Gratidão e paz francisco candido xavier hércio marcos c. Arantes espíritos diversos sumário



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GRATIDÃO E PAZ


FRANCISCO CANDIDO XAVIER

HÉRCIO MARCOS C. ARANTES

ESPÍRITOS DIVERSOS


Sumário

Gratidão e Paz, Emmanuel

I - "Minha gravidez era um acontecimento mais na alma que no corpo"

Inês Severo Ruivo (Cubatão, SP) 05

2 - "Não me acovardaria a ponto de eliminar o meu próprio corpo"

Paulo Eduardo Teixeira da Silva (Pirassununga, SP) 11

3 - Regresso de uma flor ao jardim da verdadeira vida

Dona Maria da Luz Simões (São Carlos, SP) 17

4 - Jovem atuante em núcleo assistencial da crosta terrestre

Ricardo Tunas Costa Leite (Niterói, SP) 21

5 - "Voltei à vida nova de consciência tranqüila"

Silvio Romeno Gonçalves Monteiro (Capibaribe, PE) 34

6 - "Mamãe, não era a moto que eu amava mais"

Kleber Silveira de Souza (Porto Alegre, RS) 37

7 - "Peço-lhes perdão para os meus opressores"

Antônio Martinez Collis (São Paulo, SP) 41

8 - "Para dar continuidade à minha evolução, espero voltar para a terra"

Laurinete Aparecida Duarte (Curitiba, PR) 45

9 - "Peço-lhes não desprezarem a moto que me fez o veículo da viagem final"

Carlos Alberto Gonçalez (São Paulo, SP) 49

10 - Solucionando problemas familiares

Benedito Vieira dos Santos (São Simão, SP) 54

11 - Estávamos todos em outra vida

Luiz Paulo Alves Reis (Colina, SP) 57

12 - O desquite é uma espécie de conta interrompida

Maria Cecília Ferreira (São Paulo, SP) 63

13 - Venho pedir o seu perdão para minha falta grave

Júlio César C. da Silveira (Criciúma, SC) 69

14 - Eu também não acreditava na possibilidade de que me vejo favorecido

Álvaro Júlio Belchior da Fonseca (São Paulo, SP) 74

15 - Um músico cultivando a arte de servir

Oswaldo Jandy Batista (Anápolis, GO) 79

16 - "O Ódio Não Se Enquadra Em Nossos Pensamentos"

Acácio Costa Freitas Neto (Ribeirão Preto, SP) 86

17 - Em aprendizado na crosta terrestre e no mais além

Paulo Sérgio da Costa (Campo Grande, MS) 94

18 - Paz e autenticidade no reencontro

Túlia Maura Diniz Baptista Mendes (Belo Horizonte, MG) 102

19 - Premonições de um desenlace inesperado

Matrona Paly Diegues (São Paulo, SP) 106

20 - Vozes Premonitórias

Antonio João Beira (Monte Aprazível, SP) 110

21 - Provações com vistas ao terceiro milênio

(O grande número de desencarnações na juventude)

Luiz Roberto Estuqui Júnior (São José do Rio Preto, SP) 114

22 - Investimentos no banco da divina providência

Adolfo Aleixo Martins (Belo Horizonte, MG) 123

23 - Problemas do sexo no mais além

Ivo de Barros Correia Menezes (Belo Horizonte, MG) 129

Leitor amigo.

Entre os corações que regressaram à Vida Espiritual e os que ficaram no Plano Físico se destacou o suplício da saudade, em forma de angústia, no entanto, apareceu entre eles o momento de reencontro, através da notícia escrita, e, conquanto as lágrimas de júbilo e confiança na perenidade da vida, desses corações entrelaçados nasceram à gratidão e a paz que se fazem às tônicas deste livro.

Pelas bênçãos nele entesouradas, aqui estamos nós, rogando a Jesus, o nosso Divino Mestre, nos inspire e ilumine, rendendo graças a Deus.

Emmanuel

Uberaba, 31 de Março de 1988.




Inês Severo Ruivo
I
"Minha gravidez era um acontecimento mais

na alma que no corpo"


Quando viajava de automóvel, com seu marido, pela Rodovia Presidente Castelo Branco, voltando de Penápolis com destino a Cubatão, SP, a senhora Inês foi acidentada gravemente. E, embora transportada, de imediato, para São Paulo, veio a desencarnar no Hospital das Clínicas, no dia 2 de novembro de 1971.

Naquela época ela esperava o primeiro filho, estando grávida de seis meses, e o aborto foi inevitável, fato que, evidentemente, agravou a dor da família.

Cinco anos após esse acontecimento, Inês regressou, em Espírito, em longa e esclarecedora mensagem, pela psicografia de Chico Xavier, recapitulando detalhes do "calvário da separação", "trazendo um grande conforto, paz, tranqüilidade e fé de volta ao lar", no dizer de seus pais.

Um ponto alto e belíssimo da carta é o relato de sua ligação amorosa e espiritual ao Espírito de seu filho, após a desencarnação de ambos, afirmando: "Minha gravidez era um acontecimento mais na alma que no corpo."


Mensagem
Querida Mamãe, meu querido papai, abençoem a filha que volta.

Fui trazida até aqui e ouvi o que falaram sobre suicídio. Esse assunto, Mamãe, é a idéia que me impulsionou a trazer-lhes os meus testemunhos de saudade e reconhecimento.

O Finados de 1971 parece tão longe e a nossa dor parece recente. Ferida de hoje, golpe aberto no coração no instante em que escrevo. Mas não falo nisso sem as orações de esperança.

Quase cinco anos alteraram muitos quadros da vida, menos os nossos. E por isso que falo em sofrimento como sendo sofrimento presente. Creiam, porém, que tenho melhorado e encontrado uma visão diferente da vida.

Mamãe, eu sei o que tem sido esse calvário de separação para nós. Cada dois de novembro é um degrau de lágrimas, que atravessamos juntas. Eu sei que a própria dor do papai ficou mais pesada em seu carinho, mas pode estar certa de que se uma filha pede a Deus recursos para ser grata, estou entre essas que reconhecem nas mães as benfeitoras de cada dia.

Venho pedir à senhora e ao meu pai para que não pensem na morte. É preciso que vivam e que vivam fortes e felizes. Árvores queridas, em cuja ramaria de ternura fizemos tantos ninhos de esperança, a tempestade das provas poderá sacudir-lhes as forças e despojá-los de muitas alegrias, mas continuarão de pé, aceitando a vontade de Deus que nos deu a felicidade de pertencer-lhes.

Haverá, sim, Mãezinha, aguaceiros de pranto e ventanias de adversidades, como tem havido sobre nós, mas Deus nos fará ver de novo o céu azul e outras flores surgirão de nossas preces, para que a nossa felicidade seja sempre esse cântico de amor que nunca esmoreceu em nossa fé.

Perdoem-me se lhes deixei tantos encargos. Não pensava que o fim do corpo estivesse ali, naquela noite em que o nosso carro voltava de Penápolis.

Havia chorado tanto, lembrando a Vovó Elidia, havia pensado tanto em mostrar-lhe as minhas preces de saudade, mal sabendo que naquela mesma data em que lhe recordávamos a partida dez dias antes, no entanto, não pensava, seria eu a primeira a unir-se-lhe aos passos.

Não pensem que houve culpa do José. Estávamos tranqüilos. Parece-me que a sombra criou o problema, de vez que ele faria tudo para que nada de mal nos acontecesse.

Quando caí, tive a idéia de que perderia a consciência, mas isso não aconteceu. Aqui, meu bisavô José Severo e alguns amigos, dentre eles o Podre Primo, me esclareceram que a minha gravidez era um acontecimento mais na alma que no corpo. Teria perdido a criança para a consideração dos médicos; entretanto, meu filhinho estava em mim, era meu, uma criaturinha de seis meses completos, que eu não poderia abandonar.

Mamãe, tudo parece triste, mas esses fatos mostram a beleza do amor. Enquanto me senti espiritualmente ligada ao Espírito de meu filhinho, não pude perder a lucidez do que se passava.

Sei que um carro ou ambulância me carregou para as Clínicas e chamei por Você, Mamãe, como quem chamasse por Nossa Senhora. Mas não era aguardando um milagre.

Eu sabia que tudo estava terminando, mas nas minhas ilusões de mãe, muito moça, pensei que minha criança estivesse vivendo e queria entregá-la em suas mãos.

Aqui, no entanto, pouco a pouco, tudo entendi. Penso hoje que não será fácil morrer no corpo, como nascer das mães que adoramos. Muitas dizem que foram anestesiados no momento da desencarnação, que nada viram e que apenas acordaram numa Vida melhor.

Creiam, porém, que as mães grávidas e que deixam a existência na Terra nessa condição, não conseguem dormir, até que a Bondade de Deus lhes faça sentir que os filhinhos não nascidos encontraram quem os proteja e os ame.

Tudo passou. Agora é a paz da certeza de que não nos separamos. Custei algum tempo a recuperar-me do tratamento a que me submeteram. Não posso deixar de dizer à senhora e ao papai que recebia assistência que se deve à mulher quando vítima de aborto de grave situação.

Quando melhorei, escutei suas preces e seus pedidos a Deus. Sem poder fazer alguma coisa, rezei também, pedindo a Deus para consolá-los. Peço-lhes para estarem confiantes em Deus.

Meu avô José Severo e minha avó Maria velam por mim. A vovó Elidia, que chegou aqui vitoriosamente, depois das provas atravessadas, é hoje para mim igualmente um valioso apoio. Ela e a irmã Sinhazinha, amiga de Barretos e Guaíra, me ampararam igualmente nas horas mais complicadas.

Mãezinha e papai, lembrem Eliana, Paulo César, Inês Rosemeire e pensem como precisamos da saúde para trabalhar por eles todos. E lembro aqui o José Severo, a Angélica, a Marinês, a Priscila, o Edson e tantos outros amores que temos e que Deus nos concedeu para zelar.

Quanto ao José Jaime, peçamos a Deus para protegê-lo. Desejo que ele seja amado também como filho. Ele não teve culpa alguma naquela ocorrência em que as leis de Deus se cumpriram. Ele sempre foi bom, amigo, dedicado e sincero. Está moço, Mamãe, seu filho, o filho que lhe deixei com o nome de genro e que precisa de muita assistência e de muito amor.

Daqui, trabalharei para vê-lo feliz. Posso ainda tão pouco. Às vezes, em nossa casa da Quinze de Novembro, choro ao pensar que desejo auxiliar tanto e posso ainda tão pouco.

Mas nossa fé não esmorece nunca. Aquela confiança que a senhora e meu pai nos deram em casa está comigo. Com essa luz, caminho para a frente e seguirei adiante, certa de que Jesus tomará minhas mãos, pobres, pelos Mensageiros d'Ele, a fim de que meus braços fiquem fortes.

Mãezinha e querido Papai, recebam minha alma reconhecida. Estou feliz, porque sei que de agora em diante, estarão acreditando que não morri. A todos os nossos, as minhas muitas lembranças. A todos, agradeço e peço perdão por haver esquecido nomes de família que não devia esquecer. Todos, porém, sabem que sou grata e que sou a irmã devedora de cada um.

Querido papai, peço-lhe forças novas, mãezinha querida, rogo-lhe coragem e fé, cada vez mais viva em Deus.

Não suponham que escrevi sofrendo. Chorei em alguns trechos de minha carta, porque Deus perdoa a saudade quando as nossas saudades são de alegrias de reencontro na gratidão perante os Céus.

Estou melhorando, e focarei plenamente feliz ao vê-los mais reanimados e mais felizes. Agora termino, com o beijo para os dois. Abençoem-me. Lembrem-me com as preces. Não me creiam ausente. Estamos sempre mais juntos.

Para o senhor, querido papai e para Você, Mãezinha querida, todo o coração com os agradecimentos da filha que estará sempre entre ambos, pedindo a Deus para conservar-nos em seu amor. Abraços, muitos abraços, beijos e muitos beijos da filha reconhecida, sempre mais reconhecida,

Inês.

Notas e Identificações


1 - Carta psicografada em reunião pública do Grupo Espírita da Prece (GEP), Uberaba, MG, na noite de 21/5/1976.

2 - Mamãe, papai - Casal José Severo da Silva Netto e Alcina de Souza Silva, residente à Rua XV de Novembro, 121 - Vila Nova, Cubatão, SP.

3 - Finados de 1971- Data de sua desencarnação.

4 - Vovó Elidia (...) lhe recordávamos a partida dez dias antes - De fato, Dá Elidia, sua avó materna, desencarnara dez dias antes de sua passagem, aos 23/10/1971.

5 - José - José Jaime Ruivo, esposo.

6 - bisavô José Severo - Bisavô paterno, desencarnado.

7 - Padre Primo - Padre já desencarnado, amigo íntimo da família Ruivo.

8 - teria perdido a criança para a consideração dos médicos; entretanto, meu filhinho estava em mim, era meu, uma criaturinha de seis meses, completos, que eu não poderia abandonar. - No Mundo Maior, Inês sentia-se ligada ao Espírito (e corpo espiritual) do filhinho, fato possível pois desde a concepção há união do espírito, que reencarna, ao novo corpo, e, concomitantemente, uma união magnética, mãe-filho, mais ou menos forte, de alma a alma. (Ver O Livro dos Espíritos, Kardec, q. 344 a 360; Missionários da Luz, Espírito André Luiz, F. C. Xavier, FEB, cap. 13; e Quem São, Espíritos Diversos, F.C. Xavier, Elias Barbosa, IDE, cap. 17 e 18.)

9 - avó Maria - Bisavó materna, desencarnada

10 - Ela e a irmã Sinhazinha, amiga de Barretos e Guaíra - A família não se recorda dessa amiga da vovó Elidia.

11 - Eliana, Paulo, Ipês Rosimeire, José e Edson - Irmãos.

12 - Angélica - Cunhada.

13 - Marinês e Priscila - Sobrinhas, nascidas em 1975/76, ou seja, após a sua desencarnação.

14 - Inês - Inês Severo Ruivo nasceu em Promissão, SP, a 26/10/1946. "Trabalhou no Banco Itaú e Câmara Municipal de Cubatão, onde deixou muitos amigos e muitas saudades pelo seu jeito alegre, otimista, simpático e sempre muito humilde para com todos. Durante sua breve passagem nesta vida, deixou-nos um vazio que até hoje não conseguimos preenchê-lo, pois a saudade é um sentimento profundo, difícil de apagar." (Declaração de seus pais: em carta de 1/7/1988.)





Paulo Eduardo Teixeira da Silva
2
"Não me acovardaria a ponto de eliminar o meu próprio corpo"

Apenas dois meses após seu ingresso na Academia da Força Aérea de Pirassununga, São Paulo, na condição de soldado no Quadro de Infantaria de Guarda, o jovem Paulo Eduardo, de 19 anos, sofreu trágico acidente, com o disparo de sua arma, quando estava no serviço do dia.

Tal disparo, ocorrido na manhã de 26 de setembro de 1978, foi fatal, havendo desenlace imediato.

A dor dos seus pais foi imensa - "o maior golpe de nossa vida", na expressão de seu progenitor -, acentuada com a interpretação de uma autoridade da Academia, na fase inicial das investigações, em face do acontecimento: suicídio.

A suspeita de suicídio nunca convenceu a família, pois, por mais buscasse a causa do possível ato extremado, não se encontravam razões que o justificassem a contento.

Mas, cinco meses após a tragédia, o próprio jovem, em Espírito, veio esclarecer a todos, com expressivos detalhes alinhados em longa carta psicografada em Uberaba, a 03 de março de 1979, afirmando, categórico, no início da mesma:


Mensagem
Querida Mãezinha Mirtes, meu querido pai, peço para que me abençoem.

Sou trazido até aqui por meu avô José Teixeira. Estou constrangido pela inadaptação. O ambiente é de amigos; entretanto, não estou sabendo como escrever. Ainda assim, é preciso tentar.

Desejo comunicar aos pais queridos que eu seria incapaz de atirar contra mim próprio. Aprendi, desde cedo, o respeito às Leis de Deus e semelhante gesto estaria incompatibilizado com a minha formação.

Sempre os vi lutando dignamente para criar-nos com segurança e encaminhar-nos para a vida reta, o exemplo é uma voz que fala em silêncio por dentro do coração.

Não me acovardaria a ponto de eliminar o meu próprio corpo.

Lutas de rapaz, rixas com namoradas, conflitos íntimos ou desajustes passageiros no trato com os meus companheiros não me fariam pensar nisso. Claro que em matéria de juventude, os namorados sempre cultivam alguma pequena queixa para discussão de encontros e bilhetes. Saí de Santa Rosa em paz com todos. Nossa Nana sempre soube conversar comigo na altura da jovem correta e compreensiva.

Ouvi os apontamentos de muita gente que me acreditou suicida, porque nem sempre fui alegre ou extrovertido. Sempre me empenhei a pensar e a passar longos minutos comigo mesmo, confrontando assuntos e situações.

Até o problema de nossa querida amiga Dona Maria veio à tona dos comentários. É verdade que o atropelamento se verificara tempos antes, mas em. meu íntimo, ao refletir na ocorrência, concluía, de minha parte, que me cabia viver e viver fazendo todo o bem ao meu alcance para substituir aquela criatura que atravessara os melhores tempos da vida, auxiliando e abençoando a quem dela precisasse. No peito de moço, lastimava, como é justo, haver sido instrumento para a provação que vitimou nossa querida amiga; isso, no entanto, era comigo um compromisso de viver trabalhando mais.

Não me queixo dos amigos e conhecidos que me supuseram capaz de destruir o corpo que Deus me concedera, mas tranqüilamente respondo que o engano de muitos resultou simplesmente de uma suposição sem conteúdo de realidade.

Tomara os meus encargos no plantão com segurança e comecei a limpar as unhas com a ponta da arma; inadvertidamente, embora apoiasse essa mesma arma na mureta existente no local, meus dedos se movimentaram sem que a minha consciência tomasse sentido exato dessa operação, quase que mecânica para mim, e detonei sem querer o projétil que me alcançou a base do tórax, impondo-me a desencarnação instantânea.

Creiam os pais queridos que não mais controlei qualquer ação de meu veículo físico e, conquanto, por alguns momentos rápidos, intentasse falar sem poder, um sono pesado me selou a vida intracraniana e ignoro se dormi, ou se desapareci de mim próprio por tempo que ainda não sei precisar.

Despenando em organização de socorro, cheguei a pensar que me achasse no Hospital Santo André, em Santa Rosa, talvez conduzido pela família, mas foi o meu avô José Teixeira quem me chamou à realidade, que tive de aceitar a contragosto.

Não só meu avô Teixeira, mas também minha avó-bisavó Ana e outros familiares me auxiliaram com carinho e segurança. Um médico que me disse ser amigo do Dr. Guido Maestrello me tratou com bondade e, muito pouco a pouco, ando reconstituindo as minhas próprias forças.

Rogo à Mãezinha Mirtes continuar com as orações em meu benefício.

Rogo a todos os nossos para que não se aflijam.

Tudo passa com o bálsamo da proteção de Deus.

Se os meus superiores em Pirassununga puderem atender a solicitação dos queridos pais, estudando a posição que descrevo, para suprimirem a sentença de suicídio sobre meu nome, ficarei satisfeito; mas se isso não for possível, rogo para que não se preocupem. Jesus sabe a verdade e a minha consciência está tranqüila. E vivam fortes e felizes, é o que peço aos pais queridos, aos quais a Divina Providência me confiou.

Recordem o Jorge e os outros corações de filhos abençoados, os meus irmãos que esperam tanto da assistência de casa, e fiquem asserenados em nossa fé em Deus.

Espero melhorar-me para trabalhar e servir, nas tarefas do bem aos outros.

Meu avô acredita que estou caminhando para a restauração total e tenho a esperança de ser útil a todos.

Peço à nossa estimada Ivana para esquecer qualquer inquietação a meu respeito. Desejo vê-la forte e feliz.

Querida Mãezinha e meu querido pai, desculpem-me pelos contratempos involuntários que lhes dei. Confiemos em Deus.

Agradeço ao nosso amigo Dodô pela presença junto de nós.

E agradeço a quantos nos auxiliam aqui, esperando haver esclarecido o que houve naquela manhã de setembro passado.

Agora peço para que me lembrem sempre, não na morte e sim na vida, porque a morte é apenas uma transferência de habitação, sem ser alteração em nós.

Muitas lembranças para os irmãos queridos, ao mesmo tempo que entrego aos queridos pais, aqui presentes, todo o respeitoso amor e todo o coração do filho sempre grato,

Paulo Eduardo.

Paulo Eduardo Teixeira da Silva.


Notas e Identificações
1 - Mãezinha Mirtes, querido pai - Seus pais: Mirthes Cassemiro Teixeira da Silva e Waldemar Teixeira da Silva, residentes à Rua Condessa Filomena Matarazzo, 46, na cidade paulista de Santa Rosa de Viterbo.

2 - avô José Teixeira - Avô paterno, desencarnado em Cajuru, SP, a 20/3/1977.

3 - Ivana - Na época, namorada de Paulo Eduardo.

4 - amiga Dona Maria - Amiga da família Teixeira da Silva, desencarnada em 14/6/77, vítima de atropelamento com bicicleta, numa costumeira brincadeira de cercar Paulo Eduardo.

5 - avó-bisavó Ana - Bisavó paterna, desencarnada há muitos anos.

6 - Médico amigo do Dr. Guido Maestrello - Conforme informações de velhos moradores da cidade seria o Dr. Constâncio Martins Sampaio, desencarnado há muitos anos.

7 - Dr. Guido Maestrello - Desencarnado há mais de 50 anos, foi Prefeito Municipal de Santa Rosa de Viterbo. Uma das praças da cidade tem o seu nome.

8 - se os meus superiores em Pirassununga puderem atender a solicitação dos queridos pais, para suprimirem a sentença de suicídio sobre o meu nome, ficarei satisfeito; - Após o recebimento desta carta mediúnica, o pai de Paulo Eduardo voltou à Academia da Força Aérea, recebendo a grata informação de que, no parecer foral da investigação do caso, não foi mantida a hipótese inicial de suicídio. Foi-lhe mostrada, então, a documentação e o sr. Waldemar anotou o seguinte texto final da mesma: "(...) falecimento do S2 Q IG 78 0413 453 PAULO EDUARDO TEIXEIRA DA SILVA, ocorrido no dia 26 Set 78, vitima de acidente com arma de fogo. Pirassununga, 16 de outubro de 1978." Observa-se que esta conclusão foi lavrada bem antes da carta mediúnica, datada de 03/3/79, fato que, evidentemente, não havia chegado ao conhecimento do jovem desencarnado, ainda convalescente (Meu avô acredita que estou caminhando para a restauração total) e muito ligado mentalmente aos familiares queridos, atormentados pela suspeita de suicídio, levantada de início.

9 - Jorge e os outros corações de filhos abençoados, os meus irmãos - Jorge é o irmão mais velho.

10 - amigo Dodô - Salvador Barbosa, residente em Santa Rosa de Viterbo, amigo dos pais de Paulo Eduardo, que os acompanhou a Uberaba.

11 - Paulo Eduardo Teixeira da Silva - Nasceu em Santa Rosa de Viterbo, a 11/7/59. Seu pai informou-nos que ele foi um bom filho, sempre obediente e carinhoso. Praticava vários esportes, tendo participado da preliminar da Corrida de S. Silvestre, no ano de 1977, na Capital paulista, junto com seu irmão Jorge. Quando desencarnou, estava inscrito no curso de sargento especialista em Guaratinguetá, SP.


Érica Letícia Gallo, aos 2 anos e 4 meses, fazendo suas adoráveis pinturas, quando já estava doentinha.

3
Regresso de uma flor ao jardim da verdadeira vida

Três dias após a desencarnação de sua bisavó, Dá Maria da Luz Simões, a garotinha Érica, de quase três anos de idade, também deixou o Plano Físico, a 2 de junho de 1985, em conseqüência de complicações decorrentes de um tumor da glândula supra-renal. Ambas desencarnaram na Santa Casa de Misericórdia da cidade paulista de São Carlos.

Duas perdas quase simultâneas, que muito pesaram no coração dos familiares, especialmente de Dá Sueli Aparecida Letícia Gallo, mãe de Érica e neta de Dá Maria da Luz. Dor d'alma que só encontrou substancial lenitivo, quase um ano após, com o recebimento das notícias escritas de ambas, sendo que a garotinha conseguiu, naturalmente auxiliada, a façanha de redigir o próprio nome.

Dra. Sueli compreendeu, então, que sua mimosa "florzinha, dócil, meiga e carinhosa" agora habitava, muito amparada e restabelecida, o jardim da Verdadeira Vida...

A carta mediúnica, psicografada em Uberaba, no Grupo Espírita da Prece (GEP), a 19 de abril de 1986, foi endereçada aos tios de Érica, presentes à reunião pública.

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