Fala do Deputado luiz carlos hauly (psdb pr), autor do requerimento da homenagem



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SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM AOS 50 ANOS DE FUNDAÇÃO DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - CNBB - 19 DE JUNHO DE 2002

Fala do Deputado LUIZ CARLOS HAULY (PSDB - PR), autor do requerimento da homenagem.


O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB – PR) pronuncia o seguinte discurso — Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao completar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil glorioso meio século de existência – ora condignamente festejado –, cabe de plano recorrer às sábias palavras de Dom Raymundo Damasceno Assis, seu Secretário-Geral, em recente artigo na imprensa, intitulado Cinqüentenário da CNBB, que assim se expressou: “Sem dúvida, a missão da CNBB continuará sendo a evangelização, isto é, o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo, em toda a sua profundidade, atualidade, extensão e complexidade.”

Evangelização que fazemos questão de enfatizar, ao encontro do escrito do Papa Paulo VI, de saudoso papado, na sua Evangelii Nuntiandi, que reza:

A evangelização não seria completa se não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social dos homens.”

Com certeza, foi esta interpelação recíproca que levou Dom Hélder Câmara, então bispo auxiliar do cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara, a fundar, a 16 de outubro de 1952, a CNBB, até porque foi justamente com o Monsenhor João Batista Montini, que seria o Papa Paulo VI, com quem Dom Hélder tratou efetivamente do assunto, em nível da Santa Sé.

O próprio Núncio Apostólico, à época, Dom Carlos Chiarlo, foi quem aproximou Dom Hélder e Monsenhor Montini, além de promover encontros regionais de bispos, para sensibilizá-los à idéia. Na reunião fundadora encontrava-se Dom Carlos em pessoa, como também presentes ou representados estavam todos os então 20 arcebispos do Brasil.

Ante uma fundação como esta, cujas raízes foram a plena comunhão entre os altos prelados católicos apostólicos romanos

entre si, e entre eles e o Vaticano, cinqüenta anos após, outras não poderiam ser as palavras novamente de Dom Raymundo, agora sobre a estrutura da CNBB, cuja semente foi a estrutura da Ação Católica Brasileira, de que Dom Hélder houvera sido nomeado Vice-Assistente Nacional, em 1947. De maneira lapidar, pôde Dom Raymundo afirmar que a estrutura da CNBB “tem como objetivo facilitar e promover o relacionamento entre seus membros, a troca de experiências, o apoio mútuo e a participação e a co-responsabilidade de todos eles em questões de interesse comum.”

É esta participação co-responsável, cuja apoteose foi a vinda do próprio Prefeito da Congregação para os Bispos, e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, Cardeal Giovanni Battista Re, à 40ª Assembléia da CNBB, iniciada em 10 de abril deste ano do cinqüentenário, que permitiu que a Assembléia, inspirada na mensagem especial do Papa João Paulo II, trazida por Sua Eminência, melhor avaliasse os 50 anos da Conferência que aqui homenageamos.

Foram passos gloriosos, desde a fundação, em que a Conferência se atinha mais especificamente ao episcopado, até a primeira inflexão, de 1965, em que novos estatutos, elaborados na vigência do Plano de Emergência, e na efervescência dos debates do Concílio Vaticano II, redefiniram a finalidade da CNBB, tornando a ação apostólica não apenas mais expressamente referida ao episcopado, mas à Igreja e à pastoral.

Foram passos corajosos, em que se aprofunda a experiência de “pastoral de conjunto”, em que os problemas se avaliam em variáveis mais amplas e dimensões mais multifacetadas, recompondo-se as forças apostólicas, até a segunda inflexão, de 1971, em que a necessidade de remodificação estatutária leva a redefinir a doutrina da comunhão eclesial e da co-responsabilidade pastoral, com ênfase maior na operacionalidade e na reestruturação.

Foram passos verde-amarelos, em que a CNBB enfatizou os objetivos para com a Igreja que está no Brasil, promoveu a pastoral de conjunto (ou orgânica) bem como cuidou do relacionamento com os poderes públicos, sempre em entendimento com a Nunciatura, até a terceira inflexão, de 1980. Nesta, o atual Estatuto da CNBB, aprovado pela Santa Sé a 19 de janeiro daquele ano, relança mais explicitamente as diretrizes para uma viva preocupação pastoral, adequando as próprias estruturas às urgências pastorais do País.

Esta explicitação, aliada à “Carta Apostólica Sobre o Terceiro Milênio que se Aproxima”, de 1994, permite compreender à perfeição o objetivo geral da ação pastoral da CNBB aos 50 anos, que

se resume como: evangelizar, testemunhando Jesus Cristo, à luz da opção evangélica pelos pobres, e participando da construção de uma sociedade justa e solidária, a serviço da esperança nas diferentes culturas, a caminho do reino definitivo.”

Por isso é que a homenageada, que foi a primeira conferência episcopal a ser criada, aquela que antecipou em 10 anos o próprio Concílio Vaticano II, e que também é a maior conferência do mundo em número de bispos residenciais, teve por moto, na citada 40ª Assembléia, novamente em Itaici (SP), o tema “Exigências Evangélicas e Éticas de Superação da Fome.”

Não foi gratuita a escolha, no ano do cinqüentenário. Pelo contrário, vem demonstrar cabalmente que a permanente missão de evangelização da CNBB não exclui outras, adaptadas às diversas circunstâncias históricas – como a da desnutrição.

O que nos faz lembrar a frase de Jesus Cristo, o Salvador, “Nem só de pão vive o homem, mas da palavra de Deus”, e também deste excerto do Eclo 34, 20-22: “A vida dos pobres é o pão de que necessitam; quem dele os priva é um assassino.” (Pior que assassino, dizemos nós, Senhores: assassino e pecador! Não tem em si os dons cristãos da misericórdia, da compaixão e da caridade.)

A escolha do tema da fome prenuncia-nos o direcionamento das ações da CNBB para o próximo meio milênio: o amor indiscriminado ao próximo, por amor de Cristo-Deus, com o indispensável beneplácito da Santa Virgem, sempiterna Advogada nossa. E amor de ação, haja vista as tradicionais Campanhas da Fraternidade, exemplos vivos de uma vida dedicada a Jesus.

Aos atuais Presidente da CNBB, Dom Jayme Henrique Chemello, Vice-Presidente, Dom Marcelo Pinto Carvalheira e Secretário-Geral, Dom Raymundo Damasceno Assis, nossos parabéns pelos 50 anos de glória, parabéns que estendo a todo o clero e seu rebanho, ao povo brasileiro, e ao catolicismo contemporâneo, que tem na CNBB uma figura de proa.

Que a CNBB fique conosco por muitos outros cinqüentenários, e evangelize-nos sempre. É nossa garantia de vida eterna: único caminho de nossa salvação!

Muito obrigado.

LUIZ CARLOS HAULY



Deputado Federal (PSDB - PR)



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