Fundação Fritz Müller



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Fundação Fritz Müller


Programa de Educação Continuada II

Módulo: A Nova Economia e Competitividade

Professor: Pedro Paulo Hugo Wilhelm

Equipe: Gisele Virginia Heinig

Hermes Tomedi

Jossely Tavares


Luciana Manske


Sandro Wolframm

A Revolução do Talento



Blumenau, outubro de 2000

João Roberto, 35 anos, está na recepção de uma grande multinacional com unidade no Brasil. O executivo espera a hora de ser chamado para a entrevista de seleção para um dos cargos mais estratégicos dentro da organização. Ele entra em uma sala cheia de equipamentos de alta tecnologia. No lugar de dinâmicas de grupo, entrevistas e outros métodos considerados convencionais para a escolha do profissional, João Roberto precisa apenas sentar em uma cadeira especial e colocar um capacete. O aparelho consegue medir com precisão a quantidade de novas idéias por partículas cerebrais que o candidato é capaz de produzir por minuto. Em poucos segundos, a empresa consegue saber se aquela pessoa tem alto nível de criatividade, pensa com agilidade e está apta a desenvolver inovações constantemente.

Parece cena de filme de ficção científica? Quem sabe, não seja...Talvez esse, se torne o modo mais comum de selecionar profissionais em 2010, 2030 ou 2050...

Até lá, muitas coisas ainda vão mudar. Atualmente, o mundo passa pela era da tecnologia da informação. A Internet é uma realidade nos lares, nas empresas e instituições. Se a velha máxima era “Quem não se comunica, se trumbica”, hoje, podemos dizer que quem não se comunica pela Internet está fora do mercado. A rede mundial de computadores é usada para troca de mensagens, divulgação de informações e realização de negócios.

E isso é apenas parte da tecnologia na vida das pessoas. Autores de obras sobre o futuro prevêem que em alguns anos, por exemplo, as geladeiras serão aparelhos “inteligentes”, ligados diretamente ao supermercado para comandar a reposição do estoque da despensa da casa. Quartos e camas poderão ser totalmente automatizados, e terão controle remoto capaz de supervisionar e acionar os mais variados cômodos da casa. Grande parte das tarefas domésticas deverá ficar a cargo de robôs, que poderão servir para as atividades mais diversificadas. Bibliotecas tradicionais serão substituídas por bibliotecas virtuais.

A tendência é a continuidade da tecnologia cada vez mais avançada e o acesso mais veloz à informação. Mas somente ter a informação não basta. É preciso saber usá-la de maneira adequada e eficiente, compartilhar estas informações, para que o conhecimento se multiplique. É neste ponto que entra a nova onda da economia e do mundo corporativo. A era do talento, da criatividade, do conhecimento. O nome exato dessa nova época não importa. O certo mesmo é que no futuro vamos viver em empresas onde a criatividade será privilegiada. Não somente isso, mas também a capacidade de comunicação, flexibilidade e outras competências, que juntas, formam o que chamamos de talento.

Peter Drucker, (Drucker, O futuro já chegou, março/2000, pg 113) um dos maiores gênios mundiais da administração, afirmou que a máquina a vapor foi para a primeira Revolução Industrial o mesmo que o computador vem sendo para a Revolução da Informação: seu símbolo. E qual seria o símbolo da próxima revolução? A Revolução do Talento e do Conhecimento certamente poderá ser representada pelo cérebro. A parte do corpo humano responsável pela criação de idéias, que deve mover a economia nos próximos anos. E no futuro, se as empresas tiverem uma maneira de quantificar a capacidade de produção de idéias dos funcionários, certamente vão utilizar este recurso. Quem tiver pessoal com mais talento, vai sair na frente. Talento, criatividade e conhecimento serão, cada vez mais, vantagens competitivas.

Ao longo dos anos, com a passagem das diversas eras industriais, setores da economia foram prosperando, enquanto outros desapareceram O final deste milênio foi marcado pela explosão das empresas ponto.com. Mas qual seria o segmento mais forte no próximo século? É provável que tanto na velha economia quanto no futuro a maioria dos setores se manterá. O que muda é a forma organizacional, e principalmente o modo de utilização dos recursos humanos.

O profissional que quiser se diferenciar e fazer sucesso no futuro, em qualquer área de atuação, precisará saber obter e partilhar o conhecimento. A capacidade de comunicação será uma habilidade imprescindível. Será preciso saber se comunicar. Saber compartilhar conhecimento com profissionais de várias especialidades diferentes. O conhecimento é produzido coletivamente. E quem não dividir e trocar conhecimento, terá apenas informação, sem contudo aperfeiçoar sua formação pessoal e profissional. O conhecimento é algo que pode se deteriorar facilmente. Guardá-lo e não compartilhá-lo é uma idéia atrasada e improdutiva. Quanto mais as pessoas tentam segurar o conhecimento, menos ele flui. Muita rigidez e formalidade envolvendo o conhecimento pode paralisar a criatividade.

Outro item fundamental para o estímulo da criatividade será a diversidade nos ambientes de trabalho. Equipes com profissionais muito semelhantes culturalmente certamente irão apresentar menos resultados em relação aquelas onde impera a miscelânea de raças, sexos e idades. Quando todos pensam de forma muito parecida, a criatividade fica bloqueada. Por outro lado, quando os pensamentos são divergentes, podem surgir melhores idéias a partir das discussões. Por isso, é importante juntar brancos, negros, homens, mulheres, jovens e velhos, todos unidos pela motivação.

Grandes empresas mundiais como a IBM já criaram setores específicos para o gerenciamento de políticas de diversidade. O executivo Ted Childs, (Viva a Diferença, setembro/2000, pg 160-161) responsável pela área da diversidade na IBM, diz que a principal vantagem de uma política de diversidade é que ela possibilita que se forme o melhor time de talentos possível, capaz de enfrentar um mercado em que a diferença também vem se tornando cada vez mais marcante. “Eu não acredito que nós estejamos em uma guerra por clientes, mas numa guerra por talentos. E precisamos de uma base de talentos diversificada para competir num mundo com clientes diversos”, opina o executivo.


Guerra por talentos

O mestre Peter Drucker (Drucker, O futuro já chegou, março/2000, pg 126) também afirma que “cada vez mais, o desempenho dessas novas indústrias baseadas no conhecimento vai depender de as instituições serem administradas de maneira a atrair, reter e motivar os trabalhadores para o conhecimento”. E o que fazer para atrair talentos? Para reter estes talentos na empresa, as organizações terão que se preparar para lidar de forma diferente com seus colaboradores.

O salário tradicional, deverá ser cada vez mais, uma parte mais insignificante da remuneração total. Os profissionais talentosos, colocados em posições estratégicas serão pagos especialmente para ter idéias e resolver problemas. E o pagamento não será necessariamente no formato antigo, como salário. Estes profissionais devem trabalhar com mais flexibilidade de horários, sem registro de cartão ponto, como consultores da empresa. Deverão assim, ter um pagamento proporcional ao benefício ou resultado que proporcionarem para a organização.

Nesta nova realidade, também não haverá mais espaço para aqueles empregos de uma vida toda na mesma empresa. As pessoas talentosas vão procurar organizações diferentes, onde possam desenvolver melhor seu capital humano. O que importa é buscar novas formas de conhecimento e crescimento, sem fidelidade a uma organização.




Tempo para a criatividade

Se no futuro, a tendência é a do trabalho com horas mais flexíveis, certamente as pessoas terão mais tempo livre para o lazer. E são exatamente esses momentos de ócio, que serão essenciais para o desenvolvimento da criatividade, como prega o sociólogo italiano Domenico de Masi (Por mais horas de folga, março/1999) . Todo momento de “folga” poderá ser aproveitado para o aprimorar o desenvolvimento de idéias.

Considerando que a expectativa de vida da população deve aumentar muito nos próximos anos, todos teremos mais e mais tempo livre. Caso as pessoas passem a viver aqui no Brasil até os cem anos, o que já é comum em alguns países desenvolvidos, todos terão muitos anos após a aposentadoria para se dedicar ao “ócio criativo”. As pessoas poderão se aposentar, o que provavelmente ficará sob responsabilidade da iniciativa privada, e mesmo depois disso ainda prestarão serviços para as organizações como fornecedores de idéias.

“O próximo século será liderado pelos países que souberem organizar o tempo livre, assim como o século XX foi dominado pelos países que souberam organizar o trabalho. A sociedade pós-industrial não é mais centrada na produção de bens materiais, mas na produção de informações, valores, estética, entretenimento”, afirma Domenico de Masi (Por mais horas de folga, março/1999).


Visão social

O talento tão importante para as empresas para desenvolvimento de seus produtos e atendimento de seus clientes não poderá ficar restrito aos interesses da organização. É preciso que esses profissionais de talento sejam aproveitados também para a criação de estratégias focadas na questão social, indispensável num país como o Brasil.

Se as empresas não se preocuparem com a questão social, ficarão em bolhas fechadas cheias de tecnologia e informação, cercadas por pobreza, violência e insuficiência de profissionais habilitados mesmo para as funções mais simples e operacionais.

Alguns grupos terão que ficar preocupados com as soluções educacionais, principalmente em relação às camadas sociais menos privilegiadas. Preparar essas pessoas para a nova realidade, onde prevalece o conhecimento, para que não fiquem excluídas da sociedade. Todas as funções devem ser ocupadas, por isso, devem ser gerados novos empregos em todos os níveis, para que a desigualdade social diminua. Afinal, para que as grandes empresas, repletas de talentos, vendam mais seus produtos e serviços, é preciso ter pessoas que comprem. E isso só irá acontecer com o aumento do poder aquisitivo de toda a sociedade em geral.

Por isso, o mundo deve voltar a um sistema mais “socialista”. Não o comunismo antiquado, com divisões igualitárias de tudo, mas sim um mundo mais social, onde haverá mais socialização de bens e mais socialização do conhecimento. As empresas que conseguirem contribuir mais com a sociedade consequentemente serão mais valorizadas por seus funcionários, acionistas, clientes e pelas próprias comunidade onde estão instaladas.

Talvez seja apenas um sonho pensar que essa tendência voltada para o talento e o conhecimento vai estar presente em toda a realidade econômica no futuro. Mas como no próximo século as idéias (loucas ou não) serão ainda mais privilegiadas, não custa nada começar a soltar a imaginação e ser criativo desde já...




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



A Gestão do Conhecimento. Site www.ornellas.com.br; Ornellas & Associados Consultoria Organizacional e Treinamento.
BAGGIO, Rodrigo. Conhecimento para um Brasil melhor; Jornal Valor, n° 125; São Paulo; 26 de outubro de 2000; pg B-2
DOURADO, Maria Lúcia Goulart. Administração do conhecimento; Jornal Gazeta Mercantil; São Paulo; 27 de outubro de 2000; pg A-2.
DRUCKER, Peter. O futuro já chegou; Revista Exame; edição n° 710; São Paulo; 22 de março de 2000; pg 112-126.
Fator humano. Revista Exame/ www.exame.com.br; edição n° 668; São Paulo; 12 de agosto de 1998.
Ofícios do futuro exigem mobilidade e trabalho em equipe. Jornal Valor; n° 114; São Paulo; 10 de outubro de 2000; pg D-4.
Por mais horas de folga - Entrevista Domenico de Masi. Revista Exame/ www.exame.com.br; edição n° 684; São Paulo; 24 de março de 1999.
RAMÍREZ, Francisco Ropero. Talento é capital que dá retorno; Jornal Valor; n° 110; São Paulo; 4 de outubro de 2000; pg D-4.
Viva a diferença!. Revista Exame; edição n° 722; São Paulo; 6 de setembro de 2000; pg 153-164.


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