Faculdade presidente antonio carlos de uberlandia



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FUPAC- FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTONIO CARLOS

FACULDADE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS DE UBERLANDIA

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS

Qualquer estudo a ser feito, torna-se necessário começar por sua definição, deixando claro o fim a que se destina. A finalidade de qualquer classificação é ordenar os nossos conhecimentos com relação a um objetivo, visando facilitar a memorização de todas as propriedades do objeto, da maneira fácil e precisa. Para qualquer sistema de classificação, o grupamento de maior valor e que se adapta ao propósito do estudo, é aquele para o qual pode ser feito um maior número possível de afirmações precisas e mais importantes. Ordenar os conhecimentos sobre um determinado assunto através de uma classificação, é tão comum, não somente nas ciências de uma maneira geral, como na nossa própria vida cotidiana. Quanto maior o número de características essenciais que se conhece de uma unidade, melhor definida ela estará. 

O estudo de solos dentro de um sistema data de muitos séculos. É pelo solo, cujo conhecimento tem preocupado muitos estudiosos, que se deram todas as convulsões guerreiras da humanidade, pois se tem vivido dele e sobre ele. Muito antes da nossa civilização o homem do campo estudava e classificava o solo a seu modo, grupando-o em classes cujo principal objetivo era a produtividade. Para isso tomava uma a duas características, dividindo-os em mais ou menos produtivos, ou ricos e pobres. Os romanos já classificavam o solo pela sua produção. Antes deles, os hebreus, egípcios, chineses e gregos também diferenciavam o solo pela sua fertilidade. Muitas vezes, o nome do solo reflete as suas características mais marcantes.

 Muitas classificações foram surgindo com o passar do tempo,



  • Thaer, que tinha como base a textura, dividindo os solos em argilosos, arenosos e siltosos. é portanto uma classificação deficiente pois se baseia em apenas uma única feição do solo.

  • Em 1875, Fallou propôs uma classificação baseada no material de origem;

  • 1886, Richthofen propunha a classificação geológica associada à geográfica.

  • 1925, Gedroiz, sugeriu a classificação química, dividindo os solos em: saturados de bases e não saturados de bases.

  • Sigmond propôs uma classificação baseada no processo químico de humificação e de mineralização dos componentes dos solos, separando-os em: orgânicos, de composição mista e minerais.

  • Outras classificações foram as de Vilenski, Vilar, Mohr e Kubiena, dentre as mais divulgadas.

  •  Dokoutchaiev lançou as bases para um sistema de classificação que considera o perfil do solo como sendo resultado dos principais fatores de formação: clima, rocha matriz, relevo, biosfera e tempo, mais tarde seguida por Sibirtzev e posteriormente por Agafonoff. Nos Estados Unidos, Marbut foi o introdutor dos trabalhos de Glinka sobre os novos conceitos pedológicos, aceitando a divisão em solos zonais, intrazonais e azonais. 

O PROPÓSITO DA CLASSIFICAÇÃO

A classificação é um meio de comunicação. As palavras que identificam uma classe de solo (ou qualquer objeto) representam uma síntese de tudo o que se sabe sistematicamente sobre os solos que pertencem àquela classe. As classificações de solos estão ainda longe da perfeição relativa das classificações botânicas, zoológicas, etc., no entanto, grandes progressos têm sido realizados nos últimos anos.

A FAO publicou em 1974, com revisões em 1988 e 1994, o mapa de solos do mundo. Trata-se de um trabalho básico para um melhor entendimento dos problemas da "geografia da fome”. Para esse trabalho usou-se uma classificação especial de solos, a classificação da FAO. O sistema de classificação mais bem trabalhado é o dos Estados Unidos (Soil Taxonomy), mas é pouco desenvolvido no que se refere a algumas classes de solos tropicais. Assim, cada país tende a ter um sistema de classificação próprio que mais se ajuste às suas condições, ao mesmo tempo que procura estabelecer relações com os sistemas mais universais (FAO e Soil Taxonomy). 

Dentre os objetivos de uma classificação de solos, destacam-se:



  1. organizar os conhecimentos, contribuindo para a economia de pensamento

  2. salientar e entender relações entre indivíduos e classe da população que está sendo classificada

  3. relembrar propriedades dos objetos classificados

  4. apresentar novas relações e princípio dentro da população que está sendo classificada

  5. estabelecer grupos ou subdivisões (classes) de objetos sob estudo, de maneira útil para propósitos práticos aplicados em predizer o comportamento, identificar os melhores usos, estimar a produtividade e possibilitar a extrapolação dos resultados de pesquisa ou de observações. 

Salienta-se que a classe de solo traz muitas informações a respeito do ambiente de desenvolvimento das plantas e também sobre os impedimentos à mecanização, erodibilidade, infiltração de água, etc e possibilita interações entre cada classe. Se além do nome central da classe, houver dados sobre o relevo e vegetação original, o teor de informações aumenta muito.

O SISTEMA AMERICANO - SOIL TAXONOMY


Este sistema de classificação de solos criado pelos Estados Unidos requer um grande número de dados de laboratório o que torna difícil, em parte, a sua aplicação no campo. Possui o maior número de categorias, que são as seguintes: ordem, sub-ordem, grande-grupo, sub-grupo, família e série. Nesta mesma direção (ordem para série), ocorrem: menor grau de abstração, ou seja, menor generalização; maior homogeneização de classes; maior número de previsões a respeito do comportamento das classes, etc. 

Nomes das ordens - SOIL TAXONOMY, 1975-1994, USA


ORDEM

ELEMENTO FORMATIVO

DERIVAÇÃO

VERTISOL

ert

L. - verto, inverter

ENTISOL

ent

Ent., de recente; lembra solos jovens

INCEPTISOL

ept

L. - inceptum, início

ARIDISOL

id

L. - aridus, seco

SPODOSOL

od

G. - spodos, cinzas de madeira

ULTISOL

ult

L. - ultimus, último

MOLLISOL

oll

L. - mollis, macio

ALFISOL

alf

Al e Fe; ricos nestes elementos

OXISOL

ox

F. - oxide, óxido

HISTOSOL

ist

G. - histos, tecido

ANDISOL

and

J. - ando, solo escuro

                                        L.- latim G.- grego F.- francês J.- japonês

As ordens agrupam solos que possuem propriedades em comum que indicam tipos e intensidades similares de processos pedogenéticos, definidos em base a:



  • presença e ausência dos principais horizontes diagnósticos grau normal de desenvolvimento dos horizontes

  • composição geral

  • grau geral de intemperização e/ou lixiviação do solo

As sub-ordens agrupam solos que dentro das ordens possuem regime de umidade e temperatura similares e que juntos a outras características presumivelmente controlam a direção e o grau de desenvolvimento dos solos, com exceção dos Entisols que por não possuírem distribuição climática restrita a esses critérios, são usados a níveis inferiores. Os critérios a que estão regidas as sub-ordens são:

  • -regime de umidade e temperatura

  • -características mineralógicas gerais

  • -presença de certos horizontes diagnósticos

  • -presença de certas características do solo, especialmente aquelas que expressam regime de umidade.

 Os grandes-grupos concentram atenção no perfil do solo e estão baseados no arranjamento dos horizontes diagnósticos. Incluem também características ditadas pelos processos pedogenéticos principais, atuais ou passadas, mas que possuam importância no solo, tais como fragipans, duripans, plintita, etc.

 Os sub-grupos são agrupamentos que expressam o desvio do conceito central de grande-grupo ou outros níveis. Os sub-grupos Typic representam, por exemplo, o conceito central de um grande-grupo, e se existirem propriedades de outros grande-grupos, podem ser "intergradados" com o adjetivo correspondente, p. ex.: aquic. O mesmo se dá com características aberrantes que não pertencem ao grande-grupo, quando então se "extragrada" com o adjetivo correspondente a este desvio, p. ex.: lithic.

 As famílias reúnem os solos de um sub-grupo que possuem componentes similares. Este comportamento está definido tomando-se por base uma série de características importantes ao manejo dos solos e, também sob o ponto de vista genético. São elas:
        -classes texturais

        -classes mineralógicas

        -classes de reação

        -classes de temperatura, umidade, etc.

 As séries levam em conta as propriedades que expressam a gênese e manejo similares. Entretanto, estudos detalhados têm demonstrado a necessidade de serem utilizados critérios mais estreitos como os abaixo citados:
        -mesmo tipo de arranjamento de horizontes

        -horizontes com igual cor, textura, estrutura, espessura e composição química

        -profundidade do solo e caráter mineralógico de materiais parentais similares

Problemas para aplicação da Soil Taxonomy no Brasil

Além do conhecido fato de que a classificação americana de solos está ainda muito incipiente no que se refere a solos tropicais, existem alguns problemas como: a aplicação do regime hídrico e térmico do solo, na carência de dados precisos, torna sua separação, mesmo em alto nível categórico, muito problemática. Existe deficiência de dados para muitas regiões, além dos dados serem de caráter probabilístico.  esta classificação dá muito pouca ênfase ao solo como corpo tridimensional; há muita ênfase no perfil  e pouca ênfase na paisagem.

         -a Soil Taxonomy dá pouca ênfase à cor do solo 

        -é de difícil leitura até para aqueles cuja língua nativa é o inglês.

CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE SOLOS

O sistema de classificação que vem sendo usado no Brasil é, sob certa forma, uma mistura de nomes antigos com conceituações novas. Alguns nomes nos sistemas americanos de 1938 (com revisões em 1949) são usados, mas definidos de uma forma mais precisa. Alguns termos usados nas aproximações da Soil Taxonomy, e depois abandonados, foram retidos com definições adaptadas. Neste aspecto, as conceituações da Soil Taxomy são muito usadas mas não estritamente.

 A classificação usada no Brasil é profundamente relacionada com a ocorrência do solo na paisagem. Objetiva principalmente servir ao levantamento de solos. Isto torna muito estreita a correspondência entre os conceitos de cada classe e a ocorrência dos solos na paisagem. Está sofrendo modificações muito rápidas atualmente. Há ainda, no entanto, um hiato entre o solo como encontrado no campo, nos levantamentos detalhados, e as classes a que deveriam corresponder a um nível categórico mais baixo. Isto é, a classificação brasileira ainda não se desenvolveu para dar significado taxônomico às unidades mais homogêneas de solo, como as separadas com detalhe no campo.

 A características mais expressivas das classes na classificação brasileira são as seguintes:
-os Latossolos são os solos mais velhos e geralmente mais profundos; os solos mais novos são os Litólicos (a rocha está próxima à superfície), os Aluviais (horizonte C em camadas) e os Regossolos (horizonte C sem estratos e com minerais primários, além do quartzo).

 -os Cambissolos e Latossolos não apresentam muita variação nos teores de argila entre os horizontes A e B. Os Cambissolos, ao contrário dos Latossolos, possuem relação silte/argila maior e/ou maior proporção de minerais primários facilmente intemperizáveis.

 -os solos com B textural, que apresentam um maior número de classes, possuem em geral considerável diferença no teor de argila entre o horizonte A (mais arenoso) e o horizonte B (mais argiloso), quase sempre implicando numa diferença de permeabilidade (diminui em profundidade). Algumas destas classes são influenciadas por excesso de água ou de sódio (Solos Alcalinos). Neste sentido assumem características semelhantes às dos Solos Hidromórficos e Halomórficos (influência de excesso de sais). As classes são separadas com base no tipo de horizonte A, na atividade da fração argila e na diferenciação do perfil, a qual está muito relacionada com a rocha de origem: rochas máficas, calcárias e pelíticas podem originar solos com menor diferença de horizontes A e B; as mais ricas em quartzo, perfis mais diferenciados. Na classificação brasileira há uma tendência de se considerar os solos com hidrmorfismo como classes à parte: os Gleissolos; e Plintossolos, se houver plintita próxima à superfície, ou imediatamente abaixo de horizontes com evidências de gleizamento e que não sejam horizonte B textural ou B incipiente. A Soil Taxonomy inclui Plintossolos na classe dos Oxisols, na subordem dos Aquox.

 -os Solos Tiomórficos (altos teores de enxofre e por isso exalam um mau cheiro característico) ocorrem nas faixas litorâneas. Os Calcimórficos não são muito importantes no Brasil. Os Areno-Quatzosos profundos, incluem as Areias Quartzosas, que são solos sem horizonte B (perfil AC), profundos, muito arenosos (classe textural areia e areia franca, que satisfazem a relação % de areia/% de argila maior que 70), distróficos, sendo o quartzo o mineral dominante. Ocupam área bastante significativa do território brasileiro. Na faixa costeira recebem o nome de Areias Quartzosas Marinhas, que podem formar dunas antigas colonizadas pela vegetação.

 -exceto alguns poucos solos, todos os outros, independentemente da idade, podem ser eutróficos (alta esturação por bases), distróficos (baixa saturação por bases) ou álicos (distróficos com alta saturação por alumínio). Os solos álicos oferecem uma barreira química à penetração de raízes de plantas mais sensíveis.

CLASSES DE SOLOS



  




Nomes de alguns solos mais conhecidos no Antigo Sistema e seus prováveis correspondentes no Novo Sistema (nem sempre a correspondência é direta, indispensável, sempre, reclassifcar o perfil):

Antigo Sistema

Novo Sistema

Terra Roxa Estruturada

Nitossolo Vermelho (Distroférrico, Distrófico, Eutrófico, dependendo de análises)

Latossolo Roxo

Latossolo Vermelho (Acriférrico, Distroférrico, Eutroférrico, dependendo de análises)

Bruno Não Cálcico

Luvissolo Crômico Órtico

Latossolo Vermelho - Escuro

Latossolo Vermelho (Ácrico, Distrófico, Eutrófico, depende de análises)

Latossolo UNA

Latossolo Amarelo ou Vermelho-Amarelo (Acriférricos, Distroférricos, dependendo de análises)

Rendzina

Chernossolo Rêndzico (Lítico, Saprolítico)

Brunizem Avermelhado

Chernossolo Argilúvico

Podzólico Vermelho - Escuro (PE)

Nitossolo Vermelho (Distrófico, Distroférrico, Eutrófico, Eutroférrico) ou Argissolo ou Luvissolo

Terra Preta do Índio

Latossolo (ou Argissolo) Amarelo Coeso Antrópico

Solonchak

Gleissolo Sálico (Sódico, Órtico)

Solos Salinos de Mangue

Gleissolos Sálicos Sódicos (geralmente)

Solos Tiomórficos

Gleissolo Tiomórfico

Solonetz Solodizado

Planossolo Nátrico (Sálico, Órtico, Carbonático...)

Areias Quartzosas

Neossolos Quartzarênicos (Órticos ou Hidromórficos)

Solos Aluviais

Neossolos Flúvicos

Laterita Hidromórfica

Plintossolo Pétrico, Argilúvico ou Háplico

Solos Litólicos

Neossolos Litólicos


Solos ideal, existe?

A interação positiva dos aspectos físico-hídricos e químicos dos solos é decisiva para qualificar um ambiente de produção. Considerando as características dos diversos solos do Brasil podemos qualificá-los (ou desqualificá-los) em termos de ambientes de produção.


Os Latossolos, que predominam no Brasil, apresentam limitação de disponibilidade hídrica. Esses solos, que apresentam teor de argila uniforme ao longo do perfil ressecam facilmente, e até mesmo os ácricos apesar de serem muito argilosos. Esses solos ácricos ocorrem nas regiões de Brasília, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Triângulo Mineiro, e nordeste do Estado de São Paulo.

Além da importância da água nos ambientes de produção, consideramos em segundo lugar os dados químicos de saturação por bases (V%) saturação por alumínio (m%) e retenção de cátions (RC) do horizonte subsuperficial, e CTC da camada arável. O projeto Ambicana do Centro de Cana do IAC tem nos permitido encontrar grandes áreas de solos eutroficos ao mesmo tempo ressecados. Desse modo, apesar de eutróficos, esses solos afastam-se da condição ideal por causa da forte limitação hídrica. Tais solos ocorrem nos topos aplainados da região oeste paulista e os enquadramos no ambiente de produção C2, mesmo sendo eutróficos. Portanto, temos de um lado os Latossolos ressecados eutróficos de "textura mais leve" como também os Latossolo ácricos de "textura pesada".

Nos dos tabuleiros costeiros do nordeste do Brasil há outras limitações para os Latossolos:o adensamento abaixo da camada arável, prejudicando o enraizamento subsuperficial, e a limitação química (distróficos ou álicos). Os Argissolos (Solos Podzólicos Tb) quando não são degradados e com horizonte B relativamente próximo da superfície disponibilizam água disponível às plantas por um tempo mais longo devido à diferença de argila entre as camadas superficial (horizonte A) e subsuperficial (horizonte B). Essa diferença de argila é responsável pela quebra de capilaridade entre essas camadas.

Existe, uma grande variação morfológica de espessura do horizonte A arenoso, pois os totalmente degradados pela erosão apresentam a camada superficial erodida e aqueles com a camada superficial preservada podem atingir espessuras da ordem de até 100 cm. Quando o horizonte B ocorre relativamente próximo da superfície, a cana-de-açúcar utiliza a água dessa camada por um tempo muito maior do que quando o referido horizonte esté mais profundo no perfil. Quando o horizonte A arenoso é muito espesso a cana-de-açúcar seca muito rapidamente.

Na usina Bonfim, em Guariba (SP) constatamos a ocorrência do Argissolo com perda total do horizonte superficial. Esse solo teve significativa diminuição de produtividade em relação ao não degradado porque a ausência do horizonte A eliminou a referida quebra de capilaridade, tornando-o muito ressecado. Em resumo, quando nos referimos aos Argissolos precisamos saber em que profundidade inicia-se o horizonte B que é aquele que supre a água para as plantas.

Os Argissolos com horizonte B próximo de 50 cm disponibilizam água por mais tempo do que os Latossolos de qualquer textura, entretanto o contrário ocorre quando o horizonte B do Argissolo inicia-se a 100 cm de profundidade assemelhado-se a mesma limitação dos Neossolos Quartzarnicos (Areias Quartzosas). Em comum todos os Argissolos apresentam grande suscetibilidade a erosão.

Os Luvissolos (Solos Podzólicos Ta, eutróficos) apresentam alta saturação por bases (V%), mas é erosivo, principalmente quando apresenta grande diferença de argila entre os horizontes A e B. Se ao contrário, a distribuição de argila for discreta entre os horizontes A e B, quando subsolados logo voltam a condição original de acentuada dureza porque são adensados abaixo da camada arável. Analisando especificamente o Argissolo com média/alta disponibilidade de água (horizonte B próximo de 40-50 cm de profundidade), alta saturação por bases (eutrófico) e com valor médio/alto de CTC na camada arável ainda não enquadramos como "solo ideal" porque émuito suscetível a erosão.

Os Nitossolos Vermelhos eutroférricos (Terras Roxas Estruturadas) mesmo com adequada disponibilidade de água são erosivos porque ocorrem em locais declivosos. Tais solos tem maior ocorrência na região sudeste do Brasil, especialmente no Paraná.

Os Plintossolos possuem como maior restrição a reduzida profundidade efetiva, pois as raízes encontram barreira física para crescer, secam rapidamente após uma chuva e são erosivos. Na região amazônica e no Estado de Tocantins ocorrem as maiores áreas desses solos. Os Neossolos Litólicos (Solos Litólicos) também são muito rasos, por isso assemelham-se aos anteriores nas suas limitações e ocorrem em todos Estados brasileiros.

Os Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas) possuem, ao mesmo tempo todas essas limitações: reduzida disponibilidade de água, baixos teores de matéria orgânica e nutrientes e são muito erosivas.Esses solos tem maior ocorrência nas regiões centro-oeste e sudeste do Brasil.

Os Vertissolos comuns na região nordeste possuem valores elevadíssimos de saturação por bases, mas nem por isso são ideais, pois possuem más propriedades físicas e quando são salinos e sódicos são mais limitantes ainda. Se fosse considera, isoladamente, a elevada saturação por bases o Vertissolo salino seria enquadrado no melhor ambiente de produção (A2), mas esse não produz suficientemente justificar esse ambiente de produção.

Na usina Agrovale, em Juazeiro (BA) verificamos que a produtividade de cana-de-açúcar é menor nos Vertissolos do que nos Argissolos eutróficos. Isso comprova que o caráter eutrófico, isoladamente, não é decisivo para caracterizar o melhor ambiente de produção. Em outras palavras, o caráter eutrófico é condição necessário, mas totalmente insuficiente para representar o melhor ambiente de produção.Quando salinos e sódicos enquadramos esses Vertissolos no ambiente de produção mais restritivo (E2) porque a salinização compromete seriamente a produtividade, e a sodificação (alta saturação por sódio) é responsável pela reduzida porosidade (más condições físicas).

A CTC elevadíssima é outra característica dos Vertissolos, logo é acentuada a capacidade de reter cátions. Outro aspecto é a reduzida condutividade hidráulica desses solos, o que provoca acúmulo prolongado de água nas camadas mais superficiais. Desse modo, a água ocupa os espaço porosos do oxigênio, e a falta de O2 prejudica a ação da estimulação enzimática formadora do etileno, comprometendo o melhor efeito de maturadores da cana-de-açúcar.

Os Chernossolos, que ocorrem principalmente nas região sul brasileira, são muito ricos, mas muito erosivos devido o declive acentuado, e da mesma forma que os Vertissolos não devem ser subsolados porque são adensados, ou seja a dureza do solo é genética e não provocada pelas máquinas. A CTC embora menor aproxima-se dos Vertissolos.

Os Cambissolos, que geralmente ocorrem em locais declivosos são muito erosivos. Se forem eutróficos possuem alto potencial de produtividade desde que a água disponível seja favorável. Temos encontrados grandes áreas desses solos na usina Itaiquara na região de Passos (MG).

Os Neossolos Litólicos tem como grande limitação a sua reduzida espessura que na prática significa reduzida disponibilidade de água. Por isso observamos nos meses de abril-agosto matas com poucas folhas nos Neossolos Litólicos eutróficos.

Os Espodossolos são arenosos ao longo do perfil por isso tem limitação hídrica. Quando possuem fragipã ou duripã a profundidade da ordem de 50 cm a disponibilidade de água aumenta porque esses horizontes acumulam água por mais tempo do que se não ocorressem. Originalmente tais solos possuem limitação química no horizonte B, e na paisagem ocorrem nos tabuleiros costeiros da região nordeste, ou próximos ao mar.

Os Planossolos das encostas são comuns no nordeste brasileiro tem como principal problema a alta suscetibilidade a erosão e as más condições físicas do horizonte B em função da elevada saturação por sódio (baixa porosidade na camada subsuperficial) e o risco frequente de inundação quando ocorrem nas planícies aluviais.



Finalmente resta analisar os solos com contínua disponibilidade de água durante todo ano: Planossolos que ocorrem nas planícies aluviais e Gleissolos. As seguintes limitações desqualificam tais solos de várzeas como "ideais":

  • Frequente risco de inundação;

  • Aeração deficiente (ficam permanentemente encharcados devido ao nível elevado do lenól freático);

  • Baixo potencial nutricional (em geral são distróficos ou álicos);

  • Necessitam de drenagem, o que tem alto custo.

Portanto, o solo ideal inexiste, aproxima-se da condição ideal somente aquele com disponibilidade hídrica, propriedades físicas e químicas adequadas, e pouco erosivo, simultaneamente.


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