Fora das fronteiras de Moçambique ouve-se que para o investidor se sair bem e rápido tem de juntar-se a alguém da Frelimo



Baixar 9.25 Kb.
Encontro25.07.2016
Tamanho9.25 Kb.
Tráfico de influências

Um nó de estrangulamento ao investimento em Moçambique
Fora das fronteiras de Moçambique ouve-se que para o investidor se sair bem e rápido tem de juntar-se a alguém da Frelimo” - professor doutor Gerd Bossen, da Fundação Konrad Adenauer
Maputo (Canal de Moçambique) – “No estrangeiro ouve-se que para investir em Moçambique é necessário o envolvimento com figuras de proa do partido Frelimo para tornar o negócio facilitado. Se é verdade, o desenvolvimento económico e social a médio e longo prazos podem estar comprometidos no país”. Foi assim que se expressou o director do programa Continental da Fundação Konrad Adenauer para a “Promoção de Estados de Direito para Africa subsaharaiana”, Gerd D. Bossen, em entrevista concedida ao «Canal de Moçambique».

“Não digo que isso seja verdade, mas é o que se ouve fora das fronteiras de Moçambique.”

“Com estes esquemas, vai se criar uma impressão favorável ou desfavorável sobre o investimento neste país. Depender do partido no poder para o investidor ter facilidades deste ou daquele, micro ou mega projecto, é mau para a vida social e económica do país”, sustenta o académico da República Federal da Alemanha, país que presentemente ocupa a presidência rotativa da União Europeia.

Corrupção: outro entrave

  O professor doutor Gerd Bossen, da Fundação Konrad Adenauer falou ainda de um “problema” que apoquenta a sociedade moçambicana mais esclarecida: a corrupção. A esses respeito afirmou: “há corrupção, sim”.

“Não vale a pena dizer que não, embora o esforço para seu combate seja visível.”

“Porém”, acrescenta Bossen, “além das palavras deve haver esforços para espelhar resultados”.

Gerd D. Bossen é jurista. Trabalhar em África há cinco anos. Tem à sua responsabilidade as relações da fundação que representa, em 48 países africanos.

Estas afirmações foram expressas ontem aquando do lançamento do livro 50 anos de Jurisprudência do Tribunal Constitucional Federal Alemão mais um acto de promoção do Estado de Direito para a África Sub-Sahariana daquele movimento democrata cristão. Na circunstância Bossen defendeu em linhas gerais que sem Estado de Direito não há desenvolvimento económico e social, estáveis.

A cerimónia contou com a presença de juristas, estudiosos de Direito, políticos, parlamentares e académicos das diversas instituições. Alguns questionaram se não era ironia num país pobre como o nosso falar-se de Estado de Direito.

O professor Dr. Bossen, que passou a sua Juventude e fez parte da sua escolaridade em Angola, respondeu que “a existência do Estado de Direito é que cria um ambiente estável para o desenvolvimento económico positivo”. Estava implicitamente a sugerir que para se atingirem objectivos de redução da pobreza é preciso começar-se por assumir-se os princípios que regem um Estado de Direito.

Ele referiu-se, no entanto, à China como um Estado de Direito “injusto”. Deixaria assim claro que pode haver leis, mas desde que o sistema não as use de forma harmoniosa e justa tudo não passará de fachada.

Experiência alemã

  Gerd Bossen falou também experiência alemã. “Depois da segunda guerra mundial, começou a época industrial, mas já havia leis que eram aplicadas, um clima que contribuiu para as relações de trabalho e para a nova sociedade industrial viver, ganhar, e crescer”.

Com isso quis dizer, frisou-o pelo que recomendaria: “deve-se criar um melhor clima para o desenvolvimento económico”.

Problemas africanos para africanos

  A terminar, admitiu que no futuro breve a sua organização vai fazer tudo para que os problemas dos africanos sejam resolvidos pelos africanos. Irá, anunciou, promover encontros em que haverá debates que possam fazer convergir as soluções dos próprios africanos em relação ao Estado de Direito, dado que ele considerar fundamental a existência de um clima político mais favorável de tolerancia.



Depreciação dos líderes

  Aquele jurista e professor levantou a questão dos líderes e políticos se estarão a fazer o que precisa de ser feito para o progresso do país? Chamou a atenção do homens de liderança para o cenário envolvente de gente a sofrer. “Esta gente que sofre de fome, com a proliferação de doenças, a subida da violência, a diária insegurança e a pobreza agreste” merece que “alguma coisa tem que ser feita em prol”. Pediu desculpas pelo atrevimento no solo por estar a referi-lo em solo que não é dele, mas, por sentir-se também africano dada a sua vivência em Angola pediu: “Por favor, meus senhores, comecem a pensar seriamente porque esta gente não tem o mínimo!”. E com esse apelo se ficou.



(Carlos Humbelino) – canal de Moçambique – 05.04.2007


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal