GÊneros textuais: Concepções e sua importância na sala de aula resumo



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GÊNEROS TEXTUAIS: Concepções e sua importância na sala de aula

RESUMO

Este artigo tem como objetivo discutir e refletir, sobre gêneros textuais, suas concepções e importância na sala de aula, sendo este fruto de estudos realizados no grupo de pesquisa, intitulada “A leitura e a formação de leitores, no estado de Alagoas: estudo e intervenção de alfabetização em Educação de Jovens e Adultos. Procuramos com isto, um maior entendimento sobre gêneros textuais, a partir de levantamento bibliográfico no qual destaca-se reflexões teóricas de: Cavalcante (2008), Freitas (2007), Geraldi (2004), Silveira (2005), e. Com base nas análises, constata-se a relevância do uso dos gêneros textuais em sala de aula, por possibilitar um trabalho mais sistemático em relação aos usos da língua nas mais diversas situações de interação social. Desse modo, concluímos que é imprescindível a inserção de diferentes gêneros textuais na sala de aula, para que os alunos possam vivenciar tais gêneros, de forma sistemática, dentro e fora da sala de aula.



Palavras-chaves: Linguagem; Texto; Gêneros Textuais.

INTRODUÇÃO
O objetivo deste artigo é apresentar discussões e reflexões, mais especificamente sobre gêneros textuais, que têm sido realizadas no grupo de estudo, que faz parte da pesquisa intitulada “A LEITURA E A FORMAÇÃO DE LEITORES, NO ESTADO DE ALAGOAS: ESTUDO E INTERVENÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS” 1.

As discussões foram realizadas durante o primeiro semestre de 2011, através de uma revisão da literatura dos seguintes autores: CAVALCANTE (2008), FREITAS (2007), GERALDI (2004), SILVEIRA (2005). Vale ressaltar que este projeto terá a duração de 4 anos. As intervenções serão realizadas em quatro escolas públicas, sendo duas municipais e duas estaduais, localizadas em Maceió. Tal interesse se inscreve pelo fato de a pesquisa contribuir com a produção de um maior conhecimento sobre as práticas de leitura e formação de leitores na EJA. Além disso, visa contribuir para a consolidação de pesquisas nesse campo, e, por conseguinte, melhorar a qualidade da Educação de Jovens e Adultos em Alagoas. É importante registrar que iniciamos a pesquisa neste ano de 2011, cujo primeiro passo foi realizar um levantamento bibliográfico no que se refere à temática. Logo após, foram realizadas discussões relevantes sobre o referido tema.

Neste artigo abordamos as concepções sobre língua e linguagem, texto, gêneros textuais, tipos e domínios textuais e sua importância na sala de aula.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Concepções de Linguagem

Existem diversas concepções de linguagem. No entanto, limitaremos a três concepções, a saber: tradicional, estruturalista e a interacionista. Numa concepção tradicional, a linguagem é vista como expressão do pensamento. De acordo com esta visão, as pessoas que não conseguem se expressar não pensam. Na visão estruturalista, a linguagem é um instrumento de comunicação. Desse modo, define a língua como código. Temos ainda uma terceira concepção, a interacionista. Nessa última, a linguagem é vista como uma forma de interação. Nesta perspectiva, a língua não é expressão do pensamento ou apenas um instrumento de comunicação. Desse modo,

[...] Ela também é um meio de conscientização, de persuasão, de dissimulação, de dominação, bem como de libertação. Também não é neutra, não é uniforme e muito menos pura. Ela varia e muda, ou seja, é heterogênea por natureza. Nessa perspectiva, leva-se em conta tanto os aspectos internos da língua (fonologia, morfologia, sintaxe e semântica) quanto os extralinguísticos (psicológicos, históricos, sociais, geográficos, culturais etc), inclusive e, principalmente, o sujeito da ação linguística, mas sempre tomando como unidade básica de ensino o texto. (CAVALCANTE, 2008, p3).

Desse modo, antes de abordarmos gêneros textuais, iremos apresentar as concepções sobre língua e linguagem, bem como noções relativas a texto e tipo textual. Geraldi (2004) assinala que há três formas de se conceber a linguagem, a saber: a linguagem é como expressão do pensamento; a linguagem é como instrumento de comunicação; a linguagem é como forma de interação.

Numa concepção de linguagem como forma de interação, que abrange tanto os aspectos internos da língua, quanto os extralingüísticos, percebe-se que a língua é heterogenia, dinâmica, está sempre em transformação, pois leva em consideração as múltiplas dimensões que constituem a linguagem e também o sujeito.

Nessa perspectiva, é importante perceber que os gêneros estão intimamente relacionados a situações sociais e concretas do cotidiano. Assim, “[...] os gêneros surgem, mudam, evoluem, decaem e desaparecem, conforme sejam as mudanças culturais, institucionais, políticas e sócio-econômicas que interferem nos padrões comportamentais dos indivíduos dentro da sociedade” Bakhtin (1979/1992) citado por Silveira (2005).


Texto e gênero textual

O pressuposto básico que norteia essa discussão é o de que algumas confusões normalmente aparecem em relação ao gênero e ao texto. Ambos os termos muitas vezes chegam a ser confundidos como sinônimos. Para se fazer a distinção de texto e gênero, devemos considerar que a noção de texto é mais abrangente e está relacionada a qualquer intenção comunicativa, ou seja, qualquer comunicação, seja ela escrita ou falada ou até mesmo em forma de gestos, há um texto por trás disto. Como afirma Beaugrand:


Do ponto de vista da linguagem verbal o texto é definido não apenas como uma sequência de palavras faladas ou escritas, mas como um evento comunicativo para o qual convergem fatores linguísticos, cognitivos e sociais. (BEAUGRANDE, 1997, p10).

O tempo todo estamos rodeados de textos ou mensagens que têm como finalidade emitir alguma informação. Tomemos como exemplo as placas de sinalização, semáforos, outdoors, etc. Tudo isso traz elementos textuais que vamos decodificar e trazer essas informações para o dia-a-dia. A ideia de texto na comunicação linguística vem do fato de que os indivíduos, em suas interações comunicativas, não criam formas textuais incomum. Essas formas já estão prontas e disponíveis para serem usadas de acordo com a situação em questão.



Tipo textual e gênero textual

Na distinção entre tipo textual e gênero textual devemos ressaltar que a noção de tipo textual são estruturas linguísticas disponíveis na língua, ou seja, são formas que o falante coloca quando se quer falar. Já os gêneros textuais estão relacionados ao uso da língua nas mais diversas situações de interação social. Os tipos de textos são os aspectos linguísticos que estruturam o texto, como por exemplo, descrição, narração, argumentos, etc.

Outra característica que difere bem essa questão de tipo e gênero textual são os aspectos internos e externos do texto. Como afirma Silveira:
Os tipos textuais são entendidos tomando-se por base os critérios internos, composicionais, enquanto que os gêneros textuais são considerados primordialmente através de critérios externos, isto é, ligado aos propósitos dos falantes em face ao interlocutor e a outros fatores de natureza extralingüística que fazem os entorno das atividades discursivas. (SILVEIRA 2005, p41)

Desse modo, reforçamos a ideia já citada anteriormente de que os tipos textuais são estruturas encontradas dentro do texto, onde, diferentemente do gênero textual, os tipos de textos (ou tipologia textual) não é tão imediatamente identificado como acontece com o gênero textual devido a esses aspectos internos e externos que os diferencia. Devemos reforçar aqui também que podem ser encontrados vários tipos textuais como sequências narrativas, descritivas, argumentativas, explicativa inseridos em diversos gêneros. Por isso, de um modo geral, os gêneros são considerados heterogêneos.


O Gênero Textual

Os gêneros textuais são a forma natural pela qual usamos a língua para nos comunicar. Eles se apresentam em todas as situações discursivas do cotidiano e variam de acordo com as diferentes ações comunicativas. Uma das características mais marcantes do gênero textual é a sua fácil assimilação por parte de pessoas que vivem numa sociedade onde determinados gêneros são frequentemente empregados. Outra característica do gênero textual é o fato de que o indivíduo, ao possuir o domínio dos gêneros, faz predições sobre a dinâmica discursiva, ou seja, já se pode prever toda a dinâmica que ocorrerá numa determinada situação.

Um exemplo simples que pode explicar a noção de gênero ocorre, por exemplo, quando lemos uma carta pessoal ou quando lemos um anúncio de jornal. Ao lermos a carta pessoal, logo sabemos do que se trata. O mesmo ocorre com o anúncio de jornal. Tanto um quanto o outro têm aspectos díspares e são bem conhecidos, o que permite seu reconhecimento imediato.

Os gêneros textuais aparecem em todos os momentos do nosso cotidiano, seja ele na expressão oral ou escrita, formal ou informal. É impossível nos comunicarmos sem que haja um gênero textual nessa prática. Os gêneros são múltiplos, eles podem “nascer ou morrer” dependendo de cada cultura e até mesmo dos avanços tecnológicos.

Podemos tomar como exemplo o e-mail, que “nasceu” fazendo “morrer” a carta pessoal, ou seja, com o avanço das tecnologias e o fácil acesso a estas, o uso do e-mail tornou-se mais viável devido a sua facilidade e eficiência, substituindo então a carta pessoal.
Os Gêneros Textuais e sua importância na Sala de Aula
O uso de diferentes gêneros textuais na sala de aula tem gerado muitos conflitos no que se refere à prática pedagógica, mas torna-se relevante em virtude de possibilitar aos alunos o entendimento da língua e de seu uso no cotidiano.

Podem ser considerados exemplos de gêneros textuais: anúncios, convites, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas, cartazes, contos de fadas, crônicas, editoriais, entrevistas, contratos, discursos políticos, histórias, letras de música, leis, notícias ou qualquer outro texto que possua uma função específica, para um público específico e com características próprias.

A utilização de livros didáticos de Língua Portuguesa, no contexto da sala de aula, muitas vezes é vista, pelo professor, como um impecilho para a busca de diferentes formas de se trabalhar a língua, no seu sentido mais amplo. Isso, dificulta a aprendizagem e negligencia o ensino da língua e todas as suas atribuições dentro da sociedade.

Concordamos com Geraldi (2004) quando afirma que haveria muitas vantagens no ensino de português se a escola tivesse como padrão ideal de língua a ser atingido pelos alunos algo como a escrita dos jornais ou dos textos científicos, ao invés de ter como modelo a literatura antiga.

Diferentemente do objetivo do Ensino da Língua Portuguesa de acordo com os PCNs, a maioria dos profissionais da educação que ministram a disciplina de Lingua Portuguesa, ensinam a fragmentação da língua. A disciplina dividi-se entre o ensino da gramática e da literatura, este último focando-se apenas em datas históricas sem nenhuma análise linguistica.

Neste sentido:

Não faz sentido ensinar nomenclaturas a quem não chegou a dominar habilidades de utilização corrente e não traumática da língua escrita. Isso não significa que a escola não refletirá sobre a língua, mesmo porque esta é uma das atividades usuais dos falantes e não há razão para reprimi-la (Geraldi, 2004, p.38).
O uso de diferentes gêneros textuais possibilita ao aluno um melhor esclarecimento da língua falada e escrita. Assim, os conteúdos ensinados, o enfoque que se dá a eles, as estratégias de trabalho com os alunos, a bibliografia utilizada, o sistema de avaliação, o relacionamento com os alunos, tudo corresponderá, nas atividades concretas de sala de aula, ao caminho por que optamos (Geraldi, 2004, p. 40).

O domínio de habilidades de uso de uma língua resulta-se de práticas desenvolvidas, principalmente dentro da sala de aula, estas diretamente ligadas ao professor, visto que a este é atribuído um maior entendimento para o uso desta.


Não se pode esquecer, além disso, que o passar do tempo é um fator importante de aprendizado linguístico, porque implica a interação social cada vez mais complexa para o aluno que vai crescendo. Se a escola tiver um projeto de leitura, isso é pressupõe que ele terá cada vez mais contato com a língua escrita, na qual se usam as formas padrão que a escola quer que ele aprenda (Geraldi, 2004, p. 37).
As utilizações dos textos expostos em livros didáticos da Língua Portuguesa assim como as análises não asseguram a aprendizagem funcional da língua. Ler não é juntar letras e formas palavras. Ler vai além do código escrito. É saber utilizar a palavra para alcançar um objetivo e isso não é uma tarefa simples. Não falta quem diga que a juventude de hoje não consegue expressar seu pensamento (Geraldi, 2004, p.39).

Sabe-se que a escrita, como a conhecemos, é posterior à fala... (Geraldi, 2004, p. 53), porém o aprimoramento da fala também depende da escrita e do uso que se faz de ambas.


Antes de mais nada, é preciso lembrar que a produção de textos na escola foge totalmente ao sentido de uso da língua: os alunos escrevem para o professor (único leitor, quando lê os textos). A situação do emprego da língua é, pois, artificial (GERALDI, 2004, p. 65).

A maioria das escolas utilizam redações focadas em datas comemorativas ou férias para estimular os alunos à escrever. Isto é estímulo ou comodismo? A falta de criatividade profissional assim como do entendimento do objetivo do ensino da língua desfavorece o crescimento dos alunos.

Segundo Freitas (2007) neste contexto, existe a sugestão da produção de resumo, prática pouco usada nas escolas. O aluno que faz resumo é capaz de aprender os mecanismos da língua, os conteúdos dos textos, bem como os aspectos inferenciais neles contidos [...].

Ainda de acordo com Geraldi (2004):




  • Na escola não se escreve textos, produzem-se redações. E estas nada mais são do que a simulação do uso da língua escrita.

  • Na escola não se leem textos, fazem-se exercícios de interpretação e análise de textos. E isso nada mais é do que simular leituras.

  • Por fim, na escola não se faz análise linguística, aplicam-se a dados análises preexistentes. E isso é simular a prática científica da análise linguística.

É relevante a inserção de diferentes gêneros textuais para que os alunos possam aprender a empregar diferentes termos linguísticos diariamente, ora na escrita, ora na oralidade. Assim, O entendimento da língua é necessário para o entendimento do sentido de seu uso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em virtude da complexidade que envolve o estudo da linguística, mais especificamente o de gêneros textuais e sua importância no contexto da sala de aula, as atividades desenvolvidas na pesquisa, até agora, foram de grande importância para o desdobramento dos estudos e para maior entendimento sobre a temática.

Diante das leituras e discussões, percebemos a relevância do uso dos gêneros textuais na sala de aula, pelo fato destes se relacionarem ao uso da língua nas mais diversas situações de interação social. Dessa forma, nos deparamos em diversas situações discursivas do cotidiano com diferentes gêneros textuais, variando de acordo com as diferentes ações comunicativas.

Sendo assim, os professores e principalmente os alunos podem se beneficiar com o uso de diferentes gêneros textuais em busca do aprimoramento educacional e individual do ser humano. Desse modo, proporciona ao aluno um melhor esclarecimento da língua falada e escrita e sempre buscando a produção de sentido. O aluno precisa ser autor de cada palavra pronunciada; ser autor de sua história em todos e diferentes momentos de sua vida.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CAVALCANTE, Maria Auxiliadora da Silva. Concepções de linguagem e de gramática: implicações para o ensino da língua materna nos anos iniciais. Maceió: EDUFAL, 2008.


FREITAS, Marinaide Lima de Queiroz (org.). O Livro didático na sala de aula de educação de jovens e adultos. Maceió: FAPEAL, 2007. 72p.
GERALDI, João Wanderley (org.). O Texto na Sala de Aula. 3 ed. São Paulo: Ática, 2004. 136p.

SILVEIRA, Maria Inez Matoso. Análise de gênero textual: concepção socio-retórica. Maceió: EDUFAL, 2005. 266 p.




1 Projeto de pesquisa nos termos do edital nº 38/2010 CAPES/INEP sobre Formento a Estudos e Pesquisa em Educação, tendo como eixo temático a Educação de Jovens e Adultos, na linha de pesquisa Educação e Linguagem, com o prazo de duração de 4 anos, sob a responsabilidade de professores, cujas identificações serão preservadas, conforme exigência das normas para inscrição dos trabalhos na Semana de Pedagogia 2011.


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