Fernando Sabino o encontro marcado



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p. 282. “Resolveu escrever um artigo sobre Gertrude Stein.”— Escritora ame­ricana que viveu em Paris na primeira metade do século, exercendo grande influência entre outros escritores seus compatriotas que por ali andavam, como Hemingway e Sherwood Anderson, que, segundo ela, faziam parte de uma “lost generation”.
p. 283. “Não depois que lera Guerra e Paz”. — O grande romance de Tolstoi era considerado por Eduardo Marciano e com justas razões o melhor que jamais foi escrito.

“Encontrou em Valéry preocupação igual (...)” — Paul Valéry, poeta e prosador francês, criou uma verdadeira ética intelectual, ao considerar a literatura uma perigosa forma de idolatria. Autor de Varietés, série de pensamentos ao gosto socrático, inteligente e um pouco lúcida demais para o meu gosto.


p. 284. “...Muero porque no muero.”— Verso de um poema de Santa Teresa d’Ávila, religiosa espanhola do século XVI, da ordem das carmelitas, julgada pela Inquisição.
p. 298. “— (...) Não sei quem, acho que foi Guardini (...) que disse: ‘o homem que quer justiça tem de colocar-se em nível superior ao da simples justi­ça.’” — Romano Guardini, em Le Seigneur: Importante teólogo católico alemão, de origem italiana, da primeira metade deste século, que procurou em sua vasta obra uma visão compreensiva do mundo a partir da fé.
p. 301. “— (...) Não faço coisas que por si já são destinos?” — Reminiscência de um verso de Mário de Andrade, do poema “Pela noite...”: “O passa­do não é mais meu companheiro. / Estou vivendo idéias que por si já são destinos / Não reconheço mais minhas visões.”
p. 307. “— Labor improbus omnia vincit.”— Locução latina, fragmentos de dois versos das Geórgicas de Virgílio que viraram provérbio. Na rea­lidade, “Labor omnia vincit improbus”, ou seja: Um trabalho perseve­rante tudo vence.
p. 313. “Aqui outrora retumbaram hinos.”— Verso de Raimundo Correia, do soneto “Ouro Preto”.
p. 317. “— (...) Mário de Andrade morreu e está mais vivo do que eu, do que você. Estou repetindo palavras dele!” — O personagem Toledo repete quase literalmente palavras de Mário de Andrade numa de suas cartas (vide Cartas a Um Jovem Escritor, de Mário de Andrade a Fernando Sabino.
p. 342. “— “Não és bom nem és mau (...)” — Verso de Olavo Bilac, do soneto “Dualismo”.
p. 357. “(...) e Deus perdoava, e não mais precisava imolar o filho, como no sacrifício de Abraão. (...) E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: Abraão, Abraão. E ele respondeu: aqui estou.(...)/(E o anjo disse-lhe: não estendas a mão sobre o menino e não lhe faças mal algum.)” — Passagem do Velho Testamento referente ao sacrifício de Abraão, a quem Deus exigiu que imolasse o próprio filho, e ele obedeceu, para ser salvo do sacrifício no último momento. (Genesis, 22,1-12).
p. 364. “— Pirandello — limitou-se Eduardo.” — Referência à peça de Luigi Pirandello Seis Personagens em Busca de um Autor.
p. 366. “— Quem você está pensando que é? Scott Fitzgerald? Ele tem um romance que termina assim.” — Última frase do livro This Side of Paradise de Scott Fitzgerald: “I know myself”, he cried, “but that is all.”
p. 369. “O filho pródigo teve vitelo, o outro não.” — Parábola do Filho Pródi­go”, (Lucas 15, 11-32).

FERNANDO (Tavares) SABINO nasceu em Belo Horizonte, a 12 de outubro de 1923. Fez o curso primário no Grupo Escolar Afonso Pena e o secundário no Ginásio Mineiro, em Belo Horizonte. Aos 13 anos escreveu seu primeiro trabalho literário, uma história policial publicada na revista Argus, da polícia mineira.

Passou a escrever crônicas sobre rádio, com que concorria a um con­curso permanente da revista Carioca, do Rio, obtendo vários prêmios. Uniu-se logo a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos em intensa convivência que perduraria a vida inteira. Entrou para a Faculdade de Direito em 1941, terminando o curso em 1946 na Faculdade Federal do Rio de Janeiro.

Ainda na adolescência publicou seu primeiro livro, Os Grilos Não Cantam Mais (1941), de contos. Mário de Andrade escreveu-lhe uma carta elogiosa, dando início à fecunda correspondência entre ambos. Anos mais tarde, publicaria as cartas do escritor paulista em livro, sob o título Cartas a um Jovem Escritor (1981). Em 1944 publica a novela A Marca e muda-se para o Rio. Em 1946 vai para Nova York, onde fica dois anos, que lhe valeram uma preciosa iniciação na leitura dos escritores de língua inglesa. Neste período escreveu crônicas semanais sobre a vida americana para jornais brasileiros, muitas delas incluídas em seu livro A Cidade Vazia (1950). Iniciou em Nova York o romance O Grande Mentecapto, que só viria retornar 33 anos mais tarde, para terminá-lo em dezoito dias e lançá-lo em 1976 (Prêmio Jabuti para Romance, São Paulo, 1980), com sucessivas edições. Em 1989 o livro serviria de argumento para um filme de igual sucesso, dirigido por Oswaldo Caldeira.

Em 1952 lança o livro de novelas A Vida Real, no qual exercita sua técnica em novas experiências literárias, e em 1954 Lugares-comuns — Dicionário de Lugares-Comuns e Idéias Convencionais, como complemento à sua tradução do dicionário de Flaubert. Com O Encontro Marcado (1956), primeiro romance, abre à sua carreira um caminho novo dentro da literatura nacional.

Morou em Londres de 1964 a 1966 e tomou-se editor com Rubem Braga (Editora do Autor, 1960, e Editora Sabiá, 1967). Seguiram-se os livros de contos e crônicas O Homem Nu (1960), A Mulher do Vizinho (1962, Prêmio Fernando Chinaglia do Pen Club do Brasil), A Companheira de Viagem (1965), A Inglesa Deslumbrada (1967), Gente I e II (1975), Deixa o Alfredo Falar! (1976), O Encontro das Águas (1977), A Falta que Ela me Faz (1980) e O Gato Sou Eu (1983). Com eles veio reafirmar as suas qualidades de prosador, capaz de explorar com fino senso de humor o lado pitoresco ou poético do dia-a-dia, colhendo de fatos cotidianos e personagens obscuros verdadeiras lições de vida, graça e beleza.

Viajou várias vezes ao exterior, visitando países da América, da Europa e do Extremo Oriente e escrevendo sobre sua experiência em crônicas e reportagens para jornais e revistas. Passa a dedicar-se também ao cinema, realizando em 1972, com David Neves, em Los Angeles, uma série de minidocumentários sobre Hollywood para a TV Globo. Funda a Bem-te-vi Filmes e produz curtas-metragens sobre feiras internacionais em Assunção (1973), Teerã (1975), México (1976), Argel (1978) e Hannover (1980). Produz e dirige com David Neves e Mair Tavares uma série de documentários sobre escritores brasileiros contemporâneos.

Publicou ainda O Menino no Espelho (1982), romance das remi­niscências de sua infância, A Faca de Dois Gumes (1985), uma trilogia de novelas de amor, intriga e mistério, O Pintor que Pintou o Sete, história infantil baseada em quadros de Carlos Scliar, O Tabuleiro de Damas (1988), trajetória do menino ao homem feito, e De Cabeça para Baixo (1989), sobre “o desejo de partir e a alegria de voltar”-relato de suas andanças, vivências e tropelias pelo mundo afora.

Em 1990 lançou A Volta por Cima, coletânea de crônicas e histórias curtas. Em 1991 a Editora Ática publicou uma edição de 500 mil exemplares de sua novela “O Bom Ladrão” (constante da trilogia A Faca de Dois Gumes,), um récorde de tiragem em nosso país. No mesmo ano é lançado seu livro Zélia, Uma Paixão. Em 1993 publicou Aqui Estamos Todos Nus, uma trilogia de ação, fuga e suspense, da qual foram lançadas em separado, pela Editora Ática, as novelas “Um Corpo de Mulher”, “A Nudez da Verdade” e “Os Restos Mortais”. Em 1994 foi editado pela Record Com a Graça de Deus, “leitura fiel do Evangelho, segundo o humor de Jesus”. Em 1996 relançou, em edição revista e aumentada, De Cabeça para Baixo, relato de suas viagens pelo mundo afora, e Gente, encontro do autor ao longo do tempo com os que vivem “na cadência da arte”. Também em 1996, a editora Nova Aguilar publicou em 3 volumes a sua Obra Reunida Em 1998 a Editora Ática lançou, em separado, a novela “O Homem Feito”, do livro A Vida Real, e Amor de Capitu, recriação literária do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. E ainda em 1998, além de O Galo Músico, “contos e novelas da juventude à maturidade, do desejo ao amor”, a Record editou, com grande sucesso de crítica e de público, o livro de crônicas e histórias No Fim Dá Certo - “se não deu certo é porque não chegou ao fim” e em 1999, A Chave do Enigma No mesmo ano foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de obra.
Fernando

Sabino


Livro

aberto


Páginas soltas

ao longo do tempo.


ESTAS PÁGINAS, inéditas em seus livros representam anos de atividade literária, em cuidadosa seleção do próprio autor.

O livro se abre com o agradecimento ao Prêmio Machado de Assis pelo Conjunto de Obra, que lhe concedeu a Academia Brasileira de Letras, em 1999.

Remonta então ao início de sua carreira: uma crônica “O Caçador de Borboletas” (escrita aos 15 anos de idade) para a revista Alterosa, de Belo Horizonte, sobre sua conversa com um passarinho.

Pouco depois publica uma crítica entusiástica do romance de John Steinbeck “Vinhas da Ira”, em O Diário, jornal mineiro de orientação católica, que a distinguiu com a seguinte advertência:

À margem do brilhante artigo de nosso colaborador Fer­nando Tavares Sabino, temos a acrescentar que a leitura de “Vinhas da Ira” deve reservar-se a adultos de caráter formado, e ser vedado a senhorinhas e adolescentes.”

O autor do “brilhante artigo” tinha 16 anos.

Não satisfeito, o jovem Tavares Sabino logo em seguida denunciava de maneira irrefutável ao Brasil e ao mundo que o grande “best-seller” americano do romance, “Rebecca” de Daphne du Maurier, era um plágio do romance brasileiro “A Sucessora” de Carolina Nabuco.

Por esta época enaltecia em seguidos artigos os romances de Octavio de Faria, ídolo de sua mocidade. Segue-se emocionada resposta à carta de Mário de Andrade sobre seu primeiro livro, aos 18 anos. Como participante da delegação mineira no Congresso de Escritores em São Paulo, descobre que o escritor Edgar Cavalheiro era um cavalheiro.

Já no Rio, dá-se uma descoberta mais séria: a de Clarice Lispector, de quem se torna amigo para sempre (a partir do reconhecimento de sua importância literária num artigo sobre o romance “O Lustre”).

Relembra os tempos idos e vividos em Nova York: suas aventuras e desventuras de fotógrafo amador, suas travessuras com Vinicius de Moraes e Jayme Ovalle, pintando e bor­dando com os pintores Salvador Dalí, Noêmia, Lazar Segall. Recolhe sensacionais revelações sobre o que Frank Sinatra pensava das mulheres (e que tantos outros homens continuam pensando). Depois de mil peripécias, encerra a temporada americana com os dois únicos poemas que jamais escreveu na vida: “Sinopse do tédio” e “O poeta, bêbado, faz pipi”.

Passa a uma série de crônicas sobre assuntos de rua ou de alcova no Rio. Transcreve algumas das suas emocionantes recriações literárias de acontecimentos policiais do dia, publicadas no Diário Carioca na série “O Destino de Cada Um” sob o pseudônimo “Pedro Garcia de Toledo”.

Faz a descrição empolgante de sua viagem de carro com Millôr Fernandes durante quarenta e tantos dias pelo Brasil abaixo, do Rio a Porto Alegre. (E como vieram a ser “fun­dadores” da cidade de Toledo, no interior do Paraná.) Des­creve a primeira viagem a vários países da Europa, e como foi proibido de reentrar em Portugal depois de haver escrito sobre a ditadura de Salazar. Fala com minúcias sobre suas peripécias em Cuba, em viagem com Jânio Quadros, seus entendimentos com Guevara e desentendimentos com Fidel Castro, de quem foi furtado o revólver em plena recepção na Embaixada Brasileira.

Sua experiência da vida em Londres durante dois anos e tanto como jornalista e adido cultural rendeu-lhe uma série de crônicas sobre o “sucesso” do Brasil na Copa do Mundo de 66, por exemplo.

Em compensação, sobre grandes figuras como o ator Laurence Olivier, de quem conseguiu um valioso ingresso para Carlos Lacerda ir assistir ao seu “Othello” (acabou não indo), o encontro com o pintor Miró, a vinda da Rainha ao Brasil, a vitoriosa rainha brasileira do tênis Maria Ester Bueno, a morte de Churchill e do poeta Dylan Thomas, os Beatles na intimidade - e por aí afora.

De volta ao Brasil, reproduz o impressionante depoimento que lhe deu um jovem torturado pela polícia da ditadura, na época reinante entre nós.

A partir de então, narra seus encontros marcados com grandes figuras como Ary Barroso e Chico Buarque, Odete Lara e Márcia Haydée, Erasmo e Roberto Carlos, Nilton San­tos e Tostão, Pancetti e Calasans Neto, Maria Bethânia e Ma­ria Lúcia Godoi, Eder Jofre e Bráulio Pedroso, José Américo de Almeida e Tristão de Athayde, Jorge Amado e Dorival Caymmi, Alfredo Machado e Borjalo.

Revive lembranças de reencontros com o poeta Stephen Spender e o romancista John dos Passos, relata seus desencontros com Pablo Neruda. A viagem a Hollywood com o cineasta David Neves, seu querido amigo, a fim de realizar a série de mini-filmes “Crônicas ao Vivo” para a TV Globo, lhe rendeu ainda outro tanto de deliciosas crônicas - como a da permissividade sexual em Los Angeles, a loucura reinante nos estudios da Universal, a emoção de ser dirigido pelo próprio Hitchcock ao filmar o grande diretor em seu refúgio.

Seleciona preciosos ensaios sobre grandes nomes da literatura universal, cujas obras prefaciou na “Coleção Novelas Imortais” da Editora Rocco, por ele dirigida: Henry James, Flaubert, Pirandello, Cervantes, Stevenson, Tchekhov, Andreiev, Melville, Nerval, Hoffman, Musset.

Tudo isso em meio a casos pungentes ou hilários, colhidos num flagrante de rua, num incidente doméstico, na vida do dia-a-dia. E recorda o convívio com seus melhores amigos, como Vinicius de Moraes, Rubem Braga, Hélio Pellegrino, Otto Lara Rezende, Paulo Mendes Campos.

O requinte de qualidade literária transparece tanto num comovido testemunho da Primeira Comunhão de sua filha, quanto no exemplo de concisão como regra de estilo, em anedotas de uma ou duas linhas.



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O livro se encerra já nos anos 90, com o relato da elaboração de três obras literárias, cada uma no seu gênero: "Zélia, uma Paixão", sobre a vida da ex-ministra da Economia; "Com a Graça de Deus", leitura fiel do Evangelho segundo o humor de Jesus; "Amor de Capitu", leitura fiel do romance de Machado de Assis sem o narrador Dom Casmurro.


Talvez possam surpreender a algum leitor certas passagens mais íntimas. "Minha vida é um livro aberto", se justifica Fernando Sabino. E sugere "seja o livro aberto ao acaso, lidas apenas as páginas soltas que despertarem interesse; depois passe o leitor a afirmar, a exemplo de tantos outros, haver lido o livro inteiro". O que provavelmente acabará aconte­cendo.
Fernando

Sabino


Livro

aberto
658 páginas


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