Geografia do vinho VII. Sabor da áfrica do sul



Baixar 11.72 Kb.
Encontro03.08.2016
Tamanho11.72 Kb.
GEOGRAFIA DO VINHO VII. SABOR DA ÁFRICA DO SUL.

Nesta viagem vínica maravilhosa que estamos realizando através de nossas reportagens sobre a GEOGRAFIA DO VINHO, já mergulhamos nos principais países produtores deste líquido bacante na Europa, onde vimos como a geografia é importante para sua produção, e voltamos a citar que muitas vezes os rios guardam estreito relacionamento com as vinhas, como dizem os vinhateiros ,que as uvas gostam de olhar para água. E assim é no mundo inteiro e também no país que agora iremos abordar do outro lado do Atlântico, a África do Sul.

Banhada por dois oceanos o Atlântico e o Índico, e com clima mediterrâneo, a África do Sul, hoje tornou-se mais conhecida para muitos pela Copa do Mundo, possui as condições ideais para a produção de vinhos. Para conhecermos melhor este país , nada melhor que um mergulho na sua história que é riquíssima, confirmando que a história foi feita pelo vinho. É o mais antigo produtor de vinho do Novo Mundo. Seus parreirais foram implantados pelos holandeses, há quatrocentos anos,com a finalidade de criar um frete de retorno para os navios da Companhia das Índias Ocidentais, a primeira multinacional do mundo, que também esteve no Brasil, em Pernambuco quando esta região esteve sob domínio dos holandeses chefiados pelo príncipe alemão Maurício de Nassau, explorando a cana de açúcar, para enviar açúcar à Europa, deixando grandes realizações nesta cidade, até hoje visíveis.Este entreposto de abastecimento era para os navios que faziam o percurso entre a Holanda e Indonésia.

Mas não podemos deixar de citar a presença portuguesa, pois foi graças à este grande povo, que fizeram de Portugal a maior nação ultramarina do mundo , que o Cabo Da Boa Esperança foi descoberto, abrindo o caminho para as Índias, pelo intrépido navegador português Vasco da Gama, no século XV, fruto da grande Escola Náutica portuguesa de Sagres, fundada pelo Infante Dom Henrique, visionário nos descobrimentos marítimos portugueses, que deste feito revolucionou o comercio de especiarias na Europa, tornando Portugal um país riquíssimo. Por isso , até hoje, alguns marcos geográficos carregam nomes familiares aos brasileiros, como as baías de Saldanha e Angra Pequena e a província de Kwazulu-Natal, em referência à data de chegada dos exploradores. Mas os portugueses não se estabeleceram na região, que era utilizada apenas como porta de entrada para o Oceano Índico.

Mas a colonização do território Sul-Africano começou com a fundação da Cidade do Cabo pelos holandeses em 1652.

Em 1685, o administrador holandês da colônia, Simon Van Der Stel, implantou um vinhedo, ao qual deu o nome de Constantia, homenagem e prece à esposa que deixara na Holanda e que jamais reveria.

No século seguinte o Vin de Constancia, um branco doce à base de uvas Muscat,,foi o nome mais conhecido na Europa, disputando com o Tokay da Hungria, as honras de mais caro e favorito das cortes.

Hoje o Vale Constantia, na Província do Cabo Ocidental, que tem sua capital na Cidade do Cabo, é uma das regiões do país com terra apropriada para o cultivo da uva. A produção está concentrada nas cidades vizinhas de Stellenbosch, Franschhoek e Paarl,todas históricas e distantes menos de 80 kms. da Cidade do Cabo.

São mais de 200 vinícolas nas Winelands, ou Terras do Vinho,como é conhecida a região,onde recebe turistas, enólogos, enófilos e leigos apreciadores de todo o mundo. Alí localiza-se a Delheim, uma das maiores produtoras de vinhos. Mike Talabudzinow gerente de degustação da Delheim Wines, que tem 150 hectares de vinhedos, confirma o interesse às garrafas de Pinotage, mas que também garante qualidade a outros vinhos como Merlot, Cabernet, por exemplo. A maior parte do cultivo vai para os vinhos brancos, principalmente de Chenin Blanc. Stellenbosh foi a primeira cidade produtora no país a instituir uma “wine route”, ou rota do vinho, para facilitar a vida dos turistas, e hoje já são 16 rotas diferentes.

Vale a pena conhecer a vinícola Groot Constantia que é a maior delas. Fundada, como já dissemos acima , por Simon Van Der Stel, e é a mais visitada da cidade.

Durante o regime de segregação racial do apartheid, quando o país foi objeto de um embargo internacional, a indústria do vinho passou por um período de dificuldades, com safras de qualidade inferior e decadência generalizada. Por muito tempo vigorou a prática de pagar com vinho parte dos salários dos trabalhadores. As restrições de venda para os negros do “licor do homem branco”, caíram durante os anos 60, e atualmente a indústria passa por um momento de ressurgimento no mercado mundial, digamos com um sabor de ascensão, e que ao lado dos safáris, despontam como um dos filões turísticos deste país africano, e vem se destacando com lançamentos frescos e frutados, de boa concentração e persistência, vindo a ser o oitavo maior produtor de vinhos do mundo com uma produção já ultrapassando 1 bilhão de litros\ano, e o consumo per capita é de 9 litros por ano, a 31ª posição no ranking mundial. O Brasil consome 2 litros.

Grande parte dos vinhos sul-africanos continuam sendo feitos em cooperativas, herança da KMV, cooperativa que foi fundada em 1918 e dominou a produção até 1990, ao contrário dos vinhedos franceses, com a secular tradição familiar.

Mas o grande charme e referência do vinho sul-africano está na característica singular de uma uva chamada PINOTAGE, a uva emblemática da África do Sul, que encontrou ambiente ideal para cultivo aos pés das montanhas, no Nordeste da Cidade do Cabo. A PINOTAGE surgiu em 1925, do cruzamento das variedades Pinot-Noir e Cinsault ,conhecida na época como Hermitage ( daí o nome pinot-age)A A uva foi o resultado de um trabalho de pesquisa desenvolvido por uma universidade local e que produz um vinho tinto ou rosé que alia características de aroma e leveza,que segundo os especialistas, seu aroma é característico e tem notas de ameixa,especiarias e amêndoas tostadas. O resultado é num vinho extremamente agradável que reúne a finesse do Bourgogne com a potência de um Merlot, análise de nosso mestre enófilo curitibano Luís Groff. Outras uvas comuns são, entre as tintas a Cabernet Sauvignon e a Shiraz ( que junto com a Pinotage é a mais indicada para acompanhar o BRAAI,tradicional churrasco sul-africano) e, entre as brancas, que dominam 45% dos vinhedos a Chenin Blanc que é a principal com o nome de Steen, a Sauvignon Blanc a Chardonnay, e a Riesling, herança ainda das primeiras mudas de parreiras que lá chegaram em 1654, vindas do Vale do Reno, na Alemanha.

Este é um panorama hoje dos vinhos da África do Sul, que estão fabricando vinhos da alta qualidade, e vêm recebendo vários prêmios importantes e são reconhecidos internacionalmente. Conseguiram vencer todas as dificuldades econômicas e políticas e estão firmando-se no cenário internacional, com qualidade e preços competitivos, mesmo os medalhas de ouro,onde as safras sul africanas se tornaram uma opção na gastronomia mundial

Celebremos pois, à vida com um brinde à arte de viver degustando com uma garrafa do vibrante OKIBWA SHIRAZ que tem um preço média de 35 reais, ou o com o Fleur Du Cap Pinotage, com a uva emblemática sul-africana com custo médio de 55 reais ou o STELLENZICHT SYRAH, encorpado, que vai bem com carne ou com sobremesa de chocolate, aclamado no mundo e ganhador de vários prêmios internacionais, com um custo médio de 190 reais, que recomendamos à você, caro leitor, para ter sua iniciação ao mundo africano dos grandes vinhos.

Por aí vemos quão importante é o vinho hoje, é ele um grande embaixador: divulga as riquezas naturais além do trabalho a história e cultura de uma região.

LAOS VINO ET DEO. LOUVOR AO VINHO E Á DEUS QUE O CRIOU.



BRADO DE SAUDAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS.




Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal