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Área: Cultura, Língua e comunicação; UFCD – CLC-5 – Cultura, Comunicação e Média

Formadora: Carla Carreto

Formanda: Palmira Reis Firmino

Data: 13 de Maio de 2010





Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança:

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

No dia 6 de Janeiro de 1967, numa aldeia chamada Montes de Alvor que pouco ou nada se sabe sobre a sua história, nasci eu, Palmira dos Reis Pedro Firmino e tal como a aldeia, nada se sabe acerca de mim.

Pela primeira vez escrevo as minhas primeiras experiências a nível pessoal e profissional dentro da área das novas tecnologias. Começo por recordar em 1973, uma pequena televisão a bateria que os meus pais tinham em nossa casa tal qual esta, que se está a ver na foto.


Que alegria a minha, quando ouvia o hino nacional, Marcelo Caetano a discursar e por volta das oito da noite “ o grande Ricardo Chibanga a tourear de joelhos”.

Num pequeno rádio como este, a minha mãe ouvia as radionovelas, as grandes canções da altura e finalmente as notícias do ultramar, pois o meu irmão mais velho encontrava-se na guerra de Moçambique, mais propriamente na zona de Téte e cada vez que se noticiava algo sobre as ex-colónias a minha mãe apertava-me com tanta força no seu colo pedindo a Deus que nada de mal tivesse acontecido com ele.

Eis a chegada à nossa casa de um telegrama, por volta desse mesmo ano de 1973, anunciando que estava tudo bem com o meu irmão, foram momentos muito importantes da minha vida.

Chegava o verão quente de 1973, e a minha mãe começava a fazer as nossas roupas na sua máquina de costura, inclusive um biquíni de fofos vermelho com bolinhas brancas, sim porque naquele tempo não havia as lojas que há hoje e tão pouco nós nos importávamos com roupa de marca, diga-se de passagem que nunca mais encontrei um biquíni tão bonito quanto aquele.


Chegava o mês de Agosto, as minhas irmãs mais velhas levavam-me à praia da Torralta ou da Prainha para que eu pudesse desfrutar a tranquilidade e a serenidade do mar e do sol tão maravilhoso, nesse tempo era óptimo porque não havia o perigo dos raios ultra violetas como agora.

Adorava brincar nas poças de água existentes na praia, pareciam pequenas piscinas formadas pelo mar onde se juntavam crianças como eu, de diferentes nacionalidades, nós não compreendíamos a língua uns dos outros, mas através de gestos conseguíamos comunicar.

Em Outubro de 1973, entrei para o colégio de Portimão para a 1ª classe, era um colégio particular misto e o meu professor chamava-se Mariano, era um homem extremamente exigente especialmente a nível da matemática. Foi neste mesmo colégio que aprendi o hino nacional, o Inglês, o ballet e grandes princípios morais que me foram incutidos. Foram tempos de grande aprendizagem.

O meu pai sempre fez questão que a nossa educação estivesse em primeiro lugar e nunca quis que me faltasse nada e agora em sua memória agradeço por tudo o que fez por mim. (Faleceu vítima de um acidente de trabalho em 1977).


Em 1974 deu-se o 25 de Abril, “ o tempo da mudança” e os meus pais decidiram que iriam morar para Portimão, para um apartamento situado na Rua Vasco da gama, com 5 assoalhadas no 3º andar, num prédio de 5 andares com elevador automático, na altura era um prédio de luxo, era raro na altura encontrar-se prédios com estas tecnologias.

Com uma nova televisão deparávamo-nos com debates sobre o nosso pais, naquela altura quem comandava era o MFA, muitas revoltas, ou seja com acesso a um novo estado de direito que ate à data não tínhamos.

Esta imagem simboliza o meu primeiro telefone, não é muito parecido mas também é preto, tornou-se muito mais fácil comunicar com a minha família que viviam e ainda hoje vivem em Lisboa, a comunicação tornou-se mais rápida.



Em 1978, entrei numa fase nova da minha vida, a saída da escola privada para o ensino público foi um choque principalmente no Ciclo Preparatório.



Dois anos mais tarde ingresso na escola Secundária Poeta António Aleixo, “a melhor escola do mundo” foi aqui que aprendi a falar bem a língua mãe com excelentes professores de Português, desenvolvi também outras línguas como o inglês, o francês e o alemão.

Depois de completar o 9º ano e frequentar o 10º ano, tirei um curso de dactilografia e legislação comercial e industrial, e foi graças a esse curso que entrei para a Renault, como secretária da gerência, depois para a contabilidade e gestão de stocks. Esta empresa foi uma das primeiras a investir na área das novas tecnologias com o telex, fax, máquinas de escrever eléctricas e finalmente o computador ligado em rede, estou a falar no ano de 1988. O sistema foi implantado por um Engenheiro que veio directamente da Renault Francesa, era quase impossível encontrar-se uma empresa em 1989 que estivesse ligada por cabo como nós estávamos à Renault Portuguesa, de onde nós fazíamos encomendas de stock de peças pela manhã e no outro dia pela manhã já tínhamos o material para os vendedores entregarem aos nossos clientes.

Em 1992, decidi sair da Renault e tentar a minha sorte como empresária, na área da contabilidade, seguros e financeiras, área que estive ligada até entrar para este curso, desempenhando também outras funções em simultâneo, como ourivesarias (Oro Vivo), onde era colaboradora. Toda a informação com a gestão de recursos humanos era feita via internet.

De 1992 a 2004, estive sempre em contacto com novas tecnologias, desde o famoso telemóvel, aos primeiros computadores portáteis. Os programas que eu mais usava eram o P.O.C. (plano oficial de contas), gestão de contas correntes entre fornecedores e clientes, Word entre outros.

Em 2004, mais uma nova aventura eu e o meu marido decidimos abrir um negócio por conta própria em Espanha, ou seja em Mairena del Alcor Sevilha, foi o contacto com uma nova cultura e uma nova língua e costumes diferentes dos nossos, a nossa experiência foi muito útil, crescemos como seres humanos.

De 2007 a 2008 entrei para a Ensitel (lojas de telecomunicações, Sa) e aqui nesta loja entrei em contacto com toda a tecnologia do telemóvel como as redes GSM, GPRS etc. A internet móvel começou a desenvolver-se na altura e todos os colaboradores tinham de ter formação a nível de hardware, software das várias redes móveis. Foi nesta mesma empresa que aprendi as noções básicas de uso do Microsoft Outlook, o programa de facturação do Excel e muito mais, sei que nós estávamos a trabalhar no Algarve e os Engenheiros informáticos estavam a fazer a manutenção do programa de facturação a partir de Lisboa, e para tal abria-se uma janela no lado direito do computador, onde falavam connosco e iam mexendo nos programas.

Em 2008, surge um problema grave de saúde com o meu marido e se não fosse as novas tecnologias existentes na área da saúde, ele não teria sobrevivido. Estive em contacto com uma máquina que nunca tinha visto na minha vida, e o que é que esta fazia? Esta máquina separa os glóbulos brancos dos glóbulos vermelhos, plasma e medula, como se sabe a tecnologia tem vantagens e também as suas vantagens.

Finalmente entro para este curso, e começo a fazer trabalhos relacionados com as novas tecnologias, confesso que ainda tenho muito aprender com os meus colegas e também formadores, mas tenho algo a acrescentar, a tecnologia não é tudo, e se não se aprender a usar com conta peso e medida pode ser muito prejudicial.

Pode-se dizer que na internet encontra-se tudo sobre cultura e comunicação, mas ninguém me tira uma ida à biblioteca ou uma visita ao museu ou então ir ao cinema para assistir a um bom filme.



Não sei o que o futuro me reserva, sei que tenho um projecto e objectivos de vida, penso cumpri-los mas não sei se vai ser neste curso, mas como sou uma pessoa teimosa nem que “comece a chover picaretas”.

Einstein foi sempre crítico dos métodos de ensino praticados na escola. Apesar de ter fracos resultados escolares, Einstein tinha uma enorme curiosidade em compreender o universo. Apresentou uma postura autodidacta, afirmando que "preferiria suportar qualquer tipo de castigo a ter de papaguear as coisas aprendidas" e auto-classificava-se como “livre-pensador fanático".

In: www.e-escola.pt/personalidades.asp?nome=einstein-albert
















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