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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ
GERMANA CASTRO BARBOSA

A FORMAÇÃO E PRÁTICA DOCENTE ENTRE ATÉCNICA, REFLEXÃO E CRITICIDADE.




Fortaleza – Ceará

2007


Universidade Estadual do Ceará
GERMANA CASTRO BARBOSA

TRABALHO DOCENTE: FORMAÇÃO E PRÁTICA ENTRE TÉCNICA, REFELXÃO E CRITICIDADE.


Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Docência do Ensino Superior do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará, como requisito final para obtenção do grau de especialista.

Orientador (a): Professora Ms. Jeannette Filomeno Pouchain Ramos.

Fortaleza – Ceará

2007

Universidade Estadual do Ceará
Curso de Especialização em Docência do Ensino Superior

Título do Trabalho: Trabalho Docente: formação e prática entre a técnica, reflexão e criticidade.

Autor (a): Germana Castro Barbosa

Defesa em: 16 de abril de 2007 Conceito obtido: _________________



Banca Examinadora

_______________________________________

Profª. Ms. Jeannette Filomeno Pouchain Ramos, Orientadora

___________________________ __ ______________________________

Ms. Gláucia Menezes Teixeira Albuquerque Ms. Josete de Oliveira Castelo Branco Sales

Dedico meu trabalho, inicialmente a Deus e a minha família, por terem me concedido saúde e perseverança necessárias para poder realizá-lo, agradeço ainda aos meus amigos de trabalho, minha orientadora pelas palavras de força, incentivo e confiança. A todos, obrigada.



RESUMO
Este trabalho tem como objetivo analisar a prática docente, enfatizando os desafios e local de trabalho do professor, tendo, como questão central, as definições de modelos de professor competente, técnico ou perito, reflexivo e intelectual crítico ou crítico-reflexivo, o ambiente escolar, com sua função social e principais características. É um estudo bibliográfico com base em autores que contemplam as categorias: modelo competente (Perrenoud, Contreras, Saviane), o modelo reflexivo (Pimenta, Alarcão e Contreras) e modelo crítico – reflexivo (Contreras). Para o trabalho de formação acadêmica ressaltaremos Moraes. Como referencial metodológico, desenvolvemos pesquisa de campo, em duas Escolas Municipais Públicas de Fortaleza e, como instrumento de coleta de dados, aplicamos oito entrevistas com professores com formação superior em Pedagogia. Na entrevista, são abordadas questões sobre a formação acadêmica, modelos de professores e Escolas Municipais. Há desejo de que os professores tenham oportunidade de transformação, nos aspectos educacional e político, e a possibilidade de firmação diante de uma proposta de modelo docente. O compromisso do educador com a educação torna-o sujeito às situações diversas, seu papel tem bastante relevância na organização educacional, na gestão escolar e em situações de aprendizagem.

SUMÁRIO


Introdução..........................................................................................................07

1. O Professor Brasileiro e algumas de suas posições................................................10

2. Escola e os Modelos de Trabalho Docente.............................................................17

2.1 Construindo um Professor Competente................................................................17

2.2 Profissional Reflexivo e suas Dimensões............................................................21



2.3 O Docente Crítico.................................................................................................29

3. Formação Acadêmica Pela Perspectiva dos Docentes...........................................35

3.1 A Escola e sua função social................................................................................38

4. O Cenário e o Sujeito da Pesquisa.........................................................................43



4.1 Com a fala os professores.....................................................................................52

Considerações Finais..................................................................................................60

Referencial bibliográfico............................................................................................62

Anexos........................................................................................................................63



INTRODUÇAO
Este trabalho analisa os modelos de professor da escola pública, devido ao interesse pelo desenvolvimento da prática autônoma docente e constante observação dos professores no comportamento e decisões tomadas no ambiente escolar. Ao início deste trabalho, previu-se que os modelos propostos de autonomia docente são desconhecidos pelos professores na sua formação acadêmica.
A princípio, o objetivo é estudar modelos de professor, mas no decorrer da pesquisa, houve a possibilidade de estudar o próprio profissional, com o fim geral de estudar e compreender os modelos docentes, em relação aos obstáculos encontrados pelos professores, a fim de melhorar o contexto educacional. Os objetivos específicos estão relacionados com a consciência crítica na identificação de cada modelo. Questiona-se se o professor é capaz de se reconhecer perante tais possibilidades.
Esta análise constitui um estudo que tem como objeto o trabalho docente articulado com a formação acadêmica e a prática nas Escolas Públicas Municipais pelos modelos de autonomia docente. A questão surgiu após a verificação de diferentes práticas pedagógicas, em que encontramos, muitas vezes, profissionais cuja teoria não condiz com a prática. É intenção estudar os modelos de professor e levantar hipóteses para a formação do docente autônomo.
Esta pesquisa desenvolve uma crítica da prática pedagógica e social. Com esse pensamento, partimos do eixo do Materialismo Histórico e Dialético, pois a proposta desta vertente está ligada ao conhecimento como construção do saber, contrapondo ao fato de somente compreender os fenômenos, de conhecê-lo e poder criticar. No universo do materialismo histórico dialético, têm-se sua relação, pois examinamos e sugerimos alterações na prática do professor, considerando o contexto.
Para a análise da formação acadêmica, destacamos Moraes (2003) que um estudo sobre o histórico do curso de Pedagogia no Brasil. Nessa perspectiva são consideradas as Diretrizes Nacionais de Educação (2005), com novas abordagens.
No estudo do trabalho docente, merecem destaque Pimenta (2002 e 2005), Alarcão (2003), Saviani (2005), que contribuem para a fundamentação da temática. Enfatizam-se os modelos de professor o perito, o reflexivo e crítico-reflexivo.
Para compreensão do professor competente, estudamos Perrenoud (2000), esse mesmo profissional é estudado por Contreras (2003) como profissional perito e, para ampliar discussão, Saviane (2005) o chama de professor tecnicista. Neste trabalho, as três denominações têm as mesmas características.
O modelo reflexivo é estudado por Pimenta (2005), Alarcão (2003) e Contreras (2003). Mencionam-se outros autores, como Donald Schon um dos pesquisadores que inicia os estudos sobre o professor reflexivo. Com citações de Liston e Zeinchner e Pérez-Gómez.
Contreras (2003), em livro mostra um novo modelo docente, o profissional crítico – reflexivo, com referências importantes entre a prática e a teoria, em sala de aula e meio social. Não podemos deixar de citar as colocações de Freire (1996) que trabalha a pedagogia centrada na liberdade e autonomia do ser, contribuindo com noções importantes que conduzem a uma maior fundamentação da temática desta pesquisa.
Os autores contribuem para o desenvolvimento do trabalho e estudo da autonomia profissional baseados em modelos docentes. Há evidente organização, identificando pensamentos de educação, a formação até prática. Além desses aspectos, discuti-se a função da escola na leitura de Moraes (2003) em amplitude, levando em consideração objetivos e realidade social.

Em sua metodologia desenvolvemos pesquisa de campo em duas Escolas Municipais de Fortaleza coletam-se dados em entrevistas a oito professores das escolas pesquisadas com perguntas sobre formação, conhecimento prévio sobre os modelos docentes e a função social da escola.


A influência deste estudo para os demais é relevante, no sentido de compreender a ação docente, diante dos fatores possíveis. Esperamos que as informações aqui registradas venham a facilitar a decisão do educador para a formação de nova consciência dos educadores.
Por entender que a ação educativa não é acabada, finalizada, requerendo questionamentos, planos e decisões, decidimos fazer um estudo sobre os Modelos de Professor, na visão participativa que exige contínuo repensar e constante recriar, como contribuição e ajuda a profissionais da área para melhor conhecimento de si e das decisões tomadas, em que cada professor pode se definir e perceber o que realmente almeja da função de educador.






















1.0 PROFESSOR BRASILEIROE ALGUMAS DE SUAS POSIÇÕES.

Para a realização deste trabalho, com foco no professor pedagogo, é necessária a compreensão do contexto nacional para posterior estudo do professor do município de Fortaleza, levando em consideração aspectos que contribuem para o desenvolvimento da prática educacional.


No desenvolvimento, analisa-se o Censo Demográfico de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, que trata do perfil do professor brasileiro. Faz-se um questionário respondido por 5.000 docentes de escolas públicas e privadas, das 27 Unidades da Federação, restringindo-se a área urbana, incluindo professores do ensino fundamental e médio. Esta pesquisa é de grande relevância para este estudo, pois focaliza-se o perfil profissional dos docentes, pelas características políticas e estruturais que influenciam no modelo de professor.
De acordo com a Unesco (2004), as questões sobre a escola e o professor, no Brasil, vêm sendo discutidas. O sistema de ensino público e privado vem experimentando reformas educacionais, no processo de globalização. Nesse contexto, a formação do professor tem uma grande importância e o seu perfil é discutido como fator influente para a concretização do objetivo escolar: de ser “[...] capaz de garantir a todos formação cultural e científica para a vida pessoal, profissional e cidadã [...]” (UNESCO 2004, p.18)
O perfil do professor é influenciado por fatores importantes: qualificação profissional, condições materiais, salário e outros. O docente precisa ter consciência de que a formação deve ser continuada na prática, por não ser apenas reprodutor de idéias, e as condições materiais devem estar associadas às suas necessidades materiais. Com isso, o profissional desenvolve atividades extras para completar a renda. Se esses fatores não forem materializados de acordo com a idealização de cada um, podem gerar grande frustração dos profissionais.

Para verificação da concretização do objetivo da escola de educar, diante da realidade do professor, é abordada com os docentes a questão de centralização da possibilidade, em que o professor determina objetivos mais e menos importantes a serem alcançados pela educação (Unesco-2004, p.109):


Tabela I – Finalidades da Educação Básica, segundo os professores.


Finalidades a serem alcançadas pela educação

Opiniões

Total

Mais importantes

Menos importantes

Criar hábitos de comportamento

3,9

27,9

15,9

Desenvolver a criatividade e o espírito crítico

60,5

3,0

31,8

Formar cidadãos conscientes

72,5

0,9

36,6

Formar para o trabalho

8,3

21,5

14,9

Promover a integração dos grupos sociais menos favorecidos da sociedade.

13,0

19,9

16,5

Proporcionar conhecimentos básicos

8,9

21,4

15,2

Selecionar os indivíduos mais capacitados.

2,6

60,1

34,4

Transmitir conhecimentos atualizados e relevantes

16,7

10,3

13,5

Transmitir valores morais

10,8

13,1

12,0

Pelos dados, o docente visa ao desenvolvimento da criatividade e do espírito crítico, como também a formação de cidadãos conscientes, o que pode conduzir a supor que o professor encontra-se praticando reflexão – crítica, que condiciona o aluno ao desenvolvimento de tais aspectos. Para confirmar, opções de criar hábitos, comportamento e selecionar indivíduos mais capacitados foram de pouca importância, ou seja, transmissão ao aluno de competência e técnicas para tornar-se capaz não tem papel importante.


Para compreendermos o seu perfil, devemos saber que sua prática é marcada pela ação do governo, estrutura da família, a convivência com os outros profissionais da área, entre outros. Esses itens são de grande importância para o andamento da prática docente. A insatisfação do profissional vai refletir no seu trabalho. Além de questionar o valor do trabalho exigindo, nestas dimensões, melhor remuneração, também pode solicitar ter no ambiente escolar políticas educacionais, nos aspectos físico, comunitário e pessoal. A tabela a seguir (Unesco-2004, p. 116) apresenta situações que o professor considera ou não problema no trabalho diário da escola.
Tabela II - Situações problema na Escola, segundo professor.


Situações

Opinião

Proporção

Manter a disciplinas entre os alunos.

É um problema

54,8

Não é um problema

45,2

Total

100,0

A relação com os diretores

É um problema

6,2

Não é um problema

93,8

Total

100,0

O trabalho com os colegas

É um problema

7,2

Não é um problema

92,8

Total

100,0

O domínio de novos conteúdos

É um problema

8,5

Não é um problema

91,5

Total

100,0

A falta de definição e de objetivos claros sobre o que deve ser feito.

É um problema

41,2

Não é um problema

58,8

Total

100,0

As formas de planejamento

É um problema

26,9

Não é um problema

73,1

Total

100,0

A relação com os pais

É um problema

44,8

Não é um problema

55,2

Total

100,0

As características sociais dos alunos

É um problema

51,9

Não é um problema

48,1

Total

100,0

Organizar o trabalho em sala de aula

É um problema

15,9

Não é um problema

84,1

Total

100,0

Avaliar

É um problema

37,2

Não é um problema

62,8

Total

100,0

O tempo disponível para o desenvolvimento das tarefas

É um problema

54,9

Não é um problema

45,1

Total

100,0

A supervisão

É um problema

17,4

Não é um problema

82,6

Total

100,0

O tempo disponível para corrigir provas, cadernos etc.

É um problema

66,3

Não é um problema

33,7

Total

100,0

A situação considerada pelos professores como problema é o tempo disponível para correção de provas, cadernos etc (66,3%), bem como o tempo disponível para o desenvolvimento das tarefas (54,9%). Na tabela II, a relação dos diretores (93,8%), e A Supervisão (82,6%) não são consideradas problema, o que mostra o caráter técnico do docente, pois, nesse caso, as questões tidas como um problema são de caráter tecnicista, que estabelece determinado tempo para a execução de tarefas e prática do professor, não considerando que essa relação não pode ser mecânica, com temporalidade diferente para a realização do trabalho docente.


De acordo com as tabelas analisadas, percebe-se um caráter confuso do docente, pois na tabela I sua postura está voltada para a prática crítico-reflexivo, porém na tabela II verifica-se um modelo competente.

Com o tratamento do perfil do professor em modelo crítico – reflexivo, traz-se outro gráfico (Unesco-200, p.128), que mostra a posição do professor diante do desenvolvimento de temas ligados à política, em sala de aula, partindo para o meio externo, questionando seu papel e se o mesmo tem consciência política de sua ação docente.


Tabela III – O papel político do professor, segundo os docentes.


Afirmações sobre o papel político do professor.

Grau de concordância

Total

Muito baixo (0-2)

Baixo (2-4)

Médio (4-6)

Alto (6-8)

Muito alto (8-10)

Em sala de aula o professor não deve abordar problemas políticos atuais.

47,6

11,1

17,8

13,5

10,1

100

O professor deve evitar toda forma de militância e compromisso ideológico em sala de aula.

19,9

10,3

24,5

21,9

23,3

100

O professor deve desenvolver a consciência política das novas gerações.

0,9

1,6

6,5

18,4

72,6

100

O professor deve se comprometer com a democratização social e política do país.

2,3

2,5

9,8

22,6

62,9

100

O professor deve ter a consciência de que seu papel é político.

10,6

6,3

18,7

24,1

40,4

100

De modo geral, os professores tratam o papel político dando-lhe importância, na sua consciência, e na prática, em sala de aula, com problemas políticos atuais. Isso é devido a Lei n°9394/96, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que ressalta a função política do professor como capacidade que possibilita formação cidadã dos alunos, trazendo, para sala aula, reflexões sobre vários temas, incluindo a política.


Para o docente sentir-se capaz para prática também política, deve-se levar em consideração a consciência do professor. O processo de conscientização deve ser concreto, em que o professor percebe que as soluções dependem de si mesmos, incentivada dimensão política, pois essa consciência deve ser coletiva para todos obterem força nas reivindicações.
Tabela IV – O Compromisso político do Educador. (Unesco-2004, p.130).


Afirmação sobre o compromisso político do professor

Opinião

total

Concordava

Discordava

A atividade docente deve reger-se pelo principio da neutralidade política.

44,8

55,2

100

O trabalho do professor deve estar associado com um compromisso político.

47,5

52,5

100

Questiona-se a posição do professor diante da política, em sua ação docente, se o mesmo deve ser neutro ou um compromisso político. Diante do percentual obtido, notamos igualdade nas duas situações. Com isso não há consenso na prática crítica da docência.


Consideraremos que o professor não deixe de ter uma visão crítica e política da escola pública e das relações sociais. Com esse comportamento, o docente não desiste da transformação, praticada após leitura histórica e dialética da educação e das relações sociais que aponte caminhos para superação dos limites impostos pelo atual modelo.
Pela pesquisa do perfil do professor brasileiro, vê-se que o mesmo ainda não desenvolve, na ação pedagógica, a reflexão crítica. Ao mesmo tempo, devemos considerar que 91% dos professores declararam, muito alto e alto, o professor deve desenvolver a consciência social e política das novas gerações. Com esse percentual, pode-se atentar que o docente está desenvolvendo-se, criticamente, no aspecto político e que pode praticar em trabalho, na sala de aula, no sentindo de conhecer e transformar o meio. O educador encontra-se em momento de crescimento com possibilidade de analisar as dificuldades. Pela pesquisa da Unesco, o professor ainda não se reconheceu ou predomina o caráter técnico dos docentes.

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