Gratidão e paz francisco candido xavier hércio marcos c. Arantes espíritos diversos sumário



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Não preciso assinalar o ponto central de nossas inquietações por tantos jovens e adultos enfermos, com dificuldades para obterem assistência. Falamos das deficiências nesse terreno, mas sem qualquer critica a situação desses irmãos doentes.

Cremos que qualquer providência que nos venha amparar, no auxilio aos enfermos, poderá despertar outras instituições em nosso favor, porquanto se uma doença existe presentemente, assume real importância na vida comunitária. Creio que os nossos irmãos carecem da proteção a que nos referimos.

A Fazendinha, do ponto de vista de espaço, não oferece oportunidade para largos empreendimentos, mas começada uma tarefa digna, outros corações, por certo, apoiarão o trabalho.

Este é o nosso programa de serviço que nos cabe desempenhar, com paciência e amor, para a realização precisa.

Perdoem as minhas palavras que visam somente o bem, e desejando-lhes o melhor nas bênçãos de Deus, com lembranças à querida Gisèlle, o filho do coração que não os esquece,

Ricardo Tunas da Costa Leite.
Nota

15 - nossa mentora Irthes Therezinha - Irthes Therezinha Lisboa de Andrade, nascida e desencarnada em Ubá, MG, respectivamente, em 27/8/1921 e 15/7/1977, foi espírita atuante, inclusive no campo mediúnico, recebendo instrutivas páginas do Além. Diplomou-se professora primária. Três meses após o desenlace, enviou a sua primeira mensagem, pelo lápis mediúnico de Chico Xavier, endereçada aos seus amigos, integrantes da União da Mocidade Espírita de Niterói, publicada no Anuário Espírita 1984, pp. 75/80. Em 1983, a Casa Espírita Cristã (Edições CORDIS), de Vila Velha, ES, lançou o belo livro Irthes & Irthes, de autoria mediúnica de Júlio Cezar Grandi Ribeiro, com mensagens do Espírito de Irthes, bem coma outras, anteriormente psicografadas por ela mesma, mas agora enviadas pela Irthes após revisão dos próprios autores espirituais. Irthes, Espírito, é também co-autora da obra Cura, de Francisco C. Xavier, Autores Diversos, GEEM, 1988.




Silvio Romeno Gonçalves Monteiro

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"Voltei à vida nova de consciência tranqüila"

Já formado em medicina, há três anos, Dr. Silvio Romeno Gonçalves Monteiro deixou o Plano Físico, na noite de 24 de julho de 1986, baleado pelos assaltantes de seu automóvel, na cidade de João Pessoa, Paraíba.

Em Santa Cruz do Capibaribe, Pernambuco, onde nascera a 11 de julho de 1958, fez seus primeiros estudos; em Recife, o Colegial; e diplomou-se na capital paraibana, em julho de 1983.

Seus pais Severino Monteiro da Paixão e Maria do Carmo Gonçalves Monteiro; irmãos, e muitos familiares, residem, até hoje, em Santa Cruz do Capibaribe.

Balsamizando a dor dessa brusca separação, o próprio Dr. Silvio Romeno, em Espírito, comunicou-se com os familiares, em carta elucidativa e consolados, um ano após o acontecimento. Assim, numa nova noite de julho - agora de júbilo e paz -, aproveitando a presença do casal amigo e conterrâneo Assis e Dora, na reunião pública do GEP, em Uberaba, aos 4 de Julho de 1987, ele testemunhou a sua imortalidade, pela psicografia de Chico Xavier, portando um dos maiores galardões que uma criatura pode aspirar neste mundo de provas e expiações em que vivemos: a consciência tranqüila.

Mensagem
Prezados amigos Assis e Dôra,

Jesus nos abençoe.

Sei que esperam por minhas notícias, a pedido de minha querida mãe e de meu pai Severino, e rogo-lhes sossegar-lhes o coração com a certeza de que estou convenientemente amparado em minhas melhoras crescentes.

Infelizmente, o projétil que me foi atirado alcançou o alvo, e não pude reter a mim próprio no corpo, que em perdas de sangue exauria.

Sabem que lutei muito para conseguir o título que me conferia os deveres da Medicina, e desde Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, sonhava com a missão de médico; entretanto, em me buscando para Nova Vida, a Bondade Infinita de Deus não me deixar aqui sem trabalho, não só porque a Divina Providência é a magnanimidade em si mesma, e sim também porque me encontrei com vários colegas que comunicaram que no Plano Espiritual existem mais doentes do que na própria Terra.

Estou diligenciando esforços para recuperar as minhas faculdades naturais e conto com a possibilidade de retornar às minhas tarefas mais cedo do que me seria licito esperar.

Peço-lhes dizer à mamãe que voltei à Vida Nova, que presentemente estou fruindo, de consciência tranqüila.

Possuía, em João Pessoa, a jovem que aspirava a adquirir por esposa, e estava a reconduzi-la para casa quando, ao voltar para o meu recanto, fui assaltado por irmãos infelizes que me alvejaram e tomaram o carro à força, sem que eu pudesse me defender.

Lembrei-me, porém, das velhas e sempre novas orações que minha mãe me fazia repetir todas as noites, em criança, e deixei o corpo entre a esperança em Deus e a saudade do lar.

Estou bem. Estejam tranqüilos.

Agradeço aos irmãos Dora e Assis que se farão, por bondade os intérpretes de minhas notícias, e se tenho algo a pedir aos queridos pais, rogo para que os nossos irmãos assaltantes não sejam incomodados por minha causa. Eles já trazem consigo a dor do arrependimento tardio, e bastará viverem para que reconheçam o que sofri, e o que outros amigos poderão sofrer ainda com a lamentável atuação deles. Ninguém precisará vingar-se. A culpa é um aguilhão permanente no espírito, obrigando os culpados a se sentirem presos à lembrança das próprias vítimas.

Desejo a todos os familiares muita tranqüilidade, e beijando as mãos dos pais queridos, que tudo fizeram em meu beneficio para que os meus ideais fossem realizados, pede a Deus os recompense o filho dedicado que lhes envia o coração reconhecido,

Silvio.

Silvio Romero.


Notas e Identificações
1 - amigos Assis e Dôra - O casal Dr. Francisco de Assis Silva e Dra. Maria Auxiliadora Moraes e Silva - Assis e Dôra na intimidade -, atualmente residentes em Araras, SP, foram seus amigos de infância em Santa Cruz do Capibaribe.

2 - a pedido de minha mãe e de meu pai - De fato, Dá Maria do Carmo telefonou aos amigos de Araras, bem mais próximos de Uberaba, para que lá comparecessem na esperança do filho enviar-lhe notícias escritas.

3 - que em perdas de sangue exauria - Realmente, os ferimentos provocaram grande perda de sangue.

4 - Sabem que lutei muito para conseguir o título - "Para concluir o curso de medicina, realmente houve um grande esforço por parte de Silvio, que procurou realizar o curso no menor espaço de tempo possível. Para tanto, estudou várias disciplinas em períodos de férias, já que pretendia realizar com brevidade o sonho de ser médico." (Dá Maria do Carmo)

5 - me encontrei com vários colegas que comunicaram que no Plano Espiritual existem mais doentes do que na própria Terra. - Esta informação é confirmada por muitas outras mensagens do Além.

6 - Lembrei-me das velhas e sempre novas orações que minha mãe me fazia repetir todas as noites. - Dá Maria do Carmo contou-nos que todos os filhos, desde pequenos, foram educados para orar antes de dormirem.

7 - Ninguém precisará vingar-se. - A família não pretende vingança e aguarda a elucidação do caso, pois os assaltantes ainda não foram localizados.

Kleber Silveira de Souza
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"Mamãe, não era a moto que eu amava mais"

Órfão de pai desde os 2 anos de idade, o jovem Kleber, de 21 anos, era o filho único de Dá Zita, quando desencarnou em acidente de moto. Esse doloroso e inesperado desenlace ocorreu numa tarde de domingo, dia 10 de outubro de 1982, em Porto Alegre, RS, onde residida, deixando "um grande vazio, uma solidão plena de saudade" no coração da progenitora, conforme suas próprias palavras.

Dá Zita declarou-nos, ainda, que "apesar desse vazio imenso, de toda a minha dor pelo impacto do acontecimento, encontrei forças na minha fé e na certeza de que a vida continua. Esta certeza se fortaleceu quando compareci à reunião de Chico Xavier, em Uberaba, a 8 de setembro de 1984, e tive a graça de receber a mensagem de Kleber, muito linda e afetuosa. Ela é um Poema de Amora"

Kleber era muito apegado à moto, mas ao ler sua carta chegaremos facilmente à conclusão de que, de fato, não era a moto que ele amava mais...

Mensagem
Querida mamãe Zita, peço a sua bênção.

As horas passam e os dias vão correndo no rio do tempo, mas, efetivamente, que força poderá separar-nos?

Mamãe, esta frase longa é para dizer-lhe que continuo mais unido ao seu coração hoje, mais do que em outro tempo. Ninguém me impediria de não esquecê-la. Por isso, a moto foi apenas uma desculpa a fim de que eu voltasse à Vida Maior.

Sofri muito nos primeiros dias de ausência e o meu pai Higino é testemunha disso. Sempre acreditei que viveria ao seu lado, amando-a sempre, porque em seu carinho eu dispunha de todos os tesouros com os quais se pode sonhar.

Muitas vezes, quando me afastava para ver o poente no Guaíba, pensava em Deus, diante do Sol, iluminando as águas, e pedia a Ele não me retirasse a sua presença e o seu amor, de vez que sem eles, estaria plenamente desajustado para continuar vivendo.

Com a moto, o meu templo de fé sempre foi a Natureza, porque nas asas dela me via transportado para qualquer setor de nossa querida cidade de Porto Alegre.

Se via jardins, mentalizava-me a oferecer-lhe as flores mais lindas, ou se, à noite, fitasse as estrelas, mais longe da agitação e do movimento, deixava-me perder no desejo de colher alguma para brindar-lhe o coração.

Mamãe Zita, não era a moto que eu amava mais. Meu amor maior foi sempre o seu coração palpitando no meu.

Roguei tanto a Deus para que não a chamasse, deixando-me a sós com a vida; entretanto, os desígnios do Pai Celestial eram outros. Fui eu a voltar, sem a menor idéia disso.

Mas saiba que estou melhorando com a proteção de muitos amigos, que são companheiros de meu pai e do meu bisavô Silveira, de quem venho recebendo muita assistência e muito apoio. E, quanto mais consigo melhorar-me, estarei mais perto de sua presença a fim de não interrompermos a nossa felicidade.

Peço-lhe alegria e esperança. Existem muitos outros jovens com nomes diferentes do meu; no entanto, iguais a mim na necessidade de carinho e compreensão.

Mãe, não permita que a tristeza lhe bata à porta. Considere quão feliz somos em nossa confiança em Deus e coloquemos essa bênção em nossos corações de maneira positiva, trabalhando e servindo aos que se encontram em dificuldades maiores do que as nossas.

Em nosso recanto da Avenida Bento Gonçalves estamos sempre juntos. Fale-me em nossas lembranças de sua alegria, para que seu filho esteja mais alegre, e recorde que Deus está presente em nosso afeto, balsamizando-nos a vida. Não creia que perdi o endereço: Avenida Bento Gonçalves, 2199, no recanto número 231. Veja que a minha memória está funcionando em sintonia com a minha saudade.

Sei dos sacrifícios que fez para vir até aqui; no entanto, peço a Jesus para que esses sacrifícios sejam abrilhantados pela alegria e pela esperança. Um dia, quem sabe? poderei escrever-lhe de novo, talvez aqui mesmo. E até que isso aconteça, conforme os meus anseios, conserve em seu coração querido os muitos beijos do seu filho, sempre o seu companheiro do coração,

Kleber

Kleber Silveira de Souza




Da Carta psicografada de Kleber Silveira de Souza, esta é a página de número 16, que diz: "Avenida Bento Gonçalves, 2199, no recanto número 231. Veja que a minha memória está funcionando em sintonia com a minha saudade. Sei do sacrifício (...)"
Notas e Identificações
1 - Mamãe Zita - Dá Zita Silveira de Souza, residente em Porto Alegre, à Avenida Bento Gonçalves, n° 2.199, apartamento 231.

2 - meu pai Higino - Higino Silveira de Souza, desencarnado em Porto Alegre, a 24/01 / 1964.

3 - Guaíba - A capital gaúcha situa-se à margem do rio Guaíba.

4 - meu bisavô Silveira - Amândio Silveira, desencarnado em Lagoa Vermelha, RS, há mais de 60 anos.

5 - nossa querida cidade de Porto Alegre. (...) Avenida Bento Gonçalves, 2199, no recanto número 231. - Endereço corretíssimo.

6 - Kleber Silveira de Souza - Nasceu em Porto Alegre aos 18/8/1961. "Meu filho tinha muito amor à vida e buscava todas as emoções que ela oferece."




Antônio Martinez Collis
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"Peço-lhes perdão para os meus opressores"


A seis meses da sua formatura em engenharia química, pela Faculdade Osvaldo Cruz, de São Paulo, Antônio Martinez Collis, de 24 anos, foi atingido por um projétil fatal disparado por assaltantes. O fato deu-se na própria Capital paulista, onde residia, às 12:35 h de 24 de outubro de 1984.

Porém, no início do ano seguinte, já revelando grande compreensão das leis da vida, ele mesmo, do Mundo Maior, transmitiu aos queridos pais e à namorada palavra de reconforto e bom ânimo, esperança e fé, enfatizando a necessidade de "aprendermos, nós todos, a desculpar os infelizes atacantes."

"Os nossos destinos de criaturas humanas se parecem, a meu ver, com as ondas do oceano, que se fazem e se refazem constantemente." "Chegará um dia em que nos reuniremos todos num mundo sem adeus e sem morte." "Tudo, entendo agora, é questão de tempo na vida e paciência em nós." "Com a oração adquiri forças." - São pensamentos de um jovem inteligente e amadurecido, destacados de sua carta psicografada a 15 de fevereiro de 1985, que nos levam à meditação em face dos graves problemas existenciais que nos interessam a todos.
Mensagem
Querida Mãezinha Neusa e meu querido pai abençoem-me.

Ainda me sinto chocado com o assalto de que a Jane e eu fomos vítimas. Esperávamos o documento de que precisava e dialogávamos com alegria, quando os nossos irmãos infelizes nos intimaram de armas na mão. Por que estranhasse em voz alta aquela violência toda, o tiro partiu de um deles, alcançando-me um vaso importante ao longo da garganta e atravessando-me uma das vértebras, varando tecido delicado da medula.

Num relance, compreendi tudo, enquanto os assaltantes fugiram depressa, naturalmente receando represálias por parte de amigos que, de imediato, nos chegaram. Quis falar a Jane e fazer algumas recomendações, porque não me enganava quanto ao meu estado orgânico, mas foi impossível.

Conduzido ao socorro, ainda pude notar o olhar de comiseração dos médicos e amigos; no entanto, o meu pensamento esmoreceu no cérebro e dormi pesadamente no chamado torpor da morte.

Não sei precisar o tempo gasto no desmaio em que eu era visitado por pesadelos e mais pesadelos, quando despertei num lugar aprazível, cercado de árvores que o vento leve ensinava a cantar, qual se eu voltasse a ser criança embalada para o descanso.

Uma senhora, velava ao meu lado e, depois de mobilizar com muita dificuldade os recursos da fala, perguntei quem era para dispensar tanta bondade e em que casa de recuperação me achava, já que me lembrava claramente do projétil que me alcançou.

Cuidadosamente ela me disse que eu poderia chamá-la por vovó Maria Del Carmem e, sem alarme, fez-me sentir que meu corpo fora trocado sem que eu percebesse.

As belas palavras que ela pronunciava enfeixam a imagem da separação pela morte do corpo físico e chorei muito. Os meus sonhos de penetrar os domínios da Química e desposar a querida Jane estavam desfeitos.

Ainda assim, aquela devotada benfeitora me conduziu à oração, e repetindo petições e preces, adquiri forças para regressar à nossa casa e verificar a extensão dos sofrimentos a que involuntariamente dera causa.

Agora, depois de tantas semanas de esforço e luta para aceitar a compreensão da vida, peço-lhes perdão para os meus opressores, pedido que estendo à nossa querida Jane, a quem Jesus concederá a felicidade que ela merece.

Mãe Neusa, auxilie a nossa querida Jane a viver. Estamos hoje em faixas diferentes de vida, mas a vida nos trará o reencontro algum dia.

Os nossos destinos de criaturas humanas se parecem, a meu ver, com as ondas do oceano, que se fazem e se refazem constantemente.

Chegará um dia em que nos reuniremos todos num mundo sem adeus e sem morte.

Tudo, entendo agora, é questão de tempo na vida e paciência em nós.

Agradeço à nossa querida Jane quanto fez por mim nas horas rotineiras da existência, e especialmente naqueles momentos de término do corpo, de que me orgulhava tanto para trabalhar e aperfeiçoar os meus conhecimentos no futuro. Que a nossa Jane continue valorosa e paciente, e que nós todos aprendamos a desculpar aos infelizes atacantes.

Mãezinha Neusa e meu querido pai, a todos os nossos as minhas lembranças indiscriminadamente, porque o tempo de que disponho é demasiado curto e não quero cometer omissões na escrita vertiginosa a que a vovó Maria Del Carmem me convida.

Quisera algo possuir que me expressasse o reconhecimento e o amor, mas, à vista de minha carência de quaisquer recursos para ofertar-lhes hoje o que desejo, entrega-lhes a própria alma saudosa e ainda dolorida pela separação forçada, o filho amigo e companheiro que tanto lhes deve e que pede a Deus envolvê-los na luz da felicidade para hoje e sempre,

Tico


Antônio Martinez Collis
Notas e Identificações
1 - Querida Mãezinha Neusa e querido pai - Casal Antônio Collis Júnior e Neusa Martinez Collis, residente em São Paulo, SP.

2 - Jane - Namorada.

3 - Vovó Maria Del Carmem - Bisavó materna, desencarnada em 10/6/1967, em São Paulo.

4 - fez-me sentir que meu corpo fora trocado sem que eu percebesse. - Abandonando o corpo material pelo fenômeno da "morte", ou melhor, desencarnação, Tico se apresenta, agora, em outro plano vibratório, com seu corpo espiritual ou perispírito.

5 - Antônio Martinez Collis - Tico, na intimidade, nasceu em São Paulo, a 13/7/1960.


Laurinete Aparecida Duarte
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"Para dar continuidade à minha evolução, espero voltar para a terra"

Ninguém poderia imaginar que a jovem Laurinete Aparecida Duarte, com seus exuberantes vinte anos, não resistisse a uma pequena cirurgia plástica. E o inesperado aconteceu, para espanto e desespero de sua família.

Ela havia sofrido, um ano antes, um acidente, deixando-lhe pequena marca na face; a solicitar uma intervenção restauradora.

Após permanecer quatro dias em coma, Laurinete desencarnou, na própria cidade onde residia, Curitiba, Capital paranaense, aos 24 de março de 1986.

*

Seus pais, Morethezon Alves Duarte e Delair Duarte, inconsoláveis, se deslocaram várias vezes, de Curitiba a Uberaba, em busca de conforto e paz. Na quinta viagem, em 24 de outubro de 1987, receberam afetuosa e elucidativa carta da saudosa filha, caracterizando uma "dádiva de Deus", na afirmativa da progenitora.



Ela ainda nos disse "as palavras de nossa filha foram um bálsamo para nosso sofrido coração, transformando a revolta em aceitação dos desígnios da Vida Maior."

Na mensagem, Laurinete, revelando-se consciente e bem orientada na atual situação espiritual, idealiza uma próxima reencarnação, afirmando que "para dar continuidade à minha evolução, espero voltar para a Terra."


Mensagem
Querida Mãezinha Delair e querido papai Morethezon, peço a Jesus abençoar-nos.

Este é um comunicado rápido para notícias. Já sofri bastante para entender a Nova Vida. Na passagem, notei, através de uma cortina de névoas, o sorriso de uma senhora que me pedia esperança e coragem. Notei-me dividida entre o desejo de ficar ou de ir ao encontro da senhora que me esperava, sem que eu pudesse retransmitir qualquer coisa dos casos tristes que eu via.

Mamãe compreenderá o que se passava comigo. Sentia-me uma tanto arrependida de haver provocado a intervenção no rosto, mas o amor por minha querida mamãe era sempre maior.

Uma força, que eu não sei deduzir em palavras, me atraía para a senhora que me dizia ser a minha bisavó Júlio, e eu não resisti. O corpo não me oferecia condições para não aceitar a mudança. Cedendo ao carinho de nossa Júlio, busquei interessar-me por ar e meu peito estufou-se; num relance, acompanhei os passos dela, que me sustentava, e em minhas lágrimas dei vazão à minha dor no mesmo instante.

Mãe, a princípio sofri muito, mas com o encaminhar dos primeiros dias fui sendo beneficiada pelas muitas preces da vovó Júlia. Acalmou-se o coração estraçalhado de dor com a nossa separação.

A querida benfeitora Júlio me dizia palavras de encorajamento, aconselhando-me calma e coragem, em nosso beneficio. Aprendi a calar-me e isso produziu algum resultado.

Venho pedir-lhe conformação e esperança, e sobretudo rogar ao papai e a meu irmão para que nada reclamem, pois tudo passa, como já está passando o meu sofrido caso.

Por esta razão é que teremos de aprender.

Estou me esforçando para voltar à existência física. Para dar continuidade à minha evolução, espero voltar para a Terra. Tenho pedido a Deus paciência e serenidade para então marcharmos a uma escola de refazimento. Meu Deus, auxiliai-nos a dar amor, é isto que Vos peço, é assim que aprendi, certa de que voltarei.

Passo a reduzir minhas impressões para não cansá-los, mas peço-lhe Mãezinha, com todo o meu coração, não se desesperar com lágrimas que nos lançam os corações, pois preciso da sua coragem e da sua bondade, alma corajosa e boa, abreviando-me o tempo aqui, embora tudo transpire beleza e vovó Júlio represente a querida família.

Mãe, não chore com desespero no coração. Jesus não nos abandona e espero para breve continuar a ser a sua companheira.

Meu abraço ao Jeco e aos nossos amigos. E você, querida mãe dela, ao fim de minhas provas passageiras estaremos de volta para nosso convívio feliz.

Meu respeito ao papai Morethezon e para você, querida mãezinha, tão doce no lar que é o nosso lar, muito carinho e saudades da filha que traz o coração unido ao seu. Como sempre serei e sou a sua Lauri, para prosperarmos no encalço do aperfeiçoamento espiritual que nos convidará a servir muito.

Não posso escrever mais. Para você, Mãezinha, as saudades no ramalhete de flores que hoje lhe envio, com todo carinho e as muitas saudades do coração da sua Lauri.

Muitos beijos da filha reconhecida,

Laurinete da Silva Duarte.


Notas e Identificações
1 - sem que eu pudesse retransmitir qualquer coisa dos casos tristes que eu via. - Refere-se ao período de quatro dias que esteve hospitalizada e inconsciente (em coma). Sua visão era espiritual, em desdobramento, sem condições físicas de transmitir essas impressões.

2 - bisavó Júlia - Desencarnada em 04/3/ 1959. Laurinete desconhecia seu nome, pois sempre, em família, chamavam-na de Nona.

3 - espero para breve continuar a ser a sua companheira. - A idealizada reencarnação de Laurinete permitirá que ela volte ao seio da família que deixou na Terra.

4 - Jeco - Apelido que ela usava para com seu irmão Jefferson Duarte.

5 - sua Lauri - Forma com que ela assinava seus bilhetes e cartas familiares.

6 - no encalço do aperfeiçoamento espiritual que nos convidará a servir muito. - Declaração de Dá Delair: "A partida de Lauri transformou minha vida, fazendo-me despertar para a vida espiritual. E, conseqüentemente, trabalho para os menos favorecidos em sua homenagem."




Carlos Alberto Gonçalez

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"Peço-lhes não desprezarem a moto que me

fez o veículo da viagem final"

Carlos Alberto Gonçalez era um apaixonado e grande defensor de motos. Sempre mudando de máquina, para melhor e mais sofisticada, já estava com a sua oitava moto, quando foi acidentado fatalmente.

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