Grão Mestre Antonio de Oxalá Antonio Severino da Cunha



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48. Línguas indígenas do Brasil:


As línguas indígenas do Brasil são os idiomas falados pelos povos indígenas brasileiros. Assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias língüísticas, e estas por sua vez fazem parte de grupos ainda maiores, classificadas comotroncos lingüísticos. Os troncos com maior número de línguas são o macro-tupi e o macro-jê. Existem também povos que falam o português; no entanto, estes casos são considerados como perdas linguísticas ou identidades emergentes.

Há famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. Além disso, outras línguas não puderam ser classificadas dentro de nenhuma família, permanecendo na categoria de não-classificadas ou línguas isoladas. Ainda, existem as línguas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados.

Pelos cricatisramcocamecrás (canela), apaniecrás (canela), apinaiéscraósgaviões-do-pará e pucobiês, que são todos dialetos diferentes da língua timbira.

A originalidade das línguas indígenas brasileiras tem uma importante relação com os marcos históricos do povo, afinal, antes de mais nada, a língua representa as transformações ocorridas em uma tribo, desde seu nascimento, invasões, mudanças e o resultado final!

Um exemplo se encontra na língua Tupi, que por terem vários povos que a falam é possível perceber o quão importante ela já foi e é, definindo, assim o caráter cultural do povo.

Línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaçadas de extinção, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e oInstituto Living Tongues. Elas estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, osAndes e a região do chaco, revelaram os pesquisadores. Menos de 20 pessoas falam ofayé, e menos de 50 conseguem se expressar em guató, ambas faladas no Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai e à Bolívia, para citar um exemplo. A área é considerada de "alto risco" para línguas em risco de extinção, alertaram os pesquisadores. Em outra área de risco ainda maior – grau "severo" – apenas 80 pessoas conhecem o wayoró, língua indígena falada nas proximidades do rio Guaporé, em Rondônia.

Os cientistas descreveram esta parte do globo como "uma das mais críticas" para as línguas nativas: extremamente diversa, pouco documentada e oferecendo ameaças imediatas aos idiomas indígenas.

Entre estas ameaças, estão as línguas regionais mais fortes, como o português na Amazônia brasileira, o espanhol falado na Bolívia, e o quéchua e o aymara, difundidos no norte e no sul dos Andes bolivianos, respectivamente.

Informações complementares poderão ser encontradas em dois outros textos de Andrade, J.M.T. de : Para uma Antropologia da Jurema e Para um handbook da Jurema: do Índio à Umbanda, proposta para um trabalho coletivo, interdisciplinar e sistemático sobre o mundo da Jurema.

59. O Catimbó-Jurema:
Por exemplo, a cidade do Mestre angico deve ser plantada em um tronco da arvore do mesmo nome; as cidades das mestras geralmente são plantadas em troncos de imburana de cheiro. No caso dos Mestres que têm relação com vegetais, são daquelas espécies que tiram a força e a ciência para trabalhar. Os que têm relação com animais, acredita-se que eles possam encantar-se em animais das espécies referidas, aparecendo em sonhos, visagens e, muitas vezes, assim metamorfoseados quando incorporados em seus discípulos.

No panteão juremista existem vários Mestres e mestras, cada qual responsável por uma atividade relacionada aos diversos campos da existência humana (cura de doenças, trabalho, amor...). Há ainda aqueles responsáveis por fazer trabalhos contra os inimigos.
Nas mesas e rodas as representações das entidades relacionadas nesta categoria são as mais elaboradas, geralmente possuindo o “estado completo” e a jurema plantada; em especial a do Mestre da casa, aquele que incorpora o juremeiro, faz consultas e inicia os afilhados nos segredos do culto. Por tudo isso este Mestre é carinhosamente chamado de “meu padrinho”.

Aliás esta característica de independência dos Mestres é que os tornam muito eficazes e temidos. São entidades que trabalham com magia direita e esquerda e não estão contidos por critérios ligados a Orixás. Não que os Mestres sejam desprovidos de justiça e bom senso, ou mesmo superiores a outras entidades e Orixás, mas o seu trabalho não depende de hierarquias complexas de serem atendidas.

Os Mestres são guias, orixás sem culto, acostando espontaneamente ou invocados para servir. Cada um possui fisionomia própria, gestos, vozes, manias e predileções. São muito ligados a sua última vida e às coisas terrenas por isso fazem questão de algumas peças de indumentária, mas, não tem a teatralidade exagerada das entidades de umbanda. A fisionomia é uma forma muito característica de se reconhecer um Mestre. Com um pouco de experiência pode-se reconhecer um Mestre pelos ademanes, trejeitos, posição das mãos, da boca e forma de andar.

Cada Mestre tem sua linha, um canto ou cantiga, de melodia simples. Há Mestres que não tem linha, como Mestre Antonio Tirano e Malunginho, ambos ferozes. Essa linha era cantada como uma invocação ao Mestre. Sem canto não ha encanto. Todo feitiço é feito musicalmente. Alinha é o anuncio e o pregão característico do Mestre.

Cada Mestre está associado a uma cidade espiritual e a uma determinada planta de ciência (angico, vajuncá, junça, quebra-pedra, palmeira, arruda, lírio, angélica, imburana de cheiro e a própria jurema, entre outros vegetais), existindo ainda alguns relacionados à fauna nordestina. Para os Mestres relacionados a uma planta que não a jurema, são estas plantas que têm seus troncos plantados nas mesas dos discípulos. Mestres e seu fundamento no Catimbó.

Pode ser no terreiro.

Pode ser na mesa.

Pode ser no chão.

Primeiro, os mestres que vivem no mundo encantado, as cidades da Jurema, são invocados com cantigas chamadas "toques". Então, o mestre parte da sua cidade encantada e desce. Ele assume o corpo do juremeiro e sacode para valer.

“É preciso o êxtase para o mestre chegar, para ele vir trabalhar. E isso se faz não só através do canto, em que eu chamo meu mestre, eu canto para ele, mas também através da bebida. Eu preciso beber a Jurema”, explica Luiz Assunção, doutor em Antropologia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Luiz Assunção estuda a Jurema há 16 anos. Jurema é uma árvore nativa do agreste e da Caatinga Nordestina. Diz a lenda que essa árvore é sagrada, porque nela a Virgem Maria teria escondido o menino Jesus durante a fuga da sagrada família para o Egito.

A bebida é feita com a casca da Jurema e mais vinho ou pinga. Os outros ingredientes são um segredo que os mais velhos guardam com zelo.

“Ela queima um pouquinho. Pouquinho, mas queima. Dentro dessa garrafa tem jurema. O senhor vai me desculpar, porque eu não posso revelar o segredo”, diz Mestre Geraldo. Para explicar, ele canta: "O trabalho da Jurema, todo mundo quer saber. Como o segredo da abelha, trabalha sem, ninguém ver".

Seu Geraldo, 84 anos, é um dos últimos grandes mestres do Catimbó-Jurema na cidade de Natal, uma linhagem que inclui uma simpática senhora de 87 anos, Mestre Olívia Muniz. Ela canta: “A ciência da jurema mora debaixo do chão. Pertence ao poder da mente. Quem tem a chave dela é o grande rei Salomão”.

“É uma ciência, uma ciência grande, muito grande”, garante Mestre Carol. Juremeiro há mais de 50 anos, ele apresenta seu mestre: Preto José Pilintra. E descreve o que sente quando essa entidade mágica se aproxima. “Eu sinto, eu vejo quando ele chega”, explica.

Zé Pilintra aparece nas imagens desta reportagem supostamente incorporado em um mestre da nova geração, Mestre Marconi, que trabalha na linha da Jurema de Mesa. Um arranjo na mesa simboliza as cidades mágicas da Jurema, onde vivem os mestres invisíveis.

“É a cidade da Jurema, que traz toda a força para os discípulos mestres, que vêm ao redor. A água é um elemento importante, porque é ela quem traz a força da natureza”, esclarece o mestre.

“É um mundo imaginário, sobrenatural, que está em outro plano, no que eles chamam de plano encantado”, afirma o professor Luiz Assunção.

A chamada "gira" de Jurema ocorre dentro de uma casa comandada pelo Mestre Jeová , filho espiritual de Mestre Carol. Durante o ritual, chegam ao terreiro os caboclos juremeiros. A Mestre Luziara é uma princesa da Jurema.

“É como se meu corpo começasse a ficar dormente e eu me apagasse. Não me lembro do que se passa. Para mim, a jurema é sagrada, é preciosa”, observa ela.

O escritor e professor de São Paulo Reginaldo Prandi, especialista em religiões afro-brasileiras, assistiu aos ritos mostrados nesta reportagem.

“Quando os mestres se incorporam, eles têm sempre um objetivo básico, que é atender as pessoas e aplicar certas receitas, que são receitas mágicas, de uma medicina muito antiga, religiosa”, comenta o especialista.

Mestre Melque trabalha com a chamada jurema de chão. O chocalho, ou maracá, e o canto em círculo lembram a origem indígena deste rito. Mas evocam também a época em que os praticantes desta religião eram perseguidos pela polícia.

“O mundo religioso afro-brasileiro sempre foi perseguido, sempre foi visto como uma prática religiosa inferior, como uma prática relacionada ao mal, à feitiçaria”, lembra Luiz Assunção.

“Eu lembro que fui preso muitas vezes“, conta Mestre José Clementino.

Para se esconder da polícia, o rito era realizado com todos abaixados, escondidos na mata. Não se podia tocar tambores; apenas os maracás.

“Muitos têm a Jurema como um bicho, mas a jurema não é nada disso. Ela é paz, luz, amor e caridade”, resume Mestre Geraldo.

“Esse mundo religioso precisa ser respeitado”, defende Luiz Assunção.

50. A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA


  • 1 - O CATIMBÓ

        Em continuidade no tempo, foi da fusão destes novos cultos de Caboclos Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade dos negros Bantus, quase sempre escravos fugitivos que encontraram guarida e proteção na Pajelança e no culto dos Encantados, que esboçou-se o Culto do Catimbó, mas no qual, agora, as cerimônias perdiam o sentido de função social da coletividade para transformarem-se em cultos individuais de satisfação de necessidades pessoais quer de índios, negros ou mestiços, ainda que de natureza espiritual, curativa ou de ligação com os antepassados de todas as etnias.

        Exemplificando a mudança de tais funções, ouça-se o triste depoimento de um velho Pajé, de nome Tarcuáa, que assim se lamentou com um pesquisador : –"Hoje não há mais Pajés; somos todos Curandeiros"– (Roger Bastide, "apud" Câmara Cascudo, em "Novos E         Usando uma mitologia e ritualismo bem empobrecidos, os "altares" do Catimbó representam a perda de valores iniciáticos dos indígenas brasileiros, que passam a ser substituídos pela miscigenação religiosa e apresentam, lado a lado, estampas e estátuas de santos católicos, charutos, aguardente, pequenos arcos e flechas, flautas e chocalhos indígenas, além de ervas e animais secos, objetos que são portadores dos poderes da força mística indígena "Mana", da "Benção" Católica e da "Mandinga" Banto, pois que o "Àsé" Sudanês ainda não havia aportado no Brasil.


      Mas, embora tenham abandonado o pó de tabaco insuflado diretamente nas narinas para obtenção do transe místico, ainda existia a lembrança de seu uso ancestral como "erva sagrada", através dos "charutões" e da "Princesa": nos altares do Catimbó estava a "Princesa", uma cuia de cobre ou vasilhame raso de barro, a qual sempre repousava sobre um "rolo de fumo", o qual era cercado por um pano branco que nunca tinha sido e nem nunca seria usado para outra finalidade, como a atestar sua pureza e santidade.

O conjunto denominado por "Princesa" constituía-se na ligação com o passado indígena, pois era nela que era moída e infusa a raiz da árvore "Jurema", uma bebida levemente alucinógena que então induzia a descida dos "espíritos" invocados para provocar o transe mediúnico, ainda chamado de "Estado de Santidade".

Os negros bantos-congoleses aceitaram esta nova concepção religiosa, sobretudo, em termos de "culto aos mortos", pois os Pajés e os Catimbozeiros, através dos Maracás e das Cunhãs, dos Encantados, do Petun e da Jurema, quiçá agora também da "Diamba" introduzida pelos africanos, comunicavam-se com o "Além", ou seja, o lugar místico e/ou mítico em que os brancos, os índios, os negros e os mestiços de todos, igualmente situavam a existência de seus antepassados.

Desta adaptação do negro fugitivo ao novo meio ambiente, até por ser a única opção, nasceram, de acordo com a maior ou menor negritude de seus participantes, as variações de cultos miscigenados indígenas-cristãos-africanos, tais como o "Toré", o "Tambor de Minas", o "Babassuê" e o "Batuque".

      Entretanto, era o Catimbó já prenunciava a futura "Umbanda", apresentando-se dividido em "Sete Reinos Espirituais" : "Vajucá", "Tigre", "Canindé", "Urubá", "Juremal", "Josafá" e "Fundo do Mar".

      E, note-se bem: seus principais Espíritos-Chefes são indigenas brasileiros : "Itapuã", "Xaramundy", "Muçurana", "Iracema", "Turuatã", as "Moças d'água" ou "Yaras" e somente muito mais tarde, aparecem alguns "espíritos" isolados de "catimbozeiros" de descendência africana: "Pai Joaquim", etc...

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