Águas Perigosas Treasure Of The Heart



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CAPÍTULO V

Burt cumpriu a palavra e voltou logo, acompanhado de três pessoas. Lídia logo adivinhou quem eram. Elmer Buell, o marido de Maggie, foi quem trouxe a mala. Era um homenzarrão musculoso, que mais parecia um lutador de boxe. Sem dúvida, a presença dele em Marvista impunha respeito. As outras duas pessoas eram obviamente os pais de Burt.

— Lídia, quero que conheça a minha família: Catherine e Burton Hastings Adburee. Papai prefere ser chamado de Hastings. Eu já contei a eles como você é apaixonada pela arqueologia submarina.

Ela não gostou do jeito como ele disse aquilo. Deu a impressão de que estivera caçoando dela e de sua profissão. Ficava furiosa com aquele ar de superioridade com que a tratava.

— Prazer em conhecê-la, Lídia — disse Hastings, estendendo a mão que ela apertou.

Ele devia ter uns sessenta anos e dava a impressão de ser Buri envelhecido, tal era a semelhança. O cabelo era grisalho e crespo, estava de terno cinza, camisa branca, gravata cor de vinho e abotoaduras em forma de âncora, tudo muito chique e elegante. Parecia um executivo.

— Papai é o capitão que comanda nosso navio. Ele é o presidente das Empresas Adburee.

Lídia percebeu que Burt falava do pai com muito orgulho. Hastings sorriu e disse:



  • Nós possuímos uma frota de barcos na costa do Golfo, em Key West, fazendo o trabalho de reboque e conserto.

  • Que interessante! — comentou Lídia para ser gentil, depois virou-se para a mãe de Burt. — A senhora tem uma casa maravilhosa. É muita generosidade sua receber aqui os funcionários de Burt.

— Gosto de gente jovem ao meu redor — disse Catherine. — Já que Burt acha bom ter seus funcionários sempre por perto, Hastings e eu ficamos satisfeitos de colaborar, abrindo a ala da casa que estava em desuso.

Catherine era quase tão alta quanto o filho. Era magra, bonita e elegante e parecia ser tão cheia de contrastes quanto ele, pois estava com brincos de brilhante, calça jeans com jaqueta igual e sandálias e revelavam unhas pintadas de vermelho. Trazia uma cesta com material de jardinagem, indicando que pretendia cuidar das plantas.

— Agora precisamos ir embora — disse Burt, depois de alguns momentos de conversa. — Pode ser que hoje seja o dia!

— Que dia? — perguntou Lídia.

— O dia em que vamos encontrar o casco do Santa lsabella.

— Tome cuidado, meu filho! Eu não suportaria... outro acidente.

Os olhos azuis de Catherine se anuviaram. Burt aproximou-se da mãe e abraçou-a.

— Nós tomaremos cuidado, mamãe, não se preocupe. E quando acharmos o tesouro, vou cobri-la de ouro!

Lídia ficou imaginando qual teria sido o acidente a que Catherine se referira. Depois sentiu uma ponta de remorso por ter julgado Burt tão severamente. Havia muito carinho entre ele e os pais. Talvez ele não fosse só convencido e arrogante como ela o tinha achado, talvez fosse emotivo também, e escondesse uma certa meiguice. Na verdade, ele era um enigma.

Sem lhe dar mais tempo para perguntar qualquer coisa, ou desfazer as malas, Burt segurou o braço de Lídia e foi encaminhando-se para a porta. Quando chegaram ao carro, ele falou:

Pode me devolver a jaqueta, agora, Lídia? Já deve ter passado o frio, não é?

Ela fez que sim com a cabeça, mas, antes que tivesse tido tempo de tirar dos ombros a jaqueta, Burt aproximou-se para fazer isso por ela. Tirou devagarzinho e olhando-a de tal modo que ela se sentiu como se ele a estivesse despindo.

Para disfarçar sua perturbação, Lídia entrou depressa no carro. Burt foi direto para o aeroporto e lá tomaram o helicóptero. Sobrevoaram o mar em silêncio, devido ao barulho do motor, que dificultava uma conversa.

Lídia estava absorta em seus pensamentos quando sentiu o helicóptero baixar de repente. Lembrou-se logo da brincadeira da outra vez e olhou interrogativamente para Burt.

— Olhe lá, esses são meus concorrentes! — gritou ele, apontando para um barco grande e amarelo.

Ah, então era isso! Mas dessa vez ele não fez nada; continuou o vôo e, pouco depois, estavam pousando no convés superior do Sea Deuced.



  • Puxa! Pensei que você fosse assustar o pessoal daquele barco, como fez com os pescadores!

  • Por que haveria de assustá-los? Eles são comerciantes legalizados. Concorrentes, apenas isso. Não vão invadir meu território de pesquisa enquanto eu estiver por aqui e têm tanto direito de explorar o mar quanto eu.

Lídia ficou admirada com essas palavras e não perguntou o que mais queria saber: por que então ele havia assustado aqueles pescadores? Burt era realmente paradoxal! Havia muitas coisas nele que ela não conseguia entender.

— Chegamos na horinha! Uma equipe de mergulhadores está voltando à superfície. Vamos ouvir o relatório deles e depois você poderá observar a segunda equipe mergulhar, assim já vai se entrosando com nossas operações. Vamos lá!

Burt desceu as escadas e ela o seguiu. No convés principal, pararam a amurada da popa, esperando os mergulhadores subirem a bordo. Com as roupas pretas de borracha e a aparelhagem às costas, eles mais pareciam criaturas de outro planeta. Assim que chegaram a bordo, desvencilharam-se de todo o equipamento, entre risos e brincadeiras. Lídia viu então que Raul era um dos mergulhadores.


  • Raul! Onde você arranjou esse tubo de oxigênio? — disse Burt, chamando-o.

  • Na sala de equipamentos.

  • Eu lhe disse para não mergulhar hoje, antes de conversar comigo!

  • Mas, eu pensei que...

  • Você não tem que pensar nada! Quando dou uma ordem, quero que seja cumprida. Tenho vontade de despedir você já!

  • Burt!

Lídia exclamou, num ímpeto, mas logo se conteve. Não era de sua conta, não podia intrometer-se, embora lhe doesse ver o irmão ser tratado daquela maneira.

— Desça e limpe o porão, depois vou falar com você — disse Burt. fuzilando Raul com o olhar.

Depois que ele se foi, apresentou Lídia ao outro mergulhador, dizendo apenas o primeiro nome.

— Tiveram sorte, hoje, Scotty?

Ele fez que não com a cabeça, espirrando água para os lados. Lídia afastou-se um pouco para não se molhar.

— Quanto tempo ficaram lá embaixo? — perguntou Burt.

— Duas horas. Henry apareceu para nos ajudar, mas não tivemos sorte.

— Onde está ele? — disse Lídia, inclinando-se sobre a amurada, à procura do outro mergulhador.

Burt e Scotty caíram na risada.


  • Henry é a nossa mascote — explicou Burt. — É uma barracuda que às vezes aparece e segue nossos mergulhadores.

  • Mas não é perigoso? — perguntou ela, conhecendo aquele peixe.

  • A gente se acostuma com o perigo — disse Burt, depois virou-se para Scotty. — Vá descansar um pouco, agora. Vou querer que você mergulhe de novo à tarde, se o tempo continuar bom.

Quando Scotty desapareceu cabine adentro, surgiram no convés mais dois mergulhadores. Já estavam com todo o equipamento e pularam na água antes que Burt pudesse apresentá-los. Lídia ficou contemplando a superfície com ar sonhador.

  • Você gostaria de descer também, para ver o que se passa lá no fundo?

  • Ah, é claro que gostaria, Burt! Você tem um equipamento extra aqui? O meu ficou no carro.

  • Tenho uma porção. Mas primeiro vou lhe mostrar onde vai ser seu escritório e deixar que organize seu trabalho. Nós mergulharemos só à tarde.

Será que ele estava querendo assustá-la, criando uma ansiedade que até a hora do mergulho? Ou estava querendo ser sedutor e romântico, fazendo-a imaginar os dois sozinhos no fundo do mar? Lídia desejou poder conhecer melhor Burt. Enquanto isso, era melhor ficar sempre em guarda.

  • Por que você ficou tão bravo com Raul?

  • Tenho meus motivos.

  • É justamente isso que estou perguntando. Você nem deu a ele uma oportunidade de se explicar.

Não quero explicações. Quero obediência. Acho que você foi injusto. Está bem, vou lhe explicar. Sei que você está... saindo com Raul, mas tenho motivos para desconfiar que ele está envolvido com drogas. Talvez seja um maconheiro.

  • Você está muito enganado!

  • É claro que você vai defendê-lo! Mas eu o vi dar dinheiro a um tipo cabeludo, e em geral esses tipos só significam uma coisa: drogas! E não quero saber de ninguém trazendo isso para meu barco! Na verdade, não posso provar nada contra Raul... pelo menos por enquanto, mas, se ele me der motivo, eu o despeço na hora! Venha, Lídia, vou levá-la ao seu escritório. Ontem à noite eu disse a Margô que o arrumasse para você.

  • Quanta gentileza!

Entraram num cubículo atrás da cozinha, no qual mal dava para se mexer. Havia apenas uma escrivaninha com cadeira e um pequeno armário de arquivo. Isso era tudo; não havia carpete, nem cadeira para visita. Era evidente que Margô a colocara num canto bem longe de Burt.

— Tenho certeza de que vai ser do seu agrado.

— Ah, sem dúvida! O que você quer que eu faça primeiro? Burt demorou para responder.

— O que você gostaria de fazer primeiro, Lídia? Você é que vai ter que me ensinar e dizer o que deseja que seja feito.

A voz de Burt estava macia e sedutora de novo e o olhar dele percorria o corpo de Lídia.


  • Gostaria de começar meu trabalho catalogando primeiro q? peças que você encontrou, as que estão no cofre. Há um formulário especial para isso, mas ele só é usado quando o pesquisador sabe a identidade correta do navio que está pesquisando. — Lídia abriu uma das gavetas e viu que Margô havia colocado papel e carbono. — Vou fazer cópias desses formulários, numerar cada artefato e registrar os dados referentes a cada um.

  • Parece um bom começo. Então venha comigo que vou abrir o cofre.

  • Você vai ter que me informar sobre o local exato em que cada peça foi encontrada. Acha que terá alguma dificuldade?

  • É claro que terei! Eu me lembro dos locais aproximados, mas não exatos!

  • Vou precisar também de equipamentos arqueológicos para trabalhar.

  • Nunca conheci uma mulher que não me fizesse gastar dinheiro!

Burt piscou para ela e Lídia lembrou-se da noite em que o encontrara no The Deck, dançando com Margô. Que tipo de homem era esse, que piscava para uma mulher, enquanto estava com outra nos braços?

— Então vou ter esse equipamento?

— É claro. Vamos abrir logo esse cofre.

Lídia foi com Burt até o escritório de Margô. Lembrou-se de que a moça estava enciumada com a presença dela e foi pensando num jeito de tranqüilizá-la, de deixar claro que não queria nada com Burt. Afinal, ela ia precisar da colaboração de todos ali no barco.

Margô não estava na sala, mas seu perfume doce pairava no ar. Será que fora presente de Burt? Será que ele gostava daquele cheiro? Lídia afastou tais pensamentos. Não eram da sua conta os presentes que Burt dava às namoradas.

Burt abriu o cofre e colocou as peças sobre a mesa de Margô.



  • Aí estão. Pode levar tudo para seu Escritório e começar seu trabalho.

  • Não vai contar as peças?

  • Confio em você, Lídia.

  • É muita responsabilidade para mim. Prefiro deixar uma lista numerando todas as peças aí no cofre, se não se incomoda em esperar um pouco.

  • Já que você insiste. — Sentou-se na beira da escrivaninha de Margô e ficou observando-a.

Lídia sentiu que o olhar dele era irônico, nas não se deixou afetar. Continuou o que estava fazendo, querendo mostrar a ele que estava levando muito a sério seu trabalho. Ao terminar, entregou-lhe uma folha de papel.

— Guarde isso no cofre, por favor. Quando eu devolver as peças, nós conferiremos com a lista.

Lídia levou as peças do tesouro para sua mesa e começou a trabalhar. Catalogou moeda por moeda primeiro, especificando a data inscrita, o valor, o cunho e assim por diante Trabalhou sem parar a manhã toda e depois foi até o escritório de Margô.


  • Como está se saindo? — perguntou Margô.

  • Bem. Só tenho um probleminha: preciso de um fichário para manter um relatório permanente.

Margô examinou o que estava escrito nas folhas e pediu explicação sobre os dados anotados. Lídia explicou, quando estava falando sobre o item da exata localização das peças encontradas, Burt entrou na sala.

— Você já falou sobre esse equipamento de que vai precisar — disse ele, ouvindo o fim da conversa. — Não precisa ficar repetindo.

— É para ressaltar bem a importância — retrucou Lídia, com raiva do tom de pouco-caso dele. ― Já terminou de usar as peças? — perguntou ele, ignorando sua rispidez.


  • Ainda não. Pretendo colocar essas anotações num fichário que guardarei em seu cofre.

  • Eu lhe trarei um fichário da cidade, amanhã cedo. — Depois, mudando de tom, falou: — É hora do almoço, meninas! Vamos para a cozinha?

  • Eu trouxe lanche para nós dois, Burt — disse Margô —. aqueles sanduíches especiais!

  • Mas hoje nós somos três, não é?

Não querendo causar desentendimentos entre eles, Lídia falou depressa:

  • Ah, não se incomodem comigo. Eu não costumo almoçar, quando tomo um café da manhã bem reforçado!

  • Mas aqui vai ter de mudar o costume — disse Burt. — Nós vamos mergulhar à tarde e isso requer muita energia. Precisa alimentar-se para se manter forte. Vamos lá. meninas. Vou fazer uma salada e dividiremos os sanduíches!

Ele foi saindo na frente. Quando ficaram a sós, Margô fulminou Lídia com um olhar e foi dizendo, ao aproximar-se dela:

  • Olhe aqui, Lídia, não sei o que está pretendendo, mas lembre-se de uma coisa: eu conheci Burt primeiro!

  • Não vou me esquecer disso, Margô, e nem precisa se preocupar! Meu único interesse em Burt é com relação ao navio que ele descobriu no fundo do mar.

  • Acho mesmo que eu vou acreditar nisso? Conheço bem o seu tipo!

  • Duvido muito! — retrucou Lídia, furiosa.

  • Meninas! Venham logo!

Quando Lídia olhou para Burt, ficou com mais raiva ainda, pois percebeu logo que ele imaginava que elas tinham estado discutindo por sua causa.

Pouco depois admirou-se com a bela salada que Burt preparara, temperada com um saboroso molho que ele mesmo fizera. Margô sugeriu que tomassem vinho, mas ele recusou dizendo que iria mergulhar com Lídia mais tarde.

Quando acabaram a refeição, Lídia voltou a trabalhar com as peças até que Burt foi chamá-la.


  • Largue isso, agora. Está na hora de nos prepararmos para o mergulho.

  • Está bem, Burt.

Ela levou as peças para guardar no cofre e pediu que Margô conferisse a lista.

— O que você vai fazer amanhã? — perguntou Margô. — Os mergulhadores não acharam muita coisa e você não vai ter o que fazer aqui.

Ela vai ao banco, na cidade, fazer um serviço — respondeu Burt, chegando naquele minuto. Depois virou-se para Lídia. — Temos prata guardada no cofre do banco. As peças estão mergulhadas em água do mar ainda. Não vai ser muito agradável trabalhar com elas, mas...

— Eu estou acostumada com isso, não tem problema, Burt.

Sem querer, Lídia ficou contente de não ter que trabalhar perto de Margô.

— Vamos nos preparar para o mergulho, então?

Lídia seguiu Burt até o porão do barco, onde ele lhe indicou uma porta.

— Aqui é seu vestiário. Vai encontrar tudo de que precisa, menos os tubos de oxigênio. Meus mergulhadores costumam usar a roupa inteiriça nesta época do ano, pois a temperatura da água está mais de vinte graus abaixo da temperatura do corpo. Encontro você aqui para colocar o tubo de oxigênio.

Lídia fechou a porta e examinou o traje especial de borracha. Havia também um minúsculo biquíni vermelho. Como é que ele sabia o número dela? E por que vermelho? Ela não costumava usar essa cor! Ainda bem que não ia aparecer, sob o traje de mergulho!

Tirou a roupa e, tal como havia imaginado, o biquíni ficou perfeito em seu corpo. Burt tinha mesmo olho clínico em relação a mulheres! Vestiu por cima o traje de borracha, que aderiu a seu corpo como uma segunda pele, revelando suas formas perfeitas.

Depois de pronta, abriu a porta e, ao ver Burt parado lá, esperando por ela, usando um traje de mergulho, sentiu o coração acelerar. Ele estava usando só a parte de cima do traje com o maio, e ela não pôde deixar de admirar aquelas pernas musculosas e bronzeadas.

Tomara que ele não note o quanto estou nervosa!, pensou.



  • Serviu bem o traje? — perguntou Burt.

  • Está ótimo.

  • E o biquíni vermelho?

  • Também está.

  • Eu tinha certeza! — Burt sorriu com malícia e olhou para ela como se enxergasse através do tecido de borracha. — Você precisa de pesos?

  • Não. O tubo de oxigênio basta para fazer peso.

Burt ajudou-a a prender os tubos de oxigênio nas costas; depois passou saliva no vidro da máscara, ajustou-a no rosto, e ajeitou o bocal. Olhou por sobre a amurada, contemplando a água. Não estava com medo. Mas por que então estava tão trêmula? Detestava ter que admitir que Burt a deixava perturbada.

— Pronta? — perguntou ele.

Lídia fez que sim.

—Eu vou primeiro; você conta dez segundos e vai em seguida.

Burt ajustou o bocal e mergulhou, Lídia contou até dez e mergulhou também. Em poucos instantes estavam nadando lado a lado. movimentando-se sem esforço, como se fossem criaturas do mar. A luz filtrada pelas águas, iluminava o fundo e Lídia como sempre ia admirando a beleza da paisagem submarina. Passavam por recifes com cavernas escuras e misteriosas, cardumes de peixes das mais variadas espécies, corais vermelhos, plantas de todas as cores, estrelas-do-mar.

Em determinado momento, Burt segurou-a pela cintura, como se fossem dançar, puxando-a levemente e apontando para a direita. Ela balançou a cabeça, indicando ter entendido que era para nadar naquela direção, mas foi como se um vulcão tivesse entrado em erupção em seu íntimo, pelo simples fato de ele ter tocado nela. Então ele a soltou e foi nadando na frente. Lídia percebeu que ele a estava conduzindo para um facho de luz que descia até uma região mais profunda.

Burt segurou-lhe a mão e começaram a descer. Ela sentia calafrios de estar ali com ele, de mãos dadas, naquele mundo belo e silencioso. No fundo não havia plantas, nem pedras, só areia. Acima de suas cabeças, dava para se ver a sombra do casco do Sea Deuced, de onde os defletores mandavam jatos d'água, para remover a areia. Uma imensa cratera começou a se formar e apareceram pedras e conchas flutuando. Algumas pedras eram redondas como bolas de futebol e Lídia imaginou que deviam ser balas de canhão do galeão espanhol.

Nesse momento, os defletores foram desligados e a areia espalhada que dificultava a visão começou a assentar de novo.

Então era essa a operação de busca de Burt! Lídia ficou realmente tão impressionada que até se esqueceu de que ainda estava segurando a mão dele. Quando tentou largá-la, entretanto, ele apertou-a de leve e não a soltou. Ela sentiu um aperto na boca do estômago. Será que Burt também sentira?

Enquanto subiam lentamente, rumo à superfície, ela sentiu as pernas dele esbarrarem nas suas. Teria sido de propósito? Tudo o que sabia era que estava vibrante e cheia de vida, desejando estar só de biquíni, ou talvez sem nada, para sentir melhor o contato da pele dele. Começou a se imaginar nadando assim com ele, por aquelas águas cristalinas, até que... até que, o quê? Nesse ponto, ela cortou as asas de sua fantasia. Burt tinha largado sua mão e já haviam chegado à superfície. Ele ficou boiando, esperando que ela subisse a bordo primeiro.

Lídia sentia-se relutante em sair do maravilhoso mundo submarino. Havia partilhado com Burt uma experiência única, que mexera tanto com sua sensibilidade que ela jamais seria a mesma depois disso. Já a bordo, depois de ter tirado a máscara e os equipamentos todos, não tinha coragem de encarar Burt, com medo de que ele percebesse o tumulto de seus sentimentos e emoções.

CAPÍTULO VI

A maravilhosa sensação de felicidade e entusiasmo dissipou-se assim que Lídia subiu a bordo e viu Margô esperando para dizer a Burt que recebera um chamado de Key West, pedindo a presença dele lá para uma reunião de urgência. Foi decidido então, às pressas, que Margô deveria acompanhá-lo para taquigrafar a reunião.

Quando Lídia voltou ao convés, depois de ter tomado banho e se arrumado, Burt e Margô já haviam partido de helicóptero e Harry estava esperando para levá-la de lancha a Key West. Lídia foi até o escritório pegar umas anotações e, ao passar pela sala, viu uns mergulhadores jogando pôquer. Raul estava com eles. Olhou para o irmão, mas ele evitou o olhar.

A viagem de lancha foi um tanto longa e cansativa, mas sem incidentes. Para surpresa de Lídia, ao chegarem ao ancoradouro, Elmer a estava esperando com seu carro.



  • Burt disse que você ia precisar de condução — disse ele, segurando a porta aberta para ela entrar.

  • Que gentileza a sua, Elmer! Eu agradeço sua atenção.

Lídia entendeu que o gesto atencioso partira de Burt. Talvez ele não fosse tão egocêntrico quanto ela havia pensado.

Era estranho sentar-se no banco de passageiros em seu próprio carro, mas Lídia percebeu que Elmer preferia ir dirigindo e não quis contrariá-lo. Quando chegaram em Marvista, Elmer desceu e ela passou para o volante. Voltou, então, à avenida Roosevelt. Parou r.a Pizzaria Huddle e pediu uma pizza pequena para viagem, que levou para comer em seu apartamento de Marvista. Estava lá, comendo, quando Margô bateu e foi entrando, sem esperar resposta.

— Lídia, estou esperando um telefonema muito importante para agora à noite. Dá para você pegar o recado para mim? Eu não vou estar aqui.

— É claro, Margô. E o que quer que eu diga para a pessoa que vai telefonar?

Lídia, que havia trocado de roupa, estava de jeans e sentiu-se diminuída diante de Margô, tão chique e elegante. A moça olhou-a com superioridade e sorriu, provocante.

— Burt e eu vamos jantar fora. Vamos ao Logun's, mas não quero que me chamem lá. Diga apenas que aconteceu um imprevisto e eu tive que sair.

— Está bem — respondeu ela, engolindo o último pedaço de pizza com um gole de refrigerante.

— E não deixe lixo por aqui que atrai baratas. Catherine detesta isso.

Lídia cerrou os punhos, com raiva, refreando a vontade de responder mal. Margô saiu e ela começou a desfazer as malas depressa, guardando as coisas a seguir. Depois sentou-se para dar uma olhada nuns livros de pesquisa que trouxe consigo. Precisava saber a duração exata de cada reinado espanhol, as datas certas, para compará-las com as das moedas de prata que estavam no banco. Foi anotando, à medida que lia: Felipe II, 1556 a 1598; Felipe III, 1598 a 1611; Felipe IV, 1621 a...

Nesse momento, ouviu vozes lá fora e interrompeu a leitura.



  • Você está linda hoje, Margô — disse Burt. — Aliás, como sempre!

  • E você está um pedaço de mau caminho! — retrucou Margô. — Todo o mundo vai olhar para a gente!

Lídia se admirava de ver como Margô mudava quando estava com Burt! A voz ficava suave e ela deixava de ser autoritária para ser mansinha e cordata.

O telefone afinal não tocou e Lídia acabou achando que aquela história do telefonema tinha sido apenas um pretexto para Margô dizer que ia jantar com Burt. Deitou-se cedo, mas só dormiu depois que ouviu a moça chegar, às duas horas da madrugada. Será que havia ficado no Logun's até aquela hora? Seria melhor não ter olhado para o relógio!

Na manhã seguinte, quando Burt foi buscá-la, estava chovendo. Lídia havia se vestido com cuidado especial, para ir ao banco fazer o tal trabalho. Colocara o tailleur verde-mar, que realçava sua feminilidade, com sandálias de salto alto e bolsa a tiracolo.

Colocou a capa com capuz, pegou dois livros para eventuais concitas e correu para o carro.

O céu estava escuro e a chuva caía forte, com raios e trovoadas. Os limpadores de pára-brisa mal davam conta. Lídia, entretanto, sentia-se protegida dentro daquele carro confortável e ao lado de Burt... logo ela que sempre tivera medo de tempestades! Incrível isso, como se ele pudesse protegê-la da fúria dos elementos da natureza!


  • Sabe de uma coisa, Lídia? Nunca consegui descobrir de que cor são seus olhos. Eles estão sempre mudando! Azul... cinza-esverdeado... verde... Até parece o mar! Mas descobri que são muito bonitos!

  • Obrigada, Burt.

Ela agradeceu educadamente, mas, no íntimo, ficou vibrando com o elogio. Além dó mais, gostou muito da comparação com o mar. Entretanto, sabia que, apesar de ele ter gostado de seus olhos, não era o tipo dele. Burt gostava de mulheres sofisticadas e glamourosas como Margô. Aquele mergulho a dois, da véspera, que ela achara tão romântico, não devia ter significado nada para ele!

  • Ainda bem que eu escolhi hoje para o trabalho no banco! Enquanto o tempo estiver assim, o pessoal não vai poder mergulhar.

  • Você também vai trabalhar no banco, hoje?

Depois de ter perguntado, Lídia observou que, embora ele estivesse de roupa esporte, estava muito chique. Não usava jeans, como costumava. Ficou tão distraída e sonhadora olhando para ele que, quando percebeu que ele estava falando com ela, enrubesceu.

— Você acha ruim?

Foi só o que conseguiu entender do que ele havia falado.


  • O quê? — perguntou ela, meio sem jeito.

  • Perguntei se você acha ruim que eu também fique trabalhando no banco.

  • É claro que não! Você pode me ajudar, se quiser. — Seu coração pulsou mais forte, só de pensar em trabalharem juntos.

  • Só que eu não vou ficar trabalhando com você. Tenho uma reunião com Roscoe Murdock, o presidente do First National de Key West. Temos que acertar detalhes de um investimento.

  • Ah, sei.

Lídia não queria admitir, mas ficara decepcionada.

Quando chegaram à Front Street, Burt parou o carro no estacionamento em frente ao banco e ficaram esperando que a chuva diminuísse um pouco, para que pudessem correr até o prédio.



  • Este banco tem uma arquitetura muito interessante! É uma das construções mais bonitas da ilha! Ele é de origem espanhola?

  • Acho que sim, mas nunca me preocupei em saber isso. Quando se trata de banco, eu só me interesso pelo que tem dentro dele.

Antes que Lídia respondesse qualquer coisa, ele abriu a porta do carro e comentou:

— Agora a chuva está mais fraca. Vamos aproveitar, Lídia?

Burt saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela. Pegou os livros, segurou o braço dela e atravessaram a rua correndo. Pararam sob a marquise de entrada. Lídia abaixou o capuz da capa e fez uma pausa para recuperar o fôlego. Estava sentindo um calor diferente no corpo. Seria o tempo? Ou seria a proximidade dele?

—Vamos entrar, Lídia, já estamos um pouco atrasados.

Dentro do banco o ambiente era frio e impessoal; aliás era isso o que ela achava de todos os bancos.

Burt apresentou-a a Roscoe Murdock e Lídia cumprimentou-o formalmente, com um sorriso artificial. Apesar de estar impecavelmente vestido, ter o cabelo cortado segundo a última moda e mãos com unhas tratadas, Roscoe era um homem atarracado ê pesadão, que mais parecia um pescador de lagostas do que um presidente de banco.

Roscoe levou-os para o porão do banco, destrancou uma porta no fim de um corredor empoeirado e fez Lídia entrar primeiro.

— A Dive Boys alugou esta sala de segurança — explicou Burt. — Nós ainda não temos muita coisa guardada aqui, mas espero logo vir a ter. Você vai trabalhar nesta sala, hoje.

Lídia olhou a sala, que mais parecia uma cela de prisão, cheirando a umidade. Não tinha nada, a não ser uma velha mesa, onde ela colocou os livros, quatro cadeiras e alguns recipientes no chão.


  • Acha satisfatório? — perguntou Roscoe.

  • Sem dúvida. Está ótimo! — Aproximou-se de um dos recipientes. — Será que um de vocês poderia fazer a gentileza de colocar isso na mesa para mim?

  • É claro! — disse Roscoe.

Ele deu um passo à frente, mas Burt adiantou-se e fez o que ela pediu. Quando ele ergueu a tampa, um cheiro forte invadiu a sala. Lídia olhou para o conteúdo e quase perdeu a fala.

  • Não sabia que tinha achado tantas moedas, Burt!

  • Tentamos manter segredo do que já encontramos. Mas tenho certeza de que tem muito mais lá no fundo.

  • As normas de segurança do banco exigem que você seja trancada nesta sala enquanto estiver trabalhando — disse Roscoe. — E para sua própria segurança e também do tesouro. Entende?

  • Claro! Eu terei uma chave comigo, não é?

  • Certamente, e Burt ficará com uma cópia. Você poderá entrar sair quando quiser. Só precisa avisar nosso guarda de segurança, no topo da escada. — Roscoe entregou a ela uma pesada chave preta. — Já que está satisfeita com tudo, vou deixá-la a sós com seu trabalho, e nós, Burt, vamos para a nossa reunião.

Lídia guardou a chave na bolsa, pegou uma lente de aumento e preparou-se para começar a analisar as moedas. Poucos minutos depois, Burt voltou com um rolo de toalhas de papel.

  • Parece que vai precisar disso.

  • Obrigada, Burt.

No íntimo, ela ficou contente com toda aquela consideração dele — Forre bem a mesa com esse papel. Não quero que as moedas se estraguem.

Lídia desiludiu-se. A consideração toda não era. para com ela.

Afinal ficou sozinha e começou a trabalhar, mergulhando a mão na água salgada do recipiente para pegar as moedas. O tesouro cheirava mal e sujava seus dedos, mas Lídia não se incomodava; sentia-se transportada para uma outra era. Espanha antiga! Quantas viúvas não haviam chorado o destino trágico do Santa Isabella! Quantas mulheres não haviam ficado sem seus homens!

Limpou o melhor que pôde os resíduos escuros das moedas. Afinal, não era sua especialidade. Burt teria que contratar um perito para isso. Por enquanto, ia apenas separar os dobrões em grupos de vinte e cinco moedas, registrar as datas, o reinado, e o que mais conseguisse anotar, depois ia amarrá-las numa rede com etiquetas plastificadas e recolocá-las na água salgada.

O que seria aquele "P" na marca de cunhagem? Potosí? Ou será que era um "S"? Lídia estava examinando atentamente uma das moedas, quando a luz piscou e depois se apagou. Por um instante ela ficou imóvel, na escuridão, tentando controlar o pânico que a invadia. Sentia a garganta apertada, as mãos suadas. O ar-condicionado havia parado de funcionar e o cheiro forte começava a dar enjôo. Faltava-lhe o ar e ela sentia-se sufocada. Procurou às pressas a chave na bolsa, enquanto abafava um grito. Foi tateando até a porta, derrubou uma cadeira e esbarrou na mesa. Tentou achar o buraco da fechadura, mas estava tão nervosa que não conseguiu. Então o pânico chegou ao auge e ela começou a gritar.

— Socorro! Socorro!

Esmurrava a porta, desesperada, e, em sua aflição, derrubou a chave. Abaixou-se, apalpando o chão de concreto, cada vez mais aflita. Não conseguiu encontrar. Havia perdido a chave! Apavorada, ergueu-se e continuou a esmurrar a porta.

— Socorro! Socorro!

Lágrimas rolaram por seu rosto. E, então, de repente, ouviu alguém girando uma chave na fechadura, do lado de fora. A porta se abriu e Burt entrou, chamando-a.

— Lídia! Lídia!

Ela se atirou nos braços dele, em prantos, escondendo o rosto naquele ombro, apertando-se contra aquele peito musculoso. Agarrava-se a ele, estreitando seu corpo ao dele, sentindo o perfume de sândalo.

—Lídia, o que foi? — Burt apertava-a nos braços, confortando-a.

— As luzes se apagaram, mas...

—Fiquei presa... a chave caiu... eu tropecei... o escuro...

Ela não conseguia controlar o tremor.

— Está tudo bem agora. Não aconteceu nada, você não está mais presa, Lídia. A porta está aberta e depois que a luz voltar vamos procurar a chave.

O tom calmo e tranqüilizante daquela voz foi invadindo Lídia, até que ela conseguiu se controlar. Então sentiu-se embaraçada de estar aninhada nos braços dele. Tentou afastar-se, mas ele deslizou as mãos másculas até seus quadris, apertando-a contra si.

Lídia havia se agarrado a ele por medo e susto, em busca de proteção, mas agora a proximidade dele começava a transformar as emoções. O tremor que a invadia era de outra espécie.

O calor da respiração dele perto de sua orelha foi espalhando uma quentura gostosa e uma moleza em seu corpo. Então aquelas mãos começaram a percorrê-la devagar, provocando arrepios. Já não era uma atitude de quem conforta. As mãos agora traçavam carícias leves e ardentes, cheias de desejo.

Sem que ela se desse conta de quem dera o primeiro passo, suas bocas se uniram com a mesma fome de beijos. Os lábios dele se entreabriram e a língua explorava com sabedoria e delicadeza os contornos dos lábios dela, os segredos do interior... sem pressa.

Lídia sentiu-se dominada por uma onda de desejo e, embora fosse inexperiente, correspondeu com um ardor de que ela nem se imaginava capaz.

Ficaram assim nesse abraço, tão fora do tempo e longe do mundo, que custaram a perceber que a luz tinha voltado. Com certa relutância, Lídia afastou-se de Burt.

Por instantes, nenhum dos dois falou nada, como se precisassem de tempo para recuperar o controle e dominar as emoções, até que a voz áspera de Roscoe, que vinha se aproximando, quebrou o encanto.


  • Burt! Lídia! Desculpem o que houve. Espero que a falta de luz não os tenha atrapalhado demais. Já está tudo bem agora. Está tudo em ordem por aqui? Tive a impressão de ouvir alguém gritar há pouco, mas precisei atender ao telefone.

  • Está tudo em ordem, sim, Roscoe. É que Lídia deixou cair a chave e não conseguiu achá-la no escuro.

  • Ainda bem que não houve nenhum problema. Vamos continuar nossas negociações, então, Burt?

  • É claro. — Antes de sair, Burt virou-se para Lídia. — Eu venho buscá-la na hora do almoço. Espere aqui.

Ela fez que sim, sem dizer uma palavra, e, depois que eles saíram e fecharam a porta de novo, ainda continuou parada onde estava, com o olhar perdido. Como pudera se portar daquele jeito! Bancara a tola! Imagine o que Burt não estaria pensando dela! Será que teria coragem de encará-lo na hora do almoço?

Lídia mal conseguiu se concentrar no trabalho depois. Acabou decidindo fazer só as coisas mais simples, que não exigiam muito esforço de raciocínio.

Quando Burt chegou para buscá-la, estava aparentemente calma, mas por dentro ainda tremia. O que estaria ele sentindo? A expressão dele era inescrutável.

Lá fora a tempestade havia passado e o sol brilhava de novo. Burt levou Lídia a um restaurante discreto, na White Street, e não tocou no assunto da falta de luz, do pânico, ou dos beijos que haviam trocado. Comeram bife com batatas fritas e tomaram uma cerveja leve, quase sem conversar. Mas, ao terminar a refeição, Burt tirou-a para dançar. Num canto do restaurante havia uma pequena pista de dança, com uma vitrola automática.



  • Nunca dancei na hora do almoço! — disse Lídia, tentando achar uma desculpa para, não ficar nos braços dele.

  • Você está com medo?

  • Imagine! Medo de quê?

  • De mim.

  • Não seja convencido!

  • Então talvez seja medo de você mesma, das reações incontroláveis ...

  • Peço que me desculpe, Burt. Eu entrei em pânico e perdi o controle. Prometo que não acontecerá mais isso.

  • Por acaso eu disse que não quero que isso se repita? Nunca achei ruim uma mulher bonita cair nos meus braços!

  • Cair nos seus braços! Não foi nesse sentido que você está querendo insinuar.

  • Ah, é? Que pena! Tinha uma vaga esperança de que fossei Gostei do seu beijo, Lídia, e ficaria contente de saber que você gostou| do meu.

  • Isso é difícil negar — disse ela, rindo.

  • Ótimo! Gosto de mulher sincera. — Burt deu uma piscada para ela. — Você estava em pânico de fato, não é?

— Não seja injusto comigo, Burt. Eu fiquei apavorada mesmo e me descontrolei.

— Você teria se agarrado até no King Kong, se ele tivesse aparecido para abrir a porta! Não é?

— Ainda bem que foi você, Burt. Mas eu já lhe pedi desculpas por minha atitude e estou pedindo de novo.

— Está bem, não se fala mais nisso... por enquanto. Diga-me, como foi o trabalho com as moedas?

— Muito bem. Eu preciso de algumas coisas: redes pequenas, etiquetas plásticas. Mas, Burt, preciso saber o local exato onde cada coisa foi achada. Não se pode trazer mais nada do fundo do mar sem que eu saiba isso.

— E como pretende fazer?



  • Se for possível, gostaria de uma máquina para fotografar o fundo do mar, uma grade de aço e...

  • Você terá tudo de que precisa. Onde se pode encomendar esse equipamento?

  • Em Miami tem, mas...

  • Mas, o quê?

  • Encomendar demora muito. Talvez fosse melhor eu ir até Miami de carro para comprar. Dá para ir e voltar num mesmo dia. Assim também aproveito para fazer uma pesquisa na biblioteca.

  • Não é necessário ir de carro, Lídia. Amanhã vou a Miami de avião. Tenho negócios a tratar lá e você pode ir e voltar comigo.

Ela hesitou. Com essa não contava! Passar um dia com Burt em Miami!

  • Não sei, Burt, talvez fosse melhor eu ir de carro...

  • Eu vou decidir, então. Você vai comigo e sairemos amanhã cedo, às oito horas em ponto!

  • Está bem. Estarei pronta.

  • Leve roupa para ficar dois dias. É o tempo que vou precisar para resolver meus negócios.
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