Fichamento apresentado à disciplina de Seminário de Pesquisa em História e historiografia da educação I



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A REVOLUÇÃO FRANCESA DA HISTORIOGRAFIA: A Escola dos Annales (1929-1989) – A Era Braudel

Fichamento apresentado à disciplina

de Seminário de Pesquisa em História e historiografia da educação I

Profª Dr ª Liane Maria Bertucci




CURITIBA

abril/2008


Referência


BURKE, Peter. A era de Braudel. In: _____. A escola dos Annales (1929-1989): A revolução francesa da historiografia. 2.ed. São Paulo: Ed. Unesp, 1992. p. 45-67,70-71, 75-78.

www.braudel.org.br

Fernand Braudel (1902-1985), historiador econômico francês, apresenta o poder dos mercados no desenvolvimento da civilização. Foi um dos jovens estudiosos franceses que vieram ao Brasil em 1935 para ajudar a fundar a Universidade de São Paulo.

O que Braudel procurava assim como os Annales,  era uma história sem fronteiras. Apesar da recusa estruturalista da história por parte de alguns antropólogos, foram montadas relações entre as ciências sociais e a história, que se tornaram profundas e proveitosas para todas as áreas, ampliando assim, as possibilidades de interpretação nos estudos das humanidades. Participou da 2ª Era dos Annales.


A ERA BRAUDEL


I O MEDITERRÂNEO

Na criação dos Annales em 1929, Braudel tinha apenas 27 anos. Estudou história na Sorbonne e lecionou história na Argélia (1923-1932) onde trabalhava numa tese, ambiciosa, sobre Felipe II e o Mediterrâneo, com uma análise política externa do soberano.

Seu primeiro artigo importante foi sobre a presença dos espanhóis no Norte da África, no séc. XVI. Era ao mesmo tempo crítica a seus predecessores pela ênfase atribuída aos grandes homens e as batalhas, uma discussão sobre a “vida diária” das guarnições espanholas e também demonstra a estreita relação, embora invertida, entre a história africana e européia.

A maior parte da pesquisa foi feita no início dos anos 30 em Simancas, onde documentos oficiais espanhóis estavam guardados, e nos arquivos principais das cidades cristãs do Mediterrâneo, onde Braudel poupou tempo filmando (1972) com câmara cinematográfica americana.

Sua pesquisa foi interrompida quando foi contratado para lecionar na universidade de São Paulo (1935-1937), período segundo ele, muito feliz. No retorno de sua vinda ao Brasil que Conheceu Lucien Febvre, que o adotou como um filho intelectual e persuaidiu-o sobre o título de sua tese que deveria ser “O Mediterrâneo e Felipe II”.

Foi durante o tempo que esteve preso num campo perto de Lübeck, na Segunda Guerra Mundial, que Braudel teve oportunidade de escrever sua tese, defendida em 1947 e publicada em 1949. Rascunhava O Mediterrâneo em cadernos e enviava para Febvre.

O mediterrâneo é um livro de grandes dimensões, seis vezes o tamanho normal de um livro. Divido em três partes, no prefácio esclarece: exemplifica uma abordagem diferente do passado. Primeiramente há a história “quase sem tempo” da relação entre o “Homem” e o ambiente; surge, gradativamente, a história mutante da estrutura econômica, social e política e finalmente a historia dos acontecimentos.

Braudel oferece aos seus leitores um trabalho altamente profissional de história política e militar. Sua narrativa de eventos está longe de ser uma história tradicional, freqüentemente desvia-se de seu caminho para enfatizar a insignificância dos eventos e as limitações impostas à liberdade de ação dos indivíduos.

A preocupação de Braudel é situar indivíduos e eventos num contexto, em seu seio, mas os torna inteligíveis ao preço de revelar sua fundamental desimportância. Sugere que a história dos eventos, embora rica em interesse humano é também a mais superficial. Chama a atenção de que: “Para aprender história é necessário saber mergulhar sobre as ondas”.

A segunda parte de O Mediterrâneo, traz sua preocupação com a história das estruturas, sistemas econômicos, estados, sociedades, civilizações e formas mutantes da guerra. Esta história se movimenta em ritmos mais lentos que os eventos. Braudel afirma que o curso da história é alternadamente favorável e desfavorável à formação de vastas hegemonias políticas.

Para Braudel, abaixo das correntes sociais jaz uma outra história, uma história quase imóvel, uma história lenta a desenvolver-se e a transformar-se, feita freqüentemente de retornos insistentes de”ciclos sem fim recomeçados”. Também afirma que a verdadeira matéria de estudo é a história do homem em relação ao seu meio, uma espécie de geografia histórica ou geo-história.

A geo-história é o objeto da primeira parte do Mediterrâneo. Tem como objetivo demonstrar que todas as características geográficas têm a sua história, são partes da história e que tanto a história dos acontecimentos quanto a das tendências gerais não podem ser compreendidas sem ela.

O livro o Mediterrâneo engloba diversas tradições: a dos Annales; à escola geográfica francesa de Vidal de la Blanche e o alemão Friedrich Ratzel (atacado por Febvre); A Lucien Febvre, Henri Pirenne e a Marcel Muss.

Críticas e avaliações do Mediterrâneo de Braudel:

A tese sobre a falência da burguesia não satisfez os historiadores dos Países baixos;

A tese sobre a relativa insignificância da batalha de Lepanto foi modificada, senão rejeitada em obras recentes;

Não conseguiu alcançar a construção de uma história total. Tinha inspiração de atingir a “história total”, porém pouco tinha a dizer sobre atitudes, valores, ou mentalidades coletivas, no que diferia de Febvre;

Embora tivesse interesse sobre as fronteira culturais nada revelou sobre as relações entre o cristianismo e o muçulmanismo no período pesquisado.

Deu resposta poética a um problema histórico do passado (critica de um americano);

Insinuação de que o livro falha por não se propor um problema;

Crítica a organização tripartite do livro e ao determinismo de Braudel oposto ao voluntarismo de Febvre. È justo acrescentar que o determinismo braudeliano não é simplista, prova-o sua insistência na necessidade de explicações pluralistas;

Fez uma história sem homens, acusação exagerada devido a visão olímpica bruadeliana nos assuntos humanos em grande espaços e longos períodos, é uma tendência a apequenar os seres humanos, trata-0s como “insetos humanos”;

Embora admita que sua geo-história não seja totalmente imóvel, não consegue mostrá-la em movimento.


Os aspectos positivos de sua obra e pesquisa ultrapassam as críticas que lhe foram feitas.

Braudel contribuiu mais do que qualquer outro historiador deste século para transformar nossas noções de tempo e espaço;

O Mediterrâneo, como poucos livros anteriores, torna seus leitores conscientes da importância do espaço na história. Por fazer do mar o herói e pela importante constante repetição da importância da distância e da comunicação;

Consegue dividir o tempo histórico em tempo geográfico, social e individual;

A ênfase no tempo geográfico alertou muitos historiadores;

Combina um estudo na longa duração com o de uma complexa interação entre o meio, a economia, a sociedade, a política, a cultura e os acontecimentos;

Para Braudel, a contribuição do historiador às ciências sociais é a consciência de que todas as estruturas estão sujeitas a mudanças, mesmo que lentas. Era impaciente com fronteiras. Desejava ver as coisas na sua inteireza, ou seja, integrar o econômico, o social, o político e o cultural na “história total”.
II O BRAUDEL DAS ÚLTIMAS OBRAS

De 1956 até 1985 (ano de sua morte), Braudel foi o mais importante historiador francês como o mais poderoso. Tornou-se professor no Collège de France, foi diretor do Centro de Recherches Historiques, na École de Hautes Ètudes. Enorme importância dava a história econômica.

Com a morte de Febvre em 1956, foi seu sucessor, tornando-se o diretor efetivo dos Annales. Recrutou jovens historiadores com Le Goff, Emmanuel Le Roy Ladurie, Marc Ferro, com a finalidade de renovar os Annales, a pele, como dizia. Também sucedeu Febvre como presidente da IV Seção da Ècole. Em 1963, criou uma nova entidade dedicada a pesquisa interdisiplinar, a Maison dês Sciences de l’Homme. Onde passou a conviver mais com antropólogos e sociólogos. Manteve sua influência social e intelectual, inclusive sobre gerações de estudantes e pesquisadores, mesmo após sua aposentadoria.

Mesmo após sua grande pesquisa ao invés de se acomodar, continua trabalhando acirradamente, e aceita participar com Febvre de outro grande projeto: A história da Europa. Febvre se responsabilizaria pelo pensamento e crença e Braudel ficaria com história da vida material.

Sua preocupação nos três volumes está centrada nas categorias econômicas do consumo e distribuição e produção. Mas ele caracteriza-as de maneira diferente. História econômica, civilização material, vida econômica calculada, articulada, emergindo como um sistema de regras e necessidades quase naturais. Para não dizer superestrutura, fala em “mecanismo capitalista” (mais sofisticado de todos).

Trata da história quase imóvel. Enquanto seus discípulos estudavam as tendências populacionais ao nível das províncias, ou, as vilas, Braudel se caracterizava, tentando apreender o todo.

Com relação ao espaço, subverte as fronteira tradicionais da história econômica, observa a vida diária, o povo e as coisas, coisas que a humanidade produz e consome, alimentos, vestuários, habitação, ferramentas, moedas, cidades, ... Dois conceitos despontam fortalecidos: vida diária e civilização material. Introduz a vida cotidiana no domínio da história (não foi o primeiro).

Síntese entre o que pode ser denominado de a pequena história, do dia a dia e a história das grandes tendências socioeconômicas da época. Era forte a sua concepção de civilização material, pois pouco se preocupa com a história das mentalidades. Faltava-lhe o domínio do simbólico.

Sempre manteve um fino equilíbrio entre o abstrato e o concreto, o geral e o particular. Sempre teve um bom olho para os detalhes vivos. Tinha um dom especial em se apropriar das idéias de outras disciplinas e converte-las em próprias.

Defendia a idéia de que uma economia de mercado coexistia com uma economia sem mercado no início do mundo moderno. Oferece explicações ao mesmo tempo estruturais e multilaterais. Recusava-se a explicações em termos individuais, sempre se opôs a explicações baseadas num único fator.

Procurava certa distância das concepções marxistas e weberianas, se dizia alérgico a elas. Decide ser um historiador econômico. Habilidade de inversão coloca o problema às avessas. Não se interessava em reconhecer a autonomia da cultura. Oferece explicação geográfica muito reducionista.

A trilogia de braudel supera em muito seus defeitos, os tre volumes juntos constroem uma magnífica síntese da economia num sentido amplo. Tenaz em levar adiante dois projetos de mais de cinqüenta anos, sem esmorecer. Esteve alheio a dois movimentos ocorridos no interior da Annales, na sua época, a história quantitativa e a história das mentalidades.


III O NASCIMENTO DA HISTÓRIA QUANTITATIVA

Mesmo com toda a contribuição de Braudel o desenvolvimento da escola dos Annales não pode ser explicado apenas por suas idéias, interesses e influências. A revolução quantitativa, mesmo sem o interesse de Braudel, foi sentida no campo econômico, particularmente na história dos preços e depois se lança a história social, populacional.

Ernest Labrousse: foi extremamente influente na historiografia por mais de cinqüenta anos. Tinha grande influência sobre os historiadores mais jovens. Ocupou lugar central na Annales. Marginal do grupo, era marxista.

A história da população foi uma das conquistas da abordagem quantitativa, depois a história dos preços. Como Labrousse, Meuvret foi um historiador de grande importância pata o Annales, nos anos 40 e 50, com pequena produção, mas seu monumento é o trabalho realizado por seus discípulos.

Goubert traz a importância da história regional e serial. A justaposição feita entre movimentos de preços e a população mostram as conseqüências humanas de uma modificação econômica. Seu estudo é considerado uma contribuição à história social.

Emmanuel Le Roy Ladurie, engaja-se na aventura da história total, num período de mais de duzentos anos. Tornou-se o mais brilhante discípulo de Braudel, semelhante nos aspectos de poder imaginativo, ampla curiosidade, abordagem multidisciplinar, na preocupação com a longa duração e numa certa ambivalência em relação ao marxismo. Apresenta também grande interesse pelo meio físico, o que o levou a um estudo comparativo da história do clima na longa duração. Abandonou a tradicional organização dos estudos regionais em seções sobre estruturas e conjunturas, dividindo seu livro em três fases denominadas “um grande ciclo agrário”, movimento de fluxo e refluxo, de ascensão e queda. Fazia uso abundante dos métodos quantitativos.



Críticas a Le Roy sobre tratar as crises convulsivas dos profetas de Cevenas como patológicas e não como uma linguagem corporal. Também por confundir renda com lucro.

Lês Paysons de Languedoc, rompe em muitos aspectos com a tradição, adota uma forma de organização cronológica no lugar de uma divisão em estrutura e conjuntura. Para escrever a história da perspectiva das classes subalternas, fundamenta-se na evidência das revoltas. Impôs admiração por sua vitoriosa e incomum combinação da história quantitativa e econômica com uma história política, religiosa e psicológica. Foi o primeiro a notar as insuficiências do paradigma braudeliano e a trabalhar para modificá-los.
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