livro do Tombo, 1612, fl. 23vrs; Araújo 2013).

161 Um outro argumento utilizado por Aurélio de Oliveira diz respeito às crises demográficas do século XVI motivadas pela falta dos cereais clássicos (Oliveira 2005, 54-56).

162 Tal como o estudo anterior, também este se encontra no prelo, estando a sua publicação prevista para o próximo número do GEHVID.

163 A boroa de milho não é de forma alguma o único pão produzido e consumido no Entre-Douro-e-Minho. Entre outros, veja-se por exemplo o que se passa nos arredores do Porto ao nível da panificação. No vasto universo da panificação abundam aí as sêmeas feitas a partir de farinha de trigo de segunda. Trata-se neste caso de um pão de segunda, qualidade dada no entanto na Época Medieval ao pão de centeio. Por sua vez, o pão de primeira, que aqui se chama molete, por ser mole e macio, é também um pão de trigo. Além deste tipo de salientar ainda a regueifa e a rosca, ambas igualmente em trigo.

164 No essencial e ao contrário do que se passa noutras regiões do pais, no Lima não se pode falar em variedades de pão, nem tão pouco na sua especialização por regiões. Em geral, salvo uma ou outra exceção, o pão tradicional, comum em praticamente toda a região, é a boroa de milho.

165 Em relação à boroa propriamente dita, a partir da leitura das vereações não é possível dizer-se se trata já da boroa de milho ou se é ainda a de milho-miúdo.

166 Curioso, sobretudo no que respeita ao pão feito a partir das fórmulas tradicionais, é o facto de por vezes se lhe juntar alguns nacos de carne, o que em certa medida representa a reminiscência de um costume que vem já da Época Romana.

167 Nos dias de hoje a forma tradicional destas praticamente desapareceu dos costumes limianos. A reminiscência destas fogaças, regueifas e roscas pode no entanto ser encontrada, ainda que já bastante adulterada, em certas romarias da região, as quais estão como se sabe ligadas e impregnadas de costumes e tradições antigas. É o caso das roscas das mordomas das festas de Santa Marta de Portuzelo, que são em U, e dos bichos, um pão com representações antropomórficas. Em todo o caso, pese embora as adulterações evidentes, de assinalar é o facto destes pães, decorativos e festivos, serem feitos com farinha de trigo, um cereal que há muito desapareceu da paisagem (Pacheco et alii 1983, 99-112).

168 Deve-se entender aqui o caldo verde nas formas mais embrionárias e não na atual que é como se sabe bastante elaborada. Certamente que para períodos anteriores este caldo seria mais simples.

169 Na freguesia de Fornelos encontramos um forno relativamente parecido com este, ainda que um pouco mais pequeno. Em geral, aqui, era necessário mais da metade da manha para o aquecer (Fig. 72).

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