Fita 1 – Lado b identificação e apresentação das pessoas (continuação) Apresentação de André Urani iets fita 2 Lado A



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Workshop Brasil - Índia – Transcrição

As transcrições a seguir foram realizadas pelas jornalistas Cláudia Mohn e Michelle Lopes. Não refletem a íntegra das gravações, mas os principais momentos do Workshop.


Rio de Janeiro – 4 e 5 de maio de 2007

Fita 1 – Lado A

Identificação e apresentação das pessoas


Fita 1 – Lado B

Identificação e apresentação das pessoas (continuação)

Apresentação de André Urani - IETS


Fita 2 - Lado A

Apresentação de André Urani - IETS (continuação)

Apresentação de Larissa Barros - RTS

Larissa Barros - RTS

A idéia é que possamos pensar, com base em tudo o que foi visto aqui, e ampliando ainda mais para uma realidade que sabemos que encontramos no Brasil, uma realidade na qual a desigualdade é bastante grande. Mas que também já temos espalhado por todo o país muitas soluções para muitos dos grandes problemas desse país, que já foram desenvolvidas, aplicadas, e que estão em um movimento cada vez maior de se contribuir para diminuir, cada vez mais e em um ritmo mais acelerado, esse histórico de desigualdade do nosso país.


(Fala sobre o histórico da Rede)
Essa apresentação começa agora e vai até o final do dia, quando várias experiências que estão sendo desenvolvidas e reaplicadas e multiplicadas pelo país vão ser apresentadas também.
A partir dos dois anos de existência da RTS, o que se apresentou até agora como desafio, quais foram os grandes temas que surgiram nesses dois anos e que temos de dar esse passo de aprofundar e construir resposta para eles.
(Reafirmar o conceito de Tecnologia Social)
Metodologias também são consideradas TS na medida em que promovem transformação social. Elas são desenvolvidas em interação com a comunidade e podem ser reaplicadas. Eis outra palavra importante.
A reaplicação é diferente da replicação. A Tecnologia Social não é copiada tal qual foi desenvolvida. É reaplicada, ou seja, a partir do momento em que ela é multiplicada, é levada para outra comunidade que tenha características semelhantes. Ao mesmo tempo, é aberta, recriada, pois é parte de um processo.
A TS não acontece em si, por si. Não importa se uma tecnologia foi desenvolvida e está em uma prateleira. Não é dessa tecnologia que estamos falando. Estamos falando de TS desenvolvida em interação com a comunidade. Isso significa o reconhecimento do saber popular. Isso é solução para problemas existentes e tem de ser reconhecido como tal. Essa é uma de nossas grandes batalhas, no Brasil.
A TS é tecnologia e tem de passar a ser reconhecida como tal. Não apenas pelos governos, universidades e grandes empresas, mas por todos nós. É a própria comunidade saber e afirmar: “Eu produzo tecnologia”.

Conceito de Rede

É dinâmico, permanentemente pensado. Entendemos que não existe um modelo fechado de rede. Existem várias experiências de rede, no país. Cada uma tem um formato mais adequado ao seu trabalho. Temos resgatado alguns desses conceitos e apresentado e discutido amplamente.


Mais recentemente, tivemos conhecimento do conceito de Vivianne Amaral. (...)

A Rede

Hoje, se constitui em um espaço-referência. Nos damos conta, a partir de retornos, falas de pessoas, representantes de órgãos, empresas, sociedade civil. Falando, como é que vocês conseguem, com um espaço, reunir instituições tão distintas? E constituir, de fato, um diálogo e ações comuns? E isso está acontecendo. Não tínhamos noção de que isso é uma coisa nova importante no país.


Estivemos, recentemente, com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Presidente Lula. Em uma conversa informal, contamos pra ele da Rede, e ele perguntou se funciona. Afirmamos que sim. Existem já resultados, construções coletivas, fluxo de comunicação. As pessoas estão dispostas a falar e a ouvir. A partir daí, chegar a entendimentos, consensos. Tirar ações conjuntas.
Não significa que as pessoas estejam pensando exatamente igual, sem desentendimentos, sem diferenças. Sim, há. Mas existe uma predisposição dessas pessoas e organizações para construir algo diferente, novo, que faça diferença para o país, que promova o desenvolvimento local sustentável.

Conexão de saberes

Esse também é um movimento importante para a Rede, porque aproxima, sim, as universidades e institutos de pesquisas das experiências e da realidade do Brasil. É um movimento que está acontecendo, que não significa que é uma postura de ajudar, simplesmente. Claro que ajuda sim. É um investimento grande que se faz em C&T. Mas que precisa estar conectado com o Brasil real. Também é necessário o entendimento de que existem muitos conhecimentos – uns já sistematizados, outros não. Podem contribuir e contribuem, de fato, para a resolução de problemas e para suas próprias pesquisas. Então, essa aliança, essa conexão de saberes científico popular é fundamental e está acontecendo de forma bastante interessante e até rápida.



Parcerias internacionais

Organizações da Colômbia, Venezuela e França


Depoimentos

Pessoas que participaram do Fórum Nacional



Troca

A Rede também se constitui em um espaço de troca. Existem várias organizações que já desenvolveram e que estão trabalhando em reaplicação de Tecnologia Social e que, a partir da RTS, ela consegue disponibilizar esse conhecimento. E, então, temos o desafio de desenvolver uma base de dados que permita, de forma mais organizada, que essas experiências sejam colocadas. E, também, que a Comunidade Virtual do Portal seja um espaço de construção coletiva. Então, é um outro fator importante pra RTS: esse movimento de encontro e troca gera sempre novos conhecimentos e até novas TS.



TS e o desenvolvimento sustentável

A Rede, quando foi criada, colocou-se a missão de contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável por meio da difusão e da reaplicação de TS. Como se dá esse processo?

Eu gostaria de levantar alguns elementos: o primeiro deles é a questão da auto-estima, fundamental em qualquer processo de promoção do desenvolvimento sustentável. Como fazer acontecer se as pessoas de um determinado lugar não gostam de si, não reconhecem que têm conhecimento, que desenvolveram TS?
A partir do momento em que as pessoas reconhecem isso, adquirem confiança e auto-estima.
Outro elemento importante é a cooperação. A partir do momento em que meu aprendizado e conhecimento sistematizado contribui para a melhoria da vida de outras pessoas, comunidades e do país, um processo de cooperação se estabelece e se fortalece.
Além disso, na própria reaplicação de TS, quando vários parceiros se juntam, isso é um processo de cooperação também.

TS e geração de trabalho e renda

Tecnologias Sociais geram postos de trabalho, poupam recursos naturais.



TS e políticas públicas

Nesse ponto, nós temos grandes desafios. Conseguimos avançar um pouco nessa construção. Isso saiu muito forte no Fórum Nacional. Temos alguns desafios, como integrar a TS no Sistema Nacional de C&T.


Tivemos, no governo Lula, a criação da Secretaria de C&T.


Fita 2 – Lado B

Perguntas para André e Larissa. Os apresentadores respondem às questões.

Início da apresentação de experiências brasileiras em TS

Marilene - ASA

Daniel – Fundação Mussambê

Rubens Palácios – GTA

José Roberto – Eco-Engenho

Paulo Lenhardt – Rede Ecovida

Fernando – Ecocentro

Kátia Jordan – Incubadora do Instituto Gênesis

Kátia Portini – Anprotec

Kátia Portini – Anprotec

A Associação, há tempos é associada à RTS. Hoje, mais uma vez, como parceira da RTS, junto com o Instituto, agradece a realização desse workshop. Junto com o professor Anil, nós queremos obter resultados desse trabalho que está sendo realizado.


Fita 3 – Lado A

Continuação da apresentação de experiências brasileiras em TS

Marilene – ASA

A cisterna é uma tecnologia universal, porque é de fácil assimilação pelas comunidades rurais. A mão-de-obra, o processo de capacitação, em sua grande parte, são executados pelas comunidades e pelos atores locais, pelas organizações locais.


É importante ressaltar que é um programa da sociedade civil. Nos últimos anos, porém, tem recebido um aporte financeiro significativo do governo federal e outras parcerias.
Só retomando o nome do programa, a ASA entende que nossa intervenção não se reduz à construção de cisternas, captação de água de chuva, mas que nós temos outros componentes tão importantes quanto a construção em si. Então, é um programa de formação e mobilização de convivência, porque é uma região que, tradicionalmente, tem sido marcada por políticas de combate à seca, e essa população e nós, que lá vivemos, sabemos que, ao longo desses anos, aprendemos a conviver com a seca.
Então, é importante, não se combate a seca. Isso é um debate interessante porque, em nível de políticas públicas, estamos tentando romper com essa idéia de combate à seca.
Então é um programa de formação e mobilização, e o programa principal que trabalhamos é o Programa Um Milhão de Cisternas. E a missão da ASA, além do acesso à água, é esse debate de convivência com o Semi-Árido. É pensar, em termos de cultura, em termos de criação de animais, em termos reais de convivência com o Semi-Árido, quais são as alternativas que, ao longo dos anos, essas comunidades vem trabalhando.
A área de atuação. Nossa articulação está em 11 estados do Brasil. Os nove estados do Nordeste brasileiro, mais Minas Gerais e Espírito Santo.
A ASA é uma articulação política, não tem personalidade jurídica. E é formada por 11 fóruns. São os 11 estados que ficam com essa articulação. E essa articulação é representada por um coletivo que chamamos coordenação nacional da ASA. É a instância de decisão política eleita a cada dois anos em assembléia geral, da qual participam representantes dos estados envolvidos.
O programa principal é o Formação e Mobilização para a Construção de Cisternas. Mas também estamos com dois projetos-piloto que têm a ver com Tecnologias Sociais, que é o Bomba Popular, de captação de águas subterrâneas, e o Uma Terra e Duas Águas. Entendemos que o Programa das Cisternas trabalhava com água para o consumo humano e uso doméstico. Na maioria das comunidades em que estávamos fazendo o trabalho de mobilização, também havia escassez de água para produção de alimentos, criação de pequenos animais, outros componentes de convivência com o Semi-Árido.
Portanto, o P1+2 está em fase demonstrativa, testando quatro tecnologias de convivência com o Semi-Árido.
(Mostra fotos sobre o trabalho)
Uma pesquisa do MDS demonstrou que mais de 50% dos parceiros do Programa da Cisterna estão incluídos no Bolsa Família. Há uma preocupação de cruzar outros programas, porque grande parte dessas comunidades está invibilizada das políticas locais, municipais. E, como a sociedade civil, as pastorais têm um grande trabalho em lugares mais distantes do município, basicamente nesse município estão aquelas comunidades menos assistidas às quais os nossos mobilizadores têm chegado.
Então, chega junto a cisterna. Também chega junto checando a inclusão dessas comunidades nos programas sociais. Temos, então, carregado uma preocupação grande de checar, de fato, quais são os programas sociais que aquela comunidade acessa. Se não acessa, por quê?
O processo de mobilização vem mostrando que é importante organizar para que as famílias também possam acessar os programas públicos daquele município.
(Mostra histórias das famílias do Semi-Árido)
(Resgata o objetivo do Programa, critérios etc.)

(Metodologia para construção da cisterna)
(Instrumento - sistema de gestão)
(Números – resultados alcançados)
(Cadastro da realidade do Semi-Árido)


Daniel – Fundação Mussambê

A Fundação foi criada em agosto de 2004. Tem sede no município do Crato, no Estado do Ceará, na região Nordeste. Em 2005, a Fundação teve sua tecnologia certificada no Banco de Tecnologia Social da FBB. Em 2006, fomos finalistas do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica. Ficamos em primeiro lugar na categoria, na região Nordeste, inovação social; e, em nível nacional, ficamos em segundo lugar com o Projeto Aproveitamento Total do Babaçu – Inovação Tecnológica Integrada e de Fácil Acesso.


Essa tecnologia visa à disseminação da introdução de tecnologia de extração de óleo de coco babaçu com o aproveitamento de subprodutos em comunidades rurais.
(Exibe o vídeo)
Essa mesma tecnologia, estamos levando para a região onde se tem maior incidência do coco babaçu do país, no Maranhão.
O Núcleo de Tecnologia Social da Fundação Mussambê desenvolveu alguns maquinários que têm como principal função facilitar a retirada dessas amêndoas que são muito presas ao coco.
Com base em informações, nós desenvolvemos uma primeira máquina, que é despeliculadeira, que retira dois subprodutos do coco babaçu, que são o epicarpo e o mesocarpo. Internamente, por força do atrito, essas amêndoas também facilitam a sua retirada.
A outra máquina desenvolvida foi a de corte. Tem uma navalha rotativa, com diversos modos. Tem como principal intenção cortar o coco ao meio. Depois desse corte, por conta de ter passado na máquina anterior, essas amêndoas saem com uma facilidade enorme. A produção dela varia de 9 mil até 36 mil cocos por dia, em uma jornada de trabalho de oito horas.
A outra máquina desenvolvida foi essa prensa manual hidráulica, é um macaco hidráulico invertido. Pode ser levada, inclusive, para comunidades que não dispõem de energia elétrica. Daí o fato de ela ser considerada pela Fundação Banco do Brasil uma Tecnologia Social.
Com essa máquina, é possível extrair diferentes tipos de oleaginosas, do pequi, do babaçu e de uma série de outras espécies.
No caso específico do babaçu, a amêndoa é torrada inicialmente e, em seguida, triturada em uma forrageira ou em um pilão. A amêndoa triturada vai para o extrator do equipamento.
(Explica o passo-a-passo técnico)
Estamos levando essa tecnologia para as mulheres quebradeiras de coco babaçu. Nacionalmente conhecidas, quebram o coco babaçu no machado. É diferente do Ceará, onde se quebra na pedra. No Maranhão, eles quebram mesmo no machado, em condições muito inapropriadas, com uma produtividade muito baixa. Você só tem as amêndoas, porque o resto não serve mais. Os subprodutos, no caso, com essa tecnologia, é possível extrair. Além do óleo, você tem a produção de ração, o mesocarpo, o epicarpo rico em fibras. É possível até que se faça xaxim. Então, há uma infinidade de produtos que podem ser aproveitados de um único fruto.

Fita 3 – Lado B

Continuação da apresentação de experiências brasileiras em TS


Rubens Palácios – GTA

Ao longo dos 15 anos de existência da Rede GTA, houve crescimento exponencial das entidades filiadas. Nós passamos de 12 entidades para 602. Estamos organizados, hoje, em 18 regionais, nos nove estados da Amazônia Legal. Temos um escritório de representação em Brasília, onde está nossa secretaria executiva. Hoje, a Rede GTA conta com uma diretoria eleita em assembléia geral, a cada três anos. É precedida por assembléias regionais.


Hoje, a Rede GTA tem uma configuração basicamente rural, tendo como entidades filiadas representações de castanheiros, seringueiros, quebradeiras de coco, pescadores, organizações de base, além de organizações de assessoria técnica a esses segmentos sociais.
Antes de entrar no mérito do projeto que a Rede GTA está executando e foi discutido por meio da Rede de Tecnologia Social, vou falar um pouco do contexto atual da Amazônia no que diz respeito à sua inserção tanto na economia brasileira quanto internacional. Hoje, percebemos que a Amazônia está sendo utilizada como um grande fornecedor de matéria-prima. A expansão da fronteira agropecuária, seja agora no recente boom da soja e, mais recentemente, da cana para produção de etanol, é acompanhada também pelo fortalecimento da exploração das commodities minerais e energéticas.
Todas essas alternativas que estão sendo trabalhadas para a Amazônia têm uma característica em comum. Todas elas vêem a floresta como empecilho. Para se viabilizar a cana, a soja, o minério, necessariamente tem de se retirar a floresta e as populações que nela habitam.
No ano de 2005, o GTA realizou sua assembléia geral de número 6, em Brasília, com a presença de mais de 400 delegados. Foi recomendado à diretoria da Rede que ela criasse um selo que indicasse a origem ambientalmente sustentável e socialmente justa da produção agroextrativista de pequenos produtores familiares da Amazônia.
Tendo em vista as experiências brasileiras em relação a selos participativos que têm, no seu processo participativo, a sua grande força, nós pesquisamos a experiência da Rede Ecovida e da ACS Amazônia, que é uma certificadora participativa que trabalha no Estado do Acre. Formulamos uma proposta de projeto para se trabalhar uma rede de certificação socioparticipativa na Amazônia.
Esse projeto foi discutido na articulação da Rede de Tecnologia Social e tem o apoio da Petrobras e da Fundação Banco do Brasil. Então, esse projeto se propõe, inicialmente, a trabalhar o apoio a cinco cadeias produtivas, que seriam as seguintes: a castanha do Brasil, no Vale do Rio Acre; o açaí, na região de Marabá, Marajó – ambas no Pará -, na região do Vale do Guaporé, em Rondônia, e no sul do Amapá; o azeite de babaçu, na Baixada Maranhense; o óleo de andiroba no Médio Purus, no Estado do Amazonas; e o artesanato de sementes e fibras, no Médio Amazonas.
Eu vou falar agora o que nós consideramos como pontos fortes e desafios dessa proposta de certificação da Rede GTA. Primeiramente, eu diria que um dos grandes desafios que nós estamos nos propondo é a construção de parâmetros socioambientais e monitoramento. Para se trabalhar a questão da certificação, nós achamos necessário definir padrões tanto do ponto de vista ambiental, social e econômico. A construção desses padrões busca identificar, inicialmente, as experiências de boas práticas de manejo e estabelecer metas relacionadas à saúde, educação, organização comunitária e comercialização.
A construção desses parâmetros é feita em conjunto com as comunidades. Nós não chegamos com uma receita. Isso é feito através de oficinas temáticas, um conjunto de seis oficinas nas quais procuramos construir em conjunto com a comunidade, uma troca de saberes entre os técnicos do projeto e as comunidades envolvidas.
O outro ponto importante, nesse processo, é a estrutura de governança que estamos estabelecendo. Envolve entidades de representação das comunidades. São basicamente associações, além de ONGs e órgãos governamentais.
Essa estrutura de governança introduz um outro ponto forte que é desafio do projeto: os arranjos institucionais sustentáveis. É uma grande oportunidade de estarmos organizando um pouco os esforços feitos em prol da promoção social e econômica dessas populações. Hoje em dia, encontramos um sem número de instituições que atuam na região, mas que, normalmente, sobrepõem esforços, atuam com o mesmo objetivo, às vezes fazendo as mesmas coisas com as mesmas pessoas, ou seja, desperdiçando recursos que poderiam ser aproveitados de outra maneira.
Então, é um grande desafio constituir esses arranjos sustentáveis institucionais. Ele deve envolver as comunidades, as organizações financiadoras, ONGs e políticas públicas.

José Roberto – Instituto Eco-engenho

O Instituto é uma ONG fundada em 2001, já qualificada como Oscip, com o objetivo focado no uso de tecnologias aplicadas ao desenvolvimento sustentável.


(Faz reflexões referentes aos slides)
(Implementação de sistemas fotovoltaicos)
(Projeto de inclusão digital em escolas supridas por sistema fotovoltaico)
(Implementação de 215 sistemas simplificados de abastecimento de água)
(Projeto Luz do Sol)
(Cita as instituições parceiras)
(Fotos de escolas supridas com energia)

Dessalinizador solar – Isso é um problema. A água, no Semi-Árido, é salobra. Quase toda ela é salobra. Nós temos um solo cristalino, raso. Muitas vezes há poços, e a água não é utilizada. Às vezes, o teor de salinidade é tão grande que nem a cabra bebe. Então, precisávamos de algo que dessalinizasse. Só para ter uma idéia, o Estado de Alagoas comprou, em uma determinada época, 250 dessalinizadores de osmose reversa, encomendados nos Estados Unidos, tudo com um padrão só, como se a água fosse salina em todos os cantos e com o mesmo teor de salinidade.


De todos instalados, não tem sete funcionando. Muitos estão instalados em locais que nem energia tem, e cada um deles requer uma grande quantidade de energia. Outros não têm poço, outros têm poço e energia, mas queimou a membrana e, aí, não trocam a membrana porque é um material importado, de difícil acesso para essas comunidades. Ou seja, é um programa que agora está sendo revitalizado, inclusive a Petrobras está apoiando um projeto de revitalização chamado Água Doce. Mas ainda é uma coisa muito lenta pra necessidade que esse povo tem.
Nós precisávamos dessalinizar e, aí, saímos atrás dessa tecnologia do Chile, que estava no anterior. Desenvolvemos um pequeno dessalinizador termossolar. Então, a idéia já havia sido desenvolvida na universidade de Campina Grande com vidro. Resolvemos fazer com plástico.
(Mostra os tamanhos possíveis, o passo-a-passo etc.)
Aqui, tentamos inovar um pouco. Não fazer uma cisterna de placa, mas fazer de argamassa armada. Uma cisterna feita em alvenaria, com cola de arame e coberta. Esta cisterna está pronta, está funcionando com capacidade de 20 mil litros.
Aí, o sistema de hidroponia que está, inclusive no filme. Por que essa alternativa? Porque no Semi-Árido não tem água. Para qualquer projeto de irrigação, é preciso uma quantidade de água muito grande. E, na hidroponia, eu re-circulo essa água. Minha demanda de água é 200 litros por dia. Com um tonel de água, eu posso fazer funcionar essa hidroponia e posso produzir.
Centramos o projeto H2Sol como microssistemas de irrigação de produtos de alto valor agregado. Aí, escolhemos a pimenta. Até porque a pimenta não era comida, nem era roubada. E gerava renda se você fosse vender.
(Detalhes sobre a produção da pimenta)
Nós estamos fazendo, já na Paraíba, em vez de pimenta, um projeto para hortifrutas e com manga no Piauí.
Outra coisa é não só produzir pimenta. É saber como vender, quando vender e ter escala para vender. Então, nós conseguimos financiamento e instalamos mais cinco sistemas hidropônicos.
A partir daí, desenvolvemos outras ações na comunidade.
(Biodigestor)
(Fogões)

Paulo Lenhardt – Rede Ecovida

Eu fico feliz com o depoimento do pessoal do GTA. Uma coisa que começou com uma molecagem lá no Sul, quando desafiamos a certificação convencional e ousamos chamar de certificação participativa, está espalhada pelo Brasil, pelo planeta, mostrando que a terceira parte pode ser o coletivo, e não necessariamente o auditor.


Vou falar um pouquinho para chegar ao uso do óleo vegetal como combustível, para entendermos como tudo começou.
Na prática, isso aqui começou em 1979, mas se materializou mesmo em 1994. A organização dos agricultores, em parceria com as indústrias, que são os fornecedores de resíduos, viabilizou o composto de baixo custo. Na realidade, as empresas bancam todo o processo de compostagem. E o produto, que é o composto, é distribuído aos agricultores.
Nós processamos, hoje, cinco mil toneladas/mês de resíduos. Mais ou menos, 30 empresas.
(Explica as fotos)
É uma região que produz basicamente citrus. Hoje, são mais ou menos 400 hectares de pomar.


Segunda apresentação de Paulo
Com a história das ISOs dentro das empresas, o pessoal tinha de equacionar todo um problema de resíduos dentro dessas empresas. Então, começamos a ter uma oferta muito grande de resíduos de restaurante, da cozinha industrial. Junto com o resíduo da comida, havia o óleo usado. E, também, temos muita oferta, no caso do frigorífico, de sebo, gordura, gelatina. É um material nobre para jogarmos no composto.
O material mais nobre era o óleo usado dos restaurantes. Então, surgiu a idéia de usar isso como combustível. A partir da Fundação Avina, que financiou a pasteleira, eu consegui materializar o negócio. Até então, ninguém queria botar o carro, o caminhão, arriscar, usar óleo vegetal como combustível, porque ninguém acreditava, inclusive os técnicos.
Aqui, um pequeno histórico de Diesel. Quando ele apresentou isso em 1910, se não me engano, em uma feira em Paris, ele era movido a óleo de amendoim. Depois, a indústria do petróleo, com óleo bruto, barato, pegou essa tecnologia e adaptou esse motor com óleo de petróleo, um óleo menos denso.
Rapidamente falando, biodiesel é um processo químico que requer um certo cuidado, conhecimento, tecnologia, infra-estrutura. E o que defendemos é o uso direto do óleo vegetal como combustível. O grande problema é que todos os motores existentes no mercado são adaptados, desenvolvidos para uso do óleo diesel. Como o óleo vegetal é mais denso, tem muita glicerina, é mais lubrificante, ele precisa de mais temperatura pra queimar, e a bomba injetora não aceita ele.
Então, teríamos de readaptar os motores para esse tipo de combustível, como foi feito com o álcool, por exemplo. Então, fazemos a estratégia contrária. Pegamos o combustível e adaptamos para o motor. Há dois processos: o químico e o aquecimento. Ele funciona super bem. Não tem problema nenhum.
Em média, o óleo vegetal polui 75% menos que o óleo diesel.






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