Gratidão e paz francisco candido xavier hércio marcos c. Arantes espíritos diversos sumário



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Apaguei-me por dentro de mim própria, e sei apenas que acordei num aposento arejado e confortável, supondo-me hospitalizada na Terra mesmo; entretanto, a senhora que velava comigo, recebeu minhas perguntas ansiosas com tamanha paciência, que ali mesmo à frente dela, me reconheci numa outra existência, ou vitimada por algum acesso de alienação mental que me deixou atônita e infeliz...

Pouco a pouco, no entanto, aquela criatura meiga e tolerante, me recomendou chamá-la por vovó Vicência, e compreendi, num relance que me achava ausente da vida física.

Perguntei pelos pais queridos, por nossa querida Carla, e pelo nosso amigo Vanderley, e a todas as minhas inquisições, a vovó Vicência me forneceu minuciosas e amplas respostas.

Compreendo mãezinha querida, que já choramos em excesso e peço-lhe continue a me auxiliar com os pensamentos de paz e fortaleza de espírito.

Desnecessário dizer ao seu carinho, que já tomei consciência da posição da querida filhinha e do vazio que ela deixou em nosso ambiente. Reconheço, no entanto, que não nos seria lícito retirar do Francisco o direito de retê-la na condição de pai, já que a nossa vida em comum no casamento não mais me fora possível. A separação se consumara e rogo-lhe aceitar comigo o novo sistema de relacionamento que nos foi imposto. Peço-lhe, tanto quanto ao papai, não se desinteressarem da filhinha querida que lhes deixei por neta do coração, e pedirei a Jesus para que o Francisco nos entenda a saudade, e não se oponha ao relacionamento mais íntimo.

O desquite é uma espécie de conta interrompida, porque por mais que a gente procure esquecer isso ou aquilo, o filho ou os filhos, são vínculos da vida que não desaparecem. Hoje não sei se ofendi ao companheiro amigo, que um dia recebi por esposo, ou se ele experimenta a mesma dúvida que me aflora ao pensamento, mas se o nosso amigo conserva qualquer lembrança negativa a meu respeito, por dentro de mim rogo a ele que me considere liberada de qualquer falta involuntária.

O tempo fará uma compressa de esquecimento e tolerância recíproca nos corações machucados pela vida, ou feridos por nós mesmos, e Deus abençoará a nossa Carla para que ela cresça risonha e feliz.

Querida mãezinha Nélida, sei que o nosso irmão Vanderley foi acolhido por generosos parentes da família Flores, e espero que esteja mais forte do que eu própria, que ainda convalesço um tanto quanto vacilante, controlada pelas rédeas de minhas próprias lembranças dos pais queridos, da filhinha inesquecível e dos laços afetivos que deixamos sempre na retaguarda, quando a separação aparece. Agradeço, mamãe, suas preces em meu favor, e estou no propósito de melhorar-me na renovação espiritual, a fim de lhe ser útil.

Para as mães os filhos são sempre jóias no cofre da alma, no entanto, pelas inquietações que lhe causei, peço-lhe que me perdoe, abençoando-me sempre. Quando a oportunidade surgir, beije nossa Carla por mim, e diga ao papai do meu reconhecimento de todos os instantes.

Não veja tristeza em minhas frases; estou consciente e íntegra, em meu otimismo e em minhas esperanças de que dias futuros serão melhores para nós.

Mãezinha querida, com todo o seu amor, reaqueça o coração de sua filha que ainda não se habituou com a idéia de que nos achamos distantes uma da outra.

Abraçe-me, mãe querida, e diga que me ama, porque fora de sua abnegação não encontro agora mais fortes motivações com a vida.

Conserve-me em seu caminho iluminado de perdão, e receba muitos beijos de sua filha, sempre sua

Maria Cecília


Notas e Identificações

1 - papai Osvaldo - Osvaldo Ferreira, pai.

2 - amigo Vanderley - Ultimamente, Maria Cecília vivia em companhia de Vanderley Flores Arrojo, desencarnado no mesmo acidente, na Capital paulista.

3 - um choque tremendo nos estonteou a cabeça... - Na Radial leste, da Capital paulista, o seu automóvel juntamente com outros dois ou três veículos, foram atingi-los por um caminhão desgovernado, que entrou em pista contrária.

4 - vovó Vicência - Vicência de Jesus, bisavó materna, desencarnada em São Paulo, a 27/5/1937.

5 - querida Carla - Carla Ferreira de Mendonça, filha, atualmente com 10 anos. Estava no carro com sua mãe, no dia do acidente, mas não apresentou lesões muito graves, permanecendo hospitalizada por alguns dias.

6 - Francisco - Ex-marido.

7 - pedirei a Jesus para que o Francisco nos entenda a saudade - O relacionamento familiar é bom. Atualmente, Carla reside com a madrinha e tia materna Ana Maria, mantendo contato, quase diário, com os avós maternos.

8 - O desquite é uma espécie de conta interrompida - Em face da lei da Ação e Reação, ou Carmica, à luz da reencarnação, esta frase encerra profunda sabedoria, em concordância com esclarecimentos de Benfeitores Espirituais, dentre eles Emmanuel, que respondendo à pergunta: "Existem casos francamente insolúveis nos casamentos desventurados; não será o divórcio o mal menor para evitar maiores males?", assim a elucidou: "Muitos dizem que o divórcio é válvula de escape para evitar o crime e não ousamos contestar. Casos surgem nos quais ele funciona, por medida lamentável, afastando males maiores, qual amputação que evita a morte, mas será sempre quitação adiada, à maneira de reforma no débito contraído." (Leis de Amor, médiuns F. C. Xavier e W. Vieira, Edições FEESP, S. Paulo, 12ª ed., 1988, cap. IV, q. 8.)

9 - Maria Cecília Ferreira - Nasceu em São Paulo, a 12/4/1958. Nas atividades escolares, sempre se destacou pela sua inteligência e liderança. Era formada em decoração pelo Colégio São Vicente de Paulo. Já casada, fez curso de desenho na Escola Pro-Tec.

10 - PREMONIÇÕES - Dois meses antes do acontecimento, Dª Nélida sonhou que perdeu num acidente dois familiares (pai e marido) e viu uma criança envolvida em gaze, pedindo socorro. Após o acidente real, visitou Carla no hospital, toda enfaixada e suplicante: "- Fica comigo, vovó!", com impressionante semelhança com o sonho. Ela já teve outros sonhos caracterizando pressentimentos. Na véspera do acidente, 5ª feira, os "sintomas premonitórios" foram intensos. Dª Nélida amanheceu angustiada e melancólica sem nenhum motivo. À tarde, quando esteve em Santos, chorou muito. Na 6ª feira, pela manhã, Maria Cecília combinou com sua mãe para deixar Carla consigo, depois das 18 horas, com vistas a um compromisso à noite. Porém, surpreendentemente, compareceu às 12,40 horas, "só para ver a mãe". Estava com Carla, mas não quis deixá-la, apesar da sugestão de Dª Nélida, prometendo voltar mais tarde, como havia combinado naquela manhã. "Neste encontro inesquecível, trocamos olhares prolongados; ao sair, Cecília parou na porta e ainda voltou, e nos abraçamos longamente. Disse-lhe, acariciando seus cabelos: - Filha, eu te amo tanto. E ela respondeu-me com essas mesmas palavras. Chorei muito, inexplicavelmente, após essa despedida. Nunca poderia imaginar que estava, de fato, materialmente, despedindo-me de minha filha para sempre. Ela saiu de casa as 13 e o acidente ocorreu às 14,30 horas." Entendemos que essas abençoadas premonições, supervisionadas por Benfeitores Espirituais, sob o manto da Justiça e Misericórdia Divinas, prepararam o íntimo de Dª Nélida, amortecendo o impacto da dura provação que a aguardava.


Júlio César C. da Silveira

13
Venho pedir o seu perdão para minha falta grave


 

Júlio César era o filho único do primeiro casamento de Dª Arina Cardoso da Silveira, residente em Criciúma, Santa Catarina. Estudioso, concluía o 2º Grau; e trabalhava, à tarde, num Laboratório de Análises Clínicas. Vivia em harmonia com a família: a mãe; o padrasto Alvim da Silveira, considerado por ele como "pai amigo"; e os irmãozinhos André e Rodrigo.

Assim, ao pôr termo à vida física, com um projétil de revólver, em 24 de junho de 1986, poucos dias depois de completar 17 anos, surpreendeu profundamente toda a família e seus amigos.

Quase dois anos após esse doloroso acontecimento, Júlio César voltou a dialogar, em esclarecedora e amorosa mensagem psicográfica, com sua progenitora, que comparecia, na noite de 27 fevereiro de 1988, pela terceira vez, à reunião pública do GEP.

Dias antes, Dª Arina teve um sonho nítido com o médium Chico Xavier, e decidiu viajar urgentemente, de Santa Catarina a Uberaba, superando vários empecilhos, entendendo que o sonho se lhe revelava que era a hora do filho querido comunicar-se... E ela estava certa.

Mostrando-se humilde e arrependido, o jovem relata, em páginas de dura realidade, a dolorosa situação em que se encontrou na Vida Maior, após o suicídio, transmitindo valiosa experiência a todos nós, e exclama à sua mãe, numa súplica comovente: "Ah! Mamãe Arina, perdoe-me."


Mensagem
Querida mamãe Arina.

Peço-lhe me abençoe.

Ainda me vejo no centro dos resultados infelizes do gesto com que me retirei da vida física, sem esperar pelos Desígnios de Deus.

Depois daquele fim de junho em que a imaturidade me tomou o espírito, armando-me com o projétil que usei contra mim próprio, não sei dizer a extensão de minhas ansiedades. Estava, de minha parte, na condição do rapaz menino, derrotado pelo sofrimento; e associando-me à sua dor de mãe que indagava o porquê do meu gesto desesperado, os meus conflitos eram visões arrasadoras.

Ah! Mamãe Arina, perdoe-me.

Ninguém precisa reprovar a criatura que se mergulha nas sombras do suicídio, porque essa criatura já possui, por si mesma, um monte de amarguras para se sentir nos caminhos dolorosos da corrigenda, com o remorso a lhe pesar na consciência. O que sofri, logo após o meu desenlace, é alguma coisa que me escapa ao propósito de interpretação.

Tomei conhecimento de mim próprio, depois de longos pesadelos em que me mantinha no comportamento dos loucos.

Um dia, não sei depois de quantos dias, senti que a minha consciência despertava, talvez mais viva.

Pude, no entanto, ouvir aquela alma santa que se me deu a conhecer por Tereza, a minha bisavó, hoje minha benfeitora e enfermeira a fazer-me reconhecer que Deus existe nos corações afeiçoados na abnegação e no sofrimento. Venho até aqui em companhia dela, pedir o seu perdão para minha falta grave. Sei que entidades infelizes tiveram muita participação em meu problema triste, mas não desejo inculpar senão a mim mesmo, porque a vida é uma bênção de Deus, e nos cabe a obrigação de esperar por Deus para deslocá-la de uma situação para outra.

Peço-lhe perdão, sem me esquecer de fazer idêntica rogativa ao meu pai amigo Alvim e aos meus irmãos André e Rodrigo. Se pudesse desejaria pedir a todos os amigos, e até mesmo aos objetos de nossa casa, me desculparem o erro cometido.

Rogo ao seu carinho de mãe, conversar com a nossa Ângela, dizendo-lhe que não a esqueço e lastimo a compulsão de que fui vítima, num momento em que eu tanto precisava continuar vivendo em minha existência de menino.

Querida mamãe, agradeço o seu auxílio, amparando-me indiretamente ao fixar-se no trabalho de assistência da Seara de Jesus que, em Criciúma, é a presença de Cristo, tomando-nos pelas mãos a fim de guiar-nos na direção dos asilos da paz.

Sei que errei e compreendo que sou punido por mim próprio, mas não estou sem esperança. Deus retira novos rebentos das árvores decepadas e faz nascer, no pântano, os lírios que enfeitam a lama com a brancura dos lírios de neve.

Mãe querida, não me pergunte a razão ao ato tresloucado a que me entreguei. Ainda não tenho os pensamentos equilibrados a fim de estudar o meu próprio flagelo íntimo. E creia que a Ângela não terá sido a causa do meu desequilíbrio. Por muitos dias, senti-me dominado por uma vontade muito superior à minha, e tudo planejei precipitadamente para não adiar e nem falhar naquele gesto infeliz.

Mãe Arina, perdoe-me se não procurei ver os seus exemplos de paciência e coragem diante da vida. Graças a Deus, sinto-a sob o amparo de nosso Alvim, a quem amo qual se fosse meu próprio pai, e peço a Deus para que os meus irmãos André e Rodrigo não me sigam na estrada espinhosa na qual eu me debato.

Embora as minhas tribulações, lembro-me de que o aniversário do Rodrigo está próximo, e rogo à sua bondade abraçar por mim o querido irmão.

Venho melhorando em meus conhecimentos nas suas horas de dedicação aos necessitados na Seara. Que eu possa ampliar as minhas experiências e aprender a servir como devo.

Estou ainda nas forças de minha bisavó Tereza e não sei onde estarão as minhas, porque, desde a minha conscientização, estou um bagaço de fraqueza e sofrimento. Peço ao seu carinho continuar amparando-me em suas orações, porque as orações das mães crucificadas pelos filhos no madeiro da provação, através da imensidão do Espaço, chegam a Deus para que a misericórdia do Pai, de Infinita Bondade, recolha em seu manto de luz os filhos ingratos que não souberam ou não quiseram viver.

Mãe querida, estas são as minhas palavras. Se puder servir como súplica de um filho transviado, receba o cálice de fel que lhe trago, com a esperança de que Deus me restaurará o coração para aceitar a obediência e o arrependimento na condição de agentes de minha própria renovação.

Quisera escrever muito ainda, mas, apenas diria mais amplamente a dor que ainda me faz tão desvalido de qualquer recurso que signifique encorajamento ou consolação.

Mãe Arina, meu abraço ao meu segundo pai e a meus irmãos. E colocando-me de joelhos para rogar-lhe perdão por minha falta, espero, um dia, ser novamente digno de seu carinho e dedicação.

Isto é tudo o que posso dizer, entregando-lhe o coração de seu filho que a dor vem burilando para que eu seja realmente o seu filho da alma, sempre o seu

Júlio César.
Júlio César C. da Silveira, porque este é o nome verdadeiro que me vai no coração.

Escrevo assim, mas nada tenho contra o pai Moretti que é também filho de Deus, como nos acontece.

Júlio César.
Notas e Identificações
1 - bisavó Tereza - Desencarnada em 28/4/1983.

2 - Ângela - Amiguinha que ele amava.

3 - mamãe, agradeço o seu auxílio ao fixar-se no trabalho de assistência da Seara de Jesus - "Sentia-me no fundo do poço. Mas, quando uma voz soou em meus ouvidos, dizendo: 'Centro Espírita' (...) decidi abraçar a Doutrina Espírita com muita fé e muito amor, pois tenho certeza que foi ela que me salvou, tirando-me das trevas para enxergar a verdadeira luz, Graças a Deus." (Palavras de Dª Arina, em carta, a nós enviada, de 04/7/1988.)

4 - pai Moretti - Progenitor.

5 - Júlio César C. da Silveira - Aqui ele substitui o seu sobrenome pelo do padrasto, Sr. Alvim da Silveira.


Álvaro Júlio Belchior da Fonseca

14
Eu também não acreditava na

possibilidade de que me vejo favorecido
 

Acometido de fortes dores de cabeça, Álvaro Júlio, de 27 anos, foi hospitalizado com suspeita de meningite. Porém, os exames revelaram rotura de um aneurisma cerebral, patologia que o levou à desencarnação, dias depois, na manhã de 27de abril de 1985.

Residia em São Paulo, Capital, com sua esposa Elizabeth Navas da Fonseca e os dois filhos Rafael e Marcelo, na época, com 4 e 2 anos respectivamente.

Sua consoladora mensagem, psicografada em Uberaba, na noite de 12 de julho de 1985, apenas 10 semanas após o desenlace, deu novo ânimo aos familiares. Ao escrevê-la, revelou surpresa ao poder comunicar-se com os entes queridos que deixou na Terra, afirmando que "a morte para mim era um sopro de cinzas no cenáculo da Natureza."

Tal afirmativa não surpreendeu a família; ao contrário, está perfeitamente de acordo com o pensamento dele, sobre essa questão, quando encarnado, assim definido pelo seu progenitor: "Por mais que ele lesse ou ouvisse palestras sobre o Outro Lado da Vida, pairava sempre, dentro dele, uma fagulha de incerteza."

 

Mensagem


Querida Mãezinha Celeste e meu querido papai Fernando. Querida Elizabeth, querida Solange e prezado Orlando, e irmãos queridos. E não desejo esquecer nesta saudação o nosso Rafael, o nosso Marcelo e a nossa Priscila.

Estou na condição de um viajante que saiu de casa inesperadamente e volta, sequioso do ambiente familiar, e consegue encontrá-los num recanto de paz, onde amigos da fraternidade nos recebem afetuosamente.

Não era meu intuito escrever-lhes, porque o ânimo ainda me falta, diante de um cometimento desses, mas ao vê-los, os meus entes queridos que se encontram perto de mim e os outros que se acham mais longe, enterneci-me a ponto de solicitar aos diretores desta casa a devida permissão para transmitir-lhes as minhas notícias.

Querido Papai Fernando, veja comigo que eu também não acreditava na possibilidade de que me vejo favorecido.

A morte, para mim, conquanto, as tintas religiosas com que freqüentemente era compelido a colorir as palavras, era um sopro de cinzas no cenáculo da Natureza. O homem? No íntimo, admitia fosse a criatura humana simplesmente pó, retornando à poeira de origem. Entretanto, acordei aqui na Vida Espiritual sob a proteção de uma Maria Santa, a vovó Maria de Jesus, benfeitora infatigável que me enxugou as lágrimas, quando me vi sem a família, cujo amor cultivava, contudo o que eu possuísse de melhor.

O princípio dessa jornada foi evidentemente inquietante. Deixara a esposa querida e os nossos meninos sem maiores recursos, e isso me afligia. Entretanto, a vó Maria de Jesus me fez reconhecer a inutilidade de minhas preocupações, falando-me da Bondade Infinita de Deus que significa a Vida de nossas próprias vidas. A saudade, porém, superava o tamanho da fé e realmente sofri muito com a separação imprevista.

Era muito sonho a se desmoronar, muitas alegrias que se apagavam de repente, por isso mesmo, foi preciso que o socorro do tempo me abonasse a carência afetiva, somente agora, vou conseguindo reabilitar-me para o trabalho.

Felizmente, as dores de cabeça desapareceram. Parece incrível que depois de tanto tempo de provações no corpo dolorido, confortava-me com a idéia da saúde  recuperada. Mas, onde estariam vocês todos que constituíam a minha razão de viver?

Sempre edificado pelas palavras da vó Maria de Jesus, que me prometia reconduzir-me à nossa casa, esperava com paciência... Voltei para verificar os estragos da minha ausência, mas querida esposa organizara novamente o nosso pequeno e belo mundo de paz e amor, e aquilo me encorajou para abster-me da lamentação, doando-me ao trabalho.

E agora, estou melhorando, e rogo à Elizabeth, sempre que possível, consagrar alguns poucos minutos do dia ao nosso convívio espiritual, na oração, com o que obterei grandes lucros para o serviço que nos cabe prestar aos filhos queridos.

Confesso-lhes, porém, que em determinadas horas do dia, sinto-me envolvido nas vibrações de amargura, que não se justificam num homem que recebeu tudo da Divina Providência.

Estou feliz, embora dividido entre o aqui, onde vocês se encontram, e o Mais Além, no qual me vejo. Vou convertendo as saudades em serviço, aprendendo, por fim, que somente o nosso amor ao próximo leva-nos à esperança de um reencontro feliz, quando a sabedoria da vida considerar isso possível.

Querida Beth, rogo a você não se sentir sozinha. Lembre-se de que nos unimos para jamais nos separarmos, e edificada no amor de nossos filhinhos, sigamos para diante, construindo-lhes o futuro.

Querida esposa, estaremos juntos e as nossas energias suplementarão umas às outras, e não nos faltará o caminho para a conquista da felicidade.

Meus dias de doença terminaram, graças a Deus, e continuo fortalecido na confiança em Deus e em nós mesmos, para doar aos nossos meninos os instrumentos para a construção da felicidade para eles mesmos.

Agradeço muito aos corações queridos que me acolheram aqui, e será para mim uma bênção de Deus, a sua aceitação das provas que nos colheram com a minha partida.

Graças a Deus, os pais queridos estão aí e neles apoiaremos os corações para sermos fiéis a Deus e a nós próprios.

Querida Mãezinha Celeste e querido papai Fernando, com todos os nossos familiares, recebam as muitas lembranças da avozinha que nos oferece o coração amigo e profundamente amado, amparando-nos na difícil jornada na Terra e Além da Terra.

Com um beijo à Elizabeth, ao Marcelo e ao Rafael, e um grande abraço ao nosso Orlando, Solange e Priscila, peço-lhes receber todo o carinho com as muitas saudades e lembranças afetuosas do filho sempre reconhecido,

Álvaro Júlio


Notas e Identificações
1 - Mãezinha Celeste e papai Fernando - Seus pais, Fernando Belchior da Fonseca e Celeste do Céu da Fonseca, residentes em S. Paulo, Capital.

2 - Solange - Solange Belchior da Fonseca Rodrigues, irmã.

3 - Orlando - Orlando Rodrigues Filho, cunhado e grande amigo.

4 - Priscila - Priscila Rodrigues, sobrinha, com 4 anos na época da mensagem.

5 - Maria de Jesus - Avó materna, falecida em Portugal, no ano de 1967, não tendo Álvaro nenhum contato com a mesma, quando encarnado.

6 - Álvaro Júlio Belchior da Fonseca - Nasceu a 07/12/1957. Prestativo e sincero, fazia amizades com muita facilidade. Diplomou-se em Técnico de Eletrônica.

7-A família, hoje, interpreta que ele teve PRESSENTIMENTOS de próxima desencarnação, embora gozando perfeita saúde:

Em suas conversas, fazia sentir que tinha vontade de conhecer o Outro Lado da Vida e, não raro, aparecia um adeus, como por exemplo, o Cartão de Aniversário que ele redigiu à sua irmã, carinhosamente chamada de Preta: 'Querida Pretinha, hoje, nesta data, eu estou junto de ti, Graças a Deus. No próximo ano, talvez não sei, mas caso eu não estiver não chores, pois estarei sempre junto de ti em espírito. 23/8/1984. Álvaro desencarnou em 27/4/1985. Observa-se, também, nesse Cartão, quando ele se revela espiritualista, uma amostra de "colorimento de palavras com tinta religiosa", conforme seu esclarecimento na Carta mediúnica.





Tocando trombone, Oswaldo Jandy Batista (à dir.) conseguiu galgar a glória em sua carreira musical. Ao lado, o amigo músico José Benedito Germano.
15
Um músico cultivando a arte de servir
 

Oswaldo Jandy Batista, "o músico dos sete instrumentos", considerado o maior instrumentista de banda e jazz surgido até hoje em sua terra natal, Anápolis, Goiás, regressou ao Mundo Maior em 18 de maio de 1978, aos 65 anos.

"Durante os quarenta anos que marcaram sua presença de músico em nossa cidade, tendo tomado parte em todas as bandas de música e orquestras que aqui existiram nos anos de 1922 a 1962, quer como integrante, quer como diretor, Jandy Batista foi o elemento de maior atuação em nosso meio musical." (Sisenando G. Jaime, Correio do Planalto, Anápolis, 01/7/1978.)

Mas, ele foi além da arte musical... Com o conhecimento espírita, germinaram em seu coração outros ideais, que cresceram vigorosos permitindo-lhe amparar os semelhantes mais necessitados, praticando a sublime arte de servir...

Maçon abnegado, dentre outras participações, ocupou vários cargos no Abrigo dos Velhos, mantido pela Loja a que pertencia. Dedicou ao Hospital Espírita Psiquiátrico, do qual foi um trabalhador das primeiras horas, grande parcela de sua vida com muito desprendimento.

Se o sepultamento de seu corpo físico mereceu expressiva homenagem da população de Anápolis, não faltando a Banda de Música, também no Portal da Imortalidade lá estava um grupo de músicos amigos, que o antecederam na Grande Viagem, tendo à frente Tota, Sidonal, Antônio Branco e tantos outros, na expectativa de um forte abraço num reencontro feliz...

É o que "seu" Jandy nos conta em sua Primeira Carta endereçada à esposa, Dª Negrinha, na reunião pública de 5 de março de 1982, em Uberaba, provando nessas páginas afetuosas, bem como em duas outras mensagens, que continua lado a lado da família querida e prossegue ativo nas tarefas caritativas, dando continuidade, no Além, ao elevado cultivo da arte de servir.
Mensagem
Querida Negrinha, sempre lembrada companheira, decerto que você não esperava que eu a chamasse por Zefa ou Zeferina.

Estou bem, graças a Deus, e vejo que você apesar dos episódios difíceis da caminhada está em paz, desfrutando a alegria íntima de quem traz a medalha oculta dos deveres rigorosamente cumpridos.

Você dirá que tem sofrido muito, e eu responderei a você que ambos temos aproveitado bastante, de tudo o que vimos na estrada terrestre, com a sensação de sofrimento que não passava de lição na escola, para nosso próprio benefício.

Sei que você experimenta um vazio muito grande com a volta de nosso Osvaldo, o nosso querido Júnior, e compreendo que nas entranhas do coração de mãe, os filhos falam mais alto do que a voz dos próprios maridos; entretanto, sou eu mesmo que lhe venho notificar, o que posso,a fim de tranqüilizá-la. Nosso filho, ou melhor, o nosso menino, vai muito bem e já consegue prestar-nos bons serviços, seja auxiliando a você na viagem do dia a dia, depois de tantos tratamentos com a ortopedia, convocada a colaborar em seu reajuste, após o acidente havido.

Graças a Deus, tudo segue no pauta da vontade do Alto que conhecemos por lei da vida.

Atenda a saúde própria e reanime-se para as experiências que são nossas.

Quando deliberou você sobre a mudança estava mais do que certa, porquanto o nosso devotado Eurípedes e outros amigos espirituais, continuam a inspirá-la e conduzi-la em suas decisões.

Creia, não se deixe entregue à saudade do impossível. Não nos seria lícito voltar aos dias felizes do Sanatório, em Anápolis, porque certas emoções não se repetem. O nosso tempo de trabalho foi valioso e significa um curso de serviço, cujo valor não perderemos. Agora é a vez de outros e as situações são diferentes.

Esteja porém na certeza de que o nosso intercâmbio com os Amigos Espirituais nunca sofre qualquer alteração. Tudo de belo que nos alcançou na existência vim reencontrar aqui, e posso dizer-lhe que vale a pena aceitar as dificuldades da vida física, a fim de atingirmos em paz a margem do continente espiritual que nos aguarda.

Imagine que, quando quase me senti a sós, depois de distanciar-me dos seus cuidados, encontrei o meu pai Ismael, a recolher-me nos braços, e você pode raciocinar sobre o que seja o reencontro de amigos inesquecíveis que me abraçavam como quando se termina uma prova difícil nos exames do mundo.

Foram eles, o Tota, enriquecido de amor e luz na humildade com que se fez conhecido entre os homens; o Sidonal, o Antônio Branco, Sequieroili, o Narceu e tantos outros que somente as lágrimas de alegria poderiam enumerar.

Com isso quero reafirmar-lhe que o nosso Osvaldo vai bem, cercado de atenções na estrutura nova dos novos deveres que vem recebendo para cumprir.

A nossa Luzia, embora não registre, vem obtendo dele muito auxílio e eu com você mesma, unindo os meus pensamentos em preces, prosseguimos trabalhando por nossa Carmen Heleuza, por nosso Ismael e por nosso Mozart, e por todos aqueles que se nos associam à vida e ao coração.

Não sei se você percebe que todos vivemos uma corrente de auxílios mútuos. Ninguém avança sem o concurso de alguém. Assim é que, ao escrever-lhe pedi ao nosso amigo Dr. Americano do Brasil me auxiliasse para que eu não endereçasse a você uma correspondência mais pobre do que a minha pobreza de espírito.

Rogo-lhe calma e paciência. Não se aflija com as dificuldades que surjam. Faça alguma força para removê-las e Jesus fará o resto.

Quanto puder, continue trabalhando nessas abençoadas tarefas que sempre foram e são ainda tão suas.

Abençoe o esposo que lhe deve tanto, e guarde a certeza de que sou sempre o seu companheiro e servidor reconhecido,

Oswaldo Jandy Batista.


Notas e Identificações
1 - Querida Negrinha - Assim chamada, carinhosamente, sua esposa Dª Zeferina Sant'Anna Batista, atualmente residente em Goiânia. Cooperadora do Hospital Espírita Psiquiátrico (antigo Sanatório Espírita) de Anápolis, há décadas, contribuindo especialmente no setor doutrinário como dedicada médium. Atualmente é presidente de seu Conselho Fiscal. Ela explicou-nos em carta de 26/7/88: "Meu apelido é Negrinha, mas no início da mensagem ele mencionou Zefa, que era a expressão usada, às vezes, em família, para me chatear. Essa citação, de grande autenticidade, trouxe-me muita alegria."

2 - Osvaldo, nosso querido Júnior - Filho, desencarnado em 3/5/1979, de acidente automobilístico.

3 - a mudança - Refere-se à mudança de Dª Negrinha de Anápolis para Goiânia.

4 - nosso devotado Eurípedes - Eurípedes Barsanulfo (Sacramento, MG, 1880-1918), um dos maiores vultos do Espiritismo brasileiro. É o mentor espiritual do Hospital Espírita Psiquiátrico de Anápolis. (Ver a obra Eurípedes - o Ho­mem e a Missão, Corina Novelino, IDE.)

5 - depois de distanciar-me de seus cuidados, encontrei o meu pai Ismael (...) reencontro de amigos inesquecíveis (músicos) - Dª Negrinha contou-nos em carta: "No dia do desencarne de Jandy, eu e minha concunhada lracy estávamos passando a noite no hospital, quando pela madrugada, em torno de 1:30 h, tive uma vidência. O quarto clareou e vi o pai de meu esposo, à cabeceira, e os músicos em volta da cama cantando a Valsa da Despedida. Fiquei deslumbrada, descrevendo à lracy o que estava acontecendo. Ao amanhecer, narrei em casa, esse fato para todos da família."

6 - pai Ismael - Ismael Silva Batista, progenitor, desencarnado em 1933.

7 - Tota - Apelido de Antônio Pereira da Costa, grande amigo e músico, desencarnado em 1956.

8 - Sidonal - Sidonal Ferreira, músico e amigo, desencarnado em 1950.

9 - Antônio Branco - Maestro de Banda, desencarnado em Cristalina, GO, a 22/12/1948.

10 - Sequierolli - Alexandre Sequierolli, maestro de Banda.

11 - Narceu - Narceu de Almeida, amigo e músico, padrinho de casamento, desencarnado em Nerópolis, GO, a 6/1/1953.

12 - Luzia - Luzia Aparecida F. Batista, nora.

13 - Carmen Heleuza - Carmen Heleuza Batista Vieira, filha.

14 - Ismael- Ismael Batista Neto, filho.

15 - Mozart - Mozart Vieira, genro.

16 - Dr. Americano do Brasil - Dr. Antônio Americano do Brasil (1891-1931), ilustre médico, historiador e poeta. Nasceu em Silvânia, e residia em Luziânia, ambas cidades goianas. Pela psicografia de Chico Xavier, tem escrito belas crônicas e sonetos, já publicadas em várias obras, dentre elas: Falando à Terra (FEB), Poetas Redivivos (FEB) e Entrevistas (IDE).

17 - Da Terceira Carta do Senhor Jandy, recebida em 8/2/1985, transcreveremos alguns tópicos relacionados com o Hospital Espírita Psiquiátrico, bem como uma saudação ao seu amigo e conterrâneo Weaker Batista, e esposa Dª Zilda, dedicados colaboradores do Grupo Espírita da Prece, de Uberaba: "(...) permanece firme no seu posto, porque a sua presença com as preces silenciosas junto de nossos irmãos doentes, significa um ponto de apoio para nós, os amigos Espirituais que nos empenhamos a atuar em auxilio aos enfermos. Aliás, companheiros nossos são da mesma opinião. (...) O doente recebe a insulinoterapia e depois, conosco, receberá um passe, na base da prece que o auxilie a se aceitar e a se renovar. (...) Os grupos em que você age são equipes de irmãos dedicados ao bem, e com eles poderá você colaborar da melhor maneira. Aliás, temos ainda a esperança de que o Geraldo Carneiro, como o José Cândido e outros amigos, venham a fundar um grupo de curas espirituais, exclusivamente na base do magnetismo curativo e da prece, em Anápolis, complementando a vasta obra assistencial de que a nossa querida cidade é detentora. Esperemos o tempo. (...) Escrevo-lhe aqui perto do nosso Weaker e esposa, e peço a Jesus os conserve na fé em Deus e no serviço ao próximo."

18 - Oswaldo  Jandy  Batista  -  (Anápolis,06/8/1912-18/5/1978) Foi funcionário da Prefeitura de Anápolis, desde 1933, onde exerceu os cargos de contador, tesoureiro e posteriormente coletor, função na qual se aposentou em 1961. Espírita convicto, ocupou o cargo de tesoureiro do Hospital Espírita Psiquiátrico, de 1952 até os últimos dias de sua vida terrena. Na Loja Maçônica Lealdade e Justiça 2ª, atingiu o grau máximo, 33, ocupando vários cargos, entre eles o de chanceler da Comissão de Finanças e da Comissão de Beneficências. Na arte musical, executava com maestria os mais diversos instrumentos desde o contrabaixo, bombardino, trompete, saxofone, clarinete até a flauta de seis buracos que se compra nos mercados. Tocando trombone, na década de 30, conseguiu galgar a glória em sua carreira musical. Em 1962, abandonou-a por motivo de saúde. (Síntese do artigo "Jandy Batista, o músico dos sete instrumentos", de autoria de Leonardo Costa, Correio do Planalto, Anápolis, 01/7/78.) E assim, Maria Ivone Corrêa Dias encerrou sua bela crônica: "Vá com Deus, 'seu' Jandy", publicada na Folha de Goiás, Seção Anápolis, Goiânia, 28/5/78: "E agora, que Deus chamou o artista Jandy ao último sono (embalado pela Lira de Prata, como ele desejara), que nos resta dizer-lhe, numa homenagem póstuma, já que cometemos o pecado de não o homenagear em vida?

Vá com Deus, Jandy,

lhe diz sua cidade.

Quando um artista morre,

(não morre, apenas parte...)

deixando, no ar, a valsa da saudade

dizem que ele foi mostrar aos anjos

o timbre do seu trombone

o encanto de sua arte..."




Acácio Costa Freitas Neto

16
"O Ódio Não Se Enquadra Em Nossos Pensamentos"


 

Acácio Costa Freitas Neto, de 29 anos, casado, já estava em Goiás, há 4 anos, administrando a fazenda da família, quando foi atingido mortalmente por arma branca.

Os detalhes dessa lamentável ocorrência, que teve lugar na Vila Maralina, município de Mara Rosa, GO, a 7 de março de 1983, foram descritos por ele mesmo, em Espírito, na sua primeira e confortadora carta mediúnica.

Nessa mensagem, recebida em 9 de julho de 1983, portanto, poucos meses depois do fato, Acácio, amparado por familiares queridos do Mais Além, demonstrava elevado entendimento e já externava o seu perdão ao "infeliz irmão".

Colocava, assim, em prática os ensinamentos assimilados no Centro Espírita que freqüentava em Uruaçu, GO, e nos livros espíritas, que se tornaram seus companheiros inseparáveis, nos últimos tempos de sua vida terrena. Aliás, ele enfatizava aos amigos e confrades a necessidade da prática das lições hauridas da leitura, conforme veremos o depoimento de uma amiga poetisa.

Ultimamente, também em vida material, Acácio havia assistido, por duas vezes, os trabalhos práticos do GEP, em Uberaba, admirador que era de Chico Xavier, sem ter  tido a oportunidade de dialogar com ele. E nessas ocasiões, nunca imaginando, certamente, que naquele mesmo salão viria em Espírito, como mensageiro do Bem e do Amor, para consolar e orientar seus queridos pais, esposa, filhos e familiares, em testemunhos que muito nos enriquecem e sensibilizam.


PRIMEIRA MENSAGEM
Querida Mãezinha Nelcy, com o papai Ademar, receba os meus agradecimentos, com os meus pedidos de bênção e apoio como sempre.

Sou conduzido pela vovó Maria Rola que me encorajou a trazer-lhes notícias. Estou bem, depois de um período difícil de reajustamento.

A separação compulsória de Nicilene e meus filhos, dos queridos pais e de todos os nossos, de começo, me arrasava o coração. Graças a Deus, amparado por minha avó Maria e pela vovó Anna, reconheci que me cabia esquecer as condições amargas que cercaram a minha liberação da vida física.

Mãezinha Nelcy, compreendo que fui a vítima da lâmina que me penetrou o peito pelas costas, mas penso em Jesus e estou confortado por não ter erguido a mão para revidar. Aliás, o pobre amigo que me separou do corpo, estava superexcitado e incapaz de controlar os próprios impulsos. Tive a infelicidade de recusar-lhe a mão de amigo num momento em que a irritação igualmente me assinalava e, de certa forma, devia de minha parte solicitar-lhe desculpas e ofertar-lhe a mão em sinal de amizade e atendimento. O meu gesto de indiferença gerou nele a excitação com que me cortou o corpo, quando eu precisava tanto continuar viver em família..

Naquela hora, tarde demais para qualquer conciliação, pensei nos pequeninos nossos que eu deixava. O Acácio Júnior e outros, entre os quais coloco o nosso Rodrigo, que sendo o meu filho, aparentemente fora de casa, nunca esteve fora de nós. Agradeço a Nicilene a dedicação que lhe dá, amparando-lhe o desenvolvimento junto de nossos próprios filhos, e peço a Deus recompense também aos queridos pais pelo carinho que dispensam à família que lhes leguei.

Desejo terminar pedindo ao papai e aos nossos familiares não agravarem a situação do companheiro a que não posso censurar. Deus nos criou irmãos uns dos outros e não posso considerar como agressor o amigo que continuo a respeitar por filho de Deus e meu "irmão" perante a vida.

Agora, querida Mamãe Nelcy, é o momento de meu até quando? Sabe Deus. Contento-me com a certeza de que estamos todos unidos para sempre.

Querida mãezinha e querido papai Ademar, recebam com a esposa e meus filhos queridos a gratidão e a confiança inalteráveis do filho e amigo de todos os momentos,

Acácio Costa Freitas Neto.

 

Notas e Identificações


1 - Nelcy e Ademar- Seus pais, Nelcy Freitas Costa e Ademar da Costa Lopes, residentes em Ribeirão Preto, SP.

2 - vovó Maria Rola - Bisavó paterna, desencarnada em Piuí, MG, a 19/12/1967.

3 - Nicilene - Nicilene Machado, esposa.

4 - vovó Anna - Anna Rodrigues Cortes, desencarnada em Uruana, Go, a 11/8/1964.

5 - Acácio Júnior e Rodrigo - Acácio Costa Freitas Júnior e Rodrigo Sandre Costa, filhos.

6 - Em 23/7/1984, Dª Nelcy recebeu um exemplar do livro A Vida e o Tempo (Edições Garatuja, Editora Comercial Safady Ltda., S. Paulo, SP, 1984), com dedicatória da própria autora, Dª Áurea Celeste Martins, sua amiga, residente em Uruaçu, GO, presidente do Centro Espírita que era freqüentado pelo Acácio. Tal obra veio também com dedicatória e carta da filha de Dª Áurea, Sandra Maria Martins Fidélis, colaboradora da mesma com quatro poesias. Nessa carta, Sandra esclareceu que a poesia "A Um Amigo" foi escrita em memória de seu amigo Acácio. E ao redigi-la, no dia seguinte ao triste acontecimento, recordou-se do carinho que ele demonstrava pelo livro Pão Nosso (F. C. Xavier, Emmanuel, FEB), seu companheiro inseparável, e de alguns comentários que ela ouviu de seus lábios sobre temas daquela obra, especialmente argumentando a respeito da necessidade de se praticar os ensinamentos lidos. A seguir, transcreveremos três estrofes (2º, 3º e último) da poesia "A Um Amigo", escrita em 8/3/1983:

"Mais uma jornada na Terra terminou,

Na hora da partida seu sorriso ficou.

Esquecemos a incompreensão, o egoísmo, a falta de paciência,

E recordamos sua alegria, seu sorriso,

Você sabe que alguém muito lhe ajudou.

Pelos erros de um irmão, quero lhe pedir

Não guardar nenhum rancor.

Aos amigos que aqui deixou,

Aquele plá há de querer mandar.

Os inimigos que você no caminho encontrou,

Perdoa-os pelas faltas que praticaram,

Aprenda a amar para poder perdoar.


Palavras e frases, o seu eco soou,

O Pão Nosso...

Recordo-me de suas palavras,

Pedindo que a cada instante

Pratique e guarde no coração,

A página de um livro maravilhoso

Que Chico Xavier psicografou,

Pois sempre você o admirou."

 

SEGUNDA MENSAGEM



 

(...) Felizmente, vou seguindo com melhoras evidentes.

A lâmina do, nosso infeliz irmão, que me despojou do corpo em Maralina, não me afetou o Espírito.

Já consigo orar pela tranqüilidade dele e pela proteção maior do Alto, em seu beneficio.

O ódio não se enquadra em nossos pensamentos, e compreendo hoje, que todos aqueles que se fazem agressores, são irmãos doentes que necessitam muito mais de amor do que castigo.(...)
Nota
7 - Trecho da mensagem recebida em 14/9/1984.

 

TERCEIRA MENSAGEM


 Querida Mamãe Nelcy, peçamos a bênção de Jesus em nosso favor.

Desde muito venho ensaiando alguma carta em que lhe possa dizer de minhas preocupações. Hoje, no entanto, não posso calar o que me vai no espírito.

A senhora está sabendo que se formará o júri para julgar o pobre amigo que me retirou do corpo. Mãe, não fui eu quem agrediu ou feriu alguém, e por que meu pai Ademar deseja com tanto ardor a condenação de um homem que é filho de Deus, tanto quanto nós?

Nem todos os nossos familiares me recebem as notícias com a fé viva de quem sabe que a morte não existe; mas, através de seu carinho materno, peço a meu pai Ademar que não conduza a famíia para Mara Rosa, para ver o tormento de um homem à frente de acusações que nunca supôs receber.

Meu pai tem autoridade e tem forças para conduzi-la, com todos os nossos, à cena patética em que o meu agressor, hoje meu irmão, ouvirá palavras que lhe custarão duras penas. Não compreendo porque meu pai Ademar não consegue me escutar. E se os papéis fossem trocados, se fosse eu o agressor, não teria ele bastante coração para me defender? Não será bastante para o amigo, que lá está por Maralina e Mara Rosa, amargando ásperas reflexões?

Mas insisto, com amor e humildade, para que meu pai Ademar desista da idéia de transportar toda a família para Goiás, unicamente para saber qual é a fala da acusação.

Nicilene, porque não se recusa, a esposa que amo tanto, a seguir para esse espetáculo? Peço a ela e ao meu pai que poupem meus filhos à sementeira da vingança. Acácio, Frederico e Tati com o irmão ficariam marcados para sempre com a idéia de que um delito de sangue somente se apagará à custa de mais sangue.

Meus irmãos, peçam a meu pai por minha paz, desistindo dessa viagem, transpirando a desforra que somente nos impelirá a mais contradições e mais ódio. Bossuet, Welington e César me auxiliem.

Aqui na vida espiritual, pedi socorro ao meu avô paterno Costa Lopes para interceder e ele me prometeu que agirá junto de minha avó Flauzina, para que ela aconselhe a meu pai e seu filho não procurar em Mara Rosa mais motivos a discórdias e ressentimentos.

É verdade que sofri a agressão de um amigo que me despojou do corpo, mas seria muito mais doloroso se fosse o autor da morte de alguém. O infeliz já está preso no cárcere sem grades da consciência culpada... e sofre muito. Por que escravizá-lo à cela de uma cadeia pública, se eu, que fui vítima, estou livre e pronto para auxiliá-lo em tudo quanto eu puder?

Todos somos cristãos, mamãe Nelcy. Onde colocaremos Jesus que nos ensinou a perdoar aos nossos ofensores, como temos sido perdoados?

Peço também à minha irmã Cássia, que nos auxilie.

Se meu pai insistir, se minhas palavras para ele forem letras mortas, então não serei eu quem vá pregar indisciplina à nossa família. Meu pai é aquele homem que perdeu a juventude por nossa causa, que trabalhou pela vida inteira para que crescêssemos felizes.

Se meu pai insiste, peço-lhe, minha mãe, acompanhá-lo, colocando a paz onde a perturbação se estabeleça.

Se sou obrigado a pedir compaixão ao meu pai para um homem sofredor, eu me sentirei na obrigação de também acompanhá-lo e acompanhar a família até Mara Rosa para influenciar no auxílio àquele que, hoje considerado réu, é meu amigo no silêncio do coração.

Aqui ficam, minha mãe Nelcy, os meus pedidos ao seu coração, que conhece a misericórdia de Deus, e a exerce todos os dias em nosso favor.

Se formos felizes ou não em nossa iniciativa, que Deus abençoe a nós todos.

Receba, mamãe, as muitas esperanças de seu filho agradecido,

Acácio.

Acácio Costa Freitas Neto.



 

Notas e Identificações


8 - Psicografada na noite de 30 para 31/5/1986.

9 - "Quando recebemos esta mensagem o júri do agressor estava marcado, e se realizou na cidade de Mara Rosa, Goiás, no dia 9 de junho de 1986, no qual a família não compareceu, em respeito ao pedido acima. Obrigado, Chico Xavier." (Esclarecimento da família.)

10 - Frederico e Tati - Frederico Freitas Machado e Tatiany Machado Costa, filhos.

11 - Bossuet, Welington e César - Bossuet Costa Freitas, Welington Costa Freitas e César Freiras Costa, irmãos.

12 - avô paterno Costa Lopes - Acácio da Costa Lopes, desencarnado em 24/01/1962.

13 - avó Flauzina - Flauzina Moreira de Jesus, encarnada na época da mensagem, regressou ao Mundo Maior em 02/8/88, na cidade de Ribeirão Preto, SP, aos 80 anos.

14 - Cássia - Cássia Costa Freitas, irmã.

15 - PALAVRAS DA MAMÃE NELCY: "Acácio, quando você chegou, trazido pelas mãos de Deus, numa tarde do dia 13 de janeiro, o Pai Celeste esculpiu sua beleza, pintou seus olhos de verde do mar, encheu de bondade seu coração, e no-lo entregou belo, alegre e dócil. Da mesma forma, numa madrugada do dia 6 para 7 de março, Ele o levou. Você nos foi emprestado. E agradecemos ao Pai pelos poucos anos que o tivemos, filho amado, pela felicidade que eu tive de tê-lo comigo. Por que havemos de tomar o lugar do juiz? Extinguir a vida do próximo, que pertence a Deus? Compadeçamo-nos de nossos irmãos que estão dentro desse ciclo de violência que atravessamos..." (04/8/88.)

16 - AGRADECIMENTO DA FAMÍLIA - "Estas linhas representam muito pouco para agradecermos a Deus o muito que recebemos das mãos abençoadas de Francisco Cândido Xavier, que pela sua mediunidade nos trouxe a luz que se apagou no olhar de nosso filho, quando nos transmitia sua alegria. As cartas restabeleceram as energias enfraquecidas de nossos corações, que murchavam como as flores sem Sol. As faces molhadas pelas lágrimas de tristeza hoje estão umedecidas pela fé e esperança. O sorriso que se intimidara, hoje existe, natural e compreensivo a colaborar com outras vidas que a dor abateu. Nosso caro Chico Xavier, receba em Deus os nossos agradecimentos, por suas mãos benditas que haverão sempre de endereçar aos aflitos a verdade da Vida Futura."


Paulo Sérgio da Costa

17
Em aprendizado na crosta terrestre e no mais além

Vítima de infarto do miocárdio, Paulo Sérgio da Costa, 30 anos, deixou o Plano Físico no amanhecer de 10 de maio de 1981 - Dias das Mães, quando se encontrava hospitalizado no Hospital das Clínicas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Seu passamento inesperado deixou um enorme vazio e profunda tristeza no seio familiar, pois era muito querido e de gênio alegre e brincalhão.

A sua Primeira Carta mediúnica, recebida em 22 de janeiro de 1983, revela preocupação em desfazer dúvidas que atormentavam a família, com relação ao tratamento médico que não conseguiu evitar o seu desenlace. Mas, na Segunda, um ano depois (18/2/1984), já afirmava: "Hoje, a idéia de doença já se me desfez no campo da memória, e estou acordando para novos horizontes." E, de fato, analisa alguns temas - como a descrença na imortalidade da alma, o amor materno, a necessidade do esforço próprio - com muita propriedade, emitindo conceitos "nascidos da sabedoria do avô Oscar", também desencarnado.

Na Terceira Carta, relata suas interessantes experiências no campo do aprendizado, tanto no Mais Além, no educandário onde se encontra, como na própria Crosta terrestre, como freqüentador das reuniões de uma instituição espírita em Campo Grande.


PRIMEIRA MENSAGEM

 

Querido mamãe Eulinda, abençoe-me.



Sinto-me aqui, qual se meu pai Eduardo estivesse em nossa companhia, abençoando-me e estimulando-me a confiar no amanhã, agora mais novo para mim. Venho agradecer a sua persistência em procurar-me, embora reconheça a desvalia de minhas palavras.

Tentava, no entanto expressar-lhe algumas notícias, a fim de dizer-lhe que a minha intolerância pelo tratamento soroterápico não me alterou de modo algum.

Quando vi papai preocupado com as palavras ao Eduardo pelo telefone, é que me conscientizei da situação diferente para a qual caminhava. Lia em seus olhos o receio que a minha dor lhe causava e, por isso, não foi sem inquietações que aceitei o tratamento médico, longe do nosso Eduardo, que embora distante continuava velando por nós. Mãezinha Eulinda, peço ao seu coração querido dizer ao meu pai que não houve nada de irregular em meu caso.

Simplesmente aquela dor que me constrangia, e isso, a meu ver, passaria com os calmantes do nosso tempo, e esperei os resultados até que no seu belo Dia das Mães, que eu desejava enfeitar de alegrias mil, foi logo torpedeado por minhas dificuldades com o remédio, em cujas virtudes acreditei sinceramente. Não podemos, porém, culpar o médico amigo que tudo fez para salvar-me.

Querida mãezinha Eulinda, não fosse a falta de casa e o seu filhão estaria feliz. A saudade, porém, é mais forte do que o meu tamanho e vou curtindo aqui a vontade de compartilhar de nossas experiências caseiras, ao lado de papai e sob a regência do seu carinho constante.

Peço dizer ao papai Eduardo, ainda mesmo que ele não possa acreditar, por enquanto, em minhas notícias, que o vovô Oscar tem me auxiliado muito, e que estou sob a proteção da vovó Paulina e da tia Rosalvina, que se esforçam, com valorosa generosidade, para que eu me sinta aqui em família.

Tudo se reconstituirá novamente para nós e não desejo qualquer reclamação contra a medicina, porquanto o nosso médico aí fez tudo o que pôde a fim de me auxiliar.

Querida mamãe Eulinda, peço-lhe agradecer, ainda, à nossa irmã D. Maria Edwirges as preces que elevou ao Alto em meu benefício, e peço-lhe auxiliar-me com a sua coragem e com a sua fé em Deus.

Muitas lembranças para o Eduardo e família querida, para Alberto e para a nossa querida Aparecida. Vovó Paulina afirma-me que, em breve, voltarei para conversar mais demoradamente consigo, e assim espero.

Querida mamãe Eulinda, receba com meu pai e com os meu irmãos, na vida estuante de saudade e carinho que os envolvem, o coração de seu filho, sempre o filho do seu coração,

Paulo Sérgio da Costa.

 

Notas e Identificações


1 - mamãe Eulinda e pai Eduardo - Casal Eduardo José da Costa e Eulinda Zeolla da Costa, residentes em Campo Grande, MS.

2 - palavras do Eduardo - Dr. Eduardo Rosalvo da Costa, médico, irmão.

3 - vovô Oscar – Oscar José da Costa, avô paterno, desencarnado a 05/12/1934, em S. Paulo.

4 - vovó Paulina - Paulina Perez Pipino, bisavó materna, desencarnada a 28/6/1945, em Campo Grande.

5 - tia Rosalvina - Rosalvina Costa Figueiredo, tia paterna, desencarnada a 29/3/1969, no Rio de Janeiro.

6 - D. Maria Edwirges - Maria Edwirges Borges, amiga da família e Vice-Presidente do Centro Espírita "Discípulos de Jesus", em Campo Grande. Atualmente é Presidente da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul.

7 - Alberto e Aparecido - Arquitetos Alberto Victório da Costa e Maria Aparecida da Costa, irmãos.

8 - Paulo Sérgio da Costa - Nasceu a 18/10/1950, em Campo Grande. Formou-se técnico em contabilidade e era sócio da farmácia de seu pai.

 

SEGUNDA MENSAGEM



 

Querido mãezinha Eulinda, seu coração palpitou e a sua própria alma viajou, atravessando a distância de Campo Grande até aqui, procurando forças para a superação dos problemas em que todos nos envolvemos, ainda mesmo quando já não usufruímos a roupa terrestre.

Compreendo, sim. A sua sede de paz em casa e sua fome de alegria e fé rogam socorro para que essas bênçãos venham ao nosso encontro.

Confiemos na Bondade infinita de Jesus e caminhemos.

Hoje, a idéia de doença já se me desfez no campo da memória, e estou acordando para novos horizontes.

Também, eu, mamãe querida, quero paz e alegria, mas entendo que preciso desenvolver esforço máximo para conquistá-las. Faço força para que papai Eduardo me aceite a sobrevivência e transforme a saudade em certeza de que todos nos reencontraremos um dia... entretanto, quem pode violar o santuário de um espírito, de modo a lhe alterar os impulsos?

Meu pai espera e eu igualmente espero do Pai Todo Misericordioso o apoio necessário à nossa compreensão. Precisamos de uma nova dimensão para o entendimento, mas o desnível prossegue. É natural. A diferença de plano determina a diferença de vida.

Entretanto, o amor é o passaporte para a travessia de todos as limitações, penetrando os domínios da verdade. E esse amor é fonte de fé renovadora em sua alma.

Creio que Deus concedeu à mulher as chaves da vida, porque somente alguém com suficiente capacidade para amar e esperar é que poderia zelar pelos interesses das criaturas. O seu coração de mãe, querida mamãe Eulinda, nos cabe a todos, ao papai, aos meus irmãos e a mim, tais quais somos e por este motivo, peço-lhe serenidade e confiança no futuro.

Estes princípios que me alimentam presentemente nascem da sabedoria do meu avô Oscar, cujos ensinamentos me asserenaram o espírito, tão logo regressei à vida espiritual. Em companhia dele, peço à sua esperança para se manter fiel à nossa certeza de que o tempo nos doará sempre o melhor, em nome de Deus.

O Eduardo, irmão dedicado de sempre, o Alberto e a nossa Aparecida são seus tesouros e esses tesouros a enriquecem de segurança.

Lutas na Terra, tê-las-emos sempre, problemas não nos faltarão. Todos nós, no mundo físico e no mundo espiritual que lhe segue o padrão vibratório teremos testes de amor e paciência, coragem e abnegação, bondade e perdão, uns à frente dos outros.

Não se aflija por desafios à sua capacidade de compreender e desculpar. Os dias trarão outros dias e cada dia se nos fará mensageiro de lições novas.

(...) o seu filho e companheiro reconhecido de sempre,

Paulo Sérgio.

Paulo Sérgio da Costa.


TERCEIRA MENSAGEM

 

Querida mãezinha Eulinda, abençoe-me.



(...) Parece que, após a desencarnação pouco nos importam os acontecimentos do calendário, mas não é assim. Na esfera próxima que nos serve de domicílio, 365 dias representam uma soma de muito valor para nosso aprendizado e adiantamento espiritual.

(...) Felizmente, mamãe Eulinda, estou na condição do aluno que fez o possível por obter excelentes notas no educandário em que se encontra, para contentamento da família; entretanto, se não obtive as melhores notas, conquistei as notas razoáveis, à custa de suas preces e pensamentos de amor, e com semelhantes aquisições marcharei para frente.

Não posso esquecer quanto devo à nossa irmã e benfeitora Maria Edwirges, não apenas através das orações com que me recorda entre os seus amigos e tutelados, mas também pelos comentários e seleções evangélicas que, ao lado de outros companheiros, ouvimos dela na instituição que dirige, onde a palavra de nossa irmã não só alcança os irmãos reencarnados, mas também grande número de nós outros, os desencarnados que precisam de novas informações acerca da vida e das obrigações que nos vinculam à vida, porque mãezinha, os prodígios não existem senão nas obras pacientemente elaboradas através do exemplo, qual ocorre com a nossa amiga, cuja fé nunca se empalidece, ensinando-nos a seguir para o melhor a fazer.

Todos aqueles que não se preparam espiritualmente para a grande vida que a todos nos espera, após a desencarnação, não podem realizar de improviso as condições necessárias para ombrear com aqueles aprendizes da vanguarda. Essa tarefa venho efetuando gradativamente, e tenho por isso, em nossa irmã e benfeitora Maria Edwirges, uma professora a quem devo muito.

Se a gente soubesse por aí que a vida prossegue depois da grande mudança, decerto nós todos haveríamos de reservar alguma faixa de tempo, mesmo reduzida, para estudar o que nos pode acontecer, após a transição a que me refiro, e atingiríamos a existência neste meu novo mundo, um tanto mais habilitados ao continuísmo das grandes lições que a todos um dia, nos esperam.

Comparo o que digo ao alfabeto e a produção dos escritores, ou o solfejo e as obras dos compositores que entretecem músicas para a elevação da comunidade.

Reporto-me ao assunto porque estamos nas esperanças do Ano Novo e reconhecendo realidades do interesse de todos.

(...) Do papai Eduardo, tive tantas demonstrações de honradez e trabalho, lealdade e respeito ao próximo que me parece possuir um patamar seguro para construir os meus tempos que virão.

Com relação a isso, creio que o papai Eduardo, no íntimo do coração afetuoso e sensível, me percebe a presença em notícias que eu lhe deixo nas mãos carinhosas de mãe; no entanto, mãezinha Eulinda, papai é homem de compromissos positivos, e na exatidão que estima em tudo o que faz, acumula impressões na vida interior, afim de não proclamar nesse ou naquele campo de fé religiosa sem os elementos comprobatórios do que afirme.

Entretanto, isso não impede que na intimidade ele e eu nos entendamos. Ele estuda e medita o que escrevo, em silêncio, e sempre retira as conclusões certas. Muitas vezes, na solidão do quarto ou do campo, ele e eu choramos juntos, porque no coração dos pais e mães cada filho possui um recanto particular.

O nosso espírito, mãezinha Eulinda, assemelha-se, de algum modo, a um edifício de condomínio, onde cada morador possui o seu apartamento especial e isso acontece com os pais e os filhos. O lugar de um deles é inalienável.

Papai sempre reflete em meu anseio de viver em minha partida compulsória. Ele deseja que eu também estivesse aí na vida física para preencher o espaço que Deus me havia dado em família, e sente a minha ausência do conjunto doméstico. Grande pai e amigo! Deus o engrandecerá nas idéias que ele tem, quaisquer que sejam, porque papai possui bastante força para realizar as mais altas transformações no que chamaríamos de química mental.

Do materialismo aparente ele conseguirá improvisar a fé mais pura, porquanto nele a honestidade do filho de Deus prevalece em todas as circunstâncias.

Mãezinha Eulinda, agradeço-lhe, com também agradeço à nossa Aparecida a presença carinhosa.

O vovô Ferreirinha veio em minha companhia abraçá-la. Temos aqui a nossa família de afinidades reunidas em serviço e preparação espiritual, de modo a sermos úteis aos nossos familiares e amigos queridos que ficaram na vida física, em qualquer emergência. O avô Oscar é nosso companheiro de trabalho e de esperança. A tia Rosa e a tia Joanita são irmãs benfeitoras, igualmente aplicadas ao aperfeiçoamento próprio, ambas dedicam muita estima à vovó Maria e à nossa Erminda, que lhes recebem o constante amor.

(...) todo o imenso carinho, com as muitas saudades de seu filho, sempre seu filho pelo coração,

Paulo Sérgio.

Paulo Sérgio da Costa.


Notas e Identificações
9 - Psicografada em 18/01/1986.

10 - "antes de dirigir-me a Uberaba e receber a Terceira, conversei muito com meu filho, mentalmente, olhando sua foto. Contei-lhe meus sofrimentos e ele, na carta, deu-me todas as respostas." (Dª Eulinda)

11 - vovô Ferreirinha - Victório Zeolia, avô materno, desencarnado a 8/2/1972, em Campo Grande.

12 - tia Rosa - Rosa Zeolla Nogueira, tia materna, desencarnada em Pernambuco.

13 - tia Joanita - Joanita Pipino Cresci, tia materna, desencarnada a 01/01/1971, no Rio de Janeiro.

14 - vovó Maria - Maria Zeolla, avó materna, residente em Campo Grande.

15 - Erminda - Erminda Zeolla, tia materna, residente em Campo Grande.


Túlia Maura Diniz Baptista Mendes
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Paz e autenticidade no reencontro

 
"Aos dezesseis anos de idade, nossa filha Túlia Maura apresentou grave enfermidade que, apesar de toda a assistência possível, evoluiu de forma irreversível. Tratava-se de um linfoma.

Submeteu-se a várias internações no Hospital Felício Roxo, de Belo Horizonte, MG, aonde após 19 dias de sofrimento, veio a desencarnar numa quarta-feira, 21 de outubro de 1981, quando o dia começava a clarear.

        Na sua última noite, em um dos momentos de aflição, disse-me: - Mamãe, eu tenho que ir, eu preciso... Foi o seu pedido de consentimento a que ela se refere na carta mediúnica.

Ficamos muito abalados com a perda da filha querida e, quatro meses após o seu desenlace (19/02/82), por orientação de uma senhora amiga, procuramos Chico Xavier, em Uberaba, quando recebemos a mensagem.

Foi um bálsamo para todos! Deu-nos uma certa força e coragem para continuarmos a caminhada.

Analisando os itens da carta, cada vez mais nos emocionamos, pois todos os dados coincidem com os fatos."

Estes foram os tópicos principais da atenciosa carta de D.   Nara Diniz Baptista Mendes, a nós endereçada (a 04/8/88), testemunhando o seu feliz e autêntico reencontro com a saudosa filha.


Mensagem

 

Mãezinha Nara e Vovó Dulce, minhas queridas, em pensamento reúno o Papai Aderbal e o Adriano aqui conosco a fim de comunicar-lhes que vou passando muito melhor.



Não sei se minha memória está fiel, mas admito que a nossa despedida aconteceu numa quarta-feira.

Mãezinha, aqueles dias no Felício Roxo me pareceram o término do caminho.....

Pensava assim, porque os tratamentos difíceis não me erguiam as forças. Procurava ler em seus olhos aquilo que os médicos e as enfermeiras não diziam e, embora o seu carinho enxugasse cuidadosamente as lágrimas, eu notava os sinais delas em sua face. Os seus beijos me contavam que esperávamos em oração o dia que a Bondade de Deus estava quase assinalando...

Refletia em tudo quanto aprendera de seu carinho em nosso recanto doméstico, e lembrava, uma a uma, as lições da Vovó Dulce e acabava concluindo que seria impossível perder a paciência e a fé nas horas em que mais necessitávamos delas, e buscava conversar em silêncio com as dores do meu corpo, tentando tranqüilizá-las.

Na terça-feira, se me lembro bem, pedi o seu consentimento para deixar o hospital, significando sair do corpo doente. Recordo a sua expressão de tristeza, mas agradeço a compreensão com que o seu carinho pediu a Deus nos socorresse. Depois daquela sua aprovação sem palavras, que não era concordância e sim sofrimento, que a gente não sabe explicar, notei que uma brisa leve me acalmava... O sono veio devagar qual se eu fosse a sua criança desarvorada por muito tempo que recebera permissão para dormir; dormir sem picadas de injeções e sem aplicação de sondas, dormir simplesmente...

Nada mais vi, senão em forma de sonho. Parecia vê-la chorar sem que eu pudesse aliviá-la e rezei com veemência rogando a paz de Jesus para nós todos. Aí entrei num sono de sedativos, profundo e sem o menor traço de sonho ou pesadelo.

Quando acordei, um quarto novo me abrigava. Achava-me leve, sem dor... O sol invadia o recinto e me reconheci tão melhor que a chamei em voz alta. Uma senhora, junto a mim, beijava-me com o jeito de sua ternura e do carinho da Vovó Dulce, e me disse com bondade para não recear e acrescentava que eu fora transferida de residência. Não mais me achava sob os seus cuidados e sob as atenções do Papai Aderbal porque o meu corpo era outro... Ainda assim me explicou sorrindo que a família era a mesma, que ela era a Vovó Carmelita e que ali estava para me fazer companhia.

Mãezinha querida, chorei sem alarme, como a doença me habituara a chorar. Entretanto, a fé em Deus era uma espécie de luz por dentro de mim e uma coragem que eu não tinha nasceu de repente em minha alma...

Comecei melhorando pela fé em Deus e ao rever a sua presença, ao rever a Vovó, o Papai e o Adriano, o pranto da saudade correu com abundância a me encharcar o rosto, mas, no íntimo, a confiança em Deus me reanimava e tenho podido caminhar, dia por dia, na direção do meu restabelecimento integral.

Peço-lhe continue alegre e bem disposta. Não existem sofrimentos eternos e estamos todos juntos pelos fios do amor e da oração.

Agradeço à família tudo o que se fez por meu repouso e refazimento na Vida Espiritual, em que me encontro. Mamãe, recebi todas essas manifestações de carinho e fiquei feliz. Muito grata a todos.

Queria mais espaço de tempo a fim de tentar dizer-lhes quanto os amo a todos; no entanto, a Vovó me diz que já posso terminar. Reúno a sua presença com a presença do Papai Aderbal, e rogo para que me abençoem, pedindo ainda à Vovó Dulce para prosseguir na condição de minha professora de fé recordando-me as nossas orações.

Muito carinho para o Adriano e muito afeto às nossas amizades, que estão todas por flores de Deus em minha memória.

E reunindo a Mãezinha querida e a Vovó Dulce no meu rosário de orações e de saudades, peço a Deus para me abraçarem outra vez... Sinto falta do amor com que me prepararam para a vida e para a confiança em Deus; ainda assim, muito reconhecida por todos os tesouros de dedicação com que me abençoaram sempre, e continuam me abençoando, beija-lhes as mãos queridas, a neta e filha sempre grata,

Túlia Maura.

Túlia Maura Diniz Baptista Mendes.

 

Notas e Identificações


1 - Mãezinha Nara e papai Aderbal - Casal Aderbal Cordeiro Mendes e Nara Diniz Baptista Mendes, residente em Belo Horizonte.

2 - vovó Dulce - Dulce Diniz Baptista, avó materna.

3 - Adriano - Adriano Diniz Baptista Mendes, irmão.

4 - seria impossível perder a paciência e a fé (...) e buscava conversar em silêncio com as dores do meu corpo, tentando tranqüilizá-las. - "Interiormente, eu me perguntava como foi possível a uma menina tão nova, sofrendo um tratamento tão sério, não reclamar nada. A resposta veio sublinhada na carta: 'buscava conversar em silêncio'..." (Dª Nara)

5 - o meu corpo era outro... - Refere-se ao corpo espiritual ou perispírito.

6 - vovó Carmelita - Carmelita Palhares Diniz, bisavó materna, desencarnada em 25/10/1954.

7 - Túlia Maura Diniz Baptista Mendes - Nasceu em 11/6/1965. Era saudável, muito estudiosa e de grande força de vontade. Cursava o 2º ano do 2º Grau.


Matrona Paly Diegues (Matrona Marta)

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Premonições de um desenlace  inesperado


 

"Você não imagina o que passei quando ao acordar, às 7:30 h da manhã, do dia 12 de outubro de 1981, deparei-me com minha esposa sem vida, ao meu lado. Os Espíritos Amigos trabalharam muito no meu preparo, pois uma força que nunca tive se apossou de mim, para agüentar tanta dor.

Essa dor só se acalmou quando, no dia 10 de julho de 1982, Francisco Cândido Xavier psicografou a primeira mensagem de minha companheira querida, Matrona Paly Diegues, trazendo-me de volta ao equilíbrio.”

Com estas palavras, o Sr. Carlos Diegues, residente em São Paulo, Capital, expôs-nos seu drama familiar, vivido há muitos anos.

Ainda, em sua recente carta (de 9/7/88), contou-nos que sua esposa teve duas interessantes e surpreendentes premonições, conquanto aparentando saúde perfeita, atestando que a desencarnação estava programada, e havia uma benéfica atuação espiritual no sentido de preparar os corações dos familiares, amortecendo o impacto da súbita partida da companheira.

A primeira premonição foi revelada 13 dias antes do desenlace: no Hospital em que nascia a netinha Bruninha, na presença do esposo, genro e outros familiares, Dª Matrona disse: "Deus concedeu-me a graça de assistir o nascimento da minha netinha, mas sinto no meu íntimo que deixarei logo o corpo físico." E a segunda, na véspera da desencarnação, quando fez muitas recomendações ao marido quanto à assistência que ele deveria dispensar à filha Denise, porque ela, Matrona, estava convicta de que brevemente partiria para o Plano Espiritual.


Mensagem

 

Querido Carlos, sou eu mesma, a continuar em nossas conversações interrompidas.



Os meses se sobrepuseram uns aos outros e de minha parte, despendi muito tempo, a fim de me reajustar para recomeçar a própria vida com segurança e acerto.

Sei que você aguarda algumas palavras, e sei também que você me antecipa no que possa dizer.

Carlos, amado e sempre querido, então você intimamente poderia de fato imaginar, que eu teria partido em razão de alguma tristeza em mim manifestada?

Isso não poderia suceder. Deixei o corpo simplesmente porque o motor parou quando eu dormia. Penso que isto foi melhor, muito embora, da minha parte, logo me conscientizei aqui, quisesse ficar aí.

Quanto a mim própria era grande alegria dialogar diretamente com você, para refazer algumas forças, pressionadas por pensamentos em desacordo conosco. Nós dois conversávamos, nunca nos desentendemos, você é o companheiro que sempre pedi à vida, me fosse trazido, quando os primeiros sonhos de menina e moça me despontavam no coração.

Felizmente, não me adaptei ao sistema de incompreensão que infelicita no mundo tantos casais, especialmente pela teimosia da mulher.

Sentia-me prestigiada quando você engrossava a voz na garganta, para me aconselhar o melhor à fazer. Sentia-me segura, resguardada, e sempre acertei seguindo os seus apontamentos, nascidos de suas experiências de rapaz sincero e tranqüilo consigo mesmo.

Nossa Denise foi o traço que nos fortaleceu a união, e mais intimamente a propriedade de seus pareceres.

Nunca permiti que nossa filhinha o desrespeitasse e vemo-la feliz ao lado do nosso estimado Cordon.

Depois a Bruninha, uma flor do céu, em forma de neta. Que mais desejava eu senão me harmonizar com você para seguir em frente?

Diálogos ardentes são fatores de comunhão mais profunda entre marido e mulher. E por isso os nossos, nem sempre poderiam guardar o sabor de açúcar, porque você mesmo me matriculou nas realidades em que a vida se baseia.

Somente destaco um dever que não cumpri para com você: o fato de haver deixado o corpo quando dormia e afinal, querido, eu desejaria ter pedido a você me auxiliar contra a visita da dona morte. Entretanto, ela devia saber que nós dois, a combateríamos com unhas e dentes, e por isso, veio de manso me buscar para este outro plano, em que presentemente me vejo. Ela me fez sonhar que estava com a minha querida Babunha, num campo de flores, a recordar passeios de criança e quando despertei, estava junto à própria Babunha, para revisar o acontecimento.

Conte o meu caso à nossa filha e agradeça-lhe os pensamentos de amor que me dirige.

A vida continua e acredite que continuo sempre ligada espiritualmente a vocês, acredite mesmo, sem duvidar do que afirmo.

Não posso me alongar muito. Muito carinho à Denise e à nossa querida netinha, e para você as muitas saudades e carinho sem limites da esposa que, encontra em você o melhor dos homens, com a obrigação, aliás, tocada de alegrias espontâneas, obrigação feliz de amá-lo sempre, e pertencer ao seu querido coração sempre mais.

Sempre mais afetuosamente, a sua querida criada de casa ou de casa e cozinha, sempre a sua companheira, sempre grata,

Matrona Paly Diegues.

A irmã Encarnação veio até aqui em minha companhia. Mais um abraço.

Matrona Marta.

 

Identificações


1 - Carlos - Carlos Diegues, esposo, residente à Rua Amílcar Barbuy, 75 - Parque S. Domingos, São Paulo, SP.

2 - Denise, Cordon e Bruninha - Família constituída pela filha, genro e neta.

3 – Babunha  Assim era chamada, na intimidade, a avó materna Verônica Lomotov, desencarnada em São Paulo, a 31/10/1968. Babunha em russo significa vovozinha.

4 - Matrona Paly Diegues - Na mensagem, ela assina também Matrona Marta, pois foi "rebatizada" pela sogra com esse outro nome, considerado mais adequado no Brasil. Era descendente direta de russos, e naquele país o seu nome origina' é popular. Dª Matrona lia sempre O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

5 - Irmã Encarnação - Freira do Colégio Salesiano, de Lucélia, onde Dª Matrona estudou.


Antonio João Beira, aos 15 anos, em sua festa de formatura, quando conclui a 8ª serie. Ao seu lado, seus pais, vendo-se também a irmãzinha Gessi Cristina e a Diretora da Escola, Dª Lúcia
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Vozes  Premonitórias
 

A família de Celestino Pampolin Beira estava prestes a mudar-se de Monte Aprazível, SP, para Porto Velho, RO.

Um dos filhos, Antônio João, de 16 anos de idade, vibrava, entusiasmadíssimo, com essa transferência. Na Capital rondoniana, que já conhecia, iria cursar o Colegial e trabalhar de técnico de som, a mesma tarefa que desempenhava na Rádio Difusora de Monte Aprazível. Tudo parecia favorável, pois lá, o progenitor possuía uma Loja de Autopeças e cultivava várias amizades, sendo que um dos amigos havia oferecido sua residência para passarem o fim do ano juntos, até se acomodarem melhor na nova cidade.

Nesse clima de muita alegria, uma semana antes da mudança, que seria de automóvel, surgiu um amigo que estava de partida, em seu caminhão, para Porto Velho. E, Antônio João, com a autorização de seus pais, preferiu a "aventura", seguindo antes dos familiares, pela primeira vez viajando de caminhão.

Na longa viagem, ao descer a Serra de S. Vicente, próximo de Cuiabá, MT, o veículo colidiu violentamente com a traseira de outro caminhão, no lado em que estava o jovem, único atingido no acidente, com lesões graves que o levaram à desencarnação no próprio local. Eram 14:30 horas do dia 12 de dezembro de 1985.

A carta mediúnica de Antônio João, psicografada em 11 de abril de 1987, trouxe muito consolo à família, destacando-se, dentre outros esclarecimentos, a informação de que ele foi preparado espiritualmente para a inesperada provação. Uma "voz íntima", intuitiva, a princípio, e depois uma "voz que se fez tão viva" alertou-lhe que "o caminho seria a meta final" para ele.

Observa-se que tudo obedeceu a uma programação superior. A mudança de cidade, que até hoje não se concretizou, pois o projeto foi abandonado... a oportunidade da carona e a pressa do jovem em seguir viagem... As abençoadas vozes premonitórias...
Mensagem

 

Querida mãezinha Gessi e querida papaizinho Celestino, Deus nos abençoe e nos proteja.



Assumi o compromisso de não chorar ao escrever-lhes e estou firme na resistência necessária em que os vejo, sem que me vejam, por leis que governam a tudo neste novo plano que passei compulsoriamente a habitar.

Não acreditem que eu tivesse sofrido fisicamente na hora em que o caminhão achou, involuntariamente, o meio de aproximar das rodas de nosso veículo, estabelecendo aquele desequilíbrio de que tiveram notícias exatas.

Uma pancada na cabeça me silenciou de tal modo que, um sono ou desmaio de longa duração se me apossou de todas as faculdades, obrigando-me a repousar numa inconsciência difícil de descrever.

Refletia na renovação do caminho que enfrentaria em Porto Velho, mas no íntimo uma voz insonora qual a onda ao rádio desligado, me afirmava que o caminho seria a meta final para mim. Houve um momento em que essa voz se fez assim tão viva, que me lembrei de Jesus, que sofreu o martírio e a morte fora de casa, sob o céu azul que se tornou tempestuoso e escuro. Lembrei-me dele, o nosso Senhor e Mestre, recordando as orações da mamãe Gessi, quando batalhava para que eu compreendesse a importância da prece.

Com esses pensamentos vi que o caminhão se aproximava, acreditando o motorista, por certo, que tomaríamos diferente rumo, entretanto o choque de ambos os veículos foi fatal.

A princípio ainda escutei vozes em torno de mim, mas admito que a hemorragia interna me dominou a cabeça e de nada mais soube, como se um grande branco se fizesse em meu cérebro. Depois de algumas horas, acordei ao lado da senhora que se me fizera enfermeira voluntária. "Chame-me por Vó Gertrudes", disse ela, e ao notar-lhe o sorriso de bondade me senti mais seguro. A minha voz parecia de uma pessoa retardada, porque em vão tentei balbuciar frases de indagação e reconhecimento. Só mesmo á custa de tempo, consegui que as minhas cordas vocais fossem reavivadas ou revitalizadas, e pude falar vagarosamente.

Vim a saber que os pais queridos estavam desolados em Monte Aprazível, e segui as preces da Vó Gertrudes pedindo a Jesus os confortassem, levantando-lhes o ânimo.

Poderão imaginar o que foi a minha provação em forma de surpresa. Chorei muito, ao modo de um menino habituado aos mimos domésticos, e minha querida Vó Gertrudes deixou que eu derramasse aquele pranto de saudade e de amor enquanto quisesse. Ao término da crise emocional que me tomou de assalto, perguntei por todos e pela nossa Cristina em particular, obtendo respostas consoladoras da Vó Gertrudes, que me ouviu com invejável paciência.

Os dias correram sobre os dias, embora para mim andassem lentamente. Quem é feliz não vê o tempo; entretanto para quem sofre como sofria, o tempo se assemelha a um relógio parado. Mas vencendo todos os obstáculos fui à nossa casa e pude ver a aflição e a tristeza que ali reinavam.

Já que estava com Vó Gertrudes, o meu único reconforto foi acompanhá-la nas preces, afim de que a segurança do papai Celestino e as forças da Mãezinha Gessi voltassem a levantá-los ao abatimento em que se encontravam.

Agora queridos pais, que lhes disse quase tudo com respeito às minhas pobres notícias, peço-lhes me desculpem se cometi alguns erros ao escrever-lhes, e agradeço quanto fizeram por mim e quanto fazem por nossa Cristina, que está igualmente em meu coração.

Mãezinha Gessi e meu paizinho Celestino abençoem-me, para que eu esteja mais seguro de mim próprio, e recebam com a nossa Cristina e todas os nossos, o abraço de amigo, reconhecidamente do filho e irmão que nunca os esquecerá e que lhes será constantemente reconhecido,

Antônio João

 Antônio João Beira.


Notas e Identificações
1 -   Mãezinha Gessi e papaizinho Celestino - Casal Celestino Pampolim Beira e Gessi Aparecida Alvarenga Bei­ra, residente à Rua Presidente Vargas, 829 - Monte Aprazível, SP. Pais adotivos desde os primeiros dias de vida de Antônio João. Chico Xavier informou-lhes que o jovem era um verdadeiro filho espiritual: "Ele foi encaminhado à sua mãe verdadeira." De fato, sempre houve uma permuta de afeto muito grande no relacionamento pais-filho.

2 - vó Gertrudes - Avó de Dª Gessi, desencarnada em 12/10/1963. Antônio João não a conheceu em vida material. Foi dedicada parteira, sempre humilde e caridosa.

3 - só mesmo, à custa do tempo, consegui que as minhas cordas vocais fossem reavivadas - Os órgãos do corpo espiritual também sofrem conseqüências do trauma do corpo físico, requerendo tratamento médico especializado.

4 - nossa Cristina - Gessi Cristina Beira, irmã

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