Fernando de Noronha: Paraíso Singular



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Viagem a Fernando de Noronha – 7. a 14.10.2001



Fernando de Noronha: Paraíso Singular.




Introdução: Quando comentamos com amigos que nós, minha mulher Nori, minhas filhas Barbara, Nina e Melanie, além deste humilde relator e retratista, iríamos passar uma semana inteirinha no arquipélago de Fernando de Noronha, surgiam os inevitáveis comentários: “Mas não é muito para um lugar daquele tamanhinho?” , ou, “O que vocês vão fazer lá todo este tempo?”, etc... Um pouco preocupados com isto, fomos armados com livros, revistas, apostilas, game boy, conforme cada caso na família. Ao final, não houve tempo para leitura nenhuma. Eu mesmo só li a introdução do livro do relato de Marcopolo, e ficou por isto mesmo por “falta de tempo”. Ficamos gostosamente atarefados durante estes 7 dias, e todos, sem exceção, tinham uma certa cara de tacho ao partir, com o indefectível comentário: “Mas já acabou? Recém chegamos a Noronha...”. Observamos com indisfarçável inveja os turistas que estavam desembarcando do avião que iria nos “subtrair” de Noronha (denominação esta usada pelos íntimos).

Paraíso: Frase original de Américo Vespúcio: “O paraíso é aqui!”. E como ele tinha razão. Há ainda outros relatos da época, falando de “infinitas árvores e infinitas águas”, dos “bandos de tartarugas curiosas que rodeavam os barcos”, dos “marsuínos que saltavam fora d’água e gritavam como porcos” (golfinhos rotadores), que nos dão uma idéia de como era o arquipélago antes da ocupação humana, e que trouxe danos irreparáveis, mas, mesmo aquilo que “sobrou” é maravilhoso e singular. Aliás, há muitas outras coisas singulares neste arquipélago com 21 ilhas e com uma área total de apenas 21 km2, como por exemplo: há uma única lombada, que é motivo de orgulho dos noronhenses; há um único banco encravado em pleno “centro financeiro” da ilha principal, a Vila dos Remédios, e que obviamente é o melhor banco; há um posto, que naturalmente é o melhor, que vende gasolina a R$ 2,88 contra R$ 1,80 no continente; há um médico para os 3000 habitantes mais a horda de 650 turistas, que, indubitavelmente, é o melhor médico; há um hospital, que, sem dúvida, é o melhor. Tudo que é único, é qualificado como “o único e o melhor” pelo bem humorados insulares.

Descoberta: O arquipélago foi descoberto oficialmente em 10.8.1503 por Américo Vespúcio, que participava da expedição de Gonçalo Coelho, que foi a segunda expedição portuguesa ao Brasil. Curiosamente o arquipélago já constava de mapas de 1500 e de 1502... Esta expedição foi financiada por Fernan de Loronha, cristão novo, que tinha interesses na exploração de Pau-Brasil. Ele recebeu o arquipélago como capitania hereditária da coroa portuguesa em 1504, 30 anos antes da introdução deste regime no Brasil continental. Nunca visitou, nem tomou posse... Mas o nome dele ficou, ao final. Tampouco os seus herdeiros tomaram ações positivas para efetivar a benesse da coroa. O nome original Fernan de Loronha foi abrasileirado para Fernando de Noronha ao longo dos tempos. O arquipélago recebeu muitos nomes. O mais esdrúxulo foi Pavônia, em homenagem ao holandês Michiel de Pawv que por lá passou em 1631, e que, humildemente, arrendou o arquipélago inteirinho.

História: Trata-se de um pequeno pedaço de terra firme com muita história, devido à sua importância estratégica. Ilhas sempre foram motivo de frenesi para militares e estrategistas. Após a descoberta da ilha, os portugueses ocuparam o arquipélago em 1537. Na seqüência ele foi ocupado por 25 anos pelos holandeses, a partir de 1629. Fora isto, os franceses abordaram o arquipélago por três vezes (1556, 1558 e 1612), além de invadirem a ilha principal entre 1736 e 1737. Houve ainda, já no século XX, o retorno pacífico dos frenchies para a montagem de infraestrutura para cabos telegráficos submarinos (“Telegrapho Submarino Francez”), além dos italianos da “Compagnie Italiana Telegraphie Sottomarine”, por volta de 1926. Os portugueses voltaram com tudo no século XVIII, construindo nada mais e nada menos que 10 fortificações. Como não havia mão de obra suficiente, foi instituída a colônia correcional a partir de 1737. Os presos fizeram a maior parte das obras do arquipélago. De 1938 aos anos 60 foi instituído o presídio político oficial. Os presos eram de natureza muito variada. Como alguns exemplos: pessoas comuns com grandes penas por assassinato a partir de 1737, “todos os ciganos do Brasil continental” em 1739, revolucionários de 1817, todos os moedeiros falsos em 1833, revolucionários da Farroupilha em 1844, todos os capoeiristas do Brasil em 1890, amotinados da revolução de 30/Estado Novo em 1930, presos da Intetona Comunista em 1935, aliancistas, comunistas e integralistas do movimento dos “18 do Forte de Copacabana” em 1938, além dos prisioneiros políticos da revolução de 1964. A ilha principal também contou com duas passagens norte-americanas. A primeira como base durante a segunda guerra mundial, e a segunda para montar um “Posto de observação de mísseis teleguiados”, de 1957 a 1965.

Buggies: Veículo padrão da ilha principal. Há algo entre 500 e 600 Buggies (ninguém sabe ao certo), como táxis, como carros de aluguel (que, curiosamente, são alugados com o tanque vazio), e, como carro particular. É, sem dúvida, a maior concentração de Buggies per capita do Brasil (5 para 1).

Passeio de barco pelo “mar de dentro”: É o lado do arquipélago voltado à costa brasileira. Este lado recebe, geralmente, menos ventos tendo águas mais calmas, ao contrário do “mar de fora”, que tem um clima de oceano aberto. O passeio sai do porto, segue até a ilha Rata, que é a mais afastada do continente, seguindo depois para a ponta da Sapata (onde, em determinado ângulo, pode-se ver o mapa do Brasil através do Portal da Ponta da Sapata), para, ao final, voltar ao porto. No trajeto todas as maravilhosas praias do mar de dentro desfilam diante dos maravilhados olhos dos visitantes. O ponto alto é a baía dos golfinhos, alguns golfinhos “de guarda” acompanham a embarcação com precisão cirúrgica em frente à proa. O segundo maior atrativo é uma parada na baía do Sancho, com direito a mergulho para observar corais e peixes. É a própria imensidão azul... A praia do Sancho é a mais bonita que nós vimos em nossas vidas.

Gente: O povo da ilha obviamente também é singular, como não poderia deixar de ser. Um fiscal do Ibama que cuidava da piscina de Atalaia relatou que foi uma única vez a São Paulo. Achou “té-rrível” (nota: o hífen representa a pausa típica da fala nordestina). Os ilhéus são um perfeito mix de todos que passaram por lá. Portugueses, holandeses, franceses, penitenciários (que chegaram a totalizar 2000 homens e 200 mulheres), militares brasileiros e americanos, presos políticos, ciganos que foram deportados em 1739 para uma “limpeza étnica” do continente, turistas que por lá encalharam, e migrantes, todos temperados pelo calor equatorial, e com um bom flair nordestino. As restrições territoriais (área pequena) acabam gerando uma tal de “neuronha” nos habitantes, que é uma doença, que o único e melhor médico não consegue curar de jeito nenhum, e que força ao empreendimento de uma viagem ao continente de tempos em tempos. Viajar ao continente de avião é um roubo, pois, paradoxalmente, não há pacotes turísticos para os habitantes do paraíso turístico, custando entre R$ 600,00 e R$ 900,00. Há a opção de viajar de barco, com uma duração de 2 dias a Natal e de 3 dias a Recife. Todo o povo é afável e tranqüilo. Reclamam, às vezes, do monte de ladeiras que há em Noronha, onde descer é fácil, mas subir “é outra história”, e é “bem mais dé-vagar...”. A economia baseia-se no binômio funcionalismo público / turismo. Há um hotel (construído pelos americanos) e 98 pousadas, em geral com 2 quartos. Muitos reclamam da incorporação ao estado de Pernambuco, ocorrida em 1988, dizendo que a época de território federal era muito melhor. Achei, que eles tem razão.

Mergulho: De longe, é a atividade mais bacana na ilha. Afinal, você está em mar aberto, com águas cristalinas, que chegam a oferecer uma visibilidade de 25 m. Praticamente, qualquer lugar é bom para mergulhar. A diversidade da flora e fauna é impressionante.

Naufrágio de navio cargueiro grego: Colidiu, por volta de 1929, com os rochedos de São Pedro e São Paulo, conseguindo arrastar-se até o porto de Noronha, onde agonizou. Finalmente, em 1946 ele afundou completamente com uma ajudinha de dinamite. Hoje os destroços podem ser vistos a 5.... 7 m de profundidade, em sua extensão de 70 m. Pode-se ver restos de caldeiras, do eixo da hélice, da popa, etc... Serve como “casa” para uma infinidade de animais marinhos, como tartarugas, moréias, ostras, ouriços, e para uma infinidade de peixes. Muito marcante! É tão bom, que fomos duas vezes para lá.

Atobá: ave bicuda, curiosa e com pés de pato, capaz de mergulhar até 3 m de profundidade para pescar. As Fragatas, bem maiores, são pescadoras de superfície. Quando ficam com muita fome, elas batem nos atobás em pleno vôo, até que eles vomitem, para depois degustar a maravilhosa ração pré-digerida e pré-mastigada.

Pânico na baía dos porcos (chamada assim pelos americanos pela semelhança com a homônima em Cuba): minha filha Barbara, uma mulher feita de 21 anos, sai aos berros das águas cristalinas, após sentir-se ameaçada por uma arraia.

Meio ambiente: até os anos 80 a coisa correu solta no arquipélago. O homem fez muitos estragos. Para remediar, criou-se o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, sob a gestão direta do Ibama. Isto foi mais do que sensato. Este parque ocupa mais ou menos 60% da área total. Alguns exemplos de barbáries cometidas pelo homo sapiens em Noronha: em determinada época o diretor da penitenciária determinou a completa derrubada da mata nativa, para evitar que os detentos se escondessem na mata, assim como também para que eles não pudessem mais construir jangadas. Por sorte, a topologia da ponta da sapata evitou o completo desmatamento, sendo que hoje há um trabalho de recuperação. Aqui uma curiosidade: os detentos faziam jangadas com uma árvore chamada molungú, que é uma madeira esponjosa de crescimento rápido. Esta madeira encharca-se completamente após 5 a 6 horas, chegando a afundar, levando os fugitivos consigo. Como eles não voltavam, os remanescentes achavam que este tipo de jangada funcionava, repetindo-se o erro. É um caso clássico de falta de feed back com conseqüências desastrosas. Em termos de árvores endêmicas (que só há em Noronha), destacam-se a gameleira (fícus noronhae), que lança raízes a partir dos galhos, expandindo-se fantasticamente, o próprio molungú, e uma tal de burra-leiteira, que solta um leite venenoso quando machucada. Para alimentar o gado, foi introduzida uma trepadeira daninha chamada jitirana, que espalhou-se como praga. Ela sufoca as árvores existentes. Não vi nenhuma ação eficaz para combater esta praga. O povo só reclama da tal da jitirana. Quanto à fauna terrestre há o destaque da Mabuia (mabuya maculata), que são lagartixas simpáticas que chegam a medir até 15 cm, e que existem em Noronha e na África. Por conta do homem vieram os ratos, que existem em profusão, mas que não transmitem a leptospirose. Para combater os ratos, foi introduzido um tipo de lagarto. Só esqueceram, que o lagarto tem hábitos diurnos, enquanto os ratos são seres noctívagos. Logo, os lagartos passaram a comer ovos de tartarugas e de aves. Depois trouxeram gatos, o que deu mais certo. A uma certa altura os insulares ficaram com vontade de caçar. Trouxeram um tipo de roedor, que também multiplicou-se profusamente pela ilha, pois não há predadores naturais para eles. Quanto às aves, além do atobá e da fragata, há as noivinhas (brancas) e as viúvas (pretas com a cara branca, que mais parecem mulheres islâmicas). Estas conseguem pôr os ovos em bifurcações de galhos (não me pergunte como), dispensando a confecção de ninhos. Estas árvores geralmente ficam em encostas que ficam completamente esbranquiçadas pelas fezes. Estas encostas recebem a carinhosa denominação de “cagadas”, o que, de fato, o são.

Vacas: foram introduzidas pelos holandeses, que não conseguiam viver sem queijo... Trouxeram também os sininhos, que ficam pendurados no pescoço do gado, e que persistem até hoje.

Mergulho na ilha Rata: programa de 4 horas, para mergulhar 30 minutos. Foi a primeira vez que minhas três filhas (Barbara , Nina e Melanie) e eu mergulhamos com equipamento completo. Minha mulher, Nori, não quis. Como não somos credenciados, fizemos o tal do batismo, que consiste em um mergulho autônomo com monitor individual. Mergulhamos a uma profundidade entre 10 e 15 m. Aquilo que se vê é muito similar aos cenários do mergulho simples (apnéia). O bacana, é a estranha sensação de ficar submerso por tanto tempo em uma profundidade atípica.


Pôr do sol: É um show diário, raríssimo no Brasil, por termos costa oriental. O pôr do sol é tão bonito que chega a ser aplaudido nos principais points (Forte de Nossa Senhora dos Remédios, Forte de São Pedro, Porto, Praia da Conceição, etc...).

Aviação: Noronha foi por um longo tempo um entreposto importante para a aviação. Os primeiros a passarem por lá foram os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que amerissaram por lá, em 1922, com o hidroavião Santa Cruz. Houve também a passagem do Jahú em 1927 e do Zeppelin em 1931. A partir de 1927 houve a presença de “navios de aviso” da Air France e da Lufthansa, que funcionavam como base de apoio para a navegação aérea. Depois os franceses ainda montaram uma base de apoio fixa na ilha principal, a “Casa Air France”.

Contato imediato de terceiro grau: Aconteceu na baía do Sancho. Observávamos uma arraia em nado sincronizado com um peixe de bom porte durante algum tempo. De repente a arraia “pousa” ao lado da “mãe” e da “irmã”. A nave mãe, que não havíamos avistado antes, era enorme, medindo 1,5 m por 1 m. Foi um encontro marcante.

Forró do Cachorro: É o point do agito noturno da ilha, acima da praia do cachorro. O forró rola da meia noite às 7 da manhã. Barbara e Nina foram lá para conferir.

Caminhadas: fizemos três. A primeira foi a do Leão, passando pela baía de Suoeste, pela Ponta das Caracas e pela praia do Leão. Ponto alto: tartarugas marinhas na baía de Suoeste. A segunda foi a caminhada Golfinhos, passando pelo mirante da baía dos golfinhos, pela praia do Sancho, pela baía dos porcos, pela praia do Americano (dizem que eles tomavam banho pelados por lá), e pelas praias do Bode e do Boldró. Os golfinhos rotadores foram o destaque. Quando estávamos no mirante havia 1630 golfinhos “em estoque” na baía, de acordo com a monitora do “Projeto Golfinhos” de plantão. Eles vivem num raio de 500 milhas ao redor do arquipélago, e fazem o seu pit stop nesta baía. Há quatro agrupamentos bem definidos e caracterizados. Os golfinhos “de guarda”, que fazem manobras evasivas para distrair intrusos, afastando o foco dos demais. Há também o agrupamento “mãe/filhote”. Uma certa quantidade está em modo de “descanso”, que consiste em um nado lento com metabolismo reduzido. Por fim há o agrupamento de “cópula”, onde uma fêmea é cortejada por cerca de dez machos enfileirados. As transas são seqüenciais, e duram cerca de 15 segundos cada. Como conseqüência, os filhotes são “de todos”, recebendo a proteção coletiva. Os saltos com rotações em torno de seu próprio eixo fora d’água fazem parte de sua linguagem. A terceira caminhada foi a de Atalaia. O circuito foi do porto via pedra alta à praia de Atalaia. A piscina muito rasa da praia de Atalaia oferece uma visibilidade desbundante, e uma grande variedade de pequenos peixes. Este é o único local com controle de visitantes. No máximo 100 por dia, e não mais que 20 “mergulhadores” simultâneos.

Água: Não há nascentes significativas no arquipélago. A água doce provém das chuvas “de inverno” e é recolhida em dois açudes, que, por si só, não são suficientes. Mistura-se água salobra de poços artesianos com a água dos açudes para a distribuição. Há, ainda, uma unidade dessalinizadora, que parece não funcionar. Ao final da segunda “estada” dos americanos, houve a tentativa de venda a preço de banana de uma boa unidade dessalinizadora para o Estado Brasileiro. Nossas autoridades não quiseram. Pouco depois, na próxima seca, todos se arrependeram.

Energia: Há dois geradores diesel totalizando 2,5 MW. Há ainda uma unidade eólica de 300 kW em regime vagalume, apesar dos bons ventos que sopram, além de uma segunda unidade eólica quebrada.

O ataque do sargento: O sargento é um peixe abundante com faixas verticais (também conhecido como peixe zebra, ou como piranha do mar). São metidíssimos, sendo os que mais se aproximam dos banhistas. Minha mulher foi literalmente mordida por um deles na altura da cintura em plena baía do Sancho. Este foi o ataque do sargento, sem maiores seqüelas, graças a Deus. Nori guarda a marca da mordida com muito orgulho.

Baía dos tubarões: Interessante concentração de dezenas de tubarões lixa durante a maré alta, que podem ser observados a 20 m de distância. Os tubarões são numerosos, porém não agressivos, devido à abundância de comida.

TV Golfinho: Durante o noticiário regional do continente, a TV Golfinho irradia as notícias locais. Parece, à primeira vista, um programa humorístico à la Casseta & Planeta. A apresentadora é gordinha, meio engessada e fala muito arrastado. O noticiário vai da promoção do supermercado (o único e melhor, é claro), à tábua das marés. Só olhando mais detidamente, você vê que o programa é sério, contando com boa audiência dos insulares.

Bagunça na Conceição: No nosso último pôr do sol fomos à praia da Conceição. Durante aqueles poucos minutos mágicos, com tons de cores surrealistas, após o pôr do sol, ocorreu uma série de eventos ímpares: Pescadores capturando sardinhas para servirem de isca são assediados por fragatas e atobás, que fazem vôos rasantes para tentar pescar de uma forma mais fácil. Um cavalo vai tomar banho de mar acompanhado pela sua amazona. Um cachorro avança sobre atobás pousados na praia, loucos para faturar uma sardinhazinha free. A minha filha Nina grita que está vendo um peixe correndo na praia. Na realidade, ele acabou de ser fisgado, e estava sendo puxado pela linha para um ponto mais alto da praia. As minha filhas Melanie e Nina choram revoltadas ao verem um peixe recém pescado agonizante. É o difícil aprendizado concreto, de que é necessário matar para viver. A cadela Frieda, que já havíamos encontrado na praia do cachorro, aparece para brincar...

De novo? Sim, voltaríamos sem pestanejar.

Klaus Liesenberg, Outubro de 2001.



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