Georges snyders: em busca da alegria na escola



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GEORGES SNYDERS: EM BUSCA DA ALEGRIA NA ESCOLA

 

CARVALHO, Roberto Muniz Barretto de



 

 

Neste trabalho pretendemos relatar de forma sintética as principais conclusões que chegamos ao analisar o pensamento pedagógico de Georges Snyders1[1] durante a elaboração da dissertação de mestrado no programa de História e Filosofia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -PUC/SP.



O objetivo que estabelecemos para nossa pesquisa foi realizar uma análise do pensamento educacional de Georges Snyders para apanhar e compreender a construção e o significado da Pedagogia Progressista proposta por este autor e a evolução dos seus conceitos básicos. Utilizamos, como base, quatro de suas obras: Pedagogia Progressista, Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas?, Alegria na Escola e Alunos Felizes.

As duas primeiras obras são as que maior divulgação obtiveram no Brasil e que serviram de referência e contribuição a diversos pedagogos brasileiros, principalmente no final da década de 70 e início dos anos 802[2]. Através destas obras Snyders se tornou conhecido, fora da França, onde já se destacava ao lecionar na Sorbonne (Paris V), com a publicação de artigos polêmicos em diversas revistas (artigos estes que geralmente deram origem aos seus livros), em debates onde procurava defender seus pontos de vista e do partido comunista (PCF) 3[3], e ao procurar construir uma pedagogia de inspiração marxista.

Com a divulgação destas duas obras - Pedagogia Progressista e Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas? - (e de Escola, Classe e Luta de Classes), Snyders se torna conhecido como um pedagogo marxista, que trabalha com a educação na perspectiva da luta de classes. Snyders passa a ser constantemente identificado como o pedagogo que propõe a transformação da escola pela mudança nos conteúdos, na adoção de “conteúdos marxistas”, como aquele que deixa claro o papel mediador da escola, de que a escola pode e deve servir na luta contra o sistema capitalista, na construção do socialismo.

Entretanto, este “estereótipo” começa a se modificar com a publicação das duas outras obras que tomamos como base para o nosso trabalho (Alegria na Escola e Alunos Felizes). Nelas surge um Snyders que insiste em falar da alegria na escola, na satisfação que a cultura deve e pode proporcionar aos alunos. Surge, então, um Snyders que se refere constantemente a “minha escolaou a “escola de meus sonhos”, onde os alunos viveriam a verdadeira alegria do escolar.

O que ocasiona esta mudança em Snyders? Teria abandonado seus pressupostos e propostas anteriores? Ao discutir a questão da alegria na escola, Snyders abandona ou reformula seus conceitos e proposições anteriores? Deixou de ser um pedagogo marxista, que se guia pela luta de classes? Que relação a alegria na escola tem com a pedagogia progressista? Que significa esta “alegria”?

Tais questões serviram de pedras indicativas de um caminho para a formulação de uma análise do pensamento pedagógico de Georges Snyders. O que apresentamos aqui são algumas respostas, a partir da leitura da obra de Snyders, tomando como base os seus conceitos principais no processo de formulação teórica do autor.

Ao analisarmos as obras produzidas por Snyders, podemos perceber claramente dois conjuntos. O primeiro seria formado pelos livros: Pedagogia Progressista, Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas? e Escola, Classe e Luta de Classe e pelos artigos que deram origem ou contribuíram na realização destes livros: La Pédagogie en France aux XVII et XVIII siècles, La Non-Directivitè Est-Ce La Bonne Direction? (Enfance) e Foi o Mestre-Escola Quem Perdeu a Batalha das Diferenças Sociais (Enfance). O segundo conjunto seria formado pelos livros: A Alegria na Escola, Alunos Felizes, A Escola Pode Ensinar as Alegrias da Música? e Feliz na Universidade e pelos artigos: As Pedagogias Não-Diretivas - Conferencias: Jornadas Pedagógicas- Portugal, Recherches Pour L’Education Musicale (Revue Des Science de L’Education), Le Joies Etudiants: Recherchers à Partir de Quelques Biographies (Revue Française de Pédagogie) e Le Gout Musical en France aux 17e et 18e Siècles.4[4]

As obras do primeiro grupo foram escritas entre 1968 e 1976 (exceto La Pédagogie en France... que foi editada em 1964 sendo posteriormente aproveitada em 1973 para compor o Tratado de Pedagogia II organizado por Debesse e Mialaret) e tem como característica principal a constituição da Pedagogia Progressista, a definição de uma pedagogia de inspiração marxista, a afirmação da educação como relação marcada pela sociedade e a escola como local onde também se processa a luta de classes. Nestas obras Snyders vai polemizar com as diversas correntes educacionais contemporâneas, com os representantes da Educação Tradicional e Educação Nova5[5], procurando neste debate realizar a crítica a estas, localizando o que julga ser seus pontos positivos e negativos, e, principalmente, definindo e delimitando sua visão marxista de educação. Este processo pode ser vislumbrado de uma obra a outra. Em Pedagogia Progressista, Snyders define temas para uma pedagogia progressista. Já em Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas? traça o que seria uma pedagogia de inspiração marxista, uma pedagogia progressista; e finalmente em Escola, Classe e Luta de Classe insere esta pedagogia no debate do papel da escola, das funções da escola, da cultura, na luta de classes.

Já no segundo grupo de obras, escritas entre 1982 e 1993, a temática central é a alegria, a satisfação/alegria que a escola deve e pode proporcionar ao aluno. Nestas obras, Snyders vai analisar o papel da cultura erudita/escolar na alegria, na escola, vai analisar as especificidades do escolar que podem proporcionar esta alegria, em como esta alegria faz parte da luta por transformar a escola, a educação. Aqui também, podemos ver um salto qualitativo, onde o autor em Alegria na Escola fundamenta - por meio de exaustiva análise dos temas culturais a serem utilizados pela pedagogia progressista - a nova ênfase e faz a ligação com as obras anteriores, procurando deixar claro que a alegria na escola ocorre através da Pedagogia Progressista. As demais obras são esclarecimentos desta “nova perspectiva”, agora com mais exemplos e explorando situações específicas, concretas, da escola e da sala de aula, como a questão do ensino de música, o uso de textos literários, a universidade, etc.

Apesar da mudança de temática, de ênfase, verificamos entre estes dois conjuntos uma continuidade, onde o segundo conjunto é um desdobramento do primeiro, dos conceitos e principais idéias desenvolvidas neste. O conceito de alegria, a temática da alegria, por exemplo, já estava presente no conjunto dos primeiros textos, mas não tinha centralidade, acabava ficando como mais um componente dentro da perspectiva da pedagogia de inspiração marxista, das possibilidades de lutas na escola6[6]. Verificamos que Snyders não abandona as perspectivas traçadas e defendidas nas obras do primeiro grupo, embora estas sejam agora tratadas mais “sutilmente”, com menor ênfase. O centro de seu pensamento, ou seja, a mudança, a transformação da escola através dos conteúdos, da Pedagogia Progressista, a noção de progresso, os conceitos marxistas de verdade, de liberdade, de homem, permanecem.

 

A Crítica a Educação Tradicional

Snyders considera que a Educação Tradicional já não é capaz de responder aos seus próprios objetivos e que a Educação Nova que surge em contraposição às falhas e problemas desta, também não consegue superá-la. Portanto, faz-se necessário localizar os limites da Educação Tradicional para ultrapassá-la e verificar até onde a Educação Nova avançou e quais são os seus limites.

A partir desta perspectiva Snyders elabora sua proposta de trabalho: “pensar que se pode abrir um caminho a uma pedagogia atual; que venha a fazer a síntese do tradicional e do moderno: síntese e não confusão.”(Snyders, 1974:9-10) Snyders tem como ponto de partida as duas pedagogias e opera sobre elas a crítica para chegar a uma síntese, a partir dos elementos positivos que cada uma apresenta e formula uma nova pedagogia. Snyders defende uma pedagogia que, de fato, possibilite a formação do indivíduo, que lhe permita realizar-se (ter alegria) e poder atuar na sociedade modificando-a, superando as contradições e problemas que esta apresenta.

Snyders conclui que o problema central da Educação Tradicional não está tanto na sua metodologia, no papel que atribui ao professor ou no fim que busca atingir, mas principalmente, na forma de encarar os modelos - o conteúdo do ensino - na forma como vê a sociedade, o papel dos indivíduos. O problema da Educação Tradicional está no conteúdo e não tanto nos seus métodos, pois estes podem ser transformados em função dos modelos a serem adotados. O método se torna um problema em função dos modelos propostos e da visão de sociedade que se tem. O problema é o que se ensina e para quê se ensina, mais do que como se ensina. Snyders conclui que não se deve renunciar aos modelos, mas aos conteúdos assim escolhidos como modelos.

Snyders não faz apenas a crítica a este modo de educação, mas localiza seus aspectos positivos. Em sua proposta pedagógica, ele apresenta alguns elementos retirados da Educação Tradicional, dentro da abordagem superadora, marxista:

- A necessidade da Educação: de que o mundo imediato, empírico, cotidiano, por si só não forma o aluno, não possibilita a apreensão do real.

- No processo de ensino-aprendizagem há a necessidade do professor como guia, como orientador. A criança necessita de apoio, de orientação, para formar uma disciplina, um autodomínio, para poder ter possibilidade de apreender o real e sobre ele atuar.

-Há um reconhecimento da validade de modelos, da primazia dos modelos, ou do conhecimento, na educação.

 

 

 



A Crítica as Pedagogias Não-Diretivas

A crítica e análise das pedagogias não-diretivas realizada por Snyders encontra-se, principalmente, em Pedagogia Progressista e Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas?.

Em Pedagogia Progressista ao realizar a crítica à Educação Nova, Snyders analisa os seguintes autores: J. Dewey, M. Montessori, E. Claparede, O. Decroly, J. Piaget e S. Feinet. Já em Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas? vai analisar: Kurt Lewin, Lipitt, White, A.S. Neill, Bany e Johnson, Irving Rogers, Barrington Kaye, Carl R. Rogers, Gilles Ferry, Daniel Hameline, Marie-Joelle Dardelin, Michel Lobrot e Fernand Oury, completando assim sua crítica ao tomar como centro de sua análise os autores contemporâneos da Educação Nova. Educação estas que ele passa a nomear de pedagogias não-diretivas, pois vê esta característica (não-diretividade) como o denominador comum dos diversos autores analisados. Além de atualizar sua crítica às pedagogias, Snyders retoma os temas para uma “pedagogia de esquerda” contidos em Pedagogia Progressista, e desenvolve a sua pedagogia de inspiração marxista.

Ao realizar a sua análise da Educação Nova, assim como fez com a Educação Tradicional, Snyders descobre qualidades e problemas, ou o que ele chama de “perigos”, pois colocam-se contra os objetivos da educação, ao que pretende as pedagogias apresentadas, ou seja, a formação plena do indivíduo, com liberdade, autonomia, originalidade, capacidade crítica e de intervenção na realidade.

Aquilo que existe de muito importante na pedagogia não-diretiva é o desejo da felicidade do aluno, (...). Mas o que nessa pedagogia me parece perigoso é o risco de conformismo, porque o desejo dos alunos não vai, por si próprio, além dos seus limites de classe social, bem como um risco de cepticismo, por não se ousar, não se poder ousar, fazer com eles um trabalho de aprofundamento e desmascaramento das ideologias. O meu sonho consistiria em unir os valores positivos da pedagogia não-diretiva a um processo que jogaria também com os conteúdos do ensino e com as idéias de que os alunos devem se apropriar. (Snyders, 1984:21)

Se, de um lado a Educação Nova, faz avançar os métodos de aprendizagem e as questões relativas à relação professor-aluno, por outro, ao recusar os modelos, ao não dar atenção ao que se aprende, como se o conhecimento e o processo de formação do conhecimento fossem neutros, acima das relações sociais, acaba por fortalecer a situação vigente, não contribuindo substancialmente para a formação dos alunos, na sua inserção na sociedade, nas lutas sociais, na transformação da sociedade capitalista.

Snyders conclui que a Educação Nova não supera a Educação Tradicional, não resolve os problemas, as questões que ela mesma localiza como falhas da educação anterior. Ao buscar as soluções, acaba enveredando no não-dirigismo, no espontaneísmo e, assim, nega o que ela própria coloca de mais importante: a felicidade dos alunos, a alegria específica do escolar, da cultura elaborada, a preparação para o mundo, a democracia.

Para Snyders seus métodos e descobertas só poderão dar resultados positivos se colocados na perspectiva de uma educação vinculada à luta de classes, no desmascaramento das ideologias dominantes.

O problema principal de Snyders não é o de estabelecer uma relação crítica/reformadora com a Educação Tradicional e a Educação Nova, mas a construção de uma pedagogia de inspiração marxista. Seus interlocutores são aqueles que procuram ver na escola uma alternativa de luta ou os que negam qualquer possibilidade desta luta através da escola. Logo não cobra da Escola Tradicional ou Nova um compromisso transformador ou revolucionário, mas daqueles que buscam essa transformação e estão divididos nessas duas expressões da escola burguesa/liberal. Seu confronto com os principais expoentes teóricos, do Tradicional e do Novo, é um esforço por demarcar o terreno do marxismo na pedagogia e trazer novos “adeptos”.

Na análise das duas formas de educação dominantes (Educação Tradicional e Nova) podemos verificar que Snyders realiza a sua crítica, partindo de conceitos marxistas que vão estabelecer os limites e problemas contidos nestas pedagogias. Os conceitos principais utilizados por ele, e que vão servir também na elaboração da sua pedagogia progressista, são os conceitos de homem (enquanto ser social, situado historicamente), de liberdade, de verdade (a máxima apreensão da realidade), de progresso (desenvolvimento social) e de luta de classe; os conceitos chaves da filosofia materialista dialética. Snyders utiliza, (em Pedagogia Progressista e Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas?) neste sentido, como referências, textos de K. Marx, F. Engels, V. I. Lenine, N. Kroupskaia, Anton S. Makarenko, A. Gramsci, L. Althusser, Sève, J. P. Sartre, P. Eluard, L. Aragon, H. Wallon e Gyogy Aczel. Utiliza-se também de autores não diretamente ligados ao marxismo, mas que ele avalia apresentarem contribuições importantes, como G. Bachelard, Fernand Oury, R. Leroy, J. Jaurès, Wittwer, C. Passeron, etc.



A Pedagogia Progressista

Após analisar as Pedagogias Nova e Tradicional, verificar a coerência de seus métodos e técnicas com o que elas propõem, Snyders parte para a construção de uma pedagogia de inspiração marxista gestada para a realidade capitalista.

A elaboração desta pedagogia ocorre entre 1968, com Pedagogia Progressista, 1973 com Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas?, e 1976 com Escola, Classe e Luta de Classe. Nos dois primeiros livros elabora a crítica à educação Nova e Tradicional e constrói a Pedagogia Progressista, e em Escola, Classes e Luta de Classes insere sua proposta pedagógica na luta de classes, nos debates travados principalmente pela sociologia da educação acerca do papel da educação, dos sistemas escolares e seu papel na exclusão escolar e a criação de desigualdades sociais.

Snyders propõe uma pedagogia que tem como ponto de partida a primazia dos conteúdos. O objetivo de tal pedagogia é o de levar o aluno a um conhecimento verdadeiro, científico, que lhe possibilite uma formação e posse do conhecimento acumulado pela humanidade e, assim, possa participar das lutas de seu tempo, possa contribuir para a transformação da sociedade. E isto só pode ser feito se o conteúdo, o saber escolar, estiver em continuidade com a realidade dos alunos e ao mesmo tempo lhes forneça elementos para uma ruptura com a ideologia dominante. Nesta perspectiva, o papel do professor é o de direção, de quem vai guiar os alunos na sua busca, que vai ajudar-lhes neste movimento de continuidade e rupturas. Esta pedagogia pressupõe fundamentalmente uma reavaliação crítica da cultura. Não se trata apenas de “passar quaisquer conceitos e conhecimentos” aos alunos. Trata-se de reavaliar a cultura, a cultura que está sob o domínio das classes dominantes e colocá-la a serviço das classes dominadas, retirando dela os seus elementos originais, o seu caráter de luta, de descobertas, de avanços, de síntese de uma dada realidade, de progresso.

A Pedagogia Progressista dá primazia aos conteúdos, mas não se resume a eles. É o seu ponto de partida, é de onde se definem os seus métodos. Sua metodologia é concebida à partir da teoria do conhecimento marxista, pela dialética materialista, pelo movimento de continuidade e ruptura. Parte-se da necessidade e aspirações dos alunos, de sua realidade, para então realizar as rupturas, sair do imediato e chegar ao teórico, ao abstrato; e depois retornar ao real com uma nova visão que possibilita uma nova ação sobre ele.

Esta pedagogia não é a educação socialista, ou a de uma sociedade sem classes, mas sim a que busca contribuir, se inserir na luta de classes para a sua superação. Para Snyders a escola é palco da luta de classes, e por isto deve ser utilizada pelas classes exploradas, pelas forças progressistas, como um dos seus instrumentos de libertação.

É interessante observar que embora Snyders esteja constantemente se referindo a luta de classes, a dominação, a exploração e a ideologia dominante capitalista, este, em momento algum de sua obra trata do Estado, das relações entre o Estado e a educação. Sua visão de transformação social e da escola, passa pela formação de “zonas de consenso”, através da união de diversos setores de classes, contra as classes dominantes, e neste sentido nada diz sobre o Estado.

A Alegria na Escola

Podemos localizar uma certa mudança de ênfase nos trabalhos de Snyders em Alegria na Escola, publicado em 1986. Este livro dá seqüência à uma série de outros que têm sempre em seus títulos o que parece ser, a partir de então, a preocupação central de Snyders: a alegria na escola. Fazem parte deste conjunto os livros: Alunos Felizes- Reflexão Sobre a Alegria na Escola a Partir de Textos Literários (1991), A Escola Pode Ensinar as Alegrias da Música? (1991) e Feliz na Universidade. Estudo a Partir de Algumas Biografias (1993/94).

Entretanto já em 1982, ao participar das “Jornadas Pedagógicas do Outono” organizada pelos Sindicatos dos Professores da Grande Lisboa e da Zona Sul, em Lisboa e Évora - Portugal - Snyders manifestava a preocupação em discutir a questão da alegria na escola. Nesta exposição, Snyders já expõe o núcleo central do que seria seu livro Alegria na Escola e as preocupações que vão se fazer presentes nos próximos livros. Alunos Felizes pode ser considerado uma continuidade de Alegria na Escola como o estudo, a pesquisa através de textos literários, biografias, etc., da manifestação da alegria na escola, de sua existência e necessidade de alargá-la, aprofundá-la. Já A Escola Pode Ensinar as Alegrias da Música? é o resultado de dois artigos publicados nas revista Enface e Revue des Sciences de l’Éducation, com influências de um estudo realizado anteriormente com o título: Le Goût musical en France aux 17e et 18e siècles. O ensino da musica é só “um pretexto”, um motivo, para que este discuta a alegria na escola. Através do ensino da música Snyders procura mostrar/demonstrar como é possível a alegria na escola, o que significa a busca da alegria na escola e suas conseqüências. E, por fim, em Feliz na Universidade, Snyders se propõe verificar as alegrias possíveis nas universidades, seu caráter diferenciado e suas possibilidades.

Em uma análise superficial, sem maiores aprofundamentos, podemos estranhar tal mudança de ênfase, de temática, de Georges Snyders. Nosso estranhamento pode ser causado inicialmente pelo fato de encontrarmos um tema que não é normalmente tratado por teóricos marxistas, ou ainda, não é geralmente associado as proposições e estudos baseados no marxismo7[7]. Snyders que se caracterizou como o defensor da pedagogia progressista, pela democratização da escola, por pautar suas propostas na ótica da luta de classes, no marxismo, passa agora a falar em “alegria” na escola. Teria este abandonado seus pressupostos anteriores? Deixou o marxismo como princípio diretor? Abandonou a luta por uma pedagogia progressista e a democratização do ensino?

Ao analisar as obras acima referidas, respondemos a estas questões de forma negativa. Snyders não abandona sua perspectiva marxista, sua Pedagogia Progressista, a luta pela democratização do ensino e transformação da sociedade, simplesmente passa a tratar agora destes temas através da discussão centrada na questão da alegria na escola, que ao nosso ver constitui um desdobramento, um aprofundamento da Pedagogia Progressista. Este tema já estava presente nos livros anteriores, apenas não havia sido desenvolvido, exemplificado, tratado em primeiro plano.

Snyders não renuncia nada em relação ao que produziu anteriormente, embora passe agora a tratar de certas questões com menor contundência ou relevância, enquanto que trata de outras com mais importância. Neste sentido, afirmamos que o tema da “alegria na escola” é uma continuidade da Pedagogia Progressista. A alegria, presente em outras obras, ganha um novo enfoque, uma nova argumentação, uma importância destacada.

Podemos inferir que esta nova preocupação de Snyders “brota”, não só de um objetivo de aprofundar as questões que já vinham sendo discutidas ao estabelecer a Pedagogia Progressista, mas também devido às mudanças na conjuntura em que vive, as mudanças ocorridas na sociedade, na educação e na escola nos anos 80 e início dos anos 90. Snyders sempre se mostrou profundamente preocupado com as questões mais imediatas da sociedade francesa (e do mundo contemporâneo) e que atingiam diretamente as crianças, a educação, a sociedade, como por exemplo, o crescimento constante do desemprego e a reação racista dos trabalhadores europeus ao crescente número de trabalhadores imigrantes8[8]; a desvalorização da educação, o surgimento de formas de educação não escolar (como por exemplo o uso da TV, a proliferação de cursos os mais variados possíveis, colocados como “complementares à escola”, os programas de educação à distancia, etc.), que tendem a desvalorizar ou mesmo a substituir a escola; a visão negativa do presente que já existia, mas que com a nova conjuntura (nova ordem internacional, o fim do socialismo, a ausência de novas perspectivas de transformações sociais, o crescente misticismo e a crítica à razão e ao humanismo, etc.) reforça cada vez mais a retração dos movimentos progressistas e avanço da direita, etc.

Em Alegria na Escola, Snyders trabalha com três temas principais:

O primeiro [tema] é naturalmente uma ambição de renovar a escola (...) Esta renovação, quero afirmar que só pode se realizar a partir de uma renovação do que há de essencial na escola, especifico na tarefa da escola: a cultura, cujo acesso e participação são permitidos aos jovens pela escola. (...) renovar a escola a partir de uma transformação dos conteúdos culturais (Snyders., 1988: 11)

Este tema é básico em Snyders, se coloca desde seu primeiro livro, é a sua preocupação constante. E a resposta a esta inquietação, esta necessidade de renovar a escola, também não é nova. A resposta/proposta de renovação da educação pela mudança, crítica, reavaliação crítica dos conteúdos, centrada na questão dos conteúdos, é definida por Snyders desde Pedagogia Progressista. O que parece novo nesta colocação é a questão da cultura, a precisão maior de termos ou melhor sua ampliação. Agora não se fala somente em conteúdos ou modelos do ensino, mas em cultura. Esta evolução já podia ser percebida em Escola, Classe e Luta de Classes, onde Snyders, para combater as correntes que não viam na escola a possibilidade de luta, discute longamente a questão da cultura e seu papel, apoiando-se principalmente em Gramsci. A substituição do conceito de conteúdo pelo de cultura ocorre, não apenas pela realização da crítica, mas também pela necessidade de sair do “propriamente pedagógico”, da análise pedagógica, para uma visão mais geral e abrangente da cultura e do pedagógico, da relação com o saber ensinado, com a ideologia dominante e a transformação social.

O segundo tema se refere às funções da escola, que Snyders separa em, principalmente, duas: a primeira, seria a preparação para o futuro, para a vida adulta, para atuar e transformar a sociedade; a segunda, estaria relacionada com o tempo em que as crianças e jovens permanecem na escola:

[Quero] pensar a escola e o aluno no presente. O que isto pode oferecer aos jovens, na sua vida de jovens, durante sua vida de jovens, passar tantos dias na escola? (...) Como podemos transformar a escola para que... Dez anos obrigatórios de escola: são dez anos feitos para satisfação cultural (...) (Snyders, 1988: 12-3)

Neste tema é que vão se situar as novas preocupações de Snyders. Este é o elemento novo que surge em Alegria na Escola, é o “norte” que vai dar a linha aos seus novos livros, que vai se articular com a Pedagogia Progressista. Assim, os dois primeiros temas, a renovação da escola pelos conteúdos e a alegria na escola no presente, são articulados com o terceiro tema, a cultura:

De fato, meu problema é unir os dois temas que acabo de expor: para dar alegria aos alunos, coloco minha esperança na renovação dos conteúdos culturais. A fonte de alegria dos alunos, não a procuro inicialmente do lado dos jogos, nem dos métodos agradáveis, nem do lado das relações simpáticas entre professores e alunos, nem mesmo na região da autonomia e da escolha [como pretende a Educação Nova]: não renuncio a nenhum destes valores, mas quero reencontrá-los como conseqüências e não como causas primeiras. (...) Determinando desde logo que há, que se trata de resgatar, até mesmo de criar um conjunto cultural que se possa propor a cada idade (...) (Snyders, 1988:13)

O terceiro tema, da cultura, consiste no núcleo aglutinador da sua proposta pedagógica, ou seja, na configuração da alegria possível na escola.

A discussão da cultura situa-se no debate sobre continuidade/ruptura, desenvolvido em Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas? e Escola, Classe e Luta de Classes. Snyders trabalha com a idéia de que existem basicamente dois tipos de cultura: uma cultura imediata, formada no cotidiano, não sistematizada, que ele chama de cultura primeira, e uma cultura sistematizada, que ele ora denomina de cultura elaborada, ora de cultura escolar. O que aqui está em questão é a discussão já travada por Gramsci (retomada por Snyders, com acréscimo dos estudos de Bachelard) entre senso comum e ciência, ou entre cultura popular e conhecimento científico. Snyders procura demonstrar que entre as duas formas de cultura não existem antagonismos; existem diferenças, mas estas não criam entre as duas um fosso intransponível. Pelo contrário, de uma forma dialética, a cultura escolar, representada pelo professor, encontra-se em continuidade com a cultura primeira, que é a cultura do aluno. Do mesmo modo, entretanto, existe também uma ruptura entre elas, já que a cultura elaborada operou uma crítica sobre a cultura primeira, organizou e sistematizou seus dados o que possibilita uma nova visão da realidade.

Para Snyders, a escola, a Pedagogia Progressista, tem que realizar este movimento, o movimento de fazer passar da cultura primeira à cultura elaborada, sem que seja necessário negar ou abandonar a primeira, mas sabendo situar seus limites a ampliar e aprofundar o que nesta era só uma impressão, algo pressentido, não sistematizado.

Para que o aluno tenha alegria na escola, para que esta seja significativa, tenha significado, lhe dê respostas às suas indagações, a escola deve partir da cultura dos alunos, de sua experiência imediata, pois ela já contem elementos válidos (relacionado com os conceitos de Snyders de progresso e presente) e, a partir daí, realizar a ruptura, apresentando-lhe a cultura elaborada, o conhecimento escolar, que o auxiliará a ver de forma diferente, ampliada, crítica, o que já se pressentia em sua experiência de forma a-sistemática, não acabada, plena. Ao realizar este movimento o aluno tem alegria presente, alegria que o forma e transforma, pois possibilita a compreensão da realidade e lhe dá impulso para agir.

O conceito de alegria desenvolvido por Snyders não é uma alegria qualquer, um estado de graça, um descomprometimento, um afastamento da realidade e seus problemas. É a alegria de compreender, de sentir, descobrir a realidade, de poder decifrá-la e sobre ela atuar, de romper com as inseguranças e incertezas, buscar a plenitude, as formas mais acabadas, seja nas artes, nas técnicas, na ciência, etc. A alegria que Snyders tem em mente é a busca da originalidade, da criatividade, da auto-superação e crescimento constante das potencialidades dos indivíduos, da supressão (ou pelos menos sua diminuição) das inseguranças, do medo e incertezas. É a alegria de saber, de conhecer e poder escolher criticamente as diversas possibilidades oferecidas pela realidade. É o conceito de humanização do homem da filosofia marxista, ou seja, o pleno desenvolvimento das potencialidades humanas. E esta alegria cultural está profundamente relacionada com a transformação da sociedade:

É precisamente para não esquecer a infelicidade dos outros, para ter a força para participar das lutas, que tenho necessidade da satisfação,(...). Satisfação bem intensa para fazer sentir que vale a pena viver, satisfação da cultura que me farão sentir o possível desabrochar do homem (...) e a satisfação de persuadir-me de que sou capaz de juntar-me a esses esforços. (...) “nada pode pela felicidade de outrem, aquele que não sabe ser feliz ele próprio9[9]”(Snyders, 1988:21)

Esta satisfação, alegria proporcionada pela cultura, que busca Snyders, deve ocorrer na escola. Esta satisfação se inscreve na Pedagogia Progressista, por ele definida em suas obras anteriores e reafirmada em Alegria na Escola.

Para Snyders a alegria na escola não significa que o aluno não tenha que enfrentar dificuldades, realizar exercícios, cumprir uma disciplina, pelo contrário. Para se atingir a alegria são necessárias intervenções dos alunos, como uma atividade constante de estudos, de realização de esforços, etc.; “o saber não sai suavemente do bom senso comum” (Snyders, 1988: 103). Daí, a necessidade da escola, de se manter o escolar com o que este tem de específico. Não devemos renunciar à escola, ao papel de conduzir os alunos à posse da cultura elaborada, à satisfação cultural, à alegria.

Para se ter “alegria na escola” é necessário renovar a escola no que ela tem de específico, no que lhe é característico: a estrutura sistematizada, uma organização sistemática e continuada de situações, seu rigor (avaliação constante), a presença do obrigatório, o deferido (a preparação para o futuro).

“Iniciei pela satisfação na escola - e me dei conta que, novamente, encontro o marxismo” (Snyders, 1988: 195) afirma Snyders, pois ao propor a questão da alegria, da satisfação cultural, se coloca a questão da utilização da cultura pelas classes dominantes, da necessidade da reavaliação crítica da cultura, do papel da escola na luta de classes. Ou seja, para ele, não é possível discutir a alegria na escola sem situá-la dentro destas questões mais gerais. A busca da alegria na escola é mais um elemento na luta contra a dominação e exploração, a segregação escolar, os fracassos escolares das classes dominadas. Para Snyders a luta por uma escola mais democratizada, que se insere na luta de classe, passa por uma luta também no plano de uma luta cultural, na afirmação do progresso.

Nesta perspectiva é que se situa a preocupação de Snyders com a alegria na escola. E como podemos verificar, ele não abandona o que vinha até então elaborando e defendendo. Sua nova perspectiva continua sendo pensada dentro dos mesmos conceitos e princípios que anteriormente. O marxismo, seu método e princípios gerais, continuam sendo a referência básica deste autor. Por isso, afirmarmos que a “alegria na escola” constitui o complemento, a continuidade, a reafirmação, colocada com outros exemplos e aprofundado em alguns pontos, da Pedagogia Progressista.

Conclusões

A obra de Snyders, assim analisada, constitui um único conjunto em que o autor, de obra em obra vai construindo e ampliando constantemente os conceitos e princípios nos quais elabora sua pedagogia, sua visão de educação, sua proposta política. Estas redefinições e novas ênfases vão ser definidas tanto pelos objetivos traçados pelo autor (a renovação da educação, a constituição de uma pedagogia progressista, a luta por uma sociedade socialista) quanto principalmente, pelos embates teóricos que trava e as mudanças na conjuntura em que produz (mudanças na realidade).

A perspectiva da pedagogia progressista leva-nos a questionar os conceitos de liberdade, igualdade, democracia, participação, originalidade, transmitidos pelas escolas brasileiras, assim como, questionar os conteúdos e metodologias utilizadas. Como nossas escolas vêem o presente? Que idéia fazem de progresso? Como entendem as crianças e suas relações com o mundo? Essas questões são fundamentais para a real transformação da educação no Brasil, se queremos de fato avaliá-la, e se acreditamos que esta tem um papel a cumprir na transformação da sociedade brasileira. Mais do que nunca, cabe-nos a tarefa de afirmar a escola como lugar de acesso a cultura elaborada, como lugar de satisfação cultural escolar, nas perspectivas apontadas por Georges Snyders.

Referências Bibliográficas

 

-BRAYNER, Flávio., Um Comentário Sobre o Otimismo Cultural de Georges Snyders, Recife, Cópia xerografada, 1995.



-------------------., Carta dirigida ao autor em 20 de outubro de 1996, Recife, 1996.

- CARVALHO, Roberto Muniz Barretto de Carvalho., Georges Snyders: em Busca da Alegria na Escola, Dissertação de Mestrado, PUCSP, 1996

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1[1] Preocupado com a situação do ensino na França e as novas alternativas que estavam a se afirmar, a Escola Nova, a Educação Nova, as Pedagogias Não-Diretivas, Georges Snyders, se propõe a estudar o Ensino Tradicional e a Educação Nova e, a partir daí, elaborar uma nova pedagogia, a Pedagogia Progressista, com o aporte teórico do marxismo. Inserido nos amplos debates ocorridos na área da educação nas décadas de 50, 60 e 70, promovidos principalmente pela sociologia da educação, Snyders vai procurar se contrapor às duas correntes majoritárias presentes: a corrente funcionalista que vislumbrava a educação como equalizadora dos problemas sociais, redentora das desigualdades sociais, e a corrente crítica (com aportes do estruturalismo) que vislumbrava a educação apenas como mecanismo social de perpetuação e de legitimação de hierarquias e divisões sociais, como agente de reprodução das condições sociais.

2[2] Como por exemplo, os estudos de Dermerval Saviani, José Carlos Libâneo, Paolo Nosella, Giomar N. de Mello, e outros, na perspectiva da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, da Pedagogia Histórico-Crítica e Pedagogia Concreta.

3 [3] Como por exemplo, no ocorrido entre ele e o educador S. Freinet na década de 50 e que teve como “mediador” Roger Garaudy (na época prestigiado membro do PCF e deputado na Assembléia Nacional) que acabou dando razão a Snyders, segundo o Prof. Dr. Flávio Brayner.

4[4] A única obra de Snyders que não estaria claramente dentro deste dois grupos é: Não é Fácil Amar Nossos Filhos, onde ele se “distancia” das questões da educação formal para então discutir o amor pelos filhos, a família, o papel da cultura e a educação informal. No levantamento bibliográfico que realizamos, encontramos as seguintes obras de Snyders disponíveis no mercado livreiro ou em bibliotecas públicas: La Pedagogia en Francia en los Siglos XVII y XVIII in Tratado de La Pedagogia II - Debesse e Mialaret - 1974 (também editado em português); Pedagogia Progressista (1974); Para Onde Vão as Pedagogias Não Diretivas? (1978), Escola, Classes e Luta de Classes (1977); Não é Fácil Amar os Nossos Filhos (1984); As Pedagogias Não-Diretivas - Conferencias: Jornadas Pedagógicas (1984); A Alegria na Escola (1988); ?Es Possivel Aplicar en Francia una Pedagogia Inspirada en Makarenko? in Educadores Del Mundo (1988); Escola e Democratização do Ensino - Entrevista - Revista Educação em Questão (1989); Alunos Felizes (1993); A Escola Pode Ensinar as Alegrias da Musica? (1992); Felizes na Universidade (1995). Além de alguns exemplares das revistas Enfance (UnB) e Revue Française de Pédagogie (UFRGS-UnB-USP) onde estão alguns artigos de Snyders e artigos com críticas e comentários sobre seus artigos. Maiores referências ver bibliografia.

5[5] Como por exemplo com seus “colegas de Sorbonne” Gilles Ferry (Paris X), Michel Lobrot (Paris XIII), ou com os “discípulos” de seu amigo pessoal e intelectual do PCF (Althusser) Baudelot e Establet.

6[6] Em resposta a uma carta por nós enviada, onde perguntávamos sua opinião sobre esta divisão de suas obras, Snyders respondeu: “Você tem razão em dividir meus livros em dois grupos. A alegria que foi somente uma componente dos primeiros livros, ela nunca diminuiu, derivou o centro dos últimos (...)”. Carta de 21/8/95

7[7] Esta dificuldade de associar marxismo e o tema da alegria, da satisfação, etc., decorre tanto dos estereótipos que se fez do marxismo, não só por quem o combate, mas muitas vez, por tendências dentro do marxismo que realmente não trabalham com estes temas ou mesmo nem os consideram relevantes, como por exemplo a corrente stalinista. Entretanto existem autores marxistas que tem contato ou mesmo discutem estes temas, dos quais Snyders faz uso, como M. Bakitin, B. Brecht, V. Maiakovisk, etc..

8[8] Alguns indicadores sobre o que estamos tratando: O crescimento anual da economia francesa em 1980 foi de 2,5% em 1991 cai para 1,2%. A população ativa empregada na industria diminui de 35,9% do total em 1980 para 29,.9% em 1991. O desemprego aumentou de 6,3% em 1980 para 9,8% em 1991. A administração publica chega em 1991 com um saldo negativo de -1,5%. Fonte: O Mundo Hoje - Anuário Econômico e Geopolítico Mundial /93 - Ed. Ensaio - SP - 1993. Quanto ao racismo, vale a pena ler o livro de Robert Linhart “A Greve na Fabrica” - Ed. Paz e Terra - onde ao retratar as aventuras e desventuras de um intelectual na produção (na fabrica de automóveis Citroen), nos mostra como são tratados os trabalhadores imigrados.

9[9] Cita A. Gide, Nouvelle Nourritures, I

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