FederaçÃo espírita brasileira conselho Federativo Nacional Comissões Regionais Organização e Funcionamento da Reunião Mediúnica Espírita sumário



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Apresentação
Para conhecer as coisas do mundo visível e descobrir os segredos da natureza material, outorgou Deus ao homem a vista corpórea, os sentidos e instrumentos especiais. Com o telescópio, ele mergulha o olhar nas profundezas do espaço, e, com o microscópio, descobriu o mundo dos infinitamente pequenos. Para penetrar no mundo invisível, deu-lhe a mediunidade.Allan Kardec: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 28, item 9.

Este trabalho representa o esforço conjunto de dedicados coordenadores da mediunidade que, ao atuarem como representantes de suas federativas estaduais na reunião da Comissão Regional, demonstraram compromisso de colaborar com os elevados princípios de unificação do Movimento Espírita e da união dos espíritas.


“Organização e Funcionamento da Reunião Mediúnica” tem dupla finalidade: divulgar corretamente a Doutrina Espírita, na área da mediunidade, e definir um caminho seguro para os trabalhadores do grupo mediúnico.
Trata-se de uma contribuição modesta, ainda que não menos importante, sobretudo quando se considera a obra desenvolvida pelos Espíritos esclarecidos, missionários do Senhor, cujas ações representam fontes de bênçãos na atual reencarnação, por efeito da misericórdia divina.
Brasília, 07 de março de 2008

Marta Antunes Oliveira de Moura

FEB/CFN – Comissões Regionais

Área da Mediunidade - Coordenadora


FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

Conselho Federativo Nacional

Comissões Regionais

Organização e Funcionamento da Reunião Mediúnica Espírita

SUMÁRIO
Assunto Página


  1. Prefácio

Responsabilidade Mediúnica 04

Histórico 08

  1. Conceitos 09

  2. As Reuniões Mediúnicas 11

4.1 Objetivos

4.2 Reuniões mediúnicas sérias: com Jesus e com Kardec

4.3 Prática mediúnica


  1. A Equipe Mediúnica 15

5.1 Condições dos candidatos à pratica mediúnica

5.2 Condições dos integrantes da equipe mediúnica



  1. Atribuições dos Integrantes da Equipe Mediúnica 17

6.1 Orientações gerais aos participantes

6.2 Orientações ao dirigente da reunião mediúnica

6.3 Orientações ao esclarecedor (dialogador ou doutrinador)

6.4 Orientações ao médium ostensivo

6.5 Orientações aos integrantes da equipe de apoio (ou de sustentação)


  1. Organização das Reuniões Mediúnicas 21

7.1 Admissão de participantes

7.2 Afastamento de participantes

7.3 Visitantes


  1. Funcionamento das Reuniões Mediúnicas 24

8.1 Condições

8.2 Etapas da reunião mediúnica



  1. Conclusão: Arquitetos Espirituais 28

  2. Bibliografia 30

  3. Colaboradores 32


ANEXOS

  • A capacitação do trabalhador da Mediunidade 35

  • Qualidade da prática mediúnica 37

  • A prática mediúnica espírita com Jesus e com Kardec 42

  • Participantes desencarnados das reuniões mediúnicas 50

  • Os Participantes encarnados do grupo mediúnico 55

  • O Centro Espírita e a desobsessão 62

  • Programa de qualificação permanente do tarefeiro do grupo mediúnico 67


1. Prefácio
Responsabilidade Mediúnica*

Manoel Philomeno de Miranda
Uma reunião mediúnica séria, à luz do Espiritismo, é constituída por um conjunto operacional de alta qualidade, em face dos objetivos superiores que se deseja alcançar.

Tratando-se de um empreendimento que se desenvolve no campo da energia, requisitos graves são exigidos, de forma que sejam conseguidas as realizações, passo a passo, até a etapa final.

Não se trata de uma atividade com características meramente transcendentais, mas de um labor que se fundamenta na ação da caridade, tendo-se em vista os Espíritos aos quais é direcionado.

Formada por um grupamento de pessoas responsáveis e conscientes do que deverão realizar, receberam preparação anterior, de modo a corresponderem aos misteres a que todos são convocados para exercer, no santificado lugar em que se programa a sua execução.

Deve compor-se de conhecedores da Doutrina Espírita e que exerçam a prática da caridade sob qualquer aspecto possível, de maneira a conduzirem créditos morais perante os Soberanos Códigos da Vida, assim atraindo as Entidades respeitáveis e preocupadas com o bem da Humanidade.

Resultado de dois aglomerados de servidores lúcidos – desencarnados e reencarnados – que têm como responsabilidade primordial manter a harmonia de propósitos e de princípios, a fim de que os labores que programam sejam executados em perfeito equilíbrio.

Para ser alcançada essa sincronia, ambos os segmentos comprometem-se a atender os compromissos específicos que devem ser executados.

Aos Espíritos orientadores compete a organização do programa, desenhando as responsabilidades para os cooperadores reencarnados, ao tempo em que se encarregam de produzir a defesa do recinto, a seleção daqueles que se deverão comunicar, providenciando mecanismos de socorro para antes e depois dos atendimentos.

Confiando na equipe humana que assumiu a responsabilidade pela participação no trabalho de graves conseqüências, movimentam-se, desde às vésperas, estabelecendo os primeiros contatos psíquicos daqueles que se comunicarão com os médiuns que lhes servirão de instrumento, desenvolvendo afinidades vibratórias compatíveis com o grau de necessidade de que se encontram possuídos.

Encarregam-se de orientar aqueles que se comunicarão, auxiliando-os no entendimento do mecanismo mediúnico, para evitar choques e danos à aparelhagem delicada da mediunidade, tanto no que diz respeito às comunicações psicofônicas atormentadas quanto às psicográficas de conforto moral e de orientação.

Cuidam de vigiar os comunicantes, poupando os componentes da reunião de agressões e de distúrbios defluentes da agitação dos enfermos mentais e morais, bem como das distonias emocionais dos perversos que também são conduzidos ao atendimento.

Encarregam-se de orientar o critério das comunicações, estabelecendo de maneira prudente a sua ordem, para evitar tumulto durante o ministério de atendimento, assim como impedindo que o tempo seja malbaratado por inconseqüência do padecente desencarnado.

Nunca improvisam, porquanto todos os detalhes do labor são devidamente examinados antes, e quando algo ocorre que não estava previsto, existem alternativas providenciais que impedem os desequilíbrios no grupo.

Equipamentos especializados são distribuídos no recinto para utilização oportuna, enquanto preservam o pensamento elevado ao Altíssimo...

Concomitantemente, cabem aos membros reencarnados as responsabilidades e ações bem definidas, para que o conjunto se movimente em harmonia e as comunicações fluam com facilidade e equilíbrio. Todo o conjunto é resultado de interdependência, de um como do outro segmento, formando um todo harmônico.

Aos médiuns é imprescindível a serenidade interior, a fim de poderem captar os conteúdos das comunicações e as emoções dos convidados espirituais ao tratamento de que necessitam.

A mente equilibrada, as emoções sob controle, o silêncio íntimo, facultam o perfeito registro das mensagens de que são portadores, contribuindo eficazmente para a catarse das aflições dos seus agentes.

O médium sabe que a faculdade é orgânica, mantendo-se em clima de paz sempre que possível, não apenas nos dias e nas horas reservadas para as tarefas especiais de natureza socorrista, porquanto Espíritos ociosos, vingadores, insensatos que envolvem o planeta encontram-se de plantão para gerar dificuldades e estabelecer conflitos entre as criaturas invigilantes.

Por outro lado, o exercício da caridade no comportamento normal, o estudo contínuo da Doutrina e a serenidade moral, são-lhe de grande valia, porque atraem os Espíritos nobres que anelam por criar uma nova mentalidade entre as criaturas terrestres, superando as perturbações ora vigentes no planeta.

Não é, porém, responsável somente o medianeiro, embora grande parte dos resultados dependam da sua atuação dignificadora, o que lhe constituirá sempre motivo de bem-estar e de felicidade, por descobrir-se como instrumento do amor a serviço de Jesus entre os seus irmãos.

Aos psicoterapeutas dos desencarnados é impositivo fundamental o equilíbrio pessoal, a fim de que as suas palavras não sejam vãs, e estejam cimentadas pelo exemplo de retidão e de trabalho a que se afervoram.

O seu verbo será mantido em clima coloquial e sereno, dialogando com ternura e compaixão, sem o verbalismo inútil ou a presunção salvacionista, como se fosse portador de uma elevação irretocável.

Os sentimentos de amor e de misericórdia igualmente devem ser acompanhados pelos compromissos de disciplina, evitando diálogos demorados e insensatos feitos de debates inconseqüentes, tendo em vista que a oportunidade é de socorro e não de exibicionismo intelectual.

O objetivo da psicoterapia pela palavra e pelas emanações mentais e emocionais de bondade não é o de convencer o comunicante, mas o de despertá-lo para o estado em que se encontra, predispondo-o à renovação e ao equilíbrio, nele se iniciando o despertamento para a vida espiritual.

Conduzir-se com disciplina moral, no dia-a-dia da existência, é um item exigível a todos os membros da grei, a fim de que a amizade, o respeito e o apoio dos Benfeitores auxiliem-nos na conquista de si mesmos.

Numa reunião mediúnica séria, não há lugar para dissimulações, ressentimentos, antipatias, censuras, porque todos os elementos que a constituem têm caráter vibratório, dando lugar a sintonias compatíveis com a carga emocional de cada onda mental emitida.

Desse modo, não há porque alguém preocupar-se em enganar o outro, porquanto, se o fizer, a problemática somente a ele próprio perturbará.

À equipe de apoio se reservam as responsabilidades da concentração, da oração, da simpatia aos comunicantes, acompanhando os diálogos com interesse e vibrando em favor do enfermo espiritual, a fim de que possa assimilar os conteúdos saudáveis que lhe são oferecidos.

Nunca permitir-se adormecer durante a reunião, sob qualquer justificativa em que o fenômeno se lhe apresente, porque esse comportamento gera dificuldades para o conjunto, sendo lamentável essa autopermissão...

Aos médiuns passistas cabem os cuidados para se manterem receptivos às energias saudáveis que provêm do Mundo Maior, canalizando-as para os transeuntes de ambos os planos no momento adequado.

Todo o movimento entre as duas esferas de ação deve acontecer suavemente, como num centro cirúrgico, que o é, de modo a refletir-se na segurança do atendimento que se opera.

Os círculos mediúnicos sérios, que atraem os Espíritos nobres e que encaminham para os seus serviços aqueles desencarnados que lhes são confiados, não podem ser resultado de improvisações, mas de superior programação.

Os membros que os constituem estarão sempre atentos aos compromissos assumidos, de forma que possam cooperar com os Mentores em qualquer momento que se faça necessário, mesmo fora do dia e horário estabelecidos.

Pontualidade de todos na freqüência, cometimento de conduta no ambiente, unção durante os trabalhos e alegria por encontrar--se a serviço de Jesus, são requisitos indispensáveis para os resultados felizes de uma reunião mediúnica séria à luz do Espiritismo.


_________________

*Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 28 de agosto de 2007, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Publicada em Reformador. Rio de Janeiro: FEB. Ano125. Nº 2.144. Novembro 2007, p. 414-416.
2. Histórico

Assim, também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Tiago, 2:17

Coordenadores da atividade mediúnica reunidos nas comissões regionais constataram, desde 2004, a necessidade de uniformizar critérios relativos à realização das reuniões mediúnicas. Nos dois anos subseqüentes, representantes da mediunidade das regiões Nordeste e Centro apresentaram sugestões sobre o assunto, organizadas em dois documentos semelhantes.
Em 2007, durante a reunião da Comissão Regional, em Brasília, ocorrida um dia antes do 2.º Congresso Espírita Brasileiro — comemorativo do sesquicentenário de publicação de O Livro dos Espíritos — definiu-se a necessidade de elaborar um roteiro de Organização e Funcionamento da Reunião Mediúnica com o objetivo de desenvolver o conteúdo existente no opúsculo “Orientação ao Centro Espírita”, especialmente os itens IV (Estudo e Educação da Mediunidade) , V (Reunião Mediúnica) e X (Participação do Centro Espírita nas Atividades de Unificação do Movimento).
A construção do atual documento, em nível nacional, pelos representantes da área mediúnica, ocorreu em cinco etapas, assim especificadas: a) maio a setembro de 2007 — análise das duas propostas já existentes, consideradas projeto-piloto do trabalho; b) outubro a novembro de 2007*— envio de sugestões à coordenação geral da área, na FEB, tendo como base análise do projeto-piloto, enriquecido com orientações retiradas das obras da Codificação Espírita e de outras, suplementares a esta, de inquestionável correção doutrinária; c) fevereiro 2007* — leitura, integração e redação das sugestões em um único texto pela coordenação geral; d) março a julho de 2008 — apresentação do texto nas reuniões das comissões regionais para avaliação e aprovação; e) julho e agosto de 2008 — envio do documento final às coordenações da atividade mediúnica e aos dirigentes das federativas para utilização e divulgação.

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* O prazo de apresentação de sugestões foi prorrogado para novembro de 2007 (reunião do CFN). Entretanto, em atendimento às solicitações de algumas federativas foram aceitas sugestões até fevereiro de 2008. O texto final, apresentado nas comissões regionais, foi redigido em março de 2008.
3. Conceitos
Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. 1Timóteo, 4:15


  • Médium e Mediunidade. “Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem. [...] Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.” O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 14, item 159.




  • Reunião mediúnica séria. É aquela “[...] em que se pode haurir o verdadeiro ensino. [...] Uma reunião só é verdadeiramente séria, quando cogita de coisas úteis, com exclusão de todas as demais.” O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 29, item 327.




  • Grupo mediúnico. Entendemos por grupo mediúnico a associação de pessoas que têm conhecimento da Doutrina Espírita e que pretendem dedicar-se ao estudo da fenomenologia medianímica e, simultaneamente, praticar a excelente lição do próprio Espiritismo, que é a caridade.” Diretrizes de Segurança, cap. II, pergunta 30. Sendo a reunião um ser coletivo, como afirma Kardec, entende-se que os membros da equipe têm responsabilidades e funções, gerais e específicas, das quais todos precisam estar cientes para garantirem o êxito da tarefa.

Esta equipe, formada por grande número de trabalhadores, submete-se à direção de um Mentor ou Instrutor Espiritual, o qual responde por todas as atividades programadas pelos dois grupos: o de encarnados e o de desencarnados, sendo que o programa estabelecido pela equipe do plano físico depende, para sua execução, da aquiescência e da permissão do Mentor espiritual. Obsessão/Desobsessão, cap.4, terceira parte.




  • Equipe espiritual. “A responsabilidade básica pelos trabalhos mediúnicos é do Plano Espiritual e por isso o verdadeiro esquema a ser seguido aí se delineia. Mas, os lidadores da Espiritualidade respeitam, e muito, os desejos e planificações expressos pelos irmãos da Terra.” Obsessão/Desobsessão, cap. 4, terceira parte.




  • Obsessão. É “[...] o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem.” O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 23, item 237.




  • Desobsessão. “Os meios de se combater a obsessão variam, de acordo com o caráter que ela se reveste.” O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 23, item 249. A desobsessão é “[...] um processo de libertação, tanto para o algoz [obsessor] quanto para a vítima [obsidiado].” Testemunhos de Chico Xavier, item: Libertação.

Através dela desaparecem doenças-fantasmas, empeços obscuros, insucessos, além de obtermos com o seu apoio espiritual [o da desobsessão] mais amplos horizontes ao entendimento da vida e recursos morais inapreciáveis para agir, diante do próximo, com desapego e compreensão. Desobsessão, cap. 64.




  • Animismo. Refere-se ao “[...] conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.” Mecanismos da Mediunidade, cap. 23, item: Mediunidade e animismo. Kardec esclarece que é “[...] por vezes muito difícil distinguir, num dado efeito, o que provém diretamente da alma do médium do que promana de uma causa estranha, porque com freqüência as duas ações se confundem e convalidam.” Obras Póstumas, primeira parte, item: Controvérsias sobre a idéia da existência de seres intermediários entre o homem e Deus, último parágrafo.

Vários autores não têm visto, na extensa bibliografia dos escritores mediúnicos, senão reflexos da alma dos médiuns, emersões da subconsciência, que impelem os mais honestos a involuntárias mistificações. Excetuando-se alguns casos esporádicos, em que abundam os elementos prestantes à identificação, as mensagens mediúnicas são repositórios de advertências morais, cuja repetição se lhes afigura soporífera. Todavia, erram os que formulam semelhantes juízos. Diminuta é a percentagem dos intrínsecos, já que todo o mediunismo, ainda que na materialização e no automatismo perfeitos, se baseia no Espiritismo e Animismo conjugados. Emmanuel, cap. 28, item: O Mediunismo.



  • Contradições mediúnicas. Estas contradições existem porque os médiuns não são iguais. Cada um capta a mensagem dos Espíritos “[...] de acordo com suas idéias pessoais, suas crenças, ou suas prevenções.” O Livro dos Médiuns, primeira parte, cap. 4, item 36.

À medida que os fatos se complementam e vão sendo mais bem observados, as idéias prematuras se apagam e a unidade se estabelece, pelo menos com relação aos pontos fundamentais, senão a todos os pormenores. Foi o que se deu com o Espiritismo, que não podia fugir à lei comum e tinha mesmo, por sua natureza, que se prestar, mais do que qualquer outro assunto, à diversidade das interpretações. O Livro dos Médiuns, primeira parte, cap. 4, item 36.

Entretanto, para “[...] compreenderem a causa e o valor das contradições de origem espírita, é preciso estar-se identificado com a natureza do mundo invisível e tê-lo estudado por todas as suas faces.”O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 27, item 299.



A astúcia dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo o que se possa imaginar. A arte, com que dispõem as suas baterias e combinam os meios de persuadir, seria uma coisa curiosa, se eles nunca passassem dos simples gracejos; porém, as mistificações podem ter conseqüências desagradáveis para os que não se acham em guarda [...]. Entre os meios que esses Espíritos empregam, devem colocar-se na primeira linha, como sendo os mais freqüentes, os que têm por fim tentar a cobiça [...]. Devem, além disso, considerar-se suspeitas, logo à primeira vista, as predições com época determinada, assim como as indicações precisas, relativas a interesses materiais. Cumpre não se dêem os passos prescritos ou aconselhados pelos Espíritos, quando o fim não seja eminentemente racional; que ninguém nunca se deixe deslumbrar pelos nomes que os Espíritos tomam para dar aparência de veracidade de suas palavras; desconfiar das teorias e sistemas científicos ousados; enfim, de tudo o que se afasta do objetivo moral das manifestações. O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 27, item 303-comentário.


4. As Reuniões Mediúnicas
Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios: de graça recebestes, de graça dai. Jesus. Mateus, 10:8
A reunião mediúnica não comporta improvisações por parte do dirigente e dos demais membros da equipe dos encarnados, por se tratar de atividade de atendimento e assistência espiritual, previamente programada e organizada pelos Benfeitores Espirituais.
4. 1 OBJETIVOS


  • Oferecer condições para o exercício da mediunidade, de forma saudável e segura, em perfeita harmonia com a Codificação Espírita e com as obras espíritas suplementares de inquestionável valor doutrinário.

  • Viabilizar condições que assegurem segurança e seriedade da manifestação de Espíritos nas reuniões mediúnicas privativas, usuais na Casa Espírita.

  • Prestar auxílio moral e doutrinário aos Espíritos que sofrem ou que fazem sofrer, concorrendo para o seu equilíbrio e a sua melhoria, por meio de aconselhamentos e outras ações espíritas, fraternas e solidárias, e pelos exemplos de boa conduta moral.

  • Amparar Espíritos em processo de reencarnação, segundo as condições disponíveis.

  • Contribuir para o desenvolvimento da ciência espírita através de estudos edificantes relacionados à mediunidade, em geral, e ao processo de intercâmbio mediúnico em particular.

  • Incentivar e promover a capacitação continuada dos encarnados integrantes da equipe.

  • Exercitar a humildade, a fraternidade e a solidariedade perante os encarnados e desencarnados em sofrimento, fornecendo exemplos que caracterizem o esforço de transformação moral.

  • Cooperar com os benfeitores espirituais no trabalho de defesa da Casa Espírita, ante as investidas de Espíritos descompromissados com o Bem.



4. 2 REUNIÕES MEDIÚNICAS SÉRIAS: COM JESUS E COM KARDEC
O resumo do item 341, cap. 29, de O Livro dos Médiuns, apresentado em seguida, fornece subsídios adequados à postura a ser adotada pelos integrantes da equipe dos encarnados, em uma reunião mediúnica séria:


  • Perfeita comunhão de vistas e de sentimentos.

  • Cordialidade recíproca entre todos os membros.

  • Ausência de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã.

  • União em torno de um único desejo: o de se instruírem e de se melhorarem, por meio dos ensinos dos Espíritos.

  • Recolhimento e silêncio respeitosos.

  • União de todos, pelo pensamento.

  • Isenção de todo sentimento de orgulho, de amor-próprio, de supremacia e vaidade, predominando a necessidade de ser útil.

São também características da prática mediúnica com Jesus e com Kardec: integrar os participantes da atividade mediúnica na instituição espírita onde atuam e realizar avaliações periódicas da reunião mediúnica.

Segundo orientações de Emmanuel, existentes no livro O Consolador, questão 372, “a sessão espírita deveria ser, em toda parte, uma cópia fiel do cenáculo fraterno, simples e humilde do Tiberíades, onde o Evangelho do Senhor fosse refletido em espírito e verdade [...].” Na questão 411, este benfeitor esclarece que “[...] o apostolado mediúnico, portanto, não se constitui tão somente da movimentação das energias psíquicas em suas expressões fenomênicas e mecânicas, porque exige o trabalho e o sacrifício do coração [...].”

Martins Peralva acrescenta, por sua vez:


Mediunismo sem Evangelho é fenômeno sem Amor, dizem os Amigos Espirituais [....], sem Doutrina Espírita é fenômeno sem esclarecimento. [...], com Espiritismo, mas sem Evangelho, é realização incompleta [...]. Com Evangelho e sem Espiritismo é, também, realização incompleta [...]. Com Evangelho e Espiritismo é penhor de vitória espiritual, de valorização dos talentos divinos. Imprescindível, pois, a trilogia Evangelho-Espiritismo-Mediunidade. Mediunidade e Evolução, cap.7.
E Emmanuel afirma, peremptoriamente, em que base se assenta a vitória do apostolado mediúnico:
Está [...] no Evangelho de Jesus, com o qual o missionário deve estar plenamente identificado para a realização sagrada da sua tarefa. O médium sem o Evangelho pode fornecer as mais elevadas informações ao quadro das filosofias e das ciências fragmentárias da Terra; pode ser um profissional de nomeada [de prestígio], um agente de experiências do invisível, mas não poderá ser um apóstolo do coração. O Consolador, questão 411.

4.3 A PRÁTICA MEDIÚNICA
A educação e o desenvolvimento mediúnicos compreendem a fase inicial da formação doutrinária básica (conhecimento espírita, em geral, e da mediunidade em particular), que pode estar associada, no principiante, ao afloramento da sua mediunidade e ao posterior encaminhamento ao grupo mediúnico. Importa dizer, porém, que nem todos os espíritas com formação doutrinária são portadores de mediunidade ostensiva, nem possuem compromisso com a tarefa desenvolvida no grupo mediúnico.

Os médiuns ostensivos revelam, contudo, compromisso com a tarefa, uma vez que toda faculdade nos é concedida tendo em vista um fim específico. Assim, entende-se por educação do médium o período que vai do afloramento da mediunidade até a participação, efetiva e harmônica, numa reunião mediúnica, conforme esclarecimentos de Allan Kardec existentes no capítulo 29 de O Livro dos Médiuns.

Na fase de educação e de desenvolvimento da faculdade mediúnica, os médiuns devem ser acompanhados de perto por orientadores experientes, que fazem parte do quadro regular de trabalhadores da Casa Espírita, na área da mediunidade. O médium será considerado apto para integrar o grupo mediúnico, onde a sua mediunidade será exercitada, quando: consegue discernir, de forma geral, as idéias que lhes são próprias e as oriundas dos Espíritos comunicantes; tem controle (educação) sobre as suas emoções, conduzindo-se com respeitabilidade durante as manifestações dos Espíritos; revela esforço de combate às imperfeições e oferece condições para dedicar-se com afinco à tarefa.

É sempre oportuno lembrar que não é automático o encaminhamento, aos grupos mediúnicos, de participantes que tenham concluído cursos de estudo e educação da mediunidade. Deve-se refletir que não é somente o estudo que habilita o tarefeiro ao exercício da mediunidade. Há outros critérios, os quais devem ser atendidos, como equilíbrio emocional, assiduidade, compromisso com a tarefa, entre outros.

É importante destacar, também, que cada Instituição Espírita tem as suas normas e critérios de ingresso à reunião mediúnica, as quais devem ser consideradas, a não ser que exista contradição com os princípios espíritas existentes na Codificação e nas obras suplementares a esta.

O intercâmbio mediúnico implica conhecimentos e cuidados, a fim de que sejam bons os resultados alcançados. A melhoria moral dos membros da equipe cria obstáculos às investidas dos Espíritos distanciados do Bem, além de favorecer o progresso individual.


Todas as imperfeições morais são tantas outras portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora essa imperfeição, teriam podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis [...]. O prestígio dos grandes nomes, com que se adornam os Espíritos tidos por seus protetores os deslumbra e, como neles o amor-próprio sofreria, se houvessem de confessar que são ludibriados, repelem todo e qualquer conselho [...]. Aborrecem-se com a menor contradita, com uma simples observação crítica e vão às vezes ao ponto de tomar ódio às próprias pessoas que lhes têm prestado serviço. [...] Devemos também convir em que, muitas vezes, o orgulho é despertado no médium pelos que o cercam. O Livro dos Médiuns, segunda parte, cap. 20 item 228.
Sob critérios definidos pela direção da Casa Espírita, em trabalho conjunto com o responsável pela área da atividade mediúnica, pode ser organizado um grupo mediúnico com a finalidade de auxiliar os principiantes nas fases iniciais do seu aprendizado prático, desde que dirigido por pessoa experiente, e tenha a participação de um ou mais médiuns experientes.

Nunca é demais recordar que prática mediúnica deve, necessariamente, ser precedida de cursos regulares, teóricos e práticos, fundamentais à formação do futuro trabalhador da mediunidade.


O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação. Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada, cooperando eficazmente com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e a verdade. O Consolador, questão 392.
No período inicial do exercício mediúnico, o aprendiz deve desenvolver a capacidade de auxiliar, com equilíbrio e controle, Espíritos que sofrem, os quais, embora se apresentem na condição de enfermos, necessitam de esclarecimentos, uma vez que ainda não se acham bem adaptados à vida na erraticidade. O tempo destinado ao desenvolvimento e à educação da faculdade mediúnica não é o mesmo para cada médium, mas depende do esforço e das possibilidades de cada um.

Os Espíritos comunicantes que demonstram graves perturbações são, usualmente, encaminhados pelos benfeitores espirituais aos grupos mediúnicos onde a equipe revela possuir melhores condições de atendimento e auxílio. Nessas reuniões há maior homogeneidade de conhecimento espírita-evangélico e de união de sentimentos e pensamentos. São grupos constituídos por um número reduzido de participantes, mas que revelam experiência e habilidade no trato com os Espíritos seriamente desarmonizados, daí não ser permitida a participação de aprendizes de espiritismo e de mediunidade.

A prática mediúnica, realizada nessas condições, favorece: a) o atendimento aos Espíritos portadores de graves desequilíbrios, endurecidos, perseguidores etc.; b) a freqüente manifestação dos benfeitores e orientadores da Vida Maior; c) a defesa da Instituição Espírita.

Os integrantes mais experientes desse tipo de reunião mediúnica aprenderam a neutralizar ou amenizar o impacto das influências espirituais perturbadoras, adotando comportamentos de conduta reta, ordeira e moralizadora, além de atualização doutrinária, assim especificados:




  • Controle das emissões mentais, sentimentos e ações inferiores, por efeito da vontade sabiamente administrada.

  • Aperfeiçoamento do conhecimento espírita pela participação em cursos, encontros, seminários e estudo de obras espíritas.

  • Adoção do hábito da oração e da meditação.

  • Integração em serviço de auxílio ao próximo, exercitando, assim, a prática da caridade.

  • Empenho de combate às imperfeições, de acordo com os preceitos do Evangelho e das orientações espíritas, tendo como guia esta instrução de Paulo, o apóstolo:

Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 15, item 10.


5. A Equipe Mediúnica

No entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom. 1 Corintios, 7:7



5.1 CONDIÇÕES DOS CANDIDATOS À PRÁTICA MEDIÚNICA


  • Instrução teórica básica

Entende-se por Instrução Teórica Básica o conhecimento doutrinário espírita adquirido pelo integrante do grupo mediúnico em cursos, regulares e sistematizados de espiritismo e de mediunidade. É relevante que todos os participantes da reunião possuam base doutrinária espírita relacionada às atividades mediúnicas.

Na possibilidade de participantes de cursos de mediunidade apresentarem faculdade mediúnica aflorada, deverão ser encaminhados ao setor ou pessoa responsável da Casa Espírita indicados para atendê-los. Esta medida é importante porque nem sempre é possível o monitor do Curso avaliar a situação com a profundidade requerida ou com isenção de ânimo necessária.

Nessa situação, cada caso será analisado com fraternidade, bom senso e prudência, ponderando se a pessoa deve, efetivamente, participar de um grupo mediúnico, paralelamente aos estudos que realiza. É imprudência estimular a prática mediúnica em pessoas que revelem algum tipo de imaturidade, doutrinária, emocional, psicológica etc.

Os participantes dos cursos que revelem dificuldades espirituais significativas, impeditivas de assimilação de conteúdos doutrinários, deverão ser afastados do estudo, temporariamente, e encaminhados ao serviço de atendimento espiritual da Casa Espírita para serem auxiliados.

Participantes analfabetos ou com nível de instrução reduzida, ou ainda, os portadores de deficiência visual, auditiva etc., farão o curso com os demais, porém lhes será prestada atenção especial, de modo a compensar-lhes as dificuldades inerentes às limitações que apresentam.



5.2 CONDIÇÕES DOS INTEGRANTES DA EQUIPE MEDIÚNICA


  • Capacitação continuada

É de fundamental importância que o trabalhador do grupo mediúnico esteja integrado em outra atividade da Casa Espírita e que revele possuir conhecimento espírita adquirido nos cursos regulares de estudo do espiritismo e da mediunidade. Por exemplo: Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita e Estudo e Educação da Mediunidade. “O estudo e a fixação do ensino espírita colocam-nos em condições de mais amplo discernimento da vida, dos homens e dos Espíritos.” Mediunidade e Evolução, cap. 7.

Concluídos esses estudos regulares, é importante verificar se o candidato à prática mediúnica integra uma ou mais atividade da Casa Espírita, antes de ter acesso às reuniões mediúnicas. Para tanto, é necessário que ele:


  • conheça as principais atividades da Casa Espírita;

  • esteja integrado em serviços que lhe proporcionem a devida compreensão da atividade mediúnica: assistência espiritual - que compreende o atendimento fraterno pelo diálogo, passes, serviço de visitas a enfermos, evangelho no lar –, assistência e promoção social e outros;

  • freqüente uma ou mais palestras evangélico-doutrinárias;

  • realize a reunião do Evangelho no lar, a sós – quando a família não aceita esta prática –, ou em companhia de familiares e afins;

  • utilize o serviço de atendimento espiritual e de passe da Casa Espírita sempre que se sentir desarmonizado;

  • participe de seminários ou cursos relacionados à atividade mediúnica;

  • revele disposição para estudar, de forma contínua e sistematizada, obras espíritas que lhe auxiliem a realização da tarefa;

  • manifeste vontade de fazer parte de um grupo mediúnico. Nesta situação, a manifestação voluntária do candidato necessita da aprovação do setor competente da Casa Espírita.

Já se disse que duas asas conduzirão o espírito humano à presença de Deus. Uma chama-se Amor, a outra, Sabedoria. Pelo amor, que, acima de tudo, é serviço aos semelhantes, a criatura se ilumina e aformoseia por dentro, emitindo, em favor dos outros, o reflexo de suas próprias virtudes; e, pela sabedoria, que começa na aquisição do conhecimento, recolhe a influência dos vanguardeiros do progresso, que lhe comunicam os reflexos da própria grandeza, impelindo-a para o Alto. [...] Todos temos necessidade de instrução e de amor. Estudar e servir são rotas inevitáveis na obra de elevação. [...] Conhecer é patrocinar a libertação de nós mesmos, colocando-nos a caminho de novos horizontes na vida. Corre-nos, pois, o dever de estudar sempre, escolhendo o melhor para que as nossas idéias e exemplos reflitam as idéias e os exemplos dos paladinos da luz. Pensamento e Vida, cap. 4.



6. Atribuições dos Integrantes da Equipe Mediúnica




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