Flutuação populacional de mosca-branca e seus parasitoides na cultura da soja com diferentes manejos de pragas



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Flutuação populacional de mosca-branca e seus parasitoides na cultura da soja com diferentes manejos de pragas
Daniela Silveira Daniel (PIBIC/Fundação Araucária/Unioeste), Ana Paula Gonçalves da Silva Wengrat, Hugo Franciscon, Priscila Weber, Vanda Pietrowski (Orientadora), e-mail: vandapietrowski@gmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Agrárias/Marechal Cândido Rondon, PR
Grande área e área: Ciências Agrárias – Agronomia
Palavras-chave: Aphelinidae, Aleyrodidae, Bemisia tabaci.
Resumo
O presente trabalho teve como objetivo acompanhar a flutuação populacional de mosca-branca e seus parasitoides em cultivos de soja submetidos a diferentes manejos de pragas, sendo eles: cultivo orgânico, cultivo com adoção dos princípios do manejo integrado de pragas (MIP) e com manejo convencional (aplicações de inseticidas sem os princípios do MIP). As coletas foram realizadas quinzenalmente, amostrando 26 pontos aleatórios com seis plantas em cada área. As ninfas coletadas foram levadas para o laboratório, acondicionadas em placas de Petri e observadas diariamente. Os adultos de parasitoides emergidos foram coletados e armazenados em álcool 70%. Posteriormente foi feita a identificação dos parasitoides. Observou-se que conforme a quantidade de mosca-branca foi aumentando, principalmente a partir estádio fenológico R2, floração plena da soja, aumentou a quantidade de parasitoides. As famílias de parasitoides coletadas foram Aleyrodidae e Signiphoridae.
Introdução
Os insetos conhecidos popularmente como mosca-branca causam danos significativos em várias culturas, sendo a eliminação de seus inimigos naturais, extremamente sensíveis a inseticidas, um dos fatores que geralmente levam a grandes surtos desta praga. A mosca-branca associada a cultura da soja é a Bemisia tabaci, Biótipo B (Hemiptera:Aleyrodidae) (Vieira et al., 2012). Dentre os métodos de controle dessa praga, o controle biológico com o uso de parasitoides tem grande potencial de utilização. Foi observado por Melo (2002), que o uso destes inimigos naturais no controle de mosca-branca se apresenta promissor pela sua rápida dispersão, especificidade e facilidade de criação. Neste contexto o objetivo deste trabalho foi acompanhar a flutuação populacional de mosca-branca e seus parasitoides em cultivos de soja submetidos a diferentes manejos de pragas.
Materiais e Métodos
O estudo foi realizado em quatro cultivos comerciais de soja na safra 2014/2015, sob diferentes manejos de pragas e com área variando entre 6 e 7 ha. Área 1: cultivo orgânico localizada em Palotina (24°12’15,73”S; 53°53’15,16”O); área 2: cultivo orgânico, em Marechal Cândido Rondon (24°30’02,14’’S; 54°10’41,18”O); área 3: com adoção dos princípios do manejo integrado de pragas (MIP), em Marechal Cândido Rondon (24°34’35,14”S; 54°05’45,67”O); área 4: com aplicações de inseticidas sem os princípios do MIP, Marechal Cândido Rondon (24°27’01,19”S; 54°17’06,43”O). Em cada lavoura foram amostrados 26 pontos de coletas aleatórias, sendo que em cada ponto correspondeu a observação de 6 plantas na integra, três em cada linha. O caminhamento foi em zigue-zague e cada ponto dista de aproximadamente 100m. Em cada planta foram coletadas pelo menos quatro folhas com ninfas de mosca-branca que foram então levadas para o laboratório.

No laboratório foram selecionadas e recortadas as áreas das folhas que continham as ninfas, as quais foram então colocadas em placas de Petri contendo Ágar (3%) ao fundo e fechadas com filme de PVC transparente. Este procedimento possibilitou que as folhas ficassem túrgidas por mais tempo, viabilizando aos parasitoides completarem seu desenvolvimento. Diariamente as placas foram vistoriadas em microscópio estereoscópio e os adultos dos parasitoides emergidos coletados, armazenados em microtubos tipo eppendorf de 1 mL com álcool 70% e quantificados por data de coleta. Os eppendorf foram identificados com informações do local, data e coletor.

A identificação dos parasitoides foi realizada utilizando os adultos desses insetos, usando metodologia adaptada de Evans & Hamon (2012). Para isto os adultos coletados foram montados, com auxilio de microscópio estereoscópio, em lâminas de microscopia em bálsamo do Canadá para posterior observação das estruturas. Os parasitoides foram identificados com auxílio de microscópio óptico binocular e chaves dicotômicas disponíveis na literatura.
Resultados e Discussão
A flutuação populacional de ninfa mosca-branca e de seus parasitoides, para todas as áreas, é mostrada na figura 1. Observa-se que as ninfas de mosca-branca, no manejo orgânico (área 1, figura 1A), começaram a surgir em baixa quantidade no estádio fenológico R2, (floração plena com a maioria dos racemos com flores abertos) da cultura da soja, com 8 ninfas coletadas, começando também a aparecer os parasitoides (um indivíduo). Posteriormente nos estádios R5.1 (grãos perceptíveis ao tato a 10% de granação), R5.3, (maioria das vagens entre 25% e 50% de granação), R6 (vagens com granação de 100% e folhas verdes), R8.1 (início a 50% da desfolha), houve um aumento significativo de mosca-branca, e consequentemente de parasitoides, tendo pico de flutuação populacional das mesmas no estádio R8.1, com 2557 ninfas e 563 parasitoides, com um índice de parasitismo natural na ordem de 22%.


Figura 1: Flutuação populacional de ninfas de Bemisia tabaci e de seus parasitoides na cultura da soja submetida a diferentes manejos de pragas. Á: cultivo orgânico – Palotina/PR; B: cultivo orgânico - Marechal Cândido Rondon/PR; C: Cultivo com adoção dos princípios do manejo integrado de pragas (MIP) - Marechal Cândido Rondon/PR; C: cultivo com aplicações de inseticidas sem os princípios do MIP - Marechal Cândido Rondon/PR.
No manejo de pragas orgânico (área 2, figura 1B), as ninfas de mosca-branca começaram a surgir mais tarde, no estádio fenológico R5.1, assim como os parasitoides, coletando-se 16 ninfas e 3 parasitoides. A população foi aumentando com o desenvolvimento da cultura, tendo-se o pico populacional de ninfas no estádio R5.3, com 116 ninfas coletadas e o pico de parasitoides no estádio R6, contando com 28 parasitoides, com índice de parasitismo natural de 25%.

Já no manejo de pragas com princípios de MIP (área 3, figura 1C), as ninfas surgiram a partir no estádio fenológico R1, (sexto nó, quinta folha trifoliada completamente desenvolvida), com 44 ninfas coletadas e parasitoides a partir do estádio R4 (maioria das vagens no terço superior com 2-4cm), com 2 parasitoides. O pico populacional de ninfa foi no estádio fenológico R6, (vagens com granação de 100% e folhas verdes), com 3960 ninfas e de parasitoides no R5.1, com 1327 parasitoides, correspondendo a um índice de parasitismo natural de 42,7%. A flutuação de ambos diminuiu significativamente no estádio no R8.2 (mais de 50% de desfolha à pré-colheita).

No manejo de pragas convencional (área 4, figura 1D), as ninfas de mosca-branca começaram a surgir no estádio fenológico R5.2, (maioria das vagens com granação de 10%-25%), com 62 ninfas coletadas e os parasitoides só foram encontrados no estádio R5.5 (maioria das vagens com granação de 75%-100%) com 55 parasitoides. O pico populacional de ninfa de mosca-branca e de parasitoides se deu no estádio R5.5,com 562 ninfas e 55 parasitoides coletados, com índice de parasitismo natural de 10%.

Em relação a diversidade de famílias de parasitoides encontradas, foram coletados e identificados parasitoides pertencente a apenas duas famílias, Aleyrodidae e Signiphoridae, sendo estas as mais citadas como parasitoides de mosca-branca.


Conclusões
Conclui-se que, os diferentes tipos de manejos de pragas interferem diretamente na flutuação populacional de mosca-branca e seus parasitoides na cultura da soja.
Agradecimentos
A Fundação Araucária pela concessão da bolsa.
Referências
Evans, G. A.; Hamon A. B. Whitefly taxonomic and ecological website. An on-line Interactive Catalog of the Whiteflies (Hemiptera: Aleyrodidae) of the world and their parasites and predators. http://www.fscadpi.org/ homoptera_hemiptera/whitefly/whitefly_catalog.htm . Acesso em 10 de março 2012.
MELO, L. E. (2002). Potencial del control biológico en el manejo de las plagas de la Yuca. In: OSPINA, B.; CEBALLOS, H. (Ed.). La yuca en el tercer milenio. Sistemas modernos de producción, procesamiento, utilización y comercialización (234-249). Cali: CIAT/CLAYUCA.
VIEIRA, S. S.; BOFF, M.I.C.; BUENO, A.F.; GOBBI, A.L.; LOBO, R. V.; BUENO, R. C. O. de F. (2012). Efeitos dos inseticidas utilizados no controle de Bemisia tabaci (Gennadius) biótipo B e sua seletividade aos inimigos naturais na cultura da soja Semina: Ciências Agrárias, 33, 1809-1818.






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