Gestão do risco cambial



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Finanças Internacionais

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GESTÃO DO RISCO CAMBIAL

Exposição ao risco cambial significa a possibilidade de uma empresa incorrer em ganhos ou perdas devido a alterações inesperadas nas taxas de câmbios.


A gestão do risco de câmbio começa pela identificação das rubricas do activo e conta de exploração e montantes, que a empresa tem expostos ao risco associado com alterações da taxa de câmbio.
Um activo, responsabilidade ou um fluxo futuro de tesouraria esperado, diz-se sujeito (exposto) ao risco de câmbio, se uma alteração da taxa de câmbio, muda favorável ou desfavoravelmente o seu valor na moeda doméstica.
O risco surge na medida em que os movimentos das taxas de câmbio podem alterar o seu valor na moeda doméstica.
Na medida em que não existe uma única divisa no mundo, existe algum grau de risco de câmbio em qualquer sistema de câmbios.
Assim, activos, passivos e fluxos de cash flows futuros esperados, denominados em divisas, estão claramente expostos ao risco cambial.
Existe assim um impacte potencial sobre:

  • A rendibilidade;

  • Os cash-flows líquidos e

  • O valor de mercado das empresas

Resultante das variações cambiais.
A exposição ao risco de câmbio apresenta-se geralmente classificada numa das três categorias seguintes:


    • Risco de Transacção




    • Risco de Conversão (transposição ou contabilístico)




    • Risco Económico (Operacional)




  • RISCO DE TRANSACÇÃO

O risco de transacção refere-se a alterações potenciais no valor de obrigações em aberto, devido a mudanças nas taxas de câmbio, entre a data de início e a data de liquidação do contrato.


Compras e vendas a crédito, empréstimos obtidos e concedidos, assim como dividendos a receber, desde que denominados em divisas, são exemplos de transacções sujeitas ao risco de transacção.

Recebimento e pagamentos denominados em divisas são considerados expostos ao risco de câmbio. Se os recebimentos são superiores aos pagamentos, depreciações da divisa externa originarão perdas e apreciações produzirão ganhos. Se os recebimentos são inferiores aos pagamentos depreciações da divisa externa originarão ganhos e apreciações produzirão perdas.


Exemplo: Uma empresa portuguesa vende equipamento a uma empresa inglesa, no valor de 100 000 libras a liquidar dentro de três meses. A taxa de câmbio actual da libra é 1,50€.
O risco de transacção surge devido ao risco do exportador poder receber um montante diferente de 150 000 euros. Se a taxa de câmbio desce para 1.45, receberá somente 145 000€. Contudo se a taxa de câmbio subir para 1.55, receberá 155 000€.

  • RISCO DE CONVERSÃO (TRANSPOSIÇÃO)

O risco de conversão, também designado risco contabilístico, mede o efeito de alterações na taxa de câmbio na conversão (consolidação), para a moeda nacional, das demonstrações financeiras de empresas, cujos activos e passivos estão denominados em divisas.


Em termos contabilísticos, a diferença entre os activos expostos e os passivos expostos designa-se geralmente por exposição líquida. Se o montante de activos expostos é superior aos dos passivos expostos, depreciações da divisa externa resultarão em perdas, enquanto apreciações produzirão ganhos. Por sua vez, se o montante de activos expostos é inferior aos dos passivos expostos, depreciações da divisa externa resultarão em ganhos, enquanto apreciações produzirão perdas.

Exemplo: A empresa Xancas, Sa detém, a 100%, uma subsidiária

Norte-americana. Esta subsidiária tem activos de 100 milhões de dólares e responsabilidades no valor de 50 milhões.
A taxa de câmbio passa de 0,80€ = 1$, para 0,75€ = 1$.
A perda cambial potencial será de 2,5 milhões de euros.
Esta perda não implica alterações nos cash-flows da subsidiária.
A consolidação das demonstrações financeiras de subsidiárias localizadas no estrangeiro, nas demonstrações financeiras do grupo, requer a aplicação de taxas de câmbios às contas da subsidiária.

Existem basicamente quatro métodos;




  • O Método da Taxa Corrente/Não Corrente ou do Fundo de Maneio;

  • O Método da Taxa Corrente ou Fecho ou do Investimento Líquido;

  • O Método Monetário/Não Monetário;

  • O Método Temporal.


Método da Taxa Corrente/Não Corrente
Este método utiliza a classificação contabilística entre rubricas correntes e de longo prazo.

Assim todos os activos e passivos de curto prazo são convertidos à taxa de câmbio corrente (de fecho) e os de médio e longo prazo são convertidos à taxa histórica.


A exposição contabilística da subsidiária num determinado momento é dada pela diferença entre activos e passivos expostos, i.e. neste caso pelo seu fundo de maneio.


Aplicando este método, uma subsidiária estrangeira com activos correntes superiores aos passivos correntes, terá um ganho (perda) de transposição se verificar apreciação (depreciação) da moeda local.
De acordo com este método as existências estão expostas ao risco cambial, enquanto os débitos de médio e longo prazo não.
Método da Taxa Corrente
Neste método todos os activos e passivos da operação estrangeira são convertidos à taxa de câmbio de fecho.

A exposição contabilística é determinada simplesmente pelos activos líquidos ou fundos dos accionistas (a situação líquida).


Este método é hoje o principal método de transposição utilizado a nível mundial.
Método Monetário/Não Monetário
Neste método, os activos e passivos monetários são transpostos à taxa de fecho, enquanto os activos e passivos não monetários são transpostos à taxa em vigor à data em foram adquiridos ou incorridos (taxa histórica). A exposição contabilística é assim dada pelos activos monetário líquidos.
Comparativamente ao método da taxa corrente/não corrente, este método difere no que se refere a contas como inventários, créditos e débitos de longo prazo.





Método Temporal
O método temporal de transposição utiliza a taxa de fecho para todos os itens valorizados ao custo de substituição, valor de realização, valor de mercado ou valor esperado futuro, e utiliza a taxa histórica para os itens valorizados à taxa histórica.
A lógica racional deste método é que a taxa de transposição usada deve preservar os princípios contabilísticos utilizados para valorizar os activos e passivos nas demonstrações financeiras originais.
A principal diferença face ao método monetário/não monetário surge nalgumas rubricas das existências. Quando o stock está valorizado nas demonstrações financeiras originais ao valor de mercado (i.e. é inferior ao custo histórico) o método temporal deverá transpor à taxa corrente enquanto o monetário/não monetário deverá utilizar a taxa histórica.

EXEMPLO NUMÉRICO (Pg. 366)





  • RISCO ECONÓMICO

A exposição económica, também designada exposição operacional mede o impacto das alterações da taxa de câmbio no valor actual líquido dos cash flows esperados futuros dum projecto de investimentos no estrangeiro.


O conceito de risco económico aplica-se geralmente aos cash-flows operacionais futuros gerados pelas operações no estrangeiro, podendo contudo aplicar-se também a cash-flows domésticos.
Valor actual de uma subsidiária estrangeira:
PV = Σ ( CIt – COt) * et/ (1+r)t
Desvalorização (ou revalorização) afectará os fluxos de entrada e os fluxos de saída, assim como a taxa de câmbio, provocando um impacte na capacidade competitiva da empresa.
A análise deste impacto implica a avaliação dos efeitos de alterações da taxa de câmbio nos seguintes itens:

- Exportação, em que as margens e os cash-flows podem alterar-se, na medida em que as desvalorizações tornam as exportações mais competitivas;

- Vendas no mercado interno, em que as margens e os cash-flows podem alterar-se em sectores que competem com produtos importados;

- Custos de compra de produtos importados, os quais subirão em respostas às desvalorizações.


Se nem todos os meios libertos pela empresa estão disponíveis parar serem enviados para a empresa-mãe, então:

PV = Σ (Divt – CPFt) * et / (1+r)t + TVet / (1+r)t



SÍNTESE


  • A gestão do risco cambial preocupa-se com os riscos provocados por alterações nas taxas de câmbio.




  • Um activo, passivo, lucro ou fluxo de cash flow, certo ou incerto, diz-se exposto ao risco cambial, se um movimento da taxa de câmbio, altera, para melhor ou pior, o seu valor na moeda doméstica.




  • O risco de exposição surge ainda se movimentos das taxas de câmbio podem alterar o valor das vendas no mercado doméstico.




  • Distinguem-se três categorias de risco: Risco de transacção, Risco de transposição e Risco económico.



  • Risco de transacção surge se um recebimento ou pagamento está denominado numa moeda estrangeira.




  • Risco de transposição surge na consolidação de activos, passivos e lucros em moeda estrangeira.




  • Risco económico surge porque o valor actual dos fluxos de cash flows operacionais, na moeda doméstica ou em moeda estrangeira, podem variar devido a mudanças nas taxas de câmbio.




  • Note-se que as exposições de transacção e económica são ambas exposições de cash flow, enquanto a exposição de transposição não é.

  • A magnitude da exposição de transposição varia de acordo com o método utilizado na transposição das demonstrações financeiras em moeda estrangeira.

Existem basicamente quatro métodos: O método corrente/não corrente ou do fundo de maneio, o método da taxa corrente ou fecho ou do investimento líquido, o método monetário/não monetário (ou do fundo de maneio) e o método temporal.




  • Actualmente, a maioria das economias avançadas consolida as demonstrações financeiras em moeda estrangeira de acordo o método do fecho. Estes países tendem a utilizar a taxa de fecho ou taxa média do período contabilístico.




  • A relevância da classificação do risco de câmbio de acordo com a sua natureza de transacção, transposição ou económica advém do facto que se advoga que algumas categorias de risco devem ser activamente geridas, enquanto outras não.

João Rosa Lopes




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