Fugas de escravos e reorganizaçÃo do mercado de trabalho: um estudo comparativo entre minas gerais e são paulo



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UFV / XIX SIC / OUTUBRO DE 2009 / HISTÓRIA

FUGAS DE ESCRAVOS E REORGANIZAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE MINAS GERAIS E SÃO PAULO

ADRIANO SOARES RODRIGUES (Bolsista PROBIC/FAPEMIG/UFV), JONAS MARCAL DE QUEIROZ (Orientador/UFV)

Os anúncios de fuga de escravos eram freqüentes nos jornais do século XIX, sendo um dos instrumentos que os senhores de escravo dispunham na tentativa de capturá-los. Neles eram informadas características físicas como cicatrizes, cor e estatura; comportamentais, relacionadas, por exemplo, ao uso de álcool, à agressividade e ao jeito de falar do escravo; além de informações como o ofício e possíveis laços de parentesco e amizade do foragido. Continham também a recompensa paga pelo senhor e alguns informavam até a possível direção tomada pelo escravo. Neste trabalho apresentamos resultados parciais de nossas investigações, desenvolvidas no âmbito do projeto "A Elite Política Imperial e a ´Magna Questão´: abolicionismo, imigrantismo e controle social em São Paulo, Minas Gerais e Pará (1871-1888)". Com base nas informações fornecidas pelos anúncios, procuramos traçar o perfil do escravo fugido, realizando uma análise quantitativa e qualitativa dos anúncios de fuga publicados em periódicos das províncias de Minas Gerais e São Paulo, entre 1871 e 1888. A hipótese principal que orienta nossa pesquisa é que as fugas estavam intimamente ligadas com o processo de reorganização do mercado de trabalho nas últimas décadas da escravidão. Nesse sentido, distanciamo-nos de uma historiografia que tende a centrar as análises sobre a emancipação da escravatura apenas nos conflitos entre senhores e escravos. Até o momento, foram transcritos cerca de 400 anúncios de fuga publicados no A Província de São Paulo, entre 1875 e 1881, e analisados mais de 240, que já haviam sido transcritos anteriormente dos periódicos mineiros Diário de Minas, A Actualidade e A Província de Minas, publicados entre 1873 e 1887. O fato de a maioria dos fugitivos ser do sexo masculino e possuir algum tipo de habilitação sugere que os escravos com possibilidades de inserção no mercado de trabalho eram os mais propensos a fugirem.

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A ÁFRICA INVISÍVEL: REPRESENTAÇÕES E SILÊNCIOS SOBRE HISTÓRIA, CULTURA E IDENTIDADE AFRICANAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA

ALINE ARAÚJO MANOEL (Bolsista BIC-Júnior/EEM), ANGELO ADRIANO FARIA DE ASSIS (Orientador/UFV)

Desde a inauguração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o IHGB, nas primeiras décadas do Império, a História do Brasil era contada a partir dos chamados três povos fundadores: os europeus, os ameríndios e os africanos. Porém, a História sempre privilegiou o papel dos europeus neste processo, capitaneando e organizando a colonização. Os negros normalmente eram citados dentre de um contexto negativo, invariavelmente lembrados pela escravidão, como se sua mão-de-obra forçada tivesse sido a única contribuição para a formação de nosso país. Passados mais de cem anos do fim da escravidão, algumas medidas de valorização da cultura negra procuram modificar esta visão simplista. Resultado disto é a lei que obriga o ensino de História e cultura africanas.  Apesar desta obrigatoriedade, ainda é gritante o silencio dos livros didáticos produzidos nos últimos anos com relação ao estudo da África e de suas influências na história do Brasil e da sociedade brasileira. Também impressiona a forma preconceituosa e pouco aprofundada com que, muitas vezes, este continente vem sendo apresentado nos livros, causando a continuação do desconhecimento e dos preconceitos pelas novas gerações. Este projeto objetivou mapear como os livros didáticos de História têm tratado a História africana, identificando equívocos e generalizações. Coube à bolsista uma pesquisa nos livros didáticos, compreendendo o trabalho do historiador ao analisar suas fontes. A oportunidade em participar do Projeto de Pesquisa permitiu ao aluno, ainda, aperfeiçoar os conhecimentos sobre o assunto abordado em sua pesquisa.

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ESCRITOS COLONIAIS: TRABALHANDO COM TRASLADOS DE DOCUMENTOS HISTÓRICOS SOBRE A AMÉRICA PORTUGUESA

Aluly Cristiane Silva (Bolsista BIC-Júnior/EEM), ANGELO ADRIANO FARIA DE ASSIS (Orientador/UFV)

Ao longo do século XX, a Ciência Histórica sofreu uma profunda transformação, reconfigurando a noção de documento e possibilitando uma cada vez mais ampla da utilização de fontes para a análise. Ao mesmo tempo, a História tem se aproximado de outros campos do conhecimento, como a Literatura, as Ciências Sociais, a Geografia, e demais campos do conhecimento que permitam ao historiador um análise mais refinada de seu objeto de pesquisa. O trabalho de historiador envolve o contato e a familiaridade com as fontes documentais, sejam elas escritas, iconografias, objetos, idéias e quaisquer outras variedades de produção deixada pelo homem ao longo dos tempos. Para o pesquisador que trabalha com fontes manuscritas, uma das tarefas mais importantes é a trasladação destes documentos, possibilitando análises as mais diversas a partir de sua leitura. Este projeto teve como objetivo a iniciação nas atividades de paleografia, permitindo ao aluno a iniciação neste campo de pesquisa. Para tanto, foram trasladados processos produzidos pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição referentes à primeira visitação inquisitorial ao Brasil, que percorreu Bahia, Pernambuco, Paraíba e Itamaracá entre os anos de 1591 e 1595. Os processados eram contra moradores ou indivíduos originários do Brasil, que foram acusados de variados tipos de heresias contra a Igreja Católica, merecendo, por isso, castigos e punições que poderiam ir de simples comparecimento a missas em determinadas datas até, no limite, à condenação à fogueira.

 

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A HISTÓRIA DA ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA ACADÊMICA – LUVE/UFV (1962-1989).

AMANDA OTTONI CAVALCANTE (Não Bolsista/UFV), JONATAS PINTO LIMA (Não Bolsista/UFV), FLÁVIO LUIZ DE OLIVEIRA SENNA (Não Bolsista/UFV), PAULO LANES LOBATO (Orientador/UFV)

Este artigo teve como objetivo resgatar e refletir a memória do esporte universitário viçosense, com embasamento na pesquisa sobre a história da LUVE. Para este fim foi desenvolvida pesquisa sobre a História Institucional da A.A.A. LUVE, baseada nas fontes documentais da própria instituição e da Universidade Federal de Viçosa, em que a LUVE teve como papel preponderante a representatividade institucional da atividade desportiva dentro da Universidade Federal de Viçosa, estabelecendo uma comunicação entre os estudantes, professores e atletas. O presente artigo aborda a história da fundação da LUVE, além de ressaltar seus objetivos, metas e desafios que foram superados ao longo do período de 1962 a 1989.Pretendeu-se, dessa forma, resgatar informações essenciais para a compreensão do processo evolutivo da LUVE e despertar para a necessidade de se investir nesse processo busca para evidenciar a importância da AAA. LUVE tanto em âmbito acadêmico como também no processo da gestão do desporto universitário viçosense. Além é claro, de conscientização da importância do resgate histórico esportivo para contribuir na formação social da comunidade e região, pode-se perceber que, ainda que se trate de uma instituição jovem, o seu mecanismo de registro deixou muito a desejar, dificultando significativamente a reconstituição de sua história. Portanto, após a realização do estudo, recomenda-se a criação de mecanismos de registros efetivos e que permitam a sua fácil reconstituição no futuro.

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O OLHAR DA MÍDIA DE VIÇOSA E REGIÃO SOBRE A ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA ACADÊMICA LUVE DURANTE O PERÍODO DE 1994 À 1997.

AMANDA OTTONI CAVALCANTE (Não Bolsista/UFV), JONATAS PINTO LIMA (Não Bolsista/UFV), FLÁVIO LUIZ DE OLIVEIRA SENNA (Não Bolsista/UFV), PAULO LANES LOBATO (Orientador/UFV)

Este artigo é resultado de uma intensa pesquisa, a partir da criação do arquivo documental da Associação Atlética Acadêmica LUVE da Universidade Federal de Viçosa tal artigo contou como fonte primordial as reportagens de jornais locais  e documentos oficiais de planejamento da Associação encontrados no próprio arquivo documental da A.A.A LUVE. O artigo possui uma dupla finalidade que  primeiramente é sistematizar a gama de material da mídia local sobre a LUVE durante os anos de 1994,1995,1996 e 1997 e assim fazer uma analise histórica critica das reportagens dos jornais locais por nós encontrados procurando apresentar as metas da própria LUVE, seus desafios e a repercussão das ações desta Associação na mídia local. E como segunda finalidade tentamos encontrar como a Associação Atlética Acadêmica promovia a integração e comunicação com a comunidade viçosense através do esporte. Durante a nossa pesquisa observamos uma gama bastante diversificada de noticias sobre a A.A.A. LUVE, noticias estas vinculadas nos mais diversos jornais impressos da região viçosense, inclusive jornais publicados pela própria A.A.A. LUVE. Aliaremos tais informações contidas nestas fontes com a documentação oficial da instituição de nosso interesse para assim abarcarmos as nuanças condizentes ao nosso estudo que é a dupla finalidade exposta acima. Utilizaremos de uma abordagem cronológica neste quesito, é claro lembrando sempre que atuamos de acordo com as possibilidades das fontes e com as propostas do artigo.

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DISCIPLINAR CORPOS E ALMAS: A INQUISIÇÃO NO IMPÉRIO ASIÁTICO PORTUGUÊS (c.1560- 1600)

ANA PAULA SENA GOMIDE (Bolsista FUNARBIC/UFV), PATRICIA SOUZA DE FARIA (Orientador/UFV)

A apresentação proposta tem como objetivo realizar um estudo acerca do Tribunal do Santo Oficio de Goa, fundado efetivamente no ano de 1561 tendo a responsabilidade sobre os domínios portugueses situados desde o cabo da Boa Esperança até Macau. Ressaltamos que nossa análise não se concentrou na análise dos processos inquisitoriais - que foram quase todos destruídos no século XIX - mas no estudo do funcionamento do tribunal, analisado através das correspondências do inquisidores de Goa que foram enviadas para o Conselho Geral de Lisboa durante os anos de 1569 a 1630, publicadas por Antônio Baião. Após a leitura de Baião e de autores como Cannas, Tavares e Tavim, identificamos o motivo do estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício de  Goa. A leitura das cartas permitiu a identificação de quais são os temas mais frequentes nas correspondências dos inquisidores e quais os maiores desafios encontrados pelos agentes do Santo Ofício no império asiático português. Desse modo, nosso objetivo especifico será o de perceber e apontar possíveis problemáticas e reflexões acerca de como se dava a troca de informações entre o Conselho Geral do Santo Oficio em Lisboa e os inquisidores na Índia, destacando suas dúvidas e posicionamentos diante dos cristãos locais que adotavam práticas e crenças religiosas heterodoxas, observando dessa maneira o quotidiano do tribunal inquisitorial do Estado da Índia. Destacamos ainda a singularidade do Santo Ofício de Goa, pois foi o único tribunal inquisitorial formalmente estabelecido em um domínio colonial português.

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O MOVIMENTO FEMINISTA E AS REPRESENTAÇÕES SOBRE AS MULHERES NA IMPRENSA DE MINAS GERAIS, SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO (1870-1925)

BÁRBARA FIGUEIREDO SOUTO (Bolsista PIBIC/CNPq/UFV), JONAS MARCAL DE QUEIROZ (Orientador/UFV)

A imprensa brasileira teve suas origens com a chegada da família real portuguesa ao país, em 1808. Entretanto, somente a partir de meados do século XIX começaram a circular jornais produzidos pelo sexo feminino. Os pioneiros foram A Esmeralda e O Jasmim, no Recife, e O Jornal das Senhoras, no Rio de Janeiro. O objetivo de nossa pesquisa foi analisar representações produzidas pelos órgãos da imprensa de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro sobre o movimento feminista e as mulheres. As fontes que utilizamos foram jornais e revistas publicados nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, tais como A Província de Minas, Colombo, O Sexo Feminino, O Quinze de Novembro do Sexo Feminino, A Província de São Paulo, Careta e Fon-Fon!. Nesses periódicos encontramos representações às vezes convergentes, ora divergentes. No Colombo, por exemplo, deparamo-nos com fortes críticas às mulheres que extrapolavam as funções domésticas. O jornal A Província de São Paulo, por sua vez, corroborava essa idéia, porém alguns de seus artigos defendiam os direitos femininos. O mesmo ocorria nos jornais femininos: ora publicavam artigos exaltando a luta pelos direitos femininos e a reivindicação de independência das mulheres em relação aos homens, ora divulgavam escritos mais amenos, de mulheres que defendiam a educação feminina, mas não rompiam com as idéias de “natureza” feminina e de esfera doméstica como um lugar destinado ao “belo sexo”. Havia, portanto, uma diversidade de representações sobre o movimento feminista e as mulheres, as quais contribuíram para que algumas conquistas fossem alcançadas, ainda que lentamente. A pesquisa revela, ainda, que a imprensa era um espaço privilegiado para debates e reflexões sobre o processo de emancipação feminina, sobretudo à medida que um número mais expressivo de mulheres passou a participar do mesmo, inclusive divulgando conquistas do movimento feminista internacional.

 

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RITUAIS E TRADIÇÕES ALÉM DO SAARA: O COTIDIANO NAS SOCIEDADES AFRICANAS DOS SÉCULOS XVI E XVII

BEATRIZ CARVALHO DOS SANTOS (Não Bolsista/UFV), FRANCISCO CARLOS CARDOSO COSENTINO (Orientador/UFV)

O nosso trabalho parte do pressuposto de que ao se pensar nas mais diversas culturas ao redor do mundo parece-nos difícil imaginar uma entre elas que não carregue em suas raízes hibridas uma herança africana. A influência desta cultura é algo claro quando se pensa, por exemplo, nosso próprio perfil cultural brasileiro, os traços que nos aproximam são dos mais diversos e se fazem presentes desde o inicio da inserção dos povos africanos no Brasil, que se deu por meio do comércio de escravos. Nesse sentido, buscamos por meio do estudo de relatos de viagem dos séculos XVI e XVII ressaltar alguns aspectos culturais das sociedades africanas, da Guiné e Cabo Verde, elaborados pelos viajantes André Álvares de Almada e André Donelha. A proposta consiste em analisar, por meio das descrições produzidas por esses viajantes - o olhar do mesmo sobre o outro - os costumes e as tradições dos povos africanos da Guiné e Cabo Verde desde os seus rituais cotidianos até as leis consuetudinárias que estruturavam essas sociedades nos quinhentos e seiscentos. A relevância desta pesquisa mostra-se na medida em que se tem em mente os estudos atuais sobre História da África que tem tratado prioritariamente da questão do comércio de escravos no mundo atlântico com a compreensão do africano limitado a escravidão e a lógica comercial; nossa intenção em meio a isto é a de focar as sociedades africanas analisá-las em seu próprio eixo visando colaborar de algum modo com um foco de pesquisa pouco explorado na historiografia brasileira sobre o tema.

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TRÁFICO E REPRODUÇÃO NATURAL NAS MINAS GERAIS: O ARRAIAL DE GUARAPIRANGA NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX

CAROLINA ZAMPERLINI SANTOS (Bolsista FAPEMIG/UFV), FABIO FARIA MENDES (Orientador/UFV)

A pesquisa que aqui se apresenta tem como recorte espaço-temporal o Arraial de Guarapiranga nos primeiros cinqüenta anos do século XIX. Nosso foco central de análise é entender quais foram as estratégias desempenhadas pelos senhores de escravos da sobredita região diante da crise do trafico de escravos, principalmente após a lei do fim do trafico promulgada em 1830. Vislumbramos, pois, analisar as transformações e permanências nos padrões demográficos da escravaria desta região atentando para qual fora a importância do tráfico negreiro e da reprodução natural de escravos para o referido período. Nossa base documental é composta primordialmente pelos inventários post-mortem e pela Lista Nominativa de 1831-32 e 1838-39. Pautamo-nos em métodos de reconstrução de redes de relacionamento bem como na análise de séries estatísticas. Através do primeiro, foi possível verificar quem eram os moradores dessa região, e a partir do segundo, observamos os padrões demográficos do plantel escravo. O cruzamento das informações encontradas nos inventários e nas Listas nominativas possibilitou a elaboração de um sólido banco de dados – composto por tabelas, fichas e sociogramas - de essencial importância para a construção desta pesquisa. Por meio destas fontes, observamos que as atividades produtivas desenvolvidas no Arraial de Guarapiranga mostraram-se bastante diversificadas. Concluímos que Guarapiranga possuía atividades econômicas dinâmicas voltadas, sobretudo, para o abastecimento interno da Província Mineira; que a mão-de-obra escrava era a base do funcionamento destas atividades, empregada não apenas em atividades agrícolas como o plantio da cana – cultura que se mostrou mais densa na região – mas também em outras atividades, como a tecelagem, a produção de aguardente, carregamento e transporte de cargas, extração de minerais, tecelagem, fabrico de ferramentas, entre outras.

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ELE SÓ VALIA UM EXÉRCITO”: FRANCISCO BARRETO, CARREIRA, TRAJETÓRIA E GOVERNAÇÃO.


CAROLINE GARCIA MENDES (Bolsista CNPq/UFV), FRANCISCO CARLOS CARDOSO COSENTINO (Orientador/UFV)

A História política foi vista durante muito tempo como uma disciplina tradicional e positivista, que privilegiava as elites e se relacionava exclusivamente com os grandes nomes e feitos da História. Nossa pesquisa faz parte de uma renovação que vem ocorrendo nos últimos anos, tendo sido percebido que dicotomias antes utilizadas para responder os problemas da História não davam mais conta de explicá-la, como metrópole-colônia; absolutismo-subordinação, entre outras. Dessa forma, para entendermos como a administração portuguesa cuidava de suas possessões ultramarinas, especificamente com o Estado do Brasil, escolhemos estudar um dos governadores-gerais da segunda metade do século XVII. Através da leitura e análise da correspondência do governador-geral Francisco Barreto, não só com o reino, mas também com as capitanias que governava no Brasil – disponível no Projeto Resgate e nos Documentos Históricos da Biblioteca Nacional, ambas presentes no acervo do LAMPEH – foi possível compreendermos algumas questões do governo-geral do Estado do Brasil. Este governador-geral nomeia oficiais para cargos vagos e intercede na busca por mercês que privilegiem sua rede de relações; interfere na justiça, sendo presidente da Relação da Bahia; interliga todo o Estado do Brasil quando há questões relativas à Fazenda portuguesa; administra o litoral e o comércio; e cuida de problemas relativos à segurança dos colonos, como no caso dos ataques indígenas. Com nossa pesquisa, foi percebido uma ordenação política no Estado do Brasil decorrente do Antigo Regime europeu. Suas peculiaridades são muitas, mas entendemos uma transferência para esta colônia dos meios de administrar existentes em Portugal. Com esta pesquisa foi possível a realização de uma monografia para a conclusão do Bacharelado em História com o mesmo nome do presente trabalho.

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RELIGIOSIDADE POPULAR NAS MINAS SETECENTISTAS: UMA MULTIPLICIDADE DE TRADIÇÕES.

CLÁUDIA GUIMARÃES LADEIRA (Bolsista PIBIC/CNPq/UFV), ANGELO ADRIANO FARIA DE ASSIS (Orientador/UFV)

A descoberta de veios auríferos nas Minas Gerais em fins do século XVII, fez com que a região se tornasse destino de pessoas oriundas de todas as partes. Em geral, pessoas simples, comerciantes, eclesiásticos, provocando uma grande circulação humana na capitania de Minas. Nesta região, a religiosidade apresentou traços peculiares, em grande parte devido à grande miscigenação de raças e culturas. A religiosidade do mineiro constituiu-se a partir das experiências pessoais e coletivas, e fundiu-se em traços católicos, negros, indígenas e judaicos, o que propiciou uma religiosidade ambígua e hibrida. A presença da Igreja Católica ao longo do primeiro século de ocupação das Minas foi reativamente fluida e pouco estruturada, o que também contribuiu para que a população de Minas Gerais gerasse uma religião sincrética, fruto da intensa miscigenação que deu origem a esta sociedade. As aparências e contradições, como a junção da fé católica e das heterodoxias, como as benzeduras, curandeiras, feitiços, adivinhações, foram traços da religiosidade do mineiro. Desta maneira, a sociedade mineira mesclava seus costumes aos dogmas obrigatórios da Igreja Católica. Com a criação do Bispado de Mariana, em 1745, a população mineira esteve sob uma política disciplinadora e moralizante mais rígida do que aquela que conhecia até então. Através das cartas pastorais de D. Frei Manuel da Cruz, primeiro bispo de Mariana, podemos analisar como se deu a difusão da fé católica, e as medidas que visavam à ordem, a moral e, principalmente, o estímulo a devoção dos clérigos e fiéis. Assim, podemos compreender como a religiosidade da sociedade mineira setecentista esteve sob controle, influências e interferências mais rígidas, que interferiram no cotidiano da sociedade mineira.

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ASSERÇÕES POLÍTICAS SOBRE A AUSÊNCIA DA CORTE RÉGIA EM OBRAS LITERÁRIAS PORTUGUESAS NO PERÍODO DA UNIÃO IBÉRICA (1580-1640).

DANIELA RABELO COSTA RIBEIRO PAIVA (Não Bolsista/UFV), FRANCISCO CARLOS CARDOSO COSENTINO (Orientador/UFV)

O ambiente de incertezas geradas com a morte de D.Sebastião e a conseqüente problemática de sucessão, levaram Portugal, em nome da estabilidade, a submeter-se a autoridade de um soberano espanhol.  Como conseqüência dessa incorporação portuguesa à estrutura política da Espanha, uma das grandes potencias da época, a cidade de Lisboa perdeu a presença de um importante ator para a dinâmica de Corte: o rei, que conferia coerência e coesão às relações cotidianas. A perda do estatuto de corte régia trouxe para Lisboa repercussões sociais, culturais e políticas assim como, para o reino de Portugal. A Lisboa resplandecente de outrora não mais produzia festas ou nutria vaidades. Não mais oferecia mercês ou proporcionava ascensão na trajetória de carreiras, assim como, não sediava Assembléias ou promovia a participação política. A presente pesquisa tem como intuito colaborar para o estudo dessa temática, refletindo como os portugueses do período de união dos reinos pensaram e manifestaram o fim dessa vida cortesã lisboeta. Para tanto, a pesquisa utiliza duas fontes literárias Do sítio de Lisboa: diálogos (1608) e Corte da Aldeia, Noites de Inverno (1619), produzidas pelos autores, e atores sociais, Luís Mendes Vasconcelos e Francisco Rodrigues Lobo, respectivamente. Os resultados da pesquisa constatam a recorrência desse discurso, havendo, contudo, uma divergência na forma com que os autores constroem suas argumentações. Em um primeiro momento, essa divergência é explicada como reflexo de suas experiências sociais. Percebe-se a necessidade de estudar essas fontes não apenas como um testemunho histórico, mas também como um documento biográfico. O que auxiliará na compreensão da forma com que esses autores se posicionaram em relação ao regime ibérico. O grande mérito da pesquisa é se centrar e otimizar a analise dessas fontes, que são utilizadas por estudiosos dessa temática apenas como algo ilustrativo para suas pesquisas.

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REVISTAS HUMORÍSTICAS ILUSTRADAS COMO FONTE HISTÓRICA E OBJETO DE ESTUDO: UM DEBATE TEÓRICO-METODOLÓGICO

DANIELE LEONOR MOREIRA GONÇALVES (Bolsista CAPES/UFV), DOUGLAS MANSUR DA SILVA (Orientador/UFV)

As revistas humorísticas ilustradas revelam-se como importantes veículos da modernidade que então perpassava os anos 1930, no Brasil A partir delas o historiador pode mapear várias ideias e hábitos inseridos no cotidiano brasileiro do inicio do século XX. Pensar uma metodologia de análise histórica para essas revistas, que leve em consideração suas peculiaridades e estrutura, é o objetivo principal do presente trabalho. Através da construção de um debate teórico-metodológico entre as historiadoras Paula Janovitch, Mônica Velloso e Ângela de Castro Gomes, buscamos uma possível metodologia de pesquisa histórica, inserida no entrelaçamento de duas perspectivas historiográficas: a História Cultural e a História Social. Segundo esse debate, as revistas podem ser analisadas em uma dupla dimensão, isto é, não apenas como fonte histórica, mas também como objeto de estudo. Em outras palavras, o desafio consiste na realização de um estudo em que tais revistas sejam tomadas não apenas como fontes de conteúdos históricos, mas também na materialidade que dá suporte aos seus sentidos, o que significa compreendê-las como portadoras de representações sociais e políticas, veiculadas em um suporte material específico. Tal direcionamento é apontado pelas próprias autoras acima consideradas, no qual as revistas aparecem de modo indissociável como fonte e agente histórico.

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