Fundação Movimento Direito e Cidadania Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus Falta Tempo para Ser Cidadão



Baixar 186 Kb.
Encontro25.07.2016
Tamanho186 Kb.


Fundação Movimento Direito e Cidadania

Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus


Falta Tempo para Ser Cidadão

Monografia apresentada conjuntamente à Fundação Movimento Direito e Cidadania e ao Centro de Ensino Superior da Companhia de Jesus como requisito parcial para conclusão do Curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos



Cleber Pinto Coimbra


Belo Horizonte

2002
Página de Aprovação
Falta Tempo para Ser Cidadão

Cleber Pinto Coimbra

A Fundação Movimento Direito e Cidadania em conjunto com o Centro de Ensino Superior da Companhia de Jesus, tendo examinado o presente trabalho, considera-o:
________________________________________

Prof. ____________________________________

Mestre / Doutor

Prof. ____________________________________

Mestre / Doutor

Prof. ____________________________________

Mestre / Doutor

Belo Horizonte

2002

Resumo
Este trabalho procura mostrar que o tempo gasto no deslocamento diário entre a residência e o local de trabalho é excessivo para os moradores da região Norte de Belo Horizonte que dependam de transporte público causando uma diminuição significativa no convívio familiar. Essa falta de tempo na participação familiar pode ser determinante para a má constituição da pessoa humana da próxima geração.


SUMÁRIO


INTRODUÇÃO 8

Uma definição de Tempo 9

DESENVOLVIMENTO 11

Definição de Cidadão e a Relação entre Tempo e Cidadania 11

O artigo 7º da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Igualdade 12

Evolução do Modo de pensar o Trabalho 15

Porque trabalhamos fora de nossa casa 15

Mudanças da Mitologia para a Filosofia 15

Evolução tecnológica: onde está o ganho de tempo 16

Metodologia aplicada na Pesquisa de Campo 17

Pesquisa em Belo Horizonte 18

Dados Coletados na Pesquisa de Campo em Belo Horizonte 20

Pesquisa em Teófilo Otoni 21

Dados Coletados na Pesquisa de Campo em Teófilo Otoni 21

Questionário Qualitativo 22

CONCLUSÃO 24

BIBLIOGRAFIA 25



INTRODUÇÃO

Escolhemos analisar o tempo, ou antes, uma das diversas formas possíveis de gastá-lo: nosso deslocamento para o trabalho e do trabalho para casa. Realizamos uma pesquisa de campo com 10 moradores da região Norte de Belo Horizonte que trabalham 8 horas por dia no Centro da cidade e utilizam o ônibus para transporte.




Uma definição de Tempo


O dicionário Aurélio apresenta 15 definições de tempo e mais 65 expressões compostas com a palavra tempo. Dessas, retiramos as duas primeiras:


“[Do lat. tempus, pela forma tempos, que foi sentida como um plural no português de que se tira um singular.] s. m.

  1. A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro:

  2. Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize.”1

Propomos uma outra definição de tempo: o tempo também pode ser definido como uma relação de preferência. Diante de duas opções consideradas preciosas para o ser humano escolhe-se ter tempo para uma em detrimento da outra.


Esse bem tão precioso, que parece estar mais escasso a cada dia nas grandes cidades, faz parte da nossa própria constituição. O tempo é basicamente uma medida da quantidade de vida dos seres. É a contagem dos ciclos.. Entre um jovem e um idoso a percepção de um ciclo de vida representado pela passagem de um ano apresenta valores diferentes. Enquanto em uma criança de cinco anos o ano representa 20% de toda sua vida até aquele momento, em um ancião de 70 anos a representação de 1 ano é de apenas 1/70, ou 1,43% de sua vida. Seria como dizer que um ciclo passa mais rápido para o idoso.
Esses números não são apenas meras proporções matemáticas. Falam de Vida. Vida que se perde continuamente em afazeres que não acrescentam qualidade, antes roubam nosso tempo fazendo as proporções acima enunciadas cada vez menos significativas.

DESENVOLVIMENTO



Definição de Cidadão e a Relação entre Tempo e Cidadania


Também definido pelo Aurélio, temos que cidadão é o “Individuo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”. Conforme Roberto Armando de Aquiar, em seu livro Direito do Meio Ambiente e Participação Popular,


“A cidadania é um conceito conquistado historicamente. Ela é uma superação da posição de súdito. O súdito é objeto das decisões do poder. O cidadão é o sujeito das normas e ações do poder. Se o Estado dispõe de instrumentos para controlar os cidadãos, estes têm em suas mãos os instrumentos para a sobrevivência ou não desse Estado. [...] Assim a cidadania é um exercício tenso de seres humanos que não dispõem nem de armas, nem da burocracia para fazer valer seus desígnios. Seu campo de ação está na luta política no campo dos direitos, dentro de uma ordem minimamente estável”. (grifo nosso)2

Para que o indivíduo seja cidadão ele tem que ter tempo para isso. A “cidadania é um exercício tenso”, ou seja, é uma relação de forças que exige preparo. É uma luta na qual, como qualquer outra, se não houver dedicação no treinamento, a derrota é certa. Precisamos, então para ser cidadão vitorioso de treino e tempo para treinar, tempo para formar em nossa descendência os cidadãos de amanhã.


Mas como treinar a próxima geração para serem cidadãos sem que nós mesmos os sejamos? Se não há tempo para um trabalho contínuo nesse sentido, mas antes, se as crianças são entregues horas a fio à TV – babá eletrônica, se os modelos que elas têm para seguir são ficções, e se o diálogo e os limites não são desenvolvidos com as relações interpessoais apropriadas, como passar à próxima geração seriedade sobre cidadania?

O artigo 7º da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Igualdade

“Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.” 3



O movimento pela defesa dos direitos humanos consolidou-se com a Declaração Universal dos Direitos do Homem. O texto, adotado pela ONU em 10 de dezembro de 1948, estabelece os direitos naturais de qualquer ser humano, independentemente de nacionalidade, cor sexo, orientação religiosa, política ou sexual. Destacam-se o direito à vida, a igualdade perante a lei e à liberdade. Entendemos que privar as pessoas de seu tempo para viver, seu tempo de vida, é contra essa Declaração Universal dos Direitos do Homem.
As origens das opiniões correntes sobre os direitos humanos podem ser encontradas nas filosofias igualitárias da Antigüidade, mas somente de alguns séculos para cá foi possível uma formulação clara dos direitos humanos. Nas ultimas décadas, essa formulação tem sido mais refinada e delineada.
Todo ser humano tem certos direitos que lhe são inerentes. Tais direitos podem ser enumerados ou deduzidos; não são conquistados nem adquiridos, mas são inerentes a todas as pessoas em virtude apenas de sua humanidade. Os direitos básicos de todo cidadão são irrevogáveis ou alienáveis – isto è, tais direitos nunca podem ser anulados nem negados por partes externas nem pelos próprios indivíduos envolvidos. Os conflitos entre os direitos humanos devem ser resolvidos de acordo com leis e procedimentos justos e imparciais.
Várias convenções e tratados têm sido elaborados para garantir esses princípios, como a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura. Em 1993, a Conferencia mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena, Áustria, reafirma a Declaração e propõe aos países membros da ONU a implantação de planos nacionais de direitos humanos.
Apesar de não constituir uma lei, os princípios da Declaração fazem parte da Constituição da maioria dos países, inclusive na do Brasil, e norteiam boa parcela das decisões tomadas pela comunidade internacional e servem como referência para o exercício da cidadania.
Vivemos um momento crucial da história humana. Um tempo em que as palavras parecem despidas de seus significados intrínsecos e maiores. Tomemos como exemplo a palavra justiça. Nos dias correntes ela é vista como poder punitivo e coercitivo. Justiça está mais para a ação inibidora do delito que para busca da verdade, uma verdade que proteja o bem individual e o bem coletivo, indistintamente. Um grave problema com que nos defrontamos é a constatação de que, salvo através do respeito à justiça, será impossível alcançar uma unidade de pensamento e ação. E o que mais falta na vida organizada das sociedades é esta unidade que liga o pensamento à ação, pois a justiça emerge como uma percepção viável de que para se alcançar o progresso da humanidade, há que se ver os interesses dos indivíduos e da sociedade como sendo inseparavelmente inter-relacionados. Por isso o sistema da educação deverá ser complementada por uma visão integral e coesiva do ser humano, dando destaque aos frutos do espírito humano em contexto de livre e independente busca da verdade e de renascimento das qualidades morais e espirituais como honestidade, veracidade, solidariedade.
Esses valores são moldados nas relações interpessoais, das quais as primeiras são na família. Como todos deveriam ser iguais perante a lei, a riqueza deveria ser distribuída de forma mais justa, os transportes públicos deveriam ser exemplo de cidadania. A dificuldade no deslocamento diário dos moradores de regiões mais distantes até o Centro da cidade agride esse princípio porque a condição do transporte coletiva nessas regiões é vergonhosa. Faltam ônibus, asfalto, regularidade nos horários, rapidez, conforto, segurança no veículo e fora dele, tarifa compatível com o serviço, sinalização nas ruas etc. Nos bairros mais próximos as condições são mais favoráveis.
A Declaração condena a tortura e a escravidão. Se considerarmos que essas dificuldades poderiam ser minimizadas pelas ações da Prefeitura e do Estado, que parte dos recursos destinados para esse fim são desviados, e que isso gera um ciclo em que as pessoas sofrem, devemos admitir que há tortura e escravidão. Não em termos absolutos, mas em graus que levam à exclusão social.

Evolução do Modo de pensar o Trabalho



Porque trabalhamos fora de nossa casa

Por que trabalhamos fora de nossa casa? Por que trabalhamos para os outros e às vezes em apenas uma parte do processo? Ora, a compreensão da gênese do mundo é fundamental para o Homem se sentir parte desse mundo. Os mitos cosmogônicos atendem a esse fim ao serem revividos nos rituais levando os participantes a voltarem ao tempo em que as coisas foram criadas fazendo uma nova transformação do caos em cosmo.




Mudanças da Mitologia para a Filosofia

Podemos verificar a passagem do modo de pensar cosmogônico para o determinado pela filosofia através da observação do desenvolvimento de uma criança. A partir do momento que ela se torna consciente da sua existência começa a busca para o entendimento do mundo. Sua consciência é limitada pelas suas possibilidades; sua consciência possível se expande á medida que amadurece, mas também é determinada pela sociedade em que vive. Nesse processo as respostas dadas a uma criança sobre sua vinda ao mundo, por exemplo, são aceitas sem questionamentos por causa de seu limite para compreender algo de forma mais completa. Começa a necessidade de se dar razão às coisas, à vida. Com o amadurecimento ela abandona as primeiras respostas dadas para alcançar níveis mais altos de verdade. A percepção da irreversibilidade do tempo e os questionamentos são características dessa mudança. Sem a compreensão do passado não conseguimos nos ver como seres que podem mudar o futuro.


A mudança do modo de pensar mitológico para o fundamentado na filosofia somente é possível por rupturas através de questionamentos causados pela evolução na consciência possível do ser. Esse limite de compreensão vai se expandindo à medida que se tornam inovadoras e complexas as experiências sociais. Enquanto, por exemplo, no século XV, o ócio era o que diferenciava o digno do indigno, o trabalho era ocultado e legado às mulheres, escravos e aos menos nobres. Era inconcebível um homem respeitável ter uma profissão; hoje, respeitável é o que a tem. Com as associações de novos paradigmas da era Moderna o trabalho adquire a dignidade de atividade pública sendo sua organização a maneira de suprir as carências da humanidade.
A mudança na forma do pensar cosmogônico para o pensar filosófico revela tanto as limitações quanto as possibilidades do Homem. Enquanto na primeira forma o trabalho (como parte da vida-vivida da pessoa) não era separado da vida-pensada, na segunda forma essa separação e tão grande que as pessoas não vivem diretamente do trabalho. Ele é trocado pelas coisas necessárias à vida através de um instrumento: o dinheiro. As relações de trabalho foram se modificando por causa da concentração do dinheiro e nossa subsistência está atrelada a um sistema muito complexo de produção e transferência de bens. No futuro, talvez o Homem tenha suas necessidades físicas e matérias a tal ponto satisfeitas que, sem as pressões das ambições e das desigualdades, se volte para o conhecimento com o fim de se aperfeiçoar.


Evolução tecnológica: onde está o ganho de tempo


Com as mudanças econômicas nas últimas décadas os trabalhadores trabalham cada vez mais. São cada vez mais consumidos pelo trabalho que os leva para fora de casa e do convívio familiar por períodos cada vez mais longos. A evolução tecnológica, que deveria fazer o trabalhador ter mais tempo livre, por causa do capitalismo desenfreado, faz por um lado o trabalhador produzir mais e trabalhar mais; e por outro, exclui do trabalho muitas outras pessoas. Tanto o empregado como o desempregado tem baixa qualidade de vida. Este, por não ter emprego; aquele, por não ter tempo para viver. A economia de tempo gerada pela evolução tecnológica foi transferida do empregado para as empresas.


Da Contabilidade de Custos podemos tirar o conceito de Margem de Contribuição que pode ser perfeitamente aplicado à nossa análise. Ela é “a diferença entre a Receita e os Custos Variáveis de cada produto”.4 Não entram nesse conceito as Despesas, aqueles gastos que seriam efetuados independentemente da produção (telefonista, por exemplo). Aqueles que conseguem com o menor dispêndio alcançar o mesmo “preço” de seus pares seriam os “produtos” com a melhor Margem de Contribuição. As habilidades que possibilitariam essa melhor Margem de Contribuição levam tempo para serem formadas. Deixar se consumir o tempo que poderia ser gasto no desenvolvimento das habilidades de nossos descendentes é repassar um “Custo” nosso a eles diminuindo sua Margem de Contribuição.


Metodologia aplicada na Pesquisa de Campo


Para fornecer elementos comprobatórios das questões levantadas desenvolvemos um questionário que foi aplicado a 10 pessoas que se enquadram nos seguintes critérios:




  • Ser pai de família

  • Morar na região Norte de Belo Horizonte

  • Trabalhar na região Central de Belo Horizonte

  • Almoçar na região Central de Belo Horizonte

  • Utilizar como seu transporte coletivo público o ônibus

O questionário foi desenvolvido em duas partes. Na primeira parte o entrevistado responde quanto tempo em minutos ele gasta para fazer várias das atividades diárias comuns. Na segunda, ele responde quanto aos horários em que algumas atividades são desenvolvidas. O primeiro questionário mostrou que as atividades descritas pelas pessoas às vezes ultrapassam as 24 horas do dia. O cruzamento das informações quantitativas do primeiro com as qualitativas do segundo mostraram que a diferença entre as horas descritas e as 24 horas do dia são subtraídas, necessariamente, do convívio familiar. Foram analisados exclusivamente os dias úteis.


Este mesmo questionário foi aplicado para efeito de contra-prova em Teófilo Otoni, cidade montanhosa com 136.0445 habitantes localizada no nordeste de Minas Gerais às margens da BR 116. A partir de sua praça central, a maior concentração humana se está em um raio de 3 quilômetros.


Pesquisa em Belo Horizonte


A grande massa trabalhadora desenvolve suas atividades fora da sua residência. O deslocamento da região do Norte de Belo Horizonte aos locais de trabalho que estão concentrados no centro da cidade é, em média, de 26 quilômetros. Nesse percurso o ônibus é a opção de transporte mais freqüente e ele gasta em média 1 hora na parte da manhã e cerca de 1 hora e 15 minutos na volta na parte da tarde. À tarde, o trânsito é mais lento. As principais causas são os congestionamentos nos pontos de estreitamento das pistas e as más condições da pista.


Além do período dentro do ônibus, levamos em conta outras situações que gastam tempo do trabalhador envolvendo seu transporte:


  1. O trabalhador gasta 5 minutos para o deslocamento da casa ao ponto de ônibus;




  1. Ele se vê obrigado a chegar mais cedo ao ponto de ônibus porte eles sempre passam muito cheios dentro dos bairros. Também tem que chegar mais cedo porque se perderem a lotação correm o risco de chegar atrasados no trabalho e sofrer punições. Somaremos 10 minutos de chegada mais cedo ao ponto;




  1. Outros 5 minutos serão somados por conta da espera pelos ônibus;




  1. Considerando a volta do trabalho, teremos 20 minutos de espera pelo ônibus;




  1. Mais 5 minutos do ponto até sua casa.

Para um trabalhador entrar no ônibus para ir ao trabalho e voltar do trabalho temos, pelo menos, 45 minutos consumidos diariamente.


Somando-se o tempo de espera e o tempo dentro do ônibus o trabalhador gasta por dia em média 3 horas no transporte.
Se uma pessoa trabalha uma jornada diária de 8 horas, tem 2 horas de intervalo para o almoço, gasta 3 horas no transporte, e dorme 8 horas, restam apenas 3 horas para completar as 24 horas do dia. Estas 3 horas serão divididas entre todas as demais atividades. Caso essa pessoa seja estudante o défict é ainda maior pois ele terá que tirar das 3 horas “livres” e das horas de sono o tempo necessário para a atividade escolar (excluímos dessa possibilidade o tempo de transporte de ida e volta da escola). Vejamos os dados coletados:

Dados Coletados na Pesquisa de Campo em Belo Horizonte


Entrevistados






Unidades

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

Seu local de trabalho fica a que distância de sua residência?

Km

20

30

22

20

25

27

30

27

28

32

Quanto tempo você gasta para chegar lá?

Minutos

65

90

75

60

85

85

85

85

85

95

E para voltar?

Minutos

90

110

95

84

95

92

120

95

100

110

É mais cansativo ir ou voltar?

( I / V )

V

V

V

V

V

V

V

V

V

V

Você gostaria de trabalhar mais perto de sua residência?

Sim/Não

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Quanto tempo você fica fora de casa por dia?

Horas

17,1

14

13,4

11,2

10,4

12,1

14,2

12

11,5

14,2

A volta do trabalho te deixa cansado por quanto tempo?

Horas

2,0

1,0

1,0

1,0

2,0

1,0

1,3

0,4

1,3

2,0

Há quanto tempo você trabalha a essa distância de sua residência?

Anos

5

1

8

5

2

3

7

0

1

4

Meses




7




4










8

8

5

Em nossas entrevistas verificamos que 50% das pessoas ficam pelo menos 13 horas fora de casa e outros 50% ficam mais de 15 horas fora de casa. Sobra, nestes casos, ao acrescentarmos as 8 horas de sono, apenas 1 hora para o convívio familiar. Mas esta hora é dividida entre os afazeres domésticos diários, inclusive higiene pessoal. Portanto, praticamente não há convívio durante os dias úteis. O cansaço acumulado impede um aproveitamento melhor do final de semana.



Pesquisa em Teófilo Otoni


Como grande parte da população está concentrada a 3 quilômetros do centro da cidade a utilização do transporte público é bem menor pois somente se faz necessária para os bairros mais afastados. Há muita utilização de bicicletas no deslocamento diário dos trabalhadores. Vejamos a pesquisa:



Dados Coletados na Pesquisa de Campo em Teófilo Otoni



Legenda:
Entrevistados




Unidades

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

Seu local de trabalho fica a que distância de sua residência?

Km

3,5

3

2,7

1

1,5

2

1,5

2,5

3

3,5

Quanto tempo você gasta para chegar lá?

Minutos

18

18

18

14

10

15

13

12

13

18

E para voltar?

Minutos

13

18

18

18

12

15

15

20

15

25

É mais cansativo ir ou voltar?

( I / V )

I

V

V

V

V

V

V

V

V

V

Você gostaria de trabalhar mais perto de sua residência?

Sim/Não

Sim

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Quanto tempo você fica fora de casa por dia?

Horas

9

8,5

9

8

9

9

8,5

9

8

9

A volta do trabalho te deixa cansado por quanto tempo?

Horas

1

0,1

0,2

0,5

0,8

0,5

0,3

0,3

0,1

1

Há quanto tempo você trabalha a essa distância de sua residência?

Anos

10

8

3

4

5

0

25

20

12

4

Meses

2




6




1

9




7

7

2

Notamos que o tempo gasto no transporte é, em média, de 23 minutos e que as pessoas se sentem menos cansadas. Comparando com Belo Horizonte, há um ganho diário de 2,5 horas. Por mês, considerando apenas os dias úteis, são 55 horas (mais de 2 dias completos); por ano são 660 horas (27 dias e meio, ou 2 meses e 22 dias dedicando-se 8 horas por dia).


Considerando que um homem aposenta-se após 40 anos de trabalho, ele terá perdido durante esses anos, já subtraído dos meses de férias nos quais não haveria esse desperdício de tempo, 24.200 horas, equivalentes a:


  • 1008 dias completos = 33,6 meses

  • 3025 dias jornada de trabalho de 8 horas por dia

  • 4 cursos superiores de 5 anos cada.


Questionário Qualitativo

Para comprovar que o tempo excessivo gasto no transporte em Belo Horizonte é subtraído do tempo de convívio familiar, elaboramos o seguinte questionário. Ao aplicá-lo, pedimos que o entrevistado sempre respondesse em minutos para que fosse minimizada a tendência de se querer adaptar as respostas às horas disponíveis. Atribuímos como valores fixos as horas de trabalho (8 horas), as horas de sono (8 horas), e as 2 horas para o almoço. Em Teófilo Otoni o intervalo de almoço é de 1 hora e 30 minutos. No quadro abaixo apresentamos o questionário e a média aritmética dos valores respondidos por 10 pessoas em cada cidade.




Quadro comparativo entre Belo Horizonte e Teófilo Otoni







BH




TO










1

Banho / Higiene pessoal

16




19










2

Café da manhã

9




11










3

De casa ao Ponto

9




1










4

Espera pelo ônibus

10




2

BH

TO

5

Transporte para o serviço

56




11

81

15

6

Do Ponto ao serviço

6




1







7

Trabalhando

480




480










8

Almoço

120




90










9

Do serviço ao Ponto

6




1










10

Espera pelo ônibus

15




1

BH

TO

11

Transporte para a casa

68




13

99

17

12

Do Ponto a casa

9




2







13

Banho / Higiene pessoal

21




20










14

Conversando em casa

28




32










15

Manutenção da casa

17




21










16

Lendo

8




6










17

Jantar

17




22










18

TV

91




101










19

Ouvindo Rádio em casa

6




8










20

Meditação

4




7










21

Dormindo

480




480





































Soma

1476




1329













Horas

24,59




22,14













Défict (minutos)

0:36 h




(1:54) h










Observamos que o somatório do tempo gasto nas atividades acima mencionadas supera, no caso de Belo Horizonte, o total de 24 horas do dia apresentado um défict de 36 minutos. O tempo envolvido no transporte (itens 3 a 6 e de 9 a 12) é o determinante da diferença total de 2 horas e 30 minutos entre sos resultados da pesquisa em Belo Horizonte e Teófilo Otoni. Em Teófilo Otoni houve uma sobra de quase 2 horas além de apresentar maior tempo médio gastos nas outras atividades.



CONCLUSÃO

Sabendo-se as dificuldades para a formação do cidadão, preocupa-nos a quantidade e a qualidade do tempo dispensada pelas famílias na educação de seus filhos e na construção de suas relações pessoais. Se o tempo em trânsito e de recuperação do cansaço diário forem sistematicamente subtraídos do disponível à formação cidadã, em breve teremos cidades sem cidadãos. Teremos “democracia” sem participação.


Percebemos que o tempo inutilizado agride a democracia na medida em que prejudica a construção da cidadania por enfraquecer a formação da pessoa humana. A próxima geração pode sofrer, ou já está sofrendo, de uma discriminação muito grande não por cor ou sexo, mas por não serem cidadãos. Serão alijados da sociedade e ficarão sem instrumentos para lutar, pois não foram treinados para isso.
Sobra pouco tempo para os filhos se identificarem com os pais porque estes estão presos no trânsito. Esse dilema não apresenta solução fácil, muito menos rápida. Por isso é necessário pensar quais são os valores mais importantes e escolhê-los.
Tempo é também uma questão de preferência.

BIBLIOGRAFIA




Bibliografia utilizada em citações diretas

  1. AGUIAR, Roberto Armando. Direito do Meio Ambiente e Participação Popular. São Paulo: Brasiliense, 1998.

  2. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário Aurélio Século XXI. São Paulo: Nova Fronteira, 1999;

  3. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 1985;

  4. ONU, Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948;

  5. PRODEMGE - Cia de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais – site: www.cidades.mg.gov.br/cidades/owa/social?cod=6860

Bibliografia não utilizada em citação direta

  1. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Pesquisa Participante. São Paulo: Brasiliense, l999;

  2. BRASIL Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília. DF: Senado, 1988;

  3. CANTUÁRIA, Cícero. Administração Municipal: como organizar e administrar uma prefeitura. Belém: Cejup, l995;

  4. COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação histórica dos Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva, 1999;

  5. COOPER, RobertK. Inteligência Emocional na Empresa, Rio de Janeiro: Campus, l997;

  6. GRAU, Eros Roberto. Direito Urbano: regiões metropolitanas, solo, zoneamento e controle ambiental. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, l983;

  7. JACINTO, Roque. Contabilidade Pública. São Paulo: Ática, l989;

  8. LIBANIO, João Batista. Introdução à Vida Intelectual. São Paulo: Loyola, 2001;

  9. SÁ, Antônio Lopes de. Custos e Administração de Materiais. São Paulo: Ediouro, l985;

  10. VARELLA, Marcelo Dias. O Novo em Direito Ambiental. Belo Horizonte: Del Rey, 1998.




1 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário Aurélio Século XXI. São Paulo: Nova Fronteira, 1999;


2 AGUIAR, Roberto Armando. Direito do Meio Ambiente e Participação Popular. São Paulo: Brasiliense, 1998.


3 ONU, Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948


4 Martins, Eliseu. Contabilidade de Custos. 2ª Ed. São Paulo. Ed. Atlas, 1985, p.174

5 “Site”: www.cidades.mg.gov.br/cidades/owa/social?cod=6860 Cia de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais - Prodemge



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal