Genealogia e ecologia (I) “Às vezes, os Genealogistas se surpreendem ao descobrir a Mãe Natureza”



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GENEALOGIA E ECOLOGIA (I)

“Às vezes, os Genealogistas se surpreendem ao descobrir

a Mãe Natureza” (Luiz Antônio Alves)

A discussão sobre o clima no planeta tem sido provocadora. Para os ambientalistas é hora das criaturas humanas se adaptarem às novas condições impostas pelos predadores, capitalismo selvagem e ignorância cultural ou buscar soluções para o desequilíbrio da natureza que já é bem visível? Todos os novos projetos de instalação de indústrias, urbanismo, agronegócio e turismo (entre tantas variáveis diagnosticadas sobre o tema) passam pela vontade da população em pesar – fazer um balanço - o que nós temos herdado e o que deixaremos como legado às futuras gerações.

Por outro lado, a maioria esmagadora ainda permanece no século pré-revolução industrial na qual da Natureza se extraia a riqueza e a sobrevivência. Esta tribo continua gerando teses absurdas de que o progresso é dinheiro e sucesso, e que é muita “conversa fiada” esta história sobre clima, ecologia e camada de ozônio.

Aqui no Juá, em rápida entrevista com os mais velhos (e, quem sabe, estas colocações não tenham peso significativo na conversa...) descobre-se algumas informações valiosas sobre o micro clima. Antes da década de 60, por exemplo, as nevadas transcorriam

uma, duas e até três vezes por ano. Não eram intensas, mas branqueavam os campos em alguns dias. Nos últimos 50 anos a neve começou a rarear e de 1990 para cá, dá para contar nos dedos as vezes que “caiu” neve. A última que eu lembro e está filmada, foi em 2006 e foi uma sensação, pois fazia tempo que tal fenômeno não acontecia (a não ser alguns grãos de “quirera”, nunca flocos).

O plantio das pequenas lavouras também apresenta diferenças. Minha família sempre plantou ervilha e feijão-de-vagem na semana farroupilha (20 de setembro). No caso da ervilha sempre foi uma festa a colheita, toda feita manualmente e depois de descascada e colocada em banho-maria, ensacadas e colocadas no freezer. Muitas delas, feitas em “compotas” em vidros veck (?).

Pelo menos nos últimos 9 anos (a década atual), apenas em três anos colhemos como antigamente. Em 5 anos a chuvarada impediu a germinação fazendo com que as sementes apodrecessem na terra e fosse feito 2 ou 3 replantios, chegando agora ao mês de dezembro ainda fazendo tentativas de mais um plantio. Somente num ano houve também problemas porque fez seca, e como não temos condições de instalar sistema de irrigação, a colheita quebrou em mais de 60%.

Nota-se que a produção do pinhão, na região, vem decaindo. O número de pinhas, por pinheiro, diminuiu muito nos últimos anos. Em alguns pinheiros nos quais a colheita era de 60 a 100 pinhas, hoje ficamos alegres se conseguimos 10 ou 12. Certo é que houve um aumento considerável dos bandos de bugios, gralhas, ouriços (o que é bom) que conseguem sobreviver com o pinhão no inverno1. A queda da produção deve ser por outros motivos ainda não pesquisados e não existe nenhum Vereador ou Deputado preocupado com a situação...

Aliás, falando em pesquisa, é bom refletir sobre o assunto. O Brasil ainda depende da tecnologia importada. As nossas Universidades têm um baixo índice de produção científica em todas as áreas. E, nesta ligada a Ecologia, estamos com um déficit espetacular. Nunca se gastou tanto em sistema educacional (?) e também nunca tivemos uma taxa tão baixa de retorno. Ou seja, nossos estudantes, professores e técnicos tem sido orientados para uma idéia de mercado de trabalho e não para o campo científico onde o resultado é de longo prazo.

Outra preocupação que não entra na discussão dos políticos, universitários (professores e alunos) e, pasmem, da própria imprensa, é o grande número de reservatórios de água que foram construídos nos últimos 60/70 anos no Brasil. Aqui mesmo na região, já foram construídos muitos grandes lagos (para abastecimento de água potável) e hidroelétricas (para geração de energia)2. Tudo isto influencia nas mudanças climáticas ou não?

A resposta, parece, fica escondida para não impedir o “progresso a qualquer custo”; ou é falta de conhecimento neste setor?

Também existem idéias de construir um novo aeroporto “internacional”, usinas de tratamento de lixo, novas empresas de grande porte e pouco se analisa a questão do impacto ambiental3. Vou mais longe: ninguém (modo de falar) pensa no impacto negativo na cultura local.

Assim, fica muito difícil discutir a importância do Ártico, Antártida e floresta amazônica, se aqui mesmo estão substituindo a macega nativa por plantações de forragens com sementes híbridas, transgênicas e importadas, pinus, eucalipto ou lavouras para plantação de alho, hortaliças com grande utilização de fertilizantes e agrotóxicos sem controle ou monitoramento. As fontes de águas de cima da serra já estão ficando poluídas e pouca gente faz alguma coisa para proteger esta riqueza natural tão importante para sobrevivência dos seres vivos.

E aí vem a pergunta: até que ponto os Genealogistas estão interessados sobre esta temática?

Aqueles que estão num grau superior de reflexão sobre as relações familiares e sua extensa árvore genealógica, com novos padrões étnicos e culturais, podem e devem fazer uma conexão entre o que a natureza tem a nos oferecer e como devemos respeitá-la. A sobrevivência da nossa família imensa depende de um sistema de vida que está se transformando rapidamente e podem afetar nossas idéias sobre Paz e Fraternidade, princípios perseguidos por qualquer neófito sobre linhagens, troncos ou ramos familiares.

Sempre brinco (falando sério ao mesmo tempo) com os amigos descendentes das tribos indígenas primitivas brasileiras, principalmente aquelas vinculadas ao Cacique Tibiriçá e suas filhas Bartira e Terebê. Na linguagem tupiniquim Tibiriçá significa O GUARDIÃO DA TERRA (entre muitas interpretações). Assim, seus descendentes teriam simbolicamente uma missão aqui na Terrinha: cuidar e zelar pela Natureza.

Dizem que nem todos têm consciência disto e não poderemos obrigar ninguém a aceitar estas idéias aqui expostas.

Sinceramente, entendo o contrário. Todos têm obrigação e o dever de entregar um Planeta sadio e com chances para que os seres vivos sobrevivam e tenham uma vida mais feliz. Se alguém tem espaço para debater o assunto e oportunidade para divulgar seus trabalhos de pesquisa pode muito bem inserir no contexto a bela lição dos que defendem um modo de vida saudável e sem poluição.

As constantes intempéries e a rapidez da mídia em mostrar a natureza como ela é e reage em todas as partes do mundo pode ser um motivo de mudança de hábitos e de pensamento (ideologia?). Está na hora de todos se engajarem na tribo dos sensatos e dos

interessados sobre o tema. O que adianta fazer uma “baita” pesquisa sobre ancestrais, brasões, títulos honoríficos, discutir detalhes sobre nomes, sobrenomes se em nossa volta o mundo está virando um lixo e um caos ambiental?



Nós Genealogistas estamos preparados para colocar em nossos estudos, num lugar especial e carinhoso, a Mãe Natureza?


1 Uma campanha de conscientização junto a população e uma maior fiscalização dos órgãos competentes restitui à fauna várias espécimes que haviam desaparecido da região.

2 Com a destruição de sítios arqueológicos e de “passos” que faziam parte da História do Ciclo do Tropeirismo. Além do que, da derrubada ilógica de matas nativas e mudanças na vazão dos rios.

3 Projetos distantes 40/50kms longe do centro da cidade de Caxias do Sul, localizados em áreas que deveriam ser de interesse ambiental e cultural.


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