Gisele Becker Rodrigo Perla Martins



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A FEEVALE na Imprensa: Um olhar histórico




Gisele Becker*

Rodrigo Perla Martins**


 
RESUMO: O presente trabalho objetiva analisar a visão construída sobre o Centro Universitário FEEVALE na imprensa rio-grandense, a partir de um acervo de clipping jornalístico da Instituição, organizado e catalogado em uma primeira fase do projeto, compreendendo matérias entre os anos de 1969 e 1994. A partir da organização do material, trabalha-se com a perspectiva de que o desenvolvimento da própria Instituição foi acompanhado de uma grande expectativa e de uma visão entusiasta da imprensa local, que construiu a imagem de uma “universidade do futuro”, que traria o Ensino Superior para Novo Hamburgo/RS, respondendo, assim, aos anseios da comunidade. O Centro Universitário FEEVALE é representado como uma Instituição à frente do mercado de trabalho, marcada pela inovação e por projetos que integram o universo acadêmico com a comunidade de Novo Hamburgo.

ABSTRACT: The present paper pretends to analyze the vision constructed about FEEVALE in the local press, from a journalistic quantity of clipping of the Institution, organized and catalogued in a first phase of the project, with newspaper reports written between the years of 1969 and 1994. From organization of material, this paper works with perspective of that the development of the proper Institution was folloied of a great expectation and an enthusiastic vision of the local press, that constructed the image of a "university of the future", that it would bring superior education for Novo Hamburgo/RS, answering to the yearnings of the community. FEEVALE is represented as an Institution in the front of the market of work, marked for the innovation and projects that integrate the academic universe with the community of Novo Hamburgo.
Palavras-chave: Imprensa; Representação; Memória.

Keywords: Press; Representation; Memory.

A significação e o sentido primordial de museus e arquivos estiveram, durante muito tempo, relacionados à uma idéia de depósito ou de exibição, com o caráter de um acervo quase sacralizada. O senso comum também nos remete à concepção destes como espaços destinados a uma reunião de objetos e documentos, buscando-se conservar no presente uma tradição passada. Existe, portanto, em sua gênese, um princípio de continuidade de um passado glorioso. O século XX trouxe mudanças neste sentido, entendendo acervos e arquivos enquanto instrumentos de educação. Passamos a assistir a uma expansão destes espaços, através de uma nova tendência que busca tratar livros e documentos como meios de comunicação.

É através desta perspectiva que teve início, em fevereiro de 2003, o Projeto Memória e História do Centro Universitário FEEVALE / ASPEUR. A partir da necessidade de preservação de material coletado por meio de clipagem jornalística, representando1 a repercussão do Centro Universitário FEEVALE na imprensa local, busca-se transcender a noção dos arquivos como meros depósitos: a biblioteca e os arquivos não serão “museus” de livros e documentos, onde seriam apenas guardados para a eternidade; devem ser mais ágeis e comunicativos; ter uma relevância social. Isso pode ser conseguido através de uma política de acervo com fácil acesso e um tratamento comunicacional do problema.

Ao longo dos anos, o Centro Universitário FEEVALE armazenou uma coletânea de matérias e reportagens de jornal em pastas-arquivo, que até então encontravam-se guardadas em uma sala específica, no 3° andar do prédio amarelo, situado no Campus II, (conhecida como arquivo-morto) em condições inadequadas de conservação. O interesse pelo material, que é constituído por clipagem de matérias e reportagens de jornais locais (Zero Hora, Correio do Povo, NH, Folha da Manhã, o Ferrabrás, entre outros) referentes à História do Centro Universitário Feevale e questões relacionadas à Educação no Brasil entre os anos 1973 e 1994, até então de difícil acesso ao público, se dá tanto no sentido do resgate da Memória e da História Instituição quanto no entendimento deste acervo como patrimônio da instituição2. Após uma identificação e separação do material, iniciou-se a segunda etapa do trabalho, onde a limpeza e a organização cronológica foi realizada. Após este primeiro contado com os documentos optou-se em retira-los das pastas-arquivo onde se encontravam, deixando as matérias e reportagens nas folhas padrão em que estavam coladas, para que fossem armazenados em caixas-arquivos de polionda, e classificados em ordem cronológica.

Durante ambas as fases da pesquisa utilizou-se metodologias diferentes de trabalho. Inicialmente, portanto, foi necessário o emprego de um método de organização de acervos, através do entendimento de que os acervos são locais de preservação de nossa história. Conserva-se esta documentação para que ela sirva de evidência e testemunho de um determinado momento histórico. Com relação à análise das fontes, buscou-se embasamento no referencial teórico que discute a relação entre a História e a Imprensa, pautando a utilização da fonte jornalística no trabalho historiográfico. A partir de tal perspectiva, considera-se que o jornal não retrata fielmente a realidade em que está inserido, mas a representa através de diferentes olhares. Neste sentido, entende-se os jornais enquanto arquivos que representam um cotidiano. Apesar de o jornal ter a proposta de publicar o fato real, ele não se constitui na verdade inquestionável, ainda que ofereça contribuições importantes à historiografia recente3, pois pertence a um grupo com determinada visão de mundo ou objetivos implícitos. De acordo com Maria Helena Capelato,

“A imprensa, ao invés de espelho da realidade passou a ser concebida como espaço de representação do real, ou melhor, de momentos particulares da realidade. Sua existência é fruto de determinadas práticas sociais de uma época. A produção deste documento pressupõe um ato de poder no qual estão implícitas relações a serem desvendadas. A imprensa age no presente e também no futuro, pois seus produtores engendram imagens da sociedade que serão produzidas em outras épocas.”4

Neste sentido, salienta-se a importância do questionamento do conteúdo publicado, bem como o posicionamento tanto do escritor dos artigos dos periódicos quanto do próprio leitor, que recebe as mensagens. Atualmente, no campo de estudos da Comunicação Social, não mais se entende o público leitor como receptor passivo do conteúdo jornalístico, mas como ingrediente ativo no processo comunicacional.5 De acordo com Juan José Saer,

“um escritor não pode se definir por um elemento exterior à práxis da escrita. O escritor é um homem que possui um discurso único, pessoal, e que não pode pretender, ao que me parece, assumir nenhum papel representativo. Um escritor só representa a si mesmo. (...) Os dados extra-artísticos, nacionalidade, extração social, ‘espírito do tempo’, influências culturais, etc., são completamente secundários. Os verdadeiros criadores só representam sua época se eles a contradizem.”6


A quantidade de material que forma o acervo de clipagem do Centro universitário FEEVALE é bastante extensa, de maneira que, nesta fase inicial da pesquisa, foi necessário um recorte temporal que viabilizasse o trabalho. Para a análise inicial do material, buscamos abordar a fase de implantação do Centro Universitário em Novo Hamburgo / RS, de forma a perceber a representação construída na imprensa sobre a chegada do Ensino Superior na cidade. Em se tratando de um material já pré-selecionado, pela própria caracterização de um acervo de clipagem, buscamos a complementação do jornal (mesmo para inseri-lo em uma contextualização mais ampla) no acervo de jornais da Biblioteca Pública do Município. Também trabalhamos, nesta fase, apenas com as reportagens correspondentes ao jornal NH, publicação do Grupo Editorial Sinos, que dispõe, entre seus princípios, o ideal da independência jornalística.7

Esse jornal, fundado em 19 de março de 1960, circulou pela primeira vez em Novo Hamburgo como segundo veículo do Grupo Editorial Sinos, empresa jornalística fundada pelos irmãos nascidos em São Leopoldo Paulo Sérgio Gusmão e Mário Alberto Gusmão. Desde seu início pretendeu ajudar a construir o desenvolvimento da região, que crescia principalmente impulsionada pela produção de calçados.

Em 1969, o jornal anunciava com entusiasmo a tão esperada chegada das “faculdades” para o ano de 1970, parecendo responder aos anseios da comunidade pelo desenvolvimento que o fato traria para a região. Neste momento, o jornal sinaliza para a necessidade da implantação do ensino superior, no momento em que fora formada uma comissão encarregada do projeto, que contaria com o apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul:
“todos os estudos realizados pela comissão que estará encabeçada, para a realização de uma Universidade, futuramente, em Novo Hamburgo, pelo professor Dioni Bado, do Instituto York, visam trazer todas as faculdades para acidade industrial, visto até o presente momento 2500 alunos se encontrarem nos bancos escolares do segundo ciclo, ansiosos para ingressar no superior.”8
Já neste momento, o jornal assinala um dos pontos que seriam, mais tarde, característicos do Centro universitário FEEVALE: o princípio da integração com a comunidade no qual está inserido. No mesmo artigo, ressalta-se a importância do comprometimento também da comunidade no projeto: “de nada adiantará a preocupação da comissão do sr. Prefeito se o povo, elemento indispensável para o sucesso, não acolher a idéia.”9 A instituição seria instalada imediatamente no antigo Colégio São Jacó, consolidando o Campus I.

Em 1970, a cidade de Novo Hamburgo recebeu a visita do Ministro da Educação e Cultura, Jarbas Passarinho, que, entre outras instituições, conheceria as instalações da ainda recém-inaugurada FEEVALE. Na ocasião o ministro, de acordo com o noticiado pelo NH, prometera voltar à cidade em 1971 e mostrou-se muito satisfeito com o que vira em sua visita, apelidando sua estadia como “Viagem do Até logo”.10 Na mesma semana a visita do Ministro ainda era notícia, onde o jornal ressalta que não apenas a cidade de novo Hamburgo causara uma boa impressão, mas especialmente o direcionamento que o Ensino Superior tomava na região: “em sua alocução, ressaltou sua satisfação em ver a orientação da diretriz geral de moral e civismo que nossas faculdades estão apresentando. Teve ocasião de ver o ensino tecnológico que está sendo dado, sem, no entanto, descurar o humanismo do aluno.”11 Os resultados positivos esperados a partir deste momento são reforçados pelo jornal poucos dias depois, de acordo com a matéria intitulada Ensino Superior já é uma realidade em Novo Hamburgo:


“a instituição de um curso de nível superior em Novo Hamburgo foi, desde há muito, uma velha aspiração da população hamburguesa. Em 1969 este acalentado sonho transformou-se em realidade através da FEEVALE, mantida pela ASPEUR. Isso foi possível graças ao esforço e dedicação de um grupo de hamburguenses, que batalhou incansavelmente e que encontrou eco em seu trabalho junto à comunidade. Hoje, ao término do primeiro ano letivo, já se pode constatar o absoluto sucesso alcançado, visto ter preenchido uma lacuna que se fazia sentir na educação superior da região, e que era da existência do ensino empresarial, voltado para as necessidades da região.”12
Através da mesma reportagem, o direcionamento do projeto inicial, a organização da instituição e as atividades promovidas se constituem, pelo olhar do jornal NH, em um modelo a ser seguido por outros estabelecimentos de educação no país: “Apesar de ser este o seu primeiro ano de atividades, a Federação de Faculdades de Novo Hamburgo tem recebido pedidos de várias cidades brasileiras para enviar seus estatutos, regimento e estrutura interna, para a criação de novas federações nestas comunas. É uma nova figura do ensino superior brasileiro, que tem em Novo Hamburgo o seu mais legítimo representante.”13

A instalação do curso de Educação Física é vista com entusiasmo pelo NH, a partir do momento em que simbolizava o caráter inovador da instituição, que acompanharia o Centro Universitário em seus 35 anos de existência. Na reportagem intitulada Em agosto você poderá iniciar um curso diferente, o jornal anuncia a implantação do curso representando-a como mais uma batalha a ser vencida pela FEEVALE / ASPEUR, no intuito de suprir uma demanda da comunidade e de um potencial estudantil: “ASPEUR e FEEVALE em ritmo de Brasil Grande.”14 Se em 1972 a inovação é comemorada pelo jornal, pouco tempo antes a FEEVALE já é vista como “universidade do futuro”: na reportagem O Ensino Superior definiu o futuro de Novo Hamburgo, o NH faz uma retomada do histórico deste grande esforço conjunto para acompanhar um desenvolvimento da região que se fazia presente e aos anseios da comunidade:



1.1.1“Não faz dois anos, a bem da verdade, que os primeiros estalos se fizeram sentir em homens que sabem o que querem e o que é necessário a uma cidade que cresce. Surgia, então, a idéia do ensino superior em Novo Hamburgo, até esta data privilégio daqueles com posses suficientes para se deslocarem São Leopoldo ou Porto Alegre. (...) todos os professores, de gabarito incontestável, provocaram nos acadêmicos pioneiros uma confiança indescritível, que iria repercutir, mais tarde, entre os interessados em freqüentar uma escola de nível superior. Atualmente, para a felicidade de toda uma coletividade, representada por mais de um milhão de habitantes (17 municípios), a FEEVALE conta com 500 acadêmicos, aproximadamente, por si só motivo de orgulho e simpatia.”15


Em abril de 1971 o senador Tarso Dutra proferiu uma palestra no salão da ASPEUR, falando sobre Educação e Desenvolvimento, salientando o papel exercido pelo Vale do Sinos no crescimento da qualidade da educação brasileira. O NH dá destaque à cobertura do evento, reservando uma página inteira do periódico para publicar trechos da fala do ex-ministro da Educação. A situação não é descolada do avanço e da inovação representados pela FEEVALE, vista, naquele momento, como um empreendimento que dá conta da grandeza de Novo Hamburgo no cenário nacional. 16

No início de 1972 o jornal aponta o crescimento do Centro Universitário, salientando as expectativas quanto ao curso de Educação Física e o crescimento do curso de Belas Artes. Enfocando a realização do exame vestibular, mais uma vez o veículo ressalta que a Instituição é procurada não apenas pelos estudantes do Vale do Sinos, como de outras regiões do Estado, em função do caráter inovador que a FEEVALE representa. Caracterizando o trabalho realizado no Instituto de Belas Artes, o jornal NH diz que “sempre mais a FEEVALE avança certo em direção ao seu futuro de glórias e muitas alegrias.”17

Após a realização de um vestibular que apontava para um n° de 800 alunos, a imprensa aponta a criação das Faculdades como a grande conquista educacional de Novo Hamburgo. Em reportagem que mereceu a íntegra de uma página da edição n° 842, salienta-se a necessidade de continuar fazendo investimentos, no sentido de suprir as necessidades da região, em desenvolvimento pelas atividades do setor coureiro-calçadista: “a criatura humana é sempre assim. Ou sonha e realiza e continua a sonhar, ou não sai nunca do terreno liso e chão das limitações do cotidiano. Agora que a FEEVALE é um fato, o prefeito [Alceu Mosmann] sonha vê-la apoiada pelo povo de Novo Hamburgo.”18

O reconhecimento da FEEVALE pelo MEC, no mesmo ano, é acompanhado de perto pela imprensa local. O jornal NH ressalta a tranqüilidade que marcou o processo e as boas condições apresentadas pela Instituição. Estas teriam agradado aos avaliadores, que a consideraram, conforme salienta o jornal, “completa e em perfeitas condições.”19

Por fim, a euforia representada através do jornal NH em torno da criação e consolidação da FEEVALE não pode ser entendida isoladamente. Mais do que a organização das “Faculdades”, a implantação da instituição também representa o investimento na área da Educação e a reforma universitária pretendida pelo próprio Regime Militar, em voga no período. A própria prefeitura municipal de Novo Hamburgo salienta suas vitórias neste sentido, colocando a cidade em um patamar de desenvolvimento com os olhos voltados para o futuro. Também do sucesso da FEEVALE parecia depender este futuro, de acordo com o que é veiculado pela imprensa, conforme podemos ver no anúncio publicitário publicado em 1971:


Figura 1: Anúncio publicitário – Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo / RS


Fonte: Jornal NH, Novo Hamburgo, 23 de junho de 1971.
O anúncio acima se torna representativo do momento histórico. Isso porque, é possível perceber uma convergência de interesses regionais e nacionais no quesito educação. No caso local poderíamos destacar a determinação pela qualificação da mão-de-obra por causa do crescimento do setor coureiro-calçadista, bem como a própria importância que a educação representa para a comunidade local. E no caso nacional temos o início da internacionalização da economia brasileira e do projeto econômico do regime militar brasileiro. Como nesse projeto o Brasil era considerado o “país do futuro”20 ou então lembrando uma frase da época que dizia “Esse é um país que vai para frente”, um município-escola como bem diz a propaganda acima citada, parecia estar de acordo com o grande projeto nacional.

Percebe-se um crescimento nos índices educacionais no mundo no geral e no Brasil em particular a partir do final da Segunda Guerra Mundial. No caso brasileiro, mas especialmente a partir do final dos anos 60 até a segunda metade dos anos 70. De acordo com Boris Fausto, neste período “o nível educacional que mais cresceu foi a pós-graduação (31%), seguida do ensino universitário (12%).”21 Houve um significativo investimento em escolas de educação básica, universidades públicas e aberturas de cursos superiores em entidades não-públicas. Cabe ressaltar ainda que esse contexto de investimento em educação, a formação de profissionais qualificados estava coadunada com o projeto desenvolvimentista levado a termo pelo regime militar. Então na construção do “Brasil Grande Potência” a educação teria papel estruturante.

É importante ainda salientar que, em um dos momentos considerado mais repressivo da história do país, sob a liderança de presidentes militares22, o início dos anos 70 constitui o chamado Milagre Brasileiro23, onde aconteceu um crescimento significativo do PIB e de desenvolvimento urbano e social do país.24 Nesse momento a educação e seria, então, parte de um projeto para o Brasil, buscando sua projeção como uma grande potência aos olhos do mundo.

A consolidação da FEEVALE se deu nesse momento macro-histórico e acompanhou as estatísticas apresentadas. Para Fausto ainda “o crescimento do ensino superior privado pode ser apreendido quando se considera que em 1960 44% dos alunos de ensino superior estavam matriculados em instituições privadas. Esse número aumentou para 50% em 1970 e chegou a 65% em 1980.”25

A pretensa neutralidade da fonte (ressaltada pela mesma) aqui em foco, dificilmente poderia ser alcançada em função do momento histórico vivido pela cidade e pelo país. O apoio explícito (conforme propaganda acima e as reportagens analisadas ao longo desse estudo) ao pretendido desenvolvimento local também via educação e a criação de uma entidade mantenedora de cursos superiores na cidade, revelam uma opção política de convergência ao projeto nacional do veículo de comunicação. Por último mas não menos importante, a representação que a cidade tem de si como “a bem educada...” se alinha aos propósitos de apoio ao contexto nacional do período.

1.1.1.1Referências Bibliográficas


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Jornal NH, Novo Hamburgo, 1969 a 1973.



 Trabalho apresentado pelo GT História da Mídia Impressa, da Rede Alfredo de Carvalho - ALCAR

* Mestre em História do Brasil pela PUCRS e docente do Centro Universitário FEEVALE. Doutoranda em Comunicação Social pela PUCRS.

** Mestre em Ciência Política pela UFRGS e docente do Centro Universitário FEEVALE

1 A Representação é entendida por Roger Chartier como as diferentes formas através das quais as comunidades, partindo de suas diferenças sociais e culturais, percebem e compreendem sua sociedade e sua própria história. Assim, a história cultural é entendida como a história das representações. (CHARTIER, Roger. El mundo como representación: Historia cultural: entre prática e representación. Barcelona: Gedisa, 1996, p. 1 / 4, 3ed.) Erving Goffman também apresenta um conceito de representação, entendendo-a como “toda atividade de um indivíduo que se passa num período caracterizado por sua presença contínua diante de um grupo particular de observadores e que tem sobre estes alguma influência.” (GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Petrópolis: Vozes, 1989, p.29. Col. Antropologia; 8)


2 “constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nas quais se incluem: I: as formas de expressão II: os modos de criar, fazer e viver III: as criações científicas, artísticas e tecnológicas IV: as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturaisV: os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.” (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Título VIII, Capítulo III, Seção II, artigo 216. Brasília, 05 de outubro de 1988.)

3 Para Márcia Espig, “O jornal possui toda uma série de qualidades peculiares, extre­mamente úteis para a pesquisa histórica. Uma delas é a periodicidade os jornais constituem-se em verdadeiros "arquivos do cotidiano", nos quais podemos acompanhar a memória do dia a dia e estabelecer a cronologia dos fatos históricos. Outra é a disposição espacial da in­formação, que nos permite a inserção do acontecimento histórico dentro de um contexto mais amplo. E outro aspecto singular do mate­rial jornalístico é o tipo de censura sofrida, pois a imprensa recebe apenas a censura instantânea e imediata, diferentemente de outras fontes que poderão ser submetidas a uma triagem antes de serem ar­quivadas. Um dos mais freqüentes problemas no tratamento dado aos jor­nais pelos historiadores, porém, é a ausência de uma crítica interna ao conteúdo jornalístico, e sua utilização como se este fosse uma fonte precisa, no qual a informação é válida por si mesma. Segundo Zicman, ‘Com raríssimas exceções, para os historiadores o jornal é antes de tudo uma fonte onde se 'recupera' o fato histórico - uma ponte ou trampolim em direção à realidade - não havendo entretanto interesse por sua crítica interna.’” (ESPIG, Márcia Janete. O uso da fonte jornalística no trabalho historiográfico: o caso do Contestado. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, PUCRS, v. XXIV, nº 2, p.269-289, dezembro de 1998.)

4 CAPELATO, Maria Helena Rolim. Imprensa e História do Brasil. São Paulo: Contexto / Edusp, 1998.

5 Neste sentido houve a formação, na área da pesquisa em Comunicação, dos chamados Estudos de Recepção, que valorizam o papel ativo das audiências na comunicação. O indivíduo não seria, portanto, tão passivo quanto se poderia supor anteriormente. Passou-se a buscar uma identificação dos espaços onde ocorre o consumo do que é produzido pelos meios, mais do que o consumo propriamente dito; o texto midiático, neste sentido, deixa de ser um único princípio estruturante na produção de sentido. Há maior atenção para os usos que os indivíduos fazem destes meios e como se estabelecem as relações destas pessoas com as tecnologias a partir de estudos etnográficos. Entretanto, é preciso também estabelecer os limites desta maneira de conceber os estudos de mídia: na busca de uma localização dos indivíduos na estrutura social e da identificação dos usos feitos dos meios de comunicação, pode-se privilegiar muito mais o contexto sócio-cultural do que o texto midiatico em si. Isso provavelmente ocorre porque o receptor passa a ser visto como racional nas suas atividades. Ou seja: as audiências sabem o que fazem e podem ser conhecidas pelos seus próprios relatos.

6 Folha de São Paulo, São Paulo, 8 de outubro de 2000, Caderno Mais!, p.12.

7 O Grupo é fundado em 1957 e o jornal NH, sobre o qual está o foco deste trabalho, começa a ser publicado em 1960. Dentre os princípios do grupo, o da Independência ocupa a primeira posição: “esta empresa jornalística é independente, tendo compromisso único com os leitores, na busca e divulgação dos fatos.” De acordo com João Carlos Ávila, Alberto Gusmão, diretor-presidente do Grupo, era entregador do jornal O Estado do Rio Grande, veículo do Partido Libertador. A família Gusmão residia em São Leopoldo, ao lado da Igreja Católica Matriz e perto da Câmara de Vereadores e da Prefeitura. Gusmão teria se envolvido com a política, embora sem filiação partidária. Em seguida começou a trabalhar na Rádio São Leopoldo como voluntário, colaborador nas notícias esportivas e políticas. Já em ano de 1957 surgiu a idéia do jornal próprio, e o jornal SL passa a circular, com tiragens semanais. Logo em seguida o Jornal NH passa a ser publicado, tornando-se o carro-chefe do Grupo, tornando-se um dos mais importantes jornais do Rio Grande do Sul. A partir de então, o veículo passa a ocupar papel relevante na vida comunitária do Município de Novo Hamburgo e Vale dos Sinos. (ÁVILA, João Carlos Rambor de. O papel do Jornal NH no desenvolvimento econômico regional. Novo Hamburgo, Monografia de Bacharelado em Jornalismo, Centro Universitário Feevale, dezembro de 2004)


8 Jornal NH, Novo Hamburgo, 09 de maio de 1969. No mesmo ano é fundada a ASPEUR, Associação Pró-Ensino Superior em Novo Hamburgo, mantenedora do Centro Universitário FEEVALE. No mês de agosto o jornal afirma com entusiasmo: “Ministro Tarso Dutra passou um dia aqui e confirmou: ‘implantação do Ensino Superior em Novo Hamburgo é fato consumado’.” (Jornal NH, 27 de agosto de 1969).

9 Jornal NH, Novo Hamburgo, 09 de maio de 1969. é corrente, em 1970, no NH, a veiculação da idéia de que a instalação da FEEVALE é uma grande vitória para a região: “a criação da Federação dos Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo serviu para fortalecer o conceito que gozamos de a ‘Cidade Educação.’” (Jornal NH, 25 de novembro de 1970).

10 Jornal NH, Novo Hamburgo, 18 de setembro de 1970.

11 Jornal NH, Novo Hamburgo, 23 de setembro de 1970.

12 Jornal NH, Novo Hamburgo, 25 de novembro de 1970. Na mesma reportagem o jornal apresenta índices numéricos como argumento para evidenciar a consolidação da Instituição: “dos 288 alunos que iniciaram os estudos em março, apenas 53 desistiram, o que representou 18,4 % de desistências, total este abaixo da média normal em escolas universitárias.” Em seu início, a instituição oferecia as faculdades de Belas Artes, Ciências Contábeis, Educação, Relações Públicas e Administração, já prevendo-se a criação de outras, dentre as quais a de Educação Física, que em breve seria implantada. O jornal também evidencia que os vestibulares são procurados por moradores de todo o Estado do Rio Grande do Sul, o que é visto como fator de sucesso e consolidação do projeto na região.

13 Idem.

14 Jornal NH, Novo Hamburgo, 19 de janeiro de 1972.

15 Jornal NH, Novo Hamburgo, 22 de abril de 1971, p.13. o jornal finaliza a reportagem parabenizando o município pelo aniversário de sua emancipação política, associando a FEEVALE ao seu desenvolvimento: “ o progresso deverá ser uma constante nesta terra.” No mesmo mês o jornal já dizia que “Novo Hamburgo tem a Educação em 1° lugar.” (Jornal NH, Novo Hamburgo, 02 de abril de 1971, p.18)

16 Jornal NH, Novo Hamburgo, 07 de abril de 1971, p.13.

17 Jornal NH, Novo Hamburgo, 08 de fevereiro de 1972, p.07.

18 Jornal NH, Novo Hamburgo, 17 de março de 972, p.19.

19 Jornal NH, Novo Hamburgo, 16 de agosto de 1972, p.21. A reportagem ainda cita que “a situação da FEEVALE é bastante conhecida pelo CEF, e sua ampliação e crescimento sempre são acompanhados de perto. A FEEVALE, por inúmeros fatores, principalmente por localizar-se numa zona industrial e ter condições de matricular muitos alunos, tem todo o apoio dos órgãos superiores. [palavras do prof. Ivo Martinazzo, que acompanhou o processo avaliativo.]”

20 GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. SP : Cia das Letras, 2002.

21 FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1997, p.544.

22 SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Castello a Tancredo. RJ : Paz e Terra, 1988.

23 O período do Milagre estendeu-se de 1969 a 1973, combinando um crescimento econômico com baixas taxas de inflação. Para Fausto, “o PIB cresceu na média anual, 11,2%, tendo seu pico em 1973, com uma variação de 13%. A inflação média anual não passou de 18%.” O autor ainda salienta o aumento dos investimentos de capital estrangeiro no país na época, bem como a ampliação do credito ao consumidor, a expansão do comércio exterior e o crescimento da indústria automobilística. (FAUSTO, Boris. Op. Cit., p.485). Além desse autor cabe lembrar que o termo é amplamente usado pela maioria dos estudiosos desse momento histórico.

24 COUTO, Ronaldo Costa. História indiscreta da ditadura e da abertura. Brasil: 1964-1985. RJ : Record, 1999.

25 Idem.

Catálogo: alcar -> encontros-nacionais-1 -> encontros-nacionais -> 3o-encontro-2005-1
3o-encontro-2005-1 -> Objetivo geral
3o-encontro-2005-1 -> 3º Encontro da Rede Alfredo de Carvalho Feevale/Novo Hamburgo, 14 a 16 de abril de 2005 gt história da Mídia Alternativa
3o-encontro-2005-1 -> ImigraçÃo estrangeira sob a ótica do jornal a província do espírito santo (1882/1889)
3o-encontro-2005-1 -> O nanquim e o curso de Comunicação da uepg cíntia Xavier da Silva Pinto1 resumo
3o-encontro-2005-1 -> “Cidade Ideal versus Cidade Real e o papel da imprensa nesta disputa secular”
3o-encontro-2005-1 -> Instituição: professora substituta do departamento de Jornalismo da Universidade Federal de
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