Fomento de cooperaçÃO



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FOMENTO DE COOPERAÇÃO

Este texto descreve os passos orientativos para pesquisar e fomentar a possibilidade de formar um grupo para uma ação coletiva organizada, seja uma atividade de produção, de serviços, comercial, social, de lazer ou cultural. A cooperação pode ser organizada de modo formal, por exemplo, em cooperativa de trabalho, associação etc. ou informal como uma mutirão etc.


A palavra cooperação significa:

- agir juntos para um fim comum, se unir com outros

- fazer o que outros querem muitas vezes contra própria vontade, saber se frustrar, desenvolver autodisciplina

- se relacionar com outros e assim consigo mesmo (maior contato com o próprio interior e assim autoconsciência)



- considerar outros, fazer bem, agir pelo amor
Nos grupos coletivos (como nas famílias) observa-se brigas ou conflitos abafados, intrigas, lutas pelo poder, sabotagem de decisões coletivas, desonestidade, roubo, preguiça etc. portanto, a cooperação é um objetivo desafiante sendo que a estrutura da nossa sociedade é baseada nos valores opostos, tais como concorrência, exploração, materialismo (economisismo) e individualismo.
A própria cultura da agricultura familiar se baseia no capitalismo. Seus valores invertidos são muito enraizados no nosso interior mesmo que intelectualmente discordamos com eles.
Fomentar cooperação, é fomentar a sanidade humana, fomentar saúde psíquica, física e social-economica. Um dos ingredientes de cooperação é uma visão ou , fé nas próprias condições, fé no outro, nos ideais de uma sociedade mais justa e na vida mais feliz, fé em algo superior. “Fé transporta montanhas.”
Quando um grupo de pessoas se une para cooperação, seu sucesso depende bastante da sua finalidade. Se o objetivo de cooperação vai alem dos interesses pessoais (econômicos) do grupo, o sucesso é mais provável. Se o objetivo é focado essencialmente nas vantagens pessoais, no econômico, os conflitos e descontentamentos ganham facilmente muita força. O grupo que tem um forte ideal social, político e/ou ecológico, não se envolve tanto com picuinhas e intrigas de poder.
As vezes a necessidade de cooperação é de curto prazo, como um mutirão, uma luta limitada, sobrevivência imediata, moradia, ou de longo prazo, como a luta pela reforma agrária e pela transformação social, saúde, educação, produção coletiva, futuro dos jovens etc.
Se o objetivo é de curto prazo, a cooperação é temporária e acaba quando o objetivo é alcançado. Talvez isto explique a certa facilidade de cooperação no inicio de luta pela terra em acampamento e na ocupação. Quando o grupo conseguiu a terra, o objetivo concreto foi alcançado, a necessidade de cooperação foi cumprida, portanto o motivo da cooperação sumiu.
Os trabalhadores do campo foram sempre oprimidos, praticamente escravizados. Como Paulo Freire mostra há tendência que eles na sua libertação se tornarem opressores e assim difíceis de cooperarem entre si. Por isso é importante desenvolver sistematicamente os métodos de conscientização no nível coletivo e individual para lidar abertamente com arrogância, desonestidade, destrutividade (inveja), passividade, medo e agressividade.
A reforma agrária está com um publico diferente de uns dez anos atrás quando o povo tinha um maior vinculo com a terra, tinha cultura de trabalhar e produzir. Hoje as características das pessoas que procuram o movimento são diferentes, há pessoas urbanizadas, despolitizadas, imediatistas, sem vinculo com a terra e portanto só entram na cooperação se tiver retorno imediato. Com elas é necessário concentrar esforços para alcançar os objetivos imediatos de alimentação, saúde e moradia, e simultaneamente despertar anseios e objetivos coletivos, despertar consciência política, humana e econômica.
O tema é estruturado em seguintes itens:

1 Preparativos



                  2 Contatos iniciais

3 Motivação para cooperação

4 Conteúdo da proposta/plano de cooperação

5 Outras entidades atuando no coletivo

1 Preparativos
Como esta abordagem é metodológica, é importante estudar publicações que dão uma visão mais ampla dos princípios e das prioridades de cooperação, por exemplo:
- A cooperação agrícola nos assentamentos, Caderno de cooperação numero 20, MST, 1993

- Sistema cooperativista dos assentados, Caderno de Cooperação Agrícola numero 5, Concrab, 1997

- Enfrentar os desafios da organização nos assentamentos, Caderno de Cooperação Agrícola numero 7, Concrab, 1998

- As experiências clássicas de cooperação agrícola, cadernos das experiências históricas da cooperação numero 3, Concrab, 2001



  • O que levar em conta para a organização do assentamento – a discussão no acampamento, Anca, 2002

  • Planejamento pelo método de validação progressiva, Coceargs, 2004

  • Novas formas de assentamentos de reforma agrária – a experiência da comuna da terra, Caderno de Cooperação Agrícola numero 15, Concrab, 2004

  • A constituição e o desenvolvimento de formas coletivas de organização e gestão do trabalho em assentamentos de reforma agrária, Caderno de Cooperação Agrícola numero 11, Concrab, 2004

  • Um novo impulso para a organização dos assentamentos e da cooperação, (texto) Concrab, SPCM, abril 2006

  • Balanço político da cooperação no MST - caminhos percorridos e seus limites, (texto) Concrab, abril 2006

  • Cooperação agrícola – eixos prioritários de ação, princípios e formas, Caderno de cooperação numero 5, edição revista e ampliada, Concrab, 2007


2 Contatos iniciais



Identificar a necessidade de cooperação, avaliar seu grau de organização e estagio de desenvolvimento. Manter um contato continuo com a coordenação regional e da estadual.
Planejar visitas ao local após ter traçado uma estratégia com a direção estadual (setor de produção) e com os técnicos da Assistência Técnica.
Contatar e conversar com as pessoas individualmente e/ou em grupos informais e com a liderança local durante, se possível, vários dias. Agir de modo aberto sem colocar suas próprias idéias para que a visão do grupo prevaleça. Fazer perguntas e anotações sobre:


  • Como é o histórico do grupo?

  • Levantar que desejos e sonhos as pessoas tem nos campos social, político, ecológico e econômico (evitar a influenciá-las não colocar próprias opiniões).

  • Detectar que tipo de cultura que o grupo está acostumado.

  • Que tipo de atividade coletiva o grupo já pensou?

  • Como são os recursos naturais da região?

  • Que tipo de mercado é possível acessar?

  • Que tipo de produção, serviço ou comercialização é viável na região? Listar alternativas de possíveis atividades coletivas.

  • Existe PRA (Plano de Recuperação do Assentamento) ou PDA (Plano de Desenvolvimento do Assentamento)? Qual é o seu conteúdo?

  • Se o grupo já vivenciou alguma situação traumatizante de cooperação, descrever esta ocorrência.

  • Avaliar o estado emocional do grupo, se há alegria, união, afeto e confiança entre si ou se há desconfiança, descontentamento, medo, agressividade, tristeza, procurar conscientizar o grupo sobre isto.

  • Esclarecer se há conflitos importantes.

  • Resumir os fatores de união do grupo.

Fazer um estudo e organizar discussão sobre o que é cooperação em suas varias formas usando textos e orientações existentes.


Procurar identificar pessoas que tenham mais interesse pela cooperação, fomentar interesse e posição deles, procurar criar um grupo aliado de cooperação que toma iniciativa e que se torna cada vez maior e mais forte. Trabalhar pessoas potenciais um por um nesse sentido é uma ação estratégica. A formação e atuação deste grupo é fundamental para o sucesso do trabalho.
Analisar as informações, documentos, respostas, dados e conversas para poder começar a preparar um esboço de proposta de cooperação (vide sobre seu conteúdo o item 4 do texto) com varias alternativas para a discussão em núcleos de base e grupos informais para depois levar o assunto a ser debatida na assembléia a ser planejada. Procurar a envolver a direção estadual e os técnicos na discussão.




3 Motivação para cooperação



3.1 Despertar consciência política e humana
A base psicológica de cooperação está na consciência, por isso o seu despertar é essencial. Consciência política é entendida de modo amplo:


  • Consciência sobre o sistema econômico, sistema capitalista onde quem tem mais capital (mais bens, dinheiro) tem mais poder. Assim a democracia não se baseia na regra, uma pessoa tem um voto, mas na regra, um real significa um voto porque o poder verdadeiro reside no poder econômico e não tanto no político. Assim as leis do sistema atual são invertidas.

  • Consciência social, como os valores e as instituições do sistema capitalista são feitos para proteger e acumular o poder e não o ser humano a natureza.

  • Consciência humana, num lado consciência de riquezas humanas em todo ser humano e noutro lado consciência da patologia humana no coletivo e individual. Com a patologia humana se entende o aspecto doentio da vida psíquica de todos nos, a parte neurótica, em outras palavras fantasias, corrupção, desonestidade, más intenções, censura, egocentrismo etc.

Discutir os ideais da reforma agrária apresentados. Estes ideais podem ser resumidos de uma forma que eles tocam mais fortemente o sentimento da pessoa, de forma que eles sejam mais fáceis a serem divulgados e lembrados, e eles podem ser unidos com ideais mais amplas apontando, por exemplo, seguintes bandeiras:




  • democracia direta na vida política e econômica; todos votam sobre assuntos importantes tanto na vida politica-social como econômica; todos pobre e rico, tem a condição de participar igualmente; socialismo de autogestão

  • trabalho assalariado é uma forma de alienação e exploração; trabalhador tem que ser dono da empresa em que trabalha

  • proteção de natureza; imposto internacional de transporte de mercadorias para fomentar produção e consumo local

  • imposto internacional de transações financeiras (taxa Tobin) para ser usado para reduzir pobreza mundial

  • todos os seres humanos tem direito de morar e trabalhar onde quiser sem fronteiras entre os paises

A bandeira deve ter uma mensagem entusiasmante e contagiosa em vez de critica e reivindicatória. Ela é a visão.


Despertar e desenvolver durante o processo inteiro a consciência política e humana nos todos os seus aspectos. Isto é um processo de educação. Um dos maiores filósofos ocidentais, Platão na antiga Grécia desistiu de tentar realizar mudanças no sistema de poder via política, ele escolheu o caminho de educação, em outras palavras conscientização.

3.2 Discussão sobre vantagens e desvantagens de cooperação
Levantar o assunto de cooperação destacando a sua importância e lembrando por exemplo como ela foi fundamental na fase de acampamento e ocupação, na defesa de direitos, como uma força de seres humanos contra a submissão (povo unido jamais será vencido). Escolher textos já prontos do MST e resumir-los e transforma-los em uma ordem pratica de conscientização conforme a situação do grupo.
Preparar e apresentar uma listagem de vantagens práticas e se possível mensuráveis de cooperação e também possíveis desvantagens. Procurar elaborar um comparativo entre os resultados sociais, políticos e econômicos entre as alternativas do trabalho individual e do trabalho coletivo. Incentivar uma discussão sobre elas:
Vantagens materiais


    • União das forças gera segurança (alimentação, saúde, aposentadoria, segurança física etc.) e política (instrumento de luta).

    • Possibilita economia de escala.

    • Aumenta produtividade de trabalho.

    • Cria melhores condições de acumular investimentos (instalações, maquinário etc.).

    • Possibilita processos mais complexos de produção, industrialização e comercialização, inclusive exportação.

    • Facilita uma maior racionalização das maquinas e instalações e a introdução de tecnologias apropriadas ao trabalho e ao meio ambiente.

    • Possibilita especialização profissional.

    • Eleva o poder de negociação, na hora de compra e de venda.

    • Cria maior possibilidade de diversificar as linhas de produção

    • Facilita a troca de experiências e conhecimentos

    • Facilita discussão e conscientização sobre a ecologia


Vantagens psico-sociais


    • Estimula consciência social e individual e assim crescimento pessoal.

    • Facilita a urbanização de moradias em agrovilas que reduz o isolamento.

    • Possibilita ensino e capacitação profissional e especialização diversificada.

    • Fortalece movimentos sociais possibilitando a liberação á atividades político-sociais.

    • Fortalece o sentimento de segurança.

    • Fomenta satisfação em relação á finalidade de vida.

    • Produz alegrias e amizades diversificadas e profundas.

    • Incentiva a capacitação profissional dos jovens.

    • Facilita conscientização sobre questão de gênero e sobre educação dos filhos.

    • Há mais condições de organizar lazer e esporte.

    • Facilita a organização de transporte coletivo.

    • Não se pode com tanta facilidade esconder comportamentos destrutivos.


Vantagens políticas


    • Reforça a resistência ao modelo capitalista de produção e de seus princípios.

    • Fortalece a retaguarda do movimento de reforma agrária.

    • Proporciona formação de quadros de militantes de reforma agrária.

    • Facilita conscientização política e social sobre a sociedade e sobre modelos alternativos.

    • Reforça a posição de articulação política.

    • Acumula forças para a transformação social e econômica.


Desvantagens materiais


    • Processos de tomada de decisões tornam mais demorados e complicados.

    • A necessidade de planejamento e controles aumenta (o que não é necessariamente negativo)

    • Os integrantes estão se sujeitando mais concretamente ás mas intenções (inveja) dos outros.


Desvantagens psico-sociais


    • Tem que tolerar conflitos de opiniões (no outro lado isto madurece a pessoa, o que é bom).

    • Tem que se submeter às decisões de maioria não podendo fazer o que quiser.

    • As vezes as reuniões são chatas e demoradas.


Desvantagens políticas


    • Não há.

Usar material audiovisual, textos e depoimentos para descrever as experiências positivas de cooperação, organizar visitas e intercambio.


Escolher alguns casos existentes de cooperação que sirvam como exemplo e descreve-los resumidamente. Planejar e realizar visitas aos coletivos que tenham experiências correspondentes, tais como Copavi, PR, Coopan, RS, Cooperunião, SC, Coopac, MT...

3.3 Estudar formas de organização e questão de fator humano
Conforme a necessidade do grupo escolher textos do manual, distribuir cópias e discutir os assuntos tais como por exemplo:

  • Princípios e formas de organização do trabalho coletivo

  • Regras essenciais de direitos e responsabilidades dos sócios

  • Princípios de transparência

  • Auditoria financeira

  • Estudar a cartilha Relações humanas e cooperação.


Incentivar perguntas e duvidas, ter tolerância com criticas e descontentamentos que os temas possam despertar. Observar e permitir as desconfianças e criticas mas não dar poder essencial para elas. Concentrar a atenção nas possibilidades e nas vantagens de uma ação coletiva. Sentir o amadurecimento do grupo.

3.4 Um grupo com experiências negativas de cooperação
No caso de um grupo desestimulado, que já tive experiências frustrantes de cooperação, é importante levantar detalhadamente o histórico do grupo, possíveis erros de administração para poder aprender com eles, e possíveis desvios de dinheiro para poder promover um sistema confiável de transparência.
O passado tem que ser bem esclarecido e tirado todo possível aprendizado para que o grupo possa ter confiança mínima necessária para uma nova tentativa. Nesse processo de fomento de cooperação não se deve caçar os culpados para puni-los ou moraliza-los (se isto é necessário, isto deve ser feito num processo separado). Julgando e condenando não se fomenta cooperação.
O importante é que tudo do passado fica tão abertamente esclarecido que possível. Nesse momento o objetivo é saber, aprender e conscientizar-se, todos erraram de alguma maneira, ou pela conivência ou indiferença ou alienação ou por falta de não exigir informações ou até a própria destrutividade. Um fracasso é um importante aprendizado mas não deve ser confundida com uma derrota.

3.5 Sobre resistências de cooperação
A cultura capitalista é contraria a cooperação, ela fomenta individualismo e desconfiança, vivemos numa concorrência acirrada onde um é inimigo do outro, por tanto não é de estranhar a resistência que pessoas tem simplesmente se reunir e discutir juntos. Por isso a dificuldade de cooperação começa desde a primeira reunião, como motivar pessoas a virem a uma reunião. Valorizar a presença das pessoas que vem e não as pessoas ausentes. Preparar reuniões bem para que sejam produtivas e agradáveis.
É comum que as pessoas sentem medo e assim resistência de se envolver entre elas economicamente por causa de:

1 Questões práticas:

    • falta de transparência financeira e econômica

    • medo de algumas pessoas mais ativas e agressivas e egoístas tomarem o poder sobre o grupo

    • falta geral de regras claras

2 Questões subjetivas:

    • como cada um de nos tem tendência de acreditar que eu sou melhor que outros, que eu trabalho melhor com mais empenho, eu não vou querer me unir com mais fracas ou preguiçosas, não quero carregá-las nas minhas costas (idealização de si mesmo)

    • medo de me envolver com outros porque isto leva á conscientização do seu individualismo, de suas limitações e más intenções (perfeccionismo)

    • comodidade e passividade (autonegação e negação da vida, inveja)

    • medo de mudanças de vida e assim resistência de querer ter uma melhor qualidade de vida (inveja)

    • muita repressão interna (medo e tensão crônico) que deixa a pessoa bloqueada de se expressar e comunicar, receio de contato consigo mesmo e por tanto com medo de estar em contato com os outros (medo de consciência, censura)

As questões práticas podem ser trabalhadas e resolvidas tecnicamente assunto por assunto. Mas as questões subjetivas são mais complicadas. Normalmente as pessoas não querem revelar sua desconfiança e medo, fatores subjetivos (empecilhos) e para evitar disto usam outros tipos de argumentos ou não se expressam nada para resistir e enterrar a idéia da ação coletiva. A conscientização dos empecilhos internos em cada um é um processo necessário mesmo que difícil. Os técnicos têm tendência de crer nos argumentos expostos e não perceber suficientemente os problemas irracionais (empecilhos ou desvios ideológicos) como inveja, maldade, censura e egoísmo.


Para lidar com as questões subjetivas se estude e discute o conceito sobre o ser humano, suas riquezas e seus empecilhos. O objetivo é que cada um com o seu jeito possa conscientizar-se sobre seus medos, repressão, censura, inveja (destrutividade), egoísmo e resistência de se conhecer através do contato com outros. Como ferramenta utilizar, por exemplo, critica construtiva dialética e conscientização d condutas em coletivo.
Às vezes se constata no sentido critico que o cooperado não se sente como dono do seu negocio. Nem poderia, porque a empresa social pertence ao coletivo e não a ele (só), ele não é dono, ele é cooperado pertencendo ao coletivo que tem objetivos comuns do seu interesse. O coletivo é o dono (legal) do empreendimento. Sentir-se como dono pertence á filosofia capitalista. Portanto em vez de incentivar a sensação de ser dono, deve se estimular o espírito de solidariedade e amor que são bases de uma verdadeira união. O que o cooperado muitas vezes tem de falha, é falta de interesse, de iniciativa e de responsabilidade. Mas isto acontece independente se ele é um cooperado ou um agricultor familiar. Cooperação se baseia num espírito coletivo e no sentido de solidariedade, no amor pelos outros e pela natureza, valores que são contrários à sociedade atual.
A melhor maneira de lidar com a resistência é desvendá-la, admiti-la, não dá poder psicológico á ela (não se irritar com ela), conversar sobre ela abertamente com tolerância, não forçar a barra, e preparar mais e mais pessoas para se manifestarem á favor de cooperação nas reuniões e assembléias.

4 Conteúdo da proposta/plano de cooperação
4.1 A proposta inicial de cooperação
A proposta inicial de cooperação na área de produção, serviços ou comercial deve ter as seguintes questões abordadas:

  1. A escolha das atividades a serem desenvolvidas, o que requer uma discussão sobre assuntos:

    1. A síntese dos desejos do grupo no sentido político, social e econômico

    2. No caso de produção, mapear recursos naturais locais de produção

    3. A estratégia de comercialização.

  2. Formulação do plano preliminar de negócio que engloba a visão geral de produção, comercialização, planejamento de recursos financeiros e outros, fluxo de caixa e resultados econômicos.

As propostas e idéias serão debatidas na assembléia tantas vezes que necessário e gradativamente é formada um plano de cooperação a ser colocada em discussão.


Ao lado disto é necessário organizar a formação das pessoas envolvidas nos dois aspectos:

- formação política; ideais do movimento, princípios de organicidade, consciência política, social-econômica e humana em geral etc.

- formação técnica; administração de cooperação, contabilidade, transparência, fator humano, produção coletiva etc.
Continuar manter a coordenação estadual informada e envolvida com o projeto.
4.2. Plano de cooperação
Desenvolver o plano de cooperação para que ele tenha agora as seguintes informações:

1 Forma de organização do empreendimento

2 Plano de produção

3 Plano de comercialização



  1. Planejamento de instalações, maquinário e ferramentas

  2. Planejamento de aquisição de recursos financeiros

  3. Projeto Econômico

  4. Um organograma inicial

  5. O fluxo de caixa

Debater o plano na assembléia e quando aprovado organizar um grupo de coordenação para sua realização e acompanhamento. De medida que se adquire novas informações e experiências, o plano será desenvolvido e detalhado. É essencial que se faz um esforço suficiente para que, se possível, todos no coletivo sejam conscientes do andamento do plano e envolvidos na sua execução.



5 Outras entidades atuando no coletivo
É necessário de conhecer e cooperar com as possíveis outras entidades e atores que atuam com o coletivo e tentar integrar forças positivas, como sindicatos, igreja, partidos políticos, prefeitura, INCRA, vizinhos, ONGs etc. Por outro lado é bom detectar e lidar com forças negativas para desvendá-las e neutralizar o poder delas.


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