Formulário Padrão Tese XIV plenária do Fórum 16 e 17/05/2008 Brasília



Baixar 9.53 Kb.
Encontro02.08.2016
Tamanho9.53 Kb.




Formulário Padrão Tese – XIV Plenária do Fórum – 16 e 17/05/2008 – Brasília










Tese nº 04


Tema: Políticas Públicas

Identificação: Em defesa da leitura como formadora de cidadãos

Autoria: Coordenação Executiva FNDC


Em defesa da leitura como formadora de cidadãos





  1. No Brasil, a televisão ocupa um lugar preponderante relativamente aos demais meios de comunicação e à cultura nacional. Esse fato, já constatado fartamente, não diz respeito apenas à potência do meio TV, reconhecida mundialmente.

  2. Ocorre que, no Brasil, a relação com os meios impressos e com a leitura propriamente dita apresenta traços históricos tipicamente nacionais.

  3. Diversamente dos demais países da América, no Brasil a “cultura impressa” começou tardiamente: só em 1808 foi liberada a produção de impressos. Nesta altura, já proliferavam inúmeros jornais em toda a América, com destaque para os EUA, onde o Estado subsidiava a imprensa.

  4. Entretanto, o Brasil fica em significativa desvantagem mesmo frente à boa parte dos países da América espanhola, cuja história da imprensa e editorial é pujante, comparativamente ao Brasil. Essa pujança gerou traços culturais muito próprios e uma afeição acentuada pelo hábito de ler.

  5. Este fato histórico – o deliberado atraso nacional na produção de jornais, revistas e livros - nem sempre é relacionado com a nossa propalada “cultura audiovisual”. Ela decorre, em boa medida, do atraso imposto à produção de impressos – neles incluídos os livros, por óbvio.

  6. Acentuando esta característica brasileira, o regime militar optou pelo incentivo à expansão da TV, com resultados políticos, sociais e culturais bem conhecidos.

  7. Além disso, o advento das novas tecnologias e a convergência das mesmas reforçou mundialmente a supremacia do audiovisual, causando-lhe uma hipertrofia e dando-lhe aspecto natural.

  8. Todavia, a extraordinária relevância das boas produções audiovisuais (em geral hegemonizadas pelo meio TV) para a formação da cultura e da identidade nacional não deve sobrelevar a igual relevância do ato de ler.

  9. São bem conhecidas as decorrências existenciais da boa leitura – a começar pela produção de subjetividades.

  10. Igualmente, a leitura exerce um papel semelhante no discernimento humano sobre as práticas sociais atinentes à cidadania.

  11. Cumpre-nos, no alcance possível ao FNDC, promover ações de estímulo ao hábito de ler, bem como de incentivo à produção de livros e de impressos em geral.

  12. Em seu Programa, o FNDC já defende semelhantes incentivos. Para e além de concretizá-los, precisamos desencadear ações favoráveis à criação, disseminação e fortalecimento de ambientes e cultura favoráveis à leitura e alertas quanto à suposta inevitabilidade da supremacia audiovisual.

  13. Face ao exposto, e considerando a complexidade do tema, o FNDC (1) assumirá uma postura pública pró-ativa e preventiva face à referida supremacia dos meios audiovisuais e produtos sobre a cultura e a identidade nacional; (2) criará um Grupo de Trabalho para debater e sugerir as ações mencionadas no item 11, bem como sugerir os incentivos mencionados no item 10.

  14. Tais sugestões serão enquadradas em uma política nacional de comunicações, enfatizando a leitura como formadora de cidadãos.


Brasília, 17 de maio de 2008.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal