Grão Mestre Antonio de Oxalá Antonio Severino da Cunha



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2. Catimbó ou Catimbó-Jurema.


Catimbó ou Catimbó-Jurema é um conjunto específico de atividades mágico-religiosas, originárias da Região Nordeste do Brasil. Conhecido desde meados do século XVII, o catimbó resulta da fusão entre as práticas de magia provenientes da Europa e rituais indígenas de pajelança, que foram agregados ao contexto das crenças do catolicismo. Conforme a região de culto, influências africanas podem ser notadas, de forma limitada, entretanto.

A Stricto sensu, o catimbó não pode ser considerado uma religião, uma vez que não reúne em sua estrutura elementos doutrinários próprios, como dogmas ou liturgias. Assim, concebe-se o catimbó como um culto, calcado sobre os preceitos do catolicismo popular. Nas sessões, cultuam-se os santos católicos, a Virgem Maria e Jesus Cristo, bem como as ervas sagradas e a árvore da Jurema, onde se apoia toda a orgazição do catimbó.

A Jurema (Mimosa hostilis), nativa do agreste e sertão nordestinos, é um arbusto Fabáceo, do qual se fabrica uma bebida psicoativa de mesmo nome. Tal bebida, também conhecida como Vinho da Jurema, é composto por uma variedade de ervas, ao qual se adiciona cachaça ou vinho branco. A ingestão da Jurema, em conjunto com os toques, as cantigas rituais do catimbó, provoca um estado de transe profundo, interpretado pelos Catimbozeiros, como a incorporação dos Mestres da Jurema. Estas entidades espirituais, que supostamente habitariam o Mundo Encantadoou Juremá, teriam sido adeptos do catimbó que, ao morrerem, se "encantaram", ou seja, foram milagrosamente transportados a este estamento espiritual, de onde poderiam atender os vivos pela realização de curas e aconselhamento, desde que para tal fossem requeridos através da incorporação.

A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA


  • 3. O BATUQUE E O OMOLOCÔ

      Foi sobretudo do "Batuque" que se originou o terceiro sincretismo religioso brasileiro, o Indígena-Cristão-Banto-Sudanês, os chamados Candomblés [que aqui vão entrar apenas como "filtro de estrutura" pelos quais passou a religiosidade indígema brasileira], pois, à medida que mais e mais negros de origem Banto, Congo e Angola alforriavam-se e reagrupavam-se na periferia das maiores cidades da época, foi no Batuque que eles mantiveram as partes dos rituais de seus Antepassados que conseguiam por em prática dentro dos limites estreitos da escravidão, criando os primeiros Candombes, que é uma palavra de origem Banto e não Iorubá, significando no Brasil, "lugar de terra batida por pés" e/ou "lugar de danças de negros", e, por extensão, "terreiro" onde praticavam seus cultos religiosos, os quais, sob a forma de cantos e danças - o Batuque - eram permitidos e até incentivados pelas autoridades como forma de atiçar, assim pensavam elas, as velhas rivalidades tribais existentes desde a África.

 Mas, ao contrário dessa suposição das autoridades, desde os seus primórdios, estes Candomblés incorporaram várias etnias dos fiéis dos Catimbós, levando assim para o seu interior o sincretismo religioso indígena-cristão anterior.

Entretanto, com a inconteste hegemonia Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nagô) que por fim se estabeleceu nos "Candomblés de Nação", com a sua total rejeição da manifestação pública dos seus Baba Egun [Antepassados], excepto se realizadas nos novos Terreiros-li-ese-egun para poder também rejeitar qualquer outros antepassados de quaisquer etnias, a corrente religiosa indígena-banto-católica, embora aceitando o conceito dos Orixás Sudaneses, reafirmou sua opção anterior pelo culto dos Caboclos cristianizados e dos seus Antepassados africanos, começando a surgir daí o conceito Umbandista dos primeiros "Mensageiros Incorporantes dos Orixás" -- Os Caboclos e os Pretos -velhos -- surgindo assim o Omolocô ou Candomblé de Caboclo.

E, nestes novos cultos, continuaria vivo o sincretismo religioso dos ritos, indígenas-cristãos apoiados em todo Panteão Africano Orixás, Voduns e Inkicês), e, assim, ao lado de Olorun, pontificam Tupã, Zambi e Deus que é Pai; ao lado de Yemanjá, estão Janaína, as Iaras e Nossa Senhora; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra; junto aos Baba Egun, estão as Crianças, a Falange do Oriente e os Caboclos Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Juremá, Pedra Preta, Pena Branca, Cobra Coral, Seô Quatro Olho e muitos outros mais.



A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA

  • 4. O ENCANTAMENTO

No processo de "evangelhização" imposto aos indígenas brasileiros pelos Jesuítas, a figura do Messias Civilizador Yurupari, não foi transformada em decalque do "Cristo", mas sim aproximada ao "Diabo" dos Católicos, embora os Jesuítas tenham adotado pessoalmente a sua erva sagrada "Petun" [Tabaco], o qual era usado para provocar transe mediúnico nos Xamãs indígenas [Payés], transformando o uso dessa "erva sagrada" em um vício profano que, ao longo do tempo, tornou-se uma praga social universal.
        Do mesmo modo, os colonos brancos assimilaram as soluções indígenas que, na prática, provavam ser eficientes nesta nova terra : trocaram o trigo pela mandioca, o leito pela rede, o vinho pelo cauim; aprenderam a fumar e começaram a gostar dos frutos e das filhas desta terra, iniciando a primeira miscigenação racial deste país, gerando filhos mestiços que foram muito apreciados como elos de ligação das alianças com as tribos indígenas, alianças estas que os colonos precisavam estabelecer para sobreviver aos ataques das tribos de nações indígenas inimigas.

        Começava aí o sincretismo cultural, racial e social que marcaria todo o período do descobrimento, conquista e colonização do Brasil e que, talvez, o diferencie de todos os outros povos irmãos da América Latina.

Já o sincretismo religioso ficou por conta dos descendentes dos indígenas espoliados à medida que viam naufragar a cultura de seus ancestrais e nada lhes era dado em troca para substituí-la.

Assim, sempre que afrouxados o laço e a peia da "evangelização" católica forçada, a espiritualidade indígena reaflorou e perdurou por um largo período de tempo, quiçá até nossa era, embora desde então já se apresentasse sincretizada com motivos cristãos, por necessidade de sobrevivência e ascensão social.

Sobre este afloramento "impertinente" de uma religiosidade indígena que os catequistas católicos pensaram haver suplantado, assim se expressou Roger Bastide : –"Se excluir a região do Maranhão, onde o (negro) Daomeano dominou, todo o Norte do Brasil, da Amazônia às fronteiras de Pernambuco será domínio do índio. Foi ele que marcou, com profunda influência, a religião popular: "Pajelança" no Pará e Amazônia;

"Encantamento" no Piauí; "Catimbó" nas demais regiões."–

        Podemos acrescentar que o mesmo se deu, inicialmente, por toda a parte, como por exemplo no Estado de São Paulo, onde brancos, indígenas e seus mestiços tiveram estreita convivência e miscigenação, ao ponto da língua Tupi aí predominar sobre a Portuguesa, até os meados do século XVIII.

      Da confusa mixagem de conceitos religiosos expressos no "Tuyabaé-Cuaá", no Catolicismo da Contra-Reforma, na "Santidade" e na "Pagelança", mal compreendidos todos de parte à parte, originou-se o "Encantamento", o culto dos "Caboclos Encantados", considerados por seus fiéis como espíritos de mestiços indígenas-brancos mais ou menos cristianizados e que faziam externamente as vezes dos "Santos" católicos, mas que ainda cumpriam uma função social para a coletividade mestiça indígena, adotando a divisão tribal em clãs - os "Filhos do Sol" e os "Filhos da Lua" - e que embora ainda usasse a fumaça da erva sagrada "Petun" [Tabaco] para induzir o transe mediúnico, o fazia através de Cangüeras [grandes "charutos" de tabaco enroçados à mão], todas estas práticas religiosas sendo acompanhadas por "pontos" ou "cânticos", melodias indígenas deturpadas e expressadas em língua portuguesa estropiada.
      Da fusão destes novos cultos de Caboclos Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade dos negros Bantos, quase sempre escravos fugitivos que encontraram guarida na Pajelança e no culto dos Encantados, foi que esboçou-se o segundo sincretismo religioso brasileiro - o Culto do Catimbó.

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