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FACULDADES INTEGRADAS SIMONSEN


Projeto de Iniciação Científica:

A História Regional e os lugares de Memória:



O Centro de Memória de Realengo e Padre Miguel”

Por:
Graduando Allan Pereira de Oliveira – Mat.: 201020367
e
Graduando Jordany Mouzer de Souza – Mat: 201010344

Orientador:
Prof. Ms. Fernando Gralha de Souza


Projeto de Pesquisa submetido ao exame de seleção para o ingresso no Programa de Iniciação Científica das Faculdades Integradas Simonsen.(2012)
Linha de Pesquisa:

História, Memória e Sociabilidades


Rio de Janeiro – 2012



A História Regional e os lugares de Memória:

O Centro de Memória de Realengo e Padre Miguel

1 – Introdução

Desde a revolução promovida pela Escola dos Annales a produção historiográfica se faz através da questão, do problema1. Em concernência com estas ideias, são as perguntas que motivam nosso projeto: Quais perspectivas atravessam a proposta de criação de um centro de memória? Onde está a sua importância? Seria para além disso, uma forma de dar visibilidade à memória coletiva, fortalecendo a noção de identidade no grupo? Quais problemáticas envolvem o processo de preservação da memória?

A memória é comumente designada como mecanismo psicológico de retenção e preservação de determinadas informações. No entanto, alguns especialistas atribuem um sentido mais abrangente ao termo, identificando-o como um fenômeno que transcende a atmosfera individual e perpassa pelos níveis coletivos. Não podemos perder de vista ainda a chamada memória artificial, onde se efetua depósitos de informações eletrônicas, tão presentes no atual momento histórico, em que o uso desenfreado de computadores pode ser presenciado com bastante frequência.2

Percebemos assim que a memória liga-se diretamente à comunicação: as informações são absorvidas, preservadas e repassadas àqueles que não tiveram seu acesso no momento em que foram expostas. Quem comunica quer passar uma mensagem, se há uma mensagem há uma intenção. Quando se trata da memória coletiva, é preciso buscar este algo a mais, buscar a intencionalidade que se expressa em certos interesses e atua em legitimação das atitudes de determinados agentes sociais. Isto pode ser percebido nas antigas crônicas dos faraós, que foram manejadas para justificar a atuação política do monarca vigente, atribuindo-lhe uma extensa linhagem de origem divina.3

Temos que ter em mente também que as informações preservadas pela memória, seja ela individual ou coletiva, sofrem um recorte do seu sujeito, ou seja, são um produto de uma seleção efetuada de acordo com a significação ou a importância que o “memorizador” lhes atribui. Escolhas, portanto, são indubitavelmente, conscientes ou não, um elemento onipresente na formação e delimitação da memória do indivíduo ou da coletividade. Logo, o trabalho a ser feito no Centro de Memória de Realengo e Padre Miguel pretende também, uma análise minuciosa dos critérios de relevância das fontes que serão apresentadas e da práxis que a organização e catalogação de um acervo engendram.

2 – Objetivos

2.1 – Objetivos Gerais

Atualmente, o acervo da história-memória de Realengo e Padre Miguel apresenta certa necessidade de organização e estruturação, o que torna inseguro e impreciso o resgate das informações. É neste sentido que apresentamos o projeto de revitalização, organização e catalogação do acervo do Centro de Memória de Realengo e Padre Miguel, que tem como objetivo geral de preservar e disponibilizar à comunidade e à pesquisadores interessados as fontes referentes à trajetória dos bairros e ainda, considerando a relevância do referido Centro, potencializar e dinamizar suas ações para além dos limites do bairro, transformando-o em um centro de referência para pesquisa da História da região. Pretendemos também durante este trabalho, buscar as nuances das relações entre memória e identidade social e como estas se processam na configuração identitária dos bairros em questão.



2.2 – Objetivos Específicos

Os objetivos específicos em primeiro plano são: auxiliar a Professora Marta Nogueira4 no levantamento, organização e catalogação do acervo, bem como no atendimento ao público em geral, estudantes, pesquisadores e demais interessados; revitalização e organização do acervo; informatização do centro de memórias; revitalização do Blog do Centro de Memória de Realengo.

Em segundo plano buscaremos as especificidades que as memórias levantadas pelo acervo apresentam interativamente com a comunidade que as cercam. Para este fim, uma intensa pesquisa no cotidiano e nos costumes da região de Realengo e Padre Miguel será realizada sob a supervisão do professor orientador.

3 – Justificativa

Toda e qualquer sociedade constrói uma memória coletiva própria.5 Desde as sociedades sem escrita dos tempos primitivos até os Estados da atualidade com suas organizações mais complexas, podemos verificar a edificação de uma narrativa, oral ou escrita, que transmite aos homens “contemporâneos” os acontecimentos do passado do clã, da tribo ou da nação. Essa memorização do passado ou do presente – que no futuro tornar-se-á passado – torna-se fundamental por alguns fatores.

Em primeiro lugar porque mantém em voga a rotina necessária à vida cotidiana. Não é verdade que temos que memorizar o trajeto percorrido entre a nossa residência e o nosso local de trabalho para que possamos chegar a este último? Em decorrência de preocupações com semelhantes circunstâncias, a escrita surge na sociedade como meio de arquivar certos conhecimentos, ou seja, de memorizar determinadas informações técnicas ou referentes à contabilidade dos produtos agrícolas pertencentes ao templo ou ao palácio, necessárias, naquele momento, ao funcionamento e à coesão da sociedade. A vida social, familiar ou individual estrutura-se, portanto, somente se houver a indispensável atuação da memória.

Em segundo lugar, só se sabe a própria identidade a partir da consulta à sua memória, seja ela mental, escrita, visual ou oral. Esse é um importante papel desenvolvido pela construção das memórias coletivas e individuais: “dar-lhe um sentido de identidade que o faz ser ele mesmo e não outro”.6

A partir da década de 1970, de forma semelhante ao modelo historiográfico proposto pela Escola dos Annales, os historiadores tem dado preferência aos temas situados à margem da narrativa historicista oitocentista, mas distintos dos Annales por desapegar-se ao estruturalismo sócio-histórico bastante característico desta corrente historiográfica. Esta nova forma de se fazer história, designada como micro-história, valoriza os temas ligados à vida cotidiana, à história de “indivíduos, comunidades, pequenos enredos construídos a partir de tramas aparentemente banais, envolvendo gente comum”.7

É nessa perspectiva que se situa o nosso trabalho, uma vez que tratamos da memória de dois bairros que, embora possuam os seus inegáveis valores e importância, não tem sido um objeto dos estudos dos profissionais das ciências sociais. Objetivamos aqui dar continuidade à luta pela democratização da História, uma História que seja protagonizada por todos e destinadas a todos. Não é a nossa intenção fazer do Centro de Memória de Realengo e Padre Miguel uma espécie de “entretenimento para antiquários”, mas, sobretudo, contribuir para a construção da identidade da comunidade de Realengo e Padre Miguel, como comunidade de cidadãos ativos na sociedade brasileira.



4 - Metodologia

No plano teórico, buscaremos reflexões que tenham a investigação histórica como tema central, são elas: História e Memória. Segundo Le Goff, o conceito de memória é crucial, uma vez que “A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas”.8 Este conceito nos permite fazer uma reflexão entre a Memória e a História e delinear o modo como o Centro de Memória se encaixa nessa relação, abordando o leque de questões cruciais sobre a concepção e transmissão da memória coletiva.

Após a fundamentação teórica passaremos a segunda etapa do projeto, a saber: catalogação e organização do acervo, que será feita sob supervisão teórica do professor orientador, ao menos uma vez durante a semana, no Centro de Memória citado, localizado na Escola Municipal Cel. Corsino do Amarante, na rua do Imperador, Realengo/RJ. Mesmo durante o período de catalogação, será continuado um trabalho de pesquisa teórica sobre os métodos de organização de um acervo e as problemáticas que envolvem a memória nos campos da formação e identitária. As etapas finais constam da informatização do acervo a fim de criar um banco de dados para controle do próprio Centro de Memória e também com o objetivo de possibilitar futuras consultas e pesquisas de forma organizada e controlada.

5 – Viabilidade Financeira

Todo o processo de pesquisa teórica e fundamentação terá como ponto de referência as dependências das Faculdades Integradas Simonsen, os bairros de Realengo e Padre Miguel e o Centro de Memória de Realengo e Padre Miguel que são relativamente próximos, sendo assim, faz-se desnecessária a utilização de transporte público. O processo de informatização do acervo visa meios gratuitos de armazenamento do material (como GoogleDocs e blogs, por exemplo) assim como os equipamentos necessário (computadores e impressoras) são disponibilizados pelo Centro de Memória, portanto este projeto não necessita de nenhuma aquisição de material, licenças, de despesas de deslocamento ou contratação de serviços terceirizados. Os únicos recursos utilizados serão os intelectuais.



6 – Equipe Executora

_________________________________

Allan Pereira de Oliveira (Bolsista)

Tel: 2458-4218 / 76239219

E-mail: oliveira.allanpereira@gmail.com

_________________________________

Jordany Mouzer de Souza (Bolsista)

Tel: 3336-9893 / 7408-4093

E-mail: jordanymouzer@yahoo.com.br

________________________________



Fernando Gralha de Souza (Orientador)

Tel: 3337-4155 / 9427-2824

E-mail: fgralha@hotmail.com

7 - Cronograma:

Mês



















10º

11º

12º

Leitura da Bibliografia

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Catalogação do acervo

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Organização do acervo













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Informatização do acervo



















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Bibliografia:

AMADO, Janaína. História Regional e Local. In: República em Migalhas Marco Zero,

São Paulo, 1990.

_______________; FERREIRA, Marieta de Moraes. Usos & abusos da História oral. 4ª ed. Rio de Janeiro: FGV, 2001.

BLOCH, Marc. Introdução à História. Lisboa: Europa-América, 1965.

BURKE, Peter. A Escola dos Annales. 1929-1989. A Revolução Francesa da Historiografia. São Paulo: UNESP, 1989.

__________. A Escrita da História: novas perspectivas. São Paulo: UNESP, 1992.

CERAVOLO, Suely Moraes.; TÁLAMO, Maria de Fátima Gonçalves Moreira. Tratamento e organização de informações documentárias em museus. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, n.10, p. 241-253, 2000.

D’ALÉSSIO, Márcia Mansor. “Memória: leituras de M. Halbwachs e P. Nora”, In: Revista Brasileira de História. São Paulo: Marco Zero/ANPUH, vol. 13, n. 25/26, pp. 97-103, set. 1992/ago. 1993.

FONTANA, Josep. A História dos Homens. Bauru: SP, EDUSC, 2004.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

LE GOFF, Jaques. História e memória. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2003.

MEY, Eliane Serrão Alves. Introdução à catalogação. Brasília: Briquet de Lemos, 1995.

NORA, Pierre. Entre Memória e História: a problemática dos lugares, In: Projeto História. São Paulo: PUC, n. 10, pp. 07-28, dezembro de 1993.



VAINFAS, Ronaldo. Micro-história: os protagonistas anônimos da História. Rio de Janeiro. Campus, 2002.

1 A revista dos Annales foi fundada em 1929 tendo como principais mentores Marc Bloch e Lucian Febvre. Sua nova abordagem para o estudo da História trouxe consequências e influências até os dias de hoje. Introduziram o problema no processo de construção do conhecimento histórico. A partir de então, desencadearam-se os combates por uma história em que o historiador e suas ideias desempenhassem um papel ativo, isto é, o papel de problematizadores do passado. Nesse combate, tanto a concepção de história que considerava os fatos enquanto realidades substanciais quanto os seus adeptos chamados de historiadores historizantes foram objeto de críticas demolidoras.

2 LE GOFF, 2003, p.419-422.

3 FONTANA, 2004. p. 21-23

4 O CENTRO DE MEMÓRIAS DE REALENGO, fundado pela Professora Marta Nogueira, localiza-se na Rua do Imperador, sem nº, no anexo da Escola Municipal Coronel Corsino do Amarante, tem como finalidade levar ao conhecimento da comunidade a História de Realengo e conhecimentos gerais. Desde 2000, a Professora Martha Nogueira vem construindo seu trabalho em Realengo. Naquele ano, com apoio da direção da Coronel Orsino, ela reuniu documentos, livros, fotos, além de antigos uniformes escolares e outras peças, para montar o Centro de Memória do Realengo, instalado numa sala da escola, a professora cuida do acervo e atende a pessoas da comunidade, pesquisadores e universitários interessados na história do bairro.

5 FONTANA, 2004. p. 21

6 FONTANA. 2004, p. 267.

7 VAINFAS, 2002. p. 106.

8 LE GOFF, 2003, p.423


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