Fuenteovejuna



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FUENTEOVEJUNA

De Lope de Vega


Quien mató al Comendador?

Fuenteovejuna lo hizo!

Perro,!si te martirizo?

Aunque me mateis, señor.
Fuenteovejuna é uma das obras mais representativas da dramaturgia do Século de Ouro Espanhol
Como acontece em tantas obras de Lope de Vega, Fuenteovejuna parte de um acontecimento histórico que o autor retirou das "Crónicas das três Ordens e Cavalarias de Santiago, Calatrava e Alcantara: na qual se trata da sua origem e sucesso, e notáveis feitos de armas de seus Mestres e Cavaleiros...", e que entre outros, descreve o acontecido em 23 de Abril de 1476. Foi composta por Frei Francisco de Rades e Alcântara, da Ordem de Calatrava, Capelão de Sua Majestade, em 1572.
Durante o século XV, haviam povoações que dependiam directamente de reis e outras que o eram através de vínculos a senhorios. As lutas pelo domínio destas vilas feudais, entre os diversos reinos da Península Ibérica por causa do alargamento das suas fronteiras, levou as Cortes de Valladolid (1442) a proclamar que "as vilas não podem ser alienadas pela Coroa e em caso de o serem, a população fica autorizada a resistir pela força das armas".
Graças à descrição desta revolta contra o poder, esta obra foi utilizada, em muitos locais do mundo, como emblema da capacidade de rebelião dum povo contra a tirania. Também aqui em Portugal foi levada à cena durante o último período da ditadura (1973).
E pareceria que esta obra perde actualidade com a democracia.
No entanto, este acontecimento, tal como é relatado pelo cronista de Calatrava que Lope segue fielmente, permite uma nova visão, se atendermos a Ramírez de Arellano, no seu artigo Rebelião de Fuenteovejuna. Arellano impugna parcialmente este relato e acredita que a origem da sublevação de Fuenteovejuna deve ser procurada na posição das cortes de Valladolid de 1442. Apesar deste acordo, em 1464, Henrique IV, concede Fuenteovejuna, vila independente, a D. Pedro Girón, Mestre de Calatrava e pai do Mestre da comédia de Lope. Morto Henrique IV (1474) e guerreados Isabel e Fernando com Afonso de Portugal e Joana pela posse de Castela, os Reis Católicos lavram, em 1475, um documento real que diz: "Hajam lugar de se levantar e revoltar por nós e por nossa coroa real sem por isso cair ou incorrer em pena ou calunia alguma".
Por conseguinte, Fuenteovejuna, para além do valor intrínseco da história popular que narra, pode ver-se como um episódio representativo das lutas pelo poder entre Isabel e Fernando, por um lado, contra a Beltraneja, o Rei de Portugal e os nobres que os seguem por outro; as lutas onde cadaq um intervém e manipula os acontecimentos, e por isso a História, ao serviço dos seus interesses nacionalistas.
As lutas nacionalistas e os falseamentos históricos continuam sendo a causa de terríveis confrontos, bastando como exemplo os acontecimentos na extinta ex-Jugoslávia. Porém não terminam aqui os exemplos, porque também nós, ainda que dentro da união Europeia, continuamos a sofrer tresloucados e violentos atentados nacionalistas e manipulações propagandistas da História.


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