Fragilidade, o teu nome é mulher!



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[Ausência de] História da mulher

Fragilidade, o teu nome é mulher!”



Shakespeare

Existem muitas teorias sobre a origem da opressão a mulher. Engels defendeu a polêmica tese em que existiam sociedades primitivas matriarcais, e que o patriarcalismo nasceu com a concentração de riquezas e a propriedade privada. Mas, independente de sua origem, a opressão existe, desde as sociedades mais remotas até os dias de hoje.

Por que as mulheres são tratadas como seres inferiores desde tempos remotos? Por que é tratada como frágil, incapaz de se governar? Toda sua opressão se deve ao fato de ser a mulher o ser quem traz ao mundo os novos seres humanos. Os homens, então, criam um discurso e uma complexa cultura em cima desse fato biológico e torna a mulher um ser que deve estar sempre sob seus olhos, sempre cuidada, pois é frágil. As diferenças biológicas da mulher são uma superfície neutra na qual os homens criam um discurso dominador. Ela não deve ser cuidada por causa do apreço ou valor que o homem lhe dá, e sim porque é o meio pelo qual a humanidade tem continuidade.

A História da mulher é a história de sua ausência. Mesmo que muitas de nós tenhamos sido importantes nas mais diversas sociedades, os historiadores não se deram ao trabalho de nos colocar lá. As feministas do século XIX-XX tiveram que fazer nascer a mulher na História; foi buscando seu papel e suas conquistas através dos tempos que descobriram que muitas vezes o silêncio sobre seu gênero não era pela ausência de documentos e sim uma escolha dos historiadores em ocultar seu papel transformador das sociedades.

Na Grécia não passava de uma escrava, no sentido literal da palavra. Pertencia a seu parceiro, e colocar filhos no mundo era sua função. Era ela que fazia os trabalhos manuais: plantava a comida, construía as casas, etc; não tinha direito à educação, nem a sair de casa.
Que viva sobre estreita vigilância. Veja o menor número de coisas possíveis. Ouça o menor número de coisas possíveis. Faça o menor número de coisas possíveis” Xenofonte (discípulo de Sócrates), Grécia, séc IV a.C.
No início do período chamado Idade Média percebe-se um aumento relativo no número de direitos das mulheres. As conquistas não se devem ao acaso, já que há indícios [escassos] de que houve movimentos de luta pelos direitos femininos. Essa escassez de documentos nos remete ao problema anterior, mulheres não estão na História. Era ela que fazia a maior parte dos trabalhos de produção manual; mas devemos lembrar que o trabalho era muito desvalorizado nessa sociedade, e quem trabalha estava numa posição subalterna. A Igreja cristã era a principal autoridade no período, e seu discurso sobre a mulher era da causadora do pecado capital. Porém, já aqui, existe a forte ambiguidade nos discursos, a Eva causadora do pecado capital é contraposta ao papel da Virgem Maria, santa, casta, bondosa, perfeita mãe.

Nas grandes revoluções capitalistas lutaram homens e mulheres juntos pela derrubada do Antigo Regime e pela liberdade dos indivíduos; mas, como sempre, nenhum direito foi dado as mulheres.


"Destruístes os preconceitos do passado, mas permitistes que se mantivesse o

mais antigo, que excluídos cargos, das dignidades das honrarias e, sobretudo, de sentar-se entre vós, a metade dos habitantes do reino.(...) Destruístes o centro do despotismo...e todos os dias permitis que treze milhões de escravas suportem as cadeias de treze milhões de déspotas" Carta das mulheres revolucionárias à Assembléia Nacional da Revolução Francesa, 1789.

Toda educação das mulheres deve ser relacionada ao homem. Agradá-los, ser-lhes útil, fazer-se amada e honrada por eles, educá-los quando jovens, cuidá-los quando adultos, aconselhá-los, consolá-los, tornar-lhes a vida útil e agradável – são esses os deveres das mulheres em todos os tempos e o que lhes deve ser ensinado desde a infância. Toda educação das mulheres deve ser relacionada ao homem. Agradá-los, ser-lhes útil, fazer-se amada e honrada por eles, educá-los quando jovens, cuidá-los quando adultos, aconselhá-los, consolá-los, tornar-lhes a vida útil e agradável – são esses os deveres das mulheres em todos os tempos e o que lhes deve ser ensinado desde a infância. J.J.Rousseau, filósofo iluminista defensor da liberdade natura e influenciador da Revolução Francesa. Suiça, sec XVIII.

Esteja certa, nós somos suficientemente lúcidos para não abrir mão de nosso sistema masculino” John Quincy Adams,resposta do líder da Independência Estadunidense a sua esposa, que exigia o direito das mulheres da constituição dos EUA, Sec XVIII.
A partir do momento em que o trabalho passa a ser o centro da sociedade a mulher é progressivamente retirada dele. O advento da Revolução Industrial trás uma nova maneira de oprimir. Nessa sociedade a mão de obra da mulher passa a ser necessária, mas jamais igualando os direitos dos sexos. A luta de classes se mostra acirrada, mas a mulher percebe que mesmo dentro de sua própria classe ela é oprimida. Os ganhos das greves não são gozados por elas. Os sindicatos as excluem pois os salários baixos das mulheres rebaixam todos os salários O capitalismo não cria o machismo, mas se apropria dele.

Nas guerras é ela que substitui a mão de obra do marido, e então deixa a privacidade do lar e passa a ter relações com o “público”. Cria-se assim condições materiais para lutas por direitos. O movimento Sufragista foi uma das grandes lutas feministas, e faz a mulher alcançar direitos políticos, depois de 7 décadas de luta. Os EUA foi o grande palco dessas movimentações, porém quando estas conseguem as conquistas deixam de se mobilizar.

As Guerras mundiais criam condições para um novo tipo movimento. O Estado se utiliza das grandes mídias para chamar as mulheres ao trabalho (pois seus maridos estão lutando na guerra) Guerra Pós Guerra

Elas sustentam a economia dos países durante os anos de Guerra. Porém o fim desta trás um novo tipo de mídia: da senhora do lar. A evidência de uma clara manipulação do papel da mulher pelo Estado faz com que o gênero se identifique numa luta comum, e busque não só direitos econômicos, mas políticos e principalmente culturais. Esses movimentos feministas pós-guerra buscam desconstruir o esteriótipo de “MULHER” criada pelos homens e lutam principalmente pela libertação cultural/ intelectual.

Esse movimento “cultural” é amplamente criticado por organizações como as “Mujeres Libres” espanholas que possuem uma maneira diferente de apreender e combater a opressão feminina.
Referências bibliográficas

ALVES, Branca .M. PITANGUY, Jaqueline. O que é feminismo?, Abril Cultural, 1985.



SCOTT, Joan. “História das mulheres In: BURKE, Peter (org.). A escrita da História. São Paulo, Unesp, 1992, pp. 63-95.


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