Grupo de extensão – Filosofia do Helenismo Ceticismo



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Grupo de extensão – Filosofia do Helenismo

Ceticismo

O propósito deste trabalho está relacionado a uma apresentação da história do Ceticismo e a apresentação – mesmo que superficial – das idéias de cada período dessa escola. O estudo aprofundado dos temas centrais posto por cada filósofo fica ao encargo da curiosidade de cada um.



  1. Pirro de Élida

    1. Origem do movimento cético

      1. Imagem de Pirro

      2. Novidade Filosófica

      3. Pirro e a Revolução Alexandrina

      4. Encontro com os orientais

      5. Megáricos e Atomistas

      6. Reviravolta Ontológica

      7. Três questões capitais

  2. Neo-acadêmicos

    1. Arcesilau

      1. Influência de Sócrates

      2. Epoché

      3. Eulogón

    2. Carnéades

      1. Crítica do critério de verdade

      2. Pithanón

  3. Céticos Posteriores

    1. Sexto Empírico

      1. Critérios controvertidos e suspensão do juízo

      2. Crítica a Estóicos e Epicuristas

      3. Critério de utilidade

1. Pirro de Élida

    1. Origens do pensamento Cético



      1. Imagem de Pirro

“... eram homens (os céticos) que buscavam no mestre (Pirro) sobretudo um modelo de vida, um paradigma existencial ao qual referir-se constantemente uma prova segura de que, malgrado os trágicos acontecimentos que abalavam os tempos, malgrado a ruína da antiga tábua de valores ético-políticos, a felicidade e a paz do espírito ainda eram alcançáveis, mesmo que se considerasse impossível construir e propor uma nova.” (REALE, G. História da filosofia antiga, vol III. Trad, Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. P. 392)

1.1.2 Novidade Filosófica

“Exatamente nisso está a novidade que distingue a mensagem de Pirro (...) a novidade está na convicção de que é possível viver com ‘arte’ uma vida feliz, mesmo sem a verdade e sem os valores, pelo menos tais como foram concebidos e venerados pelo passado.” (REALE, G. História da filosofia antiga, vol III. Trad, Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. P. 392)



1.1.3 Pirro e a revolução Alexandrina

“Não é, pois, surpreendente que, justamente, o pensamento de Pirro, mais do que o dos outros filósofos, sentisse o violento impacto dessas novas realidades. Assim como a grande expedição de Alexandre, da qual Pirro participou (... este filósofo) situa-se no preciso momento em que a consciência perde algumas verdades e não consegue ainda encontrar outras e, portanto, como foi justamente dito, situa-se ‘no marco zero da verdade’ (como afirmou M. Conche, Pyrrhon).” (REALE, G. História da filosofia antiga, vol III. Trad, Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. P. 394)



1.1.4 Encontro com os orientais

“Pirro teve a possibilidade de estabelecer relações com os ginosofistas na Índia e com os magos. Dali tirou maior estímulo para suas convicções filosóficas, e parece que abriu para si a via mais nobre na filosofia, enquanto introduziu e adotou os princípios da akatalexía (isto é, da irrepresentabilidade ou incompreensão das coisas) e da epoché (isto é, da suspensão do juízo): esse primado foi-lhe atribuído por Ascânio de Abdera.” (Diógenes Laércio, IX, 61)



  • Acontecimento marcante para Pirro: “Calano, que por um breve período foi atormentado por dores no ventre, pediu para que lhe erigissem uma fogueira. Depois, dirigiu-se ao lugar a cavalo, rezou e derramou as libações fúnebres sobre si mesmo, cortou uma mecha de seus próprios cabelos e ofereceu-a aos deuses, como se usa nos sacrifícios, e subiu à fogueira, saudando os macedônios presentes e exortando-os a transcorrer prezerosamente aquele dia e a banquetear-se junto ao rei, o qual logo, disse ele, deveria rever Babilônia. Dito isso, deitou-se e cobriu a cabeça. O fogo aproximou-se, mas ele não se moveu: como se tinha deitado, assim permaneceu, imolando-se segundo o uso dos sábios do seu país.” (Plutarco, Vida de Alexandre, 69)

1.1.5 Megáricos e Atomistas

“Pirrro, muito amiúde, citava Demócrito.” (Diógenes Laércio. IX, 67)

“No livro Sobre as Formas (Demócrito) diz: ‘O homem deve dar-se conta, por meio do presente critério, de que está (para a obra das aparências sensíveis) afastado da verdade.” (Sexto Empírico. Contra os matemáticos VIII, 137)

“Também essa consideração demonstra, justamente, que nós não sabemos nada segundo a verdade, sobre qualquer coisa, mas, em cada um, a Opinião é (uma espécie de) conformação (= conformação que os átomos de alma assumem em contato com os átomos das coisas percebidas e, portanto, variáveis).” (ibidem)



1.1.6 Reviravolta Ontológica

“As coisas não possuem qualquer diferença, nem medida, nem discriminação.” (Aristócles, fr. 6 Heiland)

“O fenômeno domina sempre, onde quer que apareça.” (Tímon, fr. 69 Diels)

1.1.7 Três questões capitais


  1. Qual a natureza das coisas?

  2. Que atitude devemos assumir a respeito da natureza das coisas?

  3. Que resultará dessa atitude?

“À primeira questão respondem (desenvolvendo motivos do relativismo de Heráclito e de Protágoras): só conhecemos o que sentimos; podemos afirmar o fenômeno tal como se nos apresenta, por exemplo, que o mel nos parece doce, mas não que tal seja em si. Por isso a resposta à segunda questão é que devemos reconhecer e acompanhar os fenômenos, porém suspender o juízo sobre o que está oculto (a coisa em si) (...) De tal renúncia ao juízo (afasia), deriva-se por si mesma a resposta ao terceiro problema: o cético que, também, aspirando à serenidade, se propusera o problema da natureza das coisas, conclui com renúncia (...) renunciando a pronunciar-se sobre a natureza das coisas, encontra eliminadas as perturbações que a opinião junta às inevitáveis impressões dos fenômenos; isto é, alcança nos limites do possível a desejada imperturbabilidade (ataraxia).” (MOLDOFO, R. O pensamento Antigo, Vol II. Trad, Lycurgo Gomes. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1973 P.277)

  1. Neo-acadêmicos



    1. Arcesilau

      1. Influência de Sócrates

“O método irônico-confutatório, que Sócrates e Platão usam para buscar o verdadeiro, foi largamente utilizado por Arcesilau no novo sentido cético, e foi por ele empenhativamente dirigido contra os estóicos, particularmente contra Zenão. Tratava-se de confutar o Pórtico com as suas próprias armas e reduzi-lo ao silêncio.” (REALE, G. História da filosofia antiga, vol III. Trad, Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. P. 422)

“Contra Zenão (...) Arcesilau empenhou cada uma de suas batalhas, não por obstinação ou por amor à vitória (...) mas por obscuridade daquelas coisas que haviam levado Sócrates à confissão de sua ignorância.” (Cícero, Ac., I, 44)



      1. Epoché

“Arcesilau diz que o fim é a suspensão do juízo [...]; e ademais, que bens são as singulares suspensão do juízo, males são as singulares afirmações.” (Sexto Empírico, Esboço Pirronianos, I. 232s)

“Dado que todas as coisas são inapreensíveis pelo fato de não existir o critério estóico, então, se o sábio der o seu assenso, terá meras opiniões: de fato, uma vez que nada é apreensível, se o sábio der o seu assenso a algo, dá-lo-á ao que é inapreensível, e o assenso ao que é inapreensível é, justamente, opinião (...) portanto, o sábio deverá abster-se de dar o assenso a todas as coisas. Mas abster-se de dar o assenso não é senão suspender o juízo; portanto, o sábio suspenderá o juízo sobre todas as coisas.” (Sexto Empírico, contra os matem., VII, 156s)

2.1.3 Eulogon

“Mas dado que depois disso (epoché) é preciso também ocupar-se do que concerne à conduta da vida, a qual não se dá sem um critério de verdade, do qual também a felicidade, ou seja, o fim da vida, extrai a própria credibilidade, Arcesilau afirma que quem suspende o seu assenso sobre tudo regulará suas escolhas e suas rejeições e, em geral, suas ações, com o critério do razoável ou plausível ( w eulogw) (...) de fato alcança-se a felicidade mediante a sabedoria, e a sabedoria (jrohsis) está nas ações retas, e a ação reta é a que, uma vez realizada, tem uma justificação razoável ou plausível. Portanto, quem se atém ao plausível agirá retamente e será feliz.” (Sexto Empírico, Contra os matem., VII, 158)



    1. Carnéades

      1. Crítica ao critério de verdade

“Carnéades, no que concerne ao critério de verdade, opôs-se não só aos estóicos, mas a todos os filósofos precedentes. De fato, o seu primeiro argumento, dirigido ao mesmo tempo contra todos os filósofos, é o que estabelece a não-existência absoluta de qualquer critério de verdade: nem o pensamento nem a sensação nem a representação nem qualquer outra coisa que são; com efeito, todas essas coisas, no seu conjunto, nos enganam.” (Sexto Empírico, Contra os matem., VII 159)

2.2.2 Pithanón

“Do mesmo modo que na vida, quando indagamos sobre um fato de pouca importância, interrogamos só a uma testemunha, quando o fato é de máxima importância, a mais de uma testemunha, e, se a coisa nos diz respeito, examinamos, também, a cada uma das testemunhas, com base nas deposições dos outros; assim, diz Carnéades, nas coisas de pouca importância usamos como critério a representação apenas provável, nas de alguma importância a não contradita, nas que concernem à felicidade, a representação examinada por todas as partes.” (Sexto Empírico, Contra os matem., VII 184)



  1. Céticos Posteriores



    1. Sexto Empírico

3.1.1 Critérios controvertidos e suspensão do juízo

“Sexto Empírico resume todo estes modos (de Enesidemo – outro cético posterior) em um dilema: toda causa deve ser compreendida por si mesma, ou baseada em outra; mas não é possível por si mesma, faltando um critério que não seja controvertido; nem mesmo baseada em outra, porque por esta o dilema se renovaria e assim ao infinito. Nem a controvérsia sobre o critério de verdade pode ser resolvida, porque para isso seria necessário um critério reconhecido e vice-versa, não se pode possuí-lo sem haver já resolvido a controvérsia. Mas com isso Sexto não quer provar contra os dogmáticos que o critério de verdade não exista: mas unicamente que nós devemos suspender o juízo em mérito.” (MOLDOFO, R. O pensamento Antigo, Vol II. Trad, Lycurgo Gomes. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1973 P.280)



3.1.2 Crítica a Estóicos e Epicuristas

“Toda crítica cética pretende valer somente na esfera de nosso conhecimento, e nunca na esfera da realidade objetiva; pois isto melhor constitui o arbítrio reprovado nos estóicos e epicuristas. Estes queriam realizar semelhante passagem valendo-se dos fenômenos como sinais indicativos ou reveladores da realidade em si. Ora, objeta Sexto, admitimos os sinas comemorativos (o fumo sinal do fogo, a cicatriz o sinal da ferida), isto é, o fenômeno que nos faz recordar outro, permanecendo sempre nos limites da experiência; mas não podemos admitir sinais indicativos, ou seja, a passagem dos fenômenos à coisa oculta em si. É contraditório pensar que os sinais podem, a um tempo, ser relativos a um significado objetivo (isto é, compreendidos em relação unicamente a ele) e reveladores do mesmo (isto é, compreendidos sem e antes dele).” (MOLDOFO, R. O pensamento Antigo, Vol II. Trad, Lycurgo Gomes. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1973 P.280-281)



3.1.3 Critério de utilidade

“Resta, portanto, para a prática da vida, a regra que Sexto, médico, encontra na escola metódica de Medicina: obedecer aos fenômenos e deles tirar a norma que parecer beneficiar. O critério para a vida (como já pensava Protágoras) não é critério de verdade, mas de utilidade.” MOLDOFO, R. O pensamento Antigo, Vol II. Trad, Lycurgo Gomes. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1973 P. 281)



Bibliografia

MOLDOFO, R. O pensamento Antigo, Vol II. Trad, Lycurgo Gomes. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1973



REALE, G. História da filosofia antiga, vol III. Trad, Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994.
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