Fitorremediação por Miscanthus X giganteus de solos contaminados com lamas residuais urbanas (lru’s) ricas em metais pesados



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Fitorremediação por Miscanthus x giganteus de solos contaminados com lamas residuais urbanas (LRU’s) ricas em metais pesados


O objectivo do trabalho que está actualmente em curso no Grupo de Disciplinas de Ecologia da Hidrosfera da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa consiste no estudo da fitorremediação por Miscanthus x giganteus de solos contaminados com lamas residuais urbanas ricas em metais pesados.

Efectivamente, a utilização de lamas resultantes de ETAR’s (Estações de Tratamento de Águas Residuais) na agricultura, tem a vantagem de contribuir para um aumento de matéria orgânica e de nutrientes no solo, tornando-o mais fértil e melhorando a sua estrutura, para além de contribuir, simultaneamente, para a reutilização e encaminhamento daqueles resíduos. No entanto, a aplicação destas lamas no solo pode também contribuir para um eventual aumento de metais pesados e de xenobióticos, com efeitos negativos possíveis ao nível da fertilidade do solo.

Por outro lado a cultura de Miscanthus x giganteus Greef et Deu (Figura 1), perene, originária do sudeste asiático, é muito interessante, visto que as suas plantas podem ser aproveitadas economicamente, por exemplo, na produção de energia, pois apresentam uma capacidade calorífica muito elevada, ou na produção de pasta para papel, substituindo o eucalipto, porque apresentam teores muito elevados em celulose.

O interesse neste tipo de cultura reside não só na possibilidade da sua utilização como fonte de energia renovável (especialmente em países como Portugal onde não existem recursos conhecidos de combustíveis fósseis), mas também no facto de se poder fazer uso de terras em pousio ou mesmo abandonadas, limitando o risco de erosão do solo. A outra possibilidade em estudo na Faculdade de Ciências e Tecnologia reside precisamente no estudo da sua capacidade fitorremediadora de solos contaminados com metais pesados.


Figura 1Miscanthus x giganteus Greef et Deu.

Neste contexto, estudaram-se quatro níveis de aplicação de lamas: P0 = 0 t, P50 = 50 t, P100 = 100 t e P200 = 200 t.ha-1.

A aplicação das LRU's de S. João da Talha nos campos de cultura, demonstrou ter efeitos positivos na produção de Miscanthus x giganteus. Com efeito, nos campos onde foram aplicadas lamas, a produtividade foi significativamente mais elevada do que nos campos onde não houve aplicação de lamas (P0) (Figura 2). Em P50, em Dezembro conseguiram-se produzir quase 35 t.ha-1, o que pode significar em termos energéticos uma produção de cerca de 600 GJ.ha-1, equivalente a 21t de carvão ou a 14000l de petróleo. A mesma produção pode significar em termos de produção de pasta para papel cerca de 31,5t.ha-1.

Em relação aos metais pesados verificou-se que se acumulam sobretudo nos rizomas e raízes e não na parte aérea. Como a cultura é perene, a biomassa da parte aérea que é colhida no final do ano (Dezembro) poderá então ser utilizada, sem risco, por exemplo, como biocombustível. Os rizomas e as raízes, contendo os metais extraídos e estabilizados, permanecerão no campo, possibilitando na Primavera seguinte o crescimento das novas plantas.




Figura 2 - Produtividade (t.ha-1, matéria seca) de Miscanthus x giganteus, observada em todos os campos experimentais, ao longo do ciclo vegetativo.
Bibliografia consultada
Brito, J. M. C. 1986. As Lamas Pretas como Fertilizante (Contribuição pra o seu estudo). Trabalho elaborado com vista à obtenção do Grau de Doutor. ISA, Lisboa. 301 p.

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Smith, S. R. 1996. Agricultural Recycling of Sewage Sludge and the Environment. CAB (Centre for Agriculture and Biosciences) International, 382 pp.


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