FormaçÃo de professores, meio ambiente e educaçÃO: caminhos que se entrelaçam por meio da pesquisa



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FORMAÇÃO DE PROFESSORES, MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO: CAMINHOS QUE SE ENTRELAÇAM POR MEIO DA PESQUISA

Shirley Ferreira da Silva/SEE/RJ

INTRODUÇÃO:
Esta atividade tem como objetivo discutir uma proposta de trabalho na formação inicial de professores comprometida com a denúncia da problemática ocasionada pela ação perversa da sociedade contra o meio ambiente em sua dimensão mundial e as conseqüências desastrosas de tais práticas para o futuro da humanidade, a partir da análise de uma situação local – a destruição do Rio Alcântara, em Jardim Alcântara, localizado no município de São Gonçalo/RJ. Em um movimento de ensino e de pesquisa, busca-se suscitar reflexões e pensar alternativas para a superação dos problemas detectados, entendendo-se que a escola e, conseqüentemente, a formação de professores tem uma responsabilidade no redimensionamento das ações humanas frente à preservação ambiental.

# Sensibilizar a comunidade do entorno da escola da importância da preservação do meio ambiente para uma melhor qualidade de vida, esclarecendo aos moradores do entorno da escola da importância da preservação ambiental e da saúde identificando os agentes poluidores do Rio Alcântara e do entorno da escola, bem como seus poluentes e as doenças que mais acometem seus moradores.

# O estudo da história do município através da história do Rio Alcântara, sua importância no passado através de depoimentos de moradores antigos contribuirá para a ampliação do conhecimento.

A questão ambiental tem sido uma preocupação constante em todos os setores da sociedade. O homem esquecido da necessidade de uma postura ética em relação à natureza e em nome de um individualismo desmedido, abusa e destrói. Aos poucos, a sobrevivência na Terra torna-se cada vez mais inviável, ameaçando as espécies e colocando em risco a vida humana, (Branco, 1988). Que rumo tomar quando, ao invés de preservar e evoluir, estamos nos fadando à destruição?

A questão ambiental surgiu de maneira explosiva há menos de 20 anos. Até então, apenas os aspectos sanitários do problema eram abordados, principalmente com relação à poluição da água e do ar, as perturbações e doenças dela advindas e os conseqüentes episódios de mortandade de peixes.

Mas a percepção dos efeitos globais dos grandes desmatamentos, de construção de represas gigantescas, do emprego da energia nuclear ou mesmo da excessiva queima de combustíveis começou a motivar a opinião pública e os governos já nos anos 70 e, mais particularmente, após a reunião de Estocolmo, em 1972, patrocinada pela Unesco.

Graças à capacidade imaginativa e criativa e ao desenvolvimento de sua tecnologia, o homem conseguiu ao longo de sua história torna-se cada vez menos dependente da natureza, isto é, do seu ambiente natural. O homem dominou, modificou e abusou da natureza. Será que o uso abusivo da natureza não poderá trazer conseqüências negativas ou mesmo desastrosas, até catastróficas? Será que o homem tornou-se ou tornar-se-á algum dia totalmente independente do ambiente natural?

A questão ambiental sempre foi, e ainda é, motivo de grande preocupação. Para o senso comum, poluir é sujar, macular, profanar, colocar em perigo a vida humana, vegetal ou animal ou agravar algum perigo à vida já existente.(Acselrad, Vieira, Guarany, 1993). Anuncia-se assim a urgente necessidade de preservação como um dos caminhos para a manutenção de um ambiente saudável, cabendo a toda a sociedade em geral e à escola em particular, contribuir na gestão desse processo, visando dar conseqüências ao que anuncia Morin (2002).

Essa reflexão torna-se então um chamamento, demonstrando como se faz necessário percebermos o quanto é profunda a relação homem/natureza. Ambos se completam e não podem viver em competição. Competir significa querer anular o outro em todos os seus aspectos.A compreensão de que a relação homem/ambiente é parte da trama da vida, torna-se cada vez mais necessária e nos leva a reconhecer a urgência de um trabalho de conscientização voltado para a reeducação de posturas e ações comprometidas com a preservação ambiental. Essa discussão nos remete a algumas questões: Quais iniciativas têm sido tomadas individual e coletivamente para interromper o processo destrutivo que estamos presenciando e que se alastra a cada dia? Já compreendemos que apesar das incertezas em relação ao futuro da humanidade, não podemos nos isentar da responsabilidade de cuidar do ambiente, procurando contribuir cotidianamente para hábitos saudáveis de convivência e de vida?

Na posição de educadora e diante da responsabilidade de formar as futuras gerações, particularmente o coletivo de profissionais ligados à área de Ciências da Natureza, cabe a mim, propor um conjunto de estratégias de trabalho capazes de instigar questionamentos, problematizar e buscar alternativas para enfrentamento e superação da problemática ambiental. Nesse contexto, o meu papel é o de colaborar para a compreensão do mundo e suas transformações, situando o homem como sujeito e parte integrante do Universo, portanto co-partícipe das reflexões e decisões sobre o futuro da humanidade.

O ataque ao meio ambiente anteriormente anunciado está no mundo, porém, manifesta-se em nosso cotidiano bem próximo, passa a exigir questionamentos e ações voltados para a sua superação. Tal reflexão sustenta-se na situação que estamos vivenciando nos arredores do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, no bairro de Jardim Alcântara, em São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, onde atuo como professora do Curso Normal de nível médio, através da disciplina Ciências Físicas e da Natureza, no sentido de compartilhar com as alunas a dimensão dessa problemática mundial, além de instigá-las a uma reflexão sobre a realidade local. O desastre ambiental está no mundo, inclusive bem próximo às redondezas do colégio onde se formam professoras. Na condição de professora do Curso Normal Médio e consciente da problemática ambiental que atinge o entorno da escola que já mostra marcas vivas do descuido municipal com o meio ambiente e sensibilizada pela gravidade da ameaça ao redor, decidi iniciar um movimento de intervenção junto às alunas do curso de formação de professores. Minha ação visa alertar a comunidade escolar para a questão ambiental, bem como orientá-la para a constituição de uma postura ética em uma intervenção junto às séries iniciais do Ensino Fundamental onde, futuramente, estarão atuando profissionalmente. A discussão das observações em loco com as alunas apontaram para uma situação de gravidade e ameaça, denunciando a necessidade de um movimento de intervenção coletiva envolvendo a turma do 3º ano do curso de formação de professores.

Reconstituir o passado é uma tarefa para a qual são necessários habilidades de detetive, investigar, perguntar, questionar e imaginar (Martho, 1991). A escola está situada em um local onde, no passado, havia um rio que fez parte da vida das pessoas nascidas e criadas na região onde havia também uma extensa área verde. A ocupação desordenada provocou o crescimento da população e, conseqüentemente, a modificação e a destruição do meio ambiente. O Rio Alcântara localizado na mesma região foi durante muito tempo fonte de sobrevivência das populações vizinhas, através da oferta de água potável e fornecimento de alimentos. O agravamento da degradação ambiental da região acabou por vitimá-lo seriamente. Denunciar esse crime ambiental faz parte de uma atitude cidadã e responsável para com a sociedade em geral e, em especial, para a comunidade alcantarense.É evidente como a falta de informações vulnerabiliza o coletivo e promove atitudes cada vez mais equivocadas dos moradores. A cada dia, o Rio Alcântara está mais poluído. São resíduos sólidos de toda ordem (móveis velhos, garrafas pet, animais em decomposição e outros) a tornar cada vez mais insustentável as condições de vida do Rio Alcântara.

O trabalho com a formação de professores de nível médio instigou um antigo desejo de revitalizar a discussão, no sentido de buscar alternativas para a recuperação do Rio Alcântara. Incorporando esta temática ao currículo oficial do curso, procuro, a partir da pesquisa com as alunas, evidenciar o problema. Partindo de diferentes abordagens (visitas guiadas, produção textual, discussão, entrevistas e outros), venho pensando com as futuras professoras alternativas individuais e coletivas para o enfrentamento da questão. Nossa ação volta-se para a compreensão de que a preservação do rio poderá evitar proliferação de doenças como leptospirose, em caso de transbordamento, a dengue, as verminoses e outras tantas transmitidas pelo contato com a água contaminada. A Declaração da Conferência Intergovernamental de Tibilisi sobre Educação Ambiental (1977) diz que nos últimos decênios, o homem modificou rapidamente o equilíbrio da natureza. (Dias, 1992), de acordo com Dias, inicialmente organizei com as alunas de uma das turmas do 3º ano Normal, as diretrizes do projeto de investigação, pesquisa e intervenção, estabelecendo com elas os encaminhamentos necessários a partir dos conhecimentos construídos em nossas aulas e em suas pesquisas sobre o tema. Em seguida, realizamos visitas guiadas para observação e entrevistas. Relacionamos as questões a serem observadas e comentadas por escrito. A observação in loco, permitiu relacionar um conjunto de situações que depois de discutidas transformaram-se em objeto de debate e em produção textual, acompanhada inclusive de registro fotográfico.

Não há ensino sem pesquisas e pesquisa sem ensino...(Freire,1997,p.32) A reflexão foi enriquecida por atividades didáticas, realizadas em sala de aula aprofundando a pesquisa sobre o tema. Levantamento de termos técnicos específicos e análise de conceitos para ampliação do conhecimento. Tais propostas vêm contribuindo para a ampliação de nossas compreensões sobre o tema e de sua importância no contexto social. O desdobramento do trabalho propôs o levantamento de maiores informações sobre o assunto, mobilização da comunidade local, sensibilização das autoridades municipais através da confecção de uma carta com o pedido de socorro do rio no sentido de sugerir alternativas para a recuperação do Rio Alcântara. A confecção de panfletos por parte das alunas com informações sobre as medidas necessárias para a preservação do ambiente foi distribuído entre os moradores, ambulantes e comerciantes locais, na tentativa de mudanças de atitudes de agressão ao meio ambiente. Este trabalho retrata as ações iniciais para a aplicação de um projeto que prevê resultados em longo prazo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Acselrad, Henri – VIEIRA, Liszt - GUARANY, Reinaldo – Ecologia Direito do Cidadão – Rio de Janeiro: Gráfica JB, 1993.
BRANCO, Samuel Murgel. O Meio Ambiente em Debate, São Paulo: Moderna, 1988.
CONSTITUÍÇÃO FEDERAL – 05-10-88, Cap. VI do Meio Ambiente

DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz r Terra,1997.



MARTHO, Gilberto. A Evolução dos Seres Vivos. São Paulo, Editora Scipione, 1991.
MORIN, Edgar. Os Sete Saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2002
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Ciências Naturais: Meio Ambiente e Saúde. – MEC/SEF, Brasília: DF, 2001.
TEXTOS DA SÉRIE Educação Ambiental do programa salto para o futuro.
www.estadao.com.br - Internet



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