Ferro, Marc. Cinema e História



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Encontro29.07.2016
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FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

RESUMO:

O presente livro trata-se de uma coletânea de ensaios de Marc Ferro que buscam analisar sob diversos ângulos e temáticas as relações existentes entre Cinema e História. O início do livro traz um capítulo em que são lançadas as bases para a pesquisa do tema proposto que são, naturalmente, as diretrizes metodológicas que norteiam o trabalho do autor; estes nortes, pois, são também as etapas nas quais o livro está divido com o intuito de abarcar todas as relações possíveis entre Cinema e História na visão do autor.

Partindo do pressuposto da interferência do Cinema na História – tanto naquela que se faz quanto na compreendida como relação de nosso tempo, como explicação do devir das sociedades -, Ferro enumera cada um dos modos dessa interferência entre as duas temáticas. Em primeiro lugar está o cinema como agente da história, que leva em conta aquele como instrumento do progresso tecnológico, mas também, após a transformação do filme em arte, como um artifício de seus pioneiros num processo sistemático de representação das origens sociais com o intuito de doutrinação ou glorificação a partir das mensagens do filme. Para além, Ferro destaca ainda nesta primeira parte a apropriação do cinema pela elite dirigente para pô-lo a seus serviços, exaltando seus feitos ou sua própria história, na medida em que esta elite passou a compreender a função do cinema e deixou de banalizá-lo.

Num segundo momento, o autor destaca – tomando por base a análise de alguns filmes que retratam a URSS em seus primeiros anos, como Po Zakonu (Dura Lex, 1925) de Kulechov ou Tchapaiev, de 1934 – que esta intervenção do cinema na história, que torna o filme eficaz e operatório, está intimamente ligada à sociedade que o produz e aquela que o recebe, além é claro aos tempos/ épocas em que é produzido e recepcionado, fatos que podem facilmente alterar a mensagem e o entendimento do filme e de seus diversos fatores de composição como a linguagem, a trilha sonora, suas alegorias e metáforas. Isso conduz a análise do autor à necessidade de atestar que a utilização e a prática de determinados modos de escrita são armas, pois, de combate ligadas também às sociedades produtoras e receptoras dos filmes, as quais se traem, segundo Ferro, inicialmente pela censura em todas as suas forma, compreendendo-se também, e destacadamente, a autocensura, idéia desenvolvida na terceira parte do livro, partindo ainda dos filmes soviéticos anteriormente abordados, com incorporações de filmes antinazistas produzidos nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial e de algumas entrevistas manipuladas documentaristas franceses.

Na quarta e última parte, o autor se detém na temática da escrita e leitura da história a partir do cinema, partindo das chaves explicativas de leitura histórica do filme e leitura cinematográfica da história, as quais são, para Ferro, os derradeiros eixos interpretativos a serem seguidos para estudar as relações entre Cinema e História, em que a leitura cinematográfica da história coloca para o historiador coloca para o historiador o problema de sua própria leitura do passado.

Em suma este livro reúne os principais textos de Marc Ferro, um dos primeiros autores a pensar sistematicamente as relações entre Cinema e História e um dos primeiros (senão o primeiro) a chegar ao Brasil com essa análise inovadora. Traz estudos de clássicos do cinema mundial como O judeu Süss, O terceiro homem A Grande Ilusão e Encouraçado Potemkin, além de instigantes capítulos, como o que discute as modificações que o diretor Carol Reed fez no roteiro original de Graham Greene para O terceiro homem que se acresceram às de Orson Welles, um dos atores do filme, além do mais conhecido e discutido texto do autor, O Filme: uma contra-análise da sociedade?, republicado  na última parte desta obra. 


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