Francisco Cândido Xavier J. Herculano Pires Espíritos diversos


Respostas (J. Herculano Pires)



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Respostas

(J. Herculano Pires)


As respostas às indagações formuladas pelos visitantes de Chico Xavier foram dadas por André Luiz que, por sinal, revestiu de novas palavras e nova forma de expressão os ensinos espíritas sobre a finalidade da vida humana na Terra. Os Espíritos do Senhor são bons professores e não se cansam de repetir as lições para os alunos desatentos, revestindo-as das mais diferentes roupagens a fim de atingirem a compreensão de todos. O Educandário da Terra é orientado pela Pedagogia do Céu, cujo método fundamental é o amor.

Fredrich Myers, o famoso psicólogo inglês, em seus estudos sobre a personalidade humana, verificou que a nossa consciência se divide em duas partes essenciais: a supraliminar e a subliminar. Encontrou isso nos seus estudos espíritas, confirmados por suas pesquisas hipnóticas. A consciência supraliminar é a que utilizamos no mundo, adaptada às exigências da vida material. A consciência subliminar é a que se destina ao mundo espiritual, onde teremos de viver depois da morte.

Podemos figurar a consciência como uma esfera cortada ao meio, uma laranja partida em duas metades. Esse corte é o limiar. A metade que fica acima dele é a que Myers chamou de supraliminar; a que fica abaixo é a subliminar. A parte de cima está cheia de indagações sobre a vida e a morte. A parte de baixo encerra todas as respostas. Porque a vida no mundo é um aprendizado e para aprender temos de enfrentar muitos problemas e procurar resolvê-los. Na consciência subliminar – a parte de baixo, – armazenamos o aprendizado feito em várias encarnações. Mas esse aprendizado não está completo e é por isso que voltamos ao Educandário Terreno. Quando uma prova difícil desafia a consciência supraliminar, a consciência de baixo, a subliminar, a socorre com os recursos provenientes das experiências anteriores.

Mas a consciência subliminar – a de baixo, – é a que está em ligação com o mundo espiritual, adaptada a ele e não ao mundo terreno. Por isso, a Parapsicologia hoje nos mostra que a percepção extra-sensorial provém do inconsciente. E é por intermédio dessa consciência interna e profunda que os Espíritos nos socorrem com suas intuições. Meditando sobre isso, compreenderemos melhor a lição de André Luiz: “A Terra é um educandário em cujas lições somos todos alunos e examinadores uns dos outros”.


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A filhinha excepcional

(Chico Xavier)


Há algum tempo, numa de nossas reuniões, apareceu um amigo trazendo nos braços a filhinha excepcional. Declarou estar a caminho de São Paulo para tentar-lhe o tratamento. Veio com ela à nossa instituição a fim de orar, em nossa companhia, solicitando para a pequenina o auxílio dos benfeitores espirituais.

Comoveu-nos a todos o carinho e o cuidado do genitor com a filhinha que lhe choramingava nos braços, agitada e inconsciente. Esse amigo informou proceder de uma cidade pernambucana e guardar a esperança de alcançar melhoras para a filha junto de médicos amigos da Capital bandeirante.

Diante do quadro enternecedor, penso que todo o pessoal refletia sobre os princípios da reencarnação, sem comentários. Iniciadas as tarefas da noite, O Livro dos Espíritos nos ofereceu para estudo a questão 371.

Depois das explanações de nossos amigos presentes, a respeito, o nosso caro Emmanuel escreveu alguns comentários sobre a reencarnação. Depois dele veio até nós o poeta Silva Ramos,8 que escreveu por nosso intermédio o soneto “Vinculação Redentora”.


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Vinculação redentora

(Silva Ramos)


O fidalgo, ao partir, diz à jovem senhora:
“Eu sou teu, tu és minha!… Espera-me, querida!…”
Longe, ergue outro lar… Vence, altera-se, olvida…
Ela afoga em suicídio a mágoa que a devora.

Falece o castelão… Vê a noiva esquecida…
Desencarnada e aflita, é uma sombra que chora…
Ele pede outro berço e quer trazê-la agora
Em braços paternais ao campo de outra vida!…

O século avançou… Ei-los de novo em cena…
Ele o progenitor; ela, a filha pequena
A crescer retardada, abatida, insegura…

Hoje, ele, em tudo, é sempre o doce pajem dela
E a noiva de outro tempo é a filha triste e bela
Agarrando-se ao pai nos traumas da loucura.

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A solução do enigma

(J. Herculano Pires)


O estilo e o tema identificam o autor espiritual. Alcântara Machado notou: “a ausência quase completa em sua obra de paisagem e do homem brasileiro”. O seu arraigado lusitanismo transparece em outros poemas transmitidos pela psicografia de Chico Xavier, como se pode ver em Antologia dos Imortais.9

Não foi por acaso que Silva Ramos escreveu esse alexandrino através da mediunidade, nem por simples inspiração provocada pelo caso relatado pelo médium. É evidente a intenção de explicar o episódio atual recorrendo às causas remotas que ficaram no além-mar.

Quantos fidalgos europeus, e particularmente portugueses, estão hoje encarnados no Brasil em situação difícil, procurando reparar os abusos e as irresponsabilidades em que incorreram no passado! A figura desse pai pernambucano (da mesma terra do poeta) carregando nos braços a filhinha excepcional e desvelando-se por ela, adquire mais denso colorido emocional ante a revelação do passado. A vida nos revela o seu mistério nessas ligações profundas que os Espíritos desvendam de maneira discreta e emotiva.

O soneto, por sua estrutura silogística, é a forma poética mais apropriada a nos revelar uma história como essa que passa de um século a outro. Note-se ainda a flexibilidade da síntese poética que permite ao autor exprimir em apenas um verso, como num corte cinematográfico, a transição temporal do caso e a metamorfose dos personagens: “O século avançou… Ei-los de novo em cena”.

A emoção poética se acelera nos dois tercetos finais do alexandrino perfeito de Silva Ramos, dando-nos em breves instantes a visão total da lógica e da mecânica da reencarnação. O compromisso rompido levou a antiga dama à loucura do suicídio, mas agora o responsável de ontem a carrega nos braços, pagando-lhe a dívida de amor e ternura e procurando restabelecer-lhe o equilíbrio perdido. A justiça e a misericórdia de Deus ressaltam dessa situação em que algoz e vítima se reencontram para a mútua redenção.

A opacidade do mundo e a frustração da vida, que justificam o ceticismo existencial deste século, carregado de angústia e desespero, resolvem-se em transparência lógica e renovação da fé. O interexistencialismo espírita soluciona em dois tercetos a amarga equação do existencialismo ateu.





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