Figuras do sistema preventivo próximas a dom bosco



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CAPÍTULO 5
FIGURAS DO SISTEMA PREVENTIVO PRÓXIMAS A DOM BOSCO.
Dom Bosco não está sozinho na história do oitocentos. O sistema preventivo que pratica, do qual fala, e finalmente sobre o qual escreve, se origina num contexto, no qual semelhantes orientações são seguidas, codificadas e propostas também por outros. Trata-se de educadores e de educadoras, muitas vezes próximos geograficamente, que em alguns casos, influenciaram, ou poderiam ter influenciado nele, seja porque pôde ler alguns escritos seus ou deles teve alguma notícia. Sobretudo são homens e instituições que condividem com ele as ansiedades com relação à juventude em tempos novos e difíceis, e empreendem tipos semelhantes de iniciativas em favor dela com mentalidades e linguagens que revelam fortes convergências, em direção ao estilo educativo, que se pode legitimamente definir preventivo.

Ter-se-ão ainda presentes instituições que, ainda que antigas, Dom Bosco as viu operando no seu tempo, e com as quais teve contato. É o caso dos lassalistas e dos barnabitas.


1. OS IRMÃOS CAVANIS

Nos primeiros decênios do século, trabalham em Veneza (de 1797 a 1866 pertencente ao Reino Lombardo-Veneto, confiado aos Absburgos de Viena), dois irmãos sacerdotes da nobreza veneziana: Antonio Ângelo (1772 – 1858) e Marco Antônio (1774 – 1853) Cavanis1 Eles dão vida a uma Congregação Mariana (1802) que se desenvolve no “Oratório” e nas “Escolas de caridade”, para jovens pobres e abondonados (a primeira em 1804), com um primeiro grupo em Possagno (Treviso) e em Lendinara (Rovigo). Para garantir a sua continuidade, fundam a Congregação dos Clérigos Seculares de Caridade, aprovada pelo patriarca de Veneza em 1919 e por Gregório XVI em 1836, erigida em 16 de julho de 1838.As Escolas de Caridade oferecem instrução gratúita elementar e média, formação religiosa, assistência de atividades de lazer, “prevenção” contra perigos físicos e morais. A paterna familiaridade pode considerar-se um núcleo do método educativo caracterizado pela assídua vigilância, “contínua, amorosa vigilância”, “amorosa disciplina”, em função da realização de uma síntese vital de vida educativa e de valores religiosos e humanos. Ali se harmonizam algumas prescrições fundamentais das “constituições” da sociedade religiosa, que atingem uma autêntica espiritualidade educativa.



O instituto “abraça com amor paterno crianças e adolescentes, educam gratuitamente, defende-os do contágio do mundo, e não poupa sacrifícios e fadigas para compensar por quanto possível, as danosas e quase universais deficiências da educação domestica.” 2 “Os professores se propõem a desenvolver seu trabalho entre as crianças, não tanto como mestres mas como pais; não ensinem nada que não seja temperado com o sal da piedade; procurem impregná-los de costumes cristãos, preservem-nos com paterna vigilância do contágio do mundo, sejam solícitos em atraí-los com um grande amor através dos oratórios, das reuniões espirituais, dos catecismos cotidianos, das escolas, e também de jogos inocentes”.3
O próprio Dom Bosco, muitas vezes, afirma ter utilizado as constituições dos Cavanis ao redigir as da Sociedade Salesiana.
Na redação de cada um dos capítulos e artigos, em muitas coisas segui outras sociedades já aprovadas pela Igreja, que têm a mesma finalidade. Por exemplo, as regras do instituto Cavanis de Veneza; do Instituto de Caridade; dos Somaschi e dos Oblatos de Maria. 4 E quanto ao constitutivo das regras consultei, no que foi necessário, e às vezes segui os estatutos da obra Cavanis de Veneza, as Constituições dos Rosminianos e os estatutos dos Oblatos de Maria, todas corporações e sociedades religiosas aprovadas pela Santa Sé”.5
2. Ludovico Pavoni
Um grande significado para o desenvolvimento das obras e das idéias “ preventivas”, assumem a ação, as instituições e os escritos 6 do bresciano Ludovico Pavoni (1784-1849)7 com analogias em vários níveis com aquela que será, várias décadas depois, a experiência de Dom Bosco 8. De fato, com a “congregação festiva” o oratório e a formação profissional artesanal, Pavoni antecipa de várias décadas as iniciativas de D.Bosco, com notáveis repercussões e grande amplitude 9. D., Bosco poderia também ter tido em mãos alguns regulamentos redigidos pelo educador bresciano. Sobre a tipografia de Pavoni chamava a sua atenção, sugerindo-lhe uma iniciativa análoga, o próprio Rosmini em uma carta de dezembro de 1853 10.

Ludovico Pavoni observa: “ A próvida Brescia não tinha desde então deixado de erguer para a sua juventude, congregações e oratório, onde se pudesse receber a educação cristã. Só uma classe de meninos restava, por sinal, a mais necessitada de tão benéficas instituições mal ousava por os pés nas já fundadas uniões de jovens cultos e civilizados”11.

Tinha início assim a congregação – Oratório São Luiz (1812). Em 1819, uma vez assumido a reitoria da Igreja de S.Barnabé, ele criava ali um oratório. Depois, em 1821, um internato para jovens artesãos órfãos ou abandonados12. Em 1840 abria perto dele uma secção de garotos surdo-mudos. Enfim, em 1843, para garantir as diversas iniciativas educativas, reunia na Congregação dos Filhos de Maria Imaculada os colaboradores sacerdotes e leigos (Coadjutores Mestres de Arte), encorajada com o decretum laudis em 1843 e aprovada canonicamente em 1847.

O novo Instituto religioso tinha como finalidade prover “à educação daquela ínfima classe, que se não for cuidada, gera a plebe iníqua que será sempre uma verdadeira calamidade tanto política quanto moral”, isto é, daqueles “meninos pobres”, os quais “se vêm obrigados, por força de sua condição, a abandonar a escola e a cuidadosa vigilância de sábios educadores para dedicar-se às artes”13.

O Internato em particular devia ser “Escola de bom costume para a inexperiente juventude abandonada”, “para torná-la útil à Igreja e à Sociedade”14. A “Sagrada Família de Religiosos” educadores pretendia ocupar-se “incansavelmente ao bem estar da juventude abandonada, trabalhando com afinco para educá-la cristãmente na religião e nas artes”15 . É repetidamente acentuada a integralidade do fim, pessoal e social, temporal e eterno, para jovens que necessitam de tudo: “Educar na religião e nas artes aqueles pobre órfãos ou filhos abandonados que, crescendo na miséria e na libertinagem, se tornam o opróbrio do cristianismo e o lixo da sociedade”. Finalidade da atividade do instituto é portanto, “influenciar o máximo que pudermos na reforma deste depravado século, restituindo à Igreja ótimos cristãos, e ao Estado bons artistas e súditos virtuosos e fiéis” 16. A fórmula “bom cristão e honesto cidadão” (“súdito” em regime de absolutismo) era muito atual no contexto social e político do império dos absburgos, no qual trabalhava Pavoni.

Seja glória para vocês o sacrifício e talentos e trabalhos, para restituir à Igreja, à Pátria, ao Estado filhos dóceis, súditos fiéis e cidadãos úteis”17



O Reitor “será todo mente e coração no cuidado para que os jovens internos sejam bem instruídos e solidamente educados na Religião e na civilidade, a fim de que se tornem ótimos cristãos, bons pais de família, súditos fiéis, preciosos para a religião e úteis à sociedade”18

Para “o êxito feliz da educação religiosa e civil” dos jovens, são adotados os métodos e os meios próprios da pedagogia preventiva: religião e razão, amor e doçura, vigilância e assistência dentro de uma estrutura familiar, empenhada em intenso compromisso de trabalho.

À estrutura deve adaptar-se o estilo de vida e de ação de cada educador, segundo as responsabilidades de cada um: o prefeito da congregação, o inspetor dos cantores, o regulador, os mestres de arte.

O prefeito da congregação dos jovens é convidado a lembrar que “o zelo não deve, de modo nenhum, alterar o exercício da humildade, caridade e doçura, que devem ser suas virtudes especiais. Havendo, por isso, necessidade de admoestar algum jovem sobre um defeito qualquer, isto seja feito de modo amável e suave; se for preciso uma intervenção mais dura, o Diretor deve ser avisado antes”19

Para os cantores, jovens de elite, o seu inspetor terá sempre presente que cumpre um “dever de grande cautela, vigilância e delicadeza”; será “portanto sua primeira preocupação, convence-los com a persuasão e com a doçura ao exato cumprimento de seus deveres, usando para tal fim, o meio mais eficaz, que é o bom exemplo”20

O regulador é o educador que Dom Bosco chama de conselheiro, constantemente presente entre os jovens. Por isso, “o primeiro dever do Regulador é de vigiar incansavelmente tanto no Oratório como fora os jovens a ele confiados, procurando manter relação com seus respectivos pais, ou patrões afim de informa-los sobre sua freqüência, de suas faltas, e informar-se de sua conduta. Devem docilmente anima-los à freqüência dos sacramentos. Corrigi-los-ão amavelmente de seus defeitos e procuraram instilar em seus corações, com palavras e com o exemplo, o amor à piedade,e a fuga do vicio”21.

Particularmente ricas de motivações pedagógicas são as “regras” dos Mestres de Arte, em grande parte espalhadas no texto das Constituições. Eles “devem cuidar para que os jovens a eles confiados cumpram com assiduidade as próprias obrigações, e assisti-los com caridade, para que cresçam no conhecimento da arte que estão praticando, conforme seu talento e sua capacidade”22. Uma súmula pedagógica é oferecida a eles pelas Constituições, no capítulo a eles reservado 23. Dom Bosco teria podido assumi-las sem a mínima reserva.

“257. Guardarão os jovens a eles confiados como a um deposito precioso e santo, e os amaram como a pupila do próprio olho. Usaram com eles tratamento civilizado e respeitoso; Não desprezarão a nenhum deles, nem com os modos, nem com as palavras; far-se-ão salutarmente temer e respeitosamente amar.

258. Torná-los-ão amigos do trabalho e os habituarão a trabalhar mais por amor que por temor. Não deverão ceder nunca às suas impensadas pretensões, nem deixarão crescer neles seus caprichos. Não exijam demais, mas não se mostrem fracos.

259. Estudarão bem o caráter e a força de seus alunos para conduzi-los numa boa direção; nem todos querem ser guiados do mesmo modo; não devem pretender de todos igualmente, mas segundo as suas capacidades e os dons que receberam de Deus.

260. Deverão tratar os seus alunos com muita educação e doçura, procuram instilar neles docilidade, respeito e confiança nos Superiores, não os deixaram nunca sozinhos nas salas e nas oficinas; se por acaso precisarem se ausentar por qualquer motivo, deve haver sempre alguém que fique com eles; não devem permitir grupinhos e conversas secretas, principalmente em externos e internos; ai daqueles Mestres que descuidassem disso!”24

A vigilância é o objeto de numerosas prescrições, particularmente para os prefeitos de vigilância25.

O vice-reitor “não andara junto com os internos com muita boa fé, mas procederá com muita sagacidade e refinada prudência. As recreações irão exigir dele especial atenção: não deverá nunca deixar os filhos sem a sua presença, deixando porém a eles certa liberdade, na qual mas facilmente se mostram o que são de verdade; assim poderá sorrateiramente descobrir seu caráter e suas inclinações, e conseguir um modo fácil de dobra-los e maneja-los com seguro sucesso. Veja tudo, despiste e corrija prudentemente; castigue pouco, mas os castigos sejam salutares e eficazes. Vá bem devagar nas punições daqueles defeitos que são próprios da vivacidade juvenil, da leviandade ou inconstância; mas seja inexorável em punir aqueles que são frutos de má vontade e são mantidos pela obstinação do coração”26.

O Diretor Espiritual “nas instruções procurará apresentar sempre os deveres de Religião como um jugo suave, e um peso leve, que, uma vez experimentado se torna fácil e consolador”27. Nos internatos “ se deverá ter cuidado especial em formar bem o coração o coração dos jovens, em instruí-los retamente segundo a fé e a religião, e em incutir neles aquela piedade verdadeira que honra a Deus, santifica as almas, edifica o próximo, faz feliz as famílias; em uma piedade, sólida, robusta, desenvolta, bem entendida, que visa à exata observância dos próprios deveres”28. É o primeiro foco daquela elipse educativa que prevê no outro a possibilidade de “torna-los industriosos e capazes de ganhar o sustento próprio para viver honestamente na sociedade”29.

Razão e amor inspiram também o Método de correção: “Antes de recorrer ao sistema da severidade, com o qual os jovens são induzidos a fazer as cisas mais por temor e hipocrisia do que por amor, é melhor usar o método da emulação e da honra, com o qual, se não houver abuso, se consegue tudo do coração sensível da juventude"30.

3. Marcelino Champagnat (1789-1840) e os Irmãos Maristas



Marcelino Champagnat, sacerdote em 1816, fundou, em 1817, em La Valla (Loire, França), a Sociedade religiosa dos Pequenos Irmãos de Maria ou Irmãos Maristas, reconhecida canonicamente em 1824, aprovada pela Santa Sé em 186331. Ele é uma das figuras mais representativas da ação de recuperação e prevenção positiva, promovida na França por dezenas de Congregações docentes, sobretudo na escola primária32. O objetivo comum foi, com efeito, “assegurar o futuro nas jovens gerações, principais vítimas da França revolucionária, e imunizá-la contra o espírito desagregador do século XVIII, dando às crianças uma educação claramente religiosa” . “As crianças são o viveiro da Igreja; graças a eles ela se renova, conservando a fé e a piedade”34.

O fim da nova Sociedade, nascida em ambiente rural, é definido nesta promessa: “ Nós nos empenhamos a instruir gratuitamente todas as crianças indigentes que nos for apresentada pelo pároco, e a ensinar a eles e a todos os outros meninos que nos forem confiados, o catecismo, a oração, a leitura, a escrita e as outras partes do ensino primário, segundo as necessidades” 35.

O primado é dado à educação cristã e ao catecismo que, porém, abrangerá em síntese, a formação humana e cultural nos seus vários elementos. A primeira impostação didática se inspira largamente no método dos Irmãos das Escolas Cristãs e das “pequenas escolas”; na catequese se notam as influências do método de São Sulpício. Mas a orientação pedagógica em seu conjunto, acabará por adquirir características próprias, que a inserem no âmago da pedagogia cristã preventiva do século XIX: a busca da “salvação das almas” como fim último; a instrução religiosa como meio para tirar do vício e formar o coração, a consciência, a vontade; a devoção Mariana: os irmãos se propõem como exemplo a Virgem Maria que educa e serve o Menino Jesus; o método do amor também na disciplina, cuja finalidade “não é frear os alunos com a força e com o temor dos castigos, mas preservá-los do mal, corrigi-los de seus defeitos e formar-lhes a vontade”; os educadores são pais e não patrões; o espírito de família, com “sentimentos de respeito, de amor, de confiança recíproca e não de temor” 36.

“Com a sua terna caridade para com os alunos, com a paciência em suportar suas faltas, com o zelo em formar neles a virtude e conhecimentos úteis, com a vigilância solícita em afastar deles tudo o que pode prejudicá-los, com a incessante consagração aos seus interesses materiais e temporais, o Irmão é um perfeito modelo para pais e mães, é uma permanente lição que lhes mostra aquilo que devem fazer e ser para educar cristãmente os filhos” 37.

“Ele faz o bem a todos: aos meninos que educa e melhora mediante a instrução, instrução cristã, às famílias que supre, às paróquias que edifica, conserva e torna melhores, ao País inteiro, para quem prepara cidadãos virtuosos, à Igreja, ajudando os pastores a instruir a parte mais interessante de sua grei, formando incansavelmente para ela novas gerações de cristãos instruídos, convictos e fiéis. Ele se consagra inteiramente ao serviço da religião, ao serviço da pátria, e dá energias e vida para promover a glória de Deus e a santificação do próximo” 38.

Inspiradas em singular sabedoria são as lembranças dadas ao diretor da comunidade dos religiosos educadores, sem dúvida próximas das características do governo “eficazmente doce” proposto pelo P. Binet39. “Qualidades” amplamente ilustradas são: critério e racionalidade, piedade, observância, santidade ou sólida virtude, boa índole, caridade, humildade, doçura, firmeza e constância, vigilância, habilidade em corrigir40.

Não menos lúcida e orgânica é a proposta pedagógica feita aos Irmãos nas suas “lições” e “instruções”, partindo do conceito, dos fins e da necessidade da educação: a catequese, o respeito ao menino, a disciplina, a personalidade do professor-educador. É uma visão sistemática que não tem nada a invejar da experiência vivida e refletida por Dom Bosco educador41.

A educação deve atingir todas as dimensões da vida do aluno: iluminar a inteligência, também através da correção dos desvios e dos preconceitos; plasmar o coração; formar a consciência; criar o hábito da piedade; suscitar amor à religião e à virtude, formar a i vontade, o juízo, o caráter, inspirar amor ao trabalho; fornecer os conhecimentos necessários; conservar e desenvolver as forças físicas; dar ao garoto os meios de desenvolver seu ser42.

Segundo os cânones da pedagogia corrente, se insiste na necessidade e decisividade da educação para a vida. Método, brevidade, clareza, são recomendados particularmente para o ensino do catecismo43.

Sugestivas são as páginas dedicadas à celebração do menino, ser de ilimitadas possibilidades e de profundas esperança, digno do mais delicado e religioso respeito “Obra prima das mãos divinas”, “rei do universo”, “filho de Deus”, “nosso irmão” 44

Conceitos genuinamente preventivos seguem nos dois capítulos dedicados à disciplina, preventiva e formativa, baseada na autoridade paterna e moral; e à vigilância,”contínua, ativa, universal”45

Daí segue um altíssimo conceito do professor – educador. O seu dever é “um ensinamento, uma paternidade, um apostolado”, como escreverá mais tarde também Dupanloup. ”O magistrado civil julga e condena, puni, muitas vezes, sem corrigir”; O professor-educador previne, ensina, corrige: “é um pai, livre e desinteressado”, participante de algum modo da paternidade espiritual divina; “é um apóstolo, quase sacerdote”, oni presente na vida do menino, que se sente “tocado no íntimo do espírito e do coração: a repreensão ou o louvor, a vergonha ou a honra, o prazer de aprender, o trabalho, o êxito positivo”46.

4. Teresa Eustoquio Verzeri e as Filhas do Sagrado Coração



É também importante a contribuição teórica de uma mulher de aguda inteligência, a nobre bergamasca Teresa Eustóquio Verzeri, que, em 1831, dá início à Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, consagrada à instrução e à educação das meninas de todas as classes sociais, aprovada canonicamente em 1847. Ela deixou uma bela série de escritos, frutos da respeitável formação cultural recebida em família, nos anos em que permaneceu no convento ( aos 16 anos, depois, de 1821 a 1823, e de 1828 a 1831), e graças a intensas leituras pessoais. Nela é sensível a influência de Santo Inácio de Loyola, de Santa Teresa de Ávila e de São Francisco de Sales. Além disso, Teresa Verzeri conhece o clássico livro de Estêvão Binet, Qual é o melhor governo: o rigoroso ou o suave?47.

Fundamental para a compreensão de suas orientações espirituais e educativas, é a vasta obra em cinco partes Sobre os deveres das Filhas do Sagrado Coração e sobre o espírito da sua instrução religiosa; e particularmente o capítulo Cuidado das meninas e o modo de educá-las48. Da sua experiência foram, com justiça, postas em evidência, a refinada espiritualidade pedagógica e a explícita impostação “preventiva” 49. Duas afirmações capitais definem o seu significado, ao mesmo tempo protetor, dispositivo e construtivo.

Cultivem e preservem muito e com muito cuidado a mente e o coração de suas jovens, enquanto são ainda inocentes, para impedir, enquanto for possível, que o mal entre nelas, visto que é melhor preservá-las com a admoestação do que livrá-las depois com a correção. Afastem as meninas de tudo aquilo que pudesse corromper-lhes, por pouco que fosse, a mente, o coração e seus bons costumes. Cuidem disso com alegria e com eficácia, usando, porém uma sábia prudência, porque é delicado, sobretudo em se tratando de jovens para as quais o conhecimento do mal poderia induzi-las a facilmente praticá-lo. A reserva e a circunspecção seja extrema neste assunto. E não devem nunca ter medo de ser ultrapassada”50



Ao redor destes princípios de método se condensam significativas características do “sistema”. O primado é da dimensão religiosa. “na guia e no cultivo das jovens, usem de extrema discreção. Mantenham firme o objetivo de educá-las na virtude e de conduzi-las a Deus: e na escolha dos meios para conseguir isto, adaptem-se ao temperamento, à índole, às inclinações e às circunstâncias de cada uma. Algumas precisarão de um tratamento mais severo; outras, de mais delicadeza; esta, de mais rigidez; aquela, de mais doçura e atenção; algumas precisarão de maiores confidências”51. “Inspirem em suas jovens o santo temor de Deus e uma confiança filial nele. Se suas jovens tiverem temor de Deus, temerão também o pecado, que se opõe à santidade de Deus”52. “Surgiram a elas poucas praticas de piedade, mas muito solidas. Façam nascer no coração de suas jovens uma vigorosa devoção ao Satissimo Sacramento e tornem-nas amantes e confidentes de Maria Santíssima”53.



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