Filosofia medieval



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FILOSOFIA MEDIEVAL
Idéia Central: A fé cristã era o pressuposto fundamental de toda sabedoria humana. A filosofia, embora se distinguindo da teologia, é instrumento desta, é serva da teologia. A cultura greco-romana quase desaparece nos períodos mais turbulentos da implantação do modo feudal de produção; no entanto, permanece “latente”, guardada nos mosteiros. São os monges os únicos letrados em um mundo onde nem os servos nem os nobres sabem ler.
Santo Agostinho: (Patrística 354-430) a fé revela verdades ao homem de forma direta e intuitiva. Vem depois a razão esclarecendo aquilo que a fé já antecipou. Defendeu as idéias de que: “o mal é o afastamento de Deus”, somente o íntimo da alma, iluminada por Deus, pode atingir a verdade das coisas; a alma deve reinar sobre o corpo; nem todos os homens estão predestinados à salvação.

A teoria dos dois amores, de Santo Agostinho, é a “espinha dorsal” de sua obra De Civitate Dei e representa uma grande construção ética e estética, que repercurte como uma filosofia social e especificamente como uma filosofia da história e uma filosofia do direito.

O amor é também um valor social. Partindo da conceituação paulina de que “A lei natural é o reflexo em nós da luz de Deus” – “ratio inscripta” (Paulo, S. Epístola aos Romanos, III, v.21), o autor busca a coexistência humana em duas dimensões, motivada por dois tipos de amor: a “Civitas Humana” e a “Civitas Dei”, que não se confundem com o Estado e a Igreja respectivamente, uma vez que “Há filhos da igreja ocultos entre os ímpios” e “falsos cristãos dentro da igreja”.

A primeira, organização social humana, é marcada pelo egoísmo e pelo interesse, enquanto a segunda, pelo altruísmo, capaz de grandes gestos, que provocam “as lágrimas privilégios dos grandes enamorados”.

Procura explicitar: “Assim, dois amores fundaram duas cidades, a terrestre – a amor-próprio até o desprezo de Deus, e a celeste – o amor de deus até o desprezo de si mesmo” (Agostinho, Santo. De Cvitate Dei, XIX, 28).

MACEDO, Silvio de. Curso de filosofia social. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1982, p.51-53



Santo Tomás de Aquino: O pensamento aristotélico, que se tornou conhecido no Ocidente no século XIII em traduções do árabe, serviu de fundamento ao pensamento racionalista e ameaçou a concepção cristã da realidade, tradicionalmente apoiada no platonismo. A filosofia de Santo Tomás de Aquino compatibilizou o pensamento lógico e racional com a fé cristã. No Concílio de Trento, a doutrina tomista ocupou lugar de honra e, a partir do papa LeãoXIII, foi tomada como pensamento oficial da Igreja Católica.

Tomismo é a doutrina filosófico-cristã elaborada no século XIII pelo dominicano Tomás de Aquino, estudioso dos então polêmicos textos do filósofo grego Aristóteles, recém-chegados ao Ocidente. Tomás de Aquino dedicou-se ao esclarecimento das relações entre a verdade revelada e a filosofia, isto é, entre a fé e a razão. Segundo sua interpretação, tais conceitos não se chocam nem se confundem, mas são distintos e harmônicos. A teologia é a ciência suprema, fundada na revelação divina, e a filosofia, sua auxiliar. À filosofia cabe demonstrar a existência e a natureza de Deus, de acordo com a razão. Só pode haver conflito entre filosofia e teologia caso a primeira, num uso incorreto da razão, se proponha explicar o mistério do dogma religioso sem auxílio da fé. O pensamento de Tomás de Aquino foi alvo de muita polêmica e violentas críticas dos teólogos de seu tempo, que o consideravam "excessivamente filosófico". No entanto, o racionalismo da doutrina foi justamente o traço que fez com que ela promovesse a sobrevivência do cristianismo nos tempos em que o pensamento filosófico passou a ser o saber dominante. As grandes transformações contemporâneas de Tomás de Aquino - o surgimento do racionalismo, apoiado no pensamento aristotélico; o progresso tecnológico e a conseqüente transformação da estrutura social agrária em urbana; a nova organização comunitária, surgida nas cidades, vinculada à economia de mercado e às guildas de artesãos; a mudança de mentalidade, que levava as novas gerações a pretender controlar as forças naturais com o uso da razão -- devem ser levadas em conta para compreender as condições que propiciaram o surgimento do tomismo.

Doutrina tomista. Segundo a doutrina neoplatônica de santo Agostinho, que dominou o pensamento cristão nos primeiros 12 séculos da era cristã, a alma é superior ao corpo, pois pode transcender a realidade imediata, percebida pelos sentidos, e alcançar as verdades universais. Essa capacidade demonstra o caráter extra-humano da alma -- que não poderia originar-se no homem ou no mundo exterior, ambos imperfeitos -- e atesta a existência de Deus. O conhecimento é decorrente da iluminação divina e só pode ser adquirido pela interiorização contemplativa: o mundo sensorial é mera aparência. Tomás de Aquino, ao contrário, não partiu de Deus para explicar o mundo mas, sobre a experiência sensorial, empregou o conhecimento racional para demonstrar a existência do Criador. A partir da máxima aristotélica segundo a qual "nada está na inteligência sem antes ter estado nos sentidos", formulou as famosas "cinco vias", cinco argumentos que provariam a existência de Deus a partir dos efeitos por ele produzidos, e não da idéia -- no sentido platônico -- de Deus. Ao atribuir à matéria conceitos positivos, relacionados ao grau de perfeição inerente às criaturas divinas, o tomismo alterou o equilíbrio de forças entre corpo e alma, admitindo ambos como princípios igualmente necessários da natureza humana. O homem situa-se no universo entre os anjos e os animais. Os anjos seriam substâncias espirituais e puras, isentas de matéria. Nesse sentido, a alma humana também seria pura, ou seja, apesar de unida ao corpo, independeria da matéria enquanto ser.

Provas da existência de Deus. Os cinco argumentos que para Tomás de Aquino demonstram a existência de Deus são:

(1) O "primeiro motor imóvel": o movimento existe, é evidente aos nossos sentidos. Ora, tudo aquilo que se move é movido por outra força, ou motor. Não é lógico que haja um motor, outro e outro, e assim indefinidamente; há de haver uma origem primeira do fenômeno do movimento, um motor que move sem ser movido, que seria Deus.

(2) A "causa primeira": toda causa é efeito de outra, mas é necessário que haja uma primeira, causa não causada, que seria Deus.

(3) O "ser necessário": todos os seres são finitos e contingentes ("são e deixam de ser"). Se tudo fosse assim, todos os seres deixariam de ser e, em determinado momento, nada existiria. Isto é absurdo; logo, a existência dos seres contingentes implica o ser necessário, ou Deus.

(4) O "ser perfeitíssimo": os seres finitos realizam todos determinados graus de perfeição, mas nenhum é a perfeição absoluta; logo, há um ser sumamente perfeito, causa de todas as perfeições, que seria Deus.

(5) A "inteligência ordenadora": todos os seres tendem para uma finalidade, não em virtude do acaso, mas segundo uma inteligência que os dirige. Logo, há um ser inteligente que ordena a natureza e a encaminha para seu fim; esse ser inteligente seria Deus.



Aspectos gerais do tomismo. A originalidade do pensamento de Tomás de Aquino evidencia-se em sua concepção de existência, vista como ato supremo e como a perfeição de estar em Deus e, ao mesmo tempo, entre as coisas criadas; na atribuição do ato criativo unicamente a Deus; na negação da existência de matéria nos seres angelicais e, consequentemente, na distinção entre Deus e as criaturas, definidas como uma composição de existência e essência. Todas as criaturas teriam o amor a Deus como tendência natural.

Na visão de Tomás de Aquino, o teólogo aceita a autoridade e a fé como pontos de partida e procede então a conclusões mediante o uso da razão. O filósofo é aquele que se atém à razão. Pela primeira vez, a teologia foi expressamente definida dessa maneira, o que ocasionou um sem-número de oposições, algumas das quais perduram ainda, sobretudo entre religiosos para os quais a razão é sempre vista como intrusa em questões de fé.

Embora afirmasse ao mesmo tempo a crença num Deus criador e a ordem imanente da natureza, Tomás de Aquino não considerava o mundo como mera sombra do sobrenatural. Para ele, a natureza criada é regida por leis necessárias -- o que autoriza a construção de uma ciência racional -- e, descoberta em sua realidade profana, acabaria por revelar seu valor religioso e levar até Deus por conclusões lógicas. A afirmação de um valor religioso imanente ao mundo natural era um dos pontos que escandalizava os agostinianos, para quem a natureza, feita em pedaços pelo pecado, dependia do poder e da graça divina para se redimir.
Assim como Aristóteles, Tomás de Aquino sustentava que conhecer não é lembrar-se, como pretendia Platão, mas extrair, por meio de um intelecto agente, a forma universal que se acha contida nos objetos sensíveis e particulares. O conhecimento parte dos sentidos e chega ao inteligível pela abstração intelectual.

Segundo a concepção tomista de um processo contínuo de criação, a ordem do mundo manifesta a onipresente providência divina, da qual as criaturas são eternamente dependentes. Tal providência age de forma criativa e permite que cada criatura siga sua natureza intrínseca, o que se expressa no homem, ser racional, em sua forma máxima. Dependente da providência divina mas livre para seguir sua natureza, o homem, ao manter-se próximo a Deus, realiza mais plenamente sua liberdade, pois "afastar algo do estado de perfeição da criatura é afastá-lo da própria perfeição do poder criador". A graça sobrenatural eleva e torna perfeitas as habilidades naturais do ser.



Evolução do tomismo até o século XIX. O complexo e coerente corpo doutrinário tomista foi criticamente analisado e desenvolvido durante os séculos subseqüentes. A condenação de diversas teses tomistas pela Inquisição, em 1277, levou a uma febril produção, sobretudo pelos dominicanos durante o século XIII, de comentários "corretivos" à obra de Tomás de Aquino. A adoção oficial da doutrina tomista pela ordem dominicana, assim como a canonização de seu autor em 1323 e o destaque conferido à obra pelo Concílio de Trento, encorajaram um retorno aos textos originais. O francês Jean Capréolus, chamado o "príncipe dos tomistas", empreendeu os primeiros estudos sistemáticos da obra de santo Tomás de Aquino, trabalho que seria continuado, já no início do século XVI, pelo italiano Tomaso de Vio, ou cardeal Cajetano. No Renascimento, predominou a tendência a dar tratamento em separado a questões filosóficas e teológicas. A nova abordagem está presente na obra do dominicano português frei João de Santo Tomás, que publicou um Cursus philosophicus (Curso filosófico) e um Cursus theologicus (Curso teológico) segundo o ponto de vista tomista. Embora continuasse a merecer destaque entre os teólogos, o tomismo, assim como o pensamento cristão em geral, experimentou certo declínio durante o auge do racionalismo e do empirismo, representados por Descartes, Locke e Wolff.

As revoluções européias de 1848 tiveram influência preponderante, tanto junto à Santa Sé como à Sociedade de Jesus, para a recuperação de princípios ortodoxos quanto a Deus, o homem e a sociedade, o que trouxe novo apogeu aos textos de Santo Tomás de Aquino. A partir da encíclica Aeterni patris, publicada em 1879 pelo papa Leão XIII, que enfatizava a importância da ortodoxia com especial destaque para os textos de Santo Tomás de Aquino, o tomismo foi reconhecido como doutrina oficial da Igreja Católica.


Extraído da Internet em 1999

www.terravista.pt/meco/2673
ILUMINISMO

O Iluminismo foi um movimento cultural dos séculos XVII e XVIII que condenava o Antigo Regime. As suas idéias tinham por base o racionalismo, isto é, a primazia da razão humana como fonte do conhecimento. Os Iluministas sonhavam com um mundo perfeito, regido pelos princípios da razão, sem guerras e sem injustiças sociais, onde todos pudessem expressar livremente seu pensamento. Visto pelos intelectuais como um movimento que iluminava a capacidade humana de criticar e almejar um mundo melhor, transformou o século XVII no Século das Luzes. As raízes do Iluminismo estão no progresso científico advindo do Renascimento. Foi na França que viveram os maiores pensadores Iluministas.  



Características principais – O iluminismo é deísta, isto é, acredita na presença de Deus na natureza e no homem e no seu entendimento através da razão. É anticlerical, pois nega a necessidade de intermediação da Igreja entre o homem e Deus e prega a separação entre Igreja e Estado. Afirma que as relações sociais, como os fenômenos da natureza, são reguladas por leis naturais.

Visão do homem – Para os teóricos do Iluminismo o homem é naturalmente bom e todos nascem iguais. É corrompido pela sociedade, em conseqüência das injustiças, opressão e escravidão. A solução é transformar a sociedade, garantindo a todos a liberdade de expressão e culto e fornecendo mecanismos de defesa contra o arbítrio e a prepotência.

Organização da sociedade – Deve ser norteada pelo princípio da busca da felicidade. Cabe ao governo garantir os "direitos naturais": liberdade individual, direito de posse, tolerância, igualdade perante a lei. A doutrina do liberalismo político substitui a noção de poder divino pela concepção do Estado como criação do homem e entregue ao soberano mediante um contrato, o contrato social. Como a idéia de contrato implica sua revogabilidade, abre as portas para diversas formas de governo.

Formas de governo – Alguns iluministas, como Montesquieu e Voltaire, têm como modelo a monarquia inglesa. Outros, como Rousseau, preferem uma república com fundamentos éticos.

PRINCIPAIS ILUMINISTAS

René Descartes(1596-1650), autor do livro Discurso do Método, definia a dúvida como o primeiro passo para se chegar à verdade e ao conhecimento, considerando a verdade como algo que percebe claramente, sem idéias preconcebidas. Inaugurou um método de estudo na natureza a partir da razão, as idéias "claras e precisas", passando cuidadosamente para outras etapas de aprofundamento do conhecimento. Esse método, chamado cartesiano, tem por base sua frase: Penso, logo existo".

John Locke(1632-1704), filósofo inglês e autor do Segundo Tratado do Governo Civil e Ensaio Sobre o Entendimento Humano, foi contemporâneo da Revolução Gloriosa de 1688 na Inglaterra. Defendia principalmente a vida, a liberdade e a propriedade como direitos humanos naturais. Ensinava que os governos haviam surgido em função de uma contrato estabelecido entre os homens visando a preservação desses direitos. Assim, caso o governo não cumprisse essa sua razão de ser, a sociedade teria à rebelião, à substituição do Estado tirânico. Locke negava, dessa forma, o Absolutismo monárquico, fundando o liberalismo político.

Isaac Newton(1642-1727), identificou o princípio da gravidade universal e fundamentou seus estudos na idéia de que  o Universo é governado por leis físicas e não dependente de interferências de cunho divino. Igualmente a Descarte, para explicar os fenômenos naturais, substituiu a religião pela ciência e a revelação milagrosa pela observação e experimentação, consolidando o racionalismo.

Montesquieu(1689-1755), criticou os costumes de seu tempo e defendeu, como meio para garantir a  liberdade, a divisão do poder político em três partes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Em sua obra O espírito das leis, ele escreveu o seguinte: "É uma verdade eterna: qualquer pessoa que tenha o poder, tende a abusar dele. Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder". Foi a partir desse princípio que ele defendeu a divisão do poder nas três partes já citadas anteriormente.

Voltaire (1694-1778), defendia a liberdade de pensamento e de religião, bem como a igualdade perante a lei. Crítico dos privilégios de classe, Voltaire foi apelidado de o "filósofo burguês". Fez também críticas severas a Igreja Católica.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), foi o mais radical e o mais popular dos pensadores iluministas. Escreveu várias obras entre as quais se destacam o Discurso sobre a origem e os fundamentos das desigualdades entre os homens, O Emílio e O Contrato Social. Na primeira, critica a propriedade privada que é, segundo ele, a raiz das infelicidades  humanas; ela "arranca o homem de seu doce contato com a natureza", acabando com a igualdade. Em O Contrato Social, desenvolveu a concepção de que a vontade da maioria é, na verdade, a razão da soberania do Estado.

Diderot (1713-1784), e D'Alembert(1717-1783), organizaram e publicaram a Enciclopédia, onde foram reunidos todos os conhecimentos da época. Colaboraram nessa obra todos os principais pensadores do Iluminismo.  Proibida pelas autoridades, a Enciclopédia passou a circular clandestinamente.

Foram as idéias  dos Iluministas que preparam o caminho para a Revolução Americana e para a Revolução Francesa. Os Iluministas sonhavam, enfim, com um mundo onde houvesse colaboração entre os homens para alcançar a felicidade comum.


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