Gratidão e paz francisco candido xavier hércio marcos c. Arantes espíritos diversos sumário



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5 - Antônio João Beira - Nasceu em José Bonifácio, SP, a 12/6/1969. A sua adoção trouxe grande alegria aos pais Celestino e Gessi, "porque antes dele chegar a nossa vida era triste e sem sentido." Concluiu a 8ª série na E.E.P.G. "Feliciano Sales Cunha", de Monte Aprazível. Freqüentava com os progenitores as reuniões do Centro Espírita "Apóstolo Paulo". Já tinha lido Nosso Lar e outras obras doutrinárias, especialmente O Evangelho, de Kardec.


Luiz Roberto Estuqui Júnior
21
Provações com vistas ao terceiro milênio

(O grande número de desencarnações na juventude)

 
Quando retornava ao seu lar, em São José do Rio Preto, SP, viajando a sós, procedente de São Paulo, Jú­nior sofreu um acidente fatal próximo à cidade de Araraquara, em 4 de janeiro de 1984, com o capotamento inexplicável de seu Chevete.

Era um jovem alegre, esportista e estudioso, prestes a cursar o terceiro Colegial, filho único do casal Luiz Roberto Estuqui e Alzira de Souza Ita Estuqui.

Suas cartas mediúnicas, ricas em esclarecimentos transmitidos pelo avô Diego e pelo tio Joãozinho, muito confortaram seus progenitores, e, por certo, beneficiarão a muitos irmãos que passam por provas semelhantes. Aliás, o próprio Júnior explica: "Trago-vos estes apontamentos porque o meu avô Diego Ita considera isso oportuno para muitas famílias, que perderam entes amados, nos primeiros tempos de juven­tude."

Destacaremos, na Segunda Carta, a narrativa do tio Joãozinho com respeito ao seu acidente fatal, numa queda de avião, em 1976, com raízes em crimes cometidos há mais de trezentos anos.


PRIMEIRA CARTA
Querida mãezinha Alzira e querido papai Luiz Roberto, peço-lhes a bênção.

Estou ainda sob os efeitos daquela reviravolta da máquina que, até hoje, não sei compreender. Desajustado. Difícil. Traumatizado. Mas, não há de ser nada. Um dia vem sempre depois de outro e o tempo tudo restaura para o bem.

Estou sinceramente comovido e assombrado. Não contava com isso. Escrever-lhes depois da transferência que não pedi e que devo aceitar.

Creio que é preciso muita gentileza e muita tolerância, somando bondade, para se reunirem tantos amigos, com o objetivo de apoiar os que esmoreceram na chamada desencarnação e se viram surpreendentemente vivos, quando se supunham mortos e inúteis para sempre.

De qualquer modo, agradeço a este plantão de amor ao próximo que me possibilita a transmissão destas notícias.

Não posso divagar em muitas considerações, embora me sinta efetivamente reconhecido. Pensando assim me utilizo da mão que me serve, como quem se vê obsequiado por uma luva, a fim de vencer os tropeços que nos separam imaginariamente.

Digo imaginariamente, porque a verdade é que seguimos juntos, pelas forças espirituais que nos prendem uns aos outros.

Não tenho muito a descrever quanto ao acidente havido. Seguia a viagem de férias com o íntimo ensolarado de alegria. Nada me toldava o pensamento. Creio que um obstáculo que não reconheci me compeliu ao capotamento. Quis gritar por meu pai, rogar socorro, despertar algumas pessoas nas adjacências para que alguma providência me amparasse; entretanto, do cérebro não mais recebi forças para fazer sinais, como sejam a palavra, o grito, a súplica, o berro de dor... Minhas energias se apagaram numa parcela mínima de tempo e nada mais registrei. Tive a idéia vaga de quem sonha, fora da realidade, ao ver que populares e desconhecidos me cercaram. Nada mais. O desmaio foi compulsivo, suave e aterrador ao mesmo tempo. Suave, porque o sofrimento do corpo, um tanto amassado, se me aliviou, de repente; e aterrador, porque intuitivamente sabia que estava entrando no domínio do desconhecido, sem qualquer luz que me clareasse no labirinto. Mais nada.

Admito que horas longas se passaram, até que acordei vagarosamente num aposento que não me era familiar. Trazia nos olhos um peso esquisito, que não me permitia reconhecer os que me rodeavam. Uma senhora e dois homens, que divisei a princípio, como que envoltos na névoa. Por fim, a senhora me falou com brandura que me achava ali, junto dela, tia Maria, e não havia razão para receios. Ali, encorajado, ganhei novas forças e meus olhos se revigoraram. Foi então que reconheci, ao meu lado, o avô Diego Adão e nosso dedicado amigo Fausto. Fiquei atoleimado, porque a presença do vovô Diego era um convite a refletir na morte.

Tia Maria, a enfermeira que me socorria com presteza e bondade, não estava em minha agenda de relações, mas vovô Diego era um problema diferente. Naturalmente, como aconteceria por aí, em qualquer hora grave, recordei o papai Luiz Roberto e a mãezinha Alzira, e desatei no pranto de criança grande que não deseja se apartar dos pais. Meu avô exortou-me à coragem. Um menino, rapaz que praticava esportes até perigosos, que estimava viajar em carro próprio e sozinho, que estimava difíceis competições não poderia chorar, qual se estivesse atirado às traças, quando ele e outros amigos ali se encontravam prontos a me assistirem, fosse a questão qual fosse. Tia Maria recordou orações. O nosso amigo Fausto brincou para chamar-me à tona de minhas obrigações de cavalheirismo, e a consolação ­me bafejou por momentos. Depois, mãezinha Alzira, ver os pais chorando, por minha causa me doeu ainda mais.

Enquanto o choque era meu, todas as emoções eram fáceis de atravessar; no entanto, visitá-los e senti-los arrasados de sofrimento era diferente. Dei-me pressa em me fortalecer para reconfortá-los, e venho pedir-lhes fé em Deus e coragem para as vitórias sobre os acontecimentos infelizes do mundo.

As saudades são muitas, mas estou bem, de vez que não me falta proteção. Penso que encontrarei motivações valiosas para estudar e trabalhar; mas, por enquanto, o corpo que não é corpo físico ainda me pesa bastante, e preciso desfazer as impressões de angústia que acumulei em torno de mim.

Agradeço a oportunidade que me proporcionaram no sentido de falar-lhes, ainda mesmo, sem melhorar o meu padrão de palavras, o que, de algum modo, me alivia de maneira surpreendente. Não chorem por mim, para que minhas lágrimas de saudade e inadaptação consigam diminuir. Lembrem-me forte e robusto. A morte será um despojamento, mas não é a extinção do ser. Dirijo-me a ambos com o meu pensamento íntegro, na clara identidade de que sou eu mes­mo a falar de mim próprio.

Agradeço-lhes, tanto quanto agradeço aos amigos, o auxílio que me prestaram, em matéria de amparo religioso. Toda idéia de carinho e todo voto de amor a Deus em meu benefício me serviram por degraus, na escada psicológica da reconquista de minha própria conscientização. Sou grato a todos.

Perdoem-me se encerro aqui estas linhas desvalidas de qualquer cuidado de minha parte. Escrevi unicamente pa­ra reafirmar-lhes quanto os amo e para que me saibam vivo, e a caminho de minha própria recuperação mais ampla.

Nada possuo de bom para lhes ofertar, mas aqui em companhia do meu avô Diego, peço-lhes receber o coração muito saudoso e muito reconhecido do filho e companheiro de sempre,

Luiz Roberto.

Luiz Roberto Estuqui Júnior.


Notas e Identificações
1 - Psicografada a 24/02/1984.

2 - vovô Diego Adão - Diego Ita Adão, desencarna­do em 21/02/1982, aos 65 anos.

3 - Fausto (tio Joãozinho) - João Fausto Estuqui, desencarnado em 16/10/1976, aos 32 anos, vítima de acidente aéreo, na cidade de Votuporanga, SP.

4 - Luiz Roberto Estuqui Júnior - Nasceu a 03/12/1966 e deixou o Plano Físico aos 17 anos.


SEGUNDA CARTA
Querido papai Luiz Roberto e querida mãezinha Alzira, abençoem-me.

Estou aqui, satisfeito, por me sentir lembrado. Pai amigo, o tempo não é nosso inimigo e sim nos empresta os melhores valores da educação. Nossa saudade tem sido um conflito em que nos sentimos atirados para compreender, com mais segurança, as provações dos outros. Antes de nossa separação transitória, mamãe Alzira, você e eu não pensávamos tanto nas dificuldades do próximo, e hoje a dor dos que lutam e sofrem encontram eco imediato em nossas al­mas.

Tantas são as modificações em nossos hábitos, que somos impelidos a agradecer ao Senhor a desencarnação violenta a que fui trazido. Por isso, creio que um novo estágio de maturação chegou para nós, que sofremos com os desgostos e os contratempos de outros, que nos seguem a vi­da de cada dia.

O meu avô Diego Ita é de opinião que a morte, em qualquer tempo, será para nós todos, os que partimos e os que ficam, um estágio precioso de reflexão que nos impelem a suportar transformações, que sem ela estaríamos em dificuldades para alcançar.

De janeiro para cá passei por muitas mutações. O cérebro adquiriu o livre-arbítrio com responsabilidade, de tal maneira, que começamos sempre a pensar, antes de fazer isso ou aquilo, e aprendemos, sobretudo, a considerar os sofrimentos e os interesses alheios.

Aqui prossigo em meu curso de reajustamento. Estou mais calmo e com isso minhas esperanças são mais claras. Muitas vezes, surpreendo-lhe o pensamento a indagar por­que motivo teria sido eu chamado à Vida Espiritual, na fase em que mais poderia, talvez, me preparar a fim de auxiliá-lo. Mas o tio Joãozinho, a quem levo as suas perquirições para estudo, e por entender melhor a vida, me respondeu que, por amigos daqui, veio a saber que milhões de pessoas estão passando pela desencarnação no tempo áureo da existência, porque nos achamos numa fase de muitas mudanças na Terra. E aqueles Espíritos retardatários em caminho, quando induzidos a considerar a extensão das próprias dívidas, aceitam a prova da desencarnação mais cedo do que o tempo razoável para a partida, e são atendidos com a separação de pais e afetos outros, no período em que mais desejariam continuar vivendo, em razão do tempo que perde­ram com frivolidades nas vidas que usufruíram.

São muitos os companheiros que se retiraram da Ter­ra, compulsoriamente; das comodidades humanas em que repousavam, de modo a rematarem o resgate de certos débitos que os obrigavam a sofrer no âmago da própria consciência. Ele mesmo, o tio Joãozinho, me explicou que tendo pedido exames para saber o motivo pelo qual perdeu o corpo numa queda de avião, foi conduzido, por mentores competentes, junto dos quais pôde ver, num processo de regressão, as causas da desencarnação violenta pelo qual foi obrigado a alcançar. Disse-me que conseguiu observar cenas tristes de que fora protagonista, há mais de trezentos anos, nas quais se via na posição de algoz de vasta comunidade humana, atirando pessoas humanas a poços de tamanho descomunal, por motivos sem maior importância. Assim, ele precipitou muita gente do alto de montes ásperos e empedrados, com o objetivo de conquistar destaque nas posições da finança e do poder. As faltas cometidas permaneceram impunes, por ausência de autoridades nas localidades de sua atuação, mas, perante a Justiça Divina, os disparates levados a efeito foram assinalados para resgate em tempo oportuno. Desse modo, o tio afirmou que tendo arrasado a vida de muita gente, do ápice de montanhas alcantiladas e espinhosas, conseguiu liberar-se com a angústia por ele sofrida na queda da máquina que o resguardava. Disse-me que a morte o liberava de pagamentos quase inexeqüíveis, e já que devia unicamente o remate de débitos contraídos, considerava o acidente aéreo uma solução benigna para ele que se vê agora, sem a mácula de culpa alguma.

Quando comuniquei a ele que me propunha a requisitar um exame de minha situação, apenas sorriu e me aconselhou a adiar o pedido. Afirmou ele: "- Luiz Roberto, há tempo bastante para compreendermos os males que nos ocorreram, e não vejo você claramente preparado para suportar, sorrindo, um resgate que talvez lhe custe muito sofrimento." Desse modo, acomodei-me e não desejo saber, por agora, as causas do capotamento do carro que me retirou da vida. Esperarei.

O meu tio Joãozinho sabe melhor muitas minudências de nosso passado e devo amadurecer o meu raciocínio para saber, com vantagem, o porquê daquele carro capotado que me serviu de base à viagem do regresso à Vida Espiritual. Pai, há muito por aprender e fazer, e a precipitação não serve a ninguém.

Esta é uma lembrança que trago aos pais amigos, pa­ra que se reconfortem quanto ao acidente de que fui vítima, pois tem razão de ser, e muita gente, de nosso lado, vem aceitando rudes provações por desejar alcançar o Terceiro Milênio de consciência limpa e coração lavado.

Trago-lhes estes apontamentos porque o meu avô Diego Ita considera isso oportuno para muitas famílias, que perderam entes amados, nos primeiros tempos da juventude.

Mas fico por aqui, já que esta nota para nossos estudos é suficientemente clara para assimilarmos paciência e compreensão, diante de certos fatos amargos que nos alcançam.

Papai querido e querida Mãezinha Alzira, com lembranças a todos os nossos, peço-lhes receber as muitas esperanças e saudades do filho sempre agradecido,

Luiz Roberto Estuqui Júnior.


Notas
5 - Psicografada a 15/9/1984.

6 - porque nos achamos numa fase de muitas mudanças na Terra. (...) e muita gente, de nosso lado, vem aceitando rudes provações por desejar alcançar o Terceiro Milênio de consciência limpa e coração lavado.  Encontramos na literatura espírita, vários esclarecimentos, a respeito desse importante assunto, e dentre eles, citaremos: 1. Mensagem de São Luís, respondendo à última pergunta de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. 2. Prefácio, q. 8 e 9 do Cap. I, q. 5 do Cap. IX e q. 14 do Cap. XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, A. Kardec. 3. Regeneração da Humanidade, Segunda Parte, Obras Póstumas, A. Kardec. 4 e 5. Lição de Jesus, Cap. VI da Segunda Parte (Alvoradas do reino do Senhor), Há Dois Mil Anos e Cap. XXV (O Evangelho e o Futuro), A Caminho da Luz, ambos de Emmanuel, F.C. Xavier, FEB.

 

 
TERCEIRA CARTA



Querido papai Luiz e querida mãezinha Alzira, peço-lhes me abençoem.

Agradeço as preces e flores que me deram na semana penúltima. Dia 4 marcou um ano. Felizmente não temos motivo para chorar, porque, em apenas um ano de espiritualidade, efetuamos abençoadas realizações com expressivos lucros espirituais.

A morte é uma interferência dolorosa no campo familiar, mas, da essência dela, decorrem ensinamentos de imensa importância. Tenho a idéia de que a dor e a saudade nos adoçaram os corações, impelindo-nos para um maior relacionamento com o mundo fora do nosso.

Possuíamos um amor a três, enraizado na vida, quase sem meios de se mostrar fora de nossas paredes domésticas; entretanto, o trio ampliou caminhos e criou motivações de caráter sublime, a fim de entendermos que existe muita gente com problemas muito mais difíceis do que os nossos.

É verdade que a carência afetiva quase nos conturba, mas a fé nos socorre patenteando-nos que a vida prossegue além do retângulo em que o nosso corpo inerte descansa.

Isso foi uma revolução em nossas vidas, de vez que, pela dor passamos a encontrar a ponte da comunicação uns com os outros. Graças a Deus, tudo se processou como o melhor para nós.

Mãezinha Alzira, agradeço as suas mensagens no silêncio, dialogando comigo quando o seu corpo físico repousa.

Vejo-a mais serena e valorosa, e isso me traz reconforto.

Trabalhemos. Todo o bem que por ventura se faça possível semear, em auxílio aos outros, voltará sempre para nós com a mensagem de alegria apoiando-nos a caminhada.

Pai amigo, posso dizer-lhe que conheço não apenas o vovô Diego, mas também a querida Guela, a madrinha Sinhá com que me entretenho buscando revê-los.

Somos todo um grupo de corações felizes, e rogamos a Jesus nos conserve a união, de modo a nos sustentarmos aptos para o trabalho que possamos desenvolver.

Conheço igualmente o Dr. Cenobelino de Barros Ser­ra e o Dr. Justino de Carvalho, ambos médicos que se nos aliam aos serviços de beneficência, não somente na condição de médicos com deveres a serem cumpridos, mas acima de tudo na alegria de auxiliar aos que necessitam.

E a vida vai correndo, para mim com algum progresso no capítulo dos estudos que hoje compreendo que eles se nos fazem necessários.

(...)Com o amor e a lealdade do filho sempre reconhecido,

Luiz Roberto Estuqui Júnior.

 

Nota e Identificações


7 - Psicografada a 12/0l/1985.

8 - querida Guela - Assim chamada, na intimidade, a bisavó materna Joana Robles, desencarnada em 26/5/1972.

9 - madrinha Sinhá - Sua bisavó materna, Abília Alves de Oliveira, desencarnada em 02/7/1980.

10 - Dr. Cenobelino de Barros Serra - (01/4/1890 - 14/11/1953) Médico renomado, foi um dos fundadores da Santa Casa de S. José do Rio Preto, juntamente com outros 12 médicos, inclusive o Dr. Justino de Carvalho. Prefeito em 1928. Em 1916-17, na Europa, prestou serviços em nome do Brasil, como chefe da Grande Comissão organizada pela Cruz Vermelha Internacional, durante a I Grande Guerra. (Álbum de São José do Rio Preto)

11 - Dr. Justino de Carvalho - Conceituado médico, foi sócio-fundador da Sociedade de Medicina em 1925. De descendência portuguesa, foi Vice-Cônsul de Portugal em Rio Preto. Profissional muito caridoso, tornou-se um grande benfeitor dos enfermos mais humildes. (Álbum de S. J. do Rio Preto)


Adolfo Aleixo Martins
22
Investimentos no banco da divina providência

 
Dez anos se passaram desde o 30 de abril de sua desencarnação... E, em 1978, na mesma data, 30 de abril, Adolfo Aleixo Martins voltou a dialogar, pela psicografia de Chico Xavier, com os familiares queridos que deixou na Terra. Homem metódico, curiosamente, ele “manteve a tradição” quanto ao calendário, pois nasceu a 30 de abril de 1903...

Em carta afetuosa, mostra-se perfeitamente entrosado com a família terrena, provando que, embora domiciliado no Além, há uma década, acompanhou todos os passos de seus entes amados, com carinho e dedicação, e, nessa primeira oportunidade, vem ofertar-lhes oportunas orientações.

“Não acredite no poder da idade física ou da doença” – é uma advertência preciosa à esposa, já idosa e sempre adoentada. E ao filho Lélio, exterioriza sua “satisfação de vê-lo cada vez mais empenhado ao serviço de socorro aos nossos irmãos enfermos.”

Em sua Segunda Carta (de 06/01/83), quase cinco anos após a Primeira, volta a realçar a importância do serviço assistencial, afirmando, com sabedoria, que “trabalho no auxílio aos outros, é o outro lado de nossa cura” e “os investimentos no Banco da Divina Providência são os mais valiosos.”

 

PRIMEIRA CARTA


Querida Telva, peço a Deus nos proteja e nos aben­çoe.

A emoção é muito grande, para caber em letras assim tão pequenas.

Dez anos de saudade, embora todo esse tempo esteja para nós dois iluminado pela fé.

Dizer a você o que tem sido a renovação para mim é qualquer coisa de impossível. Depois daquelas semanas em luta com o corpo físico, reconheço que me libertei da prova, à maneira de um homem que conseguisse sair de uma casa em pedaços...

É verdade que saí, mas não me libertei de mim mesmo... Você, a companheira de todos os dias, e os filhos queridos, me povoam os pensamentos.

A gente crê por aí que a desencarnação é um ato de vida repleto das idéias de Deus - de Deus somente - mas Deus está no amor que cultivamos uns pelos outros.

Impossível arredar para longe, deixando-a a sós com os nossos rapazes e tarefas.

Amparado por minha mãe Adelaide, e por nosso amigo Flores, que me esperavam de braços abertos, o que eu chorei não posso contar ao seu coração, porque as lágrimas eram a alegria de alcançar uma vida nova, com tanta proteção em meu favor, e o sofrimento de deixá-los, sem minha presença.

Sabemos que a presença indispensável é a de Deus, mas querida Etelvina, quem é pai ou mãe sabe que o amor pela família é tudo de melhor que uma pessoa guarda consigo e temos a presunção de que os entes amados não serão felizes sem nós.

Mas aí está você, com a sua dedicação de sempre, trabalhando por dois - você e eu mesmo.

Agradeço ao seu carinho, tudo o que fez por mim, em todos os tempos de nossa vida no lar, e peço a Jesus recompense o seu coração com forças sempre novas para a continuidade do trabalho.

Escorei-me muitas vezes em sua fé para não desanimar e, embora me reconheça pequeno qual ainda sou, quero afirmar que prossigo ao seu lado e ao lado de nossos filhos, esforçando-me para lhes ser útil.

Tenho aqui em minha companhia a mamãe Adelaide, o Antônio, o João e familiares outros que nos amparam quanto possível.

De quando a quando, em família, realizamos as nossas peregrinações de carinho para rever o Joaquim, a Dilica, o Denizard e tantos outros de nossos parentes. Quanto a mim pessoalmente, acompanho a vocês, o tesouro doméstico que Deus me concedeu, buscando refazer as suas forças para que o desânimo não visite os seus espíritos decididos no dever que o Alto nos deu a cumprir.

Não acredite no poder da idade física ou da doença. O tempo no corpo e a enfermidade são alguma coisa; mas não são forças irresistíveis. Não interrompa as suas atividades, conquanto em certas horas se veja você obrigada a reduzi-las.

Guarde a sua confiança em Jesus porque o Senhor não está ausente. A prece sempre foi uma bênção em nossa casa e, na oração, você terá seus recursos reajustados quanto à saúde física, sem desprezar a medicação como é claro.

Estou muito contente com as tarefas que o nosso Lélio vem abraçando em auxílio aos irmãos doentes. Peço a você não se preocupar se o nosso rapaz ainda não cogitou de casar-se. Isso fica para os Desígnios da Vida Superior. O que me comove é a satisfação de vê-lo cada vez mais empenhado ao serviço de socorro aos nossos irmãos enfermos. Peço a Deus o proteja, renovando-lhe os meios de auxiliar.

Quanto ao nosso caro Adolfinho, não o esqueço nos votos ao Senhor para que o vejamos feliz junto da companheira e dos filhinhos. Maria Luíza é uma criatura de qualidades nobres, capaz de impulsioná-lo à realizações sempre maiores, e os nossos queridos netos Wladimir e Adriana, são duas esperanças em meu coração.

Qual você consegue observar, a morte não é uma ocorrência que nos modifique tanto, qual anteriormente supúnhamos. Ainda sou o mesmo homem ligado aos meus, entretanto agora, dou mais valor aos seus apontamentos de companheira. Querida Etelvina, uma esposa amiga e devotada para seu velho, agora mais se parece a um coração de mãe a velar pelo marido.

Perdoe as minhas teimosias e as horas de irritação que me tomavam sem motivo. Afinal, hoje creio que, em muitos casos, a pessoa quase sempre, apenas depois da morte do corpo, é que sabe avaliar com mais segurança a felicidade que guardou nas mãos. Digo isso, porém, sabendo que me regozijo por encontrar as suas preces clareando as estradas que devo percorrer, e ignoro como agradecer tanto devotamento de sua parte para com o velho companheiro que lhe vem beijar as mãos.

Telva querida, não posso escrever mais. Abençoe nossos filhos por mim, afirmando-lhes que essa bênção não é minha, e sim a que peço diariamente a Deus em nosso benefício.

Agradeço à estimada companheira de viagem, a nossa prezada Virginita, que ficou a seu lado, com o carinho de uma filha espiritual.

Antônio deixa um abraço para você e como sempre pede a aprovação do seu olhar para a minha felicidade, e roga a Jesus por sua felicidade.

O esposo e irmão na Vida Maior que lhe entrega hoje como sempre, todo o seu coração, no carinho e no reconhecimento de todos os instantes,

Adolpho.

 

Notas e Identificações


1 - Querida Telva - Assim chamava, na intimidade, sua esposa Etelvina Martins, atualmente com 77 anos, residente em Belo Horizonte, MG, à Av. Afonso Pena, 1735 - apart. 302.

2 - Depois daquelas semanas em luta com o corpo físico - Ele muito sofreu com a enfermidade, tumor de próstata, que o levou à desencarnação.

3 - mãe Adelaide - Adelaide Francisco Aleixo, progenitora desencarnada.

4 - amigo Flores - Antônio Loreto Flores, grande amigo, foi um espírita devotado. Médium receitista e de desdobramento. Fundou o Centro Espírita "Amor e Caridade", de Belo Horizonte, e o Centro Espírita "Campos Vergal" na Colônia Santa Isabel (de hansenianos), em Betim, MG.

5 - Antônio -Antônio Aleixo Martins, irmão desencarnado. Presidiu o Centro Espírita "Amor e Caridade", de Belo Horizonte, durante 30 anos.

6 - Joaquim, Dilica e Denizard - Irmãos. Os dois primeiros residem em Bicas, MG, e o último em Belo Horizonte.

7 - tarefas que o nosso Lélio vem abraçando em auxílio aos irmãos doentes (...) ainda não cogitou de casar-se. - Lélio Aleixo Martins da Silva, filho, casou-se em 1987. Participa, com a esposa Sarah, de uma Caravana que visita, mensalmente, a Colônia Santa Isabel e creches de excepcionais, dando continuidade às tarefas iniciadas pelo progenitor junto aos irmãos tuberculosos dos Sanatórios localizados na periferia de Belo Horizonte.

8 - Adolfinho, Maria Luíza, Wladimir e Adriana -Família constituída pelo seu filho Adolfo Aleixo Martins da Silva, nora e netos.

9 - Virginita - Doméstica que acompanhou D. Etelvina a Uberaba.

10 - Adolpho - Para surpresa da família, tanto nesta carta, como na Segunda, o Sr. Adolfo Aleixo Martins assinou o seu nome com ph, mostrando que adotou essa grafia no Mais Além. Nasceu em Bicas, mas radicou-se na Capital mineira, como comerciante, desde a juventude, aí residindo até a desencarnação. Autodidata, cultivava a literatura, com muita inspiração para a poesia. Deixou versos esparsos, trovas e poesias, muitas com conteúdo espírita.

 

SEGUNDA CARTA



 

Querida Telva, peço a Jesus nos abençoar.

(...) e sigo você e o nosso querido Lélio, na tarefa de cooperar pela manutenção da outra família nossa: a família dos irmãos necessitados para quem as nossas migalhas de amor são estrelas de carinho que eles recolhem no coração.

Etelvina, nunca aprendi tanto, como nestes anos últimas, nos quais compartilho dessas abençoadas campanhas de paz e luz nas quais recebemos tanto, fazendo o nosso pouco de trabalho e concurso fraterno... Um dia vocês reconhecerão também, aqui na Vida Espiritual, que os mais valiosos investimentos, são esses que se nos faculta, o Alto, a alegria de realizar no Banco da Divina Providência.

Quem dá possui sempre mais do que cede de si mesmo, e conserva sempre o crédito adquirido, perante o Senhor, na pessoa desse ou daquele irmão que nos permite efetuar o trabalho do bem, que se nos faça possível. Os nossos amigos hansenianos, os nossos doentes desvalidos, as crianças que sofreram o peso das provações no início da própria existência, à maneira de flores dilaceradas por tempestades do mando, nas horas do próprio desabrochar ou nos momentos do amanhecer, são benditos companheiros nossos, e benditos sejam esses nossos credores, a quem buscamos entregar o possível de nossos recursos e de nosso amparo, entendendo que acompanhar a Jesus, será servi-lo na pessoa do próximo - a ponte de nosso encontro na Luz Maior.

(...) Estas minhas notícias simples, ao lado de nossas companheiras Iolanda e Neuceli, são unicamente o meu anseio de trazer a você a certeza de nossa presença incessante. Ontem, era eu o homem nem sempre interessado no ideal de servir, quase sempre cercado pelas forças da indiferença; hoje, no entanto, a vida verdadeira esculpiu, em meu cora­ção, o esposo e pai mais dedicado e compreensivo que pode­ria ter sido.

(...) Peço a você continuar em seu tratamento de saúde, mas não perca a sua alegria de agir e viver. Toda indisposição física é inerente ao corpo que passa, embora nos caiba o dever de prestar ao corpo físico, a assistência necessária.

Trabalho no auxílio aos outros, é o outro lado de nossa cura, em qualquer setor do mundo em que nos achemos.

(...) o seu companheiro e esposo amigo e servidor de sempre,

Adolpho.


Nota
11 - Iolanda e Neuceli - Dedicadas obreiras espíritas, vinculadas ao Grupo "Bezerra de Menezes", de São Paulo, SP, que presta assistência aos necessitados, especialmente aos irmãos hansenianos.


Ivo de Barros Correia Menezes
23
Problemas do sexo no mais além

 
O  jovem Ivo de Barros Correia Menezes, Ivinho na intimidade, desencarnado em 1978, já é nosso conhecido como autor espiritual de interessantes cartas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, publicadas nos livros Retornaram Contando (Cap. 4, "É fácil morrer, mas não é fácil desencarnar", 1ª ed. em 1984) e Caravana de Amor (Cap. 11, "Novas Confidências de lvi­nho", lançado em 1985), edições IDE, e mais recentemente no Anuário Espírita 1988 ("Problemas do Sexo Mais Além em Cartas de Ivinho", p. 71-79) e Anuário Espírita  1988,  nº  3, em espanhol,  editado 'pela Mensaje Fraternal, Caracas, Venezuela ("Problemas del Sexo en el Más Allá, en Cartas de Ivinho", p. 62-70).

A temática básica dessa afetuosa correspondência com a progenitora, D. Neide de Barros Correia Menezes, residente em Belo Horizonte, MG, à Rua Dom José Pereira 366/101, Coração Eucarístico, iniciada em 15 de maio de 1982, tem sido os seus problemas ligados à esfera sexual e igualmente de Bernardo, seu companheiro inseparável, ambos desencarnados num mesmo acidente automobilístico.

Observa-se que essas páginas mediúnicas refletem um grande esforço íntimo à procura de uma adaptação no Plano Espiritual, esforço esse melhor caracterizado na Sexta Carta, quando ele desabafa, logo após o preâmbulo - "Mas hoje, Mamãe Neide, quero falar-lhe à vontade, sem a pretensão de me esconder." - seus profundos anseios, quase caracterizando uma fixação mental em torno da libido, desejando namorar, contrair matrimônio e criar filhos...

Tal abordagem de tema tão delicada, impregnada de preconceitos, não foi bem compreendida pelos leitores de suas cartas (impressas e divulgadas pela progenitora), reação essa assim analisada em sua missiva seguinte, psicografada a 13 de outubro de 1984, noite de lançamento do livro Retornaram Contando:
PRIMEIRA CARTA

 

Mãezinha Neide, muito grato, porque você me compreendeu e não encontrou motivos para reprovar-nos. Muito pelo contrário, o seu coração passou a palpitar muito mais entranhadamente com o meu, compadecendo-se de nós.



(...) Entretanto, Bernardo e eu, embora protegidos com segurança, e claramente doutrinados pela Vovó Celeste e pelo Vovô Mário Barros, carregávamos conosco o que atualmente se chama na Terra: "o problema da libido."

Somos jovens e não vimos nada de mais em descrever-lhe o tumulto de nossas emoções. Pensávamos em casamento, noivado, satisfação pessoal e em outras questões satélites, e fomos sinceros ao contar-lhe as necessidades que tínhamos experimentado.

Eu, pelo menos, não achei absurdo confidenciar à minha querida mãe quanto se passava. Não existe para mim outra pessoa mais habilitada a entender-nos e dirigir-nos pelo melhor caminho. Ainda, assim, os poucos que leram as páginas, de filho confidente, se mostraram perplexos.

(...) Muitos jovens dão notícias mas não tocam na assunto, condicionados que se acham aos receios pueris de se analisarem e de se mostrarem como são.

***

Passados alguns anos de luta íntima, em busca do equilíbrio emocional, Ivinho e seu amigo Bernardo finalmente encontraram um caminho de trabalho e paz, quando natural­mente já estavam em condições espirituais de o percorrerem, conforme o seguinte depoimento:



 Uma turma de jovens desencarnados nas procurou e nas disse das vantagens de um grande esporte que excede a eficácia dos remos (*) para a exaustão de forças criativas acumuladas: o esporte do serviço aos semelhantes, o esporte da caridade, para a qual as suas preces e as preces da Vovó Ciaozita nos encaminharam. E a verdade é que o Bernardo e eu alcançamos melhoras positivas.

(*)    Era o esporte predileto de Ivinho, quando encarnado.

A Sétima Carta de Ivinho, que integra o livro Caravana de Amor, Capítulo 11, da qual extraímos os tópicos acima, não encerrou a sua correspondência afetiva com D. Neide, pois ele continua enviando novas notícias pelo médium Chico Xavier, quase todas as vezes que a progenitora se desloca de Belo Horizonte e comparece à reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, MG.

Em suas missivas mais recentes, ainda inéditas em livro, Ivinho faz outras importantes considerações em torno do sexo, que transcreveremos a seguir:

 

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