Gt-23: cultura, política e comunicaçÃO



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GT-23: CULTURA, POLÍTICA E COMUNICAÇÃO

Coordenadores:

Prof. Dr. João Emanuel Evangelista (Departamento de Ciências Sociais)

Email: jemanuel@ufrnet.br

Prof. Dr. José Antônio Spinelli (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: spinelli@cchla.ufrn.br

Prof. Dr. Pedro Vicente Costa Sobrinho (Departamento de Ciências Sociais)

Local/horário: Setor de aula II, Bloco E, sala 6, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.


PRIMEIRO DIA

1A SESSÃO: MÍDIA, CULTURA E CONSUMO

1. O Cinema Como Consumo Cultural: um estudo sociológico sobre gostos e preferências da cultura cinematográfica junto ao público universitário de Mossoró-RN

Jochen Mass Xavier Gomes

O nosso trabalho tem como preocupação investigar os condicionantes sociais, econômicos e culturais na construção das preferências e gostos pelo consumo de cinema da população universitária de Mossoró-RN. Pretendemos investigar como se constrói o gosto dos consumidores de cinema, ou seja, se o mesmo está condicionado a fatores econômicos ou a questões culturais. O procedimento metodológico tentará combinar aspectos de natureza teórica e empírica acerca das relações entre público e consumo de cinema. A construção social das preferências e gostos pelos produtos cinematográficos tem a ver com a lógica da indústria cultural, está por sua vez condiciona e homogeneíza tanto o produto como o público de cinema. Desvendar parte da influência da indústria cultural no condicionamento dos gostos e preferências dos consumidores de cinema é necessário para explicar o nível de padronização do consumo de filmes. Nesse sentido, entendemos que vivemos uma espécie de cultura do imediatismo, em que os consumidores não vêem apenas o que preferem, mas preferem o que a indústria cultural oferece no momento.O imediatismo parece ser determinante dos atuais padrões de consumo de filmes da população universitária de Mossoró-RN. Não pretendemos universalizar o gosto dos consumidores de cinema, mas em sua grande maioria o público quer ver é o chamado filme do momento, aquele que prometa ação e aventura. Todavia, verificar o nível de condicionamento das escolhas de filmes será uma tarefa que pretendemos realizar ao longo do empreendimento investigativo aqui proposto.

2. Os Imperdoáveis: O Autor, O Editor e a Mídia Livro no Nordeste.

Pedro Vicente Costa Sobrinho (Professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A produção científica e cultural do Nordeste sempre foi altamente representativa no conjunto da sociedade brasileira. O pensamento social brasileiro foi enriquecido com a contribuição canônica de cientistas do porte de Sílvio Romero, Câmara Cascudo, Manoel Bonfim, Celso Furtado, Josué de Castro, Clóvis Beviláqua, Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco e outros. As presenças de escritores nordestinos como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Gilberto Amado, Manoel Bandeira, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Jorge de Lima, Coelho Neto, Castro Alves e outros, foram decisivas para a formação da grande literatura nacional. A poderosa riqueza científica, artística e cultural do Nordeste, no entanto, não foi capaz de motivar a formação de uma representativa indústria editorial na região. A presente comunicação busca analisar as causas que determinaram o atraso do mercado editorial da região e conseqüente dependência da região ao centro-sul, e apresenta algumas sugestões de como superá-los.

3. Dominação, Consumo e Publicidade: Aspectos da Relação de Poder Entre Fornecedor e Consumidor

José Augusto Peres Filho (Mestrando em Ciências Sociais – UFRN)

japeres@sxp.com.br

O motor que move a máquina do Capitalismo é o consumo. Para que o lucro, o objetivo maior, seja atingido, aquele (o consumo) precisa ser estimulado. O estímulo deve ser constante, não apenas para suprir necessidades, mas, sobretudo gerando necessidades, por mais artificiais que possam parecer. Esse é o papel da publicidade. Temos, pois, a publicidade gerando o consumo que produz o lucro que é a essência do Capitalismo. Todos intimamente ligados. Por outro lado, temos o alvo da publicidade, aquele que é estimulado a empregar seus recursos nos produtos e serviços “maravilhosos que facilitarão suas vidas ou lhes assegurarão um lugar de prestígio na sociedade”: o consumidor. Dentro do triturador no qual se transformou o mercado de consumo, ele sofre, diuturnamente, os mais diversos abusos por parte das empresas, que vêem nas leis de defesa do consumidor apenas um grande empecilho para o alcance da amplitude do seu lucro. O Estado, que deveria prover a defesa da lei da parte mais vulnerável nessa relação, muitas vezes queda-se inerte, em outras toma decisões e desenvolve ações meramente paliativas. Ao perceber isso, o consumidor tende a desanimar, e a ver como algo normal a submissão que lhe é imposta pelos fornecedores, deixando-se lesar por publicidades enganosas ou abusivas, arcando com prejuízos de posturas empresariais ilegais.



4. Propaganda e Ideologia – Uma Estreita Relação

Dalvacir Xavier de Oliveira Andrade (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UFRN)

No contexto capitalista em que vivemos atualmente, no qual a lógica do consumo toma proporções cada vez maiores, observamos a propaganda como uma das grandes “atrizes” da atual sociedade. Aliada às inovações tecnológica e aos novos recursos da mídia, tornou-se uma primordial ferramenta de vendas. Porém, é importante notar que a propaganda é importante não apenas por ser volumosa e constante, ter a função de vender um produto, aumentar o consumo, abrir mercados, mas pelo seu poder de influência, pelo seu conteúdo, pelos conceitos e representações sociais embutidas nela. Diante disso, pretende-se analisar a relação da propaganda comercial ou publicidade com a ideologia, verificando se a propaganda em sua busca insistente de atrair e interessar o público vende apenas mensagens comerciais ou junto com essas mensagens acaba por divulgar também as idéias dominantes. Por ideologia não compreendemos a forma primária de manipulação entre classes, mas a força que mantém os indivíduos prisioneiros dos sistemas de sociedades aos quais estão submetidos. São as idéias que conformam a dominação social, convenções de juízos considerados reais e verdadeiros, sem se saber sua origem nem explicação.

5. Economia, Meio Ambiente e Mídia no Rio Grande Do Norte: Desafios e Oportunidades Perante a Sociedade da Informação

Marígia Mádje Tertuliano dos Santos (Professora do Curso de Ciências Econômicas – UNP)

marigia@yahoo.com

Josenira Fraga Brasil (Professora do Curso de Turismo - UNP)

A difusão do conhecimento, via práticas de educação ambiental, pela mídia, vai além do alcance de políticas específicas da área. Acredita-se que esta decisão está amarrada às definições de um projeto político da sociedade, o qual está sendo traçado de modo independente, sem uma discussão que conscientize a sociedade através de uma nova mídia. No conjunto, esta discussão é justificada pela necessidade do Rio Grande do Norte passar a integrar o movimento global de intensa velocidade de comunicação e troca de informação, que vêm determinando mudanças exponenciais nas áreas econômica, política, social e cultural, através do viés ambiental. Logo, com base em pesquisa piloto, pretende-se explorar a relação entre o desenvolvimento econômico do Estado do Rio Grande do Norte e a preservação do meio ambiente, vistos através das matérias veiculadas no Diário de Natal, no período compreendido entre 1992 a 2002 considerando as práticas ambientais implementadas pelas empresas locais. Em seguida, conhecer o mapeamento e o modo como está sendo encaminhada a utilização das mídias contemporâneas locais, no estímulo às práticas cidadã e o desenvolvimento sustentável.

2A SESSÃO: DEMOCRACIA, CULTURA E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

6. Origem e Desenvolvimento das Ligas Camponesas no Rio Grande do Norte

Ruy Alkmim Rocha Filho (Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

No princípio da década de 1960, o Rio Grande do Norte, a exemplo de outros estados brasileiros, contemplava a formação e atuação de diversos movimentos sociais. A Reforma Agrária foi uma reivindicação comum em vários países, exercendo um papel mobilizador indiscutível. No Brasil daquela época a Reforma Agrária era, e ainda é, extrema. “5% dos proprietários detém 70% das terras nacionais, enquanto os demais 50% dos proprietários menores dividem 2,2% das terras restantes”. No final da década de 50, surge o movimento das Ligas Camponesas, no interior de Pernambuco. Destacam-se líderes como Francisco Julião, Zezé da Galiléia e João Pedro Teixeira, os quais arregimentaram milhares de camponeses, em torno de agremiações sediadas nos pequenos municípios daquele estado. Este movimento cresceu a ponto de mobilizar militantes também na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Essas associações atuavam, oferecendo apoio jurídico a camponeses expulsos de suas terras, organizando manifestações e mesmo tomando iniciativa em invasões de latifúndios. O deputado federal Floriano Bezerra foi o organizador, tendo a seu lado o estudante Meri Medeiros.

7. Desenvolvimento e Cultura: Uma Análise da Política Cultural De Janduís-RN na Gestão Participativa de 1989/92

Daline Maria de Souza (Bolsista de Iniciação Científica e Graduanda do Curso de Serviço Social – UFRN)

dalineufrn@bol.com.br

Na década de 80, a cidade de Janduís destaca-se no cenário político do Rio Grande do Norte ao vivenciar um ciclo de gestões democráticas e participativas. Este ciclo, que compreendeu duas administrações, caracterizou-se pela democratização do poder local, a participação cidadã e a implementação de políticas públicas de inclusão social. Na segunda gestão (1989-1992) ganham relevância as políticas públicas implementadas na área da cultura e voltadas para a juventude das camadas mais pobres da sociedade local. A pesquisa teve como objetivo avaliar a efetividade das políticas públicas, que articularam desenvolvimento e cultura, através da trajetória do movimento cultural. Os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa foram: revisão bibliográfica dos temas Poder Local, Democracia, Participação Cidadã, Políticas Públicas e Cultura; pesquisa documental e entrevistas com formuladores das políticas públicas para a área da cultura, agentes organizacionais e protagonistas do movimento cultural no período da gestão participativa. Mesmo com o fim do ciclo de gestões participativas, continua existindo o movimento cultural no município e os depoimentos dos participantes sinalizam para a noção de efetivação de Amartya Sen, ao avaliarem que o projeto modificou suas vidas em diversos aspectos, entre estes a capacidade de agir e falar no espaço público.Nesse sentido, pode-se concluir que as políticas públicas implementadas para a área de cultura em Janduís/RN foram efetivas ao modificarem as condições de vida e os lugares sociais dos jovens, bem como proporcionarem sua atuação na esfera pública local.



8. O Projeto Político-Pedagógico na Rede Municipal de Natal

Luciane Terra dos Santos Garcia (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação - UFRN)

lmarcos@dca.ufrn.br

O estudo dos pressupostos neoliberais orientadores da reforma do Estado brasileiro tem possibilitado o entendimento da descentralização da gestão educacional, sobretudo a transferência de encargos financeiros e administrativos do eixo do Governo Federal para as Unidades Federadas, municípios e escolas. As políticas de educação orientadas pelos referidos pressupostos deram origem a uma série de mudanças no campo administrativo e da gestão, a serem implementadas, de modo particular, nas unidades de ensino, requerendo novos parâmetros na ação educacional. Nessa particularidade, o planejamento coletivo da ação educativa é compreendido como uma forma de fomento à qualidade educacional e o Projeto Político-Pedagógico das instituições escolares, traduz as aspirações dos educadores, constituindo-se em elemento norteador das práticas educativas, concorrendo para a instauração de um processo de reflexão e a busca de soluções para os problemas vivenciados pela comunidade escolar. Na Rede Municipal de Educação de Natal, até o ano de 2002, cinco escolas encontravam-se em processo de implementação do seu Projeto Político-Pedagógico. Na ótica dos dirigentes da Escola Municipal Ascendino de Almeida, o processo de reflexão coletiva instigado pela elaboração da proposta pedagógica, aliado à efetiva participação da comunidade escolar, permitiu que a escola obtivesse resultados educacionais satisfatórios e o reconhecimento de seu trabalho, expresso na crescente demanda por matrículas na referida unidade de ensino. O Projeto Político-Pedagógico tem propiciado mudanças políticas e pedagógicas na educação, daquele estabelecimento de ensino, dando alento ao cotidiano.



9. O Conselho do FUNDEF: Repercussões de uma Participação Política

Pauleany Simões De Morais (Bolsista de Iniciação Científica e Graduanda do Departamento de Educação – UFRN)

pauleany@ig.com.br

Este trabalho focaliza o processo de participação em que diferentes segmentos da sociedade se envolvem nas decisões de política de educação local, primordialmente no que se refere à fiscalização dos gastos financeiros. Com essa intenção analisamos uma realidade específica e tomamos como referência o Conselho de Controle do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF do município de Ceará-Mirim/RN. Para obter informações acerca da composição e funcionamento do Conselho entrevistamos sua Presidente e a Secretária Municipal de Educação. Identificamos aspectos empíricos do relacionamento entre os gestores e os Conselheiros. Procuramos compreender o Conselho enquanto mecanismo de participação política e democrática, que norteia as práticas de gestão educacional. Vale salientar que, o FUNDEF é um fundo de natureza contábil criado pela Lei 9.424/96, que em seu artigo 4º, prescreve que todo município deve constituir um Conselho, a fim de acompanhar e fiscalizar as ações da gestão pública. Percebemos que esse órgão colegiado tem a função de incentivar a participação da sociedade no controle das ações governamentais, no entanto, na prática, essas ações são (des)articuladas e o funcionamento do Conselho não corresponde às recomendações do próprio Ministério da Educação. Nas reuniões - esporádicas - não há discussões mais amplas, em que se discutam os problemas – administrativos, pedagógicos, financeiros – e se tomem decisões sobre a aplicação dos recursos do FUNDEF. Assim, o Conselho que deveria promover a participação política de seus representantes nega essa participação devido à debilidade na fiscalização dos recursos.


SEGUNDO DIA

3A SESSÃO: HORÁRIO GRATUITO DE PROPAGANDA ELEITORAL E ELEIÇÕES 2002

10. Metodologias de Análise de Horários Gratuitos de Propaganda Eleitoral (HGPE’s) na TV

Marcelo Bolshaw Gomes (Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Este trabalho pretende apresentar as três principais metodologias de análise de leitura dos programas de TV dos chamados HGPE’s, isto é do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral. Apresentaremos a metodologia de “Análise das Estratégias Persuasivas”, desenvolvida por Marcus Figueiredo e pelos pesquisadores do IUPERJ (Universidade Cândido Mendes); a metodologia desenvolvida Mauro Porto e pelos pesquisadores do NEMP (UnB); e finalmente, a metodologia da “Análise do Discurso”, desenvolvida pela professora Celi Regina Pinto.

11. O Jogo da Esquerda: O Marketing Eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) e as Eleições para o Governo do Estado

Sandra Pequeno (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A análise do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral – HGPE – na campanha para o Governo do Estado em 2002 apresentou alguns avanços, em especial no que se refere ao nível da argüição dos debates políticos dos programas eleitorais. Porém, apesar disso, alguns problemas persistiram, principalmente aqueles relativos ao uso das estratégias de marketing dos programas, em especial, a utilização do marketing eleitoral promovido pelo PT, tema desta pesquisa. De certo, no ano de 2002, observamos o crescimento do Partido dos Trabalhadores no âmbito nacional. Neste contexto, coloca-se o Marketing político e eleitoral como um dos constituintes da vitória do PT na disputa nacional. Resta saber, se tal contribuição atingiu aos demais pleitos a qual o partido disputava, em especial no Estado do Rio Grande do Norte, e mais precisamente, a disputa para o Governo do Estado. O presente estudo empreende uma análise da visão acerca do marketing político e eleitoral apresentado pelo Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (PT/RN) nestas eleições, mas especificamente, o estudo do HGPE. Objetiva, desta forma, analisar as diretrizes que deram vazão ao trabalho articulado pela coordenação de comunicação do partido, de que forma foi trabalhado o paralelo entre “tecnólogos e ideólogos” dentro de um projeto de comunicação que necessitava ultrapassar as barreiras do anonimato e apresentar o seu candidato ao governo do Estado.

12.Marketing Político: Técnicas e Estratégias Usadas em Eleições e Reeleições por Políticos Brasileiros.

Karla Maria Pereira dos Santos (Graduanda do Curso de Comunicação Social – UFRN)

O assunto a ser abordado será Marketing Político como ferramenta de trabalho e poder tão bem usada pelos políticos brasileiros. De trabalho porque desde 1988, com a campanha presidencial do então candidato Fernando Collor de Melo, a disputa mais parece ser dos chamados “ marketeiros” que dos próprios políticos. Collor foi um marco para a publicidade brasileira. Pois foi a partir dele que os intelectuais e comunicadores se depararam com a força e importância de um marketing bem feito, capaz de fazer um homem sem expressão, carisma e até partido político ser levado ao mais importante cargo da política brasileira, com slogan bem trabalhado de “CAÇADOR DE MARAJÁ”. De poder, porque é através de um marketing bem trabalhado que muitos políticos têm alcançado as Câmaras e o Planalto do brasileiro. A campanha de 2002 e a vitória de Lula apenas corroboraram o quanto o marketing político tornou-se peça imprescindível para qualquer político. Os pontos do marketing político que serão trabalhados são as técnicas e estratégias usadas nas campanhas, que diferem entre a eleição e a reeleição.

13. Cotidiano e Estudos de Recepção do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) nas Eleições 2002 no RN: Considerações Sobre um Ponto Cego nas Pesquisas de Comunicação e Política

João Emanuel Evangelista (Professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Os estudos sobre os programas televisivos veiculados no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE), desenvolvidos pelos pesquisadores do Grupo de Estudos Mídia e Poder (GEMP), da UFRN, revelaram a necessidade de ampliar a análise do conteúdo e do formato desses programas nas eleições para Governador do Rio Grande do Norte em 2002, com a incorporação do processo de recepção das mensagens político-eleitorais pela audiência, de acordo com as tendências contemporâneas nas pesquisas de comunicação e política. Apesar dos avanços teóricos e metodológicos alcançados nessa área, há, contudo, um “ponto cego” nos estudos de recepção. As pesquisas ignoram as determinações ontológicas da vida cotidiana sobre o processo de recepção das mensagens televisivas, em geral, e da propaganda eleitoral gratuita, em particular. A observância do cotidiano permite evitar falsos problemas e hipóteses unilaterais no exame dos processos comunicativos que marcam a midiatização da política contemporânea. A tematização do cotidiano torna-se imperativa, sobretudo quando se pretende abordar as práticas sociais implicadas no uso da televisão e da programação televisiva pelos telespectadores, segundo dados coletados em pesquisa realizada na cidade de Natal, durante a veiculação da propaganda eleitoral gratuita nas eleições para Governador do Rio Grande do Norte em 2002.

14. Alguns Aspectos da Recepção do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) nas Eleições para o Governo do Rio Grande do Norte em 2002

Gustavo César de Macêdo Ribeiro (Bolsista de Iniciação Científica e Graduando do Curso de Ciências Sociais – UFRN).

O processo da comunicação é de natureza circular. Pensá-lo através da superposição de uma de suas dimensões constituintes frente às outras – seja a emissão, a recepção ou a mediação – é perder em qualidade de análise. Tendo em vista esta condição fundamental à pesquisa com os media, o projeto “O Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral e as Eleições para Governador do Estado do Rio Grande do Norte em 2002”, do Grupo de Estudos Mídia e Poder, divide-se em duas “frentes” de investigação: a análise de conteúdo nos programas eleitorais das principais coligações em disputa, e uma pesquisa de recepção com eleitores da cidade do Natal. O presente trabalho atém-se a esta parte do projeto. Foram realizadas 629 entrevistas, em 19, 20, 26, 27 de setembro de 2002 – primeiro turno das eleições –, através da aplicação de questionários, com 48 perguntas cada, agrupadas em eixos temáticos que tratam desde o comportamento eleitoral, inclinações ideológicas e elementos da cultura política dos entrevistados, às questões atinentes à leitura mesma dos programas eleitorais (“etnografia da recepção”, credibilidade do HGPE, etc.). Objetiva-se apresentar alguns resultados de tal grupamento de leitura do HGPE, tomando-os como base para discutir qual a relação dos eleitores com o HGPE.

4A SESSÃO – MÍDIA E POLÍTICA.

15. Vozes sob a Ditadura: a manifestação da sociedade através da imprensa escrita (1978-1979)

Rosemary Machado de Souza (Graduanda do Curso de História – UFRN)

mihael@uol.com.br

O objetivo deste trabalho é analisar a participação da sociedade brasileira durante o processo de abertura política no país entre os anos de 1978 e 1979. Essa participação será observada a partir da manifestação de diferentes segmentos da população – incluindo-se donas de casas, estudantes, trabalhadores, políticos, empresários – os quais escreveram nesse período para a seção Cartas das revistas Veja e Isto É. As cartas expressam opiniões da sociedade civil sobre o regime militar e os acontecimentos políticos do período, demonstrando que as expressões da sociedade a favor e contrárias ao regime não vieram apenas de organizações coletivas, como os novos movimentos sociais (conselhos comunitários, movimentos contra a carestia e outros) e as instituições organizadas (Igreja, OAB, sindicatos), mas também cidadãos comuns. Do ponto de vista metodológico, serão analisadas todas as cartas produzidas durante os anos de 1978 e 1979 com objetivo de compor um quadro dos anseios da sociedade sobre três temas: participação social e política, cidadania e democracia. A pesquisa, em andamento, tem demonstrado uma participação ativa dos leitores no tocante a esses temas, pois ao mesmo tempo em que eram influenciados pela mídia, também influenciavam outros leitores e, certamente, pessoas de seus relacionamentos no cotidiano, independentemente das restrições civis e militares que o regime vigente lhes impunha sobre temas considerados “perigosos” nesse momento histórico, como, por exemplo, a tortura e a censura praticada pelos órgãos de repressão, além da corrupção exercida pelos representantes do governo militar.



16. Cobertura do Jornal Diário de Natal na Eleição Para Governador, em 2002

Emanoel Francisco Pinto Barreto (Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UFRN)

O presente trabalho tem por objetivo analisar a maneira como a editoria política do Diário de Natal tratou o noticiário relativo às eleições estaduais de 2002, para governador. Como critérios para seleção do material empírico serão levados em consideração aspectos como angulação da matéria, seu destaque na página, bem como o momento político-social em que esta foi inserida no noticiário. Como elemento complementar, deverá ser realizada entrevista com o diretor de redação, a fim de que este explique a forma como o material foi recolhido junto às fontes, redigido e editado. Edição, no caso, referindo-se unicamente ao aspecto diagramático do texto, ou seja, o destaque que recebeu na página, sem levar em consideração aspectos iconográficos. Como recorte temporal será levado em conta o período compreendido entre os meses de julho a outubro, mês que foi publicada a notícia da vitória da hoje governadora Wilma Maria de Faria.

17. Mídia e Eleições: A Visão da Imprensa Sobre as Eleições Presidenciais de 2002

José Antonio Spinelli Lindoso (Prof. do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Neste estudo pretendemos fazer uma reflexão crítica acerca da cobertura da campanha presidencial de 2002 na imprensa escrita do Rio Grande do Norte, tomando como parâmetro o jornal Diário de Natal. Para tanto utilizamos uma metodologia que vem sendo desenvolvida em alguns centros de pesquisa, no Brasil e no exterior: as perspectivas combinadas do enquadramento (framing) e da agenda setting. O objetivo é ultrapassar a visão tradicional da imprensa como campo neutro, informativo, objetivo e desvendar as posições ideológicas e políticas, as opções e escolhas que se insinuam no enfoque assumido pelas matérias jornalísticas e que interagem com a campanha política, influenciando de alguma maneira os seus rumos.

18. Diário de Natal e a Cobertura das Eleições Presidenciais de 2002

Ádrina Mendes Cavalcante (Bolsista de Iniciação Científica e Graduanda do Curso de Ciências Sociais)

Carlos Augusto Queiroz Filho (Bolsista de Iniciação Científica e Graduando do Curso de Ciências Sociais)

Os estudos relacionados a Mídia e Política mostram-se cada vez mais freqüentes. Desenvolveu-se, por esse motivo, um projeto intitulado “Mídia Impressa e as Eleições Presidenciais em 2002”. Essa é parte de uma pesquisa maior que está sendo realizada nacionalmente, tendo como objetivo analisar a cobertura da mídia impressa local na campanha para presidente da República em 2002. A proposta faz-se a partir da análise das matérias veiculadas pelo jornal Diário de Natal, partindo do referencial teórico-metodológico que é relativamente novo no Brasil. O conceito de enquadramento (framing) está presente em diversas discussões sobre problemas sociais e políticos, sendo estes importantes por ter efeitos no modo como a audiência interpreta estes problemas. Por esse motivo a pretensão é uma análise descritiva do material coletado, verificando os enquadramentos, a valência e a visibilidade (dos candidatos à presidência) utilizados pelos jornalistas locais e não-locais (agências nacionais).



5A SESSÃO – ELEIÇÕES E COMPORTAMENTO ELEITORAL

19. Política, Democracia e o Voto Nulo: O Protesto dos Anarco-Punks Natalenses

Tiago Cruz Spinelli (Graduando do curso de Ciências Sociais – UFRN)

tcspinelli@bol.com.br

Propomos aqui refletir sobre o voto nulo, uma das manifestações do fenômeno da alienação eleitoral, a partir do campo de possibilidades entrevisto no discurso dos anarco-punks, centralizando a nossa atenção na análise das representações do universo da política elaboradas por esses atores sociais. Por se tratar de indivíduos com estilo de vida (atitudes, expressões e idéias) bastante homogêneo, utilizamos o método de grupo focal, isto é, uma entrevista em grupo, na qual o papel do mediador consiste em lançar questões concernentes ao campo da pesquisa. Ao percebemos as representações sociais e políticas dos anarco-punks, notamos uma percepção muito peculiar acerca da política e uma postura bastante crítica da democracia, tendo em vista a questão ideológica libertária. A política ocupa um espaço constante e se baseia na busca da descentralização e da autonomia; segundo depoimentos, prevê-se a necessidade da "criação de organizações populares autogeridas, que não se subordinem nem ao Estado, nem à burguesia, que não se organizem de forma hierarquizada, centralizada... que tentem, através da prática da relação horizontal, mudar essa cultura da dominação do homem sobre o homem". O universo da política é norteado pelo ideal de liberdade individual e regido pela atitude de protesto contra as formas de poder político e econômico. O estilo e as idéias anarco-punks simbolizam a negação e a ruptura com o sistema capitalista e o voto nulo representa um protesto contra a "política burguesa", segundo eles, um espaço de opressão revestido pela ilusão do princípio da maioria.



20. Políticas Clientelistas na Comunidade de Felipe Camarão

Augusto César Francisco (Bacharel em Ciências Sociais – UFRN)



guto_chico@yahoo.com.br

Este estudo observa as características da comunidade de Felipe Camarão para saber se a partir delas se pode explicar a influência que o clientelismo tem no comportamento eleitoral. As características dessa comunidade sendo não-cívicas, de acordo com Putnam, fazem com que ela tenha sistemas verticais de resolução de alguns dos seus problemas. O clientelismo é um sistema vertical de superação dos dilemas coletivos e assume, particularmente, uma conotação de retribuição da comunidade, pelo atendimento, através de serviços públicos, que políticos venham a oferecer. O atendimento, contudo, é um paliativo que reforça a dependência nesse sistema vertical. A retribuição é expressa pelo comportamento eleitoral (voto) para esses políticos. É observado, então, o círculo vicioso da comunidade, incapaz de agir coletivamente, expressando o seu comportamento eleitoral nos mesmos políticos que oferecem esse atendimento. O círculo pode se repetir se a comunidade não amadurecer coletivamente.


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