Feam lança estudo sobre resíduos eletroeletrônicos



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Considerações gerais

Feam lança estudo sobre resíduos eletroeletrônicos


Resíduo eletrônico ou lixo eletrônico (termo que não deve ser confundido com spam), é o nome dado aos resíduos resultantes da rápida obsolescência de equipamentos eletrônicos (o que inclui televisorestelemóveiscomputadoresgeladeiras e outros dispositivos).

Tais resíduos, descartados em lixões, constituem-se num sério risco para o meio ambiente, pois possuem em sua composição metais pesados altamente tóxicos, tais como mercúriocádmio,berílio e chumbo Em contato com o solo, estes produtos contaminam o lençol freático; se queimados, poluem o ar. Além disso, causam doenças graves em catadores que sobrevivem da venda de materiais coletados nos lixões.

A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) divulgou o “Diagnóstico da Geração de Resíduos Eletroeletrônicos no Estado de Minas Gerais”. Por ano, cerca de 40 mil toneladas de materiais metálicos integrantes dos resíduos eletroeletrônicos são descartadas em Minas. O objetivo do levantamento é fazer uma gestão efetiva dos resíduos.

 

Estimativas feitas a partir do “Diagnóstico da Geração de Resíduos Eletroeletrônicos no Estado de Minas Gerais”, divulgado, nesta segunda-feira (8), pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), constataram que, atualmente, em Minas Gerais, são descartadas, por ano, cerca de 40 mil toneladas de materiais metálicos integrantes dos resíduos eletroeletrônicos (REEs) provenientes de telefones celulares e fixos, aparelhos de televisão, computadores, rádios, máquinas de lavar roupa, geladeiras e freezers. Compostos por ferro, alumínio, cobre, chumbo, cádmio, mercúrio, ouro, prata, paládio e índio, esses resíduos têm cerca de 30% do seu total gerado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Em se tratando de plásticos, são gerados cerca de 17 mil toneladas. Já no caso de vidros, a geração é de, aproximadamente, 6 mil toneladas. O lançamento dos dados foi feito noCentro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR).



Já o Brasil gera em torno de 680 mil toneladas desse mesmo tipo de resíduo. Além de conter materiais que podem vir a ser reciclados e recuperados, estes equipamentos apresentam várias substâncias tóxicas e poluentes como os metais pesados. O manuseio ou descarte incorreto dos REEs tem potencial de causar problemas à saúde humana e ao meio ambiente, por meio da contaminação, principalmente, do solo e das águas subterrâneas. 

Além das estimativas de geração de REEs, o diagnóstico faz uma análise do fluxo de geração de resíduos eletroeletrônicos, incluindo discussões sobre os diversos atores envolvidos desde a geração até a destinação final. Embora aponte as curvas de geração deste tipo de resíduos em t/ano e kg/hab, para Minas Gerais, o diagnóstico apresenta, sempre que possível, resultados relativos ao Brasil e à Região Metropolitana de Belo Horizonte até o ano de 2030. O presidente da Feam, José Cláudio Junqueira, afirma que o objetivo do levantamento é fazer uma gestão efetiva dos REEs. “Com base nesses dados, precisamos estabelecer normas para atuar junto à cadeia de produção desses equipamentos e fazer dos fabricantes, distribuidores e revendedores co-responsáveis pelos resíduos gerados”, revelou. 

De acordo com o diagnóstico, entre 2001 e 2030, cada brasileiro deve gerar em média, a cada ano, em torno de 3,4 kg de (REEs). “Este estudo foi realizado para estimar, preliminarmente, a geração atual e futura dos resíduos eletroeletrônicos e auxiliar decisões na busca pela solução dos consequentes problemas ambientais advindos do gerenciamento inadequado”, afirmou Junqueira que é, também, membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). 

Com a progressão de descartes de resíduos provenientes de telefones celular e fixo, televisores, computadores, rádios, máquinas de lavar roupa, geladeiras e freezers, o diagnóstico aponta que o Brasil terá acumulado, aproximadamente, 22 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos para disposição, no período de 2001 a 2030, sendo que Minas Gerais representa em torno de 10% desse total. Segundo Gustavo Tetzl Rocha, consultor da Feam e do Swiss Federal Laboratories for Materials Testing and Research (EMPA), centro de pesquisa sediado na Suíça que, ao longo dos últimos anos, tem desenvolvido trabalhos de quantificação e gerenciamento de resíduos eletroeletrônicos em diversos países do mundo, os números podem ser ainda maiores. “No diagnóstico consideramos que cada domicílio tem apenas um equipamento eletroeletrônico de cada tipo”, explicou. 

Para o cálculo da estimativa de geração, foi utilizada a metodologia de Consumo e Uso, estabelecida pelo EMPA. O estudo recorreu a indicadores do IBGE e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), além de fazer projeções na geração destes resíduos a partir do crescimento populacional, com base no último período intercensitário (1991-2000). 

A partir da identificação dos potenciais problemas ambientais provocados pelos REEs, a Feam pretende iniciar discussões que envolvam a elaboração de normativas para implementação de políticas públicas relativas à gestão deste tipo de resíduos no Estado de Minas Gerais, além de apresentar ao Conama sugestões de âmbito nacional. Junqueira ressaltou, por exemplo, que a fabricação de produtos que geram resíduos eletroeletrônicos pode estar condicionada ao recolhimento de equipamentos pós-consumo, como ocorre com os fabricantes de pneus. Nacionalmente, pode-se ainda estabelecer metas progressivas para que um produto seja constituído de material reciclável. 

Para o Estado, que passou a contar neste ano com uma legislação específica (Lei nº 18.031/09) para a gestão de resíduos sólidos, o diagnóstico vai permitir avanços na busca de soluções para reduzir o impacto provocado por estes resíduos, que se avolumam em aterros sanitários, quando não são descartados de forma inadequada, como geralmente ocorre. O presidente da Feam não descarta, por exemplo, a criação de uma proposição para redução de ICMS ou a criação de outro tipo de incentivo para fabricantes, importadores e comerciantes que recolham produtos que esgotaram o seu tempo de vida útil, vendam produtos ecológicos ou desenvolvam tecnologias para segregação de componentes, principalmente placas, que contêm metais pesados. “Temos que planejar uma gestão adequada para evitar que as pessoas acabem se contaminando no momento em que separam as peças a fim de aproveitar o plástico e o metal nelas contidos”, destacou. 

Alguns números do diagnóstico: 

Geração de resíduos eletroeletrônicos: 

Brasil: 680.000 toneladas/ano 


MG: 69.000 toneladas/ano 
RMBH: 21.000 toneladas/ano 

Geração média per capita anual de resíduos eletroeletrônicos (2001 a 2030), considerando resíduos provenientes de telefones celulares e fixos, televisores, computadores, rádios, máquinas de lavar roupa, geladeiras e freezers: 

Brasil: 3,4 kg/habitante 
MG: 3,3 kg/habitante 
RMBH: 3,7 kg/habitante 

Geração média per capita anual de resíduos eletroeletrônicos (2001 a 2030), considerando resíduos provenientes de telefones celulares e fixo, televisores e computadores: 

Brasil: 1,0 kg/habitante 
MG: 1,0 kg/habitante 
RMBH: 1,1 kg/habitante 

Projeção de acúmulo de resíduos eletroeletrônicos gerados entre 2001 e 2030, considerando resíduos provenientes de telefones celulares e fixos, televisores, computadores, rádios, máquinas de lavar roupa, geladeiras e freezers: 

Brasil: 22 milhões de toneladas 
MG: 2,2 milhões de toneladas 
RMBH: 625 mil toneladas 

Projeção de acúmulo de resíduos eletroeletrônicos gerados entre 2001 e 2030, considerando resíduos provenientes de telefones celulares e fixo, televisores e computadores: 



Brasil: 7 milhões de toneladas 
MG: 680 mil toneladas 
RMBH: 200 mil toneladas




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