Águas Perigosas Treasure Of The Heart



Baixar 0.89 Mb.
Página10/12
Encontro29.07.2016
Tamanho0.89 Mb.
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   12

CAPÍTULO XVII

Quando chegaram a Key West, Burt levou Lídia até Marvista. Ela estava exausta. Apesar de ter dormido durante a viagem toda, sentia-se cansada ainda e queria dormir mais. Além disso, estava sentindo uma enorme necessidade de ficar sozinha.

Burt ia dirigindo devagar e era como se Lídia estivesse vendo a ilha pela primeira vez. Todas as coisas que antes lhe pareciam comuns e nas quais ela já nem reparava saltavam agora a seus olhos. O mar estendia-se glorioso, com sua multiplicidade de tons brilhando ao sol. Gaivotas sobrevoavam as águas; os ruídos e os cheiros peculiares estavam no ar da cidade.


  • Ah, que bom voltar para casa! — disse Burt subitamente, quebrando o silêncio.

  • Estava pensando a mesma coisa.

Ela disse apenas isso e não prolongou a conversa, preferindo ouvir o som das ondas quebrando-se na praia e a algazarra das crianças que brincavam ali. Burt parou num cruzamento para deixar passar o bondinho que transportava turistas e que seguia lentamente seu curso, enquanto o condutor ia narrando pelo microfone fatos e passagens interessantes sobre a ilha.

Quando chegaram em Marvista, Burt descarregou as malas dela, levou-as até o quarto e saiu depressa.



  • Tire o dia de folga, Lídia. Descanse bastante e apresente-se para trabalhar amanhã cedo, como de costume.

  • Obrigada. Estarei lá amanhã.

Na verdade, não tinha mesmo condições de fazer qualquer outra coisa. Estava praticamente dormindo em pé. Assim que Burt foi embora, ela tomou um bom banho e deitou-se, dormindo quase que direto até o outro dia.

Na manhã seguinte, acordou cedo e a primeira coisa que fez foi telefonar ao professor Hoskin, para contar a novidade sobre a descoberta do manifesto e pedir a ajuda dele na tradução do documento. Ele se mostrou entusiasmado e interessadíssimo em ajudar e Lídia desligou o telefone, satisfeita.

Antes de ir para o cais tomar a lancha até o Sea Deuced, parou numa confeitaria para um reforçado café da manhã e depois seguiu. Mal havia se instalado em seu escritório quando Burt entrou, olhando-a com disfarçada aprovação.

— Bom dia, Lídia. Gostaria que você desse uma olhada nuns trabalhos que fiz durante sua ausência. Os mergulhadores seguiram suas ordens direitinho, etiquetando tudo, e eu, pessoalmente, fotografei


cada descoberta.

— Fico satisfeita com isso, Burt. Posso ver as fotos?

Ele colocou um álbum sobre a mesa e abriu-o.


  • Há muitas que não são interessantes, pelo menos para mim. Peças de louça, pedras de lastro... sempre isso. Eu estou mais interessado em ouro e prata.

  • Essas pedras podem ser importantes. — Lídia começou a folhear o álbum e um entusiasmo crescente a invadiu. — Olhe só isso, Burt! Essa bala de canhão... é de ferro. E essa aqui, então! Balas de canhão, só que essas são de mármore.

  • Como é que pode falar com tanta certeza assim, só de ver as fotos?

  • Já vi esse tipo de coisa antes. O professor Hoskin tem um armário de vidro cheio de objetos de outros galeões.

  • Olhe esta aqui, Lídia! — Era uma arma e ele começou a discorrer sobre a história do objeto.

Lídia surpreendeu-se com o novo interesse dele, pois parecia não estar mais só pensando no valor monetário das peças, e olhou-o com mais respeito.

  • Por falar em professor Hoskin, gostaria que você telefonasse para ele hoje, Lídia. E seja convincente, por favor.

  • Já fiz isso, Burt, e ele está pronto a nos ajudar. Aliás demonstrou muito interesse!

  • Meus parabéns, Lídia. Vou providenciar para que você receba uma gratificação.

  • Quais são as últimas novidades da Galleons Unlimited?

  • O lingote de prata era autêntico...

  • Você o viu?

  • Só pela foto que saiu no jornal. Disseram que o número que há nele corresponde ao que está no manifesto, mas o peso não. Portanto, eles ainda não têm prova de que encontraram o Santa Isabella.

  • Puxa, ainda bem. Que alívio!

— Com isso ganhamos um pouco mais de tempo, mas é só! Olhe essa foto aí. Isso é o tipo de coisa que vai atrair gente à nossa exposição. Por falar nisso, Roscoe Murdock e eu estamos preparando os detalhes finais para a tal exposição.

Lídia estava tão fascinada pelas fotos que mal ouvia o que Burt estava dizendo.



  • Olhe só. Outra corrente de ouro! E mais outra! Um anel, também! Um brinco de mulher... olhe isso aqui! Devia haver passageiros muito ricos a bordo do Santa Isabella, Burt! Onde estão essas peças todas? Em Key West?

  • Não, estão aqui mesmo, no nosso cofre.

— Quero vê-las!

Burt sorriu para ela.

— Tinha certeza de que você iria querer vê-las. Venha, vamos dar uma olhada.

Lídia foi com Burt até a sala do cofre. Margô estava sentada à escrivaninha e usava um elegante tailleur vermelho. Respondeu com frieza ao cumprimento deles. Ela estava mesmo diferente. Não se portava mais daquele modo possessivo em relação a Burt. Era como se alguma coisa tivesse esfriado entre eles.

Burt abriu o cofre.

— Aí está, Lídia! Veja que festa para os olhos!

Lídia perdeu a fala por instantes, diante de tanto ouro.


  • Nossa, Burt, olhe só esta corrente, que enorme! O dono dela deve ter ficado de pescoço duro de carregar este peso!

  • Pensei que eles guardassem no bolso.

  • Esta aqui é grande demais para caber no bolso, deve ter sido usada no pescoço mesmo.

Lídia largou a corrente e pegou um dos anéis menores, colocando-o no dedo. Depois estendeu a mão para admirá-lo melhor.

Margô, que havia se juntado a eles perto do cofre, colocou o anel maior, enquanto Lídia tirava o outro.

— Gostaria de ter conhecido o sujeito que comprou este aqui! — disse ela, admirando a jóia. — Tenho certeza de que eu ia gostar muito dele.

— É bem possível, Margô — disse Burt, rindo.

Margô largou o anel de novo no cofre e de repente uma expressão de espanto apareceu em seu rosto.

— O que foi, Margô? O que aconteceu?

— Nós tínhamos três correntes de ouro... Onde está a outra?

Burt e Lídia trocaram olhares preocupados; depois ele retirou todas as peças de dentro do cofre, examinando uma por uma.

— Sumiu! — disse, com voz aflita. — Sumiu... mas como pode ser, se ninguém tem acesso a esse cofre, a não ser você e eu, Margô?


  • Bom, e daí? Vai me dizer que fui eu quem roubou? Olhe, se é isso que você está pensando, pode...

  • Calma, Margô, calma! Ninguém está acusando você de ter roubado a corrente. O fato é que ela sumiu e só nós dois sabemos a combinação do cofre.

  • Pode ser que Lídia também saiba!

  • Mas é claro que não sei! E, além do mais, esta é a primeira vez que me aproximo do cofre, desde que voltei de Sevilha!

Lídia estava indignada e furiosa por Margô tê-la feito perder a calma.

  • No primeiro dia que você veio aqui, Burt abriu o cofre na sua presença. E não precisa ser nenhum gênio para deduzir a combinação, depois de ter observado os movimentos dos dedos dele!

  • Só que eu não fiquei observando!

  • Ora, chega! Vocês duas, parem com essa conversa!

  • Você vai notificar a polícia? — perguntou Margô.

  • Vamos pensar um pouco antes. Quem mais teve acesso a este cofre?

  • Ninguém. Acho melhor chamar a polícia logo. Aliás, Burt, não sei se você sabe, mas Spike desapareceu! Há três dias que ele não aparece a bordo para trabalhar.

— Você está insinuando que...

Margô encolheu os ombros.

— Sei lá... pode ser coincidência, mas a corrente de ouro desapareceu e um mergulhador sumiu...

Lídia ficou gelada. Spike era amigo de Raul e ela não queria ver o irmão implicado no roubo.



  • Mas Spike não tinha acesso ao cofre — disse Burt.

  • Não tenha tanta certeza, assim! Havia tanta euforia a bordo quando trouxeram essas jóias que pode até ser que o cofre tenha ficado aberto e sem vigilância. Eu não me lembro e duvido que você se lembre!

Lídia reuniu as peças que estivera olhando e entregou-as a Burt para guardá-las no cofre, enquanto falava:

  • Não estou entendendo... Quem seria tolo de roubar logo uma corrente dessas, achando que seria fácil vender sem atrair atenção! E por que roubar depois de já estar no cofre?

  • Chame Raul aqui — ordenou Burt a Margô.

  • Você não pode acusar Raul de roubo! — disse Lídia, furiosa.

  • Traga Raul aqui — repetiu ele.

Margô saiu e depois de instantes voltou com Raul, que já estava com a parte de cima do traje de borracha e se preparava para mergulhar.

— O que houve, Burt?

Lídia ficou ansiosa, pronta para tomar a defesa de Raul, se fosse preciso.


  • Onde está seu amigo Spike? Margô me disse que há três dias ele não aparece para trabalhar.

  • Ele foi embora. Pediu-me para avisar você assim que voltasse.

  • E por que não avisou? Por que não avisou Margô?

  • Eu não sabia que você já havia chegado. E não avisei Margô porque ela sabia e nem perguntou o motivo.

  • E por que ele foi embora?

  • A mãe dele morreu.

  • Não acredito em você. Pessoas como Spike nem têm mãe!

  • Estou repetindo o que ele me disse. Ele disse que a mãe dele morreu e eu acreditei. Mas qual é o problema, afinal? Os mergulhadores sempre vão e vêm. Nunca vi você preocupado com isso, antes!

  • Está bem, Raul, era só isso — disse Burt. — Pode ir mergulhar e veja se encontra alguma coisa boa hoje.

Raul foi embora, carrancudo, e Lídia respirou, aliviada.

  • Você não vai chamar a polícia pelo rádio?

  • Não, ainda não, Margô. Isso pode despertar publicidade desfavorável. Nossos investidores não precisam ficar sabendo dessas coisas. Esse roubo deve ser mantido em segredo entre nós três, entenderam?

Elas fizeram que sim, mas Lídia não estava bem certa de ter entendido. Burt não estaria planejando procurar Spike e trazê-lo de volta.

  • Ninguém sai do navio, hoje? — perguntou Margô. — Vão revistar a gente?

  • Não. — Ele balançou a cabeça. — Não quero que ninguém desconfie de nada. Vamos agir como de costume e, enquanto isso, eu vou fazendo minha investigação particular a bordo.

  • Você acha que quem roubou vai ser tonto de esconder a corrente aqui mesmo no Sea Deuced? — perguntou Margô.

  • Pode ser... Assim, se fosse apanhado, não estaria com a prova do crime. E pode deixar que eu vou pôr alguém na pista de Spike. Não a polícia, é claro, mas um detetive particular.

Lídia passou o resto da manhã preocupada. O roubo da corrente de ouro tinha causado realmente um impacto e o plano de Burt de procurar Spike sem a ajuda da polícia deixava-a assustada. Burt ainda suspeitava que Spike e Raul estivessem envolvidos com drogas e faria todo o possível para envolver seu irmão naquele roubo. Detestava Raul por estar envolvido com Margô. Lídia resolveu que falaria com

o irmão, para preveni-lo. Será que ele sabia que Burt estava querendo encontrar um pretexto para despedi-lo?

Lídia conseguiu falar rapidamente com o irmão, quando ele voltou do mergulho. Marcou um encontro para aquela noite, num pequeno café, em Stock Island.

Mais tarde, Burt mandou que Lídia e Margô voltassem à cidade com Harry, dizendo que ele ia ficar a bordo do Sea Deuced com os mergulhadores. Margô parecia preocupadíssima com o roubo da corrente, além de exausta, pois Burt a mantivera ocupada o dia todo.



  • Ele vai revistar o barco — comentou Lídia, durante o percurso de volta para a cidade.

  • Psiu! — fez Margô, indicando com a cabeça a direção de Harry.

Ficaram em silêncio durante o resto do percurso até Marvista. Só depois de chegarem lá é que Margô começou a falar.

  • Ele não pode revistar o barco sozinho. .

  • Talvez ele só queira ficar de olho nos mergulhadores, para ver se alguém faz qualquer coisa suspeita.

Margô parecia disposta a continuar conversando e até convidou Lídia para jantarem juntas, mas ela recusou, dizendo estar muito cansada e sem fome. Não queria que nada atrapalhasse seu encontro com Raul e também não queria se arriscar a que Margô a seguisse novamente. Esperou que a moça fosse embora para depois sair também.

Quando chegou ao Blue Marlin, Raul já estava esperando por ela.



  • Você está atrasada — disse ele.

  • Não deu jeito de sair antes. Eu não queria que Margô me seguisse.

  • Como foi de viagem? Gostou de Sevilha?

  • Gostei muito, Raul. Foi uma experiência e tanto trabalhar naquele arquivo. Mas hoje eu não vou falar de Sevilha, não foi por isso que chamei você para conversarmos. O fato é que sumiu uma corrente de ouro do cofre de Burt. Só ele, Margô e eu sabemos disso e ninguém mais pode saber; portanto, nada de comentários a respeito. Você sabe de alguma coisa sobre esse roubo?

  • Puxa! Nada como ir direto ao assunto! Eu não sei nada. E não me diga que está pensando mal de Spike! Ele teve um motivo justo para ir embora... a mãe dele morreu. Ele não iria mentir para mim, não tinha motivos! Acho que vai voltar logo, daqui a alguns dias.

  • A não ser que o motivo fosse uma corrente de ouro...

  • É possível, mas não é provável.

— Como vai indo no trabalho, Raul? Está gostando tanto quanto imaginou?

  • Você deve estar esperando que eu diga que estou cheio, que o trabalho é pesado e o salário é baixo.

  • E não é isso mesmo?

  • De jeito nenhum! Se quer saber, estou gostando cada vez mais. Começou quando encontrei aquele jarro de ouro; depois encontrei o anel, o pequenininho. Já estava embaixo d'água há quase duas horas, preparando-me para subir, quando vi o brilho dele: Lídia, você acharia que fiquei maluco se eu lhe dissesse que a descoberta desse anel mudou a minha vida?

Lídia lembrou-se do anel e do que sentira ao experimentá-lo em seu dedo.

— Não, não acharia. De jeito nenhum, Raul. Há um mistério tão grande no mar, alguma coisa de místico no fundo das águas, que sempre me deixa perturbada. Eu posso entender muito bem como a descoberta de um tesouro antigo pode mudar o modo de pensar de uma pessoa. E quando isso muda, a vida inteira da pessoa muda também.

Raul tirou uma caderneta do bolso e colocou-a na mesa, diante de Lídia, bem no momento em que a garçonete se aproximava. Fizeram o pedido primeiro e só depois que a moça se foi é que Lídia pegou o objeto para olhar.

— Uma caderneta de poupança, Raul? Você abriu conta?

Raul sorriu para ela.

— Justamente; no velho First National de Key West. Ainda não tenho muito dinheiro guardado, mas toda vez que recebo faço um depósito. Quero juntar para comprar meu próprio equipamento e para pagar um curso de mergulho em águas profundas.



Lídia fitou-o com admiração.

  • Estou orgulhosa de você, Raul. Agora sim, você está agindo certo.

  • Estou cansado dessa vida sem rumo, Lídia. Quero ter minha própria equipe de mergulho. Expedições de mergulho são coisa séria, e não brincadeira ou diversão.

  • Puxa, Raul! Que bacana! Faço questão de ajudar você no que for preciso.

Conversaram sobre várias coisas enquanto comiam e, quando já estavam na sobremesa, Lídia abordou o assunto de Margô.

  • Raul, você está namorando Margô?

  • Ah, não me diga que vai interferir, agora, na minha vida amorosa! Vai, maninha?

  • Ela riu.

  • É claro que não, maninho! Só que... não quero que você se magoe. Às vezes Margô usa as pessoas, sabe...

  • Pare com isso, Lídia! Fim de papo. Vamos dar o fora daqui.

  • Lídia arrependeu-se de ter falado em Margô. Raul já estava em pé e com o talão de cheques na mão. Ela tentou detê-lo com um gesto.

  • Deixe que eu pago, fui eu que convidei você.

  • Nada disso. Hoje é dia de pagamento e eu já recebi. Lídia puxou a conta da mão dele.

  • Então guarde na poupança. Eu convidei, eu pago.

Quando os dois estavam indo para o estacionamento, dois rapazes cabeludos aproximaram-se. Lídia não gostou deles e ficou olhando, desconfiada.

  • Raul! Puxa, cara, há quanto tempo a gente não se vê! — Um dos rapazes bateu nas costas dele. — Será que dava para você me arranjar cinco dólares? Sabe como é, eu estou...

  • Desculpe, Lew, mas não vai dar — respondeu Raul, abrindo a porta do carro.

  • Só até sexta-feira, amigão. Eu devolvo em dobro.

  • Não dá mesmo, cara! — Raul balançou a cabeça e entrou no carro. — Vamos embora, maninha.

Lídia saiu do estacionamento, ainda incrédula com a mudança tão radical do irmão. Ia demorar para que se acostumasse. Deixou-o a alguns quarteirões de Marvista, conforme ele pediu, para que não os vissem chegar juntos. Depois foi para seu apartamento e ocupou-se arrumando o quarto e lavando umas peças de roupa. Ao terminar instalou-se para ler os relatórios dos mergulhadores, que levara para estudar em casa. Admirou-se de como o trabalho tinha sido bem-feito. Aquilo ia facilitar bastante seu serviço. Ficou tão absorvida na leitura que nem percebeu o tempo passar e só se deu conta de que já era tarde quando ouviu vozes lá fora. Eram as vozes de Margô e Raul.

  • Para que fazer curso de mergulho em águas profundas, Raul? Você já mergulha em águas profundas!

  • Quero me aperfeiçoar.

  • Mas isso é bobagem. Acho ótimo que você queira abrir uma empresa de mergulhadores. Mas o que você precisa, então, é de experiência administrativa, e não de se aperfeiçoar em mergulhos.

  • Mas...

  • Eu amo você, Raul, e quero o melhor para você.

  • Também amo você, Margô. E você é o melhor para mim.

— Se me ama mesmo, então prove isso e volte a estudar. Não acho muito boa a sua idéia de fazer sociedade com Burt. Você não tem tanto dinheiro assim e, além disso, vocês dois não se dão muito bem.

  • Eu gosto de Burt. Ele é um cara legal.

  • Mas ele não tem a mesma opinião sobre você. Ele está sempre procurando pegá-lo, e eu acho que você nunca vai conseguir convencê-lo de que não é um maconheiro ou um traficante.

  • Mas que cisma é essa que ele tem com drogas? Eu não entendo. Ele nunca me viu drogado!

  • Mas viu Spike.

  • E o que eu tenho a ver com isso?

  • Ele acha que você é igual. Veja bem, Raul. Vocês dois estão sempre juntos e Burt já o viu dar dinheiro a Spike. Ficou desconfiado de você. Ele não gosta de você, Raul. Só o tolera porque você é um bom mergulhador e trabalha bem. Por isso eu acho que é muito melhor voltar a estudar e começar a pensar no futuro.

  • Vou pensar no caso, Margô. Você não vai me convidar para entrar?

  • Hoje não, Raul. Amanhã a gente se vê, está bem?

Após um longo silêncio, eles se despediram. Lídia preparou-se então para se deitar, pensando na conversa que ouvira. Margô parecia ter falado com sinceridade, realmente preocupada com o bem de Raul. Será que estava gostando dele, mesmo? Ou estava fazendo ciúmes para Burt?

Lídia deitou-se, virou-se de lado e adormeceu pensando em Burt mais uma vez.



CAPÍTULO XVIII

Na manhã seguinte, Lídia estava em seu escritório, catalogando os objetos que tinham sido encontrados durante sua ausência, tão concentrada no trabalho que demorou a perceber que Burt havia entrado. Quando ergueu os olhos e o viu diante de sua mesa, espantou-se com a expressão dele. Estava com olheiras e cara de quem passou a noite acordado. Os lábios estavam comprimidos, num ricto de braveza.

— Apresente-se em meu escritório imediatamente — ordenou ele.

Sem dar a ela tempo para retrucar qualquer coisa, ele se virou e saiu. Lídia obedeceu, e, ao encontrar Margô, que ia indo para o mesmo lugar, notou que ela estava apavorada.

No escritório, ficou na expectativa, aguardando o que Burt iria dizer. Ele, entretanto, manteve-se calado, esperando que todos os mergulhadores entrassem na sala.

Margô aproximou-se de Lídia e puxou-a para um canto. À medida que a sala ia se enchendo, ia ficando abafada e quente demais. Só quando Raul chegou é que Burt dispôs-se a falar. Foi até a escrivaninha, pegou uma valise e pigarreou.

Lídia ficou gelada. Era a valise de Raul, que ele usava nos números de mágica. Olhou para o irmão com o canto do olho e percebeu que ele estava tenso.

— Devo a vocês todos, mergulhadores, um pedido de desculpas, exceto a um de vocês — disse Burt. — É que nas últimas vinte e quatro horas eu suspeitei de todos. Ontem descobrimos que uma das correntes de ouro havia sumido do cofre.

Houve um murmúrio geral na sala, mas Burt continuou a falar:


  • Desconfiei de cada um, até que encontrei a corrente.

  • E onde você a encontrou, Burt? — perguntou Lídia.

  • Encontrei-a escondida nessa maleta de utensílios de mágica. — Lentamente, abriu os fechos da valise, ergueu a tampa e afastou-se para o lado, para permitir que vissem o que havia lá dentro.

Lídia adiantou-se e olhou dentro da maleta, mas não viu nada de diferente. Burt, então, pegou o colete de veludo de Raul, ergueu-o no ar para que todos o vissem e, de um bolso secreto, escondido no forro, retirou a corrente de ouro.

O impacto foi tal, que no primeiro instante ninguém se mexeu ou falou nada. Depois, um murmúrio percorreu a sala. Lídia tinha vontade de gritar que era uma fraude, que era tudo forjado, mas um nó estrangulava sua garganta. Ela engoliu em seco, procurando se acalmar.

— Raul, será que você tem como explicar a presença desta cor rente em sua maleta?

Raul estava pálido e aturdido.

— Não, senhor, não tenho como explicar. Não tenho a menor idéia de como isso foi parar aí.

Por instantes Lídia pensou que talvez o próprio Burt pudesse ter colocado a corrente lá, para ter uma desculpa para livrar-se de Raul. Mas não podia acreditar que ele fosse tão cruel e maquiavélico a ponto de fazer uma coisa dessas, embora também não pudesse ter certeza de que ele não seria capaz disso. Teve vontade de correr para Raul, apoiá-lo, defendê-lo, mas ficou imóvel e decidiu só falar depois que tivesse medido cuidadosamente suas palavras.



  • Se não pode explicar a presença desta corrente em sua maleta, quem você acha que pode explicar? — perguntou Burt.

  • Eu não sei. — Sua voz estava trêmula. — Alguém que está querendo me incriminar.

  • Isso é conversa fiada, a velho desculpa de sempre. E eu não vou engolir.

  • Você acha que eu me arriscaria a roubar a corrente de seu cofre para depois deixá-la onde você a pudesse encontrar? Não sou tão imbecil assim.

  • Esta prova mostra que sim. — Burt deu um murro na mesa. — E você está despedido, Raul. Não quero mais ver sua cara! Dê o fora daqui!

  • Burt! — exclamou Margô, em protesto. — Você não está sendo justo! Pode ser que alguém realmente esteja querendo incriminar Raul. A corrente na maleta é apenas uma prova circunstancial, mas não prova que foi Raul quem a roubou!

  • Isso é mais do que suficiente. Tenho meus motivos para não querer levar o caso à polícia e portanto resolvo à minha maneira. Arrume suas coisas, Raul. Vou levá-lo de helicóptero para Key West e depois não quero vê-lo nunca mais. Os outros podem voltar a suas ocupações. Chamei-os aqui porque queria que testemunhassem isso, mas não quero comentários sobre o roubo. Vocês só têm a ganhar,

ficando calados. Agora, voltem ao trabalho! Já perdemos muito tempo com isso tudo!

— Você está cometendo um erro, Burt — disse Lídia, depois que os outros saíram da sala. — Você está destruindo a reputação de um homem sem ter provas suficientes para isso!

— E por que está tão preocupada com isso? Não vai me dizer que vai defender um homem que a desprezou por outra. Que Margô se preocupe com Raul eu ainda entendo, mas você?!

Lídia, indignada, teve vontade de pedir demissão, mas refreou o impulso. Não queria abandonar a pesquisa arqueológica no ponto em que estava, justamente agora que o professor Hoskin se dispusera a ajudá-la na tradução do manifesto.

Burt jogou a corrente de ouro para Margô.

— Tranque isso no cofre, Margô. Depois leve o balanço do mês para a minha mesa, para que eu confira. No máximo daqui a quarenta minutos.

Lídia voltou para seu escritório sentindo-se revoltada. Como fora acontecer uma coisa dessas? Logo agora que Raul estava começando a se descobrir como pessoa e parecia ter encontrado um objetivo na vida, era assim derrubado antes mesmo de ter começado a caminhar em direção ao objetivo. Não podia acreditar que o irmão fosse culpado!

Quando Raul e Burt caminharam para o helicóptero, tentou ignorar o ruído do motor e recusou-se a ir olhar. Depois correu para o escritório de Margô e perguntou:

— O que você acha que nós podemos fazer para ajudar Raul?

Ela ficou surpresa ao ver como Margô estava pálida e triste. A maquilagem borrada demonstrava que estivera chorando.

— Você sabe como Burt é. Ele não admite que contrariem suas ordens. Quando resolve uma coisa, ninguém o faz mudar de idéia...

Margô continuou o que estava fazendo e não disse mais nada.

Sem ter outra saída, Lídia voltou para seu escritório, mas não conseguiu se concentrar mais na catalogação. Ficou parada, olhando o vazio, até ouvir de novo o barulho do helicóptero. Espantou-se ao ver que Burt trouxera uma mulher consigo. Uma ruiva alta e elegante, que ele levou direto para o escritório, sem apresentar para ninguém, e com a qual ficou trancado por mais de duas horas.

Lídia sentia-se a última das criaturas. Estava arrasada com o que acontecera com Raul e enciumada com o aparecimento daquela outra mulher, sem dúvida nenhuma muito bonita. Tinha vontade de chorar. Não seria melhor pedir demissão e ir embora também? Mas não tinha coragem de se afastar dali. Ir embora naquele momento seria abandonar sua carreira que apenas havia começado. Além disso, não tinha outro emprego. Para onde iria?

Finalmente o dia chegou ao fim e Lídia resolveu ir a um cinema, para se distrair e esquecer um pouco os problemas que afligiam sua mente. Não sabia nem onde procurar Raul! As coisas dele não estavam mais no alojamento dos mergulhadores, em Marvista. Pelo menos ele tinha dinheiro. E se Raul voltasse a ser o que era antes? Será que iria dormir na praia? Será que ela devia sair à procura dele? Mas... por onde iria procurá-lo? Havia muitas praias!

Na manhã seguinte, durante o percurso até o Sea Deuced, Lídia notou que Margô parecia ter passado a noite em claro.



  • Você viu Raul? Esteve com ele, por acaso? — perguntou.

  • Não.

  • Tem idéia de onde ele possa estar?

Lídia desistiu de prolongar a conversa. Raul sabia onde encontrá-la. Quando se achasse em condições, sem dúvida entraria em contato com ela. Naturalmente sabia que podia contar com a irmã.

A bordo do Sea Deuced, o trabalho prosseguia como de costume. Ninguém tocou no assunto da véspera. Burt convocou uma reunião para a tarde, para discutir os planos de exploração do dia seguinte.



  • Eu tive umas idéias e formulei uns esquemas que farão as coisas andarem mais rápido — disse Burt. — Há algum tempo Júlio Hunter, um cientista que Lídia conheceu em Sevilha, mandou-me informações sobre o furacão que afundou o Santa Isabella. Usando os cálculos dele sobre o curso da tempestade, nós escolheremos um novo lugar para explorar.

  • Para onde iremos? — perguntou um dos mergulhadores.

  • Para uma outra região profunda, perto daqui. De hoje em diante usaremos um método mais lógico de busca. Levaremos para o fundo uns blocos de concreto que Harry trouxe e que vocês, rapazes, vão pintar de branco. Servirão de marcos para nós. O que você acha, Lídia, isso facilita?

  • Acho ótimo, vai facilitar bastante, sim.

Lídia expôs os detalhes técnicos de como fotografar a área e Burt falou de como trabalhariam com os defletores.

— Precisamos agradecer a Júlio Hunter por nos ajudar com a informação sobre a tempestade — disse Burt.

Lídia desviou o olhar, admirando-se de ter pensado tão pouco em Júlio desde que voltara de Sevilha. Será que ele pensara nela? E Cláudia, como estaria? Quem sabe poderia convidá-la para vir aos Estados Unidos! Estava assim absorta, pensando em Júlio e Cláudia, quando ouviu Margô dizer seu nome.


  • Quero que você também esteja presente, Lídia.

  • Presente a quê?

  • Eu estava dizendo a Burt que quero conversar com vocês dois em meu escritório.

Havia um certo tom de súplica naquela voz que alertou Lídia. Devia se tratar de algum problema. Seria algo sério?

— É claro, Margô. Pode contar comigo.



Ao se instalarem no escritório, Lídia constatou, surpresa e constrangida, que Margô estava chorando, o que não era absolutamente do feitio dela.

  • Mas o que é isso, Margô? — perguntou Burt. — Se está com algum problema, conte-nos. Quem sabe poderemos ajudar.

  • Fui eu que roubei a corrente de ouro — Margô falou, sem rodeios, e as palavras ficaram pesando no ar.

  • Você roubou a corrente? — disse Burt, depois caiu na gargalhada. — Ora, Margô, deixe disso, vamos! Não adianta querer proteger Raul. Muito nobre da sua parte, mas totalmente inútil.

Margô balançou a cabeça com tristeza e Lídia entendeu que ela estava dizendo a verdade. Conteve uma explosão de raiva e ouviu-a falar:

  • Eu roubei a corrente.

  • Mas, por quê? — disse Burt, agora sério. — E se roubou, por que escondeu na maleta de Raul?

  • Acho que perdi a cabeça... Nunca vi tanto ouro assim. Achei que uma corrente não faria diferença para você, Burt... e para mim faria muita diferença... Você vai chamar a polícia?

  • Eu não comuniquei o roubo às autoridades quando achei que era Raul, por que o faria agora? Preciso de toda a confiança dos investidores. Mas, continue a falar. Quero saber de tudo, agora, quero saber por que fez isso.

  • Porque estou apaixonada por Raul.

  • Mas que espécie de amor é esse! — explodiu Lídia. — Você o incriminou, escondendo a corrente na maleta dele!

  • Escutem-me primeiro — disse Margô, respirando fundo. — Eu peguei a corrente no cofre e escondi na maleta de Raul. Depois paguei Spike e o mandei embora, dizendo que achava a companhia dele prejudicial para Raul. Disse que eu estava apaixonada por Raul.

  • E Spike acreditou em você? — perguntou Lídia.

  • E que diferença faz? — disse Burt. — Margô deu dinheiro a ele, e era nisso que ele estava interessado. O dinheiro sempre fala mais alto!

  • Saiu caro, mas eu achei que valeria a pena — continuou Margô. — Achei que as provas incriminariam Spike, que já estaria bem longe quando o roubo fosse descoberto. Não queria que acontecesse nada de mal a Spike. Eu achei que ele não seria encontrado...

— Só que você se esqueceu de que Burt vivia louco para arranjar um pretexto para despedir Raul, não é, Margô?

  • Eu escondi a corrente na maleta de Raul sabendo que ele não mexia nela com freqüência. Assim, quando achasse a corrente, a história do roubo já estaria praticamente esquecida e ele teria todo aquele ouro para si.

  • Quer dizer que sua preocupação na vida é fazer Raul ficar rico? — perguntou Burt, com sarcasmo.

  • Queria que ele tivesse dinheiro para que pudéssemos nos casar... Sabia que com o que ele ganhava aqui jamais poderia pensar em casamento, mas Raul me ama... eu sei... E, afinal, foi ele que achou a corrente no fundo do mar e arriscou a vida para trazê-la! Acho que ele tem muito mais direito de ficar com ela! Aliás, todos os rapazes arriscam a vida mergulhando diariamente para ganhar uma miséria!

Lídia ergueu-se.

  • Sua história é uma loucura, Margô! Nem sei o que dizer, mas acredito em você. Ninguém poderia inventar uma maluquice dessas! Só que não sei se você percebeu que Raul agora deve estar por aí, frustrado revoltado e com ódio do mundo! Só Deus sabe o que ele pode estar fazendo a essa hora! Precisamos encontrá-lo!

  • E como você pretende fazer isso? — disse Burt, com sarcasmo, os olhos brilhando de raiva. — Tem alguma sugestão? E além do mais, acho que não vale a pena. Ele não presta, mesmo! É um viciado, um maconheiro.

Lídia fitou-o de olhos arregalados.

— Você não pode acreditar nisso, Burt. Não tem provas contra Raul! Está apenas com ciúmes porque Margô ficou gostando dele e se esqueceu de você!

Por instantes ela pensou que Burt fosse esbofeteá-la. Ele cerrou os punhos e deu um passo adiante, depois se controlou.


  • Você está muito enganada, Lídia! Não sei por que você está defendendo tanto assim o homem de outra mulher, mas, se me levar até Raul, eu peço desculpas a ele.

  • Foi tudo culpa minha! — disse Margô. — Eu é que devo pedir desculpas a ele... se não for tarde demais. Mas, como vamos encontrá-lo?

  • Tive uma idéia! Não sei como não pensei nisso antes! Ele deve estar em Mallory, fazendo seu número de mágicas, como antes. É o que ele sabe fazer melhor, além de mergulhar.

  • Pelo menos é um ponto por onde se começar — disse Burt. —Foi lá que eu o vi pela primeira vez. Vamos embora, então! Vou preparar o helicóptero.

Eles voaram para Key West em silêncio. Margô foi chorando baixinho o tempo todo. Chegaram cedo lá. Se fossem logo para o cais, Raul poderia vê-los antes de começar o show e fugir. Por isso fizeram um pouco de hora em Marvista.

Foram para o cais só quando o sol já estava se pondo. Burt estacionou o carro em um lugar perto de Mallory e fizeram o resto do percurso a pé. Os artistas hippies já estavam todos a postos e em atividade. Cada um no seu canto, exibindo sua arte para os populares, que, como todas as tardes, se aglomeravam por ali.

— Hoje parece que há mais gente ainda — comentou Margô.

Continuaram andando por entre as pessoas e, de repente, Lídia localizou Raul. Em torno dele havia um agrupamento tão denso que ela só podia entrevê-lo. Chamou Margô e Burt, sem fazer alarde.

— Olhem, lá está ele!

— É melhor esperarmos até que ele termine o número de mágica, para nos aproximarmos — disse Burt. — Se ele me vir antes, é capaz de fugir.

E foi o que fizeram. Esperaram até que Raul passasse o chapéu e a pequena multidão começasse a se dispersar. Antes que os outros dois pudessem dizer qualquer coisa, Lídia aproximou-se de Raul e deu o braço para ele, como se quisesse impedi-lo de fugir. Ele ficou olhando a irmã por instantes, incrédulo, e não fez menção de fugir nem mesmo quando viu Burt e Margô se aproximarem.


  • O que é isso? Algum tipo de armadilha? — disse, sem se alterar. — Vamos lá, podem chamar os "tiras". Eu enfrento a situação. Não posso passar o resto da vida fugindo.

  • Sente-se, Raul — disse Margô. — Eu tenho algo a lhe dizer. Algo terrível e muito importante.

Eles caminharam até a mureta no fim da calçada que dava para o mar. Lídia e Raul sentaram-se sobre a amurada. Burt e Margô ficaram em pé.

Margô repetiu sua confissão para Raul, implorando que ele a perdoasse. Raul ficou apenas olhando para ela, de olhos arregalados, como se não entendesse muito bem, e balançando a cabeça.



  • Não sabia que você me amava tanto assim, Margô — disse ele, afinal. — Você foi capaz até de roubar por amor, só para se casar comigo!

  • Eu amo você mais do que tudo, Raul. Perdi a cabeça... mas você me ensinou que o amor é o mais importante na vida das pessoas...

Os dois pareciam ter esquecido o resto do mundo. Raul pegou a mão de Margô e puxou-a para perto de si. Nesse momento, entretanto, Burt aproximou-se e estendeu a mão, falando com sinceridade, sem a arrogância de sempre.

— Peço desculpas por minha atitude de ontem, Raul. Eu estava enganado.

Raul apertou a mão estendida, aceitando as desculpas com ar solene.


  • Tenho certeza de que não foi fácil para você pedir desculpas, Burt, por isso aceito seu pedido com o máximo respeito.

  • Você volta para trabalhar conosco, então? O emprego ainda é seu e eu gostaria muito que voltasse.

  • Você vai despedir Margô?

  • Não — respondeu Burt, sem olhar para ela.

  • Então eu volto amanhã mesmo.

  • Fico contente com isso.

Enquanto Burt e Raul trocavam outro aperto de mão, Lídia ficou imaginando se Burt não se importava mais com Margô, se não tinha mais ciúmes. Lembrou-se da ruiva que ele levara a bordo e acabou deduzindo que ela devia ser seu novo caso de amor, o novo interesse. Margô já devia pertencer ao passado daquele playboy conquistador. Lídia não pôde deixar de sentir raiva daquela ruiva desconhecida.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   12


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal