Faculdades integradas de taquara curso de letras



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FACULDADES INTEGRADAS DE TAQUARA

CURSO DE LETRAS




PROJETO LER É SABER


2009

ABORDAGEM DE TEXTOS

FASCÍCULO II

NOSSA TERRA



ELABORADO POR:

DAIANA CAMPANI DE CASTILHOS

JULIANA STRECKER

LIANE FILOMENA MÜLLER

LUCIANE MARIA WAGNER RAUPP

VERA LÚCIA WINTER


Taquara, agosto de 2009.



Atividades COM DITOS POPULARES GAÚCHOS
Olá, Pessoal!
Nas páginas do fascículo, ou seja, ao redor delas, encontramos um número expressivo de ditos populares. A seguir uma proposta de atividade a partir desses ditos. Para trabalhar com os alunos, o professor poderá eliminar a listagem abaixo e solicitar que eles completem as lacunas do texto, buscando as respostas no fascículo. Cuidado! O texto está com as respostas.
Completar as lacunas com um dos seguintes ditos populares:


  1. Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro.

  2. Mais faceiro que guri de bombacha nova.

  3. Mais conhecido que parteira de campanha.

  4. Mais difícil que nadar de poncho.

  5. Mais amontoado que uva em cacho.

  6. Firme que nem prego em polenta.

  7. Mais bonita que laranja de amostra.

  8. Quente que nem frigideira sem cabo.

  9. Mais perdido que cebola em salada de fruta.

  10. Atrapalhado que nem sapo em cancha de bocha.

  11. Mais sério que defunto.

  12. Perfumado como mão de barbeiro.

  13. Pior que jacaré sem lagoa.

  14. Mais vagaroso que tropeiro de lesma.

(o) Mais curto que coice de porco.
....................................... (Sugerir que o aluno coloque um título)
Gaudério morava em uma casinha velha, junto com sua mulher e seus sete filhos. Dormiam todos ..................................... (e). Seu patrão era do tipo bravo. Mas, se com ele a situação já era ............................. (m), sem seu emprego seu dinheiro ficaria ............ (o).Assim ia passando os dias, pensando na vida, ........................... (k). Trabalhava um pouco, devagarito, ...............................................(n).

Em dia de muito calor, ................................................................. (h), o patrão veio lhe pedir um serviço especial: domar um potro. Isso, para Gaudério, que não tinha muita habilidade nem destreza, essa tarefa era .............................................................(d). Olhou para o animal, que relinchou e corcoveou assustadoramente. Gaudério suava frio. Afinal, era ...................................................... (a). Suas pernas tremiam. Mal conseguia suster-se em pé, ............................................................. (f). O patrão e seus colegas assistiam a tudo. O homem estava ........................................... (i).

Pensou na mulher, nos sete filhos e na ira do patrão. Suspirou fundo e tentou montar no animal. .............................................................. (j), levou um tombo. O relincho do cavalo era puro deboche. Gaudério enfezou-se. Pulou no lombo do animal. Mostraria, sim senhor, quem manda ali!

O potro corcoveava, maneava, mas nada do homem desistir. Grudou-se no lombo do animal. Ao fim de meia hora, o bicho deu-se por vencido. Os outros peões festejaram. O patrão tirou da guaiaca um maço de notas e deu-o a Gaudério, que ficou ......................................................... (b).

Luciane Maria Wagner Raupp
ABORDAGEM DO TEXTO A BABEL DO GABRIEL — 1º ao ano
1 Atividades de pré-leitura


    1. Trabalho com os sobrenomes

- Pedir que cada aluno(a) escreva seu sobrenome em uma ficha.

- Fixar os sobrenomes no quadro.

- Questionar: como poderíamos agrupá-los?

- Conduzir a resposta à origem das famílias. Caso os alunos não saibam, pedir que pesquisem.

- Organizar o mapa das origens das famílias da turma.




    1. Acerca da palavra “Babel”

- Você sabe o que é “Babel”? Onde está escrita a história da Torre de Babel?

- Como a história da Torre de Babel se relaciona ao texto “A Babel de Gabriel”?




    1. Fazer um cartaz com uma bandeira do Internacional e outra do Grêmio. Pedir que os alunos escrevam seu nome em fichas e colem em torno da bandeira de seu time. Em outra ficha, devem escrever uma qualidade de seu time, que os leva a torcer por ele.




  1. Atividades de pós-leitura


Explorando o texto


    1. Por que Gabriel aprontava e a Professora não o xingava?

    2. Se o nome do avô fosse.............................., no primeiro verso poderíamos escrever “Uma vez era Gabriel, um menino muito ......................”, pois continuaria rimando.

    3. Se a avó é chamada de Oma, qual é a sua origem?

    4. Se o avô é chamado de Nono, qual é a sua origem?

    5. Pelos nomes “Sarah” e “Samuel” e pelo fato de irem à Sinagoga, qual é a origem dos “dindos” de Gabriel?

    6. Qual foi o grande problema de Gabriel? Quem o ajudou a solucionar?

    7. Qual foi a solução que Gabriel encontrou para seu problema?

    8. Desenhe a solução que Gabriel achou para seu problema.

    9. Por que foi feita uma festa?

    10. Que tipos de comidas havia na festa? Por que havia tantos tipos diferentes?

    11. Relacione as colunas, mostrando a origem de cada prato:

( ) Sashimi

(


  1. japonesa

  2. indígena

  3. portuguesa

  4. italiana

  5. africana
) Chimarrão

( ) Churrasco

( ) Angu

( ) Quindim

( ) Ambrosia

( ) Grôstoli




    1. Por que houve polca, samba e vanerão na festa de Gabriel?

    2. Quais são as nacionalidades citadas em cada estrofe?

    3. Qual é a relação de tantas nacionalidades citadas com o título?

    4. Liste motivos para se dizer que Gabriel era gaúcho.




  1. Atividades de produção textual




  1. Imagine que seu avô tivesse lhe dado uma camiseta do Inter. Seu outro avô, uma do Grêmio. Era seu aniversário. Você gostava muito dos dois avôs. O que você faria?

  2. Escreva os motivos que o levam a ser gremista / colorado.

  3. Compare os hinos do Grêmio e do Inter. Qual deles é mais bonito? Por quê?




Hino do Inter

Celeiro de Ases (Nélson Silva, 1957)

Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Teus feitos relevantes
Vives a brilhar
Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue tua senda de vitórias
Colorado das glórias
Orgulho do Brasil

É teu passado alvi-rubro


Motivo de festas em nossos corações
O teu presente diz tudo
Trazendo à torcida alegres emoções
Colorado de ases celeiro
Teus astros cintilam num céu sempre azul
Vibra o Brasil inteiro
Com o clube do povo do Rio Grande do Sul



Hino do Grêmio (Lupicínio Rodrigues)
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver (Repete)
50 anos de glória
Tens imortal tricolor
Os feitos da tua história
Canta o Rio Grande com amor

Até a pé nós iremos


Para o que der e vier
Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Nós como bons torcedores


Sem hesitarmos sequer
Aplaudiremos o Grêmio
Aonde o Grêmio estiver

Até a pé nós iremos


Para o que der e vier
Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Lara o craque imortal


Soube seu nome elevar
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar

Até a pé nós iremos ...






  1. Atividades interdisciplinares




    1. Pesquisar sobre a história do Grêmio e do Inter, seus símbolos, seus ídolos.

    2. Pesquisar sobre as diferentes etnias que colonizaram o RS a partir dos sobrenomes dos alunos.

    3. Pesquisar sobre os pratos típicos do RS e sua relação com os povos que colonizaram nosso estado.



ABORDAGEM DO TEXTO RONDA DO QUERO-QUERO - 2º ao 5º ano
1 Atividades de pré-leitura
- Qual é a ave-símbolo do RS?

- Por que é assim considerada?

- Por que se diz que o quero-quero faz a “ronda”?

- Por que o quero-quero é chamado de “sentinela dos pampas” ?



2 Atividades de pós-leitura
Explorando o texto


  1. Quem fala no texto?

  2. Quando se fala, nos versos 1 e 2, que não é “tricolor” nem colorado, a que ele está fazendo menção?

  3. Qual é a relação entre as palavras “tricolor” (verso 1), “colorado” (verso 2) e “gramado” (verso 3)?

  4. Onde o quero-quero fez seu ninho? Por que isso se tornou um problema?

  5. Por que o quero-quero tem fama de briguento?

  6. A que o quero-quero está sempre atento?

  7. Quando se fala em “céu, sol, sul”, com que música faz relação? Escreva um trecho.



3 Atividades de produção textual


  1. Imagine que um quero-quero tenha feito um ninho bem no meio do campinho onde você e sua turma costumam jogar. O que aconteceria?



ABORDAGEM DO TEXTO ROMANCEIRO DA ERVA-MATE – 4º ao 6º ano
1 Atividade de motivação:
O professor pode pedir que seis voluntários venham até a frente da sala. Ele vendará os olhos desses alunos. Previamente preparados, estarão em uma mesa à frente da sala seis copinhos com uma colher cada. Os ingredientes colocados nesses copos serão (1) açúcar queimado, (2) açúcar, (3) canela, (4) mel, (5) chá amargo e (6) sal. Cada aluno escolherá um número e deverá adivinhar o que está provando. Após, deverão explicar a sensação que tiveram ao provar cada elemento. Ao final, cada um recebe a figura de uma cuia, com os dizeres do ingrediente que provou: “MATE COM AÇÚCAR QUEIMADO”, “MATE COM AÇÚCAR” e assim por diante.
2 Atividade de pré-leitura:
Após a técnica de motivação, o professor pode fazer as seguintes perguntas:


  • Vocês tomam chimarrão?

  • E se dentro do chimarrão fossem colocados esses ingredientes, para quem/por que vocês dariam:

  1. mate com açúcar queimado?

  2. mate com açúcar?

  3. mate com canela?

  4. mate com mel?

  5. mate muito amargo?

  6. mate com sal?

Em seguida, pode ser reproduzido o poema “Romanceiro da erva-mate” pelo professor em um papel-pardo ou cartolina, retirando o nome dos tipos de mate, em cada uma das estrofes. A tarefa da turma é ler cada uma das estrofes e tentar colar, coletivamente, a gravura com a inscrição correta (a recebida pelos seis participantes na motivação) no local.


Ex: “Naquele dia, por simpatia

se achegou, sentou ao meu lado.

E me olhou e me serviu


....................................... (Resposta a ser colada: mate com açúcar queimado)
Observe que as rimas é que indicarão as respostas.

3 Atividades de pós-leitura:
1- De quem é a voz que nos fala no poema (eu-lírico)?
2- Observe os dois primeiros versos:

“Naquele dia, por simpatia


se achegou, sentou ao meu lado”
Agora responda: de quem o eu-lírico está falando?
3- O eu-lírico conta, neste texto, uma história. Que história é essa?
4- A rima é uma das características do poema. Localize as palavras que rimam e escreva-as em seu caderno. Após, responda: o que você percebe em relação à posição dos versos que contêm as rimas, ou seja, onde eles estão localizados nas estrofes? Há alguma mudança de posição?
5- Que outro verso poderia ser colocado nas estrofes abaixo sem que se perca a rima e o sentido do poema? Complete-as:
a) Naquele dia, por simpatia

..........................................

E me olhou e me serviu

Mate com açúcar queimado
b) Sete vezes eu voltei

......................................

Só pra me mandar embora

Me serviu mate com sal
6- Em cada uma das estrofes, há um tipo de mate servido. Escreva o tipo de mate mencionado em cada uma e o seu significado:

ESTROFE


MATE

SIGNIFICADO
















































7- Ao observarmos os ingredientes utilizados nos mates do poema, percebemos que os doces estão nas primeiras quatro estrofes. Qual a relação dos sentimentos da moça mencionados nas quatro primeiras estrofes com a doçura desses ingredientes?


8- Nas últimas duas estrofes, os ingredientes são doces também? Por quê?
9- Marque com um X os sentimentos que são sugeridos nas duas últimas estrofes:


( ) amargura

( ) alegria

( ) amor

( ) tristeza

( ) desilusão

( ) desencanto

( ) simpatia

( ) amizade

10- Ilustre cada uma das estrofes, expressando a reação do eu-lírico ao provar o mate e a atitude da moça ao escolher os ingredientes mencionados.




4 Atividades de produção textual:
1- Você conhece o significado dos mates? Leia as informações abaixo:

Mate com açúcar: quero a tua amizade.

Mate com canela: só penso em ti.

Mate com mel: quero casar contigo.

Mate frio: desprezo-te.

Mate lavado: vai tomar mate em outra casa.

Mate muito longo: a erva está acabando.

Mate curto: pode prosear à vontade.

Mate servido com a mão esquerda: você não é bem-vindo.
Fonte: CASSOL, Leia, Um quero-quero me contou. Porto Alegre: Cassol, 2008.

Agora que você tem mais algumas informações sobre esses significados, escreva um outro poema em que alguém tenta conquistar a pessoa amada, explorando alguns desses mates.


2- A moça, no poema, desprezou seu pretendente. Imagine que ela tenha se arrependido. Escreva um poema em que ela conte como reconquistou (ou tentou sem sucesso reconquistar) o rapaz.
3- Mude as duas últimas estrofes do poema, criando um final feliz para o casal.
4- Transforme a história contada no poema em um texto narrativo.
6- Você conhece os mandamentos do chimarrão? Leia as informações:

OS DEZ MANDAMENTOS DO CHIMARRÃO


Pércio de Moraes
1º - Não peças açúcar no mate.

2º- Não digas que chimarrão é anti-higiênico.

3º- Não diga que o mate está quente demais.

4º - Não deixes um mate pela metade.

5º- Não te envergonhes do ronco do mate.

6º- Não mexas na bomba.

7º- Não alteres a ordem em que o mate é servido.

8º- Não durmas com a cuia na mão.

9º- Não condenes o dono da casa por tomar o primeiro mate.

10º- Não digas que o chimarrão dá câncer na garganta.

Fonte: CASSOL, Leia, Um quero-quero me contou. Porto Alegre: Cassol, 2008.


Escreva um texto narrativo em que uma pessoa que não conheça esses mandamentos tome chimarrão com alguém que os respeite muito. O que aconteceria?


ATIVIDADES DE APOIO


No texto “Romanceiro da erva-mate”, encontramos a história de um homem a quem foram oferecidos mates com diferentes significados. Mas você sabe como surgiu o mate? Abaixo você encontrará a “Lenda do mate”, uma história que há muito tempo é contada pelo povo do Rio Grande do Sul para explicar o surgimento desse costume. Lendas são narrativas contadas há muitos anos pelo povo de uma determinada região para explicar o surgimento de algo ou dar explicações sobre acontecimentos que o homem não compreendia. São histórias passadas de geração em geração.




Texto 1:

A LENDA DO MATE
No tempo dos Tapes, uma tribo de fala guarani era chefiada por um cacique de larga fama, sábio, prudente e bravo. Não tinha filho que pudesse um dia chefiar a tribo, apenas uma filha, Caá-Yari, belíssima, por sinal que.

Ao envelhecer esse cacique, o mando da tribo passou para o guerreiro mais forte e destemido, justamente aquele pelo qual Caá-Yari estava apaixonada em segredo. Era costume na tribo que as mulheres jovens acompanhassem os guerreiros em suas excursões de caça, pesca ou à guerra, e o novo chefe convidou Caá-Yari para ir com ele, assim que assumiu o comando. Ela, porém, disse não, pensando no velho pai que devia cuidar para que nada lhe faltasse.

O velho cacique sentiu a tristeza da filha muito amada. Vai então pediu a Tupã um amigo que lhe fizesse companhia nas horas de solidão e, em sonhos, a divindade índia lhe apontou uma árvore muito verde e lustrosa, ensinando ao antigo guerreiro a cortar o porongo, a trançar a bomba de taquara (tacuapi) e a secar, torrar e a esmigalhar as folhas de erveira, preparando, assim, uma bebida deliciosa, o caá-y, o mate, o chimarrão.

E, assim, Caá-Yari pôde acompanhar o seu amado, e o velho cacique ganhou um companheiro para as horas de solidão. E quando Caá-Yari morreu, ela foi transformada em protetora da erva-mate, deusa índia dos ervais gaúchos, cujo amor dá ventura e cuja vingança é terrível, como padroeira dos ervateiros.


FAGUNDES, Antônio Augusto. Mitos e lendas do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1993.
Atividades de pós-leitura:
1- Nesse texto, percebemos, já no primeiro parágrafo, uma expressão temporal que nos indica que esses acontecimentos estão bem distantes dos dias de hoje. Qual é essa expressão?
2- Por que, segundo a lenda, o chefe convidou Caá-Yari para ir com ele?
3- Qual foi o motivo da resposta negativa de Caá-Yari a seu amado?
4- É comum, nas lendas, que haja a interferência de seres sobrenaturais para resolver conflitos. De que forma isso acontece na lenda em questão?
5- Também é comum que as lendas apresentem, na sua conclusão, a permanência de uma tradição que se mantém atual desde a sua ocorrência até os dias de hoje. Como isso acontece na lenda lida?
Bibliografia de apoio para a caracterização do gênero lenda:

VALE, Luiza Vilma Pires. Narrativas infantis. In: SARAVIVA, Juraci Assmann (org.). Literatura e alfabetização: do plano do choro ao plano da ação. Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 44-46.


Atividades de pesquisa:

O texto lido apresenta-nos a origem do mate de uma forma ficcional. Mas qual seria a explicação histórica para o surgimento desse costume? De onde vem a palavra “chimarrão”? Vamos pesquisar!


ABORDAGEM DO TEXTO CASOS DO ROMUALDO – 7º ao 9º anoª

1 Atividade de motivação:
O professor explicará aos alunos que o fascículo a ser trabalhado no mês de agosto tem como tema “Nossa Terra”. Em vista disso, emoldurando os textos que o integram, há uma série de ditos populares bem regionalistas, ou seja, próprios da nossa cultura. A brincadeira exigirá que a turma se divida em dois grupos. Cada um escolherá um representante para, através de mímicas, possibilitar que o grupo decifre o provérbio sorteado. Passado o tempo estipulado pela turma, o dito será lido pelo aluno e o ponto, perdido. Será vencedor o grupo que alcançar o maior número de pontos.
2 Atividade de pré-leitura:

A professora poderá apresentar a ilustração do texto ampliada e solicitar aos alunos que, em grupos, a partir dessa ilustração, imagem a narrativa que ela ilustra. Depois de lidas as diferentes versões, o professor apresentará o texto, e os alunos poderão observar quem mais se aproximou da história original. Levar os alunos a observarem bem a figura: o personagem (de botas, bombacha, chapéu, faca à cintura), o ambiente (noite, campo aberto) e os demais aspectos que estão ali sugeridos.


3 Atividades de pós-leitura:

1. Em que pessoa o conto é narrado? Que palavras do texto comprovam isso? Quem narra o caso lido?


2. O texto fornece algumas características do narrador? Como você definiria o seu comportamento?
3. O texto faz referência a algum prato típico da nossa região? Você saberia dizer a origem desse prato?
4. Apresente elementos do texto que caracterizam o tempo e o cenário em que os fatos acontecem.
5. O autor desse texto, Simões Lopes Neto, é gaúcho, nascido em Pelotas. Uma das características de sua obra é retratar, de maneira fiel, a linguagem e a figura do gaúcho contador de histórias, que nem sempre é visto como alguém que fala a verdade.
a) Você acredita que essa história tenha acontecido realmente?

b) Que fatos a tornam inverossímil?

c) Quando a lemos, isso tem alguma importância? Por quê?
Observe os verbetes abaixo:


RANCHO, s.m. 1. Grupo de pessoas reunidas. 2. Casa ou cabana do campo para abrigo provisório. 3. Choça que se faz nas roças para descanso dos trabalhadores. 4. Choupana, casa pobre. 5. Grupo carnavalesco. 6. Comida distribuída aos militares e aos trabalhadores.

Fonte: Bueno, Silveira. Minidicionário da língua portuguesa. São Paulo: FTD, 2000.


CASO, s.m. (lat. casus, queda; circuntância)1. Eventualidade, circunstância, hipótese. 2. Acontecimento, fato. 3. Manifestação de uma doença específica diagnosticada em um indivíduo determinado. 4. Pessoa tomada como manifestação de uma particularidade psicológica. 5. Dificuldade, obstáculo. 6. Aventura amorosa. 7. Conto, história. 8. Confusão, sururu.

Fonte: Dicionário da língua portuguesa. Larousse cultural, 1992.
6. Qual o significado que melhor se adapta ao termo rancho, empregado na linha 3 do texto? Por quê?
7. Qual o significado que melhor se adapta ao termo caso, que consta do título do texto? Por quê?
8. Redija três frases, empregando a palavra caso nas acepções 3, 5 e 8.
9. Para reproduzir a fala do gaúcho, o autor emprega o vocabulário e as construções típicas da região em que o personagem vive. Você as conhece? Complete o quadro abaixo, indicando o sentido dos termos:


Palavras

Significado

novilhas (L.2)




chamuscar (L.6)




reboleira (L.9)



10. Agora escreva o significado das expressões destacadas nas passagens abaixo:


a) “Vínhamos em marcha forçada...” (L.1)

b) “ ...o regimento fez alto.” (L.2)

c) “ Fazia um frio de rachar pedras.” (L.4)

d) “Estava eu um poço arriado...” (L. 27)


11. Observe o emprego dos sufixos diminutivos nas palavras “assadinho” (L. 7) e “grossinho” (L. 14). A função desses sufixos, no texto, é indicar o tamanho desses elementos? Justifique sua resposta.
12. Poderíamos dizer que os pronomes “ela”, das linhas 12 e 50 fazem referência ao mesmo elemento do texto? Justifique sua resposta.
OUTRAS SUGESTÕES DE ATIVIDADES
Como vimos, cada povo tem características muito particulares na sua linguagem. Kleiton e Kledir (http://kleitonekledir.uol.com.br/dic_bagual.html) compuseram um glossário de expressões gauchescas, baseados no Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes. Vamos ver se você conhece o significado de algumas? Para isso, relacione as palavras da esquerda ao seu significado à direita.

Cuidado! A coluna da direita contém as respostas.


(1) bochincho ( 8 ) elevação, monte, morro

(2) aprochegar ( 7 ) o sopé da coxilha

(3) catre ( 6 ) mistura, desordem, confusão de pessoas, animais ou objetos

(4) chilena ( 1 ) baile popular; desordem, briga, bagunça

(5) de valde (12) andar com a cavalo em marcha natural, no tranco

(6) entrevero ( 2 ) aproximar-se, chegar perto

(7) fraldão (10) espécie de música crioula, acompanhada de guitarra (violão)

(8) cerro ( 3) cama rústica; espécie de jangada ou balsa (rios Uruguai e Ibicuí)

(9) lindeiro (11) cavalo cujo pelo é de um tom vermelho amarelado; matungo

(10) milonga ( 4 ) espora com roseta muito grande

(11) pangaré ( 5 ) sem razão específica

(12) tranquear ( 9 ) ao lado de, vizinho

(13) boiguaçu (15) ordinária, comum, velha, feiosa, ridícula

(14) restinga (13) cobra grande

(15) matungona (14) mata de pequenas árvores às margens de rios, arroios, sangas

Como vimos também, o texto faz referência à comida típica do gaúcho, o churrasco. Você sabe como fazer um bom churrasco? Caso não saiba, vamos lhe dar a receita. Mas antes de colocá-la em prática, leia o texto com atenção e responda às uestões abaixo:



Para quem gosta do delicioso churrasco gaúcho, segue modo de preparo:

Ingredientes para fazer a receita:

1 peça de carne (costela, picanha, maminha ou fraldinha) de cerca de 2 kg;


Sal grosso à vontade;
Fogo de lenha ou carvão.

Modo de Preparara a receita:



Coloque a carne no espeto, jogando bastante sal grosso por cima, pois ele vai ser absorvido pouco a pouco, acentuando o sabor da carne durante o cozimento.
Leve a carne ao braseiro. O ideal é que a carne fique a cerca de 30 cm a 40 cm da brasa – distância suficiente para receber o calor sem tostar, ficando cozida por dentro e mais macia. (Se for uma peça de costela, a distância deve ser de 80 cm; a peça pode levar até 4 horas para ficar pronta.) O processo exige paciência, mas o resultado compensa.
Quando a carne estiver no ponto de sua preferência, tire o espeto da brasa, coloque-o sobre uma tábua e, antes de fatiar, dê pancadinhas na carne com a faca para tirar o excesso de sal. Rendimento: 6 porções.

Bom apetite! (Disponível em http://www.minhareceita.com/como-fazer-um-churrasco-gacho.html) Acesso em 08/08/2009.

Trabalhando com o gênero “receita”:

  1. Qual o objetivo a que visa o produtor desse texto?

  2. Qual a estrutura característica de um texto desse gênero?

  3. No texto acima, a sequencialidade das ações é fundamental para que a tarefa a que o leitor se propõe a realizar seja bem sucedida. Que elementos da língua a evidenciam?

  4. Nesse texto, o enunciador tem em mente levar o leitor a executar determinada tarefa. Qual a relação entre o modo verbal utilizado e essa proposta do enunciador?

  5. Com a expressão o processo qual a informação anterior que o enunciador retoma?

  6. Observe que o enunciador não especifica qual o ponto em que a carne deverá ser retirada do fogo. Antes determina que é o da preferência do leitor. Quais poderiam ser esses pontos de preferência? E qual é o seu? Por quê?

Observação: trazemos abaixo um quadro para relembrar ao professor quais as características desse gênero, as quais poderão ser exploradas em outros textos do mesmo gênero.

Gênero

Objetivo


Tipologia dominante

Nível de linguagem

Recursos linguísticos

receita

Ensinar a fazer

injunção

formal

Verbos do fazer, executar; emprego do imperativo;uso de expressões temporais; uso de adjetivos e substantivos para enumerar ingredientes; uso de numerais para quantificar os ingredientes.

4 Atividades de Produção textual:

Proposta 1: Como você já sabe, o autor do texto que trabalhamos no fascículo é Simões Lopes Neto. Ele é um dos nossos mais importantes escritores. Por isso, traremos agora várias informações sobre esse autor, e você deverá organizá-las em um texto, escrevendo a biografia dele. (Observação: o professor poderá também solicitor que o próprio aluno pesquise esses elementos em casa e os traga para em aula, redigir o texto).

Data e local de nascimento: Pelotas (RS), em 9 de março de 1865.

Data de falecimento: 14 de junho de 1816.

1878 – ingressa no Colégio Abílio (RJ) e, depois, na faculdade de Medicina, que frequentou até o terceiro ano, porém o que realmente o atraía era o jornalismo.

1886 – retorna a Pelotas, de onde nunca mais se afastou.
1892 - casou-se em Pelotas, aos 27 anos, com Francisca de Paula Meireles Leite, de 19 anos.

Em Pelotas, trabalhou em várias atividades: criou uma fábrica de vidros, participou da montagem de uma poderosa destilaria, construiu uma empresa de cigarros, montou também uma firma de moer e torrar café, inventou uma fórmula à base de tabaco, para combater sarna e carrapatos, fundou a Empresa de Mineração Taió, numa.sequência de fracassos econômicos que finalmente o deixaram falido.


Características gerais das obras: regionalismo, linguagem viva, pitoresca e mágica, tipos humanos locais, paisagens interioranas ( os pagos, a querência, a coxilha, o galpão, o minuano, etc.)
Principais obras: Cancioneiro guasca (1910); Contos gauchescos (1912); Lendas do Sul (1913); Casos de Romualdo (1952, edição póstuma).

Proposta 2: Agora chegou a sua vez de criar um conto regionalista. Para isso, você poderá lançar mão das palavras que constam do glossário elaborado por Kleiton e Kledir (ver site anexo) ou pesquisar outras ainda. Não se esqueça de que o conto é um gênero de narrativa, portanto, deve ter certos elementos como o fato a ser contado, um narrador, personagens, um conflito a ser resolvido. Seu conto poderá ser verossímil – os fatos, as situações, as ações dos personagens se assemelham à realidade, são verdadeiras - ou inverossímil – as situações apresentadas são absurdas, improváveis, fora da realidade.


ABORDAGEM DO TEXTO DESGARRADOS – 7º ao 9º ano
1 Sugestão de atividade de motivação
Montar-se-á um painel com figuras que representem a ideia de desgarrados.

Numa folha grande de papel pardo, afixada no quadro-verde, serão coladas figuras que estarão espalhadas aleatoriamente embaixo das classes.Um total de 10 figuras, dependendo do número de alunos.Enquanto os alunos que tiverem as figuras vão organizando o painel, será ouvida a música “Desgarrados”.



2 Atividades de pré-leitura
1. Você já ouviu falar em desgarrado?

2. O que para você sugere a palavra desgarrado?

3. Você já encontrou essa palavra em algum contexto? Qual?

4. Você conhece alguém considerado desgarrado?

5. Em algum momento de sua vida, por algum motivo, sentiu-se desgarrado?

3 Atividades de pós-leitura
1. Após a leitura do poema, qual a atmosfera que ele sugere?
2. O título do poema, “Desgarrados”, está no plural. O que isso indica?
3. Quem são, segundo o poema, os desgarrados? Do que eles se desgarraram?
4. O poema estrutura-se, basicamente, através de dois tempos verbais que determinam o tempo em que as ações ocorrem.

4.1.Quais são eles?

4.2. Indique, nos quadros abaixo, o tempo verbal e quais as ações que o comprovam.








5. Observa-se que 9 dos 20 versos que compõem o poema são introduzidos por verbos, o que confere ao poema ideia de ação, movimento. Retire-os e relacione-os ao que é sugerido pela palavra desgarrados.


6.Os versos 4, 6 e 7 são introduzidos pelo articulador “E” que indica ideia de _______

O que isso confere aos versos acima citados?


7. Ainda em relação ao emprego de articuladores, observa-se que, no verso 10, o articulador “mas” expressa idéia de _______________________.O que isso indica em relação ao conteúdo do poema?
8. A pontuação é de fundamental relevância na organização e significação de um texto.Nos poemas, o emprego ou não de determinada pontuação é intencional.Explique a ausência da vírgula na expressão “Viram copos viram mundos”.
9. Quanto ao vocabulário, há expressões típicas do contexto no qual o poema transita. Retire 5 dessas expressões e represente-as através de figuras ou desenhos.

10. Explique o verso :“ E então são tragos, muitos estragos, por toda a noite”.


11. Pela leitura do poema, percebe-se que os desgarrados não estão satisfeitos com sua condição. Retire os versos que justificam a afirmação.
12. O verso “Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho”(versos 8 e 18) referem-se a um mesmo momento da vida dos desgarrados de que fala o poema? Justifique.
13. Como já se observou anteriormente, o poema estrutura-se temporalmente no “antes” e no “agora”. Ele nos indica qual foi o melhor momento para os desgarrados ? Retire palavras ou expressões que o comprovam.
14. Os desgarrados de que fala o poema são seres humanos, mas os autores, nos versos 9 e 19, conferem aos ventos a característica de também serem desgarrados.Comente a relação humanos / ventos.
15. Além de serem desgarrados, o que mais caracteriza os ventos? Explique.
16. Explique, ainda em relação aos ventos, o verso “Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será”.
17. O que indica, sobre os desgarrados, a expressão “...e nos pescoços lenços vermelhos”?
18. Comente o verso “Faziam planos e nem sabiam que eram felizes” ( verso 17)

Sugestões de atividades de produção textual
1. Escreva uma narrativa cujo personagem principal seja um desgarrado. Não esqueça de apresentar a situação do personagem quanto ao “antes’ e ao “agora”.

2. Imagine o caminho de volta de um desgarrado as suas origens .Com base nesse fato, escreva um texto narrativo ou poético desenvolvendo a temática.

3. Redija um texto argumentativo, relacionando as causas que levaram alguém a se tornar um desgarrado social e quais as consequências que essa situação gera.

4. Muitas cidades apresentam uma superpopulação composta por pessoas que vieram de várias regiões e que, por força da falta de condições financeiras e de adaptação, vivem marginalizadas. Liste, num cartaz, sugestões para solucionar esse grave problema.

5.A partir do conceito do que é um desgarrado,elabore um poema musicado ,explorando o tema.

6. Crie um diálogo entre duas pessoas consideradas como desgarradas. Esse diálogo pode, posteriormente, ser dramatizado.



Sugestão de leitura:
* Ana sem Terra - Alcyr Cheuiche

* Um menino vai para o colégio - Ciro Martins

* Porteira fechada - Ciro Martins

TEXTOS DE APOIO

Canção do negrinho do pastoreio

Augusto Meyer




Negrinho do Pastoreiro,
Venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
A luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.

A luz da vela me mostre


onde está Nosso Senhor.

Eu quero ver outra luz


clarão santo, clarão grande
como a verdade e o caminho
na falação de Jesus.

Negrinho do Pastoreiro


diz que Você acha tudo
se a gente acender um lume
de velinha em seu louvor.

Vou levando esta luzinha


treme, treme, protegida
contra o vento, contra a noite. . .
É uma esperança queimando
na palma da minha mão.

Que não se apague este lume!
Há sempre um novo clarão.
Quem espera acha o caminho
pela voz do coração.
Eu quero achar-me, Negrinho!
(Diz que Você acha tudo).
Ando tão longe, perdido...
Eu quero achar-me, Negrinho:
a luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.
Negrinho, Você que achou
pela mão da sua Madrinha
os trinta tordilhos negros
e varou a noite toda
de vela acesa na mão,
(piava a coruja rouca
no arrepio da escuridão,
manhãzinha, a estrela d'alva
na luz do galo cantava,
mas quando a vela pingava,
cada pingo era um clarão).
Negrinho, Você que achou,
me leve à estrada batida
que vai dar no coração.
(Ah! os caminhos da vida
ninguém sabe onde é que estão!)

Negrinho, Você que foi
amarrado num palanque,
rebenqueado a sangue
pelo rebenque do seu patrão,
e depois foi enterrado
na cova de um formigueiro
pra ser comido inteirinho
sem a luz da extrema-unção,
se levantou saradinho,
se levantou inteirinho.
Seu riso ficou mais branco
de enxergar Nossa Senhora
com seu Filho pela mão.

Negrinho santo, Negrinho,


Negrinho do Pastoreio,
Você me ensine o caminho,
pra chegar à devoção,
pra sangrar na cruz bendita
pelo cravos da Paixão.
Negrinho santo, Negrinho,
Quero aprender a não ser!
Quero ser como a semente
Na falação de Jesus,
semente que só vivia
e dava fruto enterrada,
apodrecendo no chão.




Melancia e Coco Verde
Era um guri muito pobre. Morava fora da cidade, num casebre caindo aos pedaços. Mesmo assim vivia com um sorriso bonito nos lábios. Tudo por causa de uma colega de escola.

Foi assim. No começo, os dois só se olharam. Depois puxaram assunto, sorriram, conversaram e ficaram amigos. Não demorou muito, já estavam namorando firme.

O pai da guria era cheio de dinheiro, dono da maior estância da região. O tal estancieiro tinha poder, terras, gado e muitas plantações. Tinha também um sonho: ver sua filha única casada com um primo. Como o rapaz era fazendeiro, o pai da moça fazia os cálculos. Aquele casamento faria seu poder ficar maior ainda.

O tempo passou. O menino pobre cresceu e virou soldado. Continuou namorando a filha do estancieiro e gostando cada vez mais dela.

— Tu não devias namorar esse soldado — dizia o pai da moça. — É um chinelão pé-rapado. Não tem nem onde cair morto. Não tem um pau pra matar um gato!

O pai falava, falava e falava, mas, enquanto isso, o amor da moça crescia, crescia e crescia cada vez mais forte e verdadeiro.

Quando foi um dia, o moço foi convocado para lutar numa guerra.

A namorada chorou cheia de susto:

— Fica! — implorou ela.

O estancieiro sorriu cheio de raiva:

— Tomara que morra!

Antes de viajar, o soldado chamou a moça.

Garantiu que ia voltar e disse mais. Pediu a ela que prestasse atenção. Contou que tinha inventado dois apelidos. Era um segredo. Ela passaria a ser Melancia. Ela seria Coco Verde.

— Só nós dois sabemos — explicou ele. — É feito uma senha. No caso de qualquer recado, carta, bilhete ou aviso urgente, a gente usa os apelidos. Assim, nem teu pai nem ninguém vai saber que é coisa nossa.

Tudo combinado, o moço beijou a moça e partiu a galope.

Mas o tempo é cavalo que ninguém segura nem monta.

O estancieiro inventou uma história. Mentiu. Disse que tinha recebido notícia fresca da guerra. O tal moço, o tal soldado pobretão, o namorado da filha, infelizmente tinha morrido em combate.

No começo, a moça não conseguia acreditar. Depois, ficou quase doida de desespero. O estancieiro abraçou a filha e, fingindo, aconselhou:

— A vida é assim mesmo. É duro, mas não faz mal. O jeito agora é tu te casares com teu primo.

E nem esperou resposta. Já foi dando ordem para chamar o padre, preparar a papelada e avisar a parentalha. Mandou também preparar a doçaria e colocar os frangos, porcos, ovelhas bezerros na engorda.

— Vai ser a maior churrascada que já se viu!

Acontece que a notícia às vezes anda mais depressa que pensamento.

O moço soldado tinha amigo. Um índio.

Assim que soube do casamento, o índio pegou o cavalo e partiu para a guerra. Queria que o amigo soubesse daquele matrimônio inesperado.

Encontro o soldado acampado à beira de um rio.

Ao saber do acontecido, o jovem ficou revoltado. Gritou:

— Largo essa guerra no meio! Quero saber se a moça mudou de ideia ou se é coisa do pai dela!

Mas o destino é cheio de truques.

Um cavaleiro apareceu galopando. Trazia ordem importante. Parte da tropa havia caído numa emboscada. O grupo estava cercado pelo inimigo. Segundo o recém-chegado, era preciso ajudar senão muita gente ia morrer.

O soldado que namorava a filha do estancieiro ficou sem saber o que fazer. Lutar para ganhar a guerra ou lutar para não perder seu amor?

— São meus companheiros — explicou ele ao amigo. — Preciso ficar mais um pouco!

Mas agarrou o índio pelo ombro. Pediu a ele que montasse e voltasse para a estância. Que viajasse dia e noite sem descanso. Que, por favor, desse um jeito de chegar antes do casamento.

— Amigo, é preciso que tu procures a filha do estancieiro!

E revelou o segredo dos apelidos. Pediu ao índio que chegasse perto da moça e, em voz alta, falasse em Melancia e Coco Verde. Explicou que era uma senha. Que ele desse um jeito de contar a ela que seu namorado ainda estava vivo e voltaria assim que pudesse.

Os dois amigos se abraçaram. O índio saltou no cavalo e partiu em disparada. Dizem que cavalgou sem parar três dias e três noites. Chegou no quarto dia de manhã, dia da festa de casamento.

Encontrou a estância enfeitada, convidados circulando, fogos pipocando, a cachorrada latindo, gaita tocando alto e cheiro bom de carne assando.

Uma reunião de família acontecia na sala. Estavam lá a noiva e o noivo, o estancieiro e sua mulher, o padre, parentes e amigos, todos conversando e tomando chimarrão.

O índio entrou de mansinho e pediu a palavra. Puxou uma viola e cantou:


Essa vida é uma guerra

É melhor tomar cuidado,

Melancia, Coco Verde

Tá mandando o seu recado!
Todos aplaudiram os versos do índio.

A noiva franziu a testa.

O índio continuou:
Para ter felicidade

É preciso ter coragem,

Melancia, Coco Verde

Volta logo da viagem!
Ninguém entendia direito os versos do índio. O estancieiro coçou o queixo. A noiva ficou pensando. Enquanto isso, todo mundo aplaudiu, pois o amigo do soldado cantava bem. E ele foi adiante:
Essa vida é uma beleza

Quem duvida se enganou

Coco Verde vem de longe

Pra buscar o seu amor!
Foi quando a noiva compreendeu o recado e arregalou os olhos. Depois soltou um grito e caiu desfalecida no chão da sala.

O susto foi geral. A festa parou no meio. Mandaram chamar um médico. O homem fez o que pôde, mas nada de descobrir um jeito de fazer a moça voltar a si. É que foi desmaio fingido.

No fim daquela mesma tarde, o soldado que namorava a filha do estancieiro voltou da guerra. Era o remédio que a moça mais precisava. Ao escutar a voz do amado, a moça curou na hora, pulou da cama e chamou todo mundo. Agora estava cheia de saúde. E furiosa. Acusou o pai de mentiroso. Contou que a fizera pensar que o namorado tinha morrido na guerra. Pediu desculpas ao primo e garantiu:

— Não tem jeito. É do soldado que eu gosto. É ele que eu quero. É só com ele que eu caso!

Depois, abraçou e beijou o namorado na frente do pai, da mãe, do noivo, de Deus e todo mundo.

Como a festa estava armada, tinha padre, tinha convidado, tinha chimarrão, carne, vinho e tudo, o casamento foi realizado.

Dizem que Melancia e Coco Verde foram felizes de verdade.

AZEVEDO, Ricardo. Cultura da Terra. São Paulo: Moderna, 2008.

SUGESTÕES DE BIBLIOGRAFIA PARA PESQUISA
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. São Paulo: Global, 2000.

FAGUNDES, Antonio Augusto. Curso de tradicionalismo gaúcho. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2002.

JACQUES, João Cezimbra. Assuntos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Erus, 1912.

_____. Costumes do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Erus, 1883.

LESSA, Barbosa. Estórias e lendas do Rio Grande do Sul. São Paulo: Edigraf, 1963.

_____. Rodeio dos ventos. 3. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997.

MARQUES, Lilian Argentina B. e outros. Rio Grande do Sul: aspectos do folclore. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2004.

MATTOS, Carmen de Mello. Contos acumulativos sem fim. Porto Alegre: Comissão Gaúcha de Folclore: Novak Multimídia, 2000.

MEYER, Augusto. Guia do folclore gaúcho. Rio de Janeiro: Tecnoprinte.

LOPES NETO, João Simões. Cancioneiro guasca. Porto Alegre: Globo, 1954.

_____. Lendas do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2004.

PESAVENTO, Sandra J. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997.

_____. A Revolução Farroupilha. São Paulo: Brasiliense, 1985.

SAVARIS, Manoelito Carlos e outros. Nossos símbolos: nosso orgulho! Porto Alegre: Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, CORAG, 2008.

SCHNEIDER, Regina Portella. História do Rio Grande do Sul. São Paulo: FTD, 2001.

TUBINO, Wilson. Os mistérios ocultos do Chimarrão. Porto Alegre: Evangraf, 2001.



Sete Povos. História ilustrada do Rio Grande do Sul. CEEE. Porto Alegre: JÀ Editores, 1998. p. 49-55.

URBIM, Carlos. Os Farrapos. 5. ed. Porto Alegre: RBS Publicações, 2008.



Sugestão de sites:
http://www.mtg.org.br/chimarrao.html

http://www.chimarrao.com

http://www.culturagaucha.com.br/chimarrao.html

http://www.memorial.rs.gov.br

http://www.estado.rs.gov.br





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