Foucault e a Organização



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Foucault e a Organização

Liderança


A cultura da Organização define a utilização das várias formas de poder existentes. Quanto mais o líder se identificar com a cultura organizacional, mais chances ele tem de subir hierarquicamente na Organização, reforçando a cultura organizacional existente.

Rosa Krausz no seu livro Compartilhando o Poder nas Organizações apresenta 4 tipos de liderança:


Liderança coercitiva: baseia seus atos de influência de forma predominante no poder de coerção e de posição. A filosofia básica desse estilo de liderança é a falta de respeito pelo ser humano, por seus sentimentos, necessidades e capacidades.Quem utiliza esse estilo reduz as pessoas a coisas, meras peças de uma máquina, sem vontade própria, sem dignidade e sem iniciativa própria, inúteis
Liderança controladora: se apóia no poder de posição e recompensa, usando de vez em quando o poder de coerção. A filosofia básica deste tipo de liderança é a falta de confiança nas pessoas, que existe apenas uma maneira de fazer as coisas certas e de que as pessoas são incompetentes, não têm vontade de trabalhar, daí a necessidade de controlar suas atividades. Este estilo de liderança gera burocracia, segmentação de tarefas, controles que incentivam desinteresse, multiplicação excessiva de normas, regras e procedimentos.
Liderança orientadora: tem conotação paternalista. Facilita a criação de uma rede de relacionamentos informais que aumenta a compreensão, a divulgação de objetivos e missão da empresa, podendo levar a uma maior integração dos esforços conjuntos e à diminuição da competição entre pessoas e setores.
Liderança integradora: emprega o poder de recompensa, além do poder de conhecimento, enfatizando o poder de conexão e de competência interpessoal.Utiliza toads as forças do poder pessoal e uma pequena parcela do poder contextual
Nenhuma organização poderá sobreviver sem um mínimo de disciplina, sem algum tipo de estrutura, normas, procedimentos que garantam homogeneidade básica que oriente as ações coletivas. A estrutura organizacional e o poder contextual que esta gera, na medida em que distribui indivíduos com diferentes atribuições, são fundamentais para orientar e direcionar as ações e os atos influenciais que dão um certo grau de dinamismo a esta estrutura.

As empresas são realidades sociais complexas e se constituem em cenários onde as redes de relacionamentos interpessoal e intergrupal criam um sistema de troca contínua e constante de atos influenciais,- no qual as relações de poder contextual e pessoal estão sempre presentes

Genéricos
Foucault, Poder e Análise das Organizações.
O poder só existe em ato, no choque das forças inscritas em um campo de possibilidades que se apóiam sobre estruturas permanentes.

No limite, só há relação de poder quando o homem pode escapar.


A área da administração, a análise das organizações é um campo de estudo que pode se beneficiar do conhecimento de diferentes áreas do conhecimento humano. Existe uma clara relação entre as teorias das ciências humanas e as teorias organizacionais.Gibson Burrel(1988): O pensamento de Foucault é importante quando mostra que os indivíduos estão atrelados ao mundo organizacional onde impera o modo de dominação disciplinar. O panoptico também pode exemplificar a vigilância que se exerce permanentemente sobre as pessoas que trabalham numa organização.

Para Knights(1.992) A análise das organizações por Foucault serve para mostrar como a administração e suas teorias são mecanismos de poder.Formas de poder/saber. As teorias dominantes, em análise organizacional, levariam a uma arte de governar.

Para, McKinlay e Starkey (1.998) Falam do poder disciplinar em ação nas organizações e do papel do poder na constituição do sujeito no cotidiano organizacional.

As idéias de Foucault trazem novas perspectivas para a análise do fenômeno organizacional e relações de poder e de como os poderes das empresas fazem com que seus funcionários estejam presos às estruturar de dominação, que, por sua vez, inibem os potenciais dos empregados. Importante também para rediscutir as formas e os mecanismos de operação do poder no controle dos trabalhadores e para também reavaliar o papel da resistência. Foucault é importante para o entendimento do caráter relacional do poder nas dinâmicas organizacionais e o poder inerente entre poder e saber no contexto das organizações. As idéias de Foucault são úteis para trazer maior reflexão em áreas da organização tradicionalmente pragmáticas e utilitárias que sempre foram voltadas para a busca de resultados a todo custo, tais como: recursos humanos, contabilidade, marketing e pesquisa operacional

Os trabalhos de Foucault são pertinentes para a área, tanto para renovar as discussões sobre poder, nas organizações, quanto para problematizar especialidades tradicionalmente fundamentadas em uma perspectiva positivista e pragmática.

A noção de poder disciplinar consegue dar conta sem limitações de analisar as relações de poder presentes no paradigma taylorista/fordista de produção. O poder disciplinar aplica-se a fim de disciplinar e normalizar, a partir de uma definição de um comportamento desejável a priori

A obra Vigiar e Punir é a mais famosa de Foucault e apresenta a possibilidade de desenvolver paralelos interessantes com as organizações de uma forma geral.

Nesses esquemas de docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo? Não é a primeira vez, certamente, que o corpo é objeto de investimentos tão imperiosos e urgentes; em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de poderes muito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas coisas, entretanto, são novas nessas técnicas. A escala, em primeiro lugar, do controle: não se trata de cuidar do corpo, em massa, grosso modo, como se fosse uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo detalhadamente; de exercer sobre ele uma



coerção sem folga, de mantê-lo ao nível mesmo da mecânica — movimentos, gestos atitude, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo. O objeto, em seguida, do controle: não, ou não mais, os elementos significativos do comportamento

ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício. A modalidade enfim: implica numa coerção ininterrupta, constante, que vela sobre os processos da atividade mais que sobre seu resultado e se exerce de acordo com uma codificação que esquadrinha ao máximo o tempo, o espaço, os movimentos. Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes

impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as "disciplinas". Muitos processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer

dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação. Diferentes da escravidão, pois não se fundamentam numa relação de apropriação dos corpos; é até a elegância da disciplina dispensar essa relação custosa e violenta obtendo efeitos de utilidade pelo menos igualmente grandes. Diferentes também da domesticidade, que é uma relação de dominação constante, global, maciça, não analítica, ilimitada e estabelecida sob a forma da vontade singular do patrão, seu "capricho". Diferentes da vassalidade que é uma relação de submissão altamente codificada, mas longínqua e que se realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os produtos do trabalho e as marcas rituais da obediência. Diferentes ainda do ascetismo e das "disciplinas" de tipo

monástico, que têm por função realizar renúncias mais do que aumentos de utilidade e que, se implicam em obediência a outrem, têm como fim principal um aumento do domínio de cada um sobre seu próprio corpo. O momento histórico das

disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma "anatomia política", que é também

igualmente uma "mecânica do poder", está nascendo; ela define como se pode ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a

eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos "dóceis". A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de

obediência). Em uma palavra: ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado uma "aptidão", uma "capacidade" que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma relação de

sujeição estrita. Se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, digamos que a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada.


O método genealógico possui um grande potencial para ser explorado em análise das organizações. Ele poderia, por exemplo, ser utilizado tanto para analisar as condições reais do aparecimento de determinados discursos, no interior de lutas e tramas de poder, em áreas de especialidade da administração(recursos humanos, marketing e finanças) quanto para mostrar a legitimação dos executivos como pessoas importantes e fundamentais dentro das organizações, em detrimento dos demais membros das organizações e de áreas de especialidade em organizações específicas.

Na sua Analítica do Poder, Foucault analisa dois mecanismos de poder: as disciplinas e a biopolítica.As disciplinas atuam sobre o corpo individual, ao passo que a biopolítica atua sobre a população. O que nos interessa neste trabalho são as disciplinas que corresponderiam à série corpo-organismo – disciplina-instituições.

A questão da norma é um ponto importante para caracterizar a relação entre as disciplinas e a biopolítica.Tanto as disciplinas quanto a biopolítica normalizam. A normalização disciplinar funciona sobre quem ela aua por meio da imposição de um modelo ótimo definido a priori. Procura fazer pessoas, gestos, ações,atos e atitudes funcionarem de acordo com esse modelo. Elas fazem isso porque analisam, decompõem os indivíduos, os lugares e o tempo. Depois, classificam os termos decompostos, estabelecem ordenações entre eles, fixam procedimentos de correção e controle e, assim, procuram estabelecer uma separação entre o normal e o anormal.A normalização da biopolítica identifica diferentes tipos de normalidade.Procuram encontrar as diferentes curvas em populações específicas objetos de sua análise. Depois disso, agem para combater as curvas mais distantes do que foi definido como a curva mais comum. Assim antes de procurar criar o normal, os mecanismos da biopolítica estudam as diversas curvas de uma dada população e, a posteriori, definem qual é a curva mais normal. Assim agem e tentam mudar as curvas desfavoráveis, buscando aproxima-las da definida como normal.Com isso poderíamos discutir como os programas de R.H. agem não somente para disciplinar pessoas, mas também regula-las.Assim podemos perceber que as análises das diferentes normalizações disciplinares e biopolíticas podem ser de grande relevância para a compreensão das dinâmicas de poder das práticas organizacionais e das técnicas de gestão atuais, principalmente se forem realizadas por meio de uma elaboração genealógica.

A obra de Foucault poderia abrir novos caminhos para a análise das organizações e para o tema das instituições totais, mostrando que os indivíduos vivem atrelados ao mundo organizacional onde impera o modo de dominação disciplinar

Braverman foi de vital importância para problematizar a mudança de natureza do trabalho, na sociedade industrial moderna, ao denunciar a destruição do conceito de trabalho como um processo criativo. Ele discute que a perda de habilidades por parte dos trabalhadores e a degradação de seus trabalhos são oriundas da substituição do conteúdo inteligente da tarefa pela execução de rotinas pré determinadas.Afirma também que a intensificação e a perda de criatividade no trabalho dos dias de hoje são resultado do aumento do controle exercido pelos gestores e pela separação entre pensamento e execução da tarefa.O poder seria concedido pela posição e/ou pelo cargo que uma pessoa ocupa dentro da organização.Foucault diz que o poder é antes de tudo uma relação e que no momento em que há relação de poder, há resistência em potencial. Também diz que o poder só existe como relação e que tal relação ocorre em ato e é uma prática social. Devemos compreender as relações de poder como estratégias variáveis que induzem a estados de poder.

Vigiar e Punir

uma relação de submissão altamente codificada, mas longínqua e que se realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os produtos do trabalho e as marcas rituais da obediência. Diferentes ainda do ascetismo e das "disciplinas" de tipo

monástico, que têm por função realizar renúncias mais do que aumentos de utilidade e que, se implicam em obediência a outrem, têm como fim principal um aumento do domínio de cada um sobre seu próprio corpo. O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho

sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma "anatomia política", que é também igualmente uma "mecânica do poder", está nascendo; ela define como se pode ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos "dóceis". A disciplina

aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra: ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado uma "aptidão", uma "capacidade" que

ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma relação de sujeição estrita. Se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, digamos que a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada.

Conceitos sobre poder e disciplina, desenvolvimento de uma sociedade disciplinar.Explica a dominação das Organizações sobre os homens

Foucault fala de controle mental e controle corporal

Observação: Ler os livros de administração e analisa-los conforme as ferramentas da Ordem do Discurso de Foucault

Apresentar como Foucault pode ser uma ferramenta para destrinchar o funcionamento das organizações tendo como foco o investimento em pessoal enquanto a meta é o lucro.

A instituição usa o poder para minimizar os efeitos dos discursos que possa prejudicá-la. Na Academia se propaga que o discurso é vazio. No senso comum também. Foucault defende o discurso apontando como ele é utilizado para estabelecer e manter o poder e vender idéias.



Situação na Organização: conflitos sem solução em que a Instituição deixa os empregados falarem (discursarem) sabendo de antemão qual será o resultado. Estamos tentando fazer a radiografia da Instituição. Instituição e empregado (hoje com o eufemismo colaborador).

Foucault – modelo de análise.

Ferramenta para pensar a administração. “Ordem do Discurso”

Panóptico. A prisão não tem celas com grades. É constituída de modo que os prisioneiros acreditam que estão todo o tempo sob a vigilância dos guardas e assim disciplinam-se a si mesmos. O capitalismo é uma forma discursiva presente no mundo. Como a sociedade pode controlar o corpo? Controle repressão e controle estimulação. Controle sobre as pessoas. Empresa de telemarketing. Câmeras. Controle do fumo. Quais os desdobramentos? Controle sobre o corpo.

Mudar os desejos das pessoas para exercer o poder.

Coaching pode ser um instrumento de poder. Como humanizá-lo?

A empresa lucra e a pessoa pensa que se sente melhor. A única verdade é que a empresa lucra. Existe muita manipulação.

As teorias se multiplicam, mas só serão adotadas através do poder e certas condições que precisam ser supridas.

A organização é um microcosmo onde se analisam todas as situações.

Bio Poder: detém o poder tendo domínio sobre o corpo

O poder não pode ser identificado. Poder identificado perde a força. Identificando tem como sair dele.

O discurso pode controlar a corporeidade. A organização deita e rola. As pessoas assimilam qual é o seu lugar e ficam lá. Ser e estar no mundo Você pode fazer tudo.Se não desmascarar o poder que te faz pensar que você é aquilo e pronto. Aí você fica como um desajustado. O poder faz você pensar que é uma coisa que não é.

O Lula vem quebrando os ditames do poder.

Na organização a verdade é circunstancial e se apresenta como conjuntural.

O discurso é verdadeiro perante a necessidade do que ele defende.


Ler os livros de administração e analisa-los conforme as ferramentas da Ordem do Discurso de Foucault. Foucault fala de controle mental e controle corporal.
Panoptismo

Panoptismo: É um dos traços característicos da nossa sociedade. É uma forma que se exerce sobre os indivíduos em forma de vigilância individual e contínua, em forma de controle de punição e recompensa e em forma de correção, isto é, de formação e transformação dos indivíduos em função de certas normas. Esse tríplice aspecto do panoptismo- vigilância, controle e correção- parece ser uma dimensão fundamental e característica das relações de poder que existem em nossa sociedade. O panoptico é uma arquitetura de vigilância que permite a um único olhar percorrer o maior número de rostos, de corpos, de atitudes, o maior número de celas possíveis.

O sistema não deve ter como função apenas perseguir os indivíduos que cometeram a infração; sua função principal deve ser a de vigiar os indivíduos antes mesmo que a infração seja cometida. Deve ser um olho perpetuamente aberto sobre a população. São diversas instâncias até chegar ao olho da autoridade mais alta que olha a sociedade em toda sua extensão. Um olho auxiliado por uma série de olhares, dispostos em forma de pirâmide a partir do olho da autoridade mais alta e que vigiam toda a sociedade. Para muitos esta grande pirâmide de olhares consistia na nova forma de justiça. Várias instituições vivem essas características do panoptismo próprias da sociedade moderna, industrial e capitalista. Esse panoptismo existe, ao nível mais simples e no funcionamento cotidiano das instituições que enquadram a vida e os corpos dos indivíduos. O panoptismo, ao nível da existência individual.

No século XIX existiam as fábricas-prisões. As fábricas-conventos, fábricas, onde o tempo do operário é inteiramente comprado, de uma vez por todas, por um prêmio anual que só é recebido na saída. Esse panopticon industrial, sonho patronal existiu realmente, e em larga escala, no início do século XIX. Entre outros existiu na França, na Suíça em particular e na Inglaterra.

Teve na época uma amplitude econômica e demográfica muito grande. Tudo isso foi o sonho realizado do patronato.

De fato há duas espécies de utopia: as utopias proletárias socialistas que têm a propriedade de nunca se realizarem, e as utopias capitalistas que têm a má tendência de se realizarem.

A fábrica prisão foi realmente realizada. Mas, no momento em que aconteceu uma crise de produção, essas casas enormes com um número fixo de operários e uma aparelhagem montada de forma definitiva, revelaram-se absolutamente não válidas e foram postas de lado. Mas para assegurar, no mundo industrial, as funções de internamento, de reclusão, de fixação da classe operária foram criadas as cidades operárias, caixas econômicas, caixas de assistência, etc. meios para se fixar a população operária, o proletariado em formação no corpo mesmo do aparelho de produção.
A Vigilância nas Instituições

Nas instituições que se formaram no século XIX não é na qualidade de membro de um grupo que o indivíduo é vigiado. Ele é vigiado por ser um indivíduo e quando ele se encontra numa instituição é essa instituição que vai vigiar o indivíduo que entra nesta comunidade (instituição)



A prisão, o hospital, a escola, a oficina não são formas de vigilância do próprio grupo. É a instituição que vai constituir os indivíduos secundariamente como grupo.

Atualmente essas instituições têm por finalidade não excluir, mas, ao contrário, fixar os indivíduos. Dependendo das instituições, dos países e das circunstâncias, algumas dessas instituições são controladas diretamente pelo aparelho do Estado. Mais do que instituições estatais ou não estatais, é preciso dizer que existe uma rede institucional de seqüestro, que é intraestatal; a diferença entre aparelho de Estado e o que não é aparelho de Estado não é importante para analisar as funções deste aparelho geral de seqüestro, desta rede de seqüestro no interior da qual nossa existência se encontra aprisionada. Essa rede e essas instituições têm a propriedade de implicarem o controle, a responsabilidade sobre a totalidade do tempo dos indivíduos; são, portanto instituições que, de certa forma, se encarregam de toda a dimensão temporal da vida dos indivíduos.



É preciso que o tempo dos homens seja oferecido ao aparelho de produção; que o aparelho de produção possa utilizar o tempo de vida, o tempo de existência dos homens. São necessárias duas coisas para que se forme a sociedade industrial: por um lado, é preciso que o tempo dos homens seja colocado no mercado, oferecido aos que o querem comprar em troca de um salário e por outro lado é preciso que esse tempo dos homens seja transformado em tempo de trabalho. È por isso que em uma série de instituições encontramos o problema e as técnicas da extração máxima do tempo. A extração da totalidade do tempo é a primeira função destas instituições de seqüestro. A segunda função das instituições de seqüestro é a de controlar seus corpos. É o corpo que deve qualificar-se para poder trabalhar. A terceira função dessas Instituições de seqüestro é o poder econômico, político e judiciário. Nestas instituições não apenas se dão ordens, se tomam decisões, não somente se garantem funções como a produção, a aprendizagem, etc., mas também se tem direito de punir e recompensar, se tem o poder de fazer comparecer diante das instâncias de julgamento. Existe também o poder de extrair um certo saber técnico da produção que vai permitir um reforço do controle.

A instituições de seqüestro fazem com que o tempo de vida do homem se torne tempo de trabalho, que o tempo de trabalho se torne força de trabalho e que a força de trabalho se torne força produtiva.

Conclusões:

  • O aparecimento da Prisão: No grande panoptismo social, cuja função é a transformação da vida dos homens em força produtiva, a prisão exerce uma função muito mais simbólica e exemplar do que realmente econômica, penal ou corretiva. A prisão é a imagem da sociedade e a imagem invertida da sociedade, imagem transformada em ameaça. A prisão emite dois discursos: num se inocenta de ser prisão por se assemelhar a todo resto e noutro inocenta todas as outras instituições de serem prisões, já que ela se apresenta como sendo válida unicamente para aqueles que cometeram uma falta.

  • A essência concreta do homem não é o trabalho: É preciso a operação ou a síntese operada por um poder político para que a essência do homem possa aparecer como sendo a do trabalho. A ligação do homem ao trabalho é sintética, política; é uma ligação operada pelo poder. Conceito de sub-poder: conjunto de pequenos poderes, de pequenas instituições situadas em um nível mais baixo. Sub poder como condição do sobre-lucro

  • Este sub poder, condição do sobre lucro, ao se estabelecer, ao passar a funcionar, provocou o nascimento de uma série de saberes - saber do indivíduo, da normalização, saber corretivo - que se multiplicaram nestas instituições de sub poder fazendo surgir as chamadas ciências do homem e o homem como objeto da ciência. Estes saberes e estes poderes se encontram firmemente enraizados não apenas na existência dos homens mas também nas relações de produção que caracterizam as sociedades capitalistas.


A Microfísica do Poder
O Poder Molecular, o Saber e Aparelho de Estado. A sujeição do homem às organizações

Nesses textos, Foucault rejeita a identificação entre poder e aparelho de Estado, dando importância a uma rede de poderes moleculares que se expande por toda a sociedade assim como caracteriza o poder não apenas como repressivo, mas também como disciplinar, normalizador. Desta forma analisa o saber como peça de um dispositivo político que, ao mesmo tempo que o produz, é intensificado por ele.Também coloca que onde há poder e saber há resistência. Seu objetivo: produzir conhecimentos capazes de se insurgirem contra a dominação burguesa que os próprios saberes sobre o homem ajudaram a criar e a aperfeiçoar.

O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer a sua ação; nunca são o alvo inerte e consentido do poder, são sempre centros de transmissão.

Captar o poder na extremidade cada vez menos jurídica do seu exercício, em suas últimas ramificações, lá onde ele se torna capilar.

Ao invés de perguntar como o soberano aparece no topo, tentar saber como foram constituídos, pouco a pouco, progressivamente, realmente e materialmente os súditos, a partir da multiplicidade dos corpos, das forças, das energias, das matérias, dos desejos, dos pensamentos, etc.



A burguesia não se interessa pelos loucos, mas pelo poder; não se interessa pela sexualidade infantil, mas pelo sistema de poder que a controla. A burguesia não se importa absolutamente com os delinqüentes nem com sua punição ou reinserção social,que não tem muita importância do ponto de vista econômico, mas se interessa pelo conjunto de mecanismos que controlam, seguem, punem e reformam os delinqüentes.
Poder Disciplinar
Este novo tipo de poder que não pode mais ser transcrito nos termos da soberania, é uma das grandes invenções da sociedade burguesa. Ele foi um instrumento fundamental para a constituição do capitalismo industrial e do tipo de sociedade que lhe é correspondente; este poder não soberano, alheio à forma da soberania, é o poder disciplinar. Um direito de soberania e um mecanismo disciplinar: é dentro desses limites que se dá o exercício do poder. As disciplinas são portadoras de um discurso que não pode ser o de direito; o discurso da disciplina é alheio ao da lei e da regra enquanto efeito da vontade soberana. As disciplinas veicularão um discurso que será o da regra, não da regra jurídica derivada da soberania, mas o da regra natural, quer dizer, da norma; definirão um código que não será o da lei mas o da normalização; referir-se-ão a um horizonte teórico que não pode ser de maneira alguma o edifício do direito mas o domínio das ciências humanas; a sua jurisprudência será a de um saber clínico.
“Onde existe poder, existe resistência” é, por conseguinte, quase uma tautologia.(dizer a mesma coisa)..

M.F. diz que a partir do momento em que há uma relação de poder, há uma possibilidade de resistência. Jamais somos aprisionados pelo poder: podemos sempre modificar sua dominação em condições determinadas e segundo uma estratégia precisa.
Michel Foucault – um pensador do presente

Ao estudar a ciência da disciplina, Foucault mostra seus princípios básicos:

  • A espacialização: um lugar para cada um e cada um em seu lugar

  • O controle minucioso da atividade: hora para estudar, hora para comer, hora para o recreio; tempo para produzir tal peça; hora para começar ou terminar uma atividade;

  • Vigilância hierárquica: uma complexa rede de autoridade e treinamento;

  • A sanção normalizadora: a análise contínua das condições de disciplinamento e seus possíveis desvios

  • O exame: combina as técnicas de hierarquia que vigia e as da sanção que normaliza. É um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar, classificar e punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através da qual eles são diferenciados e sancionados

Formação de saber e exercício de poder estão ligados pelo exame que está no centro dos processos que constituem os indivíduos como efeito e objeto de poder. É ele que, combinando vigilância hierárquica e sanção normalizadora, realiza as grandes funções disciplinares de repartição e classificação, de extração máxima das forças e do tempo, de acumulação genérica contínua, de composição ótima das aptidões.



O poder disciplinar não pune, somente; ele também recompensa. Seu objetivo é produzir corpos dóceis; corpo que se manipula, se modela, se treina e obedece; corpo cujas forças se multiplicam, se torna hábil; corpo útil

Se lançarmos um olhar para a empresa, também podemos ver o controle das atividades, dos corpos, dos tempos, dos resultados, dos ditos e dos não ditos, dos possíveis e dos impossíveis - grandes máquinas de fazer ver, falar e calar

Nietzsche e a Organização


Nietzsche elabora em O Nascimento da Tragédia uma teoria do trágico

a partir da oposição e complementaridade entre apolíneo e dionisíaco, racionalismo e instinto, e na recusa da perspectiva pessimista.

A interpretação nietzschiana da tragédia grega traz à cena a combinação

sublime do dionisíaco ao apolíneo. Dioniso encena a embriaguez arrebatadora e

Apolo permite a moderação desse estado. Apesar de proporcionarem impulsos

opostos, os dois deuses se encontram para originar a tragédia, demonstrando que há complementaridade entre seus atributos. O encontro dionisíaco-apolíneo promove a reconciliação do homem com a sua origem, ao ser arrebatado da realidade em direção ao Uno-primordial (Ur-Eine)2.

Apolo rege o princípio de

individuação, impondo comedimento e auto-conhecimento aos helenos.
O

equilíbrio entre o estado apolíneo da contemplação da aparência e o êxtase

dionisíaco origina a arte trágica, de acordo com a reflexão nietzschiana. Os festejos

dionisíacos desafiam a morte individual porque celebram a vida eterna do Uno-

primordial: “O indivíduo, com todos os seus limites e medidas, afundava aqui no

auto-esquecimento do estado dionisíaco e esquecia os preceitos apolíneos” (NT
O conceito nietzschiano de trágico desenvolvido em O Nascimento da

Tragédia é correlato da efervescência dionisíaca; em sua análise, a atuação de

Dioniso se sobrepõe aos efeitos apolíneos. De fato, a noção de dionisíaco acompanha o desenrolar da obra de Nietzsche, embora o sentido empregado para se remeter ao deus ébrio sofra mudanças. Quando Nietzsche retoma o termo dionisíaco, ou se refere diretamente a esta divindade, sua reflexão não se volta para os conceitos de Uno-primordial e princípio de individuação, mas se relaciona à resistência revigorante atribuída ao deus Dioniso. Esta divindade seria indestrutível e representaria a vida que resiste e retorna fortalecida após cada derrota: “o Dioniso cortado em pedaços é uma promessa de vida: eternamente renascerá e voltará da destruição” (Fragmentos póstumos, §1052, 1884-1888,

Assim, Dioniso subverteria, tragicamente, a morte, sofrendo a própria aniquilação, e afrontaria o destino, ao superar sua ruína, tornando-se a principal inspiração de

Nietzsche para definir o eterno retorno e a vontade de poder.
Nietzsche elabora em O Nascimento da Tragédia uma teoria do trágico a partir da oposição e complementaridade entre apolíneo e dionisíaco, racionalismo e instinto, e na recusa da perspectiva pessimista.

Da sentença do eterno retorno ao conceito de vontade de poder Nietzsche elabora

uma perspectiva trágica, marcada pela celebração dionisíaca da vida, também

representada através do “pessimismo dionisíaco”, definido no § 370 da Gaia Ciência

(1881-2), e da máxima do amor fati, enunciada no §276 da mesma obra; todos esses

conceitos nietzschianos, discutidos nesta pesquisa, concentram, decisivamente, a

idéia de aceitação e afirmação da vida, ou mais precisamente, o ocaso do herói

trágico, entre júbilo e ruína.

2.3 O pessimismo dionisíaco.....................................................................................72

3.2 Filosofia do sujeito: entre liberdade e necessidade...........................................100

O conceito nietzschiano de trágico presente nas demais obras do autor

encontra-se ainda indefinido na análise sobre a arte trágica desenvolvida em O

Nascimento da Tragédia. Apesar da diferença conceitual entre o trágico e a tragédia nota-se a formação de uma perspectiva trágica inseparável da concepção de filosofia definida por Nietzsche desde O Nascimento da Tragédia. Assim, Nietzsche atribui ao fenômeno do trágico o júbilo da vitória alcançada pelo herói após enfrentar inúmeros

desafios. O estado vitorioso se associa aos infortúnios vividos no decorrer da saga

trágica; desse modo, a tragédia se define pelo contentamento heróico de se cumprir

um destino marcado por ocasos, desgraças e glorificação do indivíduo. Esses

aspectos representam a principal discordância com as interpretações clássicas da

tragédia, além de indicarem uma possibilidade de se compreender o mundo e a

existência individual. A aceitação da realidade por parte do herói se assemelha à

tarefa do filósofo, atribuída por Nietzsche, em relação ao empenho por desvendar a vida sem negar seus aspectos indesejáveis.

Nietzsche percebe aspectos de triunfo e entusiasmo na tragédia, advindos da

celebração da divindade Dioniso, cultuada pelos helenos; a tragédia nasce deste

ritual festivo, ao se combinar com a harmonia de Apolo. Os impulsos dionisíacos,

originariamente bárbaros, são incorporados pelos gregos apolíneos sob a forma de

arte cênica. As peças encenam o conflito humano de viver entre prazer e sofrimento A tragédia também traduz a contradição do herói quanto a se sujeitar ao próprio destino e, ao mesmo tempo, permanecer livre para decidir sobre suas ações.

A noção de destino como fado necessário levaria Nietzsche à interpretação

fatalista e determinista da vida, caso se considere apenas a sua rejeição absoluta do

livre-arbítrio e dos conceitos de subjetividade e consciência. No entanto, Nietzsche



atribui liberdade ao agir humano, desde que ocorra uma apropriação do destino; isto ocasionaria uma forma de existência que supera e afronta os desígnios dos deuses e toda forma de moralidade. Assim, Nietzsche assume o “cajado dionisíaco” e anuncia a possibilidade de superação do modo como tradicionalmente se pensou a vida e o mundo existente. Para tanto, desenvolve os conceitos de vontade de poder (Wille zur Macht), eterno retorno (Ewige Wiederkunft) e amor fati, que possuem como pressuposto comum a perspectiva trágica, de acordo com as idéias defendidas nesta dissertação de mestrado.

A noção de tragédia denomina, desde a Poética de Aristóteles, o aspecto de

infortúnio da vida, de sofrimento diante da imposição do destino e do sentimento de

impotência do homem em relação à forma na qual o mundo se encontra estruturado.

Assim, diz-se trágico aquilo que é irremediável e irreversível, como o tempo e a

morte. Nietzsche se distancia dessas definições, atribuindo à tragédia a consagração

da vida (eterna) em sua totalidade: afirmar cada prazer implica aceitar todo

sofrimento. Esta sentença se inscreve na máxima do amor fati. O amor ao destino

defendido por Nietzsche em diversos momentos de sua filosofia (da Gaia Ciência aos

fragmentos póstumos) expressa o desejo de conciliação com o destino vivido, na

medida em que se torna belo tudo que necessariamente existe no mundo. A

tragicidade desta sentença se manifesta pela aceitação do necessário (destino,

mundo, vida) como algo desejável.

A sentença do eterno retorno concentra em si a noção de “Dioniso despedaçado”, no sentido de ser possível retornar eternamente à vida. O impulso dionisíaco se combina com o caráter afirmativo do amor fati, a partir do ato de dizer sim ao mundo e à vida.

Com o eterno retorno esta afirmação se radicaliza, pois o “sim” deve se repetir eternamente; o peso desta sentença se encontra na aceitação da eternidade de cada instante vivido e repetido: “‘A perene ampulheta do existir será

sempre virada novamente.’” (GC, §341). O eterno retorno se transforma no “maior

dos pesos” caso não se aceite a eternidade da própria vida. Neste momento ocorre a

afirmação trágica da existência: Incipt tragoedia [começa a tragédia].

Assumir a tragicidade da existência, da mesma forma que um herói trágico

assume os seus atos como obra do destino no qual se enredou, implica assumir

plenamente os preceitos do eterno retorno e do amor fati. A realização deste ato

heróico de se apropriar do fardo vivido relaciona-se à vontade de poder; esta se

define pela multiplicidade das forças que atuam no mundo e compõem a vida. A

vontade de poder expressa uma luta incessante por superação de ordem instintiva,

que se expande e ultrapassa a dimensão orgânica da qual se origina. Nietzsche

define a vida e o mundo como vontade de poder, concluindo que toda força atuante

expressa tal vontade. Desse modo, a assunção do destino resulta da intensificação

afirmativa da vontade de poder, que se opõe à passividade do agir reativo. Nietzsche

apresenta a diferença entre a vontade afirmativa e a reativa através dos conceitos de

super-homem (Übermensch) e último homem, ensinados por Zaratustra. O homem

deve ser uma “ponte” de transição para o super-homem, superando o “cansaço”

relacionado à vida reativa do último homem. Com esta superação é possível se

redimir diante do próprio passado, assumindo e afirmando os acasos e ocasos

vividos (ZA, II, “Da redenção”). Desse modo, Zaratustra desempenha uma saga

essencialmente dionisíaca, que reflete a perspectiva trágica desenvolvida por

Nietzsche desde o início de sua filosofia.

A fórmula do amor fati implica a mesma redenção proposta por Zaratustra,

trazendo à cena a sentença do eterno retorno para afirmar plenamente o mundo e a

existência individual. Ao aproximar estas noções percebe-se o trágico enquanto

embasamento fundamental da filosofia nietzschiana. Assim, o objetivo central da

dissertação consiste em pensar a obra de Nietzsche a partir da análise do trágico.

Desta forma, pretende-se apresentar uma unidade inscrita no pensamento

nietzschiano, a partir do pressuposto trágico assumido por Nietzsche de que a vida é

afirmada tanto no júbilo quanto na ruína. Esta filosofia proclama que o sofrimento não

traz a redenção para a morte, mas sentencia uma vida eternamente celebrada.


O trágico desvelado por Nietzsche se opõe, de início, ao pessimismo,

anunciando uma fórmula da “afirmação suprema nascida da abundância, da

superabundância, um dizer Sim sem reservas, [...], a tudo o que é estranho e

questionável na existência mesmo...” (EH, “NT”, §2). Diante disso, torna-se

compreensível a sua seguinte declaração: “tenho o direito de considerar-me o

dificultar essa identificação. Isso porque ora a vontade aparece arrolada ao dionisíaco, ora ao Uno-primordial” (2006, p. 41). Com este elemento torna-se possível destituir o caráter metafísico da obra de Nietzsche. Para Roberto Machado a metafísica de artista ensina que somente a arte permite viver plenamente; este aprendizado ocorre através da tragédia, com a desmesura dionisíaca conduzindo o indivíduo para a unidade, rompendo com o princípio de individuação apolíneo. A filosofia nietzschiana de juventude “parte das dicotomias entre aparência e essência, fenômeno e coisa-em-si, representação e vontade para tematizar a relação entre beleza e verdade e, por conseguinte, entre apolíneo e dionisíaco” (2002, p. 10), mas não se consolida como metafísica. Interessa a Nietzsche privilegiar a arte enquanto acesso à verdade de que o mundo é representação; com isto, privilegia, antes, a estética.


Conceito de verdade em Nietzsche. Pautada no perspectivismo. A compreensão da coisa através de várias perspectivas. As diversas perspectivas para a Santa Marcelina Congregação: Perspectiva política, governo, estadual, municipal, iniciativa privada. Como situar o perspectivismo na relação organização e pessoas?

O direito à felicidade e à realização pessoal. Como fica? Qual o papel da organização para que a pessoa tenha a possibilidade de alcançá-los? Em que a filosofia pode ajudar e questionar os processos organizacionais necessários para que a organização sobreviva ( tenha lucro) de forma que eles não impeçam as pessoas de alcançarem a felicidade e a realização pessoal? Estou supondo que as pessoas precisam do dionisíaco e apolíneo para bem viver. Teríamos que conceituar esse bem viver, não?

Religião levou para o apolíneo. Mas existe o Dionísio. Instinto, vontade. A técnica está no apolíneo.

A verdade escrita é a verdade que vale nas organizações (Apolíneo) O discurso vende uma idéia. Em que ponto aparece o Dionisíaco na comunicação escrita ou falada dentro do universo organizacional?

Tem que pegar as pulsões dionisíacas e levar para o apolíneo. O melhor funcionário é aquele que tem mais pulsões dionisíacas.

Pactos pessoais com os funcionários. Apolíneo personalizado



Apolíneo: comunicação formal

Dionisíaco: comunicação informal

Compreender em Nietzsche o que ele entende por Apolíneo e Dionisíaco

Definir as características do espírito apolíneo e do dionisíaco

Conflito entre medida e desmedida ( Dionísio e Apolo)

O ser humano em Nietzsche é tanto apolíneo como dionisíaco. Algumas religiões separam uma coisa da outra.
“O dizer sim a vida, mesmo em seus problemas mais duros e estranhos; a vontade de vida, alegrando-se na própria inesgotabilidade no sacrifício de seus mais elevados tipos – a isto chamei dionisíaco.”

“Sou um discípulo do filósofo Dionísio, preferiria antes ser um sátiro do que um santo”

“Quanto de verdade suporta, quanto de verdade ousa um espírito? Isso se tornou para mim, cada vez mais, o autêntico medidor de valor. Erro( a crença no ideal) não é cegueira, erro é covardia....” “Pois prestem atenção a isto: os anos de minha baixa vitalidade foram aqueles que eu deixei de ser pessimista: o instinto do auto restabelecimento proibiu-me uma filosofia da pobreza e do desânimo....” Só encontra sabor naquilo que lhe é compatível; seu agrado, seu prazer cessa, onde a medida do compatível é ultrapassada. Advinha meios de cura contra danos, utiliza acasos ruins em sua vantagem; o que não o derruba, torna-o mais forte. “ é forte o bastante para que tudo tenha de lhe sair da melhor maneira””também sofrer com a solidão é uma objeção-sempre sofri somente com a multidão”.”Nem com o conceito fim, nem com o conceito unidade nem com o conceito de verdade se pode interpretar o caráter global da existência”A dor não é vista como objeção à vida” “meu conceito de dionisíaco tornou-se ali ato supremo; por ele medido,todo o restante fazer humano aparece como pobre e limitado.”Coisa igual não foi jamais criada, jamais sentida, jamais sofrida; assim sofre um deus, o Dionísio.” Entre as precondições para uma tarefa dionisíaca, é decisiva a dureza do martelo, o prazer mesmo no destruir.O imperativo:tornai-vos duros, a mais básica certeza de que todos os criadores são duros,é a verdadeira marca de uma natureza dionisíaca”

“Eu sou, no mínimo, o homem mais terrível que até agora existiu; o que não impede que eu venha a ser o mais benéfico. Eu conheço o prazer de destruir em um grau conforme à minha força para destruir - em ambos obedeço à minha natureza dionisíaca, que não sabe separar o dizer Sim do fazer Não. Eu sou o primeiro imoralista: e com isso sou o destruidor par excellence.”



O Nietzsche se posiciona perante a vida como dionisíaco.

Dionisíaco: O próprio movimento da vida, um movimento que não para porque vida é vontade de potência. Está ligado ao trágico porque é forte e a tragédia está ligada intimamente ao movimento da vida enquanto vida e morte, morte e vida. Tudo se transforma. Porém o trágico de Nietzsche não é pessimista, como é pessimista a tragédia grega.Enfrenta as condições adversas da vida utilizando-as como estímulo para se tornar mais forte.Transforma obstáculos em estímulos.Para muitos e para os gregos a tragédia é sofrimento. Para Nietzsche é um modo de elevar-se acima de qualquer obstáculo e nada temer, nem para baixo, nem para cima, nem para os lados. O tipo dionisíaco e trágico de Nietzsche é aquele que aprende com a vida sem a necessidade de esta ser justificada por um sentido. Mesmo repleta de obstáculos, tais barreiras são encaradas pelo tipo dionisíaco e trágico de tal modo a serem transformadas em estímulos de crescimento para o tipo humano que é este tipo. Para quem tem novos olhares, novos valores, os quais devem emergir por seu próprio esforço, sua própria luta, porque a vida é vontade de potência, não se submete ao tipo rebanho que sempre necessita de alguém fora de si mesmo para elevar-se ou de uma tábua de salvação ou de expiação para se sentir melhor. O tipo além do homem não se apega ao seu lado mais apolíneo. Sabe conviver com o equilíbrio, a razão, a força plástica criadora apolínea do querer a perfeição, a claridade, a beleza que faz suportar a dor e o sofrimento do mundo, mas, por outro lado convive muito bem com o lado subterrâneo do seu vir a ser, da força musical trágica dionisíaca, de um afirmar a vida em suas condições mais adversas porque ama a luta, ama crescer, ama um querer um a mais de vida, desta vida.

Alguém que nunca diz não ao feio da vida, porque é um tipo afirmador. Em suma o dionisíaco é um experimentalista no sentido mais vivificante da filosofia Nietzschiana. Alguém que não para no querer ser mais forte, cada vez mais forte. Alguém que se experimenta para entender-se como forças em relações, como devir eterno, como alguém que tem que suprimir-se enquanto aquele tipo humano que se apega apenas e demasiadamente ao apolíneo e que, por isso, sucumbe mediante a desmesura, mediante seus instintos, mediante a contradição e a tudo aquilo que faz forte um novo tipo que superou o homem e o animal que existem nele para tornar-se um tipo além do homem.Alguém que nunca diz não ao feio da vida porque é um tipo afirmador. Em suma o dionisíaco é um experimentalista no sentido mais vivificante da filosofia Nietzschiana. Nietzsche, para explicar esse caráter apolíneo e Dionisíaco, trata da arte em suas perspectivas plásticas e de fluidez, de energia fluindo. Se a arte apolínea auxiliou os gregos a lidarem com seu pessimismo, a sublimá-lo, a ver uma outra saída por meio do belo, não o ensinou a conviver com Sileno, deus silvestre, sábio, para quem a morte é o único caminho para o homem, a única certeza que um dia não sofrerá mais, afinal ao nascer o homem nasce para a morte e esse é seu maior sofrimento, pois existir significa ter que morrer um dia. O tipo superador de Nietzsche inverte a sabedoria silena, pois é um tipo que não vê obstáculos nos dizeres de Sileno, mas quer viver sempre com mais intensidade vital essa vida que tem como escopo a morte natural. Em, outras palavras, saber que um dia morrerá, ora....Isso não impede um novo tipo, um tipo mais forte, de viver com seu lado nada apolíneo e, nem assim ser pessimista. Nem mesmo o contrário, um otimista que deseja tornar tudo às mil maravilhas. O tipo forte é alguém com os pés no chão. O tipo além do homem é forte porque enfrenta sua fraqueza e a supera em nome do viver com intensidade esta sua vida até o último momento de sua existência, ainda que conviva com a feiúra da morte; sabe viver como um trágico que supera o dualismo pessimismo – otimismo para criar-se enquanto um trágico que faz operar em si mesmo a grande saúde, aquela que mesmo que estejamos doentes, nos leva a conseguirmos ser saudáveis. O tipo saudável de Nietzsche é um guerreiro que não foge a nenhuma batalha. O lema desse guerreiro é: Da escola de guerra da vida - o que não me mata fortalece-me. Portanto, toda a experiência de vida que não nos remete a um tipo mais elaborado para a vida enquanto vontade de Potência é uma experiência de pessimismo ou uma experiência de otimismo, isto é, de “felicidade idiota”. Um tipo superior que por não querer esta vida de outro modo que não pela luta, atingirá seu clímax enquanto um além do homem. Isto é fazer uma arte, uma obra de arte dionisíaca, uma filosofia dionisíaca para um tipo dionisíaco e trágico para além de todo pessimismo.

Como alguém que tem tendência à solidão pode viver no meio da multidão? Mantendo-se autêntico, “morando em sua própria casa, não se deixando levar pela massa e, muito menos, pelos discursos de líderes que, na realidade, são pastores de rebanhos. Desse modo mantemo-nos solitários em meio à multidão. O segredo de Nietzsche é a sua preferência para a autofagia em relação ao canibalismo de outros sobre si.O que é o coletivo? O respeito à vivência de cada um? O respeito às diferenças? A sociedade não demonstra isso em sua coletividade. O que dá o tom para a coletividade é o rebanho, enquanto plasmado na sociedade pelos seus pastores. Em meio à multidão, a exceção é posta de lado. Ora, Nietzsche sempre primou pela exceção, porque é ela que faz a diferença em alguém.O que significa fazer a diferença? É não querer igualar o não igual.É não querer igualar-se aos outros e nem ser contrário a eles no sentido de nega-los, mas sim querer se afirmar enquanto diferença. Nesse sentido, para viver em sociedade é necessário desenvolver, e muito, a vivência da solidão

É importante não se misturar com essas pessoas que fazem perfil tipo vampiro. Sendo ocas, vazias, sugam o espírito de quem se lhes aproxima. Esses tipos vampiros, é necessário deixa-los secar sem o sangue de que tanto necessitam, pois não sabem viver de si mesmos. São parasitas. Viver em sociedade e viver na solidão é uma correlação de forças. Está também em jogo a questão do institucional. Somos uma instituição que vive em outras instituições. Contudo só é possível afirmar que temos alguma coisa em comum mediante certas aproximações de vivências. Nesse caso, sociedade e cada qual vivem sua possível comunidade. “Não basta utilizar as mesmas palavras para compreendermos uns aos outros; é preciso utilizar as mesmas palavras para a mesma espécie de vivências interiores, é preciso, enfim, ter a experiência em comum com o outro” Isso é o que o filósofo alemão entende por um povo, uma cultura, uma sociedade. Nas correlações de forças unir-se-ão os que têm algo em comum. Na solidão e em meio à sociedade, a postura do desapego deve estar sempre presente, por isso o desapego é uma postura. Nietzsche vivenciou a fundo esse viver entre a solidão e a sociedade e a sua contribuição para nós é em termos de que cada um de nós deve fazer experiências consigo próprio. Nisso reforço que a filosofia Nietzscheniana é experimentalista. O próprio filósofo, com seu escrever típico ( em aforismos), e por várias vezes em seus escritos deixa isso bem nítido. Ninguém pode vivenciar por outro começa por aí. A grande contribuição do filósofo, portanto, da sua filosofia dionisíaca, experimentalista, é a provocação que ele desperta em seus leitores.



Lendo Nietzsche, sendo provocados por seus escritos, é muito provável que mudanças ocorram em nós. Nesse sentido, é difícil ficar indiferente a uma leitura de suas obras, de seus aforismos. O importante nisso tudo é que ele trata da vida e considera esta vida como sagrada, elevando-a à máxima consideração a que um vivente poderia eleva-la. Em outras palavras: a vida como referência para tudo, para todo e qualquer valor, sempre é mais uma afirmação da vida. E, eis a palavra chave para entendermos Nietzsche – afirmação. Para ele, o máximo de afirmação da vida se exprime pelo que denomina amor fati, esse amar, em nós e em tudo, o nosso destino que é a vida de cada um e de tudo que existe como devir.E mesmo a concepção nietzschiana de eterno retorno é, também, um máximo de afirmação à vida como ela é, com seus altos e baixos.Isto é, se tivermos que passar sempre pelos altos e baixos da vida, isso não deveria ser para nós, motivo de negação da vida. Não é fácil ser um afirmador da vida em situações desfavoráveis a nós. O experimentalismo de sua filosofia quer dizer uma filosofia dionisíaca, uma filosofia do devir, o movimento da própria vida em nós e na natureza e um eterno dizer sim a isso. Ainda que Nietzsche não seja considerado um humanista dentro da história da Filosofia, não deixa de ser alguém que, ao não querer ser parte de um rebanho, expressa essa preocupação em não sermos manipulados, em não nos tornarmos massa de manobra por parte daqueles que se acham superiores. Na realidade o filósofo faz uma forte denúncia contra qualquer tipo de arrebanhamento.







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