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V CONCLUSÕES

Filgueiras Lima foi, além de um grande poeta, um educador que influenciou toda uma geração de alunos, professores e de outros educadores no Estado do Ceará na primeira metade do século XX. Ocupou posição de destaque no cenário educacional cearense tanto no ensino privado, como no ensino público, onde exerceu os cargos de professor da Escola Normal, Secretário da Educação e Saúde e Presidente do Conselho de Educação do Estado.


Fundou uma escola particular, hoje a Faculdade e Colégio Lourenço Filho, instituição que se projeta como uma das grandes responsáveis pelo ensino no Ceará. Esta ação demonstra a sua competência não só como educador, mas também como empresário empreendedor.
Fulcrado nos ideais do movimento da Escola Nova, ele pregou e realizou, juntamente com outros educadores, uma revolução na educação do Ceará, colocando o apedeuta no eixo do processo de ensino-aprendizagem, abolindo práticas anacrônicas que ainda eram utilizadas na Escola Tradicional, como a palmatória, o castigo e o ditado que eram usados como instrumentos disciplinadores.
Seguidor das idéias de Dewey, Decroly e Lourenço Filho, ele defendeu a implantação de uma escola ativa, baseada na pedagogia da ação, em que os alunos aprendiam fazendo e não apenas assimilando os conteúdos. Defendia a utilização dos novos métodos didáticos, como o sistema de projetos e o centro de interesses. Sempre se mostrou preocupado com a formação dos professores em todos os graus de ensino. Considerava que a sociedade da sua época dava pouca importância ao assunto, pois muitos professores, principalmente no ensino secundário, não tinham a formação adequada.

Ele sempre criticou aqueles que achavam que ensinar era uma atividade empírica sem qualquer fundamentação. Para ser professor dever-se-ia ter uma formação própria, utilizar-se de meios didáticos e preparar as suas aulas. Vê-se que esse problema por muito tempo permaneceu insolúvel no nosso país, pois, só recentemente, a sociedade prestou a devida atenção ao problema e, certamente, essa foi uma das causas do fracasso do ensino brasileiro nos últimos anos.


Filgueiras Lima acreditava que a educação tinha por finalidade principal a formação do caráter do ser humano. E esta formação abrangia os aspectos morais, cívicos, sociais e religiosos. Ele considerava de suma importância o desenvolvimento do caráter espiritual da criança e do adolescente.
A autoridade que ele exercia em sua escola era baseada na liberdade, que não devia ser confundida com a libertinagem. Os alunos eram livres, mas deveriam ter responsabilidade sobre os seus atos. Jamais eram usados métodos de castigo físico contra os alunos.
Vale aqui se ressaltar as conclusões obtidas pela Professora Ercília Braga acerca da prática e do pensamento pedagógico de Filgueiras Lima, por ocasião de suas entrevistas realizadas com as ex-alunas do poeta na Escola Normal:
No período de atuação do Professor Filgueiras Lima, a escola e a prática pedagógica cotidiana eram voltadas para o fortalecimento da nação, rumo ao progresso moral e material tão almejado por uma unidade da federação que, vivenciando práticas políticas oligárquicas, sonhava com o ideal liberal democrático; e que vivenciando relações de semi-servidão, sonhava com a industrialização e os benefícios da ciência e tecnologia;
Para aquela geração de professores, a construção de um projeto pedagógico deste porte deveria assumir valores humanos, éticos e religiosos que se contrapunham ao projeto de formação humana num sentido unidimensional. A educação escolar deveria ir além da instrução e do treino, constituindo-se como processo de humanização que celebrava a vida colaborando para refazer a plenitude do homem à medida que, incessantemente, procurava criar condições, individuais e sociais, objetivas e subjetivas, que permitisse que todas as potencialidades e capacidades humanas se expressasse e se desenvolvesse, garantido crescentes graus de autonomia intelectual, afetiva e moral de sujeitos que construíssem suas identidades;
Para Filgueiras Lima, a transformação da escola só seria possível com a renovação dos métodos de ensino. Tanto uma quanto outra se subordinam à construção de um relacionamento entre professor e aluno que seja respeitoso e fraterno.
Inspirado em Dewey, defende que a escola seja transformada numa comunidade de vida e que a educação seja concebida como uma contínua experiência. Comunidade de vida democrática e reconstrução da experiência baseada no diálogo, na compensação e no respeito real pelas diferenças individuais, sobre cuja aceitação pode se assentar num entendimento mútuo, o acordo e os projetos solidários.
A formação moral e intelectual da juventude depende, em grande parte, do combate à sua baixa estima. As crianças e jovens precisam se sentir estimados e estimulados ao sucesso. É preciso acreditar e exaltar a capacidade dos jovens.
As idéias de Filgueiras Lima estavam muito a frente de seu tempo, principalmente no Estado do Ceará, que, naquele tempo, era uma das mais atrasadas unidades da federação. Muito das mudanças que ele pregava ainda não foram realizadas no ensino brasileiro. A maioria das escolas permanece adotando um ensino tradicional, livresco, que enfatiza apenas o acúmulo de conteúdo. Não se instalou de maneira preponderante uma escola que vise à formação do caráter.

Dentro de uma concepção escolanovista de educação, Filgueiras Lima acreditava que a educação era vida, assim como uma preparação para a vida e, principalmente, um processo ao longo da vida. É através da educação que se pode formar um homem apto a viver na democracia e destacadamente a construir uma sociedade pacífica. Este último aspecto, ele considerava como um fim último e universal da educação, pois em todos os cantos do planeta, as pessoas deveriam ser formadas para viver em harmonia e pacificamente.


Filgueiras Lima foi um exemplo de pessoa, de educador e de professor. Acreditando num ideal de educação cooperativa, ele procurava orientar a juventude, de modo a instruí-la sempre a fazer o bem e ajudar o próximo. Tentava sempre ter uma conduta que servisse de exemplo para os seus colegas e subordinados. Acreditava no poder do diálogo para solucionar conflitos e, principalmente, acreditava na juventude e que o jovem, se bem orientado, poderia modificar o mundo, transformando-o num local melhor de viver e de se conviver.
Essa foi a contribuição de Filgueiras Lima à educação do Estado do Ceará. Muito mais, ele poderia ter contribuído, se não houvesse falecido prematuramente, aos 56 anos. Mas, com certeza, os seus ensinamentos e ideais continuam presentes nas práticas e nas ações de muitos educadores contemporâneos.

BIBLIOGRAFIA

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OLIVEIRA, Hilton. O Poeta que Ganhou o Céu. O Unitário, Fortaleza, 21 maio 1968, p.


1 As ex-alunas entrevistadas foram: Afonsina Rocha Lima, Maria Berenice Braide Nogueira, Suzana Ribeiro Dias, Susana Bonfim Borges, Maria do Carmo Mota (D. Mimosa), Albanisa Maria das Chagas, Irene Arruda, Dagmar Moreira Leitão, Zuleide Silveira de Pontes Medeiros, Noemi Costa Soriano Aderaldo.

3 Depoimento de Antonio Filgueiras Lima Filho

5 Depoimento de Albanisa Maria das Chagas

6 Depoimento de Zuleide Silveira de Pontes Medeiros

7 Depoimento de Noemi Costa Soriano Aderaldo.

8 Cf. Traços Biográficos de Filgueiras Lima. In LIMA, A F. Antologia Poética. Fortaleza: Equatorial, 2. ed., 1997, p.146.

9 Bezerra, João Clímaco. In LIMA, A F. Antologia Poética. Fortaleza: Equatorial, 2. ed., 1997, p.145.


10 LIMA, A.F. In GIRÃO, Raimundo. Falas Acadêmicas. Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1976, p. 108-109.

11 Depoimento de Antonio Filgueiras Lima Filho

12 Depoimento do Professor Francisco de Paula Aguiar

13 OLIVEIRA, Hilton. O Poeta que Ganhou o Céu. O Unitário, Fortaleza, 21 maio 1968, p.

14 ARAÚJO, Sílvia. Nomes dos que Fizeram a História do Ceará – Filgueiras Lima. Tribuna do Ceará, Fortaleza, 19 out. 1997, Entre Aspas, Caderno C, p. 23.

15 NOGUEIRA, Raimundo de Sá Frota. A Prática Pedagógica de Lourenço Filho no Estado do Ceará. Fortaleza: UFC, 2001.

16 In NOGUEIRA, Raimundo Frota de Sá. Op. Cit., p. 26-27.

17 LOURENÇO FILHO, M. B. Introdução ao Estudo da Escola Nova. São Paulo: Melhoramentos, 12 ed. 1978, p. 19.

18 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1989, p. 109.

19 BACKHEUSER, Everardo. Manual de Pedagogia Moderna. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1942, p. 29.

20 LOURENÇO FILHO, M.B. Op. cit., 1978, p. 171.

21 DEWEY, John apud BACKHEUSER, Everardo. Ob. cit., 1942, p. 25.

22 TEIXEIRA, Anísio, 1933 apud Id., Ibid., p. 25.

23 LOURENÇO FILHO, M.B. Op. cit., p. 199.

24 LIMA, A F. Novos Rumos da Didática Pedagógica. Revista Educação Nova, Fortaleza, ano 2, n.6, p. 1-2, maio 1933.

25 LIMA, A.F. Do Ensino Intuitivo à Escola Ativa. Revista Educação Nova, Fortaleza, ano 1, n. 1, p. 67, jan. 1932.

26 LIMA, A.F. Do Ensino Intuitivo à Escola Ativa. Revista Educação Nova, Fortaleza, ano 1, n.1, p. 68, jun. 1932.

27 LIMA, A.F. Pedagogia da Ação. Revista Educação Nova, Fortaleza, ano 1, n. 1, p. 25, jun. 1932.

28 LIMA, A F. A Formação do Caráter pelo “Método de Projetos”. Revista Educação Nova, Fortaleza, ano 2, n.6, p. 25, maio 1933.

29 SOUZA, Simone de (Org). Uma Nova História do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002, p. 302.

30LIMA, AF. O Sentido de uma Homenagem. Revista do Colégio Lourenço Filho, Fortaleza , ano 1, n. 2, p. 1, 1956.

31 LIMA, A. F. In Metodologia das Ciências Sociais. Fortaleza: Instituto do Ceará, 1949, p. 25.


32 Depoimento de Olga Nunes da Costa.

33 Lima, A F. Op. cit., 1949, p. 6.

34 LIMA, A.F., Op., cit., 1949, p. 19.

35 Depoimento de Maria do Carmo Mota (Dona Mimosa).

36 Depoimento de Maria Berenice Braide Nogueira.

37 LIMA, AF. Revista Contemporânea, Fortaleza, ano 6, n. 39, p. , dez. 1944.

38 LIMA, AF. A Cidade das Criança. O Povo, Fortaleza, 13 mar. 1937. Educação e Ensino.

40 MOTA, M.C.S. Luzes do Entardecer. Fortaleza: 2000.

41 Depoimento do Professor Vicente de Paula Soares.

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