Fazenda herdade um pouco de muita de história



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FAZENDA HERDADE – UM POUCO DE MUITA DE HISTÓRIA

Ricardo L. Casiuch

Texto publicado no catálogo

do VIº Leilão Herdade

Outubro de 1991 – Fazenda Herdade


Um cavalo de porte médio, leve em sua frente, equilbrado,inteligente, rústico, resistente, de temperamento dócil e, essencialmente, com andar de marcha batida cômoda; este é o meu Mangalarga Marchador.
José de Andrade Reis – ‘Dié’

Muito já se falou e se escreveu sobre a Linhagem Herdade, mas nesta edição do VI Leilão Herdade, a intenção é contar com maiores detalhes a respeito da Fazenda Herdade.


Inicialmente faremos um perfil do precursor desta linhagem e, conseqüentemente, de seu trabalho na organização e administração desta fazenda,o saudoso José de Andrade Reis, carinhosamente conhecido por ‘Dié’.
Homem dinâmico, idealista, enérgico mas muito sensível nas emoções, sincero e franco em suas opiniões, um amigo leal. Marido dedicado e inseparável de sua esposa e companheira em todos os momentos de sua vida, por 54 anos de uma união longa e feliz. Pai abnegado, amoroso e amigo, estava sempre cercado do amor, do carinho e atenção dos sete filhos, genros, noras e treze netos. Ao longo de seus 78 anos de vida bem vividos, conquistou, fez e conservou bons amigos, grande parte deles através do cavalo.

HISTÓRIA

A 10 de Agosto de 1905 nascia em Cravinhos (SP), José de Andrade Reis, filho de Urbano de Andrade Reis e Maria Eugênia de Andrade Reis. Com poucos meses de vida, seus pais mudaram para o Sul de Minas, onde adquiriram a Fazenda Pitangueiras, no então município de São Vicente Férrer.


José de Andrade Reis iniciou seus estudos em Juiz de Fora, no Colégio Andrés e os terminou no Rio de Janeiro, no Colégio D. Pedro II. Passou sua juventude ao lado do pai na Fazenda Pitangueiras.
Criador apaixonado, foi sempre um homem de campo, descendente de grandes pecuaristas, inclusive tetraneto do Barão de Alfenas – Gabriel Francisco Junqueira, iniciador da Raça Mangalarga Marchador.
Herdou de seus antepassados o entusiasmo pelos animais, com os quais aprendeu desde criança a lidar, orientado pelos sábios ensinamentos do pai.
No ano de 1929, ‘Dié’ casou-se com sua prima Maria do Carmo Junqueira Reis (‘Ducarminha’), da Fazenda Bela Cruz, em Cruzília (MG). Residiram na Fazenda Pitangueiras até o ano de 1935. Desta união tiveram 7 filhos: Dirceu, Marília, Neuza, Youne, Wilma, Sônia e Amélia.


FAZENDA HERDADE – 1935

Entre as montanhas de Minas Gerais, no município de Mathias Barbosa, hoje município de Simão Pereira, localiza-se a Fazenda Herdade, adquirida em 1935 por Urbano de Andrade Reis e seu filho, José de Andrade Reis.


Fazenda com atividades de exploração mista, ficou famosa na região por suas belas lavouras de café.
Pai e filho tomaram posse da fazenda e lá encontraram: terreiros para secar café, casa de máquina, despodador, tulhas, sendo que em tudo isto trabalharam em uma reforma.
A sede, em péssimo estado, foi recuperada para ser habitada até ser construída a nova sede da fazenda, pronta em 1939. Como dizia o Sr. ‘Dié’:
- Não encontramos um cavalo para andar e nem uma cadeira para descansar.”
Foi iniciado então, com muita garra e dinamismo, o intenso trabalho na organização para que a fazenda tivesse condição de receber o gado puro Holandes trazido do Sul de Minas (Fazenda Pitangueiras), assim como construir baias (simples) para abrigar cavalos e éguas Mangalarga Marchador que o Sr. ‘Dié’ criava com o pai e tanto gostava. Por volta de 1940 foi plantada nova lavoura de café e, anos depois, obeteve grandes colheitas de um café tipo excelente.


CRIAR CAVALOS, UM SONHO

Entusiasta da pecuária, à qual se dedicou com verdadeira paixão, iniciou na Fazenda Herdade um trabalho de seleção de gado leiteiro, com preferência absoluta pela raça Holandesa preta e branca e, também, vermelha e branca – utilizando descendentes e reprodutores importados da Holanda, Canadá, Estados Unidos e Argentina; touros e matrizes, formando um rebanho com espécimes de alto nível genético e grande produção leiteira.


Por ocasião da venda da Fazenda Pitangueiras, quando o transporte era difícil e caro devido às distâncias e estradas ruins, o Sr. Urbano pensou em trazer para a Fazenda Herdade apenas o gado Holandes e os cavalos, e distribuir entre os amigos e vizinhos as éguas, pois não tinham valor comercial, não compensando pagar carreto tão caro.
Foi então que o Sr. ‘Dié’ pediu ao pai que o deixase escolher pelos menos umas 6 éguas para dar início à sua criação propriamente dita. O Sr. Urbano ponderou e concordou, ao sentir a disposição e segurança do filho, já grande apreciador de cavalos.
Acreditando ele que todo trabalho feito com amor seja bem sucedido, deu assim ao filho ’Dié’ a oportunidade de realizar seu sonho: criar cavalos.
Corria o ano de 1935 e naquela época tornou-se José de Andrade Reis um dos mais dedicados criadores de eqüinos da Raça Mangaalrga Marchador, por julgá-los os que mais convinham a uma criação selecionada para as condições do meio em que vivemos e, também, por ser uma das mais belas e úteis.
Na Fazenda Herdade, ‘Dié’ iniciou seu trabalho com o prefixo ‘Herdade’ e a marca ‘U’, que conservou em homenagem a seu pai – Urbano de Andrade Reis.
Entre as suas primeiras éguas, trazidas do Sul de Minas, destacaram-se: Rainha, Soberana, Esmeralda e ‘Pitangueiras Frinéia’, égua extraordinária da qual descende Londrina, mãe de Herdade Tiroleza, Rancheira e Alteza, as quais são filhas de Baluarte do Engenho de Serra (posteriormente Herdade Baluarte) – um grande reprodutor que muito contribuiu para o trabalho feito pelo Sr. ‘Dié’.
Vejamos alguns destes registros nos livros da ABCCMM:


Registro :

86

Livro :

4

Sex:

Fêmea

Nascimento:

10/10/1933

Nome :

LONDRINA* (Londres J.B. x Pitangueiras Frinéia)


Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS

Criador :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Pelagem:

CASTANHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo





















Registro :

365

Livro :

4

Sex:

Fêmea

Nascimento:

25/9/1950

Nome :

HERDADE ALTEZA* (Herdade Baluarte x Londrina)


Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Criador :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Pelagem:

CASTANHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo





















Registro :

361

Livro :

4

Sexo :

Fêmea

Nascimento :

30/9/1951

Nome :

HERDADE TIROLEZA* (Herdade Baluarte x Londrina)


Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Criador :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Pelagem:

TORDILHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo





















Registro :

363

Livro :

4

Sexo :

Fêmea

Nascimento :

7/10/1952

Nome :

HERDADE RANCHEIRA* (Herdade Baluarte x Londrina)


Proprietário :

FRANCISCO ORMEU ANDRADE REIS

Criador :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Pelagem:

TORDILHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo



















Nestas éguas ele usou grandes reprodutores que trouxe do Sul de Minas, a maioria da Fazenda Engenho de Serra, Marca ‘S’, de seu tio Devanir Meirelles de Andrade; reprodutores estes que foram responSáveis pela base da criação ‘Herdade’.


Somar qualidades e subtrair defeitos” foi a fórmula utilizada pelo Sr. ‘Dié’, que empregando seus conhecimentos, direcionou a seleção na Fazenda Herdade ao longo dos anos, trabalhando com descendentes machos e fêmeas destes grandes reprodutores: Sargento II, Caxias (posteriormente ‘Seta Caxias’), Bellini J.B., Baluarte (posteriormente Herdade Baluarte), Ouro Preto (posteriormente Herdade Ouro Preto) e Bismark (posteriormente Herdade Bismark)


Registro :

(sem registro oficial)

Livro :




Sexo :

Macho

Nascimento :

1935*

Nome :

HERDADE BALUARTE*(Panchito J.B. x Baia Manca/Soberana do Engenho de Serra)

Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Criador :

AMÉLIA MEIRELES ANDRADE E FILHOS

Pelagem:

TORDILHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo




















Registro :

54

Livro :

3

Sexo :

Macho

Nascimento :

Maio de 1939

Nome :

SETA CAXIAS*(Gaúcho do Angahy x Bahiana do Engenho de Serra)

Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Criador :

JOSÉ SATURNINO DE REZENDE-ESPÓLIO/AMÉLIA MEIRELES ANDRADE E FILHOS

Pelagem:

TORDILHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo





















Registro :

6

Livro :

3

Sexo :

Macho

Nascimento :

6/10/1942

Nome :

SARGENTO II*(Sargento J.B. x Soberana II do Engenho de Serra)


Proprietário :

ROBERTO SILVA

Criador :

AMÉLIA MEIRELES ANDRADE E FILHOS

Pelagem:

CASTANHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo





















Registro :

142

Livro :

3

Sexo :

Macho

Nascimento :

7/10/1943

Nome :

HERDADE OURO PRETO*(Angahy Monte Negro x Angahy Garbosa)

Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Criador :

ADEODATO DOS REIS MEIRELLES

Pelagem:

TORDILHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo




















Registro :

18

Livro :

3

Sexo :

Macho

Nascimento :

15/11/1944

Nome :

HERDADE BISMARK* (Seta Caxias x Morena/Esmeralda do Engenho de Serra)


Proprietário :

JOSÉ DE ANDRADE REIS-ESPÓLIO

Criador :

AMÉLIA MEIRELES ANDRADE E FILHOS

Pelagem:

TORDILHA



















Tipado :

NAO



















Marca Alfabetica :






















Inscrito como :

4 - Sem especificaçäo


















ARQUIVO MEMÓRIA ORAL – FAZENDA HERDADE


Por ocasião do encerramento da gestão do criador Sérgio Cabral de Sá à frente do Núcleo de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador do Estado do Rio de Janeiro, em Janeiro de 1990, estivemos na Fazenda Herdade para desenvolver um tabalho profundo que visava o resgate da memória oral deste tradiconal criatório. Neste documento videográfico, em forma de entrevista com Da. Neuza Junqueira Reis, pinçamos alguns trechos que ilustram este catálogo do VI Leilão Herdade.
Contar histórias e criar cavalos Marchadores foram alguns dos maiores prazeres de José de Andrade Reis – o Patriarca da Fazenda Herdade.
Cabe a nós, hoje dentro da casa que lhe abrigou, e à sua família, recordar que criar cavalos é também uma forma de sublimação interior e despojamento pessoal, aqui percebidos com toda sua nitidez

R.L.C.

“(...) Como a família de seu pai, José de Andrade Reis, está ligada ao Barão de Alfenas?




  • Tanto meu pai como minha mãe são descendentes do Barão de Alfenas, pois ambos são seus tataranetos vindos de filhas disitntas do Barão. Inclusive, a Fazenda Bela Cruz, dos pais de minha mãe – Da. ‘Ducarminha’, era parte integrante da antiga Fazenda Campo Alegre.

Quando se deu a vinda para essa região de Simão Pereira?




  • Em 1935 meu pai adquiriu a Fazenda Três Barras em Areal (RJ), mas não deu certo pois o gado Holandes puro criado no Sul de Minas por meu avô Urbano de Andrade Reis não se adaptou ao clima. Lá ficaram muito pouco. Aí compraram a Fazenda Herdade em Simão Pereira. Transferiram todo o gado da Três Barras para cá, bem como algumas éguas que minha mãe herdara da Bela Cruz. O carreto era muito caro e meu avô falou-lhe que não compensava trazer todos os cavalos, pois não tinham o valor comercial de hoje. Vieram apenas algumas éguas e os machos. Nesta época a Herdade era conhecida por sua produção de café. Plantaram-se novas lavouras na mata virgem, bem como algumas para custeio, como arroz, feijão e milho.

E na década de 40, o cavalo que aqui se criava já era o Mangalarga Marchador como hoje se conhece ou era o Mangalarga da Família Junqueira, que não conhecia divisões entre a marcha mais áspera e a mais macia?




  • Olha, meu pai sempre procurou (e ele tinha uma meta) o melhor andamento, a melhor marcha. Trouxe lá do Sul de Minas, da Fazenda Engenho de Serra, de meu tio-avô Severino Eugênio de Andrade, um conjunto de animais que apresentavam um andamento de sua predileção. Então ele formou aquilo que achava ser o ideal em Mangalarga Marchador, com experiências e cruzamentos que ora davam certo, ora errado. Então ele descartava de repente algum animal.

Do núcleo inicial, quais os principais garanhões e matrizes que vieram do Sul de Minas?




  • Ele trouxe vários do Engenho de Serra, como: o Baluarte, o Caxias, o Bismark. E também o Sargento II da Linhagem ‘Campo Lindo – J.B.’ Entre as éguas, trouxe Esmeralda, Rainha, Soberana, Baiana e a Londrina, uma das mais importantes do plantel.

Já na década de 50, existia procura na Herdade de animais para comércio, como nos dias de hoje?




  • Procura havia sim, mas não como hoje. Os cavalos nesta época não detinham o valor de hoje, nem eram criados assim. Na Herdade eles sempre foram criados rusticamente, sendo presos apenas nas épocas de exposição. Caso contrário, vinham à sede apenas para o trato diário e depois eram soltos nos pastos.

Deste grupo inicial, quais os produtos Herdade que mais corresponderam ao Sr. ‘Dié’, aqueles que possuíam o seu fundamento de ‘subtrair defeitos e somar qualidades’?




  • Olha, o Cadillac foi um cavalo que ele gostava demais, até inclusive era o cavalo de sela dele. Foi tratado com todo carinho pelo Dr. Hélio Bello. Durante uns tempos meu pai andou meio triste por ter deixado o Cadillac ir embora, mas ele se sentia recompensado pelos carinhos e cuidados a ele dispensados pelo Dr. Hélio Bello. Temos outros, como o Capricho, produto consangüíneo que todos aqui diziam ser uma faca de dois gumes, mas que provou ser um excelente reprodutor posteriormente. Acho que foi sorte. E ainda potrinho no pé da Alteza, era lindo, um potro caprichado. Daí o nome Herdade Capricho.

Vamos lembrar um pouco desses cavalos que estão aqui em fotografias na sala de estar da Fazenda Herdade. O Herdade Cobalto, por exemplo, possui descendentes na fazenda?




  • Temos sim, temos várias éguas filhas do Cobalto consideradas nossas éguas de cabeceira.

O Herdade Jupiá, foi um cavalo que lhe deu muitas alegrias?




  • Nos deu dois reprodutores irmãos próprios: o Cromo e o Nitrato, ambos filhos da Prata. Além disso, possuímos três filhas dele: a Bailarina, a Lembrança e a Sinfonia.

Um outro cavalo que deu muita satisfação, tenho certeza, para o Sr. ‘Dié’, foi o Teatro.




  • Ah, muita! Ele gostava muito do Teatro, muito mesmo. É um cavalo de linhas bem feitas, um cavalo bonito, bom reprodutor.

E o Herdade Prateado?




  • É um cavalo que meu pai teve muita vontade de adquirir de volta, mas que infelizmente não conseguiu. É filho do Cadillac com Prata, sendo esta a égua mais antiga em reprodução no plantel.

O que representou a Herdade Alteza para o Sr. ‘Dié’ e para toda a Linhagem Herdade?




  • Olha, nessa ‘Edição Herdade’ da Revista ‘O Cavalo Marchador’, ela foi considerada como o ventre-de-ouro. Achei este fato uma homenagem muito justa, pois ela era realmente uma égua que possuía uma barriga de ouro; porque voce pode observar o que ela nos deixou: Herdade Cadillac, Herdade Capricho, Herdade Alteroza, Herdade Jupiá. Veja que em 1989 um neto seu, o Herdade Nero, sagrou-se Campeão dos Campeões de Marcha; e um trineto, o 443 Marengo da Tosana, levantou o Grande Campeonato Nacional da Raça.

E sobre a Herdade Música, vale também uma pequena estória?




  • E como vale! Quando de sua morte, eu fiquei muito abatida, triste mesmo...Não gostava nem de falar na morte da Música, porque não sei..., eu estava acostumada com ela naquele piquete ali por diversos anos. Eu descia e era o lugar em que passava primeiro. Passava para ver como ela estava, pois era uma égua assim... mais delicada, mas de muita estrutura. Quando nós vendemos o último produto da Música – a Herdade Ópera, foi contra minha vontade. Mas a maioria assim decidiu e respeitei a decisão. Então eu falava ao Wilson, nosso veterinário Dr. Wilson Canellas: “ - Eu queria tirar mais um produto da Música.” E ele dizia assim: “ – Neuza, voce está sendo egosísta. A coitada já produziu 19 vezes! Deixa ela descansar!”

E eu falava: “ – Só mais um!” E a idéia me perseguia. Comprei os remédios que ele receitara para emprenhá-la corretamente. Quando desci a seu piquete com a caixa de remédios na mão, o ‘Piau’, empregado da fazenda, correu para encontrar comigo e disse que a Música hoje não estava bem, que as pernas estavam trêmulas, muito diferente do normal. Liguei então para o Wilson, e enquanto aguardávamos sua chegada, aplicamos um fortificante nela. Houve uma pequena reação, melhorou um pouquinho e eu saí para ver um serviço perto. Quando voltei a seu lado, o empregado disse-me que ela estava morrendo, que não tinha mais jeito. Cheguei junto a ela, mas nada mudara. Não podia acreditar, ela nos últimos momentos e eu tentando reanimá-la com novos remédios. Aí chorei, igual a a uma criança...


Lembrando que a Música era filha da Tiroleza, vamos falar um pouco desta outra matriz-pilar da Herdade?


  • A Herdade Tiroleza foi uma égua muito importante no nosso plantel, pois além de ser muito bonita, nos deixou duas excepcionais matrizes: a Prata e a Música, que hoje são a base moderna da Herdade. Em 1965, na Nacional, a Tiroleza perdeu apenas e tão somente para a Abaíba Valsa, o que me faz recordar também de uma estória sobre este fato.

E qual foi?




  • É que o José Oswaldo Junqueira, o ‘J.O.’, primo do papai, conversando com ele após o julgamento, confidenciou-lhe que a Tiroleza era o mais bonito animal do parque, não só entre as fêmeas, mas também entre os cavalos.

Falando um pouco deste sistema de vendas exclusivamente em leilões, porque esta mudança em detrimento da antiga modalidade de venda pessoal na fazenda?




  • Eu gostaria muto de atender a todos amigos criadores que vêm à nossa propriedade para adquirir um animal, mas tornou-se impossível. A procura é muito grande e nós não temos como atender a todos. Então, para que não haja decontentamento, nós optamos pelo leilão anual. Eles deixam de brigar comigo e vão disputar entre si.

Finalmente, diga-me Da. Neuza, de que modo o cavalo que hoje se cria na Herdade é diferente daquele que o Sr. ‘Dié’ almejava há 30 anos atrás?


- Uma mudança que nós não realizamos e que não queremos fazer é a do andamento. Este nós desejamos sempre conservar como meu pai idealizou. Algo que mudou bastante foi a pelagem dos animais, que passou do castanho predominante (influência do Cadillac e da Alteza) para o tordilho (após a introdução do Bolero e do Cromo). Na morfologia buscamos seguir o Padrão da Raça, sempre...(...)”





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