Gnoseologia, Idealismo vs. Materialismo



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Gnoseologia,

Idealismo vs. Materialismo


Pedro Alexandre Vale Pinheiro

Departamento de Engenharia Informática

Universidade de Coimbra

3030 Coimbra, Portugal

vapi@dei.uc.pt


Resumo


Uma análise pormenorizada dos conceitos gnoseológicos e ontológicos do idealismo e do materialismo fornecem uma visão alargada ao pensamento científico. A análise de diversos filósofos ao longo dos tempos dá-nos uma base de estudo e de considerações para futuras opções gnoseológicas.

A partir destes conceitos, é possível evitar cair em extremos filosóficos, ou pelo menos optar pelo que se considera ser o mais acertado, mesmo que não seja por nenhuma destas opções específicas.



Palavras Chave


Gnoseologia, Ontologia, Idealismo, Materialismo.

1Introdução


Quando um indivíduo pretende realizar uma pesquisa cientifica séria, tropeça sempre nas questões filosóficas primordiais, tais como: quando podemos considerar que um dado conhecimento pode ser considerado como tal; ou, em que bases podemo-nos basear para afirmar que um dado conhecimento é verdadeiro ou não; pior ainda, o que é a verdade? O que é real?
Podemos optar por colocar estas questões em segundo plano, e aplicar as epistemologias e metodologias presentemente ou socialmente aceites.

Ou então, podemos tentar obter uma clarificação da posição real que optamos por assumir perante a nossa sociedade e perante nós próprios.

É esta a base deste artigo!
Longe de tentar discutir toda a metafísica ou epistemologia que inquieta a mente humana, é pretendido realizar uma abordagem às questões gnoseológicas do conhecimento segundo duas vertentes dominantes: o idealismo e o materialismo. Indubitavelmente, acabamos por cair em algumas questões metafísicas, tais como a ontologia.

É feito, no entanto, um esforço no sentido de não se aprofundar sobre questões irrelevantes ou demasiado específicas, tentando-se obter uma visão sobre o comprimento, tanto quanto possível.



2Conceitos filosóficos


Na filosofia, a manipulação da palavra tem que ser cuidada e rigorosa. Apesar destes não serem exaustivamente considerados, é importante haver uma sólida base de conceitos de forma a evitar confusões desnecessárias.

Assim, partimos do conceito de


Epistemologia: teoria geral do conhecimento. teoria do conhecimento cientifico.
Como se pode verificar, estamos a falar sobre o conhecimento cientifico e não sobre o conhecimento “senso comum” ou outras formas de conhecimento.

A epistemologia levanta três grandes questões a quem se interroga sobre a legitimidade do conhecimento: a questão gnoseológica, a questão metodológica e a questão ética. A gnoseologia pretende estudar o que é o conhecimento; a metodologia investiga a forma como se constrói o conhecimento; e a ética questiona o valor e a validade do conhecimento. O tema central deste artigo é a gnoseologia, por isso importa aprofundar o seu conceito:


Gnoseologia: teoria ou doutrina do conhecimento, das suas condições e do seu valor.
Doutrina: conjunto dos princípios ou dogmas em que assentam e se articulam os sistemas filosóficos.
Praxis: actividade comum do ser humano social aplicado às entidades natureza e história.
Teoria: generalização baseada na praxis.
Daqui podemos depreender que o objectivo principal deste artigo é analisar as principais correntes que visam obter a generalização da praxis do conhecimento ou que visam obter o conjunto dos princípios em que assentam os sistemas filosóficos.

Como se verá adiante, idealismo e materialismo, por serem demasiado profundos, encontram-se por vezes interligados à ontologia, por isso importa também analisar este conceito


Ontologia: designa a metafísica geral, ou seja, aquela que trata do ser enquanto ser. [...] É, pois, o estudo dos transcendentais ou determinações comuns a todos os seres, a primeira ciência que trata dos géneros supremos do ser.
Por outras palavras, é o estudo metafísico da teoria geral sobre o ser enquanto ser.

3O conhecimento


O conceito de conhecimento é demasiado vasto e sai fora do âmbito deste artigo. No entanto, é a busca do que pode ser considerado o verdadeiro conhecimento que moveu a investigação que originou este artigo.

Note-se que não é pretendido obter a solução final para este problema, além que ela ainda não existe (virá a existir?), mas sim expor duas grandes vertentes actuais: O idealismo e o materialismo.


A grande questão aqui presente é o debate perante o que é primordial: a matéria ou o espirito. Qual comanda qual? Qual aparece primeiro? Em quem confiar?

Por matéria entende-se “realidade objectiva existente fora da nossa consciência”. Por espirito entende-se “modos de apropriação subjectiva da realidade objectiva”.


Existem diversas vertentes que procuram resolver esta questão:

Materialistas, assumem que a natureza da realidade existe independentemente da existência da humanidade;

Idealistas, assumem que o elemento básico da realidade é a mente ou o espirito;

Agnósticos, não conseguem decidir se a realidade externa existe independentemente de si próprios e, inclusivamente, se é possível conhecê-la ou não;

Empirismo, segundo o qual a realidade não deriva da matéria ou do espirito mas sim da experiência;

Pragmáticos, recusam tomar uma posição firme sobre esta questão;

Eclectismo, não seguem nenhum sistema em concreto, pretendendo formar um todo, que desejam coerente, dos elementos escolhidos em diversos sistemas.
Embora fosse preferível uma análise ecléctica, essa traria demasiadas considerações e fugiria do debate central, a análise entre o idealismo e o materialismo. Assim, apenas iremos estudar os extremos destas duas vertentes filosóficas.

3.1Idealismo


O idealismo pode ser resumido da seguinte forma,

  1. O elemento básico da realidade é a mente ou o espirito. Tudo o resto vem da mente ou espirito e depende das suas operações;

  2. A mente ou o espirito existe antes e independentemente da matéria. O espirito é a realidade permanente; a matéria não é mais que uma fase passageira ou ilusória;

  3. A mente ou o espirito é idêntico com ou emana da divindade, ou, em última análise, deixa em aberto a hipótese de uma existência, poder e interferência sobrenatural.



3.2Materialismo


As características que distinguem o materialismo podem ser resumidas da seguinte forma,

  1. A proposta básica do materialismo refere à natureza da realidade indiferentemente da existência da humanidade. Constata que a matéria existe em primeira análise. Primeiramente, temos matéria incapaz de pensar (pré-humano), a partir da qual se desenvolveu a matéria pensante: o homem.

  2. O segundo aspecto do materialismo aborda a relação entre a matéria e a mente. Tendo presente o que foi dito no ponto 1., a mente não aparece até que haja matéria organizada de uma certa forma. O cérebro humano, parte do organismo do homem, pensa. E o organismo humano é matéria organizada numa forma altamente intrínseca.

  3. É claro, a partir do que foi dito nos pontos anteriores, que a matéria existe independentemente da mente, enquanto que a matéria não existe sem matéria. Por outras palavras, a matéria existe objectivamente, independente da mente. A mente é uma propriedade especial da matéria organizada numa maneira especial.



3.3Origens filosóficas


O idealismo, sem “pai” claramente definido, terá a sua primeira séria abordagem elaborada por Platão quando define o conceito de ideia. A ideia é uma imagem de um objecto perfeito num mundo imperfeito. A titulo de exemplo, não existe o circulo perfeito. No entanto, é possível reconhecermos um circulo imperfeito a partir da imagem do circulo perfeito. Esta imagem reside no nosso subconsciente.

Através do mito do Fedro, em que a alma, na sua situação original, nas margens do Iliso, transportado num carro puxado por dois cavalos num lugar supraceleste, circula pelo mundo das ideias, que a alma contempla, embora não sem dificuldade. As dificuldades para guiar o carro faz com que a alma caia encarnando num corpo. Conforme a quantidade de ideias que a alma vislumbrou assim encarnará num humano ou num ser inferior. A partir daqui, todo o conhecimento mais não é que um recordar das ideias vistas no lugar supraceleste.

As consequências deste conceito são enormes e ainda duradouros actualmente. A partir daqui Platão, afirma que o homem será feliz ou miserável na vida após a morte conforme viva de forma correcta ou incorrecta, puramente ou sensualmente, etc. Assim, e a partir do noble lie, pôde criar dogmas que ajudaram a manter controlada a população. Estes conceitos são apenas referidos aqui a título de curiosidade, incentivando-se o leitor a desenvolver esta parte extremamente cativante.
O materialismo teve a sua origem com Heraclito, quando definiu o conceito de devir, em que “tudo corre, tudo flui”, “ninguém pode tomar banho duas vezes no mesmo rio, porque o rio permanece mas a àgua já não é a mesma”. Heraclito afirma, nos textos preservados por Clemente de Alexandria, que “Este mundo, o que se aplica a todas as coisas, não foi feito por nenhum homem ou Deus”. Os atomistas, foram a segunda escola materialista proeminente. Com o conceito do átomo conseguiram explicar diversos conceitos até então inexplicáveis. Deram um enorme passo ao criarem o conceito de matéria e não matéria, de matéria e espaço vazio.

4Ontologia


Como podemos constatar no capítulo anterior, a base de discussão acabou por se centrar nas questões ontológicas do conhecimento.

4.1Ontologia Idealista


Ontologia da natureza: A Criação.

O idealismo considera que a natureza e o mundo material foram criados por um ser superior.


Ontologia da humanidade: O Humanismo

As tendências objectivistas e essencialistas do idealismo construiu o conceito da Alma humana individual, exclusiva ao ser humano, e determinante na sua existência em primeira análise no comportamento do indivíduo e posteriormente após o corpo desaparecer.


A religião como objectivo do idealismo

A ontologia idealista da natureza e da humanidade leva-nos a Deus. Deus como um espirito objectivo que criou o mundo e determina as acções da humanidade.



4.2Ontologia do Materialismo


O materialismo considera o idealismo como sendo inconsistente e não como certo ou errado. Para o materialismo, a força das ideias estão realmente presentes na existência do ser, só que são gerados pelas condições altamente complexas do material.

A ontologia materialista pode ser resumida na boca de Cornforth, “Perceptions, ideas, intuitions, feelings, purposes, ideals, consciousness and mind only exists as products of particular kinds of material processes. They are the perceptions, ideas and so on of material organisms, products of the functioning of specific organs of their bodies, formed in the conditions of their material mode of life”.


Ainda podemos obter os seguintes conceitos materialistas:

matéria, realidade objectiva existente fora da nossa consciência;

natureza, a totalidade de realidade material considerada independentemente da prática e história humana;

história, o desenvolvimento das estruturas e lutas sociais como uma realidade objectiva, baseada numa organização concreta de produção e reprodução das condições de vida material humana.

4.3O fundamento do debate ontológico


O fundamento do debate ontológico pode ser resumido da seguinte forma: o idealismo consistente afirma que o espirito determina a matéria, enquanto que no materialismo consistente a matéria determina o espirito.

Dito de outra forma, para o idealismo, a matéria, mesmo se determinada pelo espirito, existe e influencia o espirito. Para o materialismo, o espirito, mesmo se determinado pela matéria, existe e influencia a matéria. Considerando a matéria e o espirito como categorias gerais, teremos numerosas consequências conforme optemos pelo idealismo ou pelo materialismo. Por exemplo, no conceito de liberdade na doutrina da humanidade pode ser considerada como poder, como dominação sobre as circunstâncias e condições em que um indivíduo vive, do ponto de vista materalista. Ou pode ser visto como determinação própria, como uma libertação do mundo real, ou meramente como liberdade imaginária do espirito, do ponto de vista idealista.



5Gnoseologia do idealismo


Embora a doutrina do conhecimento das diferentes escolas do idealismo difiram nas questões marginais e de terminologia, existe um ponto em comum a todas elas: a prioridade dada à mente pensante sobre o que é pensado, apreendido ou descoberto. O melhor exemplo da gnoseologia idealista articulada de tal forma que encontra as suas consequências extremas é o idealismo subjectivista. Este tipo de idealismo foca exclusivamente na actividade do conhecimento como subjectivo e vê nele as bases da doutrina do ser. O bispo George Berkeley é o expoente deste conceito.

5.1Idealismo subjectivista


O idealismo subjectivista afirma que “a realidade não é o que é, mas é o que eu penso que é”. Neste conceito, a ontologia está totalmente subordinada à gnoseologia.

A partir do diálogo entre Hylas (“matéria” em grego) e Philonous (“aquele que gosta de ideias” traduzido literalmente do grego), idealizado por Berkeley, podemos extrair 6 argumentos principais que servem de base ao idealismo subjectivista:



  1. A matéria está na mente; esta afirmação pode ser resumida a partir desta frase: “where did you, materialists, find the idea that of a material world totally external to your perception when the absolute totality of what you “known” is something you perceived and have stocked in your mind?”;

  2. Somente o que é subjectivamente compreendido é de confiança. Não podemos acreditar na objectividade da matéria;

  3. A matéria altera-se constantemente, bem como a sua percepção. A matéria não existe por si só. Apenas a percepção existe, ou seja, o que está na mente;

  4. A matéria está em todas as mentes, incluindo a de Deus. Este afirmação serviu para que Berkeley evitasse o solipsismo. Ou seja, a ideia da matéria não está somente na “minha” mente, mas na mente de todos os seres pensantes;

  5. Nenhuma ideia existe sem mente;

  6. As ideias são coisas e elas existem.



5.2Doutrina do conhecimento


É possível fazer um resumo do que é a doutrina do conhecimento idealista,

  1. O conhecimento é respeitante ao indivíduo;

O indivíduo é socialmente e historicamente passivo, mas é intelectualmente activo.


  1. Apenas temos acesso ao conhecimento directo. Coisas tipo conhecimento indirecto não é qualitativamente distinto de conhecimento directo;

Por conhecimento directo compreende-se todo o conhecimento adquirido directamente através dos sentidos. Por exemplo, quando falo sobre o meu carro, posso afirmar que possuo conhecimento directo sobre ele. Quando falo sobre o interior do motor do meu carro, falo sobre conhecimento indirecto, dado que nunca tive contacto directo com ele.


  1. O conhecimento está orientado para o interior da mente;

A gnoseologia idealista conserva algo da opinião de Platão, quando afirmamos que todo o conhecimento é lembrança, e que a mente do homem já conhece, por natureza, todas as coisas, e tem as suas noções próprias e originais.

  1. Os sentidos não são uma fonte de confiança para o conhecimento;

Como diz Khlyabich, “True knowledge cannot be based on the senses because the senses can conceive only the sensory, i.e., the transitory, that which is subject to destruction, that which surround us, but they cannot conceive that which is beyond the bounds of the visible world – ideas – which could only be perceived by reason.”, ou como afirma Mao Tse-Tung, “todos que pensem que o conhecimento racional não precisa ser derivado do conhecimento empírico, são idealistas”


  1. O conhecimento não tem história. Novas ideias e invenções aparecem espontaneamente das mentes dos grandes homens ou líderes.

Daqui podemos depreender alguns conceitos inerentes ao noble lie de Platão.

6Gnoseologia do materialismo


A doutrina do conhecimento materialista diz, segundo Labriola, que as “ideias não caem do céu, e nada vem até nós em sonhos”. Esta gnoseologia tem bases na ontologia materialista, que afirma que a matéria é objectiva, i.e., independente do pensamento subjectivo.

O importante aqui é que a matéria é independente das ideias, mas as ideias são dependentes da matéria.

Esta doutrina afirma que existe uma sólida ligação entre o que existe e o que nós sabemos. O que existe é o factor crucial para o nosso acesso ao conhecimento.
Como consequência directa destas afirmações, podemos concluir que o conhecimento é adquirido. Isto é, o conhecimento não nos é transmitido pela recepção passiva dos sentimentos mas pela alteração do nosso ambiente de acordo com as nossas necessidades. O idealismo afirmava que o conhecimento já nascia dentro de nós. Apenas precisávamos de o estimular por forma a sobressair.
Dietzgen afirma ainda que, “contrary to a philosophy that tries to discover truth with the mind, and error with the senses [idealismo], we [materialistas] seek for truth with the senses and regard the mind as the source of error.”

Ou seja, a observação passiva apenas permite que sejam alcançados os aspectos aparentes das coisas.



6.1O conhecimento


Bacon afirmou-o como um principio geral o que Galileu realizou, nomeadamente, que nós só podemos conhecer como as coisas funcionam através da invenção de técnicas de investigação de forma a descobri-lo empiricamente, e não apenas por concluir como uma dada coisa é apenas pelo que deveria ser. Assim, o conhecimento é uma descoberta e não uma confirmação, contrariamente ao que o idealismo afirma – que o conhecimento já existe na nossa mente.
Um conceito importante na gnoseologia materialista é o facto de que, independentemente do estado inicial do conhecimento, os sentidos de um indivíduo isolado podem induzir em erro. Assim, o conhecimento não vem como o resultado imediato da percepção sensorial. A percepção sensorial associada à praxis (conhecimento adquirido através da experiência) constitui o conhecimento. Aliás, este é o conceito global de experiência do ponto de vista materialista.
Mais importante ainda, o conhecimento materialista é dependente do mundo que nos rodeia. Isto é, os nossos conceitos e conhecimentos são dependentes da sociedade em que nos encontramos inseridos.

Assim, o conhecimento é algo que é partilhado socialmente.



6.2Conhecimento directo e indirecto


A história fornece conhecimento directo e indirecto. Conhecimento directo é todo aquele que é adquirido através dos nossos próprios sentidos, no contexto socio-histórico em que nós estamos integrados.

Conhecimento indirecto é-nos fornecido através de complexas meditações socio-históricas de múltiplos conhecimentos directos de outros seres humanos.

Assim, os materialistas assumem o conhecimento como um resultado colectivo, cultural e histórico. Praxis!
Um exemplo soberbo é dado pelo Marco Polo quando nos forneceu a sua visão do que era o mundo oriental. Aos textos escritos por Marco Polo chamamos de conhecimento indirecto. Na altura, e sem outras bases comprovativas, os seus textos foram considerados exagerados. Posteriormente, e com os descobrimentos portugueses, afinal veio-se a saber que os seus relatos não estariam muito longe da realidade. Estes conhecimentos já são considerados directos porque foram comprovados por mais que um indivíduos. No entanto, para todos os que não constataram pessoalmente os factos, baseiam-se no conhecimento indirecto.
Descartes, espiritistas clássicos, kant, etc. Tinham, cada um à sua maneira, uma concepção muito pouco social do conhecimento. Tinham uma posição muito egocentrista – “O que POSSO saber?” em vez de “O que PODEMOS saber?”.

Um dos valores mais genuínos de Hegel e do movimento Hegeliano, é o terem voltado a por as questões epistemológicas e morais no seio da comunidade.



7Conclusão


Ambas as filosofias gnoseológicas apresentam argumentos fortes e de difícil debate sem que se caia em extremos ou em dogmas.
O debate central sobre qual origina qual, isto é, se primeiro vem a matéria ou vem o espirito, acaba muitas vezes por se balançar nas questões teleológicas, cuja análise acaba por ser facciosa e dependente do credo de cada um.
Embora teleologicamente tenha uma posição claramente agnosticista, a nível gnoseológico e ontológico optaria por uma posição eclectista. É indiscutível, à luz da ciência actual, que o universo é claramente anterior ao homem, sendo a sua presença no Universo uma pequena e verdadeiramente insignificante parcela da realidade global, mas mesmo assim considero que haverá algo mais que transcende o simples materialismo e que se nos foge à nossa singela compreensão do total.
As descobertas realizadas por Albert Einstein ou Stephen Hawpking enquadram-se claramente nos conceitos gnoseológicos idealista. No entanto, os grandes saltos realizados na ciência deveram-se principalmente à gnoseologia materialista.
Existem demasiadas questões pendentes sobre o que é o real que nos faz pensar que talvez as coisas não sejam tão simples quanto parecem, ou que não são tão reais como parecem.

É como quando a pequena Hilde, de “O mundo de Sofia” de Jostein Gaarder, se ri porque Sofia pensa que é um ser humano real quando na realidade é um ser criado pelo seu pai para explicar os conceitos de filosofia. O caricato é que a própria Hilde é uma criação de Gaarder, e assim ela está a rir-se de uma fatalidade da qual ela própria padece.


É certo que isto tudo parece irreal. Mas quem somos nós para afirmar qual a teoria que está certa ou qual a que está errada? Quem nos diz que não estamos, realmente, numa caverna acorrentados e a apreciar as sombras das ideias?

8Bibliografia


  1. Alexandre Manuel, Dicionário Enciclopédico, Temas e Debates, Acessível: ISBN 972-759-100-0




  1. Jostein Gaarder, O mundo de Sofia, Editorial Presença, Acessível: ISBN 972-23-1949-3




  1. Julián Marías, História da Filosofia, Edições Sousa e Almeida, 1980




  1. Nicola Abbagnano, Origens da Ciência, Copérnio, Galileu, Filosofia moderna, Descartes, Hobbes, A lógica de Port-Roayl, Pascal, Espinoza, Colecção “História da Filosofia”, Volume VI, Editorial Presença,




  1. Paul Laurendeau, Materialism and Rationality, Philosophy for the Social Activist, Acedido em Janeiro 2002, Acessível: http://www.yorku.ca/paull/OUTLINE.html




  1. Victorian Labor College, Materialism versus Idealism, Acedido em Janeiro 2002, Acessível: http://www.knowledgecollegetutors.com/phil1b.htm




  1. Ralph Arthur Hall, A measure of Truth – Introduction to Realistic Idealism, Acedido em Janeiro 2002, Acessível: http://www.seanet.com/~realistic/idealism.html




  1. Stanford Encyclopedia of Philosophy, Acedido em Janeiro 2002, Acessível: http://plato.stanford.edu/contents.html




  1. Idealism, Acedido em Janeiro 2002, Acessível: http://pratt.edu/~arch543p/help/idealism.html




  1. António Dias Figueiredo, Métodos de Investigação Cientifica II, Apontamentos da cadeira de mestrado em Engenharia Informática da Universidade de Coimbra.


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