Gravidez precoce na adolescencia e implicaçÕes no processo de aprendizagem escolar



Baixar 45.21 Kb.
Encontro02.08.2016
Tamanho45.21 Kb.



GRAVIDEZ PRECOCE NA ADOLESCENCIA E IMPLICAÇÕES NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM ESCOLAR

Ana Lúcia Bispo de Assis 1

Lucimar Ferreira dos Santos Rodrigues 2

Está naquela idade inquieta e duvidosa,


Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.
(Machado de Assis 1839 - 1908)

Resumo: O presente artigo trata sobre a gravidez precoce na adolescência e suas implicações no processo de aprendizagem escolar, com a finalidade de abordar as ações do projeto “Gravidez Precoce na Adolescência e Implicações no Processo de Aprendizagem Escolar, na Escola Estadual Professor Apoenan de Abreu Teixeira”, com intuito de minimizar essa problemática, por meio da conscientização e estudos dirigidos. O tema foi escolhido a partir da análise da realidade da situação escolar, que apresenta um elevado índice de evasão escolar e rendimento abaixo da média provocado pela gravidez precoce.
Abstract: The present article deals with on the precocious pregnancy in the adolescence and its implications in the process pertaining to school learning, with the purpose to approach the actions of the project “Precocious Pregnancy in the Adolescence and Implications in the Process of Pertaining to school Learning, in the State School Professor Apoenan de Abreu Teixeira, with intention to minimize this problematic one. The subject was chosen from the analysis of the reality of the pertaining to school situation that presents one high index of pertaining to school evasion and income below of the average provoked for the precocious pregnancy.
Keywords - Key: Sexuality. Adolescence. Learning and Family.

Palavras – Chave: Sexualidade. Adolescência. Aprendizagem.

INTRODUÇÃO
Este artigo aborda uma das temáticas de grande relevância vincada ao Projeto Político Pedagógico proposto na Unidade Escolar Professor Apoenan de Abreu Teixeira, devido o elevado índice de gravidez na adolescência envolvendo as alunas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

A escola mencionada localiza - se em uma região periférica e atende uma clientela com baixo poder aquisitivo, sendo que 80% dos pais não são alfabetizados, fator este que hipoteticamente contribui para a desinformação e o percentual alto de adolescentes grávidas.

As ações desenvolvidas acerca do tema complementam o trabalho de orientação sexual promovido com a participação efetiva da equipe escolar, pais de alunos e comunidade local.

Os principais objetivos do trabalho em pauta é minimizar o índice de gravidez precoce das adolescentes e a evasão escolar, promover o exercício da cidadania na medida em que se propõe o desenvolvimento do respeito a si e ao outro, contribuir para garantir direitos básicos à todos, bem como o acesso e permanência com sucesso na escola, a informação e o conhecimento que são elementos fundamentais para a formação de cidadãos responsáveis e conscientes de suas capacidades.

O trabalho se insere na perspectiva metodológica de análise por meio de questionários aplicados aos alunos, pais e servidores da escola para posterior intervenção, querendo abordar a sexualidade como fenômeno educativo a partir de ações realizadas cotidianamente nas disciplinas de Língua Portuguesa, Educação Física e Artes e nas atividades extracurriculares dentro e fora do espaço escolar. As Abordagens teóricas vinculam – se ao que propõe os PCNs, onde o mesmo aborda que:
“Se a escola deseja ter uma visão integrada das experiências vividas pelos alunos, buscando desenvolver o prazer pelo conhecimento, é necessário reconhecer que desempenha um papel importante na educação para uma sexualidade ligada à vida, à saúde, ao prazer e ao bem – estar e que englobe as diversas dimensões do ser humano” (PCNs, 1993, p.293).

Visando devolver as ações pedagógicas de orientação sexual seguindo este referencial teórico, busca-se interagir com os adolescentes a partir da linguagem e do foco de interesse que marca essa etapa de suas vidas e que è tão importante para a construção de sua sexualidade.

Dessa forma, buscaram-se abordar os diversos deveres, pontos de vista, valores, crenças existentes na sociedade a construir um ponto de auto – referencia por meio da reflexão.

Nesse sentido, o trabalho realizado pela escola, denominado aqui orientação sexual vinculado ao Projeto de Intervenção, não substitui nem concorre com a função da família, mas a complementa, com saberes sistematizado e cotidianamente construído com a participação efetiva dos adolescentes.

Isto quer dizer que as diferentes temáticas da sexualidade devem ser abordadas dentro do limite da ação pedagógica, sem invadir a intimidade e o comportamento de cada aluno ou professor e muito menos extrair as responsabilidades do poder público e da família.

1 VISÃO GERAL DO PROBLEMA DA GRAVIDEZ E A RELAÇÃO ESCOLA X FAMÍLIA

A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias.

“Desde 1970, têm aumentado os casos de gravidez na adolescência e diminuído a idade das adolescentes grávidas no mundo. A gravidez ocorre geralmente entre a primeira e a quinta relação sendo o parto normal a principal causa de internação de brasileiras entre 10 e 14 anos.” (PETRY, P.13, 2001).
As principais causas da gravidez são: o desconhecimento de métodos anticoncepcionais, a educação informal dada à adolescente faz com que ela queira assumir que tem uma vida sexual ativa e por isso usa métodos contraceptivos ou outros de baixa eficiência (coito interrompido, tabelinha) porque esses não deixam evidências que levam ao conhecimento da família e amigos.

As conseqüências de uma gravidez indesejada são danosas tanto para a adolescente quanto para a família. A baixa autoestima, os problemas emocionais, a evasão escolar devido a questões culturais, vergonha, preconceitos e a desestrutura familiar transformam a vida do adolescente numa sucessão de constrangimentos e falta de perspectiva.

Dentre todos estes fatores, a problemática se acentua no aspecto aprendizagem, pois, segundo FOUCAUT,( 1997) “quando as adolescentes ficam grávidas, têm desinteresse, sofrem preconceitos, enfrentam problemas de natureza social, ocorrendo muitas vezes o abandono a escola, e quando continua seus estudos, sofre, no entanto, uma defasagem no rendimento do ensino - aprendizagem.” Deve – se levar em conta, ainda, que as adolescentes são consideradas grupos de risco na questão da gravidez não planejada, com relação às doenças sexualmente transmissíveis, da violência e da AIDS, quando deveriam, estar cuidando, principalmente, das questões relativas ao seu crescimento e desenvolvimento, sua formação escolar e profissional.

“Em todas as conferências mundiais sobre população, enfatizou – se a contribuição importante da educação para resolver os problemas ligados ao crescimento demográfico e suas conseqüências. E não apenas a educação tomada no sentido amplo, incluindo as atividades extra-escolares e o ensino propriamente dito, mas referências foram também centradas sobre o papel da educação em matéria de população e, particularmente da educação sexual” (Werebe,

1998).
Dessa forma, a sexualidade, como uma instância constitutiva do humano, deverá atravessar as práticas quotidianas do professor na escola, não para controlar ou reprimir suas manifestações, mas para possibilitar ao adolescente a construção de sua própria identidade, e por isso também, de sua própria sexualidade.

O trabalho de Orientação Sexual compreende a ação da escola como complementar a educação dada pela família com um pré - requisito básico que é a abertura ao diálogo numa interação conjunta com os pais dos educandos. Assim, a escola deverá informar os familiares dos alunos sobre as ações pedagógicas desenvolvidas acerca do assunto sexualidade, incluindo na proposta curricular e explicitar os princípios norteadores do trabalho. No diálogo entre a escola e as famílias, pretende – se que a sexualidade deixe de ser tabu e, ao ser objeto de discussão na escola possibilite a troca de idéias entre esta e as famílias. O apoio dos pais aos trabalhos desenvolvidos com os alunos é um aliado importante para o êxito da Orientação Sexual na escola, pois cada família possui uma composição estrutural de seus membros e concepções desta diferenciada.

Segundo Larrosa (1994, p.5) “os arranjos familiares, assim como valores a eles associados, variam enormemente na realidade brasileira”.

O núcleo familiar pode incluir pai, mãe e filhos com outros agregados ou não. Pode – se estabelecer entre mãe e filhos ou pais e filhos. A separação dos pais pode dar origem ao compartilhar de duas casas, com duas famílias, incluindo padrasto e madrasta.

Muitas mudanças na esfera doméstica refletem mudanças nas relações de gênero, mostrando a mulher menos confinada ao lar, o homem mais comprometido na esfera doméstica e na paternidade, o que acaba gerando novas configurações familiares e a revisão de papéis sexuais. Diferentes famílias constroem suas histórias e desenvolvem crenças e valores, certamente muito diversos, embora possam receber influencias sociais semelhantes. Compreender e respeitar essa diversidade e dialogar com ela enriquece a comunidade escolar e favorece o desenvolvimento de uma visão crítica por parte dos alunos.

Não compete à escola, em nenhuma situação julgar como certa ou errada a educação que cada família oferece. O papel da escola é abrir espaço para que a pluralidade de concepções, valores e crenças sobre sexualidade possam se expressar. Caberá à escola trabalhar o respeito às diferenças a partir da sua própria atitude, respeitar as concepções diferentes expressas pelas famílias. A única exceção refere – se às situações em que haja violação dos direitos das crianças e dos jovens. Vez que a escola deve obedecer e fazer cumprir o que prescreve o Estatuto da Criança e Adolescente.

Nesses casos específicos, cabe a escola posicionar-se a fim de garantir a integridade básica de seus alunos, por exemplo, as situações de violência sexual contra crianças por parte de familiares devem ser comunicadas ao conselho tutelar (que poderá manter o anonimato denunciante) ou autoridade correspondente.

Na prática, toda família realiza educação sexual de suas crianças e jovens, mesmo aquelas que nunca falam abertamente sobre isso.

O comportamento dos pais ente si, na relação com os filhos, no tipo de “cuidados” recomendados, nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados dos valores conservadores liberais ou progressistas, professar alguma crença religiosa ou não, e a forma como o faz, determina em grande parte a educação das crianças e jovens. Pode – se afirmar que é no espaço privado, por tanto, que a criança recebe com maior intensidade as noções a partir das quais vai construindo e expressando a sua sexualidade. Se as palavras, comportamentos e ações dos pais configuram o primeiro e mais importante modelo da educação sexual das crianças, muitos outros agentes sociais e milhares de estímulos farão parte desse processo.

Os pais de alguns de nossos alunos: Deusa Gomes de Sousa e Victor Neto Soares de Jesus reclamam da escassez de campanhas institucionais voltadas exclusivamente para o combate à gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis, pois sentem despreparados para tratar sobre o assunto com os filhos, vez que não são alfabetizados.

“Quando o tema é sexo, ainda existe muita dificuldade de comunicação dentro da família e por parte dos próprios professores em abordar o assunto”, aponta Neto. Sousa observa que, mesmo nos consultórios médicos, ainda se percebe esta dificuldade.

Os caminhos para reduzir a incidência, comentam, são principalmente o diálogo franco e aberto entre pais e filhos e programas de orientação sexual nas escolas.

A partir do conclame dos pais dos alunos e dos subsídios destes às atividades desenvolvidas, a escola sentiu mais potente no trato do assunto e buscou fortalecer as ações junto com a família, parceiros e alunos.



  1. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E DINAMICIDADE DO PROCESSO DE ORIENTAÇÃO SEXUAL DESENVOLVIDO NA ESCOLA APOENAN.

A sexualidade é atualmente vista como um problema de saúde pública, sendo a escola local privilegiado de implementação de políticas públicas que promovem a saúde de crianças e adolescentes, ela foi constituída, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), em tema transversal, disseminar – se por todo campo pedagógico abrangendo todas as disciplinas do currículo comum.

A escola, ao definir o trabalho com Orientação Sexual como uma de suas competências, o inclui no seu Projeto educativo. Isso implica uma definição clara dos princípios que deverão nortear o trabalho de orientação e sua clara explicitação para toda a comunidade escolar envolvida no processo educativo. A partir dos estudos e análise dos dados, procurou – se refletir sobre o acesso aos meios para se evitar a gravidez precoce e suas conseqüências, no processo ensino – aprendizagem.

O projeto foi realizado com a finalidade de verificar os problemas emocionais que interferem no rendimento escolar, durante e após a gravidez, como também imbuir os adolescentes de instrumentos e orientações para minimizar os problemas provocados pelo sexo precoce e a desinformação acerca deste.

Diante das dificuldades existentes na relação entre pais e adolescentes, no que diz respeito à sexualidade, recomenda – se que as ações de orientação sexual na Unidade Escolar sejam intensificadas e estejam permanentemente em pauta, pois a influência do meio tem uma força negativa enorme e, principalmente quando aliada a cultura dos pais que é desprovida de um conhecimento sistematizado, tornando – a desfavorecida.

Dessa forma os jovens terão garantido a sua liberdade com convicção de seus atos, aprendendo a lidar com suas emoções, seus desejos e segurança para lutar contra a interferência do meio em que vive.

Para garantir essa coerência e aproximar a família às questões cotidianas da escola, o primeiro passo adotado na implementação das ações de orientação sexual, foram as exposições e debates das intenções pedagógicas, como: metodologias, equipe pedagógica que seriam envolvida no processo e autores que seriam adotadas no decorrer do ano letivo acerca do assunto à família de nossos alunos. Cerca de 80% dos pais compareceu a reunião realizada pela comunidade escolar e cursistas com intuito de apresentar o projeto de intervenção abordando o tema sexualidade aos adolescentes. Os mesmo explicitaram as suas opiniões, sugestões e validaram o projeto.

Criaram – se espaços de reflexão e debate nas três palestras realizadas com profissionais da saúde (enfermeiros) abordando sobre as doenças sexualmente transmissíveis e exposição dos métodos contraceptivos, complementando o trabalho que já vem sendo realizado de forma interdisciplinar no cotidiano escolar. Contamos com a participação efetiva dos alunos, pais, professores e demais servidores da escola.

Com intuito de promover um envolvimento ativo e produtivo neste trabalho, formou – se um grupo de alunos multiplicadores do conhecimento das turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, para aquisição do saber e disseminação deste. As reuniões para estudo com os mesmos foram mediadas pelos professores de Ciências, Suporte e Diretor pedagógico, Assessores de Currículo da DRE e cursistas conforme escala pré - estabelecida, no contra turno escolar. Estes encontros tinham como objetivo estudar os temas previamente escolhidos e planejados pelos tutores, de acordo a necessidade e faixa etária dos alunos. Após os estudos, as duplas de alunos de cada turma transmitiam o que aprenderam para os seus colegas, com subsídio do professor.

Os alunos multiplicadores do conhecimento desenvolveram nas turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, durante todo o ano letivo; palestras, debates, teatros, reflexão, debate e comparativo da letra de músicas antigas e modernas, exposições de filmes, cordéis, poesias e paródias abordando a temática sexualidade em sua amplitude.

No decorrer do ano letivo, os professores de Ciências, História, Língua Portuguesa, Artes e Educação Física desenvolveram a sua prática pedagógica, vinculada ao trabalho contínuo de Orientação Sexual proposto no Projeto Sexualidade e nos Parâmetros Curriculares Nacionais.

Foram realizadas reuniões de pais, sob a coordenação dos alunos multiplicadores do conhecimento, na qual abordaram a temática sexualidade, transmitindo aos mesmos, todo o conteúdo assimilado nos encontros de estudo e na interação professor e aluno ocorridos nas atividades intra e estraescolar.

Nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos produziram poesias, paródias, músicas e cordéis, salientando a temática, não de forma pejorativa, mais respeitosa, clara e criativa, fazendo com que todos compreendessem a importância da sexualidade sadia e no momento certo para não prejudicar o rendimento escolar e a vida no meio familiar. Os trabalhos produzidos foram expostos no pátio da escola para divulgação e apreciação da família e comunidade escolar e local.

Na disciplina de ciências, foram trabalhados os métodos contraceptivos, a higiene corporal, as doenças sexualmente transmissíveis, as pronúncias corretas dos órgãos genitais, orientação sobre o câncer de colo de útero, de mama e a formação do corpo humano.

As aulas de arte se tornaram mais dinâmicas e atrativas, pois os alunos foram motivados a representarem os conhecimentos assimilados acerca do tema, em forma de desenho e construção de painéis explicativos.

Os recursos didáticos utilizados foram: camisinha para ser manipulada por todos, cenoura representando o órgão genital masculino para demonstração do uso correto da camisinha, maçã como forma de representar o órgão genital feminino e a partir dela o estudo das partes do mesmo.

Após os estudos teóricos, os alunos foram estimulados a confeccionarem um painel para expor tudo o que aprenderam. Os mesmos fizeram a exposição dos desenhos do corpo humano feminino e masculino, mostrando as diferenças de ambos e as transformações que ocorrem durante a gravidez.

Nas aulas de geografia e história os alunos estudaram diversos textos que apresentam em quais regiões o índice de gravidez na adolescência é mais acentuado, os níveis de escolaridade, idade, poder aquisitivo da família dos adolescentes envolvidos e o processo histórico que deu origem a revolução sexual e suas conseqüências culturais, econômica e política .

Todo este trabalho foi desenvolvido com intuito de promover o bem estar dos educandos e favorecer uma aprendizagem significativa com transformação de atitudes e valores, com reflexos positivos no meio familiar, na escola e na sociedade. Por tanto, com o desenvolvimento do projeto, pretendeu – se contribuir na formação do sujeito, como ser completo, não apenas no conhecimento intelectual, mas visando que ele possa se perceber como ser integral, com suas emoções, comportamentos, e que o mesmo possa somar com as experiências e questionamentos do nosso projeto, mudando a sua trajetória de vida, não se deixando levar apenas por impulsos, emoções e circunstancias que mais tarde poderá acarretar em danos para sua personalidade, criando gravidez indesejada e contraindo doenças.

Entende – se que a escola deve assumir o seu papel de transformação da realidade e da formação de um ser integral, conforme estabelecem os PCNs, 1998 “ Antes de tudo, é preciso reter que a escola é um espaço de reprodução social, um espaço de construção e de transmissão de saberes, valores e identidades.”

Neste processo de construção e reconstrução de saberes, é preciso situar as discussões acerca da diversidade sexual no plano da ética democrática e dos direitos humanos, a partir da perspectiva da inclusão social, do reconhecimento da emancipação e da produção e democratização do conhecimento.

Assim, a promoção da inclusão e respeito ao próximo, foi abordada de forma significativa nas aulas de todas as disciplinas, nos debates e nos textos estudados.

Por tanto, a opção sexual foi tratada a partir da valorização da diversidade como fator de inclusão e pertencimento.
3. CONCLUSÕES:
Os objetivos propostos com os estudos e implementação do projeto foram alcançados e o resultado da pesquisa mostrou que, apesar de todas as dificuldades encontradas durante todo o ano letivo, as alunas mães não desistiram de estudar no decorrer do ano letivo, devido o trabalho de resgate da autoestima, ter sido intensificado nos encontros, nas aulas e em todos os momentos de ensino aprendizagem.

Vale ressaltar que não houve ocorrência de gravidez das alunas adolescentes no decorrer do ano letivo. Acredita – se que as orientações transmitidas em todas as disciplinas, tenham propiciado aos educandos a conscientização e a percepção da importância dos estudos para a formação integral e melhoria de vida.

O projeto realizou - se com sucesso, pois o envolvimento dos alunos e pais foi significativo e no final foi feita uma avaliação na qual os dados revelaram a satisfação de todos os envolvidos e a evidência do não surgimento de alunas grávidas como ocorriam nos anos anteriores.

No decorrer do trabalho, evidenciou que a família se percebeu como co – responsável do processo de educação e concluiu que o exemplo é de grande relevância para a promoção de um ensino saudável e transformador tanto no ambiente familiar como social.

A satisfação da família em relação ao projeto foi notória nas falas e envolvimento desta nas atividades realizadas propostas no coletivo de professores, pais, alunos e servidores de um modo geral no decorrer do ano letivo.
4 REFERÊNCIAS

FOLHA DE S. PAULO, Em 20 anos, Aids já matou 22 milhões. 5 jun. 2001.


BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacinais: terceiro e quarto ciclo – apresentação dos temas transversais. Brasília: MECSEF, 1998.
FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade 1: a vontade de saber. 12. ed. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J.A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1997.

_____. A história da sexualidade 2: o uso dos prazeres. 8. ed. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1998.


LARROSA, Jorge. “Estudo relaciona falta de escolaridade com gravidez”. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1994.
LOURO, Guacira. “Pedagogias da sexualidade”. In: ______. (Org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
PAIVA, Vera. “Sexualidades adolescentes: escolaridade, gênero e o sujeito sexual”. In:
PARKER, R.; BARBOSA, R. M. (Orgs.). Sexualidades brasileiras. Rio de Janeiro: Relume Dumará,1996.
PETRY, Sabrina. “Gravidez precoce diminui qualidade de vida”. Folha de S. Paulo, 6 maio 2001. Cotidiano, p. C 5.
ROSEMBERG, Fúlvia. “A educação sexual na escola”. Cadernos de Pesquisa, n. 53, p. 11-


1 Gestora Pedagógica Licenciada em Pedagógica – Universidade do Tocantins – Campus de Arraias - TO

e- mail: analuciakiv@yahoo.com.br



Professora Licenciada em Pedagogia – Universidade do Tocantins – Campus de Arraias - TO

e-mail: lucimarferr@yahoo.com.br





2




©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal